Lembrando Alejandra Pizarnik
Ela nasceu em Buenos Aires em 1936 e escolheu suicidar-se lá também, em
1972. Prá mim, é a maior poeta de língua castelhana da segunda metade do
século XX. Sua prosa curta é povoada de bonecas destripadas, anões
acrobatas, sonâmbulos, condessas sangrentas, máquinas de tortura.
Sua poesia é singular: sucinta, rápida, epigramática, atravessada por
silêncios e pelo fantasma da morte, Pizarnik escreve como quem
transborda enquanto emudece. Seu grande tema é o dilaceramento do
sujeito, um espedaçamento que acontece *no interior* das palavras:
Fernando Pessoa não daria conta de tantos cacos.
São de Pizarnik as frases:
*dançando como palavras na boca de um mudo. *
*escrevo como uma faca erguida na escuridão. *
*eu e a que fui nos sentamos/ no umbral da minha mirada. *
*me provo na linguagem em que comprovo o peso de meus mortos*
Vertidas por mim ao português, aqui vão algumas pérolas de Pizarnik:
De *Árbol de Diana* (1962):
6
ela se desnuda no paraíso
de sua memória
ela desconhece o feroz destino
de suas visões
ela tem medo de não saber nomear
o que não existe
13
explicar com palavras deste mundo
que partiu de mim um barco levando-me
37
mais além de qualquer zona proibida
há um espelho para nossa triste transparência
Para saber mais sobre Pizarnik, o link é este
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