*Coisas maravilhosas e horríveis do Brasil que eu já tinha esquecido*:
Plagiando descaradamente uma idéia já blogada pelo *Nemo*
[link] , vou fazer de vez em quando, ao longo destes 40
dias em que estarei em BH, minha própria listinha das coisas
maravilhosas e horríveis do Brasil que eu já tinha esquecido. Na
verdade, ´esquecido´ não é bem a palavra, porque passo tanto tempo por
ano aqui (uns 130 dias ao todo), que está tudo sempre bem presente na
memória. Mas claro que o reencontro com a coisa sempre produz impacto.
*Coisas maravilhosas*:
1. O charme incomparável da mulher que pára o carro ao lado do meu no
semáforo, baixa o vidro elétrico da janela do passageiro e, consciente
de que eu estou olhando, acende um cigarro de um jeito blasé, tira os
óculos escuros e me dá um sorriso e uma piscadela. Eta-le-lê, eis aí uma
cena impensável em gringolândia.
2. Poder ir a um restaurante e beber, comer, voltar a beber, fumar,
voltar a comer, passar para a sobremesa, voltar à cervejinha, e refazer
o percurso como eu quiser, sem que venha um garçom jogar a conta na
minha cara ou me perguntar ´Are you finished, sir´?
*Coisas horríveis*:
1. Ter que fazer baliza morro acima, na chuva, num carro 1.0 com quatro
passageiros dentro, num espaço exíguo e com um fariseu buzinando atrás
de mim. Hehehe. Leitores cariocas, paulistas, baianos: se isso é difícil
na terra de vocês, em Belo Horizonte é trinta vezes pior (sim, o
trânsito aqui é pior que o de São Paulo). Das muitas cidades que já
visitei, só Nova York, entre a 14 e a 42, tem um trânsito de horror
comparável ao de BH. Com a diferença que em BH é tudo morro, todos têm
que ir ao centro (que é um funil pensado para uma cidade de 200 mil, que
agora tem 3 milhões) e os motoristas dirigem como se estivessem fugindo
do apocalipse.
2. Ter que ouvir os intoleráveis ´só podia ser mulher´, ´só podia ser
preto´ e ´só podia ser nordestino´. O segundo insulto está ficando cada
vez menos comum (menos comum do que era, não quer dizer que tenha
desaparecido), mas o primeiro e o terceiro pululam em todas as classes
sociais. A próxima vez que eu ouvir algum dos três, sei não...
PS: A resenha discográfica desta semana vai rolar amanhã. Não é um disco
obscuro, mas é, na minha opinião, um obra-prima pouquíssimo escutada e
compreendida. Não deixem de visitar.
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