Ética da blogagem I
/(em duas partes, cortesia do miserável limite de caracteres por post no
UOL)/
Este *Biscoito* é calouro, mas ouvi e li o suficiente na blogosfera para
ter uma opinião sobre a ética da blogagem. Para começar, questão-zinha
terminológica: eu me filio à corrente que diferencia radicalmente a
ética da moral. Não confundir as duas coisas: a moral é um discurso
prescritivo, a ética é a formulação da relação da gente com o que a
gente faz. O que segue, então, não pretende ser receita para ninguém. É
só uma reflexão sobre a minha prática.
*Ética da divulgação*
Depois de armar o seu blog, o blogueiro iniciante sai sedento em busca
de leitores. Visite a *sala de divulgação dos blogs do UOL*
[link] e você vai ver
a solidão e miséria humanas em pessoa. É super normal querer chamar
leitores. Ninguém escreve para não ser lido. Neste *Biscoito*, de 25% a
30% dos leitores chegam via comentários que fiz em outros blogs. No
geral, tenho observado o seguinte: eu me animo a clicar na URL de alguém
que comenta em outros blogs quando o comentário me pareceu inteligente
e pertinente. Jamais cliquei na URL de alguém que visitou o blog do
outro só para dizer, ´oi gente, visitem meu blog por favor´. É
irritante, interrompe a conversa. Se você quer divulgar seu blog, eu
recomendo duas coisas: além de comentar blogs *respeitando o tema*,
mande emails *individuais. *Jamais arme uma lista de spam e saia por aí
*spamming everybody*. Se possível, envie um link específico a um post
que você acha que a pessoa vai gostar. Não há nada de mais em desejar um
leitor específico. O maior escritor uruguaio de todos os tempos,
Felisberto Hernández (ok, também tem o Onetti), escrevia para uma
leitora que ele desejava. Quando escrevi a *história da minha relação
com o PT*
[link] ,
quis muito que o Clóvis Rossi da *Folha* (que não é amigo meu) lesse o
post. Sei que o cara é ocupadíssimo, e sei que colunista da *Folha*
recebe centenas de emails por dia. Escrevi um email de duas linhas com
um link. Ele veio, leu, respondeu o email, gentil. Acho que se eu
tivesse mandado um spam para 50 pessoas, e ele no meio, ele
provavelmente não teria lido.
*Ética da linkagem*
Chego atrasado a esta discussão, mas vou dar pitaco. Houve uma conversa
entre o Alexandre, que se pauta por *linkar todos aqueles que o linkam*
[link] ,
e o Smart, que se dá o direito de *linkar somente os blogs de que gosta*
[link] . O que acho?
Estou de acordo com os dois (hehehe, sou radical de esquerda mas sou
mineiro...). Mas, agora no sério, acho que os dois estão certos.
Alexandre o faz como gesto de gentileza de um überblogueiro que sabe que
pode ajudar os que estão começando - e mesmo assim vira e mexa *leva
tamancada*
[link] .
Smart se pauta pelo princípio, super razoável, de que linkar um blog é
endossá-lo, não no sentido de que você endossa tudo o que cara diz, mas
de que de certa maneira você está irmanando-se àquele blog (o que só
aumenta minha honra de estar linkado no *Smart Shade of Blue*
[link] ). A ética deste *Biscoito*? Apesar
de ter crescido muito, meu público ainda não é suficiente para que meus
links alterem muito o fluxo de visitas de ninguém (situação diferente
tanto da de Alexandre como da de Smart, blogueiros experientes). Os
links que você vê à esquerda são blogs ou sites que eu leio e gosto.
Adoro ser linkado, mas não prometo reciprocidade. Há três semanas
revirei a blogosfera literária brasileira e conheci mais de 100
escritores de ficção e poesia. Se eu linkasse todos, não teria a
oportunidade de sugerir, com meu link, que acho *Sara Fazib*
[link] – a quem não conheço e nunca vi – uma
das maiores poetas contemporâneas brasileiras. Mas não descarto a
possibilidade de, num futuro próximo, quando as visitas diárias a este
*Biscoito* passarem dos três para os quatro dígitos (heheh, sonha
mineiro), adotar a ética do Alexandre, que é bacana e gentil – nesse
caso eu encontraria outra forma de sugerir meus endossos.
Trilha sonora: ´Particle man´, They Might be Giants
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