Low Fi no Matriz
O Matriz é uma daquelas casas de show que você não encontraria nunca por
sua própria conta. Fica no porão de um terminal rodoviário, em baixo
daquele que talvez seja o prédio mais famoso de BH, *o JK*
[link] , esse monumento ao fracasso
da arquitetura modernista.
Pois bem, ontem à noite eu consegui arrancar os amigos de casa prá ver o
que eu achei que seria uma festa com DJs. Chegamos lá e acabou que eu
tinha a informação *errada*. Era noite de show de uma banda chamada Low
Fi.
*Low Fi*? Que porra é essa? Descubro que é uma dissidência de uma banda
da qual eu gostava muito, o Sexo Explícito (prá quem não conhece, o Sexo
Explícito é um dos precursores do *Pato Fu*
[link] ). Começa o show e eu me encanto com a banda:
swing-samba-soul muito competente. Três caras e uma menina. Guitarra,
baixo, bateria e chocalhinho. A guitarra tem momentos que lembram (ou
será que eu já tinha bebido a quinta cerveja?) *o cavaquinho do Fred 04*
[link] .
Somos só uns 15 na platéia (numa casa de shows de cabe uns 300). Mas
está todo mundo adorando. A canção sobre a Maria Joana sacode o público.
Eu só lembro do refrão: *queimando tudo até a última ponta....*
No final, eles dizem: a saideira para que o Low Fi entre numa boa. E aí
eu me toco que aqueles não eram o Low Fi. Era a banda de abertura. Os
aplausos são enfáticos, e o vocalista, bem humorado, retruca: *son pocos
pero sinceros... *Do fundão da platéia a gente grita, nome da banda!!!
Nome da banda? Não tem nome. É Deco Lima e banda. Muito bons.
Quando entra o Low Fi o garçom já está se oferecendo prá trazer a
cerveja em pacotes, ao invés de latinha por latinha. Eu tinha gostado
tanto da primeira banda que vou com um pouco de má vontade. Mas o Low Fi
arrrebenta. Formação que eu gosto muito: guitarra, baixo, bateria e
saxofone. Som mais pesado que o da banda anterior, mas também mais
quebradão, com mais variações inesperadas. Ainda na praia samba-soul, o
trabalho lembra um pouco as bruxarias do novo mago *Max de Castro*
[link] . O vocalista é competentíssimo
saxofonista. Eu e as animadas 15 pessoas da platéia custamos a deixar os
caras irem embora. Depois do show, camarim, ti-ti-ti e coisa e tal.
Das duas cidades onde moro, Nova Orleans tem uma oferta musical
superior, em quantidade e qualidade. Agora, BH tem mais *surpresas
malucas*. Comida e *música em New Orleans*
[link] são um pouco
como, prá mim, filmes de Woody Allen. Você vai sabendo que é bom, mas
sabendo que, depois de um tempo, não vai se surpreender muito. Em *Belo
Horizonte* [link] ,
cavucando, você encontra coisas insólitas. *Low Fi*, guardem esse nome.
Quando eles forem famosos você vai poder dizer que os conhecia quando
eles davam shows prá 15 pessoas.
Feliz Solstício, todo mundo! Nesse 2005 que se avizinha, prometo mais
música, mais literatura, menos política e menos futebol. Vamos ver se
cumpro.
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