*Feliz Aniversário, José Reinaldo de Lima *
Ontem foi aniversário de quem alegrou a minha infância e adolescência.
*José Reinaldo de Lima*
[link]
completou 48 anos.
Reinaldo foi o maior jogador da história do *Clube Atlético Mineiro*
[link] e um dos maiores centroavantes da história
do Brasil.
Ele fez 256 gols com a camisa do Galo.
Entre 1976 e 1983 nós íamos ao estádio tranqüilos, com a segurança de
que o time trituraria os adversários. Ganhamos todos os campeonatos
mineiros daquele período, exceto um. Reinaldo comandava a orquestra.
Jamais vi alguém driblar no espaço de um guardanapo, *como ele fazia*
[link] .
Com a exceção de Pelé, nenhum jogador foi tantas vezes chamado de Rei.
Se você não vê nenhuma beleza plástica no futebol, consiga um vídeo do
gol elegido como o mais bonito da história do Mineirão. Ele aconteceu no
jogo Atlético-MG 6 x 0 América-RN, pelo Campeonato Brasileiro de 1977.
Reinaldo recebe a bola na entrada da área de frente para o gol. Três
zagueiros adversários o aguardam. O goleiro olha-o fixamente. Ele gira o
tronco para a esquerda, como se fosse tentar driblar. Não toca na bola.
Os zagueiros o acompanham. Ele gira de volta no mesmo minuto e exatos
quatro seres humanos caem no chão, tortos, pela pura rapidez do
movimento-contra-movimento do seu ombro. Até aí ele não tocou na bola.
Já com o goleiro caindo, Reinaldo bate no canto e sai para o abraço.
Fez gol de tudo quanto foi jeito. Há um histórico, em 1982, em Paris,
contra o Paris Saint-Germain, em que ele dribla 7 jogadores adversários
no espaço de uns poucos metros. O último a ser driblado observa o gol e
começa a aplaudir.
Levantava o punho direito fechado nas comemorações: gesto da
Internacional Socialista, que demorou tempos para ser compreendido e
reprimido nos estádios.
Nenhum jogador brasileiro sofreu tanto com as botinadas criminosas dos
brucutus. Aos 21 anos, Reinaldo já não tinha nenhum menisco. Foi mais
punido pelos árbitros por reclamar da violência do que seus algozes por
perpetrá-la. Genocidas como Morais e Darci se cansaram de pisá-lo,
humilhados pelos seus dribles.
Mancando, com 150.000 flamenguistas chamando-o de ´bichado´, ele *calou
o Maracanã duas vezes* [link] .
No Mineirão, o coro *Rei Rei Rei / Reinaldo é nosso Rei* ecoa até hoje
sempre que ele visita o estádio.
Depois de precocemente encerrada a carreira, teve problemas com drogas e
com dinheiro. Levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima.
É hoje vereador em Belo Horizonte. Onde vai, é recebido como o genuíno
*Rei* que é.
Minha adolescência não teria sido a farra que foi não fosse por ele.
Obrigado, *Rei*. Happy Birthday.
--------