Eu tinha três assuntos para a blogagem de hoje, mas chegou um ´pacutim´ no correio que merece prioridade. *Saiu meu segundo livro*! Woo hoo!
O segundo livro da gente é como a segunda boa trepada de um ser humano,
o segundo hit de uma banda, o segundo título de um time ainda não é um
*Galo*. A gente faz *o primeiro*
[link]
direitinho, mas só no segundo você passa da fase ´ok, fiz um legal´ para
a fase ´I can do this´. O biscoito chama-se *The Letter of Violence:
Essays on Narrative, Ethics, and Politics* e pode ser encomendado
*direto na editora Palgrave*
[link] ou
*na Amazon*
[link] .
Custa 22 mangos gringos, o que é um absurdo, eu sei.
A introdução é um comentário acerca das novas tecnologias de destruição.
O capítulo 1 debate a tortura a partir da sua representação no cinema
(por Polanski em *Death and the Maiden*
[link] ) e de um curioso dado
historiográfico levantado por pesquisadores recentes: na origem da
democracia em Atenas, o depoimento jurídico dos escravos só era
considerado verdadeiro quando extraído sob tortura. A tortura era uma
das formas de estabilizar a cambaleante distinção entre o cidadão livre
e o escravo. Aquele jamais será torturado. Este deve ser torturado para
que diga a verdade. Disso eu tiro algumas conclusões sobre tortura e
verdade, tortura e democracia.
O capítulo 2 lida com o problema da ética da interpretação a partir de
uma deliciosa historinha de Jorge Luis Borges, ´*El etnógrafo*
[link] ´.
O capítulo 3 é um estudo do tratamento da violência na obra do filósofo
francês Jacques Derrida, incluindo-se aí uma polêmica sobre a a natureza
da violência nos territórios ocupados da Palestina. O capítulo 4 é um
longo estudo sobre o romance colombiano em meio às várias guerras civis
do país no século XIX. O epílogo é uma reflexão-zinha sobre onde andam
as coisas nos EUA desde o bombardeio do Afeganistão.
Se você mora no Brasil, é leitor deste *Biscoito* e gostaria de receber
um exemplar pelo preço de autor, envie-me um email (iavelar@tulane.edu
[link] ). O preço de autor deve andar por volta dos
12 ou 13 dólares. No dia 18 eu ponho no correio. A cervejinha de
comemoração está adiada até eu terminar um texto que estou escrevendo
com muito cuidado, o balanço do governo Lula para o *InfoBrazil.com*
[link]
PS: *As maravilhas da vida de quem não lê jornal*: o *New York Times*
[link] publicou o *seu insulto anual*
[link]
contra a associação profissional à qual eu pertenço, a *Modern Language
Association* [link] (que congrega os professores
universitários de línguas e literaturas nos EUA). O *MLA*
[link] se reúne anualmente entre o Natal e o Ano Novo, em
geral com cerca de 10.000 acadêmicos. Dia 2 ou 3 de janeiro, é batata: o
*NYT* [link] publica a brincadeirinha de mau gosto de
algum jornalista que vai lá e fuça o programa em busca de dois ou três
títulos que possam ser ridicularizados quando postos fora de contexto.
Meu bróde véio *Michael Bérubé* [link] já
*protestou contra a palhaçada*
[link] .
Por sorte, gente como *Michael* [link] continua
levando essa desigual e importante luta. Eu já me cansei e chutei o balde.
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