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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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segunda-feira, 28 de fevereiro 2005

Fenomenologia da Fumaça - Semana 2

Eu fiquei comovido com o que aconteceu na semana passada aqui na caixa
de comentários,
[link] na
primeira das minhas 52 semanas necessárias para deixar de fumar. Essa
batalha receberá aqui o nome de *fenomenologia da fumaça* (o sentido
deste termo será explicado na semana que vem). O projeto contará com
casos, pesquisa científica, elocubração filosófica, análise literária e
cinematográfica do fumo, além de mapeamento cuidadoso da história do
fumo na vida do blogueiro. A isto, concluiu o blogueiro, está reduzido o
seu intento de parar de fumar. Seria impossível embarcar noutra
brincadeirinha de que
é-só-parar-com-ajuda-de-chicletinho-e-não-fumar-mais, como se o
blogueiro não fosse filho de pai detonado aos 59 pelo cigarro, como se o
blogueiro não fumasse desde os 14. Nesta empreitada, cabe agradecer a
todos, muito especialmente a quem pintou aqui no *Biscoito* pela
primeira vez para dar força. Diga-se que aquela caixa bateu o recorde de
comentários, com 41. A caixa sobre Machado
[link]
havia tido 47, mas eu, mediador da discussão entre os alunos, havia
contribuído com 16. Na empreitada contra o fumo, não. Quase *40 pessoas*
deixaram mensagens de apoio, e o blog bateu records de visitas. *I love
you all.*

Além de dezenas de interlocutores que comentam direto (amigos já de
casa), palavrearam pela primeira vez (vários por inspiração da linda
maravilhosa Sheila Leirner [link] ) os
novos amigos blogueiros Elisa [link] , Isabel
[link] , Angela
[link] , PH
[link] , Alma
[link] , Roberto
[link] , Boczon
[link] , Celso
[link] , Lucia
[link] , Elisa
[link] (do UOL), Felicia
[link] de retorno e, muito especialmente, a
uberblogueira Meg [link] ,
companheira de disciplina que veio ao *Biscoito* pela primeira vez dar
força à batalha minha contra a nicotina. Além deles, leitores
não-blogueiros como o Umberto, Júlio, Ismael comentaram aqui pela
primeira vez, apoiando-me. Tenho, dentro de mim, já prontos, mais de 20
posts sobre a fenomenologia do fumo. São embriões de um livro futuro.
Dado o excesso de assunto desta semana, deixo para depois o primeiro
capítulo da fenomenologia, que tentará desenvolver a seguinte tese: *o
leitor de blogs é o super-ego ideal para aquele que tenta parar de fumar*.

Parar de fumar, para o viciado extremo como eu, é basicamente uma
questão de construir o super-ego fortinho o suficiente. Eu sempre
avisava aos amigos, aos familiares, à companheira: *parei de fumar;*
para depois de duas semanas proceder a esconder-me daquelas pessoas,
como um rato, para fumar o tinhoso. Humilhante brincadeirinha de
trapacear o super-ego. Ora, bem diferente é anunciar *deixei de fumar
*aos leitores de um blog e receber o *maravilhoso apoio* que recebi na
semana passada. Só um idiota mentiria aos seus leitores para dizer
que não voltou a cair no cigarro. Só um idiota se esconderia dos
leitores de um blog para fumar um cigarro.

Notícias minhas? Sigo limpinho, sem fumar, na batalha. Como é de costume
entre a segunda e a terceira semanas do intento, senti *intensas dores e
fincadas*. Como da última vez, preferi resistir à tentação de drogar-me
(com a exceção de um único dia em que, nocauteado pelas cãimbras, náusea
e dores musculares, dopei-me um pouco para suportar a dor). Mas a vida
segue no macio de si. Meu corpo reage lindamente, como sempre, ao fim da
fumaçada. Alimento-me como um touro. A levantada do pau é uma maravilha
só. Meus filhos já sabem que *pops* está sem fumar há duas semanas. A
capacidade de concentração do cérebro é uma tragédia, sem dúvida, e eu
postarei sobre isso na semana 3 ou 4, depois que eu terminar de ler o
que estou lendo sobre a nicotina, o cérebro e a produção de enzimas. Por
outro lado, o resto do corpo celebra a nova liberdade, o novo tesão e a
nova respiração. Como vão as coisas aí, linda maravilhosa
[link] ?

Foi comovente o apoio de vocês na semana passada. Nesta semana, alguém
tem histórias de* seres humanos escondendo-se para fumar, arrastando-se
para longe da visão de outros, catando guimbas nos cantos ou promovendo
atos semelhantes*? Quaisquer relatos deste tipo contribuirão à
*fenomenologia* que quero desenvolver aqui. Deixem suas próprias
histórias (ou de conhecidos) com o tabaco e com o arrastar-se na lama
que é o *viciado escondendo-se para fumar *(ou escondendo-se para comer,
ou para beber, ou cheirar ou o que seja). Gostaria de ouvir uns casos
sobre isso.

--------



  Escrito por Idelber às 03:21 | link para este post | Comentários (2)




*Explicações sobre o clone


*Explicações sobre o clone do Prof. Idelber*

Eu imagino que a estas alturas a *deliciosa confusão* que acometeu este
blog nos últimos quatro dias já rendeu reflexão para todo mundo. Nessa
confusão, alguns leitores se divertiram de cara, alguns se agarraram a
uma tábua e flutuaram, outros boiaram e outros se afogaram
inapelavelmente. A reflexão que o episódio me rendeu é tão vasta,
digamos, que não caberia no meu limite de caracteres por post aqui no
UOL. Dissertarei sobre o caso em breve, mas o resumo é o seguinte: na
entrevista com o Alê
[link] ,
na quinta, sob o testemunho de vários blogueiros, eu me ofereci para
interpelar pessoas que chegavam por engano à sala de chat do UOL. De
madrugada fiz um post desmentindo o que vários blogueiros haviam
presenciado, dizendo que aquela pessoa que tinha batido papo não era eu.
Exagerei, parodiei e ficcionalizei a brincadeira para que todos
percebessem. Muitos o perceberam, mas não todos. Na sexta dei-me de
conta que, ao contrário do que eu esperava, boa parte do leitorado
*tinha embarcado na falsa ficcionalização*. Boa parte dos meus amigos
estava preocupada comigo. Recebi inúmeros emails que perguntavam pela
minha saúde.

A piração e o medo na internet são tais que qualquer viagem neguinho
acredita, qualquer denúncia é verdadeira, qualquer reclamação é falta,
qualquer esbarrão é tiro livre direto. Estatelado, dei-me conta de que
em certas circunstâncias não há mais lugar para a paródia ou para a
ironia. Diverti-me muito com essa idéia e passei a tirar as conclusões
necessárias. Naquele dia o *Biscoito* bateu recorde de visitas e alguns
dos meus mais ilustres leitores foram trapaceados pelo joguinho
borgeano. Depois disso, eu fiz um post absurdo no sábado, exagerando
a ficção com o objetivo de denunciar a bagunça. Mesmo assim, alguns
leitores *insistiam em escorregar.* Enquanto isso, na manhã seguinte, o
gênio de Rafael Galvão [link] me localizou no MSN e
me propôs uma entrevista com o falsário que eu havia inventado. Como eu
sinto profundo desprezo por todos os flamenguistas, aceitei o desafio.
Saiu este post
[link] em
co-autoria, sem dúvida o melhor que eu já fiz na vida, localizado, com
toda justiça, no blog do Rafael [link] . Naquele
momento, a brincadeira já estava fora de nosso controle. *Conte-nos aqui
como você viveu este episódio, leitor.*

*PS às 16 h de Brasília*: relendo o post acima dei-me conta de que me
equivoquei numa afirmação. Da generalizada literalidade nas
leituras, provocada pelo receio e paranóia internéticas, eu extraí a
bobinha conclusão de que "não há mais lugar para a paródia ou a ironia".
Engano meu, claro. Quanto mais o contexto, por qualquer motivo, force
uma leitura literal das coisas, maior a necessidade de, e mais fértil o
espaço para, a ironia e a paródia.

--------



  Escrito por Idelber às 02:30 | link para este post



sexta-feira, 25 de fevereiro 2005

*Localizado o clonador de


*Localizado o clonador de blogueiros - versão atualizada *

Caros leitores do *Biscoito Fino e a Massa*: Meu nome é Daneri
Menard, sou aluno de Tulane [link] e lhes trago uma
mensagem do Prof. Idelber. Ele está bem, mas chateado com o episódio da
clonagem do seu nome. Encontra-se em Chicago, não disponível para
escrever, mas mandou agradecer encarecidamente a solidariedade de todos
vocês, ontem, na caixa de comentários.

Seguindo a recomendação de alguns leitores, nós desenterramos o log do
chat do UOL onde o nome do professor foi clonado. Os serviços de
tecnologia [link] de Tulane rastrearam o IP do
impostor e se comunicaram com a polícia. Depois de comer a jambalaya
[link] das 2, tomar
o café das 4 e participar no desfile de bandinhas das 5, a polícia de
New Orleans procedeu a localizar o computador do impostor. Para surpresa
geral, o IP criminoso era o *do computador do gabinete do Prof. Avelar*!
Provavelmente o crápula terá tido acesso às chaves do prédio da
universidade e do gabinete do professor. Tudo isso configura, claro, uma
situação muito mais assustadora que imaginávamos inicialmente.
Voltaremos com mais notícias logo que as tivermos.

*PS de atualização de Daneri Menard*: O prof. Idelber se comunicou de
novo conosco. A palestra em Chicago foi muito bem, mas não sem certa
confusão. Uma hora antes do horário previsto para a chegada, apareceu na
Universidade Northwestern [link] *um clone do
Idelber*, usando o mesmo estilo de barba e os mesmos modelitos gola rolê
do professor. Este clone defendia teses ridículas como "A grandeza de
Chico Science só é equiparada por Zumbi e Lampião" ou "Mangue Beat é o
nome do encontro do preto com o heavy metal e do branco com o rap". Como
o prof. Idelber tem vários amigos em Northwestern
[link] , seus anfitriões passaram a desconfiar de
que pudesse se tratar de um clone, pois o professor não defenderia teses
tão ensandecidas. Ao final, prevaleceu a sagacidade do Prof. Julio Arlt,
que fez a pergunta definitiva: se você é o Idelber mesmo, diga lá: qual
foi o artilheiro do campeonato brasileiro de 1977, qual a data de
publicação do primeiro poema gauchesco
[link] argentino
e onde nasceu o Chacrinha? Ante a incapacidade do clone responder
satisfatoriamente essas perguntas, ele foi desmascarado e sumariamente
preso. Uma hora depois chegou o verdadeiro palestrante e o evento
realizou-se sem grandes percalços. Durante o evento, o prof. Idelber
confessou ter sido ele o que postou por aí mensagens sob o pseudônimo
"Catarpa", nas quais ele expôs estranhas teorias sobre a etimologia da
palavra inglesa "wingnuttery
[link] ".

*PS de atualização de Daneri Menard 2*: O professor Idelber ainda se
encontra em Chicago, onde ficou sabendo que há blogueiros dizendo que
entrevistaram o farsante clonador
[link] e
ainda, para suprema confusão, blogueiros que decidiram confessar que não
existem
[link]
e que são, supostamente, pura invenção da mente do Prof. Idelber. Tendo
sido vítima de um farsante que cometeu o supremo, odioso crime de
cloná-lo a partir de seu próprio computador, o Prof. Idelber pede que se
esclareça que ele não tem absolutamente nada que ver com tais
entrevistas, com tais confissões de inexistência e nem com a absoluta
confusão que tomou conta de setores da blogosfera nacional. O prof.
avisa que continua sem fumar e que o segundo capítulo da fenomenologia
da fumaça
[link]
será publicado em breve, logo que ele recupere o controle de seu nome e
de sua identidade.

--------



  Escrito por Idelber às 22:41 | link para este post



quinta-feira, 24 de fevereiro 2005

*Blogueiros armam confusão em

*Blogueiros armam confusão em sala de chat do UOL*

Dizem que ontem à noite, numa sala de chat do UOL, juntaram-se alguns
blogueiros para entrevistar o Alexandre Cruz Almeida, do Liberal
Libertário Libertino [link] ,
numa série promovida pelo Blogólogo [link] , que
agora conta com a especialista Elisa [link] .

Contaram-me que estavam presentes, além do Alê
[link] e da Elisa
[link] , o Rafael [link] , o
Biajoni [link] , a Mônica
[link] , a Tata
[link] , a DaniCast
[link] , o Guto
[link] , a Ana Lucia
[link] e outros blogueiros.

Contaram-me também que havia uma pessoa lá fazendo-se passar por mim,
dirigindo babações cheias de puxa-saquismo à astrologia afetiva do blog
de Tata [link] , à etnoblogologia de
Elisa [link] , à escrita de Mônica
[link] e a tudo quanto mais mulher
aparecesse pela frente.

Contaram-me também que este crápula que se fez passar por mim, num
imperdoável donjuanismo barato, cometeu a suprema crueldade de *seduzir
*uma internauta que se apresentava como "Solitária 4.2". Nosso cruel Don
Juan recebia as mensagens de Solitária no reservado mas respondia à
pobre coitada publicamente, com o único intuito de expor a miséria
humana das salas de chat.

Contaram-me também que este falso Idelber distribuiu senhas, tics e
macetes para que os homens aprendam a *fingir-se de lésbicas* em salas
de chat. Este depravado eletrônico, decidido a destruir minha reputação,
compartilhou com uma dúzia de blogueiros que, juntos, devem totalizar
dezenas de milhares de leitores diários, toda sorte de falsas promessas,
rituais pornográficos baratos e técnicas de ciber-sedução. Este clone
chegou a pesquisar minha vida o suficiente para saber que passo 4 meses
por ano no Brasil, e procedeu a usá-los para prometer visitas a
Solitária 4.2 e a outras internautas. Foi a pior falsificação, pior que
a de Catarpa debatendo falsas etimologias
[link] no blog de
Michael Bérubé
[link] , numa
época em que alguém, fazendo-se passar por Tristero
[link] , havia se apossado da senha de
Bérubé [link] e hackeado seu blog para fazer
joguinhos borgeanos [link] .

Eu esclareço que no momento em que a depravação de ontem acontecia na
sala de chat do UOL, eu me encontrava finalizando o trabalho sobre Chico
Science
[link]
que apresentarei amanhã em Northwestern University
[link] . Os meus anfitriões, obviamente, não
podem nem imaginar que há um falso Idelber por aí, brincando de
chat-donjuanismo, enquanto o verdadeiro esforça-se para terminar o seu
*primeiro* ensaio escrito em toda a *vida* sem a muleta do cigarro. A
última vez que escrevi sem cigarro foi uma coisa chamada "para casa".

Pego o avião às 8 da manhã de Nova Orleans, 11 de Brasília. Vocês, por
favor, tomem conta do *Biscoito*. Se aparecer algum Idelber escrevendo
aqui antes de domingo de manhã, desmascarem o impostor.

--------



  Escrito por Idelber às 22:21 | link para este post




*Drops de felicidade blogosférica*


*Drops de felicidade blogosférica*

Quando a seminal revista argentina Punto de Vista
[link] me pediu um balanço da experiência dos
primeiros seis meses do governo Lula, eu ainda estava disposto a
escrever isto aqui
[link] . 18 meses
depois, junto com milhares de outros brasileiros progressistas, eu já
tinha chutado
[link] o
balde com o governo do PT e Pedro Doria, atento, linkou
[link] .
O *Biscoito* passou de 5 a uns 20 leitores diários.

*Mientras tanto*, o líder legislativo deste governo empurrava um projeto
de lei que nos proibia, nos proíbe, na verdade, de usar palavras
estrangeiras. Sendo do ramo, eu berrei
[link] e
o maior [link] blogueiro do mundo apoiou
[link] minha defesa da
liberdade linguística. *En aquel entonces*, o blogueiro mais escrachado,
mais original, mais anfitrião, mais divertido, começou
[link] a
falar do *Biscoito*. Com esses hiperbólicos links, o *Biscoito* passou
de umas 20 para umas 100 visitas diárias.

*En ese mismo entonces*, aconteceu o ritual de passagem para o blogueiro
brasileiro: pela primeira vez Alexandre Inagaki
[link] , guru de todos nós, comentou
[link]
no *Biscoito*, papeando comigo sobre García Márquez. Eu, que fui lido
por todas as pessoas que eu um dia quis que me lessem, me senti como o
menino da 5a série elogiado pela professora. Aconteceu ali uma renovação
absurda do desejo de que o outro me lesse. Convicção de que a
experiência do texto do blog é outra. Admiração infinita por Inagaki
[link] . Vejo que Ina me colocou na lista de
blogs da semana. O *Biscoito* passa de 100 para umas cento e cacetadas,
sei lá, quase duzentas visitas diárias, e eu paro de contar a brincadeira.

Ali, eu já tinha dado aula via blog pela primeira vez, com carinho por
alunos que estavam - Deus entendeu de dar-lhes toda a magia, a primazia,
tudo mais - na Bahia.
[link] Naquele
momento eu me convenci da importância de uma conversa bacana entre as
correntes de pensamento mais à esquerda, como aquelas que eu
tinha habitado, e o secularismo racionalista liberal, filósofico,
inteligente, de blogueiros como o Smart Shade of Blue
[link] .

Ali já haviam me deturpado em alemão
[link] ,
haviam já me citado mal em francês
[link] , quando eu descobri
que alguém havia me parafraseado mal em húngaro
[link] , eu simplesmente eu chutei o
balde e disse, não é Nelson [link] , melhor
relaxar e gozar. Toda citação é falsa, em toda alusão há imperfeição.
Ainda tentando entender a dimensão e a dinâmica da blogosfera eu
descubro, num blog que amo, que para defender o que é justo na causa
palestina eu armo balacobaco mesmo
[link] . Depois de
ser citado no Estadão [link] , pelo Alexandre
[link] , como um dos 5
melhores blogs em língua portuguesa, o *Biscoito* chega a seu primeiro
dia de quatro dígitos de visitas.

*Thanks blogosphere*. Not that I'm counting.

PS: Contagem regressiva para ver a mais arquitetonicamente bela
[link] cidade dos EUA: dois dias! Sim,
leitor, viajo de novo depois de amanhã. A palestra será em Northwestern
University [link] sobre o maior de todos, Chico
Science
[link] .
Orgulho, *orgulho* infinito de palestrar pelo mundo sobre a música
brasileira. Este fim de semana, depois que eu voltar de Chicago, haverá
resenha discográfica e fenomenologia da fumaça semana II.

*Atualização às 13 horas de Brasília*: A ausência da nicotina provocou
hoje um violento fuzuê no corpo do blogueiro, com vômitos de bile e tudo
mais. Nada que o blogueiro não conheça. Para que possa dar a palestra
amanhã em Chicago, o blogueiro está neste momento drogando-se, com
drogas legais, patenteadas e aprovadas pela indústria farmacêutica que,
afinal de contas, só tem o nosso bem-estar em mente. Dado o balacobaco
abstêmico, eu não poderei fazer sala e bater papo aqui na caixa de
comentários. Se chegar algum leitor novo, que a Leila,
[link] por favor, dê as boas vindas em nome
do *Biscoito*.

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  Escrito por Idelber às 01:42 | link para este post



quarta-feira, 23 de fevereiro 2005

Dicas literárias O tempo

Dicas literárias

O tempo que eu poderia ter gastado lendo jornais de novembro até
fevereiro – e acompanhado as manobras do Planalto para espalhar boatos
de que Virgílio desistiria de sua candidatura ou as ofertas de barganhas
feitas pelo governo federal para que os deputados votassem em Greenhalgh
ou os vergonhosos pedidos de voto para Severino que o Komintern petista
fez no primeiro turno (além de mentirosos, burros de achar que Severino
não tinha chance) – esse tempo, enfim, que eu *não* desperdicei lendo
essas porcarias foi dedicado a ler alguns lançamentos editoriais
brasileiros de 2003 e 2004. Deixo aqui três destaques, dois em ficção e
um em ensaio.

A Duas Mãos
[link] ,
Paloma Vidal (Rio: 7 Letras, 2003): Paloma Vidal é autora de A história
em seus restos
[link] ,
um estudo das literaturas argentina e brasileira recentes, e não
atualiza o seu belo blog [link] com a
freqüência que nós, neófitos, gostaríamos. Paloma é doutora em
literatura e, como eu, tem uma relação visceral com a Argentina (nasceu
lá e mora no Brasil desde os 2 anos de idade). A Duas Mãos
[link]
foi elogiado por minha amiga e crítica literária mor Beatriz Resende
[link] . O livro é escrito em
insterstícios, entre Brasil e Argentina, um homem e uma mulher, o som de
uma palavra e o que ela pode significar, entre o que podia ter sido e o
que não foi, entre o desejo e o teatro do seu fracasso. Meu conto
favorito é “A Ver Navios”, em que uma mulher descobre que o marido está
traindo-a. Acompanha um encontro do marido com a amante de longe.
Segue-os até o cinema. Senta-se lá atrás e assiste o mesmo filme. Na
saída do cinema, um final extraordinariamente classudo e inesperado.
Maravilhosa estréia ficcional de Paloma.

BaléRalé
[link] ,
Marcelino Freire [link] (São Paulo: Ateliê,
2003): Se você vir por aí alguém metendo o pau numa coisa chamada
“escola urbana”, não acredite. Não há nenhum estudioso de literatura
digno do nome que use este termo para juntar os melões e morangos
recentes. O que há é um grupinho que usa esse termo para atacar e se
auto-promover. Esses caras, que não vou linkar, morrem de inveja de
escritores como o Marcelino: bonito, jovem, de sucesso e ainda por cima
nordestino. É demais para eles. Sobre o excelente contista pernambucano
Marcelino Freire, autor de *Angu de Sangue* (2000), *EraOdito* (2002) e
também blogueiro [link] , há que se dizer o
seguinte: o cara é bom. Os contos
[link] de Marcelino, quando não
são diálogos, são narrações que se passam inteiras na cabeça de um
personagem, em geral em discurso direto. São ultra-rápidos e ágeis, duas
páginas, frases curtas. Não há “progressão” de acontecimentos, não há
diegese, é a violência do mundo estalando ali, no seu puro acontecer.
Prostitutas, travestis, crianças abusadas, sarjeta, o mundo na miséria
máxima, mas cada personagem é absolutamente singular no seu insight.
*BaléRalé* vale a pena, leitor. Há violência nos contos? Sim. Acontecem
na cidade? Em geral sim. Mas isso não o faz membro de nenhuma “escola
urbana”. O fundamental nos contos de Marcelino, para mim, é uma
concepção do tempo como estalo. Espetacular.

Sem Receita
[link] ,
José Miguel Wisnik (São Paulo: Publifolha, 2004). Eu sou suspeito para
falar. As paixões do cara são literatura, música, futebol. Igualim que
eu. Com este livro José Miguel Wisnik
[link] acabou
de se firmar como um dos maiores pensadores e artistas brasileiros. O
cara teve um ano iluminado: o CD Pérolas aos Poucos
[link] ,
trilha (em parceria com Caetano) para o maior balé da América Latina, o
Corpo [link] , ovação inesquecível à
sua palestra no Festival Literário de Parati
[link] ,
canções suas gravadas por Zélia Duncan e Djavan, convite de Chico
Buarque para que ele escrevesse uma letra (primeira vez na história que
Chico pede a alguém uma letra) e, para coroar, este livro absolutamente
*epocal*. Este livraço de 540 páginas compila ensaios seminais de Wisnik
sobre a cultura brasileira, como o hilário “O Minuto e o Milênio, ou Por
Favor, Professor, uma Década de Cada Vez” e “A Gaia Ciência”. Há artigos
sobre Chico, Caetano, Guimarães Rosa e um extraordinário texto, “Machado
Maxixe”, sobre Machado de Assis, a música do século XIX e a separação
entre popular e erudito. No final, uma entrevista com cobras criadas
como Luiz Tatit, Arthur Nestrovski e meu amigo João Camillo Penna, onde
aprendemos alguns detalhes sobre o livro que Wisnik prepara sobre o
futebol como alegoria do ser nacional. Já estou na fila para ler,
obviamente. Abusou-se muito da palavra “indispensável”, eu sei, mas Sem
Receita
[link]
o é de verdade. Evoé Wisnik.

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  Escrito por Idelber às 13:44 | link para este post



terça-feira, 22 de fevereiro 2005

*Free Mojtaba and Arash


*Free Mojtaba and Arash Day*

Eu acabava de preparar o post de apoio ao chamado do Comitê de Proteção
ao Blogueiro [link] , de
solidariedade com dois blogueiros iranianos encarcerados, Arash Sigarchi
[link] ,
preso no dia 17 de janeiro, e Motjaba Saminejad
[link] ,
preso pela segunda vez no dia 12 de fevereiro, ambos por “crimes” de
opinião – criticar o governo – ou por haver relatado ou denunciado
prisões anteriores e/ou repressão sofrida por blogueiros, jornalistas,
intelectuais e dissidentes.

* *

*Chamou-se para hoje, 22 de fevereiro, ação conjunta de solidariedade a
Arash e Mojtaba na blogosfera.*

Vários blogs [link] ao redor do mundo fizeram posts de
solidariedade. O tema foi notícia na BBC
[link] e no Washington
Times [link] .
Se você tem banda larga, pode escutar uma interessante notícia
radiofônica sobre o tema aqui [link] .

Agora chega pela Reuters a notícia de que Arash foi condenado a 14 anos
de prisão [link] .

Mohammad Saifzadeh, membro do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de
Teerã, diz o seguinte [link] :
“Já compilei mais de 12 páginas de erros no seu processo de prisão,
interrogatório e detenção. As acusações contra ele são políticas e
jornalísticas e ele deveria ter sido julgado por um tribunal público e
em presença de um júri”.

Estima-se entre 50.000 e 80.000 o número de blogueiros iranianos. Muitos
dos residentes no país sofrem intensa perseguição e censura.

O *Biscoito* se junta à gritaria pela libertação dos blogueiros Mojtaba
e Arash.

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  Escrito por Idelber às 15:20 | link para este post




*Sobre Certas Inverdades publicadas


*Sobre Certas Inverdades publicadas pela Revista /Veja/ - Entrevista com
Christopher Dunn*

/Christopher Dunn é meu colega no departamento de Espanhol e
Português [link] de Tulane University e
autor de Brutality Garden: Tropicália and the Emergence of a
Brazilian Counterculture
[link] .
Amigos há uns 13 anos, colaboramos em Brazilian Popular Music and
Globalization
[link] e
estamos preparando juntos uma coleção de ensaios sobre a música
popular brasileira e a questão da cidadania, com a qual já se
comprometeram quinze estudiosos da música brasileira, no Brasil e
nos EUA./

I.A. - Bem-vindo ao *Biscoito Fino e a Massa, *Chris.

C.D. – Obrigado, Idelber.

I.A. - A matéria da *Veja* de há duas semanas, sobre o novo
brasilianismo nos EUA, faz menção ao seu trabalho e coloca algumas
coisas entre aspas como declarações suas, além de usar formulações que a
matéria pressupõe serem suas. Há algo incorreto ou distorcido na matéria
da *Veja* em relação ao que você falou?

C.D. - Primeiro, a matéria da *Veja* me identifica erradamente como um
dos “poucos estudiosos” da cultura brasileira nos Estados Unidos. Ora,
há relativamente muitos estudiosos trabalhando na área cultural, levando
em conta literatura, música popular, teatro e outras esferas de
produção. Faço questão de dizer que faço parte de uma comunidade
discursiva de ‘brasilianistas’ -- e, é claro, de estudiosos
brasileiros-- que trabalham com a cultura. O autor da matéria cita meu
livro Brutality Garden,
[link]
que trata do movimento tropicalista, [link]
e diz corretamente que tentei um “mapeamento das acaloradas declarações
da época.” Mas ele comete um erro grave ao dizer que meu trabalho mostra
que o crítico literário Roberto Schwarz foi “inimigo número 1 dos
tropicalistas” e que ele teria acusado Caetano e Gil de serem
“americanizados.” Isto é bobagem. Schwarz nunca participou da campanha
jornalística contra os tropicalistas. Ele se posicionou em relação ao
movimento num artigo elegante escrito e publicado em Paris em 1970
quando já estava exilado. É verdade que neste artigo Schwarz fez severas
críticas ao movimento tropicalista, mas nunca adotou uma posição de
nacionalismo cultural como outros críticos da época. Aliás, na primeira
parte do artigo ele faz questão de criticar o anti-imperialismo
simplista de alguns setores da esquerda cultural nos anos 60. Seguindo
uma linha desenvolvida por críticos marxistas da Escola de Frankfurt
[link] , sobretudo Walter Benjamin
[link] , ele faz uma leitura
da Tropicália pela ótica da alegoria. Este texto se tornou uma
referência fundamental, mesmo para aqueles, como eu, que discordam de
suas conclusões. Mas a parte do artigo da *Veja* que mais me irritou é
quando o autor diz que eu teria enfatizado a “saúde cultural daquela
época” em comparação com a “pasmaceira que reina nos dias atuais.” Na
verdade, ele me fez uma pergunta que deu a entender que ele queria esta
resposta, me eu lhe disse categoricamente que não era saudosista e que
adorava a música brasileira atual! Sou contra esse papo de “época áurea”.

I.A. - Considerando a matéria da *Veja* e o que você realmente lhes
disse na entrevista, você acha que eles são culpados de burrice,
imbecilidade, falta de ética, de vergonha, filhadaputagem, má fé ou
alguma combinação entre as opções acima?

C.D. - Idelber, sinceramente não sei. Tenho a impressão que circulam
estereótipos facilmente digeridos sobre a Tropicália que ocultam suas
complexidades. Evidentemente, isto se passa com fenômenos culturais
complexos em geral. Um jornalista tem um determinado número de laudas e
um prazo para produzir a matéria. Acho que repetir aquelas histórias foi
o caminho mais fácil. Talvez foi por preguiça-- um motivo muito mais
nobre que as opções que você cita!

I.A. - Obrigado pelo papo com o *Biscoito*, Chris.

C.D. – Valeu, mano. Acho genial seu blog e celebro a expansão do
bloguismo em geral justamente para criar este tipo de espaço para debate
e reflexão “além das laudas”.

/PS de I.A./ - Christopher Dunn é gentil em demasia, mas eu gostaria de
colocar, a modo de /post scriptum/, uma afirmação e duas perguntas aos
leitores do *Biscoito*. Afirmação: o que ocorreu com Chris Dunn na
matéria da *Veja* sobre os "brasilianistas" vai *além* da
ultrasobremega-simplificação que é de se esperar num veículo de
comunicação indigente como essa revista. Houve *falsa atribuição de
citação*, na medida em que Schwarz jamais chamou Caetano ou Gil de
"americanizados", quem leu a mínima bibliografia sobre o Tropicalismo o
sabe e qualquer um que afirmasse essa bobagem não tiraria um B na aula
de Chris, assim como não conquistaria B tampouco, nessa mesma aula,
qualquer um que epitetasse Schwarz de "inimigo número 1 dos
tropicalistas". Usou-se o nome de Chris para *atacar* Schwarz com uma
crítica que é quase um insulto.

Agora, as perguntas são as seguintes: será que essa *falsa atribuição de
citação* é um mero erro provocado pela indigência encefálica dessa pobre
revista ou será mais malicioso intento de atingir Roberto Schwarz
(intelectual de esquerda, ligado a causas progressistas) usando o nome
de um jovem acadêmico estadunidense (de credibilidade) como Chris Dunn?
Qualquer que seja a resposta para a primeira, fica a segunda pergunta,
Blogosilvânia: os blogs chegaram para ficar como alternativa de espaço
rápido e ágil em que poderemos defender-nos efetivamente contra meios de
comunicação como a *Veja*, que sistematicamente distorcem a palavra
alheia? Ou será que é inútil tentar esclarecer qualquer coisa para o
pobre público que acode a essa revista em busca de sua informação
semanal? Seja qual for o caso, acredito que na era dos blogs será mais
difícil que esses megaconglomerados* *atribuam citações falsas, atinjam
a reputação de profissionais sérios e achem que fica tudo por isso mesmo.

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  Escrito por Idelber às 00:12 | link para este post | Comentários (1)



sábado, 19 de fevereiro 2005

Feliz Aniversário, Rafael Galvão

Feliz Aniversário, Rafael Galvão [link]

Um dos meus blogueiros favoritos, o mais fino frasista da blogosfera
brasileira, o homem que – na Bahia, onde mais podia ser? – deu
dignidade épica, psicanalítica e rabelaisiana à miséria humana que se
deixa cuspir no Google . . .

*está fazendo 35 anos hoje!*

Ele é tão brincalhão que anda por aí dizendo que o aniversário é só
amanhã e que ele só está fazendo 34. É um gozador mesmo o cara.

Se ainda não foi, passe lá no Rafael [link] e dê os
parabéns. /Que lo cumplas feliz, viejo/.

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  Escrito por Idelber às 14:49 | link para este post




Cinco dias sem cigarro!

Quando você ler este post fará pelo menos cinco dias que parei de fumar! Desde segunda-feira! Por que venho escrevendo há cinco dias sem dizer nada? Ora, porque me resta um farrapo de orgulho, e já tendo “parado” de fumar umas 12 vezes, estou cansado de sofrer a suprema humilhação de anunciar a todo mundo "parei de fumar" e 48 ou 72 horas depois ser visto com um cigarro na mão, dizendo "pois é, bicho, não deu, não sei o quê".

Inclusive, eu cheguei a ir ao Quando Onde Como na segunda, dar uma força à Sheila Leirner, que parou. Na segunda eu já havia parado, mas não disse nada porque só fico pronto para dizer parei depois de cinco dias. Chega. Parei e pronto. Os sintomas têm sido os mesmos, já esperados:

24-48 horas: fome incrível, variação no olfato; ao invés de 2 e ½ passa-se a fazer 4 refeições por dia, a mandíbula começa a doer de tanto chiclete; mastigação louca; dorme-se e levanta-se mais cedo; respiração mais longa e de mais qualidade.

48-72 horas: recuperação de forças que você não sabia que tinha e
consciência mais aguçada das partes do corpo, que em compensação começam a “pedir” a droga; saem seres extra-terrestres de cor amarelada escura da garganta, alguns do tamanho de uma bola de tênis; às vezes anunciam sua chegada, às vezes não; macarrão-zinho de pretume começa a sair da pele depois do banho quente; volta paulatina do paladar; você começa a diferenciar a vagem do aspargo sem ter que olhar para eles.

72-96 horas: fincadas violentas no estômago, que pede a droga, mesmo
quando cheio; outra qualidade, freqüência e beleza na sua ereção; queda dramática da capacidade de multi-concentração: diminui o número de janelas e textos que eu manejo; em compensação, como não se pára o
trabalho para fumar, o dia no final rende mais; dificílima a
concentração em frases longas; aos que páram de fumar não recomendo
Proust nos primeiros dias.

Conheço os meandros das tentativas: já usei patches, chiclete de
nicotina, drogas ilícitas, endorfina, morfina, santinho, halls, vudu, o caralho a quatro. Desta vez, optei pela receita melhor: comida, amendoim, amêndoas, chiclete, doces, uma cervejinha com moderação, bastante café, chocolate e mais boa comida

Dar-me-ei o direito de blogar sobre isso *uma vez por semana*. Será como a resenha dos discos. Se eu falar nisso mais de uma vez por semana, vocês me enxovalhem daqui. Ao longo de 52 semanas, faremos uma fenomenologia da fumaça. Eu conto todos os meus casos de fumante, meu pai que morreu detonado pelo câncer aos 60 anos, os cachorros lá na casa da minha mãe que também fumam, a importância do cigarro no existencialismo, o grande romance A Consciência de Zeno sobre o último cigarro, o estudo filosófico Cigarettes are Sublime, a fumaça em Hollywood e outros temas.


Ao final de 52 semanas e 52 crônicas, depois que eu puder dizer
realmente que parei, a gente junta os textos com os comentários e leva
numa editora para publicar como livro. Hehehe! O que vocês acham? Será a primeira metódica blogo-crônica em tempo real de uma ruptura com o cigarro.

Conto com o apoio de todo mundo.

PS do dia 31 de março: o blogueiro depois deu-se conta, claro, de que estava equivocado. O Tabagista Anônimo foi o primeiro a propor uma blogo-crônica da ruptura com o cigarro, e antecede o Biscoito em muitos meses.



  Escrito por Idelber às 01:01 | link para este post | Comentários (1)



sexta-feira, 18 de fevereiro 2005

*10.000 leitores! * Hoje


*10.000 leitores! *

Hoje foi um dia de muito trabalho e foi só depois de eu ter ....

viajado a Hong Kong
[link]
e Macau
[link]
com a Lucia Malla

seguido os links de Nemo [link] para um excelente
texto
[link]
sobre a complicada relação entre imprensa e blogosfera

lido o belo ensaio [link]
de Inagaki [link] sobre os blogs no *Correio
Brasiliense*

me deliciado com um emocional e poderoso fait divers
[link]
de Fabricio Carpinejar sobre a paternidade

visitado pela primeira vez o Blog de Bolso
[link] de Nelson Moraes e dado gargalhadas
com este post
[link]

curtido mais uma super resenha de Ricardo Schott, desta vez dos Mutantes
[link]

começado a catar por aí
[link]
contos
[link]
da blogosfera [link] para usar em sala
de aula no final do semestre,

é que eu vi que antes de eu voltar a este blog amanhã de manhã (tarde no
Brasil) ele terá ultrapassado as *10.000 visitas em menos de três meses
de aparelhinho registrador!*

Não que eu esteja contando, claro! Mas já depois de um mês de blogagem,
eu havia sido lido por mais gente do que a soma completa de todos os
leitores do meu primeiro e segundo livros juntos em três línguas ao
longo de seis anos.

10.000 é o número de visitas que alguns blogs brasileiros recebem em um,
dois ou três dias, eu sei. Nós chegamos a ele depois de umas 12 semanas,
ao fim das quais as visitas têm se estabilizado na casa de 200 e poucas
*por dia*. 10.000 é provavelmente a soma *total* de todas as pessoas que
*alguma vez* em suas vidas leram *pelo menos um* livro de crítica
literária *desde a trombada inaugural* que deu origem ao Brasil. Não é
muito mais do que isso. Prá vocês terem uma idéia do inaudito que é isso
prá mim.

Para um crítico literário – que é um ser que escreve coisas de oitenta
páginas em revistas de letrinha miúda que serão compradas por seis
bibliotecas e quatro indivíduos e lidas por 2 pessoas e meia ao longo de
dez anos, antes de serem citadas uma década depois – esses números
parecem um escândalo, a hecatombe na terra.

Se você passou por aqui neste sábado e foi o visitante número 10.000,
entre em contato com o *Biscoito Fino e Massa* porque você terá direito
a um moto-rádio tinindo e uma fotografia do Caçapava ! Aos
megablogueiros que possibilitaram, com boas-vindas e links, a
constituição desta pequena mas crescente comunidade aqui do *Biscoito*,
meu muito obrigado. A vocês que visitam e comentam, a casa agradece a
preferência. Axé babá.

PS: Em breve, uma entrevista sobre uma certa entrevista feita pela
Revista *Veja*.

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  Escrito por Idelber às 23:19 | link para este post




Überblogueiro brasileiro fará doutorado

Überblogueiro brasileiro fará doutorado em literatura nos EUA

O professorado do Departamento [link] de
Literaturas em Espanhol e Português da Tulane University
[link] se reuniu nesta manhã para selecionar seis
acadêmicos que convidará para um doutorado com bolsa de estudos e tudo
mais, a partir do ano letivo que começa em setembro de 2005.

O candidato *unanimemente* escolhido em primeiro lugar foi Alexandre
Cruz Almeida
[link] , criador do
Liberal Libertário Libertino
[link] .

Pelo que sei das opções do Alê
[link] , isto significa que já
em agosto ele estará aqui em Nova Orleans para começar seu doutorado.

Eu me junto a toda a galera que acha que isto obviamente não tem por que
significar o fim do LLL [link] .

Foi um prazer ter recomendado o Alê
[link] ao programa, ter visto
como todos adoraram seu perfil e ter sido mediador na abertura deste
espaço. Obviamente todos os méritos são do Alê, que é um super leitor e
super escritor.

Parabéns, Alê, e seja bem-vindo à terra do jazz e a um dos melhores
times de latino-americanistas de toda a universidade gringa.

*Atualização*: O permalink para dar os parabéns diretamente ao Alê é
este aqui
[link] .


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  Escrito por Idelber às 16:01 | link para este post



quinta-feira, 17 de fevereiro 2005

*Por quê gastaram 40

*Por quê gastaram 40 anos para descobrir? *

Desde 1967, Israel já destruiu *pelo menos* 2.400 casas palestinas. E
não adianta gritaria das Nações Unidas ou grupos de Direitos Humanos. A
prática corre solta e nos últimos quatro anos pelo menos 675 casas
sofreram demolição da força ocupante.

O exército de Israel agora mandou suspender a prática
[link] .
Uma pesquisa interna do próprio exército concluiu que ela não tem nenhum
efeito inibidor sobre os atentados suicidas.

Os poderosos decretam mentiras enquanto lhes é conveniente e as
suspendem quando já não é mais possível sustentá-las.

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  Escrito por Idelber às 21:10 | link para este post




*No day after do


*No day after do tsunami severínico*

(/Às citações se seguem links com as fontes, todas elas restritas a
assinantes do UOL/).

*Fala Jânio de Freitas, o homem que prefaciou o livro oficial da
campanha de Lula em 1989, e que dedicou a última década de coerência
jornalística à crítica independente das negociatas tucanas*: “Para Lula
foi o PT que perdeu e não o governo, Genoino acusa Virgílio Guimarães e
os partidos aliados, o devastado Luiz Eduardo Greenhalgh diz que
derrotado foi o governo. O resultado reflete bem a esperteza política
posta em confronto: como cada um desses companheiros acusa outro para
inocentar-se, todos são reconhecidamente culpados -embora nenhum seja
honestamente verdadeiro no que diz. Da barafunda de incompetência
política e presunção de poder, que é a essência do espetáculo produzido
pelo círculo de Lula, o efeito que parece mais certo é o acirramento de
vários confrontos existentes, mas até agora controlados, em dois níveis:
entre os grupos petistas com presença no governo e entre as correntes do
partido, sobretudo no Congresso. A propósito dos primeiros, uma
observação: José Dirceu escolheu, para seu passeio por Cuba,
precisamente os dias em que o governo estaria na guerra pela presidência
da Câmara. Dirceu é atilado demais para acreditar-se em equívoco de
agenda pessoal, cuja sobreposição de datas, além do mais, seria
corrigível. Outra observação: bem em cima da viagem para Cuba, foi
plantada uma nota de jornal informando que Dirceu decidiu não se
candidatar em 2006, para permanecer no governo até o fim. A dois anos da
eleição, uma nota assim não teria sentido sem motivo muito especial do
interessado -um recado? que recado? para quem?.” Texto completo aqui
[link] .

*Fala Clóvis Rossi, jornalista, independente, profundo crítico do
tucanato e conhecedor de Brasília*: “O resultado da eleição para a
presidência da Câmara dos Deputados já foi suficientemente degradante.
Não precisavam o governo e os governistas acrescentar à esbórnia uma
seqüência de comentários sem pé nem cabeça ou de uma obviedade tamanha
que dá vergonha até em quem não tem nada com isso. Fiquemos no próprio
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para quem o governo
não perdeu porque "não disputou a eleição, quem disputou foi o PT". Me
engana que eu gosto, presidente. O governo não tinha interesse nenhum na
eleição, ao contrário do que acontece em qualquer votação parlamentar,
em qualquer lugar do mundo? O governo não fez o diabo para eleger seu
candidato, Luiz Eduardo Greenhalgh?” Texto completo aqui
[link] .

*Fala Francisco de Oliveira, um dos maiores sociólogos do Brasil,
fundador do PT e membro do partido até 2003*: “Foi o governo que elegeu
Severino Cavalcanti presidente da Câmara. Esse disparate explica-se: o
arco de alianças armado em nome da governabilidade, de um amálgama que
assustaria o mais atrevido alquimista, revela um governo fraco, sem
projeto nacional, a não ser a recondução do presidente, presa fácil para
todas as pretensões. . . . Renunciando ao seu mandato reformista, o PT
refez um sistema partidário que já estava falido, como resultado do
turbilhão dos mandatos de FHC, e tornou-se prisioneiro do nada. Em lugar
de jogar a definitiva pá de cal sobre os escombros de partidos sem
nenhuma representatividade, recuou e, pensando ter recebido um mandato
de união nacional, convocou do partido de Paulo Maluf aos liberais, de
permeio com todas as siglas de aluguel. O resultado é algébrico: menos
com menos dá mais. Menos representatividade somada a menos
representatividade dá um governo inerte, sem capacidade hegemônica, cuja
única performance significativa se dá na economia, precisamente porque
nada mudou e permanece soberana a política encetada, primeiro, por
Collor e implementada, de fato, por FHC. Mas não é disparatado que tenha
sido o deputado Cavalcanti, conhecido como o "rei do baixo clero", o
vencedor. Isso mostra que o governo do PT está emaranhado em pequenas
negociações, em arranjos paroquiais, para fazer passar sua vontade na
casa principal do Legislativo. Ainda se fosse para grandes reformas, até
se admite, mas não, é para o pequeno varejo . . . É . . . escusado dizer
que, quando Lula assume a coordenação política, o desastre é quase
previsível. Pensando e fazendo política como se fosse negociação
sindical, o presidente anula a política, pois, se tudo pode ser
negociado, nada é prioritário.O presidente não tem posição definida
sobre nada, e os políticos, escolados também no mesmo fazer, podem mudar
à vontade. Basta ver que o novo presidente da Câmara já passou por nada
menos que seis partidos desde que se iniciou na política partidária.
Tudo isso não quer dizer que haverá, de agora em diante, oposição ao
Executivo nem que o senhor Cavalcanti vá liderar algo que se oponha aos
desígnios do Planalto. Significa apenas que tudo sairá mais caro: mais
emendas de parlamentares e barganhas maiores e mais freqüentes por
cargos. O PMDB, cujo apetite vem sendo saciado crescentemente pelo
governo, foi a principal fonte de votos de Severino. Convenhamos que,
para uma casa que já teve Ulysses Guimarães na presidência, a nova cara
na principal cadeira da Câmara não ficará bem na galeria dos ex no
futuro.” Texto completo aqui
[link] .

O *Biscoito* assina embaixo destes três textos.

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  Escrito por Idelber às 20:28 | link para este post



quarta-feira, 16 de fevereiro 2005

*Severino, os 300 picaretas


*Severino, os 300 picaretas e a vergonha nacional*

Impossível ver as imagens da eleição do novo Presidente da Câmara dos
Deputados do Brasil e não sentir um misto de vergonha, raiva e melancolia.

Há alguns anos - numa declaração que virou hit pop na voz de Herbert
Vianna - Luiz Inácio Lula da Silva falou dos 300 picaretas com anel de
doutor do Congresso Nacional. Anteontem o PT apresentou dois candidatos
e foi derrotado por Severino Cavalcanti
[link] , do PP-PE,
velho político oligarca e apoiador de todos os governos federais desde
os anos 60. Elegeram o Sr. Severino exatamente 300 deputados
[link] . Os
mesmos 300, digamos, que Lula um dia nomeou e os Paralamas cantaram.

A diferença é que desta vez o próprio governo do presidente Lula tentou
toda sorte de picaretagens para angariar os votos necessários para seu
candidato, o Sr. Greenhalgh. Não deu: os picaretas do Congresso, raposas
velhas, são picaretas há mais tempo. Com o voto secreto facilmente deram
o tombo no PT e no governo e pela primeira vez na história deixaram o
partido majoritário fora da presidência (e mesmo da mesa diretora!) da
Câmara. Ganhou o candidato que ostenta o glamoroso currículo de ter sido
da ARENA, do PDS, PL, PFL, PPB, PPR, e PP; ter apoiado Collor e ter
mamado em todas as desgraças políticas do Brasil nos últimos 40 anos.
Ganhou o candidato que concorreu com a plataforma de aumentar os
salários [link]
dos deputados em quase 100% sobre os atuais 12 mil e tantos reais (que
já chegam, claro, acrescidos de 35 mil de verbas, mais carros, AP,
etc.). Depois de sofrer sua mais vergonhosa derrota no Congresso, Lula
se esconde atrás do eufemismo de que Severino "não será obstáculo
[link] " para o
governo. Possivelmente tem razão o presidente. Políticos como o Sr.
Severino não constumam colocar "obstáculos" na frente de quem chegue com
a mão cheia para negociar.

Nesta hecatombe, aos petistas não cabe reclamar de traição. Ninguém
teria traído ninguém se as condições para a traição não houvessem sido
dadas. Mais uma vez a direção do PT foi vítima da sua própria
politicagem e do monumental esquecimento e traição a seus princípios
fundadores. Voltemos o suficiente no tempo. A outubro.

Com o Chefe da Casa Civil José Dirceu "garantindo" que Marta venceria as
eleições paulistanas, o campo petista para a sucessão estadual em 2006
parecia resumido a Dirceu, Palocci, Greenhalgh e Mercadante. Naquele
momento, já havia ampla base para referendar simplesmente, para a
presidência da Câmera, o candidato indicado pelo PT, dada a tradição de
que a maior bancada indica o presidente. O nome que já havia se
consolidado com a bancada do PT (e já apoiado também pela do PSDB e
outras lideranças) era o de Virgílio Guimarães, credenciado por quase 20
anos de casa e a relatoria da Reforma Tributária.

A derrota de Marta em SP mudou a brincadeira: sobrepovoou-se o terreno
sucessório em SP e havia que encontrar cargos para pesos-pesados do
PT-SP, que surgem em quantidade maior que a capacidade do país de
absorvê-los como ministros. Impôs-se ao resto do Brasil o nome de
Greenhalgh. O que pensava a base? Base não é feita para pensar, é feita
para obedecer. Como na aliança com Garotinho em 98, como na nomeação de
Henrique Meirelles em 2003, a direção do PT paulista impõe, goela abaixo
do país, o nome que convenha à sua politicagem, sem a menor consideração
por interesses nacionais mais amplos. Cospem na história do PT.

Sentindo-se traído, Virgílio não abandonou a brincadeira, resolveu
desrespeitar a hierarquia e ir até o fim. Já não tinha muito que perder,
depois de ter sido vítima do golpe do Komintern paulista. Iniciaram a
caça à jugular de Virgílio
[link] . Quanto ao
candidato de extrema direita que terminou ganhando a eleição, só na
terça-feira ele virou uma preocupação
[link] dos
burocratas petistas mais interessados em destruir outro fundador do PT.
Depois da hecatombe, Greenhalgh diria que a derrota foi do governo e o
governo argumentaria que não estava disputando, e que a derrota foi do
PT. A mentira, a covardia e a negociata se espalham com tal força que
até agora nenhum petista teve culhões suficientes para vir a público
avaliar as dimensões enormes dessa derrota.

Prisioneiro do próprio clientelismo que instalou, o governo Lula foi à
batalha dividido. Pior, implicitamente autorizou os deputados a que
fizessem o que lhes viesse à telha. Encorajados pelo voto secreto, os
300 picaretas humilharam o governo, dizendo claramente: a mordomia que
se dá aqui não é suficiente. Sabemos que vocês já deram os anéis, os
dedos e há confusão sobre dar ou não dar o braço. Cobraremos o antebraço
e muito mais.

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  Escrito por Idelber às 02:30 | link para este post



terça-feira, 15 de fevereiro 2005

Convite à leitura: Érico

Convite à leitura: Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Osman Lins

O ensaísta, crítico e poeta Italo Moriconi, organizador de Os cem
melhores contos brasileiros do século
[link]
(Rio: Objectiva, 2000), notou um dado importante: “Em torno da primeira
métade do século, nossos escritores . . . escrevem numa língua que
amadureceu, está mais uniforme e representativa daquela usada no
cotidiano pelos brasileiros educados, de qualquer lugar do país” (106).
Na seleção que fiz para este post – já em cima da seleção feita pelo
Italo – deixa-se ver isso: mais além das diferenças nos relatos e nos
estilos, uma cearense, um gaúcho e um pernambucano da mesma geração
produzem literatura num *registro lingüístico *bem semelhante. Há uma
língua literária brasileira, relativamente uniforme, já constituída
nesse momento.

Estamos lendo três escritores que se firmaram como romancistas: Rachel
de Queiroz com O quinze
[link] , Érico
Veríssimo com a trilogia O tempo e o vento
[link]
e Osman Lins com o super-experimental Avalovara
[link] .

“A partida [link] ” (1957), de
Osman Lins
[link] é
uma cena, quase um não-relato, no sentido de que não acontece “nada”
realmente. Um neto tem que ir e vai. É o tipo de conto em que não faz
diferença “revelar o final”: o final vai dado de antemão. Implacável na
descrição da dor da perda da avó, da preparação ritual para o café da
manhã de despedida (com a toalha e talheres “especiais”) e da frustração
até mesmo deste último pingo de esperança, Osman Lins organiza seu ponto
de vista narrativo através da avó e assim produz a história – o relato
seria impossível, ou banal, contado do ponto de vista do neto que parte.

Em “As mãos de meu filho
[link] ” (1942), de Érico
Veríssimo [link] , Gilberto,
filho bem-sucedido de mãe trabalhadora e pai bêbado, toca Beethoven
(alguma significação especial nesse nome?) para um auditório lotado. O
narrador relata em discurso indireto livre, de “dentro” da cabeça da
mãe, toda a miséria passada e oca vaidade presente pelo filho, além da
vergonha do marido. No final, Gilberto comemora com a mãe e a platéia
enquanto o pai inútil, esmagado na sua insignificância, dá um trocado ao
porteiro para que beba um trago. O notável, claro, é a destruição
completa da figura paterna, assim como é importante sua ausência no
conto de Osman Lins.

“Tangerine-girl
[link] ” (1948), de
Rachel de Queiroz
[link] , traz as marcas dos
encontros do período emblemático da Segunda Guerra Mundial, entre um
marinheiro gringo (que, depois descobrimos, não é “um”) e a garota da
terra. Dos três contos, é o que produz ao final um evento de maior
impacto – a esmagadora decepção da garota quando descobre que “o”
marinheiro com qual se comunicara são vários, e que portanto *ele* não
existe. Estropiada, perde ali seu sonho de singularidade. Notável também
é que ninguém na turma de marinheiros que a visita parece entender nada
do que se passa com ela. Dois mundos incomunicáveis. Rachel de Queiroz
arma bem o conto: identificamo-nos com e entendemos a garota, e
desprezamos (ou pelo menos temos pena d’) os marinheiros.

Há muito que se dizer sobre esses relatos que são todos, de alguma
maneira, polaroids de desmoronamentos. Os dois primeiros são comentários
implacáveis sobre a estrutura familiar. O terceiro - eu pelo menos o
leio assim - é um baita conto sobre o desejo e a sua frustração. Mas há
outros registros por aí para lê-los. Nesta quarta estão todos convidados
a ler estes três relatos - ou qualquer um deles - e bater um papo aqui
neste blog.

PS: como sempre no blog, está liberada qualquer língua na caixa de
comentários.

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  Escrito por Idelber às 22:37 | link para este post



segunda-feira, 14 de fevereiro 2005

Enquete sobre uma carta

Eu adoraria ouvir opiniões sobre um caso curioso. Em dezembro, o
InfoBrazil me encomendou um balanço dos dois primeiros anos de PT no Planalto e eu escrevi um texto de críticas duras ao governo. Não foi fácil: uma coisa é criticar e expressar insatisfação para que me leiam compatriotas. Outra é descer o sarrafo no governo do seu país – governo que você apoiou e no qual você tinha esperança – em outra língua, língua do Império ainda por cima. Mas eu fui lá e escrevi o que eu achava / acho que era / é certo. Não vou repisar aquele conteúdo porque eu não tenho controle sobre como ele é lido: eu acabo agradando gente que eu não quero agradar e desagradando amigos meus que respeito, e que ainda apóiam o governo na esperança de que esta joça possa mudar de rumo.

Mas o caso que quero contar é outro. Qual não foi minha surpresa ao ver que o texto está publicado em alemão? Em dois lugares, aqui [este desde então retirado] e aqui.
Obviamente sem minha autorização. Tudo bem. Internet é isso mesmo.
Agora, vejam só o título da brincadeira: “Ein selbstverliebter Messias”, um “Messias muito apaixonado por si mesmo”, palavras que eu jamais usei para me referir ao presidente Lula. Meu artigo fala de “tendências messiânicas” do presidente, o que é bem diferente de se usar o substantivo “Messias” num título e por cima acompanhado de adjetivo horroroso.

Tá vendo? Quando a gente coloca uma coisa na internet ou circula um
manuscrito dizendo c Idelber Avelar, Não citar ou circular sem permissão do autor, neguinho às vezes acha que é viadagem, frescuragem, que é para aparecer. Não é não. É para impedir que venha um Fritz qualquer, traduza uma parte do texto, ponha um título que não tem nada a ver com o espírito de crítica política não-pessoal e não-moral do artigo, e publique a porra numa língua que você mal lê capengando, mas que conhece o suficiente para saber que certinho e completo o texto não está – e que está tabloidizado no seu título, recebido sem que o soubesse o seu autor.

Agora, faz-se o quê? Chego prá eles e digo: Que honra estar traduzido ao idioma de Goethe? Ou escrevo uma carta satírica perguntando se a língua deles é capaz de diferenciar a construção temporal “têm adotado” da condição atemporal “ser”? Peço que me expliquem qual foi o raio de palavra inglesa que eu usei que possa ser traduzida por selbstverliebter? Escrevo avisando-lhes que o Biscoito Fino e a Massa vai mudar de nome e que estou convidando-os a nomear o próximo site, já que se julgam competentes para intitular meus artigos?

Vou te contar, haja suco de maracujá para essa tal de internets.

PS 1: Nesta quarta teremos visita de meus alunos para discutir a
contística brasileira. Adorei a experiência com Machado e deixo o
convite para que todos os leitores diários se juntem a nós de novo.
Amanhã eu coloco o post com as provocações, mas para quem quiser ir
preparando-se, a conversa será sobre “Tangerine Girl [link] ”, de Rachel de Queiroz, “As Mãos do Meu Filho”, de Érico Veríssimo e “A Partida", de Osman Lins. Três miradas ácidas a figuras familiares.

*PS 2*: Morreu Arthur Miller, mestre radical do teatro. Obituário do New York Times? Nem pensar. Leia o do Rude Pundit.


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  Escrito por Idelber às 22:04 | link para este post



domingo, 13 de fevereiro 2005

*En la prensa hermana


*En la prensa hermana *

Aqui vai o axé e o carinho do *Biscoito* a uma mulher de coragem, Gladys
Marín, presidente do Partido Comunista Chileno. Gladys luta contra um
tumor já em estágio terminal. Pense o que você pense sobre suas idéias,
é uma extraordinária história de vida, essa guerreira. Eu já tive a
honra de escutá-la, no congresso Utopías II, que em setembro de 2003
re-memorou, no simbólico edifício Diego Portales, os trinta anos do
golpe em Santiago. Naquela ocasião palestramos muitos chilenos e
estrangeiros, mas o gigantesco auditório só ferveu e entupiu de gente
mesmo para escutar Gladys Marín. Agora, já na portaria do inevitável,
Gladys recebe amigos, simpatizantes e é acompanhada pelo marido e
filhos, mulher sempre amada que foi. O governo do presidente Lagos já
confirmou luto nacional. Detalhes no La Tercera
[link] .

Enquanto isso, no mesmo La Tercera
[link] , um ex
presidente da República Federativa do Brasil publica artigo deselegante
e ressentido
[link] .

No suplemento Radar do Página 12 [link] , há
interessantes toques sobre, entre outras coisas, a história da relação
rock / futebol na Argentina.
[link]

Via La Jornada [link] , o *Biscoito* saúda o fato
de que o México seguiu o exemplo brasileiro e anunciou
[link] abertura de
sua representação em Ramallah.

Cinéfilos: saiu entrevista exclusiva do Clarín
[link] com
Martin Scorcese.

No La Nación [link] de Buenos Aires, vale
conferir a entrevista
[link]
com a reaça, mas talentosa escritora Doris Lessing

Hoje dei uma voltinha pelos jornais latino-americanos, depois de duas
semanas. Valeu a pena.

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  Escrito por Idelber às 22:28 | link para este post



sábado, 12 de fevereiro 2005

Disco da Semana – Vanessa da Mata Essa Boneca tem Manual (2004)

A mato-grossense Vanessa da Mata [link] se
mudou para Uberlândia-MG aos 15 anos, antes de aterrizar em São Paulo e
conquistar o Brasil. Estreou com CD epônimo
[link] em 2002 e em 2004 lançou a
pérola que recomendo aqui, *Essa Boneca tem Manual*.

Quem já escutou sabe que a resenha está passada de hora. Quem não
escutou, antes de sair correndo para comprar, imagine: um timbre de Gal
Costa (não o arremedo de hoje mas esta
[link]
ou esta
[link] ),
só que mais lírico, com mais extensão e superior repertório; a
personalidade de Adriana Calcanhoto ou Ana Carolina na composição; o
suíngue e o talento revisionista de Marisa Monte; o físico, o gestual e
o axé de Clara Nunes; o domínio de palco de Cássia Eller. Não, não é
exagero e quem já ouviu que testemunhe.

A banda de Vanessa se ombreia com as melhores que tiveram essas
cantoras: Liminha no baixo, Guilherme Kastrup na bateria e percussão (no
primeiro disco aparece também o pandeirista-mor Marcos Suzano), Jaques
Morelembaum e por aí vai. A produção deixa o som limpinho, mas sem
perder o peso e a radicalidade dos seus momentos de experimentação. Por
cima brinca a poderosa voz de Vanessa, desfiando uma leitura feminina do
mundo nas letras. A grande referência musical de Vanessa em *Boneca* são
os violões / guitarras suingados do samba-rock do mestre Jorge Ben Jor.
Essa é a base da brincadeira toda: a eletrificação do samba levada a
cabo por Ben Jor lá pros idos de antes do golpe. Só que entra um
trabalho de percussão mais pesado e mais roqueiro que o do primeiro Ben.
E a voz de Vanessa leva o samba-rock já quarentão a ápices de lirismo,
paródia, romantismo e extensão dantes não alcançados. É o meu candidato
a disco de 2004.

*Boneca* contém uma versão experimental-clean de ‘Eu sou neguinha’ de
Caetano, um arranjo “up-tempo” de metais de Morelembaum para o clássico
infantil de Chico Buarque, “História de uma Gata”, além de 10
composições de Vanessa (5 delas em parceria com o maior produtor musical
brasileiro, Liminha). Nestas, sobre a base sambalanço entram toques de
Jovem Guarda (‘Ai ai ai”, com seus versos bem Roberto, “se você quiser
eu vou te dar um amor/ desses de cinema”) e baladas de amor nada banais,
de harmonias a la Djavan (“Ainda bem”, “Eu quero enfeitar você”, “Zé”).
Minha favorita é a super faixa que dá título ao disco: um funk com
pandeiros de sambinha, cozinha cheia de variações de tempo (baixo de
Rian Batista / bateria de Maurício Sanches) e a voz de Vanessa subindo e
descendo tranqüila, entre a brincadeira e o sério: /nos segredos dela se
aposta, viu? / nos cabelos dela não se toca, ouviu? / eles são de nuvem
ou bombril? / elas são ousados ou só seus/? Puro racha-assoalho, mas no
maior romantismo.

Vanessa da Mata já estreou no topo do topo. Maria Bethânia chamou-a de
‘novo Guimarães Rosa do Brasil’ e nomeou seu CD de 1999 com a música de
Vanessa e Chico César, “A Força que Nunca Seca”. Vanessa tem em seu
caderno mais de 250 canções. Já dividiu palco com Bethânia, Baden Powell
e Max de Castro. Na opinião de Nélson Mota, ela é a principal artista
revelada nos últimos dez anos. Não é instrumentista, mas compõe com a
tranqüilidade de quem chega para ocupar a camisa 10: é a maior cantora
brasileira que descobri desde que ouvi a atleticana que mudou o Brasil
[link] .


/PS: a resenha desta semana contou com fontes cedidas pela leitora e
amiga Cipy Lopes. /

/

/ /

/PS 2: Wampum [link] promove uma eleição de melhor
escritor na blogosfera de esquerda gringa. Meu bróde véio e humorista
Michael Bérubé [link] chegou às finais. Se você
já se deliciou, via meus links, com pérolas como a sátira ao vivo
[link] da
convenção bushista ou o projeto de devolver os estados
[link]
comprados à França, passe lá e deixe seu voto
[link] . /

/

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  Escrito por Idelber às 22:39 | link para este post



quinta-feira, 10 de fevereiro 2005

A Dialética da Ameaça Anônima

O email colocou a última pá de cal na correspondência como gênero
literário. Acabaram-se aqueles romances
[link]
escritos em formas de cartas. Já não há cartas. O email não é uma carta
em forma eletrônica. É outro gênero, com outras regras. Prá começar, não
dura, não se guarda.

Tenho que confessar que o fim das cartas me enche de alegria. Não
suporto ler correspondência de escritor, e quando tenho que ler – por
pesquisa – me entedio e a coisa acaba tirando meu tesão pelo autor, que
ali naqueles textos parece vulgar, sem ficção, sem sonho (aliás: quantos
volumes de cartas de Mário de Andrade ainda falta desenterrar, pelo amor
de Deus?).

As ameaças anônimas têm longa história na ficção. O romance de adultério
e o romance policial, por razões óbvias, foram duas de suas grandes
moradas. Tanto em *Madame Bovary* como em *Ana Karenina*, a tensão
dramática se multiplica quando as protagonistas recebem ameaças anônimas
de que suas escapadas serão reveladas.

Mas o meu romance de adultério favorito foi escrito por uma mulher – a
fantástica Kate Chopin
[link] que, com *The
Awakening* (1899), leva à culminação e à morte esse gênero
essencialmente masculino. Também a protagonista de *The Awakening* sofre
ameaças anônimas.

Para os que acompanhamos a subida meteórica da neo-direita
norte-americana, ameaçazinha que se recebe por email ou em caixa de
comentários é a fichinha da fichinha. Aqueles caras sim, são
profissionais. Sabem que a máquina da mídia pode disseminar calúnias de
tal maneira que – *mesmo depois que a calúnia tenha sido provada falsa*
– ela não perde sua operatividade. Martela-se que Saddam tinha armas de
destruição, que havia albergado gente da Al Qaeda, e depois de tudo
provado falso, 40% da população continua acreditando na calúnia
original. Por quê? O Prof. Stephan Lewandowksy, da Austrália, que
pesquisa o assunto, explica
[link] :
“As pessoas criam um modelo mental para entender o mundo baseado na
informação falsa. Mesmo depois do desmentido elas não conseguem
abandoná-la, porque isso deixaria seu mundo mental em ruínas”.

Ontem eu deixei aqui links para a história do Prof. Ward Churchill. Aqui
vai o resumo. Depois do 11 de setembro, o Prof. Churchill escreveu um
artigo dizendo coisas óbvias: que o ataque era conseqüência direta da
politica de agressão americana ao mundo árabe e que era hipocrisia
exigir do mundo um luto que os EUA nunca dedicaram a suas vítimas. No
meio dessas obviedades, disse uma grande asneira: que os trabalhadores
financeiros mortos das Torres Gêmeas eram ‘pequenos Einchmann’ (o dito
cujo era, claro, um dos arquitetos do nazismo).

O artigo não recebeu atenção durante 3 anos. Na semana passada, quando o
Prof. Churchill se preparava para dar uma palestra em Hamilton College,
alguém descobriu o artigo e pôs a boca no mundo. Imediatamente, a
máquina de calúnias da Fox News começou a trabalhar, lançando ataques
histéricos e exigências de que se cancelasse a palestra. Incitaram os
habitantes do Colorado, onde o professor trabalha, a que escrevessem
emails à universidade exigindo sua demissão. Resultado: a universidade
recebeu mais de 8000 emails com insultos, o Prof. Churchill recebeu mais
de 100 ameaças de morte, seu carro foi objeto de vandalismo e ele teve
que renunciar à direção do Centro de Estudos Étnicos da Universidade do
Colorado. A direção da universidade agora estuda sua demissão, fato que
seria *inaudito* nos EUA. Aqui, depois de conquistar o *tenure*
(estabilidade, que não vem com o emprego, mas é conquistada depois que
sua obra foi reconhecida dentro da disciplina) você só pode ser mandado
embora por crime ou falta grave. O *tenure* existe exatamente para
proteger “crimes” de opinião como esse, porque se sabe que é raro
produzir *novo* conhecimento (obrigação nossa na universidade) sem
desagradar alguns poderosos.

No caso das agressões que sofrem os blogueiros – por email ou nas caixas
de comentários – a mesma tecnologia que permite que o agressor se
mantenha anônimo também permite ao blogueiro proteger-se, bloqueando
IPs, por exemplo. Na maioria dos casos, os agressores não são nada do
tipo Fox News. São pessoas miseráveis, em geral solitárias e invejosas.
Não têm nem idéia de que qualquer agressão, mesmo anônima, pode ser
rastreada ao seu IP e, com um pouquinho mais de trabalho, ao seu
endereço residencial.

Tivemos há pouco a primeira experiência de processar uma pessoa que
enviava emails com ameaças às pessoas envolvidas na causa palestina. Com
o tempo, os próprios blogueiros construiremos formas mais solidárias de
auto-defesa – compartilhamento instantâneo de informação, por exemplo,
de forma que qualquer um que passe do limite do aceitável seja banido
não só no blog onde agrediu, mas numa grande rede de blogs. Como sempre,
a nova tecnologia em si mesma é eticamente neutra.

Cabe à ética ganhar, dentro da tecnologia, a batalha contra a
filhadaputagem.

PS: Por favor, paciência com as ridículas letrinhas tortas do mecanismo
anti-spam da caixa de comentários. Sim, às vezes é foda enxergar. Mas na
segunda ou terceira tentativa vai. E às vezes o número mostrado aqui
fora é menor que o número de comentários realmente existente dentro da
caixa. Paciência, vamos sair daqui em breve. Até Domingo que Nova York
me espera!

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  Escrito por Idelber às 15:02 | link para este post



quarta-feira, 09 de fevereiro 2005

*Instantâneas* A fim de


*Instantâneas*

A fim de conhecer a rica música de Nova Orleans? Confira umas das mais
tradicionais rádios comunitárias dos EUA, a wwoz
[link] .

Expatriado e com saudade da música brasileira? Cansado da sua coleção de
CDs? Confira uma das melhores rádios musicais do Brasil, a
Brasileiríssima FM
[link] de Belo Horizonte.

Você ainda acredita que nos EUA não existe censura, perseguição política
por opinião, caça às bruxas? Confira a incrível história do Prof. Ward
Churchill aqui [link] ,
ali [link] , lá
[link] ,
acolá
[link]
e mais além
[link] .


Quer saber a escalação do Santa Cruz pentacampeão pernambucano de 1973?
Ou qualquer outra coisa sobre futebol? Pergunte ao Mister Ge
[link] que ele responde!

Quer saber quem é favorito para a sucessão do papa? Leo Pimentel tem o
furo [link] !

Sofreu censura ou ameaças oficiais? Procure – apóie – o Comitê de Defesa
do Blogueiro [link] !

Quer conhecer o texto que fez do leito de morte de Cartola uma paz ainda
mais cheia de felicidade? Foi este aqui
[link] .

Quando é que os espanhóis vão parar de usar a palavra bitácora
[link] para se referirem aos blogs? Minha dúzia de
leitores chilenos e argentinos: dêem um jeito nos ibéricos. Blog é blog,
pô. Acho que o Aldo Rebelo andou passando pela Espanha.

Contagem regressiva para rever a Grande Mecca [link] :
Dois dias!

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  Escrito por Idelber às 15:26 | link para este post



terça-feira, 08 de fevereiro 2005

Previsões do Biscoito para os Campeonatos Estaduais


(/links não levam aos sites dos clubes e sim a textos bacanas sobre
futebol/)

*Campeonato Paulista*: O melhor time é o Santos
[link] , o mais regular é
o São Caetano [link] , o mais cheio de
estrelas é o Corinthians
[link] . Mas este *Biscoito*
aposta que Leão introduzirá culhões no Tricolor Paulista
[link] , que
este ano não morrerá na praia. Para o título do melhor campeonato
estadual do país, aposto no São Paulo F.C
[link] .

*Campeonato Mineiro*: Este é o ano do Galo
[link] ganhar o Ruralzão. O
glorioso não fica 5 anos em jejum desde que Costa e Silva ocupava o
Planalto. No Cruzeiro
[link] ,
Levir Culpi confirmará a fama de Le-vice. O outrora grande América-MG
[link] ,
depois de rebaixado do Nacional, da Série B para o inferno da Série C,
corre sério risco de passar a humilhação de ser rebaixado no Campeonato
Estadual.


Campeonato Paranaense: O Atlético-PR
[link]
vem se mantendo na elite do futebol brasileiro há anos. Ano passado
cantou vitória antes da hora no Estadual e perdeu para o Coritiba
(time chatinho que não adotou o nome da cidade por puro puritanismo
com a letra U). No Nacional-2004 o Atlético-PR cantou vitória de novo
e perdeu o título. No Estadual deste ano deve impor sua melhor
estrutura. Dá Furacão.

*Campeonato Baiano*: O Vitória-BA [link] ,
conhecido mundialmente pelas suas categorias de base, no ano passado
investiu em medalhões de garra e dedicação duvidosas e pagou o pato:
rebaixado para a Série B. O Bahia
[link]
quase subiu, mas morreu na praia. No Estadual, o Vitória ainda sentirá o
trauma e o Tricolor leva o título.

*Campeonato Goiano*: Este não tem nem graça. Ninguém em condições de
desbancar o Goiás
[link] .

*Campeonato Pernambucano*: Com os três grandes times do estado na
Segundona, o Sport
[link] continua sendo o
favorito. Mas o *Biscoito* aposta que o time de meninos do Náutico
[link] leva o título.

*Campeonato Gaúcho:* Em geral quando um time grande sofre uma baita
cacetada nacionalmente, é de se esperar que se recupere no Estadual. Mas
o time do Grêmio [link] é ruim
demais (sorry, Tiagón [link] ). O
título fica com o Colorado
[link] do Mílton
[link] .

Ah, já ia esquecendo, *Campeonato Carioca*: No estado onde hoje se
pratica o pior futebol entre as principais praças futebolísticas do
país, não se sabe quem é o mais horrível. O Flamengo
[link] continua
sua despencada e está em último lugar (quando Júnior Baiano é a voz do
bom-senso no time, algo vai muito mal). O Vasco
[link] colhe os frutos da sua
administração suspeita e autoritária. Quase todo mundo aposta no
Fluminense [link] ,
único carioca a não ser humilhado no Nacional-2004. Minha previsão
maluca do ano vai para o Cariocão: o título fica com o Botafogo
[link] .

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  Escrito por Idelber às 17:11 | link para este post



segunda-feira, 07 de fevereiro 2005

O Clube de Leituras

O Clube de Leituras

A eleição
[link] dos
melhores livros de todos os tempos e o subseqüente clube de leitores
[link]
que se armou para discutir essas obras está sendo uma das experiências
mais bonitas e bacanas que eu já vivi desde que cheguei à blogosfera.
Todos devemos um ‘muito obrigado’ ao Alexandre
[link] , pela energia de
organizar a eleição e depois montar um supersite para que déssemos os
nossos pitacos. Para quem ainda não foi, visite: o site
[link] é rápido,
ágil, fácil de ser usado; você não precisa ter um blog para postar.
Muito depois de que todos nós tenhamos virado pó, aqueles textos estarão
lá, como convite ao diálogo para quem leia Crime e Castigo
[link] .

Ao contrário de muita gente, eu não acho que a literatura
necessariamente nos faça mais inteligentes, nem mais justos, nem mais
éticos, nem mais nada. Jamais abro a boca para dizer que as pessoas
precisam ler mais, que já não se lê como antigamente ou que se mais
gente lesse o mundo seria melhor. Algumas das maiores bestas quadradas
que já conheci haviam lido Shakespeare [link] e
Dante [link] no original. Algumas das pessoas
mais sábias e que mais acrescentaram à minha vida – como meu pai – nunca
haviam aberto um livro. A literatura – como a internet – é um recurso,
um brinquedinho, uma coleção de possibilidades, *uma carta lançada ao
futuro*, uma utopia aberta. Depende do uso que você dê para a coisa.
Pode virar a maior merda quando combinada com o esnobismo, com o ódio ou
com o ressentimento.

No meu caso, é totalmente liberador estar num bate-papo sobre literatura
fora do contexto de sala de aula e de pesquisa, onde a minha voz já vem
previamente autorizada como a de um ‘especialista’, onde inevitavelmente
meus interlocutores – os estudantes – estão de alguma forma
condicionados pela praga da estrutura escolar, a avaliação. Nosso clube
[link] tem mais de
trinta blogs, que já postaram quase quarenta textos, que geraram outras
dezenas de respostas. Alguns do textos já foram visitados mais de
duzentas vezes. Pela falta crônica de tempo, ainda não li todos, mas dos
que li eu adorei o texto do Biajoni
[link] , o
texto do conterrâneo Guto
[link]
[link] e o
texto do Mauro Amaral
[link] . O
Biajoni faz uma leitura da questão do acaso, o Guto faz uma leitura do
problema da moral, o Mauro faz deliciosas contraposições com personagens
do cinema.

Um clássico é um livro que chega às mãos do leitor sobrecarregado de
legitimação prévia. O legal de um clube como esses é que, num ambiente
descontraído, as pessoas que não gostaram do livro sentem-se muito mais
livres para dizer que não gostaram. É importante, é liberador e ajuda a
destruir a aura da literatura. Muita gente que havia recebido o ‘mito
Dostoiévski’ mas nunca havia lido um livro dele, deu-se conta de que
*Crime e Castigo* é febril, exagerado, hiperbólico, cheio de acasos,
meio estereotipado, folhetinesco e com um final abrupto. Eu adoro, mas
adorei também ver gente dizendo ‘que merda é essa’. O nosso Clube já foi
notícia no maior blogueiro do mundo
[link] e no caderno
de informática do Globo
[link] .

PS: A palestra na Universidade da Califórnia [link]
foi bem animada, com direito a sessão de perguntas e respostas de mais
de uma hora. Muito obrigado a esse extraordinário departamento de
literatura pela hospitalidade, no que foi uma sexta-feira muito
especial. Obrigado aos alunos de pós pelo almoço e aos professores pelo
jantar. Obrigado a Leila Couceiro [link] e
família, pelo lindo passeio em San Francisco no sábado. Amanhã envio
notícias da nossa terça-feira gorda por aqui.

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  Escrito por Idelber às 16:42 | link para este post



quarta-feira, 02 de fevereiro 2005

Outro post confessional deste

Outro post confessional deste blog não-confessional

O espírito e o coração andam bem, mas a cabeça e o corpo estão em
desalinho (linda expressão, roubei do Inagaki
[link] ).
De novo, hora do avião. Hora de fazer um post confessional. Saio daqui a
oito horas de viagem a Berkeley, para uma intensa sexta-feira de
palestras na superlinda Universidade da Califórnia
[link] . Estas palestras, pela qualidade do público
(Berkeley está entre as cinco melhores universidades dos EUA em estudos
literários), são as mais significativas prá mim desde, pelo menos, 1999.
Sábado, recompensa: rever San Francisco [link] e
conhecer Leila Couceiro [link] . Mais notícias
nos dois blogs.

Das duas malas com que eu cheguei do Brasil, uma ainda nem foi desfeita.
Hora da angústia. Esta, por sorte, apaziguada pela certeza de que até a
hora do avião (8 a.m.) eu terei que estar acordado escrevendo coisas
para dizer na sexta.

Maravilha de consolo. Nos próximos três meses letivos e duas semanas
pós-aulas aqui em New Orleans eu teria que: 1. dar esses dois seminários
normais que estou dando; 2. levar a bom termo a defesa de uns três ou
quatro doutorandos; 3. concluir mandato de secretário-geral de artes e
ciências de Tulane (sim, fazedor de atas quando a professorada se
reúne); 4. concluir mandato no comitê executivo da universidade e no
maravilhosamente nomeado comitê-dos-comitês (este você nem queira saber
o que faz: seleciona gente para os outros comitês, claro!); 5. manter
este blog e . . . . . . palestrar algumas vezes por aí antes de fechar e
entregar a casa, jogar um monte de tralhas fora, guardar o resto num
galpão, resolver burocracias de seguros, impostos e tal, lotar duas
malas e ir para o Brasil por um ano. *Ligeira revoltosa no calendário*.
Acabo de atinar que me comprometi com cinco viagens para palestras. Pior
parte: sobre quatro temas diferentes, só um repetido. Depois de estar na
Califórnia entre amanhã e domingo, eu volto a New Orleans para pular
carnaval, depois Nova York de quinta a domingo (reunião da Modern
Language Association [link] ), dia 25-6 de fevereiro uma
palestra sobre música brasileira em Chicago, na Northwestern University
[link] , em março palestras no Williams College
[link] sobre violência e em abril uma palestra sobre
Julio Cortázar [link] em Rutgers
[link] e outra aqui em New Orleans sobre estudos
pós-coloniais. As palestras todas ainda têm que ser escritas,
evidentemente. Se sobrevivo, JazzFest [link] e
Brasil ! Portanto, este blogueiro tem que encontrar maneiras de
economizar tempo. *Opções*: 1. Parar de fumar para parar de ter que
descer e sair do prédio baforar toda hora 2. Parar de torcer para o
Atlético e economizar a leitura do caderno de esportes 3. Fechar o blog
4. Manter o blog mas parar de comentar
[link] por aí
[link] igual
doido [link] 5.
Manter o blog, continuar comentando mas não ler os posts que comento 6.
Comunicar à universidade que devido ao sucesso da aula sobre Machado o
curso de conto agora é só ‘virtual”, no blog 7. Comer só
merda-pré-empacotada-para-microondas 8. Conseguir dormir menos de 8
horas em média, o que eu nunca consegui.

Alguém aí tem alguma outra idéia possível para economizar tempo? Nenhuma
destas está parecendo factível.

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  Escrito por Idelber às 02:23 | link para este post