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Um weblog anti-apocalíptico sobre polí­tica, música, futebol e literatura.



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segunda-feira, 28 de fevereiro 2005

Fenomenologia da Fumaça - Semana 2

Eu fiquei comovido com o que aconteceu na semana passada aqui na caixa
de comentários,
[link] na
primeira das minhas 52 semanas necessárias para deixar de fumar. Essa
batalha receberá aqui o nome de *fenomenologia da fumaça* (o sentido
deste termo será explicado na semana que vem). O projeto contará com
casos, pesquisa científica, elocubração filosófica, análise literária e
cinematográfica do fumo, além de mapeamento cuidadoso da história do
fumo na vida do blogueiro. A isto, concluiu o blogueiro, está reduzido o
seu intento de parar de fumar. Seria impossível embarcar noutra
brincadeirinha de que
é-só-parar-com-ajuda-de-chicletinho-e-não-fumar-mais, como se o
blogueiro não fosse filho de pai detonado aos 59 pelo cigarro, como se o
blogueiro não fumasse desde os 14. Nesta empreitada, cabe agradecer a
todos, muito especialmente a quem pintou aqui no *Biscoito* pela
primeira vez para dar força. Diga-se que aquela caixa bateu o recorde de
comentários, com 41. A caixa sobre Machado
[link]
havia tido 47, mas eu, mediador da discussão entre os alunos, havia
contribuído com 16. Na empreitada contra o fumo, não. Quase *40 pessoas*
deixaram mensagens de apoio, e o blog bateu records de visitas. *I love
you all.*

Além de dezenas de interlocutores que comentam direto (amigos já de
casa), palavrearam pela primeira vez (vários por inspiração da linda
maravilhosa Sheila Leirner [link] ) os
novos amigos blogueiros Elisa [link] , Isabel
[link] , Angela
[link] , PH
[link] , Alma
[link] , Roberto
[link] , Boczon
[link] , Celso
[link] , Lucia
[link] , Elisa
[link] (do UOL), Felicia
[link] de retorno e, muito especialmente, a
uberblogueira Meg [link] ,
companheira de disciplina que veio ao *Biscoito* pela primeira vez dar
força à batalha minha contra a nicotina. Além deles, leitores
não-blogueiros como o Umberto, Júlio, Ismael comentaram aqui pela
primeira vez, apoiando-me. Tenho, dentro de mim, já prontos, mais de 20
posts sobre a fenomenologia do fumo. São embriões de um livro futuro.
Dado o excesso de assunto desta semana, deixo para depois o primeiro
capítulo da fenomenologia, que tentará desenvolver a seguinte tese: *o
leitor de blogs é o super-ego ideal para aquele que tenta parar de fumar*.

Parar de fumar, para o viciado extremo como eu, é basicamente uma
questão de construir o super-ego fortinho o suficiente. Eu sempre
avisava aos amigos, aos familiares, à companheira: *parei de fumar;*
para depois de duas semanas proceder a esconder-me daquelas pessoas,
como um rato, para fumar o tinhoso. Humilhante brincadeirinha de
trapacear o super-ego. Ora, bem diferente é anunciar *deixei de fumar
*aos leitores de um blog e receber o *maravilhoso apoio* que recebi na
semana passada. Só um idiota mentiria aos seus leitores para dizer
que não voltou a cair no cigarro. Só um idiota se esconderia dos
leitores de um blog para fumar um cigarro.

Notícias minhas? Sigo limpinho, sem fumar, na batalha. Como é de costume
entre a segunda e a terceira semanas do intento, senti *intensas dores e
fincadas*. Como da última vez, preferi resistir à tentação de drogar-me
(com a exceção de um único dia em que, nocauteado pelas cãimbras, náusea
e dores musculares, dopei-me um pouco para suportar a dor). Mas a vida
segue no macio de si. Meu corpo reage lindamente, como sempre, ao fim da
fumaçada. Alimento-me como um touro. A levantada do pau é uma maravilha
só. Meus filhos já sabem que *pops* está sem fumar há duas semanas. A
capacidade de concentração do cérebro é uma tragédia, sem dúvida, e eu
postarei sobre isso na semana 3 ou 4, depois que eu terminar de ler o
que estou lendo sobre a nicotina, o cérebro e a produção de enzimas. Por
outro lado, o resto do corpo celebra a nova liberdade, o novo tesão e a
nova respiração. Como vão as coisas aí, linda maravilhosa
[link] ?

Foi comovente o apoio de vocês na semana passada. Nesta semana, alguém
tem histórias de* seres humanos escondendo-se para fumar, arrastando-se
para longe da visão de outros, catando guimbas nos cantos ou promovendo
atos semelhantes*? Quaisquer relatos deste tipo contribuirão à
*fenomenologia* que quero desenvolver aqui. Deixem suas próprias
histórias (ou de conhecidos) com o tabaco e com o arrastar-se na lama
que é o *viciado escondendo-se para fumar *(ou escondendo-se para comer,
ou para beber, ou cheirar ou o que seja). Gostaria de ouvir uns casos
sobre isso.

--------



  Escrito por Idelber às 03:21 | link para este post | Comentários (2)




*Explicações sobre o clone


*Explicações sobre o clone do Prof. Idelber*

Eu imagino que a estas alturas a *deliciosa confusão* que acometeu este
blog nos últimos quatro dias já rendeu reflexão para todo mundo. Nessa
confusão, alguns leitores se divertiram de cara, alguns se agarraram a
uma tábua e flutuaram, outros boiaram e outros se afogaram
inapelavelmente. A reflexão que o episódio me rendeu é tão vasta,
digamos, que não caberia no meu limite de caracteres por post aqui no
UOL. Dissertarei sobre o caso em breve, mas o resumo é o seguinte: na
entrevista com o Alê
[link] ,
na quinta, sob o testemunho de vários blogueiros, eu me ofereci para
interpelar pessoas que chegavam por engano à sala de chat do UOL. De
madrugada fiz um post desmentindo o que vários blogueiros haviam
presenciado, dizendo que aquela pessoa que tinha batido papo não era eu.
Exagerei, parodiei e ficcionalizei a brincadeira para que todos
percebessem. Muitos o perceberam, mas não todos. Na sexta dei-me de
conta que, ao contrário do que eu esperava, boa parte do leitorado
*tinha embarcado na falsa ficcionalização*. Boa parte dos meus amigos
estava preocupada comigo. Recebi inúmeros emails que perguntavam pela
minha saúde.

A piração e o medo na internet são tais que qualquer viagem neguinho
acredita, qualquer denúncia é verdadeira, qualquer reclamação é falta,
qualquer esbarrão é tiro livre direto. Estatelado, dei-me conta de que
em certas circunstâncias não há mais lugar para a paródia ou para a
ironia. Diverti-me muito com essa idéia e passei a tirar as conclusões
necessárias. Naquele dia o *Biscoito* bateu recorde de visitas e alguns
dos meus mais ilustres leitores foram trapaceados pelo joguinho
borgeano. Depois disso, eu fiz um post absurdo no sábado, exagerando
a ficção com o objetivo de denunciar a bagunça. Mesmo assim, alguns
leitores *insistiam em escorregar.* Enquanto isso, na manhã seguinte, o
gênio de Rafael Galvão [link] me localizou no MSN e
me propôs uma entrevista com o falsário que eu havia inventado. Como eu
sinto profundo desprezo por todos os flamenguistas, aceitei o desafio.
Saiu este post
[link] em
co-autoria, sem dúvida o melhor que eu já fiz na vida, localizado, com
toda justiça, no blog do Rafael [link] . Naquele
momento, a brincadeira já estava fora de nosso controle. *Conte-nos aqui
como você viveu este episódio, leitor.*

*PS às 16 h de Brasília*: relendo o post acima dei-me conta de que me
equivoquei numa afirmação. Da generalizada literalidade nas
leituras, provocada pelo receio e paranóia internéticas, eu extraí a
bobinha conclusão de que "não há mais lugar para a paródia ou a ironia".
Engano meu, claro. Quanto mais o contexto, por qualquer motivo, force
uma leitura literal das coisas, maior a necessidade de, e mais fértil o
espaço para, a ironia e a paródia.

--------



  Escrito por Idelber às 02:30 | link para este post



sexta-feira, 25 de fevereiro 2005

*Localizado o clonador de


*Localizado o clonador de blogueiros - versão atualizada *

Caros leitores do *Biscoito Fino e a Massa*: Meu nome é Daneri
Menard, sou aluno de Tulane [link] e lhes trago uma
mensagem do Prof. Idelber. Ele está bem, mas chateado com o episódio da
clonagem do seu nome. Encontra-se em Chicago, não disponível para
escrever, mas mandou agradecer encarecidamente a solidariedade de todos
vocês, ontem, na caixa de comentários.

Seguindo a recomendação de alguns leitores, nós desenterramos o log do
chat do UOL onde o nome do professor foi clonado. Os serviços de
tecnologia [link] de Tulane rastrearam o IP do
impostor e se comunicaram com a polícia. Depois de comer a jambalaya
[link] das 2, tomar
o café das 4 e participar no desfile de bandinhas das 5, a polícia de
New Orleans procedeu a localizar o computador do impostor. Para surpresa
geral, o IP criminoso era o *do computador do gabinete do Prof. Avelar*!
Provavelmente o crápula terá tido acesso às chaves do prédio da
universidade e do gabinete do professor. Tudo isso configura, claro, uma
situação muito mais assustadora que imaginávamos inicialmente.
Voltaremos com mais notícias logo que as tivermos.

*PS de atualização de Daneri Menard*: O prof. Idelber se comunicou de
novo conosco. A palestra em Chicago foi muito bem, mas não sem certa
confusão. Uma hora antes do horário previsto para a chegada, apareceu na
Universidade Northwestern [link] *um clone do
Idelber*, usando o mesmo estilo de barba e os mesmos modelitos gola rolê
do professor. Este clone defendia teses ridículas como "A grandeza de
Chico Science só é equiparada por Zumbi e Lampião" ou "Mangue Beat é o
nome do encontro do preto com o heavy metal e do branco com o rap". Como
o prof. Idelber tem vários amigos em Northwestern
[link] , seus anfitriões passaram a desconfiar de
que pudesse se tratar de um clone, pois o professor não defenderia teses
tão ensandecidas. Ao final, prevaleceu a sagacidade do Prof. Julio Arlt,
que fez a pergunta definitiva: se você é o Idelber mesmo, diga lá: qual
foi o artilheiro do campeonato brasileiro de 1977, qual a data de
publicação do primeiro poema gauchesco
[link] argentino
e onde nasceu o Chacrinha? Ante a incapacidade do clone responder
satisfatoriamente essas perguntas, ele foi desmascarado e sumariamente
preso. Uma hora depois chegou o verdadeiro palestrante e o evento
realizou-se sem grandes percalços. Durante o evento, o prof. Idelber
confessou ter sido ele o que postou por aí mensagens sob o pseudônimo
"Catarpa", nas quais ele expôs estranhas teorias sobre a etimologia da
palavra inglesa "wingnuttery
[link] ".

*PS de atualização de Daneri Menard 2*: O professor Idelber ainda se
encontra em Chicago, onde ficou sabendo que há blogueiros dizendo que
entrevistaram o farsante clonador
[link] e
ainda, para suprema confusão, blogueiros que decidiram confessar que não
existem
[link]
e que são, supostamente, pura invenção da mente do Prof. Idelber. Tendo
sido vítima de um farsante que cometeu o supremo, odioso crime de
cloná-lo a partir de seu próprio computador, o Prof. Idelber pede que se
esclareça que ele não tem absolutamente nada que ver com tais
entrevistas, com tais confissões de inexistência e nem com a absoluta
confusão que tomou conta de setores da blogosfera nacional. O prof.
avisa que continua sem fumar e que o segundo capítulo da fenomenologia
da fumaça
[link]
será publicado em breve, logo que ele recupere o controle de seu nome e
de sua identidade.

--------



  Escrito por Idelber às 22:41 | link para este post



quinta-feira, 24 de fevereiro 2005

*Blogueiros armam confusão em

*Blogueiros armam confusão em sala de chat do UOL*

Dizem que ontem à noite, numa sala de chat do UOL, juntaram-se alguns
blogueiros para entrevistar o Alexandre Cruz Almeida, do Liberal
Libertário Libertino [link] ,
numa série promovida pelo Blogólogo [link] , que
agora conta com a especialista Elisa [link] .

Contaram-me que estavam presentes, além do Alê
[link] e da Elisa
[link] , o Rafael [link] , o
Biajoni [link] , a Mônica
[link] , a Tata
[link] , a DaniCast
[link] , o Guto
[link] , a Ana Lucia
[link] e outros blogueiros.

Contaram-me também que havia uma pessoa lá fazendo-se passar por mim,
dirigindo babações cheias de puxa-saquismo à astrologia afetiva do blog
de Tata [link] , à etnoblogologia de
Elisa [link] , à escrita de Mônica
[link] e a tudo quanto mais mulher
aparecesse pela frente.

Contaram-me também que este crápula que se fez passar por mim, num
imperdoável donjuanismo barato, cometeu a suprema crueldade de *seduzir
*uma internauta que se apresentava como "Solitária 4.2". Nosso cruel Don
Juan recebia as mensagens de Solitária no reservado mas respondia à
pobre coitada publicamente, com o único intuito de expor a miséria
humana das salas de chat.

Contaram-me também que este falso Idelber distribuiu senhas, tics e
macetes para que os homens aprendam a *fingir-se de lésbicas* em salas
de chat. Este depravado eletrônico, decidido a destruir minha reputação,
compartilhou com uma dúzia de blogueiros que, juntos, devem totalizar
dezenas de milhares de leitores diários, toda sorte de falsas promessas,
rituais pornográficos baratos e técnicas de ciber-sedução. Este clone
chegou a pesquisar minha vida o suficiente para saber que passo 4 meses
por ano no Brasil, e procedeu a usá-los para prometer visitas a
Solitária 4.2 e a outras internautas. Foi a pior falsificação, pior que
a de Catarpa debatendo falsas etimologias
[link] no blog de
Michael Bérubé
[link] , numa
época em que alguém, fazendo-se passar por Tristero
[link] , havia se apossado da senha de
Bérubé [link] e hackeado seu blog para fazer
joguinhos borgeanos [link] .

Eu esclareço que no momento em que a depravação de ontem acontecia na
sala de chat do UOL, eu me encontrava finalizando o trabalho sobre Chico
Science
[link]
que apresentarei amanhã em Northwestern University
[link] . Os meus anfitriões, obviamente, não
podem nem imaginar que há um falso Idelber por aí, brincando de
chat-donjuanismo, enquanto o verdadeiro esforça-se para terminar o seu
*primeiro* ensaio escrito em toda a *vida* sem a muleta do cigarro. A
última vez que escrevi sem cigarro foi uma coisa chamada "para casa".

Pego o avião às 8 da manhã de Nova Orleans, 11 de Brasília. Vocês, por
favor, tomem conta do *Biscoito*. Se aparecer algum Idelber escrevendo
aqui antes de domingo de manhã, desmascarem o impostor.

--------



  Escrito por Idelber às 22:21 | link para este post




*Drops de felicidade blogosférica*


*Drops de felicidade blogosférica*

Quando a seminal revista argentina Punto de Vista
[link] me pediu um balanço da experiência dos
primeiros seis meses do governo Lula, eu ainda estava disposto a
escrever isto aqui
[link] . 18 meses
depois, junto com milhares de outros brasileiros progressistas, eu já
tinha chutado
[link] o
balde com o governo do PT e Pedro Doria, atento, linkou
[link] .
O *Biscoito* passou de 5 a uns 20 leitores diários.

*Mientras tanto*, o líder legislativo deste governo empurrava um projeto
de lei que nos proibia, nos proíbe, na verdade, de usar palavras
estrangeiras. Sendo do ramo, eu berrei
[link] e
o maior [link] blogueiro do mundo apoiou
[link] minha defesa da
liberdade linguística. *En aquel entonces*, o blogueiro mais escrachado,
mais original, mais anfitrião, mais divertido, começou
[link] a
falar do *Biscoito*. Com esses hiperbólicos links, o *Biscoito* passou
de umas 20 para umas 100 visitas diárias.

*En ese mismo entonces*, aconteceu o ritual de passagem para o blogueiro
brasileiro: pela primeira vez Alexandre Inagaki
[link] , guru de todos nós, comentou
[link]
no *Biscoito*, papeando comigo sobre García Márquez. Eu, que fui lido
por todas as pessoas que eu um dia quis que me lessem, me senti como o
menino da 5a série elogiado pela professora. Aconteceu ali uma renovação
absurda do desejo de que o outro me lesse. Convicção de que a
experiência do texto do blog é outra. Admiração infinita por Inagaki
[link] . Vejo que Ina me colocou na lista de
blogs da semana. O *Biscoito* passa de 100 para umas cento e cacetadas,
sei lá, quase duzentas visitas diárias, e eu paro de contar a brincadeira.

Ali, eu já tinha dado aula via blog pela primeira vez, com carinho por
alunos que estavam - Deus entendeu de dar-lhes toda a magia, a primazia,
tudo mais - na Bahia.
[link] Naquele
momento eu me convenci da importância de uma conversa bacana entre as
correntes de pensamento mais à esquerda, como aquelas que eu
tinha habitado, e o secularismo racionalista liberal, filósofico,
inteligente, de blogueiros como o Smart Shade of Blue
[link] .

Ali já haviam me deturpado em alemão
[link] ,
haviam já me citado mal em francês
[link] , quando eu descobri
que alguém havia me parafraseado mal em húngaro
[link] , eu simplesmente eu chutei o
balde e disse, não é Nelson [link] , melhor
relaxar e gozar. Toda citação é falsa, em toda alusão há imperfeição.
Ainda tentando entender a dimensão e a dinâmica da blogosfera eu
descubro, num blog que amo, que para defender o que é justo na causa
palestina eu armo balacobaco mesmo
[link] . Depois de
ser citado no Estadão [link] , pelo Alexandre
[link] , como um dos 5
melhores blogs em língua portuguesa, o *Biscoito* chega a seu primeiro
dia de quatro dígitos de visitas.

*Thanks blogosphere*. Not that I'm counting.

PS: Contagem regressiva para ver a mais arquitetonicamente bela
[link] cidade dos EUA: dois dias! Sim,
leitor, viajo de novo depois de amanhã. A palestra será em Northwestern
University [link] sobre o maior de todos, Chico
Science
[link] .
Orgulho, *orgulho* infinito de palestrar pelo mundo sobre a música
brasileira. Este fim de semana, depois que eu voltar de Chicago, haverá
resenha discográfica e fenomenologia da fumaça semana II.

*Atualização às 13 horas de Brasília*: A ausência da nicotina provocou
hoje um violento fuzuê no corpo do blogueiro, com vômitos de bile e tudo
mais. Nada que o blogueiro não conheça. Para que possa dar a palestra
amanhã em Chicago, o blogueiro está neste momento drogando-se, com
drogas legais, patenteadas e aprovadas pela indústria farmacêutica que,
afinal de contas, só tem o nosso bem-estar em mente. Dado o balacobaco
abstêmico, eu não poderei fazer sala e bater papo aqui na caixa de
comentários. Se chegar algum leitor novo, que a Leila,
[link] por favor, dê as boas vindas em nome
do *Biscoito*.

--------



  Escrito por Idelber às 01:42 | link para este post



quarta-feira, 23 de fevereiro 2005

Dicas literárias O tempo

Dicas literárias

O tempo que eu poderia ter gastado lendo jornais de novembro até
fevereiro – e acompanhado as manobras do Planalto para espalhar boatos
de que Virgílio desistiria de sua candidatura ou as ofertas de barganhas
feitas pelo governo federal para que os deputados votassem em Greenhalgh
ou os vergonhosos pedidos de voto para Severino que o Komintern petista
fez no primeiro turno (além de mentirosos, burros de achar que Severino
não tinha chance) – esse tempo, enfim, que eu *não* desperdicei lendo
essas porcarias foi dedicado a ler alguns lançamentos editoriais
brasileiros de 2003 e 2004. Deixo aqui três destaques, dois em ficção e
um em ensaio.

A Duas Mãos
[link] ,
Paloma Vidal (Rio: 7 Letras, 2003): Paloma Vidal é autora de A história
em seus restos
[link] ,
um estudo das literaturas argentina e brasileira recentes, e não
atualiza o seu belo blog [link] com a
freqüência que nós, neófitos, gostaríamos. Paloma é doutora em
literatura e, como eu, tem uma relação visceral com a Argentina (nasceu
lá e mora no Brasil desde os 2 anos de idade). A Duas Mãos
[link]
foi elogiado por minha amiga e crítica literária mor Beatriz Resende
[link] . O livro é escrito em
insterstícios, entre Brasil e Argentina, um homem e uma mulher, o som de
uma palavra e o que ela pode significar, entre o que podia ter sido e o
que não foi, entre o desejo e o teatro do seu fracasso. Meu conto
favorito é “A Ver Navios”, em que uma mulher descobre que o marido está
traindo-a. Acompanha um encontro do marido com a amante de longe.
Segue-os até o cinema. Senta-se lá atrás e assiste o mesmo filme. Na
saída do cinema, um final extraordinariamente classudo e inesperado.
Maravilhosa estréia ficcional de Paloma.

BaléRalé
[link] ,
Marcelino Freire [link] (São Paulo: Ateliê,
2003): Se você vir por aí alguém metendo o pau numa coisa chamada
“escola urbana”, não acredite. Não há nenhum estudioso de literatura
digno do nome que use este termo para juntar os melões e morangos
recentes. O que há é um grupinho que usa esse termo para atacar e se
auto-promover. Esses caras, que não vou linkar, morrem de inveja de
escritores como o Marcelino: bonito, jovem, de sucesso e ainda por cima
nordestino. É demais para eles. Sobre o excelente contista pernambucano
Marcelino Freire, autor de *Angu de Sangue* (2000), *EraOdito* (2002) e
também blogueiro [link] , há que se dizer o
seguinte: o cara é bom. Os contos
[link] de Marcelino, quando não
são diálogos, são narrações que se passam inteiras na cabeça de um
personagem, em geral em discurso direto. São ultra-rápidos e ágeis, duas
páginas, frases curtas. Não há “progressão” de acontecimentos, não há
diegese, é a violência do mundo estalando ali, no seu puro acontecer.
Prostitutas, travestis, crianças abusadas, sarjeta, o mundo na miséria
máxima, mas cada personagem é absolutamente singular no seu insight.
*BaléRalé* vale a pena, leitor. Há violência nos contos? Sim. Acontecem
na cidade? Em geral sim. Mas isso não o faz membro de nenhuma “escola
urbana”. O fundamental nos contos de Marcelino, para mim, é uma
concepção do tempo como estalo. Espetacular.

Sem Receita
[link] ,
José Miguel Wisnik (São Paulo: Publifolha, 2004). Eu sou suspeito para
falar. As paixões do cara são literatura, música, futebol. Igualim que
eu. Com este livro José Miguel Wisnik
[link] acabou
de se firmar como um dos maiores pensadores e artistas brasileiros. O
cara teve um ano iluminado: o CD Pérolas aos Poucos
[link] ,
trilha (em parceria com Caetano) para o maior balé da América Latina, o
Corpo [link] , ovação inesquecível à
sua palestra no Festival Literário de Parati
[link] ,
canções suas gravadas por Zélia Duncan e Djavan, convite de Chico
Buarque para que ele escrevesse uma letra (primeira vez na história que
Chico pede a alguém uma letra) e, para coroar, este livro absolutamente
*epocal*. Este livraço de 540 páginas compila ensaios seminais de Wisnik
sobre a cultura brasileira, como o hilário “O Minuto e o Milênio, ou Por
Favor, Professor, uma Década de Cada Vez” e “A Gaia Ciência”. Há artigos
sobre Chico, Caetano, Guimarães Rosa e um extraordinário texto, “Machado
Maxixe”, sobre Machado de Assis, a música do século XIX e a separação
entre popular e erudito. No final, uma entrevista com cobras criadas
como Luiz Tatit, Arthur Nestrovski e meu amigo João Camillo Penna, onde
aprendemos alguns detalhes sobre o livro que Wisnik prepara sobre o
futebol como alegoria do ser nacional. Já estou na fila para ler,
obviamente. Abusou-se muito da palavra “indispensável”, eu sei, mas Sem
Receita
[link]
o é de verdade. Evoé Wisnik.

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  Escrito por Idelber às 13:44 | link para este post



terça-feira, 22 de fevereiro 2005

*Free Mojtaba and Arash


*Free Mojtaba and Arash Day*

Eu acabava de preparar o post de apoio ao chamado do Comitê de Proteção
ao Blogueiro [link] , de
solidariedade com dois blogueiros iranianos encarcerados, Arash Sigarchi
[link] ,
preso no dia 17 de janeiro, e Motjaba Saminejad
[link] ,
preso pela segunda vez no dia 12 de fevereiro, ambos por “crimes” de
opinião – criticar o governo – ou por haver relatado ou denunciado
prisões anteriores e/ou repressão sofrida por blogueiros, jornalistas,
intelectuais e dissidentes.

* *

*Chamou-se para hoje, 22 de fevereiro, ação conjunta de solidariedade a
Arash e Mojtaba na blogosfera.*

Vários blogs [link] ao redor do mundo fizeram posts de
solidariedade. O tema foi notícia na BBC
[link] e no Washington
Times [link] .
Se você tem banda larga, pode escutar uma interessante notícia
radiofônica sobre o tema aqui [link] .

Agora chega pela Reuters a notícia de que Arash foi condenado a 14 anos
de prisão [link] .

Mohammad Saifzadeh, membro do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de
Teerã, diz o seguinte [link] :
“Já compilei mais de 12 páginas de erros no seu processo de prisão,
interrogatório e detenção. As acusações contra ele são políticas e
jornalísticas e ele deveria ter sido julgado por um tribunal público e
em presença de um júri”.

Estima-se entre 50.000 e 80.000 o número de blogueiros iranianos. Muitos
dos residentes no país sofrem intensa perseguição e censura.

O *Biscoito* se junta à gritaria pela libertação dos blogueiros Mojtaba
e Arash.

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  Escrito por Idelber às 15:20 | link para este post | Comentários (4)




*Sobre Certas Inverdades publicadas


*Sobre Certas Inverdades publicadas pela Revista /Veja/ - Entrevista com
Christopher Dunn*

/Christopher Dunn é meu colega no departamento de Espanhol e
Português [link] de Tulane University e
autor de Brutality Garden: Tropicália and the Emergence of a
Brazilian Counterculture
[link] .
Amigos há uns 13 anos, colaboramos em Brazilian Popular Music and
Globalization
[link] e
estamos preparando juntos uma coleção de ensaios sobre a música
popular brasileira e a questão da cidadania, com a qual já se
comprometeram quinze estudiosos da música brasileira, no Brasil e
nos EUA./

I.A. - Bem-vindo ao *Biscoito Fino e a Massa, *Chris.

C.D. – Obrigado, Idelber.

I.A. - A matéria da *Veja* de há duas semanas, sobre o novo
brasilianismo nos EUA, faz menção ao seu trabalho e coloca algumas
coisas entre aspas como declarações suas, além de usar formulações que a
matéria pressupõe serem suas. Há algo incorreto ou distorcido na matéria
da *Veja* em relação ao que você falou?

C.D. - Primeiro, a matéria da *Veja* me identifica erradamente como um
dos “poucos estudiosos” da cultura brasileira nos Estados Unidos. Ora,
há relativamente muitos estudiosos trabalhando na área cultural, levando
em conta literatura, música popular, teatro e outras esferas de
produção. Faço questão de dizer que faço parte de uma comunidade
discursiva de ‘brasilianistas’ -- e, é claro, de estudiosos
brasileiros-- que trabalham com a cultura. O autor da matéria cita meu
livro Brutality Garden,
[link]
que trata do movimento tropicalista, [link]
e diz corretamente que tentei um “mapeamento das acaloradas declarações
da época.” Mas ele comete um erro grave ao dizer que meu trabalho mostra
que o crítico literário Roberto Schwarz foi “inimigo número 1 dos
tropicalistas” e que ele teria acusado Caetano e Gil de serem
“americanizados.” Isto é bobagem. Schwarz nunca participou da campanha
jornalística contra os tropicalistas. Ele se posicionou em relação ao
movimento num artigo elegante escrito e publicado em Paris em 1970
quando já estava exilado. É verdade que neste artigo Schwarz fez severas
críticas ao movimento tropicalista, mas nunca adotou uma posição de
nacionalismo cultural como outros críticos da época. Aliás, na primeira
parte do artigo ele faz questão de criticar o anti-imperialismo
simplista de alguns setores da esquerda cultural nos anos 60. Seguindo
uma linha desenvolvida por críticos marxistas da Escola de Frankfurt
[link] , sobretudo Walter Benjamin
[link] , ele faz uma leitura
da Tropicália pela ótica da alegoria. Este texto se tornou uma
referência fundamental, mesmo para aqueles, como eu, que discordam de
suas conclusões. Mas a parte do artigo da *Veja* que mais me irritou é
quando o autor diz que eu teria enfatizado a “saúde cultural daquela
época” em comparação com a “pasmaceira que reina nos dias atuais.” Na
verdade, ele me fez uma pergunta que deu a entender que ele queria esta
resposta, me eu lhe disse categoricamente que não era saudosista e que
adorava a música brasileira atual! Sou contra esse papo de “época áurea”.

I.A. - Considerando a matéria da *Veja* e o que você realmente lhes
disse na entrevista, você acha que eles são culpados de burrice,
imbecilidade, falta de ética, de vergonha, filhadaputagem, má fé ou
alguma combinação entre as opções acima?

C.D. - Idelber, sinceramente não sei. Tenho a impressão que circulam
estereótipos facilmente digeridos sobre a Tropicália que ocultam suas
complexidades. Evidentemente, isto se passa com fenômenos culturais
complexos em geral. Um jornalista tem um determinado número de laudas e
um prazo para produzir a matéria. Acho que repetir aquelas histórias foi
o caminho mais fácil. Talvez foi por preguiça-- um motivo muito mais
nobre que as opções que você cita!

I.A. - Obrigado pelo papo com o *Biscoito*, Chris.

C.D. – Valeu, mano. Acho genial seu blog e celebro a expansão do
bloguismo em geral justamente para criar este tipo de espaço para debate
e reflexão “além das laudas”.

/PS de I.A./ - Christopher Dunn é gentil em demasia, mas eu gostaria de
colocar, a modo de /post scriptum/, uma afirmação e duas perguntas aos
leitores do *Biscoito*. Afirmação: o que ocorreu com Chris Dunn na
matéria da *Veja* sobre os "brasilianistas" vai *além* da
ultrasobremega-simplificação que é de se esperar num veículo de
comunicação indigente como essa revista. Houve *falsa atribuição de
citação*, na medida em que Schwarz jamais chamou Caetano ou Gil de
"americanizados", quem leu a mínima bibliografia sobre o Tropicalismo o
sabe e qualquer um que afirmasse essa bobagem não tiraria um B na aula
de Chris, assim como não conquistaria B tampouco, nessa mesma aula,
qualquer um que epitetasse Schwarz de "inimigo número 1 dos
tropicalistas". Usou-se o nome de Chris para *atacar* Schwarz com uma
crítica que é quase um insulto.

Agora, as perguntas são as seguintes: será que essa *falsa atribuição de
citação* é um mero erro provocado pela indigência encefálica dessa pobre
revista ou será mais malicioso intento de atingir Roberto Schwarz
(intelectual de esquerda, ligado a causas progressistas) usando o nome
de um jovem acadêmico estadunidense (de credibilidade) como Chris Dunn?
Qualquer que seja a resposta para a primeira, fica a segunda pergunta,
Blogosilvânia: os blogs chegaram para ficar como alternativa de espaço
rápido e ágil em que poderemos defender-nos efetivamente contra meios de
comunicação como a *Veja*, que sistematicamente distorcem a palavra
alheia? Ou será que é inútil tentar esclarecer qualquer coisa para o
pobre público que acode a essa revista em busca de sua informação
semanal? Seja qual for o caso, acredito que na era dos blogs será mais
difícil que esses megaconglomerados* *atribuam citações falsas, atinjam
a reputação de profissionais sérios e achem que fica tudo por isso mesmo.

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  Escrito por Idelber às 00:12 | link para este post | Comentários (1)



sábado, 19 de fevereiro 2005

Feliz Aniversário, Rafael Galvão

Feliz Aniversário, Rafael Galvão [link]

Um dos meus blogueiros favoritos, o mais fino frasista da blogosfera
brasileira, o homem que – na Bahia, onde mais podia ser? – deu
dignidade épica, psicanalítica e rabelaisiana à miséria humana que se
deixa cuspir no Google . . .

*está fazendo 35 anos hoje!*

Ele é tão brincalhão que anda por aí dizendo que o aniversário é só
amanhã e que ele só está fazendo 34. É um gozador mesmo o cara.

Se ainda não foi, passe lá no Rafael [link] e dê os
parabéns. /Que lo cumplas feliz, viejo/.

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  Escrito por Idelber às 14:49 | link para este post




Cinco dias sem cigarro!

Quando você ler este post fará pelo menos cinco dias que parei de fumar! Desde segunda-feira! Por que venho escrevendo há cinco dias sem dizer nada? Ora, porque me resta um farrapo de orgulho, e já tendo “parado” de fumar umas 12 vezes, estou cansado de sofrer a suprema humilhação de anunciar a todo mundo "parei de fumar" e 48 ou 72 horas depois ser visto com um cigarro na mão, dizendo "pois é, bicho, não deu, não sei o quê".

Inclusive, eu cheguei a ir ao Quando Onde Como na segunda, dar uma força à Sheila Leirner, que parou. Na segunda eu já havia parado, mas não disse nada porque só fico pronto para dizer parei depois de cinco dias. Chega. Parei e pronto. Os sintomas têm sido os mesmos, já esperados:

24-48 horas: fome incrível, variação no olfato; ao invés de 2 e ½ passa-se a fazer 4 refeições por dia, a mandíbula começa a doer de tanto chiclete; mastigação louca; dorme-se e levanta-se mais cedo; respiração mais longa e de mais qualidade.

48-72 horas: recuperação de forças que você não sabia que tinha e
consciência mais aguçada das partes do corpo, que em compensação começam a “pedir” a droga; saem seres extra-terrestres de cor amarelada escura da garganta, alguns do tamanho de uma bola de tênis; às vezes anunciam sua chegada, às vezes não; macarrão-zinho de pretume começa a sair da pele depois do banho quente; volta paulatina do paladar; você começa a diferenciar a vagem do aspargo sem ter que olhar para eles.

72-96 horas: fincadas violentas no estômago, que pede a droga, mesmo
quando cheio; outra qualidade, freqüência e beleza na sua ereção; queda dramática da capacidade de multi-concentração: diminui o número de janelas e textos que eu manejo; em compensação, como não se pára o
trabalho para fumar, o dia no final rende mais; dificílima a
concentração em frases longas; aos que páram de fumar não recomendo
Proust nos primeiros dias.

Conheço os meandros das tentativas: já usei patches, chiclete de
nicotina, drogas ilícitas, endorfina, morfina, santinho, halls, vudu, o caralho a quatro. Desta vez, optei pela receita melhor: comida, amendoim, amêndoas, chiclete, doces, uma cervejinha com moderação, bastante café, chocolate e mais boa comida

Dar-me-ei o direito de blogar sobre isso *uma vez por semana*. Será como a resenha dos discos. Se eu falar nisso mais de uma vez por semana, vocês me enxovalhem daqui. Ao longo de 52 semanas, faremos uma fenomenologia da fumaça. Eu conto todos os meus casos de fumante, meu pai que morreu detonado pelo câncer aos 60 anos, os cachorros lá na casa da minha mãe que também fumam, a importância do cigarro no existencialismo, o grande romance A Consciência de Zeno sobre o último cigarro, o estudo filosófico Cigarettes are Sublime, a fumaça em Hollywood e outros temas.


Ao final de 52 semanas e 52 crônicas, depois que eu puder dizer
realmente que parei, a gente junta os textos com os comentários e leva
numa editora para publicar como livro. Hehehe! O que vocês acham? Será a primeira metódica blogo-crônica em tempo real de uma ruptura com o cigarro.

Conto com o apoio de todo mundo.

PS do dia 31 de março: o blogueiro depois deu-se conta, claro, de que estava equivocado. O Tabagista Anônimo foi o primeiro a propor uma blogo-crônica da ruptura com o cigarro, e antecede o Biscoito em muitos meses.



  Escrito por Idelber às 01:01 | link para este post | Comentários (1)



sexta-feira, 18 de fevereiro 2005

*10.000 leitores! * Hoje


*10.000 leitores! *

Hoje foi um dia de muito trabalho e foi só depois de eu ter ....

viajado a Hong Kong
[link]
e Macau
[link]
com a Lucia Malla

seguido os links de Nemo [link] para um excelente
texto
[link]
sobre a complicada relação entre imprensa e blogosfera

lido o belo ensaio [link]
de Inagaki [link] sobre os blogs no *Correio
Brasiliense*

me deliciado com um emocional e poderoso fait divers
[link]
de Fabricio Carpinejar sobre a paternidade

visitado pela primeira vez o Blog de Bolso
[link] de Nelson Moraes e dado gargalhadas
com este post
[link]

curtido mais uma super resenha de Ricardo Schott, desta vez dos Mutantes
[link]

começado a catar por aí
[link]
contos
[link]
da blogosfera [link] para usar em sala
de aula no final do semestre,

é que eu vi que antes de eu voltar a este blog amanhã de manhã (tarde no
Brasil) ele terá ultrapassado as *10.000 visitas em menos de três meses
de aparelhinho registrador!*

Não que eu esteja contando, claro! Mas já depois de um mês de blogagem,
eu havia sido lido por mais gente do que a soma completa de todos os
leitores do meu primeiro e segundo livros juntos em três línguas ao
longo de seis anos.

10.000 é o número de visitas que alguns blogs brasileiros recebem em um,
dois ou três dias, eu sei. Nós chegamos a ele depois de umas 12 semanas,
ao fim das quais as visitas têm se estabilizado na casa de 200 e poucas
*por dia*. 10.000 é provavelmente a soma *total* de todas as pessoas que
*alguma vez* em suas vidas leram *pelo menos um* livro de crítica
literária *desde a trombada inaugural* que deu origem ao Brasil. Não é
muito mais do que isso. Prá vocês terem uma idéia do inaudito que é isso
prá mim.

Para um crítico literário – que é um ser que escreve coisas de oitenta
páginas em revistas de letrinha miúda que serão compradas por seis
bibliotecas e quatro indivíduos e lidas por 2 pessoas e meia ao longo de
dez anos, antes de serem citadas uma década depois – esses números
parecem um escândalo, a hecatombe na terra.

Se você passou por aqui neste sábado e foi o visitante número 10.000,
entre em contato com o *Biscoito Fino e Massa* porque você terá direito
a um moto-rádio tinindo e uma fotografia do Caçapava ! Aos
megablogueiros que possibilitaram, com boas-vindas e links, a
constituição desta pequena mas crescente comunidade aqui do *Biscoito*,
meu muito obrigado. A vocês que visitam e comentam, a casa agradece a
preferência. Axé babá.

PS: Em breve, uma entrevista sobre uma certa entrevista feita pela
Revista *Veja*.

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  Escrito por Idelber às 23:19 | link para este post




Überblogueiro brasileiro fará doutorado

Überblogueiro brasileiro fará doutorado em literatura nos EUA

O professorado do Departamento [link] de
Literaturas em Espanhol e Português da Tulane University
[link] se reuniu nesta manhã para selecionar seis
acadêmicos que convidará para um doutorado com bolsa de estudos e tudo
mais, a partir do ano letivo que começa em setembro de 2005.

O candidato *unanimemente* escolhido em primeiro lugar foi Alexandre
Cruz Almeida
[link] , criador do
Liberal Libertário Libertino
[link] .

Pelo que sei das opções do Alê
[link] , isto significa que já
em agosto ele estará aqui em Nova Orleans para começar seu doutorado.

Eu me junto a toda a galera que acha que isto obviamente não tem por que
significar o fim do LLL [link] .

Foi um prazer ter recomendado o Alê
[link] ao programa, ter visto
como todos adoraram seu perfil e ter sido mediador na abertura deste
espaço. Obviamente todos os méritos são do Alê, que é um super leitor e
s