Eu fiquei comovido com o que aconteceu na semana passada aqui na caixa
de comentários,
[link] na
primeira das minhas 52 semanas necessárias para deixar de fumar. Essa
batalha receberá aqui o nome de *fenomenologia da fumaça* (o sentido
deste termo será explicado na semana que vem). O projeto contará com
casos, pesquisa científica, elocubração filosófica, análise literária e
cinematográfica do fumo, além de mapeamento cuidadoso da história do
fumo na vida do blogueiro. A isto, concluiu o blogueiro, está reduzido o
seu intento de parar de fumar. Seria impossível embarcar noutra
brincadeirinha de que
é-só-parar-com-ajuda-de-chicletinho-e-não-fumar-mais, como se o
blogueiro não fosse filho de pai detonado aos 59 pelo cigarro, como se o
blogueiro não fumasse desde os 14. Nesta empreitada, cabe agradecer a
todos, muito especialmente a quem pintou aqui no *Biscoito* pela
primeira vez para dar força. Diga-se que aquela caixa bateu o recorde de
comentários, com 41. A caixa sobre Machado
[link]
havia tido 47, mas eu, mediador da discussão entre os alunos, havia
contribuído com 16. Na empreitada contra o fumo, não. Quase *40 pessoas*
deixaram mensagens de apoio, e o blog bateu records de visitas. *I love
you all.*
Além de dezenas de interlocutores que comentam direto (amigos já de
casa), palavrearam pela primeira vez (vários por inspiração da linda
maravilhosa Sheila Leirner [link] ) os
novos amigos blogueiros Elisa [link] , Isabel
[link] , Angela
[link] , PH
[link] , Alma
[link] , Roberto
[link] , Boczon
[link] , Celso
[link] , Lucia
[link] , Elisa
[link] (do UOL), Felicia
[link] de retorno e, muito especialmente, a
uberblogueira Meg [link] ,
companheira de disciplina que veio ao *Biscoito* pela primeira vez dar
força à batalha minha contra a nicotina. Além deles, leitores
não-blogueiros como o Umberto, Júlio, Ismael comentaram aqui pela
primeira vez, apoiando-me. Tenho, dentro de mim, já prontos, mais de 20
posts sobre a fenomenologia do fumo. São embriões de um livro futuro.
Dado o excesso de assunto desta semana, deixo para depois o primeiro
capítulo da fenomenologia, que tentará desenvolver a seguinte tese: *o
leitor de blogs é o super-ego ideal para aquele que tenta parar de fumar*.
Parar de fumar, para o viciado extremo como eu, é basicamente uma
questão de construir o super-ego fortinho o suficiente. Eu sempre
avisava aos amigos, aos familiares, à companheira: *parei de fumar;*
para depois de duas semanas proceder a esconder-me daquelas pessoas,
como um rato, para fumar o tinhoso. Humilhante brincadeirinha de
trapacear o super-ego. Ora, bem diferente é anunciar *deixei de fumar
*aos leitores de um blog e receber o *maravilhoso apoio* que recebi na
semana passada. Só um idiota mentiria aos seus leitores para dizer
que não voltou a cair no cigarro. Só um idiota se esconderia dos
leitores de um blog para fumar um cigarro.
Notícias minhas? Sigo limpinho, sem fumar, na batalha. Como é de costume
entre a segunda e a terceira semanas do intento, senti *intensas dores e
fincadas*. Como da última vez, preferi resistir à tentação de drogar-me
(com a exceção de um único dia em que, nocauteado pelas cãimbras, náusea
e dores musculares, dopei-me um pouco para suportar a dor). Mas a vida
segue no macio de si. Meu corpo reage lindamente, como sempre, ao fim da
fumaçada. Alimento-me como um touro. A levantada do pau é uma maravilha
só. Meus filhos já sabem que *pops* está sem fumar há duas semanas. A
capacidade de concentração do cérebro é uma tragédia, sem dúvida, e eu
postarei sobre isso na semana 3 ou 4, depois que eu terminar de ler o
que estou lendo sobre a nicotina, o cérebro e a produção de enzimas. Por
outro lado, o resto do corpo celebra a nova liberdade, o novo tesão e a
nova respiração. Como vão as coisas aí, linda maravilhosa
[link] ?
Foi comovente o apoio de vocês na semana passada. Nesta semana, alguém
tem histórias de* seres humanos escondendo-se para fumar, arrastando-se
para longe da visão de outros, catando guimbas nos cantos ou promovendo
atos semelhantes*? Quaisquer relatos deste tipo contribuirão à
*fenomenologia* que quero desenvolver aqui. Deixem suas próprias
histórias (ou de conhecidos) com o tabaco e com o arrastar-se na lama
que é o *viciado escondendo-se para fumar *(ou escondendo-se para comer,
ou para beber, ou cheirar ou o que seja). Gostaria de ouvir uns casos
sobre isso.
--------