acadêmicas: 1) eu e mais uma turminha acabamos de fazer um livro: Ideologies of Hispanism, coleção de ensaios à qual eu contribuí um texto sobre o recrudescimento da xenofobia no esteio do 11 de setembro aqui nos EUA, e sua relação com o estado atual dos estudos latino-americanos. É realmente uma honra estar no livro com essa turma (quase todos são figuras centrais, seminais). Eu sou de longe o mais jovem. É especial estar pela primeira vez num volume
com minha ídola Sylvia Molloy. [link];
2) eu e Chris Dunn estamos organizando uma coleção de ensaios (em
inglês) sobre o tema *Música Popular Brasileira e Cidadania*, com o qual já se comprometeu boa parte da nata dos estudos acadêmicos de música brasileira popular. Os artigos já começaram a chegar (a maioria em português) e começa agora oprocesso de tradução ao inglês. Aos
colaboradores do livro que lêem o *Biscoito*, muita paciência. Uma
coleção de ensaios acadêmicos demora bem mais tempo para sair nos EUA
que no Brasil. Este blogueiro escreverá não sobre Minas, mas sobre o
primeiro e único Chico Science. Entre os textos que já nos chegaram,
está o da maravilhosa Goli Guerreiro
[link], sobre o
trabalho de Carlinhos Brown no Candeal. Chris Dunn escreverá sobre as
político-musicagens de Tom Zé. Hermano Vianna já nos enviou um trabalho
sobre o tecno-brega. Temos ensaios sobre rock, hip hop, eletrônica, MPB
e muito mais. Vocês ouvirão falar desse livro.
*políticas*, para a galera mais jovem que revisita março de 1985: a ala
“dissidente” do regime militar da qual saiu José Sarney, que comporia a
cédula com Tancredo na transição, *não teve nada que ver com a campanha
das diretas. *Foi explicitamente hostil a ela, na verdade. A ala
tancredista do PMDB tampouco moveu uma palha pela emenda Dante de
Oliveira, que Tancredo Neves sabotou, ao anticipar a negociação com a
ditadura nos bastidores, antes mesmo da votação. Parte da oposição
liberal foi arrastada de roldão à luta pelas diretas, mas a campanha foi
lançada pelo *Partido dos Trabalhadores* no final de 1983 com um comício
no Rio de Janeiro, com cuja organização *este* blogueiro contribuiu,
mesmo que durante a função ele tenha cedido aos encantos de uma baiana e
ficado na ignorância dos discursos. Em todo caso, se alguém tivesse dito
a qualquer petista em 1985, que 20 anos depois, Lula seria presidente do
Brasil, vários, muitos mesmo, entenderiam que isso era possível e se
regozijariam. Se alguém sugerisse que o principal aliado dessa
presidência no Senado Federal seria o coronel José Sarney, qualquer
petista teria reagido indignado, xingando. Aos que perderam a capacidade
de indignar-se, meus pêsames. Plínio de Arruda Sampaio e mais 108
eminentes petistas foram os últimos a anunciarem suas desfiliações,
inconformados com a sarneyzação do PT. Quanto à memória histórica, que
fique claro: Tancredo Neves *não teve nada que ver* com a campanha das
diretas. Foi arrastado a ela e negociou os bastidores da sua derrota.
*esportivas: *eu ia blogar sobre o tratamento *criminoso* que o governo
federal está dando ao futebol brasileiro – chafurdando-se na lama da
aliança com a cartolagem – mas vou esperar que gente mais preparada fale
sobre isso. Continuo acompanhando os melhores
[link] especialistas
[link]. Esta é, sem dúvida, uma área em que
houve retrocesso entre o governo FHC e o de Lula. De um homem respeitado
pelos esportistas, como Portella, passamos a um ministro que faz uma
gestão muito ruim do futebol: parece incrível, mas o homem não sabe a
diferença entre um escanteio e um arremesso lateral. Seu discurso é
pedestre, indigente. É triste, mas a cartolagem recuperou, sob Lula, um
considerável espaço em relação ao que havia perdido sob Portella.
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