*Drops, Latino-Americanos*
É o país mais hospitaleiro, /laidback/, /buena onda/ que eu já visitei e eles trocaram de presidente ontem. Pela primeira vez na história o Uruguay [link] não é Branco nem Colorado. Tomou posse [link] o primeiro presidente de esquerda da história da Banda Oriental, Tabaré Vázquez. O novo presidente da Assembléia Legislativa é o ex-guerrilheiro Tupamaro José Mujica. As relações com Cuba já foram normalizadas. O *Biscoito* tem leitores no Uruguay e saúda a festa de ontem [link] em Montevidéu.
Quanto Néstor Kirchner tomou posse como presidente da Argentina
[link], ninguém sabia o que ia dar. Ele era governador de um pobre estado de 200.000 habitantes, Santa Cruz. Foi eleito com 22% dos votos porque Menem não quis submeter-se a ser derrotado por ele por 80 a 20 num segundo turno. Enquanto isso, o mais popular presidente da história do Brasil era eleito com 60 e tantos% dos votos. Como primeira medida, Lula decidiu dar *mais*, não *menos*, dinheiro ao FMI do que dava FHC. Por outro lado, Kirchner gritou aos banqueiros: *pago no máximo 25 centavos por cada dólar que devo*. *E estou trucando e quero ver me fazerem pagar mais*. Foi chamado de louco, execrado como irresponsável e foi sabotado pela política externa do
Komintern petista, a aluna mais aplicada do FMI. No fim das contas a
corja de banqueiros aceitou a proposta argentina e o Citibank hoje
aconselha investimento lá, não em Pindorama. Na Folha
[link] de hoje, escreve Elio Gaspari: /A
banca aceitou os 25% porque se deu conta de que era isso ou nada. Com
seu estrabismo sartriano, Kirchner não tem medo de cara feia. Usaram-se contra ele recursos de terrorismo financeiro do Fundo Monetário Internacional, da academia bem pensante e das ekipekonomicas de todo o mundo. Kirchner prevaleceu porque a banca não trabalha para provar que está certa. O que ela quer é dinheiro."/ Hoje na Argentina, considerada antes o bicho papão da instabilidade, a economia cresce o dobro da de Pindorama e acaba de aprovar-se o *piso mínimo* de 700 mangos para professores de todo o país, o que é *o dobro* do que ganha um docente P1 do estado de MG. O presidente Kirchner provou, a meu modo de ver, que a sujeição de nossos países à ordem comercial-financeira global - e às regras desse jogo -é tal que as nossas nações hoje negociam em total
liberdade, *entendida como total liberdade para trucar*. Vão nos ameaçar com o quê? Bombardeio do Bush? *A hecatombe já aconteceu*, meus amigos.
Infelizmente o governo Lula decide renunciar à truca-bilidade, tudo para parecer bonitinho: infinita mediocridade do seu paloccismo, seu
caipirismo econômico e filosófico. Se você é assinante, leia o agudo e bem informado elogio de Gaspari a Kirchner aqui
[link]. Sou fã-zaço do Presidente Néstor Kirchner e desejo muitíssimo que certos representantes do governo Lula parem de torcer e agir contra a ousadia argentina.
O *Biscoito Fino e a Massa* não está nem se lixando para quando vai
morrer o Papa João Paulo II, mas acompanha com atenção os últimos dias da guerreira chilena e presidente do Partido Comunista do Chile Gladys Marín [link]. Grande oradora, mulher de fibra, forte, líder histórica e respeitada, vida duríssima, Gladys já agoniza
[link],
consequência do câncer no cérebro. Não verá a eleição presidencial na
qual, pelo que parece, o Chile elegerá pela primeira vez uma presidente mulher (o *Biscoito* torce pela socialista Michelle Bachelet, mas a segunda colocada, democrata-cristã, também é mulher, enquanto o processo de esfacelamento da direita chilena continua a galope). *Alegria nossa, de todos*: Gladys Marín está cercada de amores, carinhos, apoios, família reunida - e o *ditador tinhoso* desmoralizado, não só como torturador e golpista, mas também como corrupto. É de se fazer uma homenagem aqui, quando morrer *Gladys,* outra linda maravilhosa. Meu amigo, ensaísta e doutorando Felipe Victoriano toparia, com certeza, vir aqui e contar um pouco sobre ela.
Se você ama o futebol e quer entender como e por que o argentino é
*muito mais fanático* que o brasileiro, leia outro belo texto
[link] de Ubiratan Leal.
A partir do final de maio estarei em Belo Horizonte, como previsto. A
novidade é que parece que o *Biscoito* será produzido durante o mês de outubro na cidade de Santiago do Chile, onde estarei dando um curso a convite de colegas de filosofia que admiro muito
[link]. Com certeza darei uma passada em Buenos Aires.
/Son las novedades de Hispanoamérica/.
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