Sexo Anal
A Luiz Biajoni [link] eu agradeço a* *gentileza de enviar-me seu romance inédito *Sexo Anal*, trazendo-me assim novos leitores que chegarão ao *Biscoito* guglando essa masculina obsessão nacional. Mas como bem sabem os que buscam sexo anal [link] pelo Google, tudo é decepção e desastre nessa expectativa.
Virgínia, repórter de um grande jornal, tem uma relação anal realizada com o namorado Luiz. Conversada, boa, tranqüila, gozada. Mas as hemorróidas incomodam-na, e ela vai se consultar com Dr. Júlio. Durante a consulta, uma sensação inédita de tesão leva Virgínia a se oferecer a Júlio e a ter (e proporcionar) uma transa inesquecível. Cometendo a burrice de ser “honesta” e esperar “maturidade” do namorado, Vírginia conta o ocorrido a Luiz. Este, como típico homem, faz da dor de corno a oportunidade de pisotear-se e diminuir-se até o infinito. Faz beicinho e some. Deixa espaço para que Ana, amiga bissexual de Virgínia, chegue junto, e também para que Júlio tente reviver a experiência incrível que o deixou apaixonado por Virgínia. Enquanto Luiz se chafurda na lama, as coisas ficam interessantes no jornal: três jovens estupram e matam uma
garota, e Virgínia é designada para acompanhar o caso. Na captura de um dos assassinos, Virgínia descobre a podridão das delegacias e o machismo das redações de jornal. Escuta do criminoso, um negão, a frase fatídica:
*quero comer teu cu*. Essa frase desloca o lugar de Virgínia nas
investigações, não porque a incomode, mas porque aterroriza os *outros homens, jornalistas, delegados e carcereiros*. Presenciar a mulher branca sendo currada pelo negão, eis aí a *cena primal inomeável, traumática,* do macho tupiniquim. Biajoni
[link] habilmente manipula todos esses contraditórios sentidos que se articulam através da analidade.
As peripécias que se seguem voltam a envolver Luiz, que se torna
confidente de Luciana, filha de seu companheiro de repartição, travada por um traumático quase-estupro de infância. Enquanto isso, a confusão dá espaço a que Ana, bissexual apaixonada por Virgínia, entre em ação.
Virgínia fará várias escolhas enquanto se desvenda o crime, mas a
escolha decisiva acaba sendo a de Luiz. Com o que lidam essas escolhas?
Não é papel do resenhista estragar a brincadeira.
São 45.000 palavras de prosa ágil, impecável, sem adjetivações fáceis.
*Sexo Anal * é thrash, é heavy, é power, é pop. Seria uma ingenuidade
ver o romance de Biajoni como pornográfico. Na verdade, trata-se de um texto *pós-* ou *trans*-pornográfico. Ao se iniciar a trama a *mulher já gozou analmente*. Ora, que realização adicional de fantasia pode prometer um romance no qual, na *primeira página*, já se realizou essa *suprema fantasia masculina*, a de que ela goze levando no cu? Ao escancarar já no título, Biajoni
[link] paradoxalmente *esvazia* qualquer bobinha pretensão de excitação e voyeurismo punheteiro com o texto. Na 1ª página, *o gozo anal já rolou*. Daí prá frente, os personagens de Biajoni lidarão, mais frequentemente, com a *falta*. Descobrem-na como estrutura que organiza a experiência, depois de 100 páginas de uma narrativa sensacional, vertiginosa, violenta e lírica, misógina e feminista, global e paulista-carioca (carioca em seu cenário, paulista em sua “filosofia”). Quem acredita que os opostos não se misturam vai derrapar feio nesse romance.
Qual será a editora esperta que vai emplacar este *instantâneo clássico pop*? O livro está pronto e já tem orelha.
*PS 1*: Pelas minhas contas, já são *17 blogs* que toparam participar da eleição discográfica de segunda-feira. Que fique a critério de cada um fazer um post mandando o pessoal prá cá ou recolhendo votos em seu próprio blog. Podemos depois ajuntar tudo. Neste fim de semana eu faço um post confirmando quais são os blogs que participam da brincadeira.
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*PS 2*: Acabei de que descobrir que pela Amazon.com [link] você pode ler as primeiras páginas [link]
do meu novo livro, que é uma coleção de ensaios sobre a atrocidade. Dá prá ter uma idéia.
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