1. seguindo-se ao jantar e sobremesa à luz de velas, depois da primeira sessão da brincadeira, maravilhosa, com orgasmos múltiplos e
simultâneos, aproveita a ida do outro ao banheiro só prá dar uma
olhadinha na caixa de comentários;
2. seguindo-se ao último cigarro da insônia você se levanta e bota para girar sua conexão discada para ver se aquele filho da puta teve a parsimônia de responder;
3. seguindo-se ao despertar, antes da higiene bucal, você liga a máquina, prá deixá-la esquentando e assim, quando sair do banheiro, tê-la pronta;
4. vê a notícia e pensa: o que o meu blog favorito
[link] e o blog mais fundamental
[link] e o blog mais incisivo e elegante
[link] pensariam sobre o assunto?
5. acima de tudo você sabe que está viciado se chegou ao ponto de ler diariamente 70 blogs, ser comentarista regular em mais de 35, e produzir um próprio com 3 posts diários.
Como chegam leitores novos, eu gostaria de pedir vênia aos antigos e
apresentar-me de novo: eu amo a Bahia e o Galo sobre todas as coisas. Sou professor de literatura e profundamente viciado em fumar cigarros e ler blogs. Nas últimas 4 semanas, decidi colocar o segundo vício à serviço da abolição do primeiro. Tenho tido sucesso, com a ajuda de leitores maravilhosos. No entanto, afundei-me dramaticamente no segundo vício e agora começo a lutar contra ele. Este post traz minhas resoluções para tentar controlá-lo.
Decisões tomadas hoje:
1. Sumir por uns tempos das caixas de comentários alheias. Como sabem dezenas de blogueiros, eu faço
palhaçadas no Nelson, brigo com criacionistas no Smart, encanto-me
ante as frases de Milton e os casos de Lucia e lanço palavras por todas as caixas de comentários de blogs que eu tenha gostado de visitar - são sempre sinceras, porque *se não gosto vou embora e não digo nada. Foi linda essa experiência, amigos, mas acabou. Que fique claro: leio e continuo lendo todos os 70 blogs que estão linkados aqui à esquerda, mas estou mergulhado na tentativa de controlar o vício. No momento, tenho que voltar a conseguir ler trabalhos de alunos. Amo os blogs que comento. Será difícil parar de comentar no de Michael Bérubé, onde no sábado fizemos uma fenomenologia da cerveja e nesta segunda uma homenagem às bandas que só deveriam ter gravado uma música.
2. Sumir das minhas próprias caixas de comentários. Não mais poderei registrar a chegada de cada visitante com um alô. É lindo isso, e eu o fiz durante 5 meses. Mas já não dá. Com o crescimento do blog, a caixa de comentários passa a funcionar como várias outras: são espaços onde eu vou evitar escrever. Todo mundo sabe que é bem-vindo. Trata-se de um espaço dos leitores. Usem-no. Batam papo. Vociferem. Despiroquem. Desabafem.
PS: O presentinho que eu vou sortear entre todos os que votarem na
eleição dos melhores discos da música brasileira é uma caixinha de 6
CD-Rs com 120 canções escolhidas por mim e por Cristóforo Dunn, depois de muita briga e discussão, para o nosso seminário daqui. A seleção começa com "Lundu do Baiano", primeiro fonograma gravado em Pindorama (1902) e vai até "Conversa de botas batidas" (2003), pérola pop do último disco do Los Hermanos. Se vocês acharam difícil escolher 10 discos, imaginem escolher 120 canções, debatendo o tempo todo com um caetanóide. Mando por correio prá quem ganhar o sorteio.
Então era isso: a eleição continua, o brinde era esse, eu sigo blogando mas não comentando e o vício bloguístico já tem uma coleção de sintomas. Tem alguém aí viciando em blogs? Observando a sintomatologia?