« Palestra, Avião, Angústia ::
Pag. Principal
:: Post semanal de metablogagem »
quinta-feira, 07 de abril 2005
Como é conhecer um ídolo?
No jantar desta quinta-feira conheci um grande ídolo meu, um escritor que eu leio há tempos e que nunca havia conhecido pessoalmente: Tomás Eloy Martínez, na minha opinião o maior escritor latino-americano de hoje, autor de O Romance de Perón, O Cantor de Tango, Santa Evita e O Vôo da Rainha, todos disponíveis aí no Brasil. Conhecer pessoalmente um ídolo sempre é complicado, não é? Criam-se expectativas. Você fica com medo de falar bobagem ou com receio de achar a pessoa chata ou arrogante.
Estes receios caíram por terra na primeira saudação de Tomás no restaurante etíope onde jantamos. Daí prá frente foi como se fôssemos velhos amigos. Ele nos encantou com suas histórias – éramos seis, quatro anfitriões e dois convidados. Foi, como deveria ser, o centro da conversa. Contou-me que prepara um novo romance que se passa na época da ditadura argentina mas que, ao contrário de todos os outros romances sobre o tema, é narrado do ponto de vista de uma simpatizante da ditadura. Falamos das excelentes traduções dos seus romances no Brasil. Como bons argentino e brasileiro, falamos de futebol; e obviamente falamos de blogs. O pessoal da mesa se entusiasmou com essa história de blogs que, como eu já lhes disse, é meio desconhecida para os acadêmicos.
A alegria de conhecer Tomás me lembrou de todas as vezes em que conheci ídolos meus. Quando conheci a escritora argentina Tununa Mercado minha admiração por ela se multiplicou. Quando conheci Jorge Mautner tive a sensação de ter sido amigo dele desde sempre. Por outro lado, quando conheci Chico César (no JazzFest de New Orleans do ano 2000) fiquei com a péssima impressão de uma pessoa que era ao mesmo tempo arrogante e subserviente: ao mesmo tempo que nos tratava com certo descaso, pedia desculpas profusamente por não falar inglês, que é o que mais me irrita em alguns convidados latino-americanos que, afinal de contas, se estão sendo convidados, será por seu trabalho em seus países de origem, não é? Enfim, Chico César deu belos shows em New Orleans e foi profissionalíssimo, que fique claro. Mas não me encantou, digamos.
Deixo com vocês esse relato e a pergunta: você já teve alguma terrível decepção conhecendo um ídolo? Já teve a confirmação de uma admiração?
PS: Eu sei que vocês vão acabar expulsando-me deste blog se eu continuar enchendo a bola da cultura e da política argentinas, mas eu tenho que dizer isso: quanto mais eu me decepciono com o presidente Lula, mais eu admiro o presidente Kirchner. Eu evitei me pronunciar sobre o papa, porque não queria ofender os católicos num momento de luto para eles, mas aqui vai uma pergunta completamente laica: Será que é realmente necessário levar ao Vaticano uma comitiva de dezesseis pessoas que inclui rabino, mãe-de-santo, xeque de mesquita e pastor luterano (além, claro, de Severino, Calheiros e cia.), todos viajando às custas do estado?
PS 2: papeiem à vontade sobre esses temas. Quando vocês estiverem lendo este post eu já estarei dando, ou terei dado, a palestra sobre Julio Cortázar. Depois conto como foi. Obrigado, de novo, pelas lindas mensagens de ontem.
Escrito por Idelber às 22:18 | link para este post
| Comentários (37)
#1
Idelber, eu vou ler seu artigo, sim! Na verdade, preciso fazer uma resenha de Lorde, mas sinto que preciso de mais um tempo pensando nele para poder depurar mais o livro. Noll é muito intenso. Me impressionou muito! Estou apaixonada pelas sacadas que ele tem com as palavras. É um negócio fabuloso.
Ana em abril 7, 2005 11:35 PM
#2
Achei muito boa a sugestão do Smart para resolver o problema das comitivas (brasileira e americana) pagas com o dinheiro do contribuinte: dois mísseis terra-ar.
Iraldo em abril 8, 2005 12:28 AM
#3
Eu fico péssimo conhecendo ídolos. Nunca sei o que dizer, o que falar; fico parecendo um total idiota, quase mudo. Não sei nem dizer que gosto do trabalho da pessoa. É um inferno.
Claudio Simões em abril 8, 2005 1:41 AM
#4
Acho o Edgar Scandurra um dos melhores guitarristas do Brasil. Mas quando o conheci foi de uma arrogância tremenda...
Sobre a viagem do presidente ao Vaticano, só deveria ir o Lula, se tanto... Agora, só ficou o vice Alencar... Já pensou se este avião cai? Pensando bem nem mudaria nada.
Donizetti em abril 8, 2005 1:57 AM
#5
Ela esperava, ansiosa, por Bruno Cadogan com uma rosa nos lábios e alguns fios soltos no penteado. Ao invés do tango pretendia revelar os encantos de outra arte, ainda mais sensual e romântica.
Eva em abril 8, 2005 2:10 AM
#6
Pois eu fico mais imbecil ainda do que já sou quando conheço um ídolo pessoalmente. Foi assim com Quino, com Neil Gaiman, com Herbert Vianna, com Laerte.
Inagaki em abril 8, 2005 3:22 AM
#7
Pois se o Claudio fica quase-mudo quando conhece um idolo, eu EMUDECI de vez quando vi o Arnaldo Antunes pela primeira vez, casualmente, numa livraria - e eu segurando um livro de poesias dele!!! Perdi a voz, completamente, e fiquei com aquela cara de palhaça.
Já com o Ziraldo, outro ídolo, eu fiquei muito feliz e fiz questão de dar um abração nele, tirar fotos, todas esses balacobacos de fã. E aguardo com carinho e ansiedade o dia em q darei um abraço no Hermeto Pascoal...
Lucia Malla em abril 8, 2005 3:30 AM
#8
De ídolos, papas, política... "mundo, mundo, vasto mundo"... A sociedade sempre terá seus rituais, pois a cultura é exatamente a saída do estado natural (natureza). Pagamos um preço por termos linguagem (o recurso ao simbólico). Não há como evitar velórios, comitivas, torcidas organizadas, salamaleques, tin-tim em taças de cristal, apertos de mão, ciao-ciao, e tudo o mais que é nossa marca registrada: às vezes uma delícia, às vezes um inferno. Inda bem que é possível escolher: "cada um escolhe conforme seu desejo, seu capricho ou sua miopia". Abração!
Cláudio em abril 8, 2005 5:03 AM
#9
Um dado curioso e possivelmente (demasiadamente) revelador sobre minha personalidade é que eu jamais tive ídolos, embora admire muita gente. Nunca fui fã de nada e sou um flamenguista não praticante, daqueles que jamais entrou no Maracanã para ver um jogo.
Mas já babei vendo a Vera Fischer comprar um exemplar do Kama Sutra, na Dazibao de Ipanema, aí pelos idos dos anos 90, isto é certo.
smart shade of blue em abril 8, 2005 6:47 AM
#10
Não acho nada demais o Lula levar uma comitiva ao funeral, mas a primeira versão estava bem mais sóbria: primeira dama, ex-presidentes, presidentes dos poderes. O que estragou foi essa idéia de levar os representantes das religiões: pra quê? Só pra inchar o grupo... o Noblat disse que havia um parente de Wojtyla num estado do sul... talvez a inclusão dele tivesse mais a ver.
O que foi RIDÍCULO, no meu entender, foi o comentário de Lula de que torcia por um papa brasileiro. Isso não é coisa que se diga, ele não tem nada que ficar se metendo nos assuntos do Vaticano.
As gafes do presidente em geral só rendem polêmicas inúteis no jornal, mas dessa vez esta pode ter influência na sutil diplomacia do cardinalato.
Quem ficou mal na história foi Dom Hummes, pois a ultradireita, representada por Dom Scheid, conseguiu "queimar" o presidente e sutilmente relacioná-lo ao cardeal paulistano.
Antes eu via grandes possibilidades na eleição de Dom Hummes, e torcia por isso, afinal ele é um bom homem, sereno, moderado e com vocação pastoral. Não sou católico mas sei que um papa medianamente progressista seria um grande avanço para todos nós. Agora hoje acho muito difícil que ele seja escolhido, por vários motivos:
(a) seu pretenso favoritismo está sendo muito alardeado na imprensa mundial; favoritismo excessivo não é muito bem visto pelo conclave; (b) ele tem dado entrevistas onde deixa claro que é favorável a revisões, mesmo que tímidas, na doutrina moral da Igreja; (c) o imbroglio entre Lula e o cardeal do Rio chama a atenção para sua boa relação com a esquerda.
Marcus Pessoa em abril 8, 2005 7:33 AM
#11
Nestor Kirchner só é interessante para quem não está na Argentina.
Trabalho com uma empresa quem tem vários clientes e fornecedores Argentinos.
Quem trabalha lá sabe bem o que este presidente representa.
Mal comparando, o Kirchner é uma espécie de "Garotinho" na Argentina, ele cria medidas descabidas e se vale dos meio mais populistas para ganhar popularidade, que naturalmente não pára de crescer entre as camadas mais pobres.
O plano de "refinanciamento" unilateral da dívida externa Argentina que é celebrado como um sucesso irá, certamente, custar muito aos investimentos e aos crescimento deste país no futuro próximo.
Quem não lembra do celebrado plano do Sarney de fazer a moratória e ganhar dos "especuladores" internacionais? nós pagam os por esta trapalhada até hoje.
Sem falar desta brincadeira de mal gosto que ele está aprontando com relação ao enterro do Papa.
A América Latina está mesmo muito bem com o Lula, Chavez e Kirchner, parece que agora a coisa vai.
Por buraco de uma vez
Ricardo em abril 8, 2005 8:22 AM
#12
Pois sabes que eu escrevi um post cheio de dedos, mas bastante crítico, sobre os acontecimentos com o Papa católicos e as respostas foram brandas? Os mais irritados foram os que concordam comigo... Desejo-te boa palestra (poxa, acho que é a terceira ou quarta vez que digo isto). E não beba nada oferecido por argentinos... Gigantesco abraço.
Milton Ribeiro em abril 8, 2005 9:28 AM
#13
Idelber, apesar do meu comentário no post anterior, estou com vc nessa apreciação da cultura vizinha. Não só argentina como tb chilena, uruguaia, peruana, etc... Eu até acho graça quando escuto um taxista carioca dizendo que quer mais que argentino se exploda, mas como pessoa sei que um país puxa o outro pra dentro do buraco. O futebol é o ópio favorito do nosso povo e odiar argentino por isso é um hobby até engraçadinho, mas esse é o limite que consigo chegar. Abraços.
Fernando em abril 8, 2005 9:43 AM
#14
Nada tenho contra argentinos, pelo contrário: Gostaria que você nos indicasse blogs argentinos. Se tiver tempo, é claro.
Desde já, muito obrigado.
Flamarion em abril 8, 2005 10:05 AM
#15
Idelber, é só um líder latino-americano dar uma rugidazinha e já o imaginamos um novo Bolívar. Kirchner é o dono da loja que brada com o vendedor de lanche que atende a seus funcionários. Pequeno como suas briguinhas.
Reginaldo Siqueira em abril 8, 2005 10:26 AM
#16
Puxa, seria interessante passar a ler blogs argentinos também... Desde que o assunto não seja futebol. Já que você nunca aceita o convite do Galvão para participar do "boteco via MSN" (Idelber acaba de entrar / Idelber acaba de sair), vou agüardar ansiosa que você conte aqui como foi a palestra. :0)
Roberta Febran em abril 8, 2005 10:33 AM
#17
Na época que trabalhei em reportagem no Rio de Janeiro, entrevistei muitas pessoas famosas, não que eu idolatrasse, porque não sou chegada a tietagem, mas a maioria não me decepcionou. Conversei com a Vera Fisher e a achei articulada, interessante. O Roberto Carlos foi muito simpático. O Lula era uma bolinha de bochechas cor-de-rosa, irradiava simpatia. O Lulu Santos eu conheci após um show dele, acabamos por acaso nos bastidores, e ele ficou um tempão conversando com meu marido sobre música, foi uma simpatia e falava inglês super bem. Já uma que eu achei nojenta foi a Bruna Lombardi; e eu me decepcionei com a dificuldade de articular pensamentos da Débora Bloch; ela é uma atriz genial, já conversação não é o seu forte.
Agora, se um dia eu tivesse ficado frente-a-frente com os meus ídolos da infância, John Lennon e Paul McCartney, acho que eu teria tremido e ficado sem fala.
Leila em abril 8, 2005 10:41 AM
#18
Eu nunca tive ídolos vivos assim... Meu maior ídolo vivo hoje seja o Lobão... Na faculdade que estou agora tem um professor que participou da tropicália e abandonou o movimento. Ele é o tipo de professor que eu sou fã, mas não há tanta distância. Se eu encontrasse o Lobão, não sei. Ficaria feliz pra caralho, mas adoraria bater um papo com ele fumando umas cigarrilhas!
Quando era guri, foi na minha cidadezinha o time do Botafogo, naquela época de Túlio e Bebeto, os dois são dois metidinhos. O, não tenho certeza, Wagner, goleiro então, é que é um cara boa pinta pra caramba! Gente boa memso.
Diego em abril 8, 2005 10:54 AM
#19
Quero falar sobre pessoas que admiro dentro das comunidades de Mardi Gras Indians em New Orleans e que me causaram ótima impressão quando os conheci.
Três semanas atrás, em um bar onde estava rolando um show de R&B, conheci o chief (acho que a tradução correta seria “cacique”) de uma das tribos de Mardi Gras Indians. Infelizmente não lembro seu nome (um pouco complicado para uma brasileira), mas sua fisionomia tenho certeza que não esqueço. Ele foi muito simpático, conversamos sobre o lamentável evento que sucedeu talvez há quatro semanas atrás, quando a policia impediu que o desfile das tribos de Mardi Gras Indians acontecesse.
Hoje (começa o French Quarter Festival), eu e Aaron vamos assistir ao show de um outro chief (esse nós conhecemos há três anos atrás em minha primeira visita a esta cidade), o Chief Smiley. Conhecer Chief Smiley foi interessante porque a situação se inverteu (típico de New Orleans), ele é que veio falar conosco. Do palco, enquanto fazia seu show no French Quarter, ele nos viu dançando e se divertindo, estávamos com uma galera de brasileiros. Após o show, à noite, quando cruzamos (eu e Aaron) com ele em frente ao bar Café Brasil, ele nos parou e agradeceu por termos animado seu show. Disse que pelo nosso jeito de dançar e animação reconheceu que provavelmente não éramos americanos. Batemos um longo papo, ele de certa forma profetizou que eu viria morar em New Orleans. Aqui estou eu, e muito feliz! Fiquei estarrecida e logo percebi que esta cidade é especial.
Renata em abril 8, 2005 11:15 AM
#20
Quem não entende a posição do Kirchner é porque não conhece o que é a Igreja Católica argentina e suas ligações com a ditadura de 76-82.
Barbão em abril 8, 2005 11:22 AM
#21
Respondendo sua primeira pergunta: eu nunca conheci um ídolo, portanto nunca me decepcionei ou o admirei mais. E, seguindo para a segunda pergunta, eu acho que estão dando importância demais para esse Papa. E acho que o Lula é um besta que não tem competência para dirigir nem a própria vida, quanto mais um país com tantos problemas como o Brasil.
E eu deixei de acreditar, essa semana, que o Brasil ainda tem jeito.
Abraços!
Túlio em abril 8, 2005 12:03 PM
#22
Bom, não tenho ídolos, mais existem pessoas que excercem em mim uma profunda admiração. Já me deparei pessoalmente com essas pessoas em duas situações. Primeiro, fui em um seminário sobre terceiro setor e o encerramento foi com Frei Beto, homem que admiro muito por sua ideologia e ética, quando a palestra acabou eu estava literalmente em prantos, emocionada com suas palavras fui até ele, mais não consegui dizer uma só palavra. Outra vez foi em um encontro quase informal com Rubem Alves, escritor que me arrebata a alma com seus escritos consegui trocar umas palavras e ficamos conversando por uns bons 15 minutos, a despedida foi com um abraço muito terno.
Quanto a comitiva de nosso governo, para o velório do Papa, concordo com você. Não sei se é porque sou agnóstica, mais é um exagero. Realmente acho muita hipocrisia pros Severinos cheios de preconceitos e reacionários da vida!!!
Abraços,
Púrpura
Púrpura em abril 8, 2005 12:11 PM
#23
Quase derrubei a Rita Lee da escada. Herbert Vianna cantou "as meninas do Leblon nao olham mais pra mim" com meus oculos no rosto e depois devolveu consertadinho...rs...O pai do Arrigo Barnabe era meu amigo de forum. Fui paquerada pelo Daniel Filho, mas esse nao conta que eh galinha...rs...Caetano e Gil presentearam minha mae com um colar lindo e ficaram hospedados na casa de um amigo da familia em Floripa e aproveitei pra me aninhar no colo deles nessa ocasiao, mas vamos combinar que era tao pequena pra recordar, que essa estoria foi contada por terceiros. Hermeto Paschoal vive em Curitiba e a gente se esbarrava direto. Simpatia pura. Queria ter conhecido Paulo Francis e Frank Sinatra, mas fica pra proxima encarnacao, ne? E nao tenho idolos. Nao coloco ninguem num pedestal, acima do bem e do mal. Tem osso, pele, se movimenta e descende de macacos? De mim, no maximo extrai admiracao. Essa postura me ajuda inclusive a cultivar minha fe sem que esta esteja atrelada a uma religiao e seus rituais. No lance da comitiva brasileira...putz, o que falar? Lembra do Sarney na Franca? Sera que algum dia vamos aprender a votar melhor? Sera que algum dia teremos candidatos no legislativo/executivo que sejam mais sede, menos imagem? Sei la! Pra falar a verdade ando bem cansada dos brasileiros anonimos ou nao!
Beijao!
PS: Prof. tenho vontade de ver seu rosto!
Leitora/Fa em abril 8, 2005 12:40 PM
#24
Assim com o Ishmarti Xêide Ófi Blu não costumo cultivar ídolos. Aliás, se era pra ter um este seria o maior demolidor de ídolos que conheci, o tal do filósofo bigodudo e sifilítico. No entanto, ainda menino, ver o Gonzagão de perto foi a uma das maiores emoções que tive na vida...
Quanto à viagem das otoridades, acho um pouco atrasado o debate, afinal o Barbudinho vem exagerando nas viagens inúteis há bastante tempo, se bem que dessa vez exagerou, né? Levou a camarilha inteira... Ah, como torci pro Aerolula dar pau...A República agradeceria. Tergiverso. A verdade é que a tal da comitiva é exagerada sim, pois, em nome do ajuste fiscal e do corte dos gastos públicos, como símbolo da República Federativa do Brasil bastaria levar a
Rita Cadillac, assim como do sincretismo religioso sugeriria a ida do Joãosinho Trinta. Sairia muito mais em conta...
Kbção em abril 8, 2005 12:46 PM
#25
Acho que ver Vera Fischer com exemplar do Kama Sutra na mao nao tem preco, hein? Fiquei triste em saber a impressao da Leila em relacao a Bruna Lombardi. Bom, mulher tem oscilacao hormonal mensal, a famigerada TPM, entao acho que a gente merece um desconto, independente do credo, raca, cor, nivel socio-economico, peso, money...rs...
E gostaria de acrescentar so mais uma coisa: fico chocada em observar como andam fazendo de qualquer acontecimento - bodas, velorio, batizado, festinha de escritorio, etc - um circo.
Tudo anda sendo noticiado a exaustao, debatido, fotografado. Ok, era o Papa. Claro que vai ter comocao em massa, nao sou ingenua, mas eh melhor parar por ai. Porque ultimamente andamos sentindo bem pouco, sejam pessoas, desastres naturais, fatos politicos. Olha, o caso daquela moca americana que morreu recentemente. Ok, vamos debater, refletir, mas precisa de tanto? Por esses recantos da blogosfera, vi gente se valendo de piadas datadas, humor de pessimo gosto, interjecoes vazias. Come on!
Beijao, again!
PS: estou de TPM...rs...
Leitora/Fa em abril 8, 2005 1:00 PM
#26
Oi ! Bem, comigo, foi o Gilberto Dimenstein. Eu ainda estudava Jornalismo e fui ao lançamento de um livro dele. Enfrentei uma fila enorme e na minha vez, estiquei a mão pra cumprimentá-lo. Ele se recusou. Foi muito chato. Claro, ele não tinha obrigação de cumprimentar toda a fila, pra ele eu era só mais uma leitora. Mas pra mim ele era o cara, o escritor, a referência. Coisas da vida.
Um abraço.
Fefê em abril 8, 2005 1:04 PM
#27
sou RECHEADO de ídolos! e adoro encontrá-los. o scandurra, citado aí embaixo, é um DOCE. depois de trampar 15 anos em rádio/TV encontrei muita gente, uns bem legais, outros PÉ NOS GRÃOS, vai dizer? vou citar um cara e muita gente aqui vai torcer a boca: o TARCÍSIO MEIRA é um cara incrível! nas letras, CONY é bem melhor no papo que nos TEXTOS.
Biajoni em abril 8, 2005 1:33 PM
#28
Como sou apaixonada pela música amazonense, esbarro nos meus ídolos sempre. Célio Cruz foi polido e distante; Jaime Pereira foi tão prstativo que me deu até carona; Lucevilson batia papo comigo no MSN, Cileno é o amor dos amores, o mais docinhos dos docinhos.
Quanto a ídolos mais difíceis de encontrar...Quando eu tinha seis anos, o Caetano Veloso viajou no mesmo avião que eu. Eu não o conhecia, mas mamãe sim! Ela falou: "Aquela cabeça branca ali é do Caetano Veloso. Quando apagar o aviso do cinto, tu vai lá com ele." Apagou o aviso, eu fui, fiquei do lado da poltrona. Os adultos olharam pra mim. Eu, com a simplicidade infantil que nunca mais terei: "Licença, o senhor é o Caetano?" "Sou" "Pode me dar um autógrafo?"
Ele riu da pergunta e autografou minha revistinha do Chico Bento. Tenho até hoje. Mamãe foi conversando com ele no corredor do avião (glória, glória), e quando chegamos em casa ela me mostrou "Você é linda". Me apaixonei pra sempre. E foi esse encontro, juntamente com a morte de Tom Jobim em 94, que definiu os meus gostos musicais e várias maneiras de encarar a modernidade.
Menina-prodígio em abril 8, 2005 2:06 PM
#29
Nossa, mico perde! Acabo de ver sua foto aqui mesmo no seu blog...rs...Sorry! E que bela estampa a sua e da sua prole! Saude sempre! Espero que tenha dado tudo certo na palestra e que o senhor tenha levado sua propria garrafinha de agua mineral...rs...
Beijao!
Leitora/Fa em abril 8, 2005 3:10 PM
#30
"Bolinha de bochechas cor-de-rosa"... hehehehe, adorei essa expressão, Leila.
Marcus Pessoa em abril 8, 2005 3:51 PM
#31
Os meus encontros com o Saramago foram TUDO de bom. Quase começamos mal: Ele tem um trejeito estranho, uma maneira de olhar empinando o nariz, parece mirar a todos com um olhar superior e distante. No nosso primeiro encontro, gritei:”Saramago, Saramago”, e ele me olhando de nariz em pé. Pensei:”Nossa, me f***, que homem antipático.” Mas mantive a conversa – que em seu decorrer foi ma-ra-vi-lho-sa – e então ficou claro que o olhar dele não tem nada de antipático ou superior. O problema é visual: Saramago enxerga mal a beça, e assim como alguns míopes apertam os olhinhos para ver melhor, ele estica o pescoção e empina o nariz, o que lhe dá uma aparência extremamente antipática. Mas eu garanto: alem de ser uma das pessoas com agilidade mental mais apurada que já conheci, ele é na verdade um doce...Agora, que coisa linda essa história da Menina-Prodígio, hein?
Sobre a segunda questão, achei o comentário do Marcus Pessoa Reaparecido muito interessante. Só faço restrições ao ponto c: acho que internacionalmente, as declarações o bispo do Rio não tem muito destaque, a repercussão delas é quase nula.
Felicia em abril 8, 2005 5:37 PM
#32
Já que a Menina-prodígio contou essa história fofa com o Caetano, eu vou contar como foi comigo.
Fomos apresentados quando ele foi ver uma peça minha, e a assessoria botou no jornal uma foto dos dois abraçados: Caetano sorridente e eu com cara de nada.
Eu o reencontrei quando ele visitou as filmagens do TIETA DO AGRESTE.
Uns meses depois, justamente no dia em que eu comprei o FINA ESTAMPA AO VIVO e tava com o CD na mochila, vi Caetano descendo do carro no Pelourinho.
Um amigo que tava comigo falou:
- "Aproveita e pede pra ele autografar o CD".
- "Deus me livre! Tenho vergonha!"
- "Mas vc não conhece ele?"
- "E daí? Ele nem deve se lembrar de mim."
E ficamos discutindo no meio da rua, quando, de repente, alguém parou do meu lado e me disse: "Nossa! Tô vendo vc todos os dias!"
Era Caetano, que tava fazendo a música do filme.
E continuou: "Vc está muito bem!"
Como bom leonino, diante do elogio, abri um sorriso e agradeci. (Mas, não, não pedi um autógrafo no CD!)
Claudio Simões em abril 8, 2005 7:08 PM
#33
Falando no TIETA DO AGRESTE, me lembrei dessa. Segundo dia de filmagem, chego na sala de maquiagem, e lá está Sonia Braga, A estrela do filme, conversando com umas pessoas. (Sim, eu gosto de novela, e sim, eu sou do tempo de DANCIN´ DAYS.) Obviamente, não me atrevi a abrir minha boca, passei por ela sem emitir um som e fui direto pra cadeira do maquiador. Quando eu me sentei, ela falou bem alto: "Esse povo de teatro é assim! Nem cumprimenta, só porque a gente é de cinema!" Quase afundei na cadeira. Graças a Deus, uma das minhas únicas cenas era com ela e, aí, não só pude desfazer a má impressão, como fiquei completamente encantado por ela.
Claudio Simões em abril 8, 2005 7:40 PM
#34
Não sou de ficar idolatrando mas tenho, sim, pessoas que admiro e que adoraria encontrar e conversar. Mas fico me colocando no lugar delas e pensando que deve ser um saco essa babação de "você é o máximo!","sou sua fã nº 1!". Como moro no Leblon vejo sempre muitos artistas mas faço cara de paisagem e passo direto.
Mas no quesito mico tenho minha passagem: tenho um amigo brasileiro que mora em NY e é amigo do Paulinho da Viola. Uma vez estava eu em NY e meu amigo me pediu para trazer uma encomenda para o Paulinho dizendo que eu não teria trabalho nenhum, era só ligar para tal telefone que ele mandaria o motorista ir buscar. Pois bem, liguei e dei o recado que estava com a encomenda. Passaram-se umas 2 semanas e uma noite toca o interfone e o porteiro diz que era o Sr. Paulo para buscar uma encomenda. Quando abro a porta era o próprio Paulinho da Viola,que foi logo dizendo: "Você é a Viva? Muito prazer." E eu só consegui dizer: "o prazer é TODO meu!"
Viva em abril 8, 2005 8:52 PM
#35
Quando conheci Tom Zé, após o show de lançamento de "Jogos de Armar - Faça Você Mesmo", confirmei as ótimas impressões que tinha pela obra dele. À época, eu não era ainda estudante de jornalismo e fiz um texto sobre o show e enviei para a produção do homem, em São Paulo; ele mesmo respondeu o e-mail, agradecido. Fiz contato com a produção, a Tânia me enviou alguns discos que eu não tinha na coleção e durante a apresentação, identifiquei, sem nunca ter visto antes, D. Neusa, esposa e memória do gênio de Irará. Papeamos durante todo o show e ao final ela furou a fila comigo: "Deixem esse menino passar, senão ele tem um ataque do coração". Apertei a mão de toda a banda, conversei um pouco e abracei Tom Zé, e a partir dali entendi o que Caetano Veloso quis dizer, em Verdade Tropical, sobre o brilho dos olhos de Antonio José Santana Martins.
Zema Ribeiro em abril 9, 2005 9:39 AM
#36
Em 1992 conheci pela primeira vez Caetano Veloso, um encontro inesquecível. Eu tinha ligado antes para a casa dele, quando ainda morava em Leblon, para fazer uma entrevista para um programa de rádio, "Afropop Worldwide." Marcamos sete horas, ele chegou um pouco atrasado com a esposa Paulinha e o recém nascido filho Tom. Eles me receberam de uma forma muito simpática. Sentei com Caetano e conversamos mais que duas horas sobre a Tropicália (o tema do programa comemorava 25 de anos do movimento). A entrevista ficou muito boa-- inclusive foi depois traduzida e publicada na revista Transition e ajudou a desencadear a fascinação pela Tropicália entre alguns setores mais atenados de músicos e fãs norteamericanos. Foi um encontro muito feliz que realmente mudou o rumo da minha vida. Na época eu sabia o suficiente sobre a cultura brasileira, o modernismo, a MPB, os anos 60 para fazer boas perguntas, mas também desconhecia o suficiente para Caetano sentir-se obrigado a explicar detalhes que um brasileiro avisado já saberia. Acabou me dando o 'big picture' sobre o movimento, ou pelo menos a versão dele. Resolvi então escrever minha tese de doutorado sobre o tema que depois foi vertido para o livro "Brutality Garden."
Christopher Dunn em abril 9, 2005 12:11 PM
#37
Apenas para reiterar algo que já ficou lá pra baixo, aqui na Argentina os presidentes precisam ser católicos para serem presidentes. (Mal escrito, concordo...)
E outra curiosidade: Carlos Menem nasceu judeu. Só não sei dizer em que época de sua vida ele o fez.
Diogo S Lima em abril 10, 2005 1:49 PM