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quinta-feira, 14 de abril 2005
Fenomenologia da Fumaça, Semana 8 – O Estatuto do Cigarro no Existencialismo

Balanço catastrófico da última semana:
1. Sexta à noite: 3 cigarros (culpa dos doutorandos maravilhosos de Rutgers e do prazeroso jantar .... ou seja, fora de brincadeira, culpa minha)
2. Sábado à noite: 2 cigarros (Graciela Montaldo tentou evitar)
3. Domingo: nenhum cigarro
4. Segunda: um cigarro
5. Terça: um cigarro
6. Quarta: nenhum cigarro
Estamos em meio à uma severa recaída: a operação ilusória da cabeça do viciado replica-se na repetida ilusão: vou fumar só um cigarrinho filado do amigo e amanhã não fumo mais. Justo ao terminar de ler o potente Consciência de Zeno, caí na dialética do personagem de Svevo: acreditar que se está fumando o último cigarro é um pré-requisito para fumar o próximo. O vício reproduz-se através da crença de que foi superado.
Soem as trompetas, caros Cigarro e Silêncio, Tabagista Anômimo, Quando, Onde e Como. Houve recaída no Biscoito.
Vamos exorcizar a recaída com um post sobre o cigarro na obra de Jean Paul Sartre.
Por que Sartre?
Lembrei-me dele porque 1) foi um dos filósofos mais viciadaços em cigarro; 2) deu à fumaça uma razoável importância em sua principal obra; 3) é um dos filósofos caluniados pelo sr. Olavo que – sem indicação, obviamente, de haver lido nenhum desses sessenta livros de autoria do pensador francês – dá-se o direito chamá-lo de “palhaço”, sem citar nada.
Jean Paul Sartre foi– sabe-lo-á boa parte do leitorado do Biscoito – pilar do pensamento do século XX, como romancista, dramaturgo, filósofo, cronista, crítico literário e panfletista. Sartre faz a transição entre o pensamento de Martin Heidegger (no qual ele vai buscar o postulado da primazia da existência sobre qualquer transcendência) e o humanismo pós- guerra, do qual ele mesmo é o maior representante. Sartre também é símbolo do engajamento (palavra que ele reinventou) dos intelectuais na crítica ao colonialismo. Com Huis-Clos, definiu o teatro de uma época. Com O Idiota da Família, fez (sobre Flaubert) um dos mais obsessivos estudos de um escritor jamais feitos. Com A Náusea, definiu as pautas do romance de toda uma geração francesa. E por aí vai.
Hoje estou interessado só num parágrafo de sua maior obra filosófica, L’être et le neant (O Ser e o Nada):
Na medida em que apareço a mim mesmo como criador dos objetos através da apropriação, estes objetos são eu. A caneta e o cachimbo, as roupas, a mesa, a casa são eu. A totalidade de minhas posses reflete a totalidade de meu ser. Eu sou o que tenho (Paris: Gallimard, 1943, p. 652; tradução minha).
O objetivo de Sartre aqui é criticar, claro, a identificação burguesa entre ser e ter, entre posses e existência, entre ontologia e economia. Mas o curioso é que ao dar exemplos de objetos apropriáveis, ele sempre repete o cachimbo:
O cachimbo está ali, sobre a mesa, independente, indiferente. Pego-o em minhas mãos. Sinto e contemplo para realizar a apropriação.
Por outro lado, ao cigarro, à fumaça do cigarro, Sartre recorre para exemplificar o inapropriável : ao contrário do cachimbo, o cigarro não persiste. Nada permanece uma vez cumprido o ritual do vício. A evanescência não é apropriável; ela não entra na coleção de objetos dos quais o sujeito se apropria no seu processo de constituir-se enquanto tal. O cigarro entra pela porta dos fundos da filosofia, não tem a dignidade do cachimbo, ainda que o filosófo que haja consagrado essa hierarquia tenha sido um viciadaço em cigarros. A grande contradição: Sartre não teria escrito o teba do volume se não fosse pelos trocentos cigarros que fumou no processo.
Em outras palavras, para o existencialismo o cigarro é um fantasma que não cabe na filosofia. Ao contrário do cachimbo, o cigarro não é um dado catalogável na realidade objetiva enquanto tal (ontologia) nem é objeto de relação nossa com o mundo (fenomenologia).
Nessa obra capital intitulada O Ser e o Nada, a fumaça é a única que não cabe em lugar nenhum: ela é menos que o Ser e mais que o Nada. Nem aparência nem essência. A fumaça é uma espécie de escandaloso fantasma, espectro.
PS: A blogueira Giulia está completando quatro dias sem fumar e com certeza apreciaria uma força, uma palavra amiga de quem quiser passar lá.
Escrito por Idelber às 04:08 | link para este post
| Comentários (37)
#1
Força, Idelber, força! Se uma recaída(zinha)não é a catástrofe, pode prenunciá-la.
JPSartre foi minha leitura contínua durante meu curso de Filosofia na UFMG, ainda quando funcionava no prédio da rua Carangola. Os volumes da biblioteca, principalmente "O ser e o nada", "A idade da razão","As palavras", todas ensebadas pelo uso. Disputavam-se os empréstimos, havia fila. Maio de 68, os testemunhos de Simone de Bouvoir, a questão do marxismo, tudo colocava Sartre na crista da onda... Hoje, pergunto aqui e ali: ninguém lê Sartre. Verdade?
verdade pura, Dr. Cláudio. Sartre teve seu auge nos 60/70, e depois sofreu críticas duras de correntes de pensamento pós-68, críticas bem fundamentadas, que nocautearam sua popularidade entre os especialistas um pouquinho. Aqui nos EUA é pouquíssimo lido. No Brasil tampouco ganha concursos de popularidade.
Cláudio em abril 14, 2005 5:18 AM
#2
Caro Idelber, esses quatro dias parecem-me uma eternidade... Agradeço a força e o ânimo, e espero que não cometa outras recaídas; preciso de vc, de sua coragem (assim como da dos demais amigos blogueiros), para conseguir algum resultado positivo. Grande abraço!
Giulia em abril 14, 2005 5:31 AM
#3
Caro Idelber
Fumei por vinte anos ou mais e posso dizer que seja ontologica que fenomenologicamente, meus pulmoes estavam me enquadrando na categoria de doente e pior, de cansadào. Certas outras partes do meu corpo estavam começando a ter preguiça fenomenologica e esta é a pior parte. Me sinto infinitamente melhor sem cigarro e toda a fenomenologia voltou ao seu normal. Mas ainda sinto falta do maldito
Flavio Prada em abril 14, 2005 6:14 AM
#4
Oi Idelber, é verdade que esse fantasma cigarriano tem uma forca imensa, especialmente quando amigos se juntam para trocar uma idéia, tomando cafe, ou simplesmente digerindo uma boa comida. E ele tem varias formas, aparece e desaparece na mao, nao é um "objeto" como o "seu" cachimbo com a sua imagem - única, o retrato do seu vicio. Courage alors - de l´autre côté du océan. tjark
Danke, Tjark! Du bist sehr freundlich :)
Tjark em abril 14, 2005 6:27 AM
#5
Idelber, vou dar o meu palpite de leiga. Eu acho que você deveria parar de falar de cigarro, porque isso deve fazer aumentar a vontade de fumar. Quando alguém quer parar de beber não fica falando toda hora em vinho, scotch, cerveja. Outra boa medida seria parar de frequentar ambientes fumacentos. Vai jantar num lugar para não fumantes e fica longe de quem fuma por uns tempos. Eu sei que isso é difícil, mas normalmente cigarro e bar e cigarro e álcool andam juntos, alors se você quer parar mesmo o único jeito seria sacrificar certos hábitos. Outra possibilidade é tomar algum remédio. Aqui no Québec, o governo tava dando de graça o Zyban para quem quer parar de fumar. Já experimentaste ? Beijocas e te cuida.
hmmmm, obrigado Ana! Ziban, para mim, seria a última alternativa, seria o caso de se oficializar uma recaída, o que não é o caso. Quanto a falar, acho que não, acho que o efeito é o contrário (hehe) pergunte à psicanálise, que sabe dessas coisas (da relação entre falar, ter vontade e lembrar), ou aos blogs tabagistas: não falando do treco você estoura. Ë a premissa desta fenomenologia; mas obrigado pelo apoio e pelo papo, que é o que importa! Abraços,
Ana Lucia em abril 14, 2005 6:30 AM
#6
Eu acho que isso responde minhas dúvidas do porquê da demora do Fenomenologia da semana.
Força Idelber, o cigarro não é o inimigo a ser vencido.
Grande Abraço, Marcos.
marcos em abril 14, 2005 6:47 AM
#7
Força Idelber! Tô aqui na torcida...
Beijos
Alline em abril 14, 2005 6:55 AM
#8
Xiii Idelber!!! Ainda ontem escrevi um post justamente criticando Sartre!!! Confira lá, acho que vc não vai gostar, hehehehehe.
Leandro Oliveira em abril 14, 2005 7:12 AM
#9
Qué pena Idelber, pensé que eras uno de esos fumadores ocasionales o un ex fumador de los que se dan permiso para fumarse un pucho de vez en cuando, entre trago y trago, y después está todo bien. Lo siento? pero valió la pena ¿o no? Al menos la evanescencia de ese objeto es apropiable en la memoria, porque se extraña la pérdida del cigarro ya fumado. Tras seis días, yo ya siento nostalgia de ese espectro.
!no te culpes, Julieta, fue un momento compartido, maravilloso, se merecía un pucho! !por supuesto la culpa es toda mía! yo también me quedé con memorias evanescentes, mucha nostalgia :)
Julieta em abril 14, 2005 8:43 AM
#10
É difícil falar sobre cigarro. Fumei durante uns 20 anos ininterruptamente, aliás, nos últimos anos eu não fumava, comia (quatro maços por dia). Tentei parar zilhoes de vezes, fumar de hora em hora, só de amigos, só fim de semana, tudo enrolação. O importante é tentar sempre. O mais difícil são os primeiros dois ou tres dias, depois que eles passam e vc continua vivo é fácil, é só, como se diz lá em Minas, ter vergonha na cara.
Um detalhe que me encanta até hoje é olhar a parte interna dos meus dentes inferiores no espelho e ver tudo branquinho, parece mentira, antes era tudo marron, horrível, e o cheiro de quem fuma, insuportável.
O pior de se livrar é do hábito e não do vício, hábitos são os piores vícios.
abraço
Joao Pedro Carvalho em abril 14, 2005 8:54 AM
#11
Oi. Um pouco na linha do que Ana Lúcia falou...No meu trabalho, há uma campanha intensa contra o tabagismo. Praticamente fizeram desaparecer o fumódromo e espalharam por quase toda a empresa frases do tipo "Obrigado por não fumar". Apesar de não ser fumante, sou solidária a eles. Que patrulha chata. Imagino um colega querendo largar o vício a toda hora se deparando com essas plaquinhas. Não há como esquecer o pito. Boa sorte na sua tentativa.
Um abraço
gracias muy mucho, Fefê, cruzeirenses e atleticanos, fumantes e não-fumentes, no Biscoito, têm isso em comum: são contra todas as patrulhas. Abraços,
Fefê em abril 14, 2005 9:12 AM
#12
Idelber: você já conseguiu!
Agora, só falta o tempo passar e você chegará no futuro (próximo) em que te vi sem fumar.
Fantástico!
Parabéns!
Rafael Reinehr em abril 14, 2005 9:23 AM
#13
Como ex-fumante, concordo em genero, numero e grau com a Ana Lucia! E depois de fumar por aqui na companhia de um psicopata...rs...ex-combatente do Vietna. Lembra da estoria? Parei total mesmo! Prof. eh bom levar um susto! Eu fumava e o senhor que tava dividindo o banco da praca comigo - a mesma cara daquele ator canadense que fez "Casanova" Donald Sutherland , se bem que os olhos pareciam daquele outro do "Laranja Mecanica" (Malcolm McDowell)- dizendo "eu nao mato mais niguem", como se fosse um mantra...credo cruz! Foi legal a experiencia, porque me conta ai se alguem ja fumou em companhia do "Walter E. Kurtz"? Vai dizer? Mas depois dessa. Never more! E olha que so tive recaida e o meu na reta de tanto ler sobre sua experiencia em parar com tao "intragavel" habito aqui nesse fino espaco! Para, prof. Esquece tudo. Aproveita a carona no UNO do Biajoni e pede pra ele depois da palestra levar o sr. pra um retiro, ta bom?
Beijao!
Leitora/Fa em abril 14, 2005 9:43 AM
#14
Sobre esse assunto não posso falar muita coisa, ainda... Andei vendo meu pai dar um trago de 3 segundos acompanhado de um tosse de 3 minutos. Outro trago, outra tosse. É oque acontece a um homem relativamente novo, de apenas 56 anos, que chegou a fumar 3 maços por dia e fuma desde os 16 anos. Ele já está com 50% de sua capacidade pulmonar comprometida mas ainda tem que dar um trago uma vez ou outro do dia. Vai começar o Ziban essa semana. Vamos torcer! E com isso eu vou tomando vergonha na cara e esperando a vez de me livrar desse vício. Por enquanto estou me livrando de outros. Pra quem não podia falar muita coisa acabei falando demais. Na realidade passei só pra te deixar um beijo e desejar um ótimo dia. Um beijo! Renata ;)
Renata querida: obrigado, :) Mande por favor a solidariedade do Biscoitoao seu pai. Se ele fuma tanto e há tanto tempo, o Ziban é a saída mesmo, e o lance é dar força total, amar e apoiar, sem recriminar recaídas. Você não, você tem muito tempo ainda, é tão jovem, é só ir moderando . . . ótimo dia para vc também, beijos, );
Renata Maneschy em abril 14, 2005 10:02 AM
#15
três coisas:
- aprendi fumar socialmente e acho possível. hoje em dia são dois ou três cigarros por dia apenas. não faz tão mal, vai dizer?
- a Leitora/Fã pode ter certea que depois de araraquara nós vamos para QUALQUER LUGAR, menos para um RETIRO!
- finalizando: cachimbo não é cigarro. nos existencialistas o REI do cigarro era mesmo ALBERT CAMUS, vai dizer?
vou sim, Bia. Agora, o Camus fumava GUIMBA! Não há nenhuma foto em que a peste tenha um cigarro inteiro na boca. Qual é esse MISTÉRIO?
Biajoni em abril 14, 2005 10:48 AM
#16
Idelber, estava lendo um artigo do Gabriel Cohn sobre o Jameson no Mais/Folha e ele escreveu: "Quem espera linhas retas não pode ler Jameson, com suas exposições tortuosas que às vezes beiram a contorção, marcadas pela multiplicação vertiginosa de elos entre dimensões dos processos examinados, mesmo quando amiúde são "mediadores evanescentes" (para apontar, entre muitos outros, um engenhoso conceito de que se vale), que somem após realizar sua tarefa".
Quando li seu post me lembrei do conceito de "mediador evanescente". O cigarro não poderia ser uma boa metáfora para isso? Faz o elo entre os pensamentos e depois desaparece.
rapaz, que concidência que você tenha lembrado disso, Guto! Jameson foi orientador da minha tese de doutorado, eu fui aluno dele e cansei de ver o velho falar de "vanishing mediators"! Eu nunca tinha feito a conexão com o cigarro, mas é perfeita! O cigarro é o "vanishing mediator" do Fredão! Valeu o toque, Guto.
Guto em abril 14, 2005 10:54 AM
#17
Ai, Biajoni, pelo amor de Deus, nao me incute essa de fazer um social com cigarro na cabeca do Prof, hein? Ele precisa passar longe de qualquer coisa que acenda, queime ou faca fumaca. Voc pode ate ter achado uma m* minha sugestao do Retiro, mas leva o bom mestre pra qualquer lugar longe do vicio, ta?
Beijao!
PS: professor so porque eu gosto do Mainardi e do Francis, o senhor nao da mais bola pra mim?
Leitora/Fa em abril 14, 2005 10:59 AM
#18
Sartre foi o escritor/filósofo que levei sob o braço e em frente aos olhos durante a adolescência. Olavão de novo?
Estás acompanhando a prisão do jogador do Quilmes?
Grande abraço.
Milton Ribeiro em abril 14, 2005 11:07 AM
#19
Durante quase dez anos fumei uma maço de cigarros por dia, fazem cinco que parei. Gostaria de ter uma relação com o cigarro, mais tranquila, fumar socialmente como vejo muitoas amigos fazendo. Fumam só de vez em quando, e não tem uma real dependencia com o cigarro. Não me arrisco nenhuma mísera tragada, não sei se serei capaz de fumar socialmente, uma tragada leva a aoutra e a outra e a outra... Mais descobri uma coisa que não me deixa viciada, e supre minha falta pelo cigarro, e também exige um certo ritual: Cigarro de palha, meu caro! fumo um de vez em quando, ritualizo esse momento, café, rede e um cigarrinho de palha. Não me causa dependecia e me dá muito prazer!
Um abraço no corpo, na alma e no coração.
Púrpura
Púrpura em abril 14, 2005 11:50 AM
#20
Prof. o tempo ta fechando na caixa de comentarios do Alex Castro do "Liberal" (sobre miss & cia) e tem discussao das boa la na Denise do "Sindrome de Estocolmo" apos o post encontro dela com a Betty Friedan. Em tempo, ate o artigo sobre mulheres modernas do Alex a gente botou la!
Beijao!
Leitora/fa em abril 14, 2005 11:51 AM
#21
Ho ho ho Leitora Fã, a história da miss foi demais, pena que eu cansei a minha beleza germânica para ficar respondendo :-)
Ana Lucia em abril 14, 2005 12:35 PM
#22
Li a sua resposta la embaixo, nossa como escreve bem! Fiquei com o queixo batendo na cintura. Parabens!
PS: em tempo gosto do Mainardi, mas lembra minha lista de musica?
Leitora/Fa em abril 14, 2005 1:11 PM
#23
Vamos lá, meu amigo, mais 24 horas!
Cuidado com a dica da Biajoni, embora bem-intencionada. É que eu trabalhei com tabagismo, como psicóloga, ajudando as pessoas a parar de fumar. A experiência comprova que é muito difícil que uma pessoa dependente de nicotina consiga passar à categoria de "fumante social". A nicotina força a volta ao patamar do vício. A imensa maioria dos ex-fumantes que cai na esparrela do "cigarrinho de festa" acaba voltando ao consumo anterior. Melhor, se der MUITO desespero, fumar uns "cigarrinhos naturebas", de outras ervas não-viciantes, que se pode encontrar em lojas de produtos naturais (não estou falando de marijuana, apesar de que também serve, pra quem gosta, hehe). No mais é MUITA água, fruta, exercícios e, se possível, beijo na boca. Ocupar a boca (balinhas e cia), as mãos (vale até tricô) e a cabeça (meditação ajuda muito) com coisas BOAS. Você vai ver que a vida oferece prazeres bem maiores que uma tragada. Querendo mais informações sobre tabagismo, manda um e-mail que eu te passo o que sei. Escrevi inclusive um texto comparando parar de fumar a terminar um namoro ruim. É uma situação análoga, cheia de "contras", mas os "prós" compensam amplamente.
Força aí. O pior da síndrome de abstinência, os primeiros dias, você já passou. Agora é manter o rumo firme. Você consegue.
Um beijo.
(ah, agradecidíssima pelo comentário lá, viu? adorei.)
christiana em abril 14, 2005 1:28 PM
#24
A Christiana parece entender do assunto: ocupe as mãos e a boca com otras cositas...Força aí, Professor, o pior já passou.
Viva em abril 14, 2005 2:08 PM
#25
Idelber,
A turma do AA diz que "a recaída não faz parte da sua programação, mas faz parte do vício". Isso quer dizer que você vacilou, sim, mas não por falta de determinação ou coisa que o valha. Fumou porque é fumante. Ponto. E quer deixar de ser fumante. Um novo Parágrafo.
Recomece, compadre. De cara limpa e aprendendo com Svevo. Realmente, você estava tão tranquilo que fumou pra celebrar sua libertação do vício.
Abração. Artemus
Artemus em abril 14, 2005 2:26 PM
#26
Pois é, muito louco esse papo do vício reproduzir-se a partir da crença de que foi superado. Falo com a experiência de quem parou há um ano, e depois de quatro meses passou a fumar um eventual e inofensivo 'semedão', para depois de uns dois meses já estar queimando a mesma média de 20 cigarros por dia de antes do Dia D (está tudo relatado lá no meu blog).
A gente encontra por aí montes de informação e de artifícios mais ou menos eficazes para parar de fumar. O mesmo não se pode dizer sobre como continuar sem fumar, questão que, arriscaria dizer, pouco tem a ver com a anterior, e que é muito pouco abordada. No site da UNESP pode-se ler um trabalho da Unversidade Estadual de Nova York com o sugestivo nome de 'Guia para continuar livre do fumo'. Não que seja a resposta definitiva para um problema tão multifacetado, mas com certeza vale uma visitinha, especialmente ao capítulo com o título não menos sugestivo de "O que acontece se você fumar 1 cigarro".
Tabac em abril 14, 2005 3:12 PM
#27
E quanto aos charutos? Fumar não deve ser vício, apenas prazer. Não consigo conceber aqueles que fumam logo que acordam ou acordam para fumar. Fumar é hábito noturno, acompanhado de boa bebida, sempre. Na solidão o charuto é bom companheiro, já na mesa do bar o cigarro é essencial.
Roger em abril 14, 2005 4:06 PM
#28
Só quero discordar de uma coisa... Às vezes, as patrulhas têm uma função importante. Mesmo com todas as placas de Proibido Fumar, muita gente no Brasil desrespeita a lei e a saúde dos outros fumando em elevadores, ônibus, restaurantes e escritórios fechados. Eu já passei por uma situação em que fiquei uns 3 anos sofrendo com colegas fumantes no trabalho que não respeitavam isso, o cheiro ficava insuportável, você que vem da rua e entra no escritório, sente que o ar ali é completamente insalubre. Demorou para aparecer um chefe que atendesse aos clamores dos não-fumantes sufocados. Tenho certeza que isso took a toll nos meus pulmões. Aliás, a mãe de uma amiga minha que nunca fumou, mas era casada com um chaminé, morreu de câncer no pulmão por causa de second-hand smoking. Portanto, as leis que proíbem o fumo em locais fechados não existem para discriminar pessoas, mas sim para proteger a saúde de todos. Os fumantes têm o direito de intervalos para fumar do lado de fora, ou podem esperar saltar do ônibus para acender o cigarro na rua. Já quem fica preso dentro de uma sala com um fumante, não tem opção de parar de respirar. Beijos,
Leila em abril 14, 2005 4:56 PM
#29
"Coincidência" (ou não), estava preparando um post de uma "campanha anti-fumo" !!! Pena que não tenho muitas informaçõos sobre a mesma !!! Mas tenho as imagens, até "divertidas" de se ver... mas c/ certeza, péssimas de se "conviver" (fumo) !!! Logo mais posto por lá !!! Grande abraço...
Reinaldo em abril 14, 2005 6:33 PM
#30
Minha intenção não é policiar, mas sim, ajudar. Não sei como você encontra tempo para fumar.Dos livros que você lê dá pra tirar uma força para abandonar esse vício, mas em algum outro há aquele diabinho que não lhe deixa sozinho. Ouça seu anjinho.
Elifas em abril 14, 2005 7:28 PM
#31
Idelba, meu amigo, não comento sobre cigarro. Nunca consegui falar e tragar ao mesmo tempo. :0(
Roberta Febran em abril 14, 2005 8:34 PM
#32
Estou um pouquinho atrasada nas visitas aos blogs que ano; não sou como vc...minhas visitas são restritas. Mas passei para avisar, está no luz de hoje. Vai lá ver o estrago! Beijus, Luma
Luma em abril 14, 2005 9:19 PM
#33
Talvez não tenha a mesma importancia do Sartre, mas Fernando Sabino certa vez escreveu que "parar de fumar é fácil: eu já parei umas quinhentas vezes."
Sexta à noite: um charuto
sábado: um charuto
domingo:...
Ciao
Allan em abril 14, 2005 10:00 PM
#34
Muito obrigado a todos, recomendações todas lidas com carinho, cuidado: links seguidos (valeu Tabac), sugestões anotadas (obrigado, Christiana), válvulas últimas de escape ao desespero consideradas (obrigado, Púrpura) reflexões incorporadas ao pensar (obrigado, Artemus).
Allan, obrigado pelo apoio. A frase que você cita foi proferida por Mark Twain, algumas décadas antes de que nascesse Sabino.
Abraços a todos, não posso responder individualmente porque estou terminando um longo post sobre o caso Grafite-Desábano.
Idelber em abril 15, 2005 4:46 AM
#35
Você tem que deixar de fumar num dia fora da sua rotina.
No primeiro dia de uma viagem [ainda mais se longa], quando você for para outro lugar, ou resolver escalar árvores no parque, o que for.
mas tem que ser num dia sem rotina.
abs
Cesar Senatore em abril 15, 2005 12:48 PM
#36
Curiosidade, Idelber, o Olavo de Carvalho tambem é viciadasso em nicotina. Pelo menos alguma ele e o Sartre têm em comum...
João Coelho em maio 26, 2005 12:38 PM
#37
Estamos querendo parar de fumar juntos pois trabalhamos na mesma sala. Isso funciona?
Luiz Henrique e Lívia em agosto 29, 2005 6:26 PM