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quinta-feira, 21 de abril 2005
Hora de JazzFest

Crawfish season: Entre as muitas especialidades de Nova Orleans, está esse crustáceo, o crawfish. Estamos no auge da estação do bicho. A brasileirada de Nova Orleans fez nesta quarta seu crawfish boil – uma cozinhada num panelão, onde a gente se reúne em volta da mesa e vai descascando e comendo. A carne tem gosto de siri mole e a cara da coisa é de lagosta, só que um pouco menor (sobre o que é mesmo um crawfish e onde mais neste planeta ele existe, haveria que se consultar a Lucia Malla). Os desta quarta estavam imensos, tamanho de lagosta mesmo. O boil é comida popular, coletiva, compartilhada. É uma marca da primavera de New Orleans, essa reunião em volta da mesa ao ar livre para descascar o bicho. A anfitriã da noite foi a paraibana Suy-Anne, legendária festeira aqui no Golfo no México. Valeu.
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Na discussão sobre as ofensas racistas a Grafite (que depois se ampliou em debate sobre o racismo e sobre medidas paliativas como as cotas), este blog foi linkado em dezenas de outros blogs brasileiros. Muito obrigado. Agradeço muito em especial o link e o elogio de Cora Rónai, que literalmente dobrou o leitorado no Biscoito nesta segunda, leitorado que já havia crescido à beça nas últimas semanas. Cora move montanhas, não há dúvidas. Hiperbolizaram na generosidade Rafael Galvão e Tiagón.
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JazzFest é a outra marca da primavera em Nova Orleans: música, em tempo integral, num hipódromo, com 15 palcos simultâneos, de 11 as 20 h, quinta a domingo, duas semanas seguidas: um mega festival, de peso mesmo. Difícil pensar um gênero de música popular norte-americana que não esteja representado nele. Além disso, muita música de fora. É a única época do ano - além do aniversário dos meus filhos - que é sagrada, não se marca nada. Dentro de Tulane e do nosso departamento, é rigorosamente proibido programar defesa de tese ou qualquer coisa para a época de JazzFest. Aguardem resenhas e, quem sabe, umas fotos. Dentre as dezenas de atrações, destaca-se a reunião dos legendários Meters.
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Blogai e multiplicai, môs fios!
Diz a escritora Fal: Blogues são um excelente negócio pros solteiros (aiai, e pruns casados suicidas tb - ou não, quem sou eu pra julgar), o fato é que o que tem de nego namorando-entre-si não tá mole, cada dia um casal mais fofo se junta no virtual, no real, é um tal de templete pra cá, recado cifrado pra lá, post secreto e hermético para os não-iniciados aqui e ali, os blogues tão virando umas salas de bate-papo de namoro. O post completo é esta maravilha aqui.
Aqui no Biscoito é permitido que os comentaristas namorem entre si. Intentos de paquerar o blogueiro serão analisados caso a caso. Um texto quilométrico com pseudônimo e email falso é um péssimo começo, com certeza. Como sempre, mantém-se a regrinha de desnecessária lembrança para 99,5% dos leitores: o que eu achar abusivo aqui, por qualquer motivo, eu apago. Mensagens quilométricas são aceitas - eu optei por não estabelecer limite de caracteres - mas só sobre o tema em pauta.
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Estreou com pé direito o novo projeto coordenado pelo Nemo Nox: Casa das Mil Portas, umas maravilhas de minicontos com vários blogueiros. Vale conferir.
Tenho lido direto e já linkei: Idiossincrasia e o grande escritor Cardoso. Realmente é um vício que vai se disseminando de forma incontrolável.
O selinho gentilmente feito pelo Mauro Amaral para o Decálogo dos Direitos do Blogueiro continua circulando por aí. De novo meu muito obrigado ao Mauro e ao Nemo Nox, autor do layout deste Biscoito. 
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Meu muito obrigado a Williams College pela hospitalidade neste domingo-segunda, especialmente à prof. Jennifer French, organizadora dos eventos. Acho que as palestras agradaram. Williamstown é bem pequeninho (fica no oeste de Massachussetts, ponta que se encontra com pontinha norte do estado de Nova Iorque), mas tem, como várias dessas cidadezinhas pequenas no nordeste dos EUA, um super college. Dado seu bom clima no verão/outono/primavera, muita gente se aposenta e vai prá lá. Os aposentados vivem da programação cultural da universidade, claro, a única que há. Pois bem, chego para dar a palestra de encerramento de um evento sobre música e, da platéia de 35 pessoas, pelo menos 25 tinham uns 70 anos ou mais! Audiência geriátrica total. Dez anos de palestragem e nunca havia visto coisa igual! Obviamente fiquei muito feliz com esse completamente inaudito e inédito público, mas acabei deixando para lá o ensaio que eu planejava ler sobre Chico Science e improvisei uma coisa mais geral. Valeu, e no final, os velhinhos já levemente saculejavam os esqueletos ao som de Rios, Pontes e Overdrives. Na segunda palestrei sobre violência para um público bem maior (uns 50), todos professores e alunos, aqueles brilhantes, estes últimos bem espertinhos. Muito bom. Só que o povoado fica a uma hora do começo do caminho para qualquer outro lugar.
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Inspirado nas Mineiras, Uai!
Custo do satélite que permite a recepção da Rede Globo de Televisão nos Estados Unidos: 250 dólares.
Custo do pacotão mensal de TV a cabo que inclui a Globo nos EUA: aproximadamente 50 dólares.
Ver o time do ex-Ipiranga adentrando o Mineirão de salto alto, achando que já era campeão e tomando uma traulitada dos meninos do vale do aço: não tem preço.
Salve o Ipatinga, campeão mineiro de 2005. Essa obviamente nós não previmos.
Escrito por Idelber às 02:35 | link para este post
| Comentários (24)
#1
Grande Idelber! Crawfish eh o brasileiro lagostim. Em geral, de agua doce, mas a confusao da taxonomia permite que algumas especies proximas de agua salgada tenham o mesmo nome popular. Existe no mundo praticamente todo. ;-)
E eu daria tudo pra estar nesse JazzFest. Deve ser muito bom!! Quem sao os "convidados" deste ano?
Bjs.
Lucia Malla em abril 21, 2005 4:40 AM
#2
Estava achando muito estranho, nenhum comentário sobre a final do Mineiro...mas é claro que não ia passar batido...E eu estava lá, vi tudo, ao vivo e em cores. E olha, verdade seja dita, ninguém entrou de salto alto, entrou de pé quebrado, mesmo !!!
Um abraço
Fefê em abril 21, 2005 8:18 AM
#3
Os lagostins não me enchem os olhos. Do mar só peixe mesmo. A ocasião, reunir-se ao redor de uma mesa e bater papo é que seria muito bem aproveitada :)
Já o JazzFest realmente me deixa com uma pontinha de inveja.
Obrigada pela citação, pelo link e pelas palavras sempre tão gentis. Já está avisado que meu ego não sabe o seu lugar, então cuidado :)
Abras
Daniela em abril 21, 2005 9:56 AM
#4
Ola´, Idelber, tô voltando aqui depois de um tempo sem visitá-lo (por uma absurda falta de tempo em dias absurdamente corridos) e já me deparo com uma notícia legal:"Aqui no Biscoito é permitido que os comentaristas namorem entre si."
Quer dizer que agora eu posso aproveitar tua caixa de comentários pra dar em cima de tuas leitoras? Dessa eu gostei.
Abraços,
Ismael Grilo em abril 21, 2005 10:13 AM
#5
Hoje de manhã mesmo eu ouvi na NPR uma matéria sobre o JazzFest e o Meters, banda funk pioneira.
Sobre os namoros entre blogueiros, estou por fora, não conheço nenhum desses casais, nem declarados nem cifrados! Mas eu entendo bem como isso pode acontecer, até porque muitos de nós, que derramamos a alma ao escrever, não temos o mesmo talento ou coragem de nos expressar em pessoa, olho no olho. A intensa troca de idéias via e-mail ou blog pode gerar uma admiração profunda entre duas pessoas. O problema é que, na hora do relacionamento real e ao vivo, no rame-rame do dia-a-dia, é preciso muito mais que afinidades de pensamento.
Leila em abril 21, 2005 10:50 AM
#6
Lucia: então crawfish existe no mundo todo? Isso para mim é notícia nova! Quanto ao JazzFest, a lista é infinita. Os links do texto trazem a programação completa: muito blues, jazz, rock, hip hop, música caribenha, africana, é o máximo.
Fefê: quer dizer que você foi até a Pampulha ver essa debacle? Meus pêsames! Quem sabe não está começando uma hegemonia do interior no futebol mineiro?
Daniela: de nada, você merece :)
Ismael: sim, pode namorar à vontade!
Leila: nas próximas semanas você verá cada vez mais matérias na imprensa dos EUA. É de muita repercussão, o festival. Quanto aos namoros, ah, menina, você está por fora. Há blogs por aí fervilhando de novos casais.
Como diz a Fal, blogai e multiplicai, môs fios.
Idelber em abril 21, 2005 1:12 PM
#7
É, estou mesmo totalmente por fora dessa panelinha, he he he.
não que eu faça parte dela, claro :) Só tenho minhas fontes e informantes, que como defensor da extensão dos direitos de jornalista aos blogueiros, eu mantenho em segredo...
Leila em abril 21, 2005 1:29 PM
#8
"caba" idelber. já disse, venho em teu caderno com uma cuia para carregar teus assuntos dias afora. olha indiquei você para uma corrente. um prurido de asa altiva. espie. abraços de despelar
mario cezar em abril 21, 2005 1:54 PM
Idelber em abril 21, 2005 1:56 PM
#10
Idelber, foi isso que eu quis dizer, que eu não tenho essas informações de bastidores... Nem estou naquela rede de MSN divertidamente descrita pelo LLL hoje...
Leila em abril 21, 2005 2:43 PM
#11
Por que os estudantes da palestra eram "espertinhos"?
Marcus Pessoa em abril 21, 2005 4:08 PM
#12
"Espertinho" soa péssimo, né? É o seguinte: apesar de uma certa, digamos, distância e frieza no começo, dado o caráter meio esquerdista do que se dizia na palestra, eles relaxaram e fizeram perguntas muito inteligentes. O diminutivo era também porque se tratava de um college, ou seja, o estudantado estava todo entre 17 e 21 anos.
Idelber em abril 21, 2005 4:24 PM
#13
Idelber, realmente a vitória do Ipatinga não era esperada por ninguém, por mais que vocês, atleticanos, estivessem torcendo por isso.
Aliás, como escrevi em meu sítio, em todas as finais entre pequenos e grandes, essa era a única em que era dada como certo a vitória do grande. Nas outras, os pequenos estavam em vantagem, com exceção do Rio Grande do Sul, onde a vantagem era colorada, mas não seria nenhuma surpresa se o 15 de Novembro revertesse.
No fim das contas, só o Ipatinga surpreendeu. E isso aconteceu, acredito, porque foi o único a jogar como franco-atirador. Os outros pequenos tinham o "peso" do favoritismo, e foram encarados assim pelos grandes que, no fim das contas, tinham mais qualidades técnicas.
Já em Minas, o título já era do Cruzeiro que, como você mesmo escreveu, entrou de salto alto. E deu no que deu.
Já em relação a namoro de blogueiros, acho que estou fora dessa. A não ser, é claro, que pare de escrever somente sobre futebol e cerveja, e comece a achar assuntos mais interessantes, que atraiam as garotas para o meu blog. Vai ser difícil...
Ricardo Antunes da Costa em abril 21, 2005 4:47 PM
#14
É isso aí, Ricardo. Agora, este blog previu corretamente, em fevereiro, quais seriam não só os campeões paulista, gaúcho e baiano, como paranaense também. Erramos Minas, Rio e Goiás por causa da rebelião dos pequenos. Abraços :)
Idelber em abril 21, 2005 5:01 PM
#15
No caso do Paraná, eu acreditava piamente que você iria errar. Perder o título pro CAPeta foi triste.
Ricardo Antunes da Costa em abril 21, 2005 5:49 PM
#16
Vixe Idelber, há quanto tempo você está nos Euá? Essa auto-tradução de smart boys pra "espertinhos" ficou bem ruinzinha, hehehe...
Marcus Pessoa em abril 21, 2005 9:04 PM
#17
Não havia reparado nessa possibilidade nos blogs ainda...
Mas é normal, né? Sendo um espaço em que divulgamos idéias e até nos expomos em demasia, não seria normal que alguns acabassem por encontrar suas almas-gêmeas? Ainda que no virtual.)
Grande abraço.)
Fernando em abril 21, 2005 10:35 PM
#18
Além de ler texto bom, ainda rola paquera. Vou entrar aqui todo dia!
RMax em abril 22, 2005 12:39 AM
#19
Agora sério, aqui no Brasil saiu uma matéria sobre jovens delinquentes brasileiros nos EUA. Tinha uma entrevista com a professora Ana Ramos Zayas que pesquisava o tema. Eu tentei encontra-la pelo yahoo mas, infelizmente, o e-mail da Universidade onde ela trabalha aponta como inexistente. Vc sabe algo dessa professora? Gostaria de ler algum artigo dela sobre o tema da entrevista. Um abraço, Roberto
RMax em abril 22, 2005 12:43 AM
#20
R. Max, de Ana Ramos Zayas eu conheço este livro, sobre porto-riquenhos em Chicago. A última informação que tenho é que ela ainda estava em Rutgers (seguindo esse link há um email). Dados sobre essa entrevista eu não tenho.
Idelber em abril 22, 2005 2:50 AM
#21
Idelber, eu tô ficando maluca tentando acompanhar esse seu ritmo: muitos assuntos ao mesmo tempo, muitos links, muita coisa pra ler e aprender!!! Mas estou cada vez mais viciada. Não sei como você consegue ler os 120!!!
O JazzFest me deu a maior inveja! Adoro música e esse clima de efervescência que, imagino, toma conta da cidade.
Sobre o namoro na net, se me perguntassem há uns meses atrás diria que é completa maluquice. Mas aconteceu com uma amiga minha: um grupo de comentaristas do blog que ela participava combinou um encontro e a partir daí pintou uma atração entre ela e um cara. Enfim, agora acredito que é viável. Espero que você não se arrependa de ter divulgado essa nova utilidade do Bscoito. Rsss. Em tempo: o blogueiro é suicida?
Melhor que degustar lagostins é reunir amigos queridos em torno de uma mesa. Tenho um grupo que se reune periodicamente para cozinhar e degustar vinhos. Não há restaurante que ganhe desses encontros.
Você vai estar na Casa das Mil Portas também? Achei o projeto genial!
E pra finalizar, que interessante deve ter sido falar para essa platéia de 3ª idade. Percebo que nos EUA os idosos são muito mais ativos que no Brasil. Talvez pelo fato de as aposentadorias serem decentes por aí. Abração.
Viva em abril 22, 2005 3:53 PM
#22
Não entrei nas polêmicas apesar de pensar sobre elas, porque o debate achei grande demais.. : )
Mas falo sobre este post, gostei dele, da variedade dos temas. A comida de New Orleans, um dia estive aí, só um dia e uma experiência inesquecível.E o Jazz Fest, ah, vontade de poder ir...gosto de jazz.
E o seu " examinar caso a caso" depois de comentar o texto da Fal...ri aqui
E as palestras gostei de ler sobre elas.
Beijos,
Silvia
ps: também acho tudo rápido demais. é intenso, por isso mais difícil ainda acompanhar. :)
Silvia Chueire em abril 22, 2005 11:11 PM
#23
Viva: o Nemo me convidou para as Mil Portas, ainda estou tentando escrever :) nunca na vida me arrisquei com ficção, nem mesmo micro. Mas quem sabe sai algo.
Silvia: que legal receber sua visita depois de tanto tempo! E quanto à rapidez e intensidade da coisa, tranquila. . . as coisas ficam aqui, sempre é possível voltar.
E espero que volte a sentir o gostinho de New Orleans outra vez. Quando quiser, estamos às ordens.
Abraços, :)
Idelber em abril 23, 2005 1:34 AM
Anonymous em outubro 27, 2005 10:37 PM