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segunda-feira, 11 de abril 2005

Literatura Argentina - Biblioteca Básica

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O amigo e escritor Milton Ribeiro pediu uma lista das 10 obras “fundamentais” da literatura argentina. Com a ressalva de que daqui a 24 horas a lista poderia ser outra, eu ofereço 15, que é o mínimo ao qual eu consegui enxugá-la. É uma combinação entre textos indispensáveis e os melhores. Adoto o critério de só incluir livros publicados até 1970. Os últimos 35 anos seria outra lista, já bem mais polêmica.

1.Facundo, o civilización y barbarie (Domingo Faustino Sarmiento, 1845) – Aqui começa a brincadeira, é o livro que inventa o país. Não é literatura propriamente dita. Sarmiento, o cabeça da oposição exilada europeísta-liberal (los unitarios), escreve a biografia do caudilho Facundo, precursor do chefe populista Rosas contra cujo governo (los federales, 1829 –1853) Sarmiento arma o projeto modernizante que o levaria depois à presidência. O livro, na realidade, enlouquece e vira tudo: além de biografia de Facundo e autobiografia de Sarmiento, é geografia da pampa, coleção de mitos, naturalismo científico, libelo político, história nacional, galeria de tipos da pampa. Lê-lo é começar a entender a Argentina. Aqui se fundam as oposições chave do país: civilização x barbárie, vanguarda x populismo, ficção x realidade, liberalismo modernizante x caudilhismo populista.

2. La cautiva / El matadero (Echeverría, 1837) - também parte da turma liberal exilada, de oposição a Rosas, que funda a literatura nacional, Echeverría deixa duas obras literárias chave: La cautiva, poema narrativo que inventa a figura do “bárbaro” e El matadero, narrativa de um linchamento de um bom liberal por uma turba de federales bárbaros, sujos, popularescos. Com este último texto o liberalismo argentino antecipa o naturalismo sanguinolento do final do século e inventa a figura da massa assassina, da turba sádica.

3. Amalia (José Mármol, 1851) – última das grandes obras de oposição a Rosas, Amalia é, na minha opinião, o mais interessante romance escrito no Rio de Janeiro pré-Machado de Assis (fãs de José de Alencar, poupem este blogueiro). Ao contrário da narrativa romântica brasileira, Amalia, do exilado Marmol, não é um romance redondeado, certinho. É um enlouquecimento de 600 páginas que conta a história de dois casais de jovens liberais lutando contra o regime e tentando viver amores impossíveis. A estrutura é interessantíssima e mistura panfletos políticos, nomes reais, descrições científicas, panegíricos. A coisa não flui dialeticamente, é uma sucessão abrupta de descontinuidades. O final é doloroso, intenso, melodramático.

4. Martín Fierro (José Hernández, 1872 e 1879) – este para quem não maneja o castelhano há algum tempo é ilegível no original. Ignoro se há tradução pindorâmica. Culminação e morte do gênero da poesia gauchesca, que narra as aventuras e desventuras dos gauchos, espécie de cowboys habitantes nômades da pampa. Essa literatura emerge, claro, quando já não existem, realmente, mais gauchos na Argentina. A obra de Hernández fecha o gênero em duas partes. Em 1872 o gaucho ainda é um herói outsider, viajandão, destemido. Em 1879 já virou bonzinho funcionário estatal, incorporado como carne de canhão ao exército que lutava as guerras de fronteira para exterminar os índios.

5. Don Segundo Sombra (Ricardo Guiraldes, 1926) - Particularmente não acho interessante, mas é livro chave. Trata-se do gaucho revisitado 40 anos depois, como figura nostálgica, já sedentária e idealizada. Escrito no castelhano mais castiço de sua época.

6. Ficciones / El aleph (Jorge Luis Borges, 1944 e 1949) – Bom, sobre ele suponho que os leitores do Biscoito sabem algo. É o homem que leva a literatura ao seu grau mais alucinante de auto-consciência, de brincadeira deliberada com sua condição de artefato inventado. Mundos impossíveis e geométricos, atribuições falsas, o acaso e necessidade confundidos, o universo transformado em biblioteca. Estes são seus dois melhores livros, sem dúvida, e neles estão todos os seus grandes clássicos. É o autor que eu mais releio.

7. Los siete locos / Los lanzallamas (Roberto Arlt, 1929 e 1931) – Também de Arlt incluo dois livros porque estes dois romances são na verdade um só, o segundo continua o primeiro. Pioneiro entre os filhos de imigrantes que acederam à literatura, Arlt rompe o círculo da literatura de “patrícios” e retrata prostitutas, gigolôs, ladrões, inventores, seitas bolcheviques ou fascistas, o caralho a quatro. Sistematicamente desmonta os próprios mecanismos de prestígio da literatura. Não consigo achar um equivalente no Brasil (não, nem Lima Barreto nem João Antônio servem, porque em Arlt há uma vibração da anedota que é muito forte). Vale a pena mesmo.

8. Museo de la novela de la Eterna (Macedonio Fernández, 1967) – Publicada postumamente nesta data, mas escrita ao longo de quase cinquenta anos, o Museo é, eu insisto, um dos 20 melhores romances jamais escritos no planeta. Quem já leu sabe do que estou falando. Macedonio era um velho molambento que se mudava de pensão a pensão com seu violãozinho, largando para trás montanhas de papéis em que escrevia (sem querer publicar) o romance no qual purgava o luto pela morte da mulher Elena (a “Eterna” do título). Ele leva ao limite o gesto da vanguarda, fazendo da espera pelo romance que nunca se publicará a história mesma que se narra. O resultado são cinquenta e tantos prólogos, onde se arma uma poética invencionista, anti-naturalista do romance. Além disso, brinca-se com a espera, reflete-se sobre a escrita, a literatura e a publicação, constrói-se a figura da mulher ausente e, pouco a pouco, ao longo de centenas de páginas e dezenas de anos, chega-se ao “romance” propriamente dito, que é muito mais curto que os prólogos, e no qual os personagens não parecem seres humanos, e sim seres de papelão, como que num conto de fadas. Acredite: não há nada neste planeta que se pareça a este livro. Se eu não tivesse um trabalho, dois filhos e um blog para cuidar, eu o traduziria ao português, por puro amor à causa. É o maior piadista da literatura argentina.

9. Adán Buenosayres (Leopoldo Marechal, 1948). Este é outro que quem não maneja o espanhol teria dificuldade para ler no original. Calhamaço de 700 e tantas páginas na linha simbólica de romance-modernista saga estilo Ulysses de Joyce, escrito por um autor identificado com o peronismo e portanto atacado e ignorado pela elite intelectual de sua época, Adán Buenosayres é um mergulho nos infernos urbanos, uma peregrinação dantesca pela angústia do poeta na cidade moderna. Romance de primeira.

10. Poemas (Alfonsina Storni) – Ao contrário de outras poetas mulheres como Norah Lange, ou narradoras como as Ocampo, Storni acede à escrita marginalizada não só como mulher mas também como membro de uma classe social “não-patrícia”, “não aristocrática”. Seus poemas de amor resvalam e incorporam o feminismo e a força da sua dicção desestabiliza as convenções poéticas do momento. Ainda hoje é de minhas poetas favoritas.

11. Zama (Antonio di Benedetto, 1956) – Narra, em linguagem finíssima, a aventura de um funcionário do império espanhol que espera sua transferência de Assunção a Buenos Aires. Claro que isso é só o pretexto. Benedetto consolida uma tradição na literatura argentina que dá voltas meticulosas a pequenos fatos da experiência. É a frase mais densa e sugestiva de sua época. Vejam do que falo: Y yo así, sin unos labios para mis labios, en un país que infinidad de francesas y de rusas, que infinidad de personas en el mundo jamás oyeron mencionar; yo ahí consumido por la necesidad de amar, sin que millones y millones de mujeres y de hombres como yo pudiesen imaginar que yo vivía, que había un tal Diego de Zama, o un hombre sin nombre con unas manos poderosas para capturar la cabeza de una muchacha y modelarla hasta hacerle sangre. É o romance do exílio perpétuo, pérola de lirismo.

12. Operación Masacre ou Cuentos (Rodolfo Walsh). Com o primeiro livro Walsh funda o gênero conhecido como literatura testemunho, relatando com rara potência o massacre de militantes trabalhadores depois da derrocada do peronismo em 1956. Trata-se de um livro fundamental para a história da literatura, do jornalismo e da imprensa no país. Mas os meus favoritos são os contos, com os quais Walsh consolida a rica literatura policial da Argentina.

13. Contos (Silvina Ocampo) - fundadora da mais importante revista literária da elite argentina da primeira metade do século, Sur, amiga de Borges e peça chave na articulação do bloco literário hegemônico do seu momento, Silvina Ocampo é uma hábil manipuladora dos códigos do relato fantástico.

14. Contos, especialmente Bestiario e Final del juego (Julio Cortázar) – de Cortázar nós falamos a semana inteira, não há mais o que dizer. Alguns de seus contos tardios são chatíssimos. O livro que produziu mais impacto foi Rayuela (O Jogo de Amarelinha, 1963). Mas o que realmente ficou são esses livros de contos.

15. En estado de memoria (Tununa Mercado, 1990) Minha única exceção à regra de não incluir textos pós-1970. Em parte por que amo este livro, em parte porque tenho uma tradução inédita dele ao português que posso oferecer (com autorização da autora) para quem quiser ler. É o relato autobiográfico de uma mulher casada que se exila no México durante a ditadura e que começa, de forma ao mesmo tempo íntima e distanciada, revisitar sua trajetória, sua história política, sua relação com a análise. Texto de uma finura incomum. Quem quiser lê-lo em português, na tradução ainda inédita deste blogueiro, é só passar um email.

Pronto, taí, com a exceção de Tununa, os 15 livros fundamentais de 1837-1970 na Argentina, na minha opinião. Agora, quem serão os leitores maravilhosos e colaboradores que confirmarão, onde for, quais desses livros estão disponíveis em português? Borges, Cortázar e Arlt eu tenho certeza que estão. Tununa, di Benedetto e Macedonio eu tenho certeza que não estão. O resto é com vocês.



  Escrito por Idelber às 03:47 | link para este post | Comentários (35)


Comentários

#1

A Argentina tá aqui pertinho... e eu quase nada li de sua literatura e pouco sei de sua história. Depois a gente reclama dos "estrangeiros" que não conhecem o Brasil! O vizinho tá logo ali e a gente nem sabe seu nome. Seus últimos posts me alertaram para ampliar o círculo de leituras, incluindo os vizinhos argentinos.

Cláudio em abril 11, 2005 5:22 AM


#2

Fico muito feliz de ter a minha tataravó entre os teus favoritos! Como membro da família Storni sou meio suspeita para dizer que adoro as poesias da Alfonsina, mas vindo de vc...
Grande beijo. Vou "viajar" mais um pouquinho nos links do post.

Alline em abril 11, 2005 7:09 AM


#3

Muito obrigado, amigo Idelber. Quanto livro que não conheço! Vou imprimir este post. Grande abraço.

Milton Ribeiro em abril 11, 2005 7:42 AM


#4

Quando vi o comentário do Milton, fiquei na expectativa. Lista devidamente armazenada no micro para ser aproveitada nos próximos meses!

Abraço! :)

Gejfin em abril 11, 2005 7:46 AM


#5

Valeu Idelber, dos que você citou so tinha lido o Martin Fierro e o Aleph, agora vou dar uma olhada no resto, belas dicas. Beijos para ti.

Ana Lucia em abril 11, 2005 8:23 AM


#6

A maioria eu não conheço. Alguns já tinha ouvido o nome. Lidos mesmo só o Borges e o Cortázar. Dei uma olhada rápida na Livraria Cultura e achei em português:

Facundo, Editora vozes, 42,00

Martin Fierro, Editora Martins Livreiro, 38,00, bilíngüe

Dom Segundo Sombra, Editora LP&M, 15,50

Guto em abril 11, 2005 8:32 AM


#7

Ufa!

De tempos em tempos é muito bom uma patada na cara para nos lembrarmos de como pode ser grande minha ignorância.

Só conheço Borges e Cortázar, e mesmo assim não sou nenhum leitor assíduo destes autores.

A faculdade de Medicina e os 4 anos de especialização consomem um tempo que, em uma situação diversa de vida, certamente teriam sido aproveitados para leitura destas e tantas outras obras que se enfileiram em minha cabeça e também na prateleira ao lado.

Tenho comprado mais livros do que consigo ler.

As cores e os cheiros da biblioteca me encantam, mas o prazer que está dentro dos livros é limitado pela minha capacidade de gerenciar meu tempo.

Chego lá. Confie em mim.

Rafael Reinehr em abril 11, 2005 9:36 AM


#8

Já salvei aqui e vou procurar um por um.

Donizetti em abril 11, 2005 9:47 AM


#9

O Claudio tem razao. Eles estao aqui do lado e muitos de nos nao estao nem aih.
Dos qeu voce citou, so li Borges e Cortazar. Vou salvar e procurar com calma. Obrigada pelas dicas.
PS: Meu comp foi pro estaleiro e estou tendo que usar este tablet PC nao configurado :(( Por isto estou sem acentos.

Viva em abril 11, 2005 10:13 AM


#10

Desafortunadamente, no puedo escribir en portugués ni en portuñol siquiera, pero quiero contribuir a la cadena de amistad nucleada alrededor del blog de este tipazo, Idelber. Este año me deparó la suerte de conocer a dos pro-hombres brasileños, Ismael Xavier y el bloggero que nos honró con su presencia en Rutgers. Disfrutamos mucho tu compañía y esperamos volver a verte cuanto antes. Un abrazo.

fredy intersimone (alfredo) em abril 11, 2005 11:10 AM


#11

Ah, una addenda. Entusiasmado por la efusión sentimental, me olvidé dejar mis comentarios sobre la interesante lista de Idelber. Si alguien está interesado en reducir la lista a los diez mejores libros (no los más influyentes o históricos), en mi humilde opinión habría que empezar retirándolo a Arlt, al menos por el momento (después podemos seguir con otros). Para mí, el mejor libro de Cortázar es Final del juego, no mencionado por el sagaz Idelber. En cuanto a la literatura desde los 70 hasta ahora, para una posible cápsula del tiempo que encierre los mejores libros de estas décadas, yo incluiría El informe de Brodie (publicado en 1970, si mal no recuerdo), La novela de Perón de Tomás Eloy Martínez y Cuentos, muchos cuentos, de un genio desconocido, inadvertido, marginalizado por la "altä" cultura argentina, elitista, académica, de estos últimos años. Me refiero a Roberto Fontanarrosa.
TAmbién hay una cuentista joven de la cual perdí la pisada hace ya varios años (no debe ser tan joven ahora), Laura Ramos, quien escribió dos libros de cuentos muy buenos: Buenos Aires me mata y Ciudad Paraíso.
Basta de pedanteria, premios y metafixiones, a leer a Fontanarrosa y Ramos. Y alguien que no es considerado parte de la literatura, pero que creó muchos, muchísimos libros, y cuya genialidad lo hace merecedor de un Nobel (o tal vez no, le quedaría chico). Propongo comenzar a incluir la obra total de Quino (Mafalda incluida) en la literatura, y considerarlo uno de los autores claves de la Argentina del siglo XX (y ojala que por muchos años del XXI). En este sentido, podria reemplazar a Arlt. A ver qué les parece esto. Un saludo.

fredy intersimone (alfredo) em abril 11, 2005 11:22 AM


#12

Olá Idelber.
Puxa... vc não falou de Final del juego. Adoro a maioria dos contos de lá: Continuidad de los parques, La noche boca arriba, Axolotl, Final del juego, e muitos mais...
Queria aproveitar para convidar o senhor para participar com artigos ou comentários na www.cronopios.com.br
Obrigada
Susan Blum

Susan Blum em abril 11, 2005 11:23 AM


#13

Belo post,menino! Borges e Cortázar,já conhecia. Turuna Mercado,no seu Alegorias. Sim, há uma adaptação pindorâmica do José Angeli para José Hernández , A saga do gaúcho Martín Fierro , da Scipione, numa série destinada aos jovens. Bjos,

Cipy em abril 11, 2005 11:36 AM


#14

Corrigindo: Tununa...hehehe

Cipy em abril 11, 2005 11:47 AM


#15

Mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa! Esqueci de Final de juego! Perdão, a lista foi feita às 4 da matina. Susan e Fredy têm toda a razão, nesse livro estão alguns dos melhores contos de Cortázar. Com Cortázar é aquele negócio: leia tudo o que o cara escreveu até 1966-67, dê uma sapeada no que fez depois.

Susan: muito me honra o convite, obrigado; combinemos uma colaboração minha sim. Com um prazo razoável dá para fazer.

Alline: que fantástica essa história de você ser tataraneta de Storni; adorei! O escritor Sergio Chejfec, que me hospedou em New Jersey, manda dizer que foi aluno do seu avô! Como dizem os mineiros, êta mundo pequeno!

Fredy: no hay nada que disculpar, yo te agradezco, por ayudarme mantener la caja de comentarios bilingue. Tenés mi total apoyo para incluir a Quino en el canon de la literatura argentina. Y gracias por las sugerencias de 1970-2005, ya haremos una lista de los textos de ese periodo. Estoy de total acuerdo en cuanto a Fontanarrosa! Gracias y volvé siempre.

Grande Guto: muito obrigado por checar a existência de traduções de Facundo, Dom Segundo Sombra e Martín Fierro (este último eu pagaria para ver como traduziram).

Cipy: então quer dizer que há até adaptação para jovens? A história já circulou mais que eu imaginava no Brasil então.

Abraços a todos os demais amigos.

Idelber em abril 11, 2005 11:52 AM


#16

Há querido...é uma série interessante, com adaptações de grandes obras para a garotada ( Reencontro). Bjoca,

Cipy em abril 11, 2005 11:54 AM


#17

Obrigada pela AULA, Idelber, e aproveitando o comentário do Cláudio, eu acho que em boa parte a nossa ignorância sobre a cultura hermana vem do total desinteresse da mídia brasileira e dos nossos editores. Sei que a literatura brasileira merece o maior destaque nos nossos cadernos culturais e livrarias, mas que eu saiba, os demais best-sellers no Brasil são em grande maioria traduções da língua inglesa. Acho, também que os jornais brasileiros deviam usar mais seus correspondentes na América Latina com matérias de comportamento e cultura, e não só quando rola um golpe de estado, guerra, crise econômica ou eleição presidencial.

Leila em abril 11, 2005 1:25 PM


#18

faltou PREGUNTA AO PO, de don dieguito maradonna.

Biajoni em abril 11, 2005 1:32 PM


#19

faltou PREGUNTA AO PO, de don dieguito maradona.

Biajoni em abril 11, 2005 1:32 PM


#20

Ni loca lo sacaría a Arlt, pero si vale seguir agregando, no puede faltar Adolfo Bioy Casares (amigo de Borges y casado con Silvina Ocampo), de quien pondría por lo menos la novela El sueño de los héroes, de 1954. Fredy suele afirmar que un mal de ciertos narradores argentinos contemporáneos es la pedantería (más adelante, habrá que profundizar un poco sobre esta tesis). Yo agregaría que la lectura de Bioy es la cura a ese mal.
Y de paso, recomiendo la lectura de "La fiesta del monstruo", de Borges y Bioy, no por bueno, tampoco por imprescindible, pero sí al menos porque es fundamental para trazar continuidades en la historia de la literatura argentina. El cuento es una continuación de El matadero de Echeverría. La masa, la turba asesina, los bárbaros, ya no son los federales sino los muchachos peronistas. Nada de pedantería en este cuento, pero clasismo a montones.

Julieta em abril 11, 2005 5:19 PM


#21

Julieta, yo tampoco sacaría a Arlt. Y el argumento de que ha tenido menos influencia que alguno de los demás, bueno, es cierto, pero menos cierto hoy de lo que era hace algunas décadas. Cada vez más escritores argentinos lo mencionan como una influencia fundamental.

Es cierto que faltó el ilustre marido de Ocampo. Si yo hubiera tenido 16 cupos lo hubiera incluido a él, pero no sé si El sueño de los héroes o La invención de Morel, que también me gusta mucho.

Y también incluiría "La fiesta del monstruo", desde luego, aunque para un brasileño sería complicado entenderlo. Y la lista va creciendo...

Idelber em abril 11, 2005 5:35 PM


#22

Julieta, también faltó el El Fiord, de Osvaldo Lamborghini, publicada en el 1969. Texto clave también....

Idelber em abril 11, 2005 5:59 PM


#23

Tou com o Biajoni, da mesma coleção Maradona:
"Do pó viestes e ao pó retornarás"

:-)
Abs.

Fábio S. em abril 11, 2005 7:33 PM


#24

Mas tá muito chique isto daqui!

"Chique no úrtimo" como diziam em uma novela tempos atrás...

Dá até vontade de aprender um espanhol decente para não me trumbicar!

Rafael Reinehr em abril 11, 2005 8:49 PM


#25

El Fiord: obra clave, sí, tenés razón. Pero usando el léxico escatológico del texto, me permito agregar: es una cagada, ilegible. Sin conocer toda la obra de Lamborghini, diría que lo mejor de él es su cuento largo o nouvelle La causa justa.

Julieta em abril 11, 2005 8:57 PM


#26

caríssimo idelber
espero que você tenha consciência de que agora você não tem outra opção senão publicar a lista dos livros pós-1970. :)

Rei Açúcar em abril 11, 2005 9:26 PM


#27

Vixe, Rei, essa é mais complicada, sacumé, os autores estão vivos, com alguns já trombei, em alguns já dei trombada, é complicado... Vamos ver...

Julieta, también a mi me gusta mucho La causa justa ... También se podría meter los Tadeys. Hablando de autores ilegibles desde otros países, creo que Lamborghini sería el más resistente de todos. Algo de relación con la Argentina tenés que tener para leerlo, si no resulta difícil, ?no?

Idelber em abril 11, 2005 9:54 PM


#28

Vou enviar um e-mail, gostaria de de ler En estado de memoria (Tununa Mercado, 1990)
Obrigada.

Tânia Barros em abril 12, 2005 9:41 PM


#29

Hola Idelber, gracias por tu visita y tu comentario. Te escribo en castellano porque mi portugués, a pesar de mi apellido, es triste. Leo la lista destinada a tu amigo, y se me ocurre que hay un gran ausente pensando en literaturas anteriores al setenta: José Bianco. Publicó en la década del cuarenta dos novelitas asombrosas, Sombras suele vestir y Las ratas, que ya debes conocer. A la vez, se me ocurre que a Storni podrías trocarla por cualquir libro de Olga Orozco y/o Enrique Molina, o, desde luego, cualquiera de Oliverio Girondo.
Va un gran abrazo desde Buenos Aires

Oliverio

oliverio coelho em abril 12, 2005 10:20 PM


#30

Hola Oliverio, gracias a vos por la visita y por las indicaciones; no, la verdad es que sobre José Bianco no había tenido más que unas referencias, no conozco las novelas. Las buscaré. La poesia de Girondo siempre me gustó, especialmente la más tardía, más alucinada; no lo metí por pura casualidad. Orozco también, siempre me ha gustado.

Ya me está llegando por correo tu primera novela, Tierra de vigilia. Abrazos,

Idelber em abril 13, 2005 4:06 AM


#31

Hola Idelber, estoy emocionada hasta el estupor por tu inclusión de En estado en tu lista. No sé nada de ti hace tiempo. Mándame tu dirección postal. No me olvido de nuestro primer encuentro. De ahí surgió la idea de llamarte "Príncipe", mi príncipe, que inauguró una lista (otra lista...) de varios queridos y queridas lectoras que me han, en cierta manera, modelado, que hacen lo que soy. Muchos besos. No sé si para comunicarte por este medio tengo que tener "site". De todos modos envío estas líneas

Tununa Mercado em maio 9, 2005 1:31 PM


#32

Otro más: entré por azar a tu sitio. Buscando un texto en inglés para enviarle a un amigo que no habla español, que le diera una idea de mí. A propósito: salió mi últimolibro. "Yo nunca te prometí la eternidad", en Planeta, hace una semana. Más besos


Tununa, !qué emoción recibir tu visita! Ya te mandé un email. Felicidades por el nuevo libro, ya saberás de mis ganas de leerlo. Estaré en Bs. As. en agosto, te buscaré. Veámosnos. Mil besos .

Tununa Mercado em maio 9, 2005 1:33 PM


#33

Existe, sim, uma edição do Macedonio Fernández em português, publicada pela editora Imago, em 1998, sob o título: "Tudo e Nada", na qual consta o "Museo de la novela de la Eterna", além de outros textos do autor. Por sinal, uma excelente seleção!

Renata Pimentel em julho 3, 2005 11:46 PM


#34

Idelber,

O livro de Oliverio Coelho é ótimo, "Tierra de vigília". Apesar de meu pseudônimo estranho, sou amigo dele e incluiria certamente nos melhores livros de autores contemporâneos, pós 70.

Um abraço

c!b3r5urtad0 em agosto 15, 2005 8:55 PM


#35

Sou jornalista e preciso de informações sobre a novela El renacimiento de Lorenzo F. Aristarain.

Grato.

Lui Fagundes
MTb 38.551

lui fagundes em novembro 11, 2005 12:46 PM