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sexta-feira, 15 de abril 2005

Sobre a ofensa racista a Grafite, a prisão de Leandro Desábato, o racismo no futebol e as trapalhadas de Agnelo Queiroz

argentino-preso-2.jpg

Quilmes e São Paulo jogaram anteontem em São Paulo pela Libertadores. O jogo da Argentina havia registrado agressões racistas aos jogadores negros do São Paulo, pelas quais o clube cervejeiro argentino desculpou-se numa carta enviada ao Tricolor que, por sua vez, devolveu ao Quilmes um aceite do pedido de desculpas. Tudo isso antes da peleja de anteontem.

Aí a coisa aconteceu pela segunda vez, desta feita em território pindorâmico: Leandro Desábato xingou mais de uma vez, com epíteto racista. Grafite, que foi expulso do jogo por reagir com agressão, apresentou queixa. O delegado Dr. Nico, depois do jogo, acatou e prendeu Leandro. O argentino já passou duas noites em cana e deve ser liberado depois de fiança nesta sexta. Não se sabe quanto tempo terá que ficar em território brasileiro para trâmites legais. O crime de racismo é inafiançável no Brasil, mas Leandro foi enquadrado em crime de injúria com agravante em discriminação racial, este sim, fiançável.

O evento ocupou a página de esportes da Folha, do Globo e foi notícia no New York Times. Já é, sem dúvida, um caso que estabelece precedentes.

Como acontece sempre que uma vítima de racismo busca amparo legal, alguém tem que dizer um absurdo, e dessa vez quem se prestou a isso foi Marcelo Tas que, mal iniciado o desenrolar do episódio, falou de "tempestade em copo d'água" e decretou que acusar o argentino de racismo como se o cara fosse um Hitler, pra mim passou do ponto. A partir daí, Tas passou a ser esmigalhado pelos seus próprios leitores, por ter tão monumentalmente perdido a oportunidade de ficar calado.

Eu jogo futebol. Há uma diferença enorme entre dizer coisas como negão, maneire na caixa de ferramentas ou você quer sair na porrada, nêgo? e chegar na cara de um ser humano e dizer negro de mierda ou negrito ou negro safado, especialmente num contexto onde, na partida anterior e conforme admitido em carta de desculpas do Quilmes, já havia rolado a palavra macaco e a sugestão que se enfiasse banana em algum lugar.

Ora, meu amigo, não pode. No território da República Federativa do Brasil não pode. É lei. É lei porque ofende outro ser humano na dignidade dele. E a palavra “macaco” ou a expressão “negro de merda” só é proferida com intenção de ferir nessa dignidade. Por isso não pode.

Daí ser falsa a “explicação” de que a palavra “negro” não é “ofensiva” na Argentina. Ora, Daniel, eu falo castelhano com argentinos há 15 anos e lhe digo que não há grande diferença entre a semântica e a pragmática da palavra negro/a no castelhano de Buenos Aires e no português do Brasil. Há uma diferença na quantidade de seres humanos de raça negra e há várias diferenças culturais, com certeza. Mas não há grandes diferenças na palavra. Também no Brasil a palavra pode ter “sentido carinhoso” e também no Brasil pode ser usada “sem” conotação racial. O sentido da palavra negra é exatamente o mesmo em vou dar um sacolejo na minha nêga e em me llevo mi negra a la parranda. É a mesmíssima coisa.

Mas não foi isso que rolou no Morumbi. Ocorreu ofensa em cima de uma agressão racista que já havia rolado e sido desculpada por escrito pelo Quilmes.

Durante toda a tarde desta quinta, o Clarín fingiu não saber ou enganou-se, dizendo que Desábato havia sido preso por chamar Grafite de “negro”, manchete que foi mantida horas depois que o jogador já havia admitido haver dito muito mais. A cobertura do La Nación foi mais isenta. [Permito-me um adendo a este parágrafo às 14:30 de Brasília: é um pedido de desculpas ao meu amigo e blogueiro argentino Daniel Link que havia se referido com ironia ao argumento do cônsul argentino sobre a "inocência" do epíteto. Eu li o post de Daniel como se o dito lá fosse literal. Agradezco la corrección.].

Diz o Globo:

A versão do Grafite, que é corroborada em parte por imagens de TV, é de que o atleta argentino o chamou de filho da p..., negro de merda e negrinho. Já o jogador argentino disse que, durante a viagem, ouviu dizer que Grafite comemoraria um gol fazendo uma banana e, por isso, teria apenas mandado ele enfiar a banana - explicou o advogado do São Paulo, José Carlos Ferreira Alves.

Desábato confessou, em depoimento, ter chamado Grafite de 'negrito de mierda', confirmando também a referência à 'banana', conforme consta no boletim de ocorrência, assinado pelo jogador.

Há muitas testemunhas de como Desábato é uma pessoa super bacana. Parece que mais uma vez, ironicamente, a primeira aplicação de uma lei pega alguém de forma meio sacrificial. Mas isso não altera a justiça da aplicação da lei. Desábato foi simplesmente o primeiro a ser pêgo, porque Grafite foi lá e denunciou.

Achei que seu Nico, o delegado, agiu corretamente acatando a denúncia. Havia suficientes provas. Levaram o jogador direito, alimentaram, trouxeram policiamento para que o plantel do Quilmes saísse do Morumbi. O cônsul argentino foi à delegacia prestar assistência e fez a parte dele. Até aí tudo bem.

Aí às 17:21 o UOL noticia que a anta monumental, o ministro dos esportes que não sabe a diferença entre uma bola de gude e uma bola de basquete, o pior ministro dos esportes desde que o ministério foi inventado, o ministro dos esportes sob o qual a cartolagem corrupta recuperou todo o poder que havia perdido sob o ministro anterior, a anta albanesa divulga nota à imprensa politizando o incidente, atacando o jogador argentino que já estava sendo punido da forma legalmente cabível, e arvorando-se em paladino da causa do fim do racismo no esporte. Exatamente o que a República Federativa do Brasil não precisava neste momento: palhaçada do ministro stalinista que “comanda” o esporte sem saber o que é um centroavante. Realmente as cotas do PC do B neste governo são um desastre: um ministro da coordenação política que quer banir a palavra linkar e um ministro dos esportes que se dedica a atacar, para proveito político, um cidadão estrangeiro já preso em terrítório nacional.

Eu estava disposto a comprar briga com a imprensa argentina pela cobertura: ir lá no Clarín, especialmente, escrever cartas e tal (não vou brigar com o Olé, claro). Mas depois da palhaçada desse ministro resolvi que meu papel de cidadão brasileiro seria vir ao blog e

1) apoiar a decisão do delegado;
2) lembrar a todos que é importante observar rigorosamente os trâmites de lei e dar todas as garantias e boa vontade ao Leandro Desábato, que se arrependeu e encarou a situação com dignidade e cabeça erguida;
3) repudiar, repudiar com ênfase infinita, essa carta imbecilóide do Ministério dos Esportes, ministério que tem, deste blogueiro, nota zero pela sua performance até hoje.

Num contexto em que os incidentes racistas passam a ser mais denunciados no futebol da Europa, é certo que este caso estabelecerá precedentes. Num contexto em que o Corinthians Paulista transformou-se em Timón, o episódio acendeu a antropologia racial comparada entre os jogadores.

São 4:00 da manhã em Nova Orleans, 6:00 da manhã em Brasília. Eu sinceramente desejo que o presidente Lula escolha manter silêncio sobre esse episódio.

O papel de discussão é da imprensa, dos blogs, da sociedade civil, não dos políticos proselitistas que deveriam estar governando e não imiscuindo-se num caso que já está na justiça.

Dois lembretes: 1) quaisquer ofensas racistas aqui são apagadas (nunca aconteceu, ainda bem); 2) quaisquer ofensas ao povo argentino e à República Argentina são sumariamente apagadas também (já aconteceu uma vez, infelizmente).

Sei que esses lembretes não são necessários para 99.5% dos leitores do Biscoito, mas eles são feitos em beneficio dos outros 0.5%, porque espero uma caixa de comentários bem animada nesta sexta.

Vocês com a palavra. Debatam à vontade.



  Escrito por Idelber às 03:39 | link para este post | Comentários (100)


Comentários

#1

Seu trotskista sacana e vingativo, este é o seu melhor post da semana. ;)

Rafael em abril 15, 2005 4:30 AM


#2

É bem provável que o Lula ande falando alguma besteira. Ele leva sempre uma comitiva tão grande em suas viagens mas nesse tempo todo de governo esqueceu de contratar um assessor de "vai dar merda"... Ótimo post. beijos!

Renata em abril 15, 2005 4:30 AM


#3

Também estou com medo do Lula. Depois da entrevista dele em Roma dizendo que era um homem sem pecados ( e por isso tinha comungado sem se confessar na Missa do Papa) eu espero qq coisa.
Adorei o post.
Beijos!

Alline em abril 15, 2005 6:00 AM


#4

Acabei de deixar um comentário para a Leila Couceiro, que repito em termos aqui:Fico feliz que o Brasil possa estar dando esse exemplo e que a repercussao esteja sendo grande (apesar de saber que o buraco é muito mais embaixo, a discriminação continua solta e casos como esse não chegam facilmente à mídia). Enquanto isso, ontem a noite aqui na Áustria, o Dr. Di Tutu Bukasa, militante anti racismo, foi covardemente espancado por 6 skinheads e se encontra em estado grave. No meu último post, falei sobre a última (até aqui, as coisas ainda não estão bem delineadas) vitória política de Haider. o que vem daí nnao pode ser coisa boa. Por isso, acho muito bom que o Brasil esteja sendo manchete internacionalemnte, em sentido contrário.
Quanto ao Tas, ele foi de uma infelicidade desconcertante.
E por útlimo: obrigada pelas dicas do Artemio.

Felicia Luisa em abril 15, 2005 6:38 AM


#5

Eu achei espetacular o fato de terem tomado providências, de o Grafite ter denunciado, e principalmente, de abrir um baita precedente para inibir o racismo dentro de campo. Agora falta começar a punir torcedores racistas.
Depois, acabar com a violência, também, dentro e fora dos gramados.
Seria pedir demais?
Grande Abraço,
Marcos

marcos em abril 15, 2005 7:04 AM


#6

Estou saindo para uma viagem de 9 dias ao Rio, mas antes vim aqui ler tua opinião. Creio que - apesar de não ter lido todo o teu post - concordamos.

Encerro meu post de hoje falando também a respeito.

Falou-se tanto sobre Cortázar que - na primeira parte deste post - resolvi recuperar uma pequena história sobre blogueiros inspirada em Cortázar. Acho que, se me visitares, darás boas risadas.

Abraço apressadíssimo.

Milton Ribeiro em abril 15, 2005 7:12 AM


#7

Estou aqui festejando a coragem do Grafite que não teve medo de denunciar o jogador argentino. Esse vai pagar para dar o exemplo. O Lula está na África, ontém no Senegal pediu perdão aos senegalenses pela escravidão e se comparou à João Paulo II que pediu perdão aos judeus. Ainda bem que ele não soltou nenhuma bêtise do tipo, essa cidade é bem moderna, nem parece que estamos na África. Beijos e queijos.

Ana Lucia em abril 15, 2005 7:20 AM


#8

Idelber, post lúcido e objetivo. Não importa o local, hora ou circunstância, crime é crime. Admiro o Grafite pela coragem, sabemos as pressões que os jogadores de futebol sofrem por parte de técnicos e dirigentes. Partilho com você a indignação com o Marcelo Tass, era um a cara que eu admirava na TV e que me decepcionou, por mais de uma vez, em seu blog com opiniões rasteiras. Enquanto no futebol europeu, o mais organizado e profissional do mundo, nenhuma medida concreta foi tomada para deter as manifestações racistas que assolam os campos daquele continente, principalmente na Itália e Espanha, foi aqui, nesta bagunça generalizada que é o nosso futebol que alguém resolveu agir. Abraços, Afonso

Afonso em abril 15, 2005 7:22 AM


#9

Muito bom esse post, minha preocupação é com relação a Copa do Mundo, que vai acontecer na Alemanha, sendo que a Europa( todos nós sabemos ) é palco dos piores incidentes racistas no Futebol... é melhor as "autoridades" tomarem as devidas providências... Abraços...

Andre Delgado em abril 15, 2005 7:35 AM


#10

e chamar alguém de argentino... é racismo tb?

ribs em abril 15, 2005 7:52 AM


#11

O episódio, se por um lado mostrou que esse comportamento racista tende a não ser mais aceito no Brasil, por outro lado, mostrou a hipocrisia da imprensa brasileira, posando de consternada e agindo como se esse tipo de coisa fosse atitude de argentino racista.

O fato do jogador ser argentino certamente não altera nada. Ele deveria ser preso mesmo, e foi. Acontece que recentemente aconteceu o mesmo no Brasil, em um campeonato estadual, com jogadores brasileiros e tudo terminou em um pedido de desculpas e pizza. Quase ninguém ficou sabendo, não houve esse estardalhaço e, se houvesse, é provável que uma parcela maior da imprensa se comportasse como o Sr. Marcelo Tas.

Santa hipocrisia Batman.

Daniela em abril 15, 2005 8:29 AM


#12

Primeiro uma observação de boleiro (e que você também já colocou no post): chamar alguém de negão em jogo de futebol é extremamente comum. Faz parte da cultura futebolística. Contudo, sem a carga claramente racista da ofensa do jogador argentino. É antigo o costume dos jogadores e torcedores argentinos de se referir aos brasileiros como "macaquitos", e uma vez não me lembro em que jogo, chegaram a atirar bananas no campo.
O que mais me parece interessante nesse caso é o ineditismo da sanção penal, e o fato dela ter sido aplicada em terras brasileiras.
O mundo tá meio esquisito: enquanto um jogador argentino é preso por racismo no Brasil, torcedores italianos da Internazionale atiram sinalizador em cima do goleiro Dida na Itália (país desenvolvido) e torcedores da Juventus de Turim perseguem torcedores do Liverpool, objetivando uma "vingança" do massacre de Heysel na final da copa dos campeões de 1985.
Em suma - me alonguei demais para um comentário -
o país da tolerância dá uma lição aos intolerantes. A história do século XX é suficiente explicitar o significado da intolerância, que começa por aí: comentários racistas e "pequenas ofensas" repetitivas.

Roberson em abril 15, 2005 9:00 AM


#13

Espero que depois de aberto esse precedente histórico, as pessoas tomem consciência de que o racismo é uma prática completamente execrável e que deve acabar.

Muta em abril 15, 2005 9:25 AM


#14


Olha, Idelber, teve muita gente legal na Alemanha que apoiou os campos de concentração durante a WWII. O que eu quero dizer (antes que o Tas ache que está certo), é que se o argentino é mesmo um cara legal, isso apenas comprova que a técnica do "macaquito" é uma tradição oficial no futebol latinoamericano. Muitos pensam que o racismo é feito à base de malvados de filme americano quando o elevador social é apoiado por (quase) todos os membros desse prédio que é o Brasil. Quanto à Copa do Mundo na Alemanha, eu tenho que dizer que na Europa o crime de racismo nos estádios vem sendo combatido de forma mil vezes melhor do que nos tristes trópicos. Se ainda não acabou é porque tem muitos "caras legais" que não vem nada de mais em chamar alguém de "macaquito". Abraços.

Fernando em abril 15, 2005 9:26 AM


#15

Perfeito! Análise clara e detalhada de todas as questões envolvidas no acontecimento, de forma lúcida e isenta. Exatamente o que faltou para 99% da nossa imprensa (a argentina tb) na cobertura do caso. A tentativa de se aproveitar da situação e levar uns "dividendos políticos" do nosso Ministro dos Esportes só é sintomática das atitudes de quase todo o governo, infelizmente. Usando uma metáfora do futebol, o governo joga para as câmeras de TV e esquece da "partida". Uma coisa que me chamou atenção no caso foi essa de "nossa, como os Argentinos são racistas". A lei existe, está para ser cumprida e depende apenas de quem denuncie. Mas parece que em nome de manter as aparências e fingir que o racismo não existe aqui (o racismo velado é até mais doentio do que o que acontece às claras)as pessoas não tomam atitudes. Ouvi abobrinhas do gênero "ah, mas o Grafite é um fresco, tá dando atenção demais para isso" até de pessoas negras tb. Parece mais confortável para essas pessoas deixar as coisas "dentro de campo, pq ele falou de cabeça quente" do que realmente fazer algo. Que a atitude do Grafite seja exemplo para a população como um todo e que a lei passe a ser cumprida diariamente. Sem essa de "pq não fizeram isso antes? São hipócritas!". Hipócrita é continuar fingindo que o racismo não existe aqui.

Donizetti em abril 15, 2005 9:32 AM


#16

Depois de todo o transtorno e constrangimento pelo qual Desábato está passando (ser algemado extrapolou os limites), creio ser a oportuna a hora do Grafite pedir desculpas a ele.

mito em abril 15, 2005 9:41 AM


#17

Gostei do artigo, mas teço algumas considerações:
1) Como a legislação brasileira – em especial a penal – é uma colcha de retalhos, inúmeras são as incongruências. Tome-se o caso do crime inafiançável. Por incrível que pareça, pode ser mais vantajoso ser indiciado por inafiançável que por crime afiançável. Seguinte: em linhas gerais, não havendo razão para prisão preventiva, cabe a liberdade provisória, com fiança (crimes afiançáveis) ou sem fiança (inafiançáveis). O sujeito poderia estar solto sem por a mão no bolso, fosse o crime inafiançável...
2) A meu ver, correta a tipificação do delito como injúria qualificada. Mas, notem bem: a injúria é comum no futebol, e nunca vi ninguém sair preso do campo por isso... Aliás, Idelber, chamar o ministro de anta é injúria, cuidado (risos)...
3) Acho o racismo e a discriminação de grupos ou indivíduos por quaisquer motivos simplesmente abominável. Por isso acho as cotas raciais uma coisa absurda, até mesmo inconstitucional: segregacionismo na cara-dura! Lembro também que racismo é uma via de duas mãos... Exemplificando: imaginem uma faculdade voltada para a cultura branca, ou uma revista chamada “Arianos” ou coisa assim. Ia dar o maior fuzuê! Mas uma faculdade voltada para negros ou uma revista como a “Raça”, isso pode...

Ricardo Montero em abril 15, 2005 9:59 AM


#18

E outra coisa que me ocorreu só agora... Se grafite não for nome ou sobrenome, não é um apelido racista, se tomarmos tudo ao pé da letra?
E se o argentino falasse "Grafite de mierda"? Aí, pode?!?

Ricardo Montero em abril 15, 2005 10:01 AM


#19

Depois de tudo isto faltarão bananas em Buenos Aires no próximo jogo de qualquer equipe brasileira.

Grafite não entra mais lá. Que se cuidem os jogadores brasileiros em Buenos Aires. A polícia estará de olho e qualquer deslize equivalerá a uma noite na cadeia.

mito em abril 15, 2005 10:04 AM


#20

O apelido Grafite faz referência ao fato de o jogador ter sido grafiteiro antes de se dedicar ao futebol.

E mesmo que fizesse alusão à cor não mudaria nada. Eu posso ser chamada de neguinha pelos meus amigos e achar isso ótimo, carinhoso. É muito diferente de ser chamada de neguinha no meio de uma discussão.

Isso é o ÓBVIO DO ÓBVIO. Surpreende-me que pessoas aparentemente inteligente não consigam perceber a diferença abissal

Em tempo: quem vai decidir se as cotas são ou não constitucionais é o Supremo. E, pelo que me consta, a maioria lá é a favor, como eu :-)

Daniela em abril 15, 2005 10:15 AM


#21

Parabéns, uma ótima análise do que ocorreu neste meio de semana aqui no Brasil... estaria melhor ainda se você tivesse aprofundado a análise da forma como é tratado o racismo aqui no Brasil...
Você como um adorador de várias coisas da Argentina, deveria saber (e você sabe) que a rivalidade entre Brasil e Argentina foi o que impulsionou, na verdade, este caso. Houve muitos casos, não apenas no campeonato Paulista, como também em todos os campeonatos estaduais, de puro racismo entre os jogadores durante a partida e tudo mais... e como a imprensa anda dando um valor altíssimo, e até justo, sobre o racismo contra negros, vem repercutindo bastante a falta de aceitação das diferenças e também a livre e espontânea agressão verbal.
O negócio é que essa hipocrisia que criaram em cima deste caso, vem apenas pelo jogador ser argentino, visto que muitos casos entre brasileiros tinham sido vistos e nada tinha acontecido. "Poxa, até que enfim, né!? Resolveram colocar a mão na massa e não tolerar mais o racismo no futebol!!!" Sim, é verdade, mas não deixo de dizer que pegaram um argentino pra Cristo, e isso engloba com a rivalidade entre as nações, da qual seria também uma outra forma de racismo, desta vez de nacionalidade.
Apesar de tudo, gostei de ver o Brasil como um pioneiro na condenação de atos racistas, pelo menos pode ser de exemplo para a Europa, onde anda acontecendo muita cagada sobre isso... agora, eu só quero ver o seguinte, se irão tratar com a mesma rigidez novos casos que acontecem em quases todos os jogos no mundo... a intolerância não vem só da falta de educação do povo, mas também pela competitividade que acontece durante o jogo... o sangue tá lá em cima, pura adrenalina e muitas vezes, jogadores cometem atos irracionais, o que não quer dizer que alguém é racista ou não... é também uma forma de provocação, precendida de uma agressão, inevitável.
Acho que nem levaram em conta a resposta violenta do Grafite, pois ele apenas se 'defendeu' de uma ofensa... quer dizer então, que quem nos ofende racistamente poderemos então ser agressivos e agredir a pessoa? Realmente, foi um ato inocente do garoto...
Agora, hipocrisia maior é ver alguém ser chamado de Grafite (da qual, a única definição que enxergo é que seja por sua cor de pele) e não condenar isso racista... é por que não é falado num ato de ofensa!? Apenas de definição!? E negrito não pode, só grafite!? Tudo bem, estou sendo um idiota, mas enfim...
Quero ver outros movimentos que são descriminados também, sairem por aí e reclamarem por seus direitos... não existe apenas o racismo de cor... todos sabemos... mas caso chamarem um amigo meu de branquelo ou alemão, vou por na cadeia também!
HeHe

FrOg em abril 15, 2005 10:16 AM


#22

Complementando o que eu deixei passar. As universidades não precisam ser voltadas para a cultura "ariana". Basta deixar tudo como está: os negros quase não entram, os pobres idem.

Em Salvador, a cidade com maior população negra fora da África (mais de 80%), alguma coisa perto de 11% de universitários são negros. Os negros já estão subrepresentados. Não existe a mínima necessidade de se criar uma universidade ariana.

E é apenas pelo fato dessa subrepresentação na mídia, nas universidades, nos postos de comando, entre os formadores de opinião, nas capas de revistas, nas novelas, etc e bla bla bla, que uma revista como a Raça existe.

Daniela em abril 15, 2005 10:21 AM


#23

deveria haver uma opção edit aqui, mas tudo bem.

errata: pessoas aparentemente inteligentes

Daniela em abril 15, 2005 10:22 AM


#24

Manda brasa, Daniela, teus comentários estão porretas tanto aqui quanto no seu blog quanto no meu. Idelber, também fiquei chocada com o cinismo da cobertura argentina. No entanto, vi no Pedro Dória que numa enquete do Clarín, 60% dos leitores foram a favor da prisão do jogador por ato racista. Ou seja, apesar do racismo que permeia a sociedade TANTO NA ARGENTINA QUANTO NO BRASIL, é bom ver que a maioria ainda condena ideologicamente essa prática. O que precisamos é botar o dedo na ferida, apontar o racismo de todas as formas (como fez o bravo Grafite), até que a sociedade aprenda a enxergar o preconceito onde antes achava que era "normal". Estou vendo que alguns comentaristas aqui estão tendo dificuldades de enxergar a gravidade da ofensa perpretrada pelo Desabato, e até com peninha dele.

Quanto à nota do Agnelo, também estou contigo, Idelber, e aliás morro de rir quando vejo o amadorismo panfletário de certas notas à imprensa. O público agora é outro, não é mais a militância do partido; ou eles profissionalizam a redação das suas notas e discursos, ou vão continuar sendo alvo de ridículo.

Leila em abril 15, 2005 10:40 AM


#25

Nada a acrescentar, você disse tudo. Só acho que o argentino poderia ter sido enquadrado pelo crime de racismo sim, não há outra interpretação para "negro de merda" que não racismo. Diferente do uso de um tom jocoso ou afetuoso, sem intenção de ofensa, eu mesmo chamo um dos meus melhores amigos de "neguinho", isso desde que éramos crianças. Ninguém que me ouvir chamando ele assim teria dúvidas de que o tom é jocoso e afetuoso. A própria lei define o animus jocandi como excludente de ilicitude, como essa avaliação acaba sendo subjetiva, cabe agir só mediante denúncia daquele que se sentir ofendido.

Roger em abril 15, 2005 10:58 AM


#26

Daniela, as cotas raciais são racistas, sim. Só não enxerga quem não quer.
Quanto à opinião do Supremo, é eminentemente política (o que pode ser observado em todas as suas decisões). Eu poderia até pegar a CF e trazer os artigos aqui para análise, mas sei que é inútil tentar te convencer.
A existência de cotas nas faculdades vai criar estudantes de segunda categoria, que serão discriminados pelo ingresso com base em autêntica muleta. Isso em nada ajuda a integração racial, concorda?
Ademais, a discriminação que existe no Brasil é econômica. Negros ricos vivem tão bem quanto brancos ricos.
Se as cotas tivessem critério econômico, seriam aceitáveis. Com esse sistema, o pior de tudo será a situação de ser branco e pobre.
Quanto à faculdade "negra" e a revista "Raça", repito aqui a questão: quantos dias ficaria livre um cidadão que criasse uma revista ou faculdade voltada para os valores dos brancos? Daniela, sem hipocrisia, esse cidadão estaria vendo o sol nascer quadrado... Ou você acha que isso seria aceitável???

Ricardo Montero em abril 15, 2005 11:30 AM


#27

Ricardo: já existe uma infinidade de revistas "voltadas aos valores dos brancos". Chamam-se Veja, IstoÉ, Exame, Epoca, etc. Mesma coisa quanto às faculdades: não é necessário criar faculdades "voltadas aos valores dos brancos" porque todas as faculdades brasileiras já o são desde sempre. É tão difícil entender isso e parar de fazer essas comparações ESDRÚXULAS?

Quanto às cotas, please: dê uma guglada nos resultados das pesquisas que se fizeram na UERJ e UFBA, depois da implantação do sistema de cotas, para ver como você JA ESTÁ equivocado ao supor que elas "criariam estudantes de segunda classe". Os dados mostram que tanto na UERJ como na UFBA (as duas universidades para as quais há pesquisas sobre rendimento) os cotistas tiveram aproveitamento igual ou ligeiramente superior aos não cotistas. Há uma bibliografia sobre o assunto, Ricardo. Dá uma procurada e volta.

Idelber em abril 15, 2005 11:41 AM


#28

Parabéns! Muito bom o teu post. Quarta eu estava no Morumbi. Ali, na hora, não entendemos o porquê de sua expulsão mas, sei lá, intuitivamente, aplaudimos e gritamos seu nome mesmo sendo expulso. Um comportamento anormal esse, pois a torcida do São Paulo mais vaia do que aplaude. Findo o jogo, descobrimos que fizemos a coisa certa ao aplaudir o Grafite. Para quem está preocupado com os próximos jogos de brasileiros na Argentina: nada acontecerá, tirando, talvez, mais vaias e xingamentos. A FIFA e a Conmebol estarão muito atentas a esses jogos.

emerson em abril 15, 2005 11:51 AM


#29

Ah, eu até pensei em escrever algo sobre esse ministrinho de meia pataca, mas já basta o tempo que você perdeu escrevendo sobre ele. Não compensa perder mais tempo ainda com isso.

emerson em abril 15, 2005 11:54 AM


#30

Prof. post maravilhoso! O que falar? Deixei "comment" ontem na Daniela (primeira a postar) e depois na Leila e so posso dizer que vocs 3 juntos estao mandando bem que eh uma beleza! Ate desisti de ler publicacao oficial, porque a elucidacao dos fatos aqui, la e acola estao bem mais interessantes! So fiquei com pena do Tas, porque quem pisou literalmente na banana foi nosso querido menino Poli, hein? Como diz Biajoni: Vai dizer?
Beijao!

Leitrora/Fa em abril 15, 2005 12:00 PM


#31

Ricardo Montero,

Cotas é um assunto pra se debater horas a fio e eu escreveria um livro com argumentos a favor. Como o veículo e nem o tempo permitem, tentarei ser breve. De qq maneira já postei minha opinião panorâmica sobre o assunto no meu blog (http://idiossincrasia.weblogger.terra.com.br/200411_idiossincrasia_arquivo.htm).


Primeiro: "Daniela, as cotas raciais são racistas, sim. Só não enxerga quem não quer."

Discordo. Isso é a sua opinião. A minha, muito à propósito, é diferente.

Segundo: eu conheço a Constituição Federal e lá diz que "todos são iguais perante a lei". Acontece que alguns são mais iguais que outros. Essa defesa da igualdade estática (Somos iguais porque a lei diz isso) já está mais do que ultrapassada. O ex-ministro do Supremo Marco Aurélio Mello defende que "Do artigo 3º vem-nos luz suficiente ao agasalho de uma ação afirmativa, à percepção de que o único modo de se corrigir desigualdades é colocar o peso da lei, com a imperatividade que ela deve ter, a favor daquele que é tratado de modo desigual."

Se for ler o artigo três vai ver que lá se encontram diversos verbos de ação, a saber, "construir", "garantir", "erradicar" e "promover.

"construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação"

Você continua achando que a igualdade que, embora esteja na letra da lei não existe de fato, vai se concretizar sozinha? Tipo, no dia que ela sentir vontade? Curioso :-)

As cotas já foram criadas, se vc ainda não sabe. Pesquisas inclusive já foram feitas avaliando o desempenho dos cotitas e o desempenho se mostrou equivalente e, em alguns casos (como a Estadual da Bahia, por exemplo) se mostrou superior ao dos não-cotistas. O medo era infundado, como vc pode ver.

A discriminação existente no Brasil é econômica? Tsc tsc tsc, que argumento elementar!!! Quer dizer que, se a pobreza acabasse num toque de varinha de condão o racismo iria junto? Quer dizer que negros mais abastados, de classe média não sofrem preconceito? Ah, então diga isso pro guarda que me para todo dia na porta do shopping onde fica a minha academia e pergunta pra onde eu vou(são 6 da manhã e o shopping está fechado). Engraçado é que eu estou com roupas de ginástica e ele não para nenhum dos brancos. Vai ver ele acha que alguém da minha cor não pode pagar aquela academia. Mas, perái, o preconceito não é econômico??

Se você ler o projeto de lei, vai saber que as cotas não atingem os negros ricos, apenas os que estudaram na escola pública.

E, concluindo, acho que nenhuma forma de racismo é aceitável. E é por causa dele que os negros tiveram que fazer "revistas de negro". A menos que vc me diga que, num país onde metade da população é negra, metade dos apresentadores de tv, das modelos, das capas de revistas, dos professores universitários tb o são. Ou eu e vc não nascemos no mesmo país, ou vc fecha os olhos deliberadamente ao fato de que quase todas as apresentadoras de tv são brancas. Na minha época as infantis eram todas loiras. Um espectador desavisado pensaria estar assistindo a tv norueguesa.

Idelber, desculpe tomar tanto do seu espaço. Ainda bem que aqui não tem limite de caracteres. :)

Ricardo, se me permite a sugestão, leia o artigo do Marco Aurélio. Você pode encontrá-lo em http://gemini.stf.gov.br/netahtml/entrevistas/MA_20122001.htm

Carpe Diem

Daniela em abril 15, 2005 12:02 PM


#32

Idelber, virei sua fã!!!! :))))

Leitrora, ce leu isso? rsss

Daniela em abril 15, 2005 12:03 PM


#33

Eu já virei seu fã também, Daniela. Escreva à vontade. A página estica. :)

Idelber em abril 15, 2005 12:11 PM


#34

NÓS PERDEMOS O SENSO DE RIDÍCULO...

Dentro do Brasil (e provavelmente em qqr outro lugar) tb é proibido xingar de FdP, cuspir ou agredir outrem, logo devo crer q 2o vcs VerdAmarelos todas as vezes q isso ocorrer dentro de um campo de futebol ou de uma quadra (isso existe em todos os esportes coletivos) o meliante deve ser preso?!?

Vai faltar cadeia no mundo!!!

Msim em abril 15, 2005 12:17 PM


#35

Idelber, admirável o seu equilíbrio, isenção e sabedoria que, na proporção que lhe sobram neste episódio, faltam à maioria dos nossos políticos. Deus nos livre da retórica futebolística do nosso presidente!

Bear em abril 15, 2005 12:18 PM


#36

Desculpe fazer uma nova intervenção. Agora, pra comentar a lei contra o racismo (Do ponto de vista de um cidadão. Não sou jurista).

Por que chamar alguém de filho-da-puta não leva ninguém pra cadeia e chamar de neguinho, macaco e outras expressões pejorativas leva? Não é tudo insulto?

É. Porém, o "filho-da-puta" se esgota quando acaba a raiva. Não tem efeitos colaterais duradouros. Já os insultos de natureza racial perpetuam um preconceito que tem causado prejuizo social e econômico aos negros. E a sociedade brasileira, através da lei, está dizendo que não quer ver esta situação perdurar.

Esta é a diferença. Se por trás do insulto não houvesse o preconceito arraigado, o tratamento diferenciado e prejudicial aos negros, chamar alguém de macaquito, macaco ou neguinho seria apenas mais um insulto.

Bear em abril 15, 2005 12:35 PM


#37

Precisava prender o cara por ter dito um monte de asneira, ainda que no calor do jogo? Precisava. Mas precisava mesmo. Simplesmente porque o Grafite, este grande centroavante que não fez mais que 2 ou 3 tentos na temporada em que jogou no Grêmio (calma, Tiago, pra não ser um boçal como o argentino) fez valer o direito dele. Foi preconceito? Foi, ele gritou, Grafite chamou na cidadania e ponto final.

Além disso, ele - e até o Leóz, que disse que "esse jogador não joga mais a Libertadores" - meteu um golaço nos colegas de UEFA, que assistem os torcedores da Lazio com bandeiras nazistas nas arquibancadas e que punem com trocados estádios inteiros gritando como macacos.

Lembro da reação de três nigerianos sub-20 que desembarcaram no Beira-Rio, mês passado. Eles disseram à imprensa que estavam surpresos pela recepção calorosa que tiveram - e salientaram o fato de que os colegas de clube os abraçaram e apertaram suas mãos. Por aí, se tem uma noção do que acontece com esses garotos quando vão jogar na Europa.

Coincidência ou não, Lula pedia desculpas pela escravatura em viagem à África...

Quanto ao Agnelo, obrigado por ter escrito tudo o que eu penso, de maneira muito melhor. Assino embaixo. E sim, melhor post da semana.

tiagón em abril 15, 2005 12:46 PM


#38

Grande Tiagón!

Idelber em abril 15, 2005 12:48 PM


#39

Ótimos comentários do Bear, do Tiago e da Daniela. Idelber, fiz um post a respeito... Aparece lá.

Donizetti em abril 15, 2005 12:55 PM


#40

Publiqué, debidamente intervenida con corchetes de mi autoría, la noticia de ayer: la detención del estúpido Disábato por crímenes de hate speach ("O crime de racismo é inafiançável no Brasil, mas Leandro foi enquadrado em crime de injúria com agravante em discriminação racial, este sim, fiançável").
Idelber Avelar me contesta hoy, creyendo que yo, de algún modo, adhiero al punto de vista infame del jugador, el cónsul argentino o el directivo quilmeño. Nada de eso, querido amigo. Por mí, que se lo guarden al tarado de Disábato y lo expongan en la plaza pública. Sólo la vergüenza propia (otra vez un argentino dando que hablar alrededor del mundo) motivó que me refugiara en el doble sentido de la ironía.
Y no es una cuestión de idiomas o países, Idelber: aquí también (por eso el cónsul argentino y el directivo fueron cínicos en sus declaraciones) "negro de mierda" es una injuria y un acto de hate speach que no debiera tolerarse. Pero muchos argentinos se creen en un más allá de la corrección política (y así nos va). Muchos, pero no todos: la encuesta del diario La Nación de ayer arrojaba los siguientes resultados: el 60 % de los votantes condenaron las palabras de Disábato. Yo, entre ellos.
Y de nada serviría que invocara, ahora, mis créditos previos para garantizar la buena fe de mis dichos: los actos de lenguaje no se miden por sus intenciones sino por sus efectos. Mis disculpas, pues, a los amigos de Brasil.


Querido Daniel: !!no tenés nada de que disculparte!! yo en mi torpeza, y ya a las cuatro de la mañana, exhausto, no me di cuenta de que el contenido de tu post era obviamente irónico. Me alegro de que con la velocidad de la blogosfera podamos hacer esas correcciones y aclaraciones instantáneamente. Ya he publicado, en el interior del post, una actualización que aclara mi equívoco de lectura. Abrazos fuertes, Idelber

Linkillo em abril 15, 2005 12:58 PM


#41

"Oh, meu Deus! Nós, machos brancos, estamos sendo ameaçados, seremos esmagados pelas mulheres, pelos negros, pelos pobres! Eles vão tomar de assalto nossas universidades, a mídia, nossos empregos! A raça negra passará a ser a opressora! As mulheres irão nos emascular e nos demitir de nossos cartos! Heeeeelp!" Soa ridículo? Pois é exatamente isso que as pessoas que são contra as cotas, contra a equal opportunity, e contra a atitude do Grafite, estão gritando por aí. É simplesmente a estratégia da direita para tentar manter o status quo racista e desigual na nossa sociedade, se bobear torná-lo ainda pior. Claro que muita gente bem intencionada acaba acreditando nesse discurso, e acredito que o Ricardo seja um deles. Mas Ricardo, pode acreditar, eu moro nos EUA e trabalho numa universidade americana, e que eu saiba nenhum incompetente é contratado ou aceito como aluno só por causa de sua etnia ou gênero. O que eu vejo à minha volta é um grupo competentíssimo de pessoas das mais variadas origens e raças. No Brasil, se você trabalha num cargo de profissional liberal, os poucos negros que você encontra na empresa são o office boy e o faxineiro. Mesmo um negro que consegue chegar à universidade encontra mais preconceitos em entrevistas para emprego. Então, já está mais que chegada a hora de criar oportunidades para os negros ascenderem economicamente no Brasil. E isso não é racismo, ou "racismo às avessas", expressão que a direita gosta de usar. É solidariedade, pagamento de dívida social, e uma estratégia que renderá dividendos para a nação como um todo, inclusive os "brancos" da classe média e alta.

Leila em abril 15, 2005 12:58 PM


#42

Você disse tudo, Idelber, não tem nada a completar. Diga-se de passagem que eu também achei muito estranha a nota do ministro, e não entendi a utilidade dela, afinal isso é uma questão da justiça e o governo não é ONG. Fiquei feliz que você tenha abordado a questão de forma tão contundente.

Ana Lúcia: infelizmente o Lula soltou outra pérola nessa viagem à África, comparando "a dor da escravidão" com a de um "cálculo renal"...

Ricardo Monteiro: "as cotas raciais são racistas, sim. Só não enxerga quem não quer". Típico: "esse monte de gente que discorda de mim é tudo burro e cego". Descarto liminarmente argumentos desse tipo. Os outros já foram rebatidos convenientemente.

Msim: se todas as vezes em que houver ofensa racista o ofensor for preso, com certeza os casos vão diminuir. É pra isso que serve o direito penal, caso você não saiba.

Idelber: você tem o melhor "time" de comentadores da blogolândia brasileira.

Marcus Pessoa em abril 15, 2005 1:05 PM


#43

Idelber, não acho minha comparação esdrúxula! Trata-se da constatação de um fato. A despeito das liberdades de expressão, se algum branquelo inventar uma revista que exalte valores, digamos, caucasianos, será devidamente enquadrado!
Vou mais longe. Racista é aquele que faz distinção, seja ela positiva ou negativa. O argentino que xingou o Grafite é, para mim, tão racista quanto o reitor da UFPR, universidade em que a cor da pele é critério de admissão (acredite, Dani, eu sei que as cotas existem). Na prática, aprovam-se pessoas que tiveram desempenho pior nos exames com base no critério cor de pele. É o racismo instituído pelo Estado!
Talvez eu seja um idiota (como a Daniela não muito sutilmente sugeiru, ao falar em “pessoas aparentemente inteligentes”), um nefelibata. Entre um post e outro, fui almoçar em um shopping aqui na Paulista e vi um branco e uma negra no maior amasso. Esse é o nosso país: ninguém é inteiramente branco, amarelo, preto. Miscigenação! Temos bairros pobres, e não guetos raciais. Não preciso de pesquisas para isso, apenas olho em volta.
Quanto aos estudantes de segunda classe, falo aqui em relação a acesso, e não desempenho escolar. Eu não me sentiria confortável se tivesse entrado em uma universidade pública sabendo que estava no lugar de alguém que nos exames mostrou-se mais capacitado que eu, não tendo sido aprovado apenas por não ter a cor de pele certa para a ocasião. Se isso não é racismo, me desculpem, mas fica além da minha capacidade de entendimento.
Daniela, não vou acessar seu link por já ter pesquisado o assunto quando escrevi alguns artigos para o jornal do Centro Acadêmico de Direito/USP, há uns três anos. Sem desmerecer sua capacidade intelectual (tanto mais porque não a conheço), não acredito que em seu trabalho haja qualquer dado novo que vá mudar minha opinião.
Pelos mesmos motivos, não vou ler o artigo do ministro (sim, ele ainda é ministro) Marco Aurélio – mesmo porque equidade é uma linha de argumentação dentro de meu conhecimento. De todo modo, não vejo como construir a igualdade estabelecendo com a pena da lei o segregacionismo.
Claro que estamos longe de uma sociedade igualitária. Certamente, porém, a situação dos negros hoje é melhor que no começo do século passado, quando o fim da escravidão ainda era recente. Tipo de coisa que só o tempo resolve; acredito que em algum dia não existirá, para a sociedade, sentido na palavra “raça” aplicada para seres humanos.
Enfim, continuo achando que os brancos pobres, a persistir a tendência, estarão mais e mais lascados. Definitivamente, um tipo de gente com o qual ninguém se preocupa.
Idelber, desculpe pelo espaço & tempo aqui em seu blog. Acho que ante o dito por mim e por vocês, nada me resta a acrescentar ao assunto. Que cada um dos leitores, com o devido discernimento, faça seu juízo de valor. E nunca esqueçamos, Idelber, que eu, você e Daniela nos indignamos contra a mesma doença; apenas discordamos quanto à medicação. Abraços a todos!

Ricardo Montero em abril 15, 2005 1:18 PM


#44

Engraçado, só o apelido do cara é mais preconceituoso e ofensivo (dependendo do ponto de vista hipocrita) do que a "ofensa" que o argentino fez a ele...

Não precisava tanto Carnaval. Só espero que depois dessa os proprios brasileiros comecem a cobrar tais prisões por aqui tmb.

Ah! e estádios de futebol não são lá templos da etiqueta e da boa camaradagem. Alias, aalguém, lembra do jogo entre São Paulo e River Plate em que os saopaulinos quebraram na porrada o time inteiro do River? E isso? Não seria mais relevante do que uma simples grunhida de um jogador esquentado?

Selph em abril 15, 2005 1:29 PM


#45

Excelente post, ótimos comentários.

O único porém do inédito episódio foi o fato de ter acontecido justamente com um jogador argentino. Como já mencionado, ofensas racistas já aconteceram em jogos nacionais, sem que ninguém seja denunciado.

Espero então que, à partir de agora, os racistas brasileiros sejam também punidos. Senão só poderei concluir que Desábatos foi punido por ser argentino, ou seja, por puro preconceito.

Ricardo Antunes da Costa em abril 15, 2005 1:30 PM


#46

Desculpe Idelber. Mas é porque eu não resisto :)

O IDH do Brasil ocupa a 72ª posição (situação mediana). Se os dados forem dissociados por raça o quadro muda completamente de figura. O IDH da população branca sobe para a 49ª posição e o IDH da população negra cai para a 108ª posição, cinco posições atrás da AFRICA DO SUL, três atrás de Cabo Verde. Em companhia do Brasil encontram-se ainda países como Botswana, Egito, Gabão, Namíbia, dentre outros.

Ao contrário do que muita gente pensa, a situação dos negros no Brasil é igual ou pior do que na África. E, na forma como eu vejo as coisas, não tenho motivos algum para comemorar melhoras nas condições de vida dos negros desde a Lei Áurea até hoje.

Eu não sou pesquisadora da área. Apenas sou negra e mantenho os olhos bem abertos :-)

Segregacionismo? Vá a um shopping de um bairro classe alta num sábado à tarde, olhe bem a tez dos jovens que estão lá e depois vá à uma favela. Faça uma comparação e me diga o que acha de segregacionismo.

O tempo, o tempo. Claro. Desculpe-me mas, se pra vc o tempo vem trabalhando a favor da população negra eu discordo. Isso é argumentos dos acomodados ou dos mal intencionados e eu não sou nenhuma das duas coisas. :)

E se muitos que se dizem não-racistas não tem uma postura mais ativa frente à essa situação é apenas porque, de alguma forma, lhes convêm. A elite brasileira (branca, não por acaso) acostumou-se a chamar DIREITO o que na verdade é PRIVILÉGIO.

Se não há vagas para todos que as vagas sejam, preferencialmente, dos que não podem pagar (negros, também não por acaso). A questão do mérito é muitissimo duvidosa já que você está comparando um fusca e uma ferrari, correndo bajo as mesmas regras e na mesma estrada. E isso é o que você chama de "que vença o melhor, o mais bem preparado".

Fico sinceramente tocada com sua preocupação com a população branca e pobre. Apenas gostaria de lembrar que a população branca média não é pobre assim como a negra média não é rica (negros são mais de 80% dos indigentes e dos que vivem abaixo da linha de pobreza e cerca de 13% das camadas mais abastadas. Tudo isso por acaso, claro)

Idelber, se eu estiver abusando, me avise. :)

Daniela em abril 15, 2005 1:56 PM


#47

Ótimo post e ótimos comentários, Idelber. Ontem em Belo Horizonte um médico foi preso e dormiu na cadeia por ter se referido aos africanos, em um comentário sobre a viagem do Lula, de forma depreciativa. O médico também foi acusado de "injúria com agravante de racismo". Esse é valor educativo da aplicação da lei. É importante que as pessoas aprendam que o racismo é crime e que precisa ser denunciado. É importante as pessoas aprenderem que denunciar o racismo não é "fazer tempestade em copo d'água". As atitudes racistas não vão desaparecer facilmente, mas o comportamento racista pode e deve ser reprimido. E, para isso, tem que ser denunciado.

Guto em abril 15, 2005 2:18 PM


#48


Eu acho que há dois tipos de segregacionismo em ação no Brasil, Daniela. O racial e o econômico. Se há mais brancos que negros nos shoppings brasileiros é porque o segregacionismo econômico tb funciona por linhas racias há muito tempo no nosso país. Agora, se um negro entra no shopping e é tratado como ladrão sem prova nenhuma, isso é querer impor segregacionismo racial puro e simples. Por outro lado, não há dúvidas que existe uma simbiose entre um e outro.

No caso das vagas, acho que a questão é simples: se eu entrar na emergência de um hospital precisando de cirurgia e tiver que escolher entre um médico negro altamente qualificado e um branco que comprou seu diploma numa universidade fajuta, não vou ter dúvidas em pedir que me atenda o mais qualificado. Aliás, a questão de raça nem deveria entrar nessa discussão. A questão das cotas é que ela tb dá uma desculpa para o governo "esquecer" da verdadeira questão: o estado de destruição do ensino público. Veja bem, não estou diminuindo a gravidade do segregacionismo racial ou econômico, nem a questão da desigualdade na educação. Mas acho importante consertar pela raíz ao invés de cortar galhos que voltarão a crescer mais tarde. Abraços.

Fernando em abril 15, 2005 2:21 PM


#49

Fernando, concordo que há dois tipos de segregacionismo.

O que discordo veementemente é alguém dizer que "a discriminação que existe no Brasil é econômica".

Há discriminação econômica? Há sim! Há discriminação racial há também! E vamos combinar que ser negro e pobre no Brasil é muito pior do que ser branco e pobre. Os brancos pobres trabalham nas lojas dos shoppings e os negros pobres como vendedores ambulantes.

Daniela em abril 15, 2005 2:28 PM


#50

Daniela, de alguma forma esta caixa de comentários realiza um sonho meu, que é de que este blog se converta não só em espaço de debate inteligente como também em espaço de exercício de cidadania. Alegro-me de que o debate haja resvalado na questão das cotas e que justamente neste dia chegasse você, tão bem informada sobre o tema. Por isso, escreva à vontade porque a página estica ilimitadamente. Foi pensando nisso que fiz questão de ter um pontocom para o blog. É claro que isto vale para a Daniela, com cujo ponto de vista sobre as cotas eu concordo, como para o companheiro blogueiro Ricardo, de cujo ponto de vista sobre as cotas eu discordo. E prá todo mundo que esteja escrevendo sobre os temas em discussão.

Idelber em abril 15, 2005 2:38 PM


#51

EU sou preconceituoso: ODEIO futebol.
um acontecimento como esse só reforça minha OJERIZA!

Biajoni em abril 15, 2005 2:44 PM


#52


Eu tb sou preconceituoso: odeio a cerveja Quilmes. O vinhos argentinos são muito superiores à qualquer cerveja que eles produzem (mas já foram melhores do que hoje em dia).

Daniela, sobre isso não se discute. Também não tenho dúvidas que a mulher negra e pobre sofre mais ainda. Seria bom se um dia se parasse de usar palavras como "negro/negra" e "branco/branca" como forma de definir alguém.

Fernando em abril 15, 2005 3:08 PM


#53

Um "detalhe"... o Gráfite não fez a denuncia (antecipando a polícia)... e tenho minhas duvidas se faria, caso a polícia não tivesse agido (de forma correta) ao ver as imagens antes do jogo ter finalizado !!! Depois, sim, Gráfite achou que seria o melhor a fazer (denunciar o jogador) !!! Apesar de alguns dizerem que fizeram "tempestade em copo d'água", já estava mais que na hora de algum país tomar uma atitude !!! Fiquei de certa forma feliz por isso !!! Acredito que a partir de agora, os "ignorantes" vão pensar "duas vezes", ou melhor, nenhuma vez, antes de "ofender", no caso, um companheiro de profissão !!! O futebol é maravilhoso, quando praticado esportivamente, literalmente falando !!! Abração...
PS: A palavra "Negro" tem o mesmo significado em qualquer parte do planeta !!! Alguns argentinos dizer que "lá" (Argentina) é "diferente", vão me desculpar... mas é um absurdo !!! "Prefiro" ouvir e ver o Maradona rindo da copa do mundo de 1990 !!!

Reinaldo em abril 15, 2005 3:09 PM


#54

Ricardo e Selph: para que o racismo nos estádios e em todo o lugar seja punido, é preciso que os ofendidos façam que nem Grafite -- denunciem.

Reinaldo: a iniciativa partiu do Grafite sim. Ele foi expulso, lembre-se, e logo em seguida (com o jogo em andamento) fez o boletim de ocorrência.

Marcus Pessoa em abril 15, 2005 3:24 PM


#55

Marcus: Com certeza. O que eu quiz dizer foi justamente que eu espero que os outros sigam o exemplo, e denunciem. Independente se o agressor for argentino, uruguaio, alemão ou BRASILEIRO.

Porque é fácil jogar um argentino que ninguém conhece na cadeia. Queria ver é fazer isso com o Diego, por exemplo, que em 2002, quando defendia o Santos, ofendeu o lateral Kléber, então no Corinthians.

Ricardo Antunes da Costa em abril 15, 2005 3:33 PM


#56

Excelente interpolação, esta última, do Ricardo Antunes (mas Marcus Pessoa tinha toda razão ao esclarecer que a denúncia foi feita por Grafite, sim). É muitíssimo comum no futebol brasileiro, como mostra o caso lembrado pelo Ricardo Antunes, que os jogadores ricos e badalados, quando são brancos, ofendam jogadores negros com epítetos racistas e não aconteça nada. Se é uma estrela como Diego então, o jogador negro teria que ter muita coragem para denunciar. O único caso que conheço de punição real foi o do Wellington Paulo, do América-MG, que teve que responder por ofensas contra o André Luís do nosso Galo. Espero que esse caso do Desábato haja servido para isso, para abrir um precedente também no momento da denúncia.

Idelber em abril 15, 2005 3:42 PM


#57

Idelber, ainda bem que o espaço é ilimitado, pois esse seu post está gerando uma avalanche de comentários.
Eu nem ia falar mais nda, mas... (risos)
Fernando, você trouxe à baila um questão importante: a do ensino como um todo. Realmente, não adianta todo esse jogo de cena (marketing barato) em relação às cotas universitárias, enquanto o ensino básico rui fragorosamente. Daí que mesmo os negros beneficiados com cotas acabam em uma espécie de elite... Basta pensarmos em quantos, brancos e negros, não concluem o ensino médio.
Mais uma vez concordo com você, Fernando, em relação às expressões “branco” e “preto”. Oxalá um dia não sejam mais utilizadas.
Em relação aos argumentos algo furiosos da Daniela... Acho difícil debater quando se escapa do campo das idéias para o pessoal. Primeiro eu estava entre as “pessoas aparentemente inteligentes”. Agora, meus argumentos são “dos acomodados ou dos mal-intecionados” et cétera. Daniela, você não me conhece, e se me conhecesse, certamente não me diria isso. Verdadeiramente, abomino todo e qualquer preconceito! Já tive namorada, negra, amarela, e por acaso casei com uma branca (poderia não ser branca, sim). Já namorei deficiente... Enfim, por minha história de vida me sinto perfeitamente à vontade para dar a cara a bater aqui no fórum (mesmo estando em absoluta minoria). Não sou ignorante, acomodado ou mal-intencionado, ok? Por isso, limitemo-nos às idéias, e estejamos preparados para lidar com gente que não concorda com nossos pontos de vista. E sugiro que você use toda essa energia ante qualquer discriminação (como no exemplo do shopping, por você citado).

Ricardo Montero em abril 15, 2005 3:47 PM


#58

Meu caro IDELBER,
Estou com Lucano em sua descida às galés: não há mais negros, nem brancos, nem amarelos, nem escravos, nem romanos etc. Só há homens (e mulheres, biensur!). Abraço fraterno do
BetoQ., direto do deserto.

Zadig em abril 15, 2005 3:50 PM


#59

Ricardo,

Peço-lhe desculpas se você se sentiu ofendido por alguma coisa que eu disse. Garanto-lhe que não foi, nem de longe, a minha intenção.

Quanto à demais coisas: namorar uma negra (ou deficiente, ou nissei, ou o que seja) não vai te fazer compreender absolutamente o que é racismo. Racismo quem sabe o que é são os que o sofrem.

Não queria me adentrar por esse caminho (o dos sentimentos envolvidos) porque sempre tem alguém pra dizer que os negros se fazem de coitadinhos, de vítimas. Ora, os negros não se fazem de vítimas. Foram vitimizados. E isso é de uma diferença ENOORME.

Li muitas pessoas dizendo que o Grafite exagerou. Quer dizer que até o seu direito de sentir-se, ou não, ofendido por uma coisa dita com o intento de ofender está sendo cerceado por pessoas que não sabem absoluto o que seja sofrer racismo.


"Basta pensarmos em quantos, brancos e negros, não concluem o ensino médio." Garanto-lhe que destes os pretos são maioria esmagadora e absoluta. Mesmo porque quase não há brancos na escola pública.

"E sugiro que você use toda essa energia ante qualquer discriminação". Obrigada pelo conselho e garanto-lhe que tento fazer a minha parte. Na blogosfera e fora dela :-)

Mas uma vez peço desculpas se lhe ofendi com a minha "intensidade"

Daniela em abril 15, 2005 4:07 PM


#60

Excelente a colocação do Idelber e dos comentaristas, a única coisa que posso colocar do meu ponto de vista, é que discordo das algemas. Além dos campos de futebol, existe também o bairrismo, este sim será alimentado, o que será uma pena. Moro em um lugar que é um dos paraísos argentinos no Brasil e por aqui todos acham, de uma maneira geral, os argentinos arrogantes. Isso não é racismo, é o resultado do comportamento de uma minoria e por causa dessa minoria, a maioria leva a culpa.
Pegaram o jogador argentino como bode espiatório, mas talvez esta tenha sido a gota d'agua...ah, mas depois que todas as raças se misturarem (Zadig) vai perder a graça!
Parece também que existe alguém aqui com preconceito contra as antas e Ribs, você pode chamar alguém de "argentino" sim, mas antes provar que tem algum vínculo afetivo com ele, se ele for apenas colega de trabalho, nem pensar, ainda mais depois desse episódio.
Excelente fim de semana para todos! Beijus, Luma

Luma em abril 15, 2005 4:36 PM


#61

louvável a coragem de grafite; correta a posição do delegado; infantil a cobertura da imprensa.
(desculpe o comentário telegráfico, idelber. estou exausta...)
bjus

Lulu em abril 15, 2005 4:45 PM


#62

Zadig, Ricardo,
Bom mesmo será quando reconhecermos diferentes cores de pele, apenas como diferenças e não como vantagens ou desvantagens. O mesmo vale para sexo, religião, condição economica, cor do cabelo, peso, etc...

Não reconhecer que a pele de alguém é branca ou negra seria uma forma de mascarar o preconceito (ou então, algum tipo raro, exótico de doença dos olhos).

Bear em abril 15, 2005 5:03 PM


#63

Prof. eu sei que o senhor apagou meu comment ciumento, tambem acabei de apresentar a Daniela e ja perco o lugar...buaaaa....ok, ok, eu nao escrevo bonito que nem ela, mas mesmo assim sou sua leitora:anonima, fa, mas leitora!Ou o sr. acha que so o Grafite merece atencao? E so disse que tava falando bem do sr. pra todo mundo na blogosfera e fora dela e que tava com problema em casa por isso. Sei que brinco as vezes, mas so faco no intuito de chamar sua atencao!
E dai sou sua amiga ? Ou o sr. vai me apagar de novo?
Beijao!
PS: o que acrescentar com tanto fera matando a pau? Leila e Daniela nao deixaram espaco pra mais nada.


Leitora/Fã: sorry, o apagamento do comentário foi acidental, não é porque era ciumento não. Como você não deixa endereço de email, cada vez que vou editar comentários os seus caem no 'limbo' dos 'sem-email', listinha separada. Deixe um email na próxima (Paula, não é?). Abraços,

Leitora/fa em abril 15, 2005 5:05 PM


#64

Caramba! nem consegui ler tudo, queria só dizer que concordo com a Daniela em absolutamente tudo. Inclusive as cotas, que são polêmicas, mas, na minha humilde opinião, nesse momento, necessárias.

Vi, na Suécia, como as meninas negras que conheci (três) se sentiam infinitamente melhor, e muito mais "aceitas" pela sociedade lá do que no Brasil.

O racismo no Brasil é nojento, escondido, escorregadio e dói muito. E essas meninas não estavam deslumbradas com a riqueza do primeiro mundo, não. Duas viviam com seus companheiros sucoes, na maior dureza (como quase todo mundo por lá) e outra era já uma profissional respeitada e reconhecida.

Já disse, as que se sentem mais discriminadas na Europa são as branquinhas, sulistas, bem nascidas e com diploma universitário. Essas esperneiam porque perderam o status a que estavam acostumadas...

As negras, pobres e nordestinas já estão acostumadas demais com preconceito, o que passam lá na Europa, muitas vezes é NADA comparado com o que enfrentam no Brasil.

Enfim, DELIREI com a notícia, podia ser argentino, ucraniano, chinês... foi racista... cadeia nele... e ainda tive pena porque o juiz soltou logo...

Denise Arcoverde em abril 15, 2005 5:13 PM


#65

Essa gente que reclama da iniciativa de Grafite de levar seu ofensor à polícia, achando que ele exagerou, lembra os feitores brancos de escravos se indignando com a "insolência" de um negro que ousa levantar a sua voz e exigir um tratamento digno. Essas pessoas querem que os negros permaneçam subservientes, calados, ou de preferência, invisíveis. Newsflash para essas pessoas: estamos no século 21, e a segregação e opressão racial são considerados crimes contra os direitos humanos. É consenso nas ciências sociais que nenhuma etnia é superior à outra.

Vou iniciar o movimento I LOVE GRAFITE.

Leila em abril 15, 2005 5:14 PM


#66

Gracas a Deus que foi acidental porque olha o que escrevi la na Daniela:"Ele (o sr.) que nem experimenta me apagar...rs...ou vou migrar pro lado Negro da forca (blogosfera). Putz, desculpe eh referencia do filme Star Wars...buaaaa...eu sou uma m* mesmo!".
E ja tava me preparando pra vir aqui no Biscoito grafitar um monte de improperios com o Frog e o Cabecao!
Beijao!
PS: sou um Otelo de saias...rs...sorry!

Leitora/Fa em abril 15, 2005 5:19 PM


#67

Querem ver uma coisa interessante?
Entre os surdos, toda pessoa tem um sinal (gestual) que o identifica. Este sinal é, muitas vezes, a única identificação conhecida pela maioria. Poucos conhecem o nome da pessoa.

Pois é. Este sinal é dado pelos próprios surdos e, em geral, se baseia em alguma característica física da pessoa (gordo, magro, estrábico, orelha grande, nariz grande, cabelo curto, cabelo enrolado, usa óculos, qualquer coisa). Se você tem alguma característica especial, mesmo que seja um defeito físico, é esta característica que será usada para atribuir o seu sinal.

Isto é preconceito? Eu garanto que não. A questão é que a informação visual, para o surdo, é tudo. Então, identificar alguém por um defeito físico característico é apenas uma questão de ordem prática. Em um primeiro contato com este costume, eu ficava chocado. Agora, não mais.

Bear em abril 15, 2005 5:21 PM


#68

Bear, eu trabalhei como intérprete de língua brasileira de sinais por 6 anos. E o sinal em geral era associado a uma característica física (ou comportamental da pessoa): magro, gordo, esquecido, cabelo encaracolado, alto, baixo, bigode, pintas no rosto, alegre, negro enfim...

Ao contrário de vc, isso nunca chegou a me chocar ou ofender porque não era feito com a intenção de ofender. Como eu disse lá embaixo, se alguém da família me chama de neguinha, negona, ou preta (minha mãe é branca e me chama pelos três) eu jamais me sentiria ofendida. Mas isso muda completamente de figura se é dito no calor de uma discussão com o claro intuito de me depreciar. Nesse caso não tenho dúvidas que me sentiria ofendida e não teria uma atitude diferente da tomada por Grafite.

Daniela em abril 15, 2005 5:32 PM


#69

...I love negritos!

Luma em abril 15, 2005 5:53 PM


#70

Daniela, em comentários anteriores, eu já tive a oportunidade de concordar com a iniciativa do jogador brasileiro e com a lei que lhe protege.

Este último comentário foi apenas para ilustrar a idéia expressa em um dos meus comentários de que o reconhecimento das diferenças não é preconceito.

Mas, por favor, leia isto no contexto. Eu falava sobre perceber a cor da pele ou qualquer outra diferença sem implicar em julgamento sobre o mérito da pessoa.

Bear em abril 15, 2005 7:19 PM


#71

corrigindo: ... sobre a lei que o proteje.

Bear em abril 15, 2005 7:23 PM


#72

Desisto.

Bear em abril 15, 2005 7:24 PM


#73

Desábato já embarcou . Ao se dizer que "os argentinos" viram a prisão como "marketing", generalizou-se muito mal: a Folhapress errou feio, afinal de contas a maioria dos leitores do Clarín apoiou a prisão. Na Folha de hoje, Nelson Sá notou que a imprensa brasileira sistematicamente procurou provocações na cobertura da Argentina e não achou. Gondrona, como sempre, disse torpezas.

Idelber em abril 15, 2005 7:26 PM


#74

Eu havia percebido sim.

Só estava salientando o fato de que marcar a difereça pode sim ser preconceito, mas não o é no caso dos surdos.

Bem diz um amigo meu que é negro "eu não quero ser tratado como igual, quero ser respeitado em minha diferença"

Desculpe se não me fiz entender. Eu posso ser prolixa às vezes

Daniela em abril 15, 2005 7:47 PM


#75

Menino, vc muda de casa e eu fico doida atrás de vc.
Os livros da Houston traduzidos aqui são Valsando com a Gata e Meu fraco são os Cowboys. Ela é incrível.

Tudo bem contigo pelo jeito, né?
Amém nóis tudo.
beijos
fal

Fal em abril 15, 2005 8:20 PM


#76

Coloquei o link deste post no PrasCabeças, hoje. É o mínimo que posso fazer. Suas colocações, Idelber, são lúcidas, pertinentes, calmas, bem fundamentadas. Conviver com a diferença, eis a questão. Nascemos num "caldo de cultura" racista e seremos racistas, todos, se não estivermos atentos, críticos.

Cláudio em abril 15, 2005 8:28 PM


#77

nossa, quanto comentário.
sabe o que é?
acabou o assunto do tsunami, acabou a morte do papa, estamos num vácuo de escãndalos, dá nisso.
um xingamento bobo vira notícia.
coisas da midia.

lucia em abril 15, 2005 9:05 PM


#78

"Ah isso aqui tá muito bom, isso aqui tá om demais!"
Nem me atrevo a comentar... Aprendi muito hoje aqui. Estou adorando o debate. Como alguém já disse antes, o Idelber tem omelhor time de comentaristas da blogosfera!

Viva em abril 15, 2005 9:48 PM


#79

É impressionante o alvoroço que causa o cumprimento da lei no Brasil. Quando seguem a risca, deixam o jeitinho brasileiro de lado, dizem que estão sendo muito rigorosos. O delegado nao fez a lei, ele cumpriu o que ela manda. Parabens!

Idelber, o Julio Pinto saiu da UFMG...Quando vier a BH podemos marcar da comunidade blogueira ou apenas leitores virtuais (como eu) irmos a uns jogos do GLORIOSO. Abç

Perivaldo em abril 15, 2005 10:54 PM


#80

Obrigado pelas notícias do Júlio, Perivaldo. Chego aí dia 28 de maio. O Glorioso chegando nas semi ou na final da Copa do Brasil, pode contar comigo para aquele TROPEIRO do Mineirão; Saudações,

Idelber em abril 15, 2005 11:06 PM


#81

Idelber, q belo post, menino. Tô encantada com a quantidade de comentários aqui. Bjocas,

Cipy em abril 16, 2005 12:59 AM


#82

Marcus Pessoa: comentei em "cima" do que o próprio Gráfite disse numa entrevista !!! Depois de expulso, ele disse ao reporter de que não queria comentar p/ não dar problemas !!! E após algumas horas disse que não iria prestar queixa, mas depois pensou melhor e decidiu assim faze-la !!! Algumas "notas" da imprenssa diz que Gráfite ficou no vestiário ("chorando")... o delegado "Nico", resolveu intervir e ordenou ao argentino que comparecesse à delegacia para depor, por ter visto e acompanhado as imagens pela TV !!! O advogado do SP que foi pedir ao delegado p/ dar flagrante no jogador por crime de racismo !!! Por isso "creio" que o Gráfite não iria fazer a queixa, caso alguém não "intervisse" por ele !!! E acho que foi o que aconteceu !!! Mas, não importa, já que a atitude correta foi tomada, independente de quem deu o "primeiro passo" !!!
Abração...
PS: Imprenssa é f*da !!! Tem local que informa que o primeiro jogo entre SP e Quilmes lá na Argentina terminou em 1 X 1 !!! hehehehe... caramba, foi 2 X 2 !!!

Reinaldo em abril 16, 2005 2:39 AM


#83

Idelber, essa foi uma das melhores discussoes sobre o assunto q eu vi em blogs, gracas a riqueza da caixa de comentarios. Vc estah de parabens por agregar pessoas q adicionam suas experiencias e nos fazem pensar. PARABENS!

Lucia Malla em abril 16, 2005 2:42 AM


#84

Que discussão continue neste sábado: de novos textos sobre o assunto, há a ponderada análise de Ubiratan Leal, o útil esclarecimento histórico de Pedro Dória e o excelente texto de Gravataí Merengue para o Imprensa Marrom. O que mais me impressionou no nível da discussão aqui no Biscoito foi que em nenhum ou quase nenhum momento ouviu-se aqui o argumento fraco e preguiçoso de que "queria ver se alguém chamasse alguém de branquelo de merda seria preso", esse clássico e odioso pseudo-argumento de comparar o que não pode ser comparado, abusando da nossa inteligência e dos nossos ouvidos sempre que uma vítima de racismo ousa gritar e ir atrás dos seus direitos. Exemplos dessa total falta de noção e de sensibilidade não aconteceram aqui nenhuma vez. Apareceram em outros blogs, em caixas de comentários ou em tristíssimos posts.

Idelber em abril 16, 2005 3:32 AM


#85

Gostei muito dessa colocação do Bear:

"os insultos de natureza racial perpetuam um preconceito que tem causado prejuizo social e econômico aos negros. E a sociedade brasileira, através da lei, está dizendo que não quer ver esta situação perdurar."

O insulto não está nas palavras NEGRO, PRETO, NEGÃO, PRETINHA, etc. Estas palavras em si não são ofensivas; expressam o fenótipo (mesmo não muito acertadamente); e acredito que serão usadas por muito tempo, tanto por negros quanto por brancos ou vermelhos ou amarelos (nomes de cores definidas para peles de cores tão indefinidas, na verdade).

O insulto está, em primeiro lugar, na intenção. Como a Daniela coloca, é bem diferente ouvir a mãe dela chamá-la carinhosamente de "preta" que ouvir alguém utilizando a palavra "preta" com a intensidade e a agressividade de um xingamento.

A simples troca de palavras que são usadas ofensivamente não elimina preconceitos nem impede que outras palvras sejam usadas ofensivamente. Antigamente, se usava pejorativamente a palavra "mongol" para as pessoas com síndrome de Down. Atualmente, utiliza-se a palavra "down", mas nada impede que ela seja utilizada de forma preconceituosa. A intenção é determinante.

Daí que achei ridículo o argumento de algumas pessoas de que o próprio nome que o jogador escolheu, Grafite, já é ofensivo. Pra mim, pouco importa se o nome tenha vindo do ato de grafitar ou da substância. Ele escolheu ou assumiu e, a partir daí, não há nenhuma intencionalidade de ofensa. Como não há ofensa quando Gilberto Gil batiza a filha de Preta, ou o cantor se chama de B-negão ou Brown. Pelo contrário, há aí uma afirmação da diferença, o que passa longe do preconceito.

Em segundo lugar, a ofensa, como no caso do jogador, está na junção da palavra "negro" com a expressão claramente ofensiva: "de merda". É portanto uma ofensa com intenção racial, punida por nossas leis. O Grafite teve a coragem de denunciar e fez muito bem.

Quanto às cotas, a única coisa que me preocupa é que continuam sem se preocupar com o ensino básico. E quando eu digo ensino, não quero dizer aprovação. É o ensino mesmo. Cada vez mais, nossos jovens têm chegado a concluir o ensino básico, mas sem aprender realmente nada. Concluem o ensino básico sem nem sequer saber ler direito. Mas o governo propagandeia que o indíce de aprovação aumentou. Aprovação não é ensino.

As cotas são uma forma de minimizar as desigualdades e são legítimas. Mas enquanto o ensino básico não for realmente ENSINO, a questão da educação no país continuará mais do que capenga.

Claudio Simões em abril 16, 2005 11:23 AM


#86

as melhores MULHERES comentam aqui!
;>)
de todos os gêneros, raças, credos e cores eu prefiro mesmo... as MULHERES.
[]s

Biajoni em abril 16, 2005 1:00 PM


#87

Idelber, excelente página, me disculpo por no escribir en portugués ya que mi nivel es lamentable. Más allá de este hecho de racismo, que a juzgar por la cantidad de comentarios trasciende esta situación puntual,instaura un debate en la misma sociedad brasileña de la que son un pequeño extracto quienes opinan en el blog y eso para un blog es mucho más que satisfactorio.
En la medida que mi portugués se vaya afianzando(cuánto conocemos o no de las otras literaturas y qué poco los brasileños de la argentina y veceversa) seré un lector más que entusiasta de esta página.
un abrazo

Néstor Tkaczek em abril 16, 2005 2:18 PM


#88

Caro Idelber, já estive aqui antes com a curiosidade aguçada, mas só hoje decidi perguntar uma coisa pois descobri que é mineiro como eu.
Você tem um irmão de nome Charley? Fui amigo dele e talvez não se lembre. Bem por equanto fico por aqui.
Abraços.

Júnio em abril 16, 2005 5:46 PM


#89

Nah Idelba, tem comentário demais... Você nem daria importância para o meu, então vou ficar calada. :0)

Roberta Febran em abril 16, 2005 5:52 PM


#90

Sou contra as cotas porque sou contra o racismo.

Acredito que essa medida serve para segregar ainda mais as raças.

Defendo a igualdade do ser humano na sua essência, todos nascem com as mesmas faculdades, o que acontece depois é que a diferença do contexto que vivem, se encarrega de diferenciá-los, privilegiando uns.
Acho que a medida das cotas é algo como tentar corrigir um problema sem combater sua origem.
Seria uma tentativa com a possibilidade de fracasso ou sucesso como outra qualquer, não fosse o enorme risco que carrega. O risco entendo que seja a possibilidade de se alimentar o preconceito diferenciando esses alunos cotistas dos outros.

Exemplo 1: Um grupo de trabalho dentro da universidade, de 5 alunos onde apenas um é negro. Normalmente o respeito de uns pelos outros é o mesmo. Com o sistema de cotas aplicado esse 1 negro não seria visto com menosprezo, de forma diferente pelos outros quatro que disputaram a vaga com as mesmas armas? E esse 1 (negro) não se sentiria inferiorizado por isso, por estar sempre estampado na sua pele que de alguma forma esta ali porque foi "ajudado"?

Exemplo 2: Dois profissionais no futuro com a mesma formação e capacidade, um branco e um negro que na época de estudante foi beneficiado pelo sistema de cotas, mesmo tirando o primeiro lugar no vestibular. Esse branco não seria mais valorizado pela sociedade em geral, pelo outro carregar esse estigma de que foi "ajudado" pelo sistema?

Não acredito ser possivel combater o racismo assim,acho romantismo demais, mesmo porque o justo não seria cotas para negros e sim cotas para os que não tem acesso e isso inclui os brancos carentes tb.

Infelizmente viemos de uma sociedade que adotou a escravidão e só a pouco tempo se libertou disso, mas o acesso ao ensino é uma questão social, esta mais ligado a condição financeira do que a raça.

Paralelo a uma tentativa de se melhorar o ensino básico que beneficiará uma maioria carente (sendo negros, brancos, etc) temos um outro desafio completamente diferente que é o de ir combatendo o racismo e qualquer forma de injúria (contra negros, brancos , etc) com denúncia, porque se vc foi ofendido, tem todo o direito de se defender.

Os negros não são as únicas vítimas, todos nós independente da raça somos iguais e uma pessoa baixa, obesa, alta demais, magra demais, tambem sofre injúria as vezes, independente da cor. Temos é de denunciar esses crimes.

E com relação as cotas, com um ensino básico forte, estaremos preparando seres para concorrerem de igual para igual, independente de qualquer coisa, porque se são iguais, o justo é isso.

Roberta em abril 16, 2005 7:43 PM


#91

Uma possibilidade de discriminação ocorrerá caso o desempenho dos cotistas (no vestibular ou durante o curso) venha a ser significativamente mais baixo do que o dos demais. Nos casos de sucesso, não creio que haverá discriminação a ponto de inviabilizar o sistema.

O problema maior eu vejo fora da Universidade. Alguém que "perdeu a vaga" para um cotista ou mesmo um vizinho, com condição socio-econômica igual ou pior, que não foi beneficiado só porque é branquinho certamente não vão gostar muito do sistema.

Não sei se eu chegaria a bombardear o sistema de cotas mas eu sempre vou me perguntar: será que não tinha outro tipo de ação afirmativa? ou será que ela não poderia ser baseada no fator sócio-econômico e não na cor da pele?

Bear em abril 16, 2005 9:45 PM


#92

Caro sr.
Vi seu comentário no Blog do Zépilintra, de quem sou amiga, e, confesso, ter gostado igualmente do seu.
N sou dona da verdade e,por sinal, passo muito ao largo dela,mas creio q a Justiça foi feita e tem q ser sempre(em qquer situação), n obstante nunca soube e, talvez, nunca saiba o q é "n quero ser tratado como igual, quero ser respeitado em minha diferença"( citado por Daniela acima).
Quer ser tratado como afinal? Certamente quem pronunciou isto n quer ser tratado igual a mim e,pelo pouco q entendi, prefere a segregação.
Ah! me dá um tempo!
quer paternalismo ou a luta? Pq , se a opção for a segunda, vá! Mas páre de se lamentar por ser negro!

Não vi ninguém se lamentando aqui por ser negro, sra. Tereza. Um negro dizendo que quer ser "respeitado na diferença" é uma coisa muito simples. Quer dizer o seguinte: "não precisa ignorar minha cor só porque isso lhe faz ficar incomodada". "Não precisa fingir que sou branco". "Você pode falar do tema, sim". "Podemos conversar sobre o tema, sim". "Ser branco é diferente, socialmente, de ser negro, sim." "E conversar sobre isso é bom para todo mundo". Isso é respeitar a diferença do outro. Ou seja, exatamente o que a sra. não fez aqui

Tereza em abril 16, 2005 10:09 PM


#93

Só me pergunto uma coisa, quantos jogadores brasileiros não se referiram aos platinos como gringos de merda ou algo que o valha?

Marcos em abril 17, 2005 8:33 AM


#94

Eu ia falar alguma coisa mas, depois do Alexandre e do Idelber, torna-se desnecessário :)

Daniela em abril 17, 2005 8:53 AM


#95

Histórinha:
Ano de 2000, aula de redação, turma do terceiro ano do ensino médio, colégio de classe média alta.
Assunto - cotas nas universidades, o professor argumentou surpreendentemente bem.
A aluna que estava ao meu lado comenta para mim que não entendia a necessidade de 20% de cotas, porque na sala não havia nem 2 negros, então ela não via o porquê de existirem cotas.
Era uma turma de 100 alunos.
E eu, confesso, fiquei sem discurso e sem rumo, não sabia se sentia pena ou raiva pela completa alienação da garota.

Realmente, ótimo post Idelber e ótimos comentários. E como disse, lá embaixo, louvo a coragem do Grafite.

Grande Abraço,
Marcos

p.s.: como apareceu um terceiro 'Marcos', vou usar 'marcos alexandre' agora.

marcos alexandre em abril 17, 2005 12:43 PM


#96

Golaço, Idelber!

Kbção em abril 18, 2005 9:47 AM


#97

Idelber,
Excelente espaço de discussão do tema. Do ponto de vista jurídico foi correta a atuação do delegado e da vítima. Nesse tipo de delito é fundamental a presença da vítima, e que a vítima diga a repercussão do crime. Além de tudo, é didático!!!

Mani em abril 18, 2005 10:43 AM


#98

Idelber, queria um maravilhoso comentário seu, aproveitando o gancho futebolístico, sobre a derrota do Ex-Ipiranga. Algo a comentar?

Perivaldo em abril 18, 2005 2:45 PM


#99

Qualquer negro que não gosta de viver no Brazil me procure que eu pago a passagem de volta pra Africa e dou duzentos dólares pro cara se mandar daqui e não encher mais o saco da gente com essa história de racismo.

Virna em maio 21, 2005 9:29 PM


#100

os racista sao todos filhos de uma puta aki quem fala é sómente mais um preto tipo A que tambem sofre do racismo!!!!!
ae se eu trombo esse fulano naum tem pa naum tem bum vo ter que acinar um 121

facçao em junho 26, 2005 8:37 PM