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sexta-feira, 15 de abril 2005

Sobre a ofensa racista a Grafite, a prisão de Leandro Desábato, o racismo no futebol e as trapalhadas de Agnelo Queiroz

argentino-preso-2.jpg

Quilmes e São Paulo jogaram anteontem em São Paulo pela Libertadores. O jogo da Argentina havia registrado agressões racistas aos jogadores negros do São Paulo, pelas quais o clube cervejeiro argentino desculpou-se numa carta enviada ao Tricolor que, por sua vez, devolveu ao Quilmes um aceite do pedido de desculpas. Tudo isso antes da peleja de anteontem.

Aí a coisa aconteceu pela segunda vez, desta feita em território pindorâmico: Leandro Desábato xingou mais de uma vez, com epíteto racista. Grafite, que foi expulso do jogo por reagir com agressão, apresentou queixa. O delegado Dr. Nico, depois do jogo, acatou e prendeu Leandro. O argentino já passou duas noites em cana e deve ser liberado depois de fiança nesta sexta. Não se sabe quanto tempo terá que ficar em território brasileiro para trâmites legais. O crime de racismo é inafiançável no Brasil, mas Leandro foi enquadrado em crime de injúria com agravante em discriminação racial, este sim, fiançável.

O evento ocupou a página de esportes da Folha, do Globo e foi notícia no New York Times. Já é, sem dúvida, um caso que estabelece precedentes.

Como acontece sempre que uma vítima de racismo busca amparo legal, alguém tem que dizer um absurdo, e dessa vez quem se prestou a isso foi Marcelo Tas que, mal iniciado o desenrolar do episódio, falou de "tempestade em copo d'água" e decretou que acusar o argentino de racismo como se o cara fosse um Hitler, pra mim passou do ponto. A partir daí, Tas passou a ser esmigalhado pelos seus próprios leitores, por ter tão monumentalmente perdido a oportunidade de ficar calado.

Eu jogo futebol. Há uma diferença enorme entre dizer coisas como negão, maneire na caixa de ferramentas ou você quer sair na porrada, nêgo? e chegar na cara de um ser humano e dizer negro de mierda ou negrito ou negro safado, especialmente num contexto onde, na partida anterior e conforme admitido em carta de desculpas do Quilmes, já havia rolado a palavra macaco e a sugestão que se enfiasse banana em algum lugar.

Ora, meu amigo, não pode. No território da República Federativa do Brasil não pode. É lei. É lei porque ofende outro ser humano na dignidade dele. E a palavra “macaco” ou a expressão “negro de merda” só é proferida com intenção de ferir nessa dignidade. Por isso não pode.

Daí ser falsa a “explicação” de que a palavra “negro” não é “ofensiva” na Argentina. Ora, Daniel, eu falo castelhano com argentinos há 15 anos e lhe digo que não há grande diferença entre a semântica e a pragmática da palavra negro/a no castelhano de Buenos Aires e no português do Brasil. Há uma diferença na quantidade de seres humanos de raça negra e há várias diferenças culturais, com certeza. Mas não há grandes diferenças na palavra. Também no Brasil a palavra pode ter “sentido carinhoso” e também no Brasil pode ser usada “sem” conotação racial. O sentido da palavra negra é exatamente o mesmo em vou dar um saculejo na minha nêga e em me llevo mi negra a la parranda. É a mesmíssima coisa.

Mas não foi isso que rolou no Morumbi. Ocorreu ofensa em cima de uma agressão racista que já havia rolado e sido desculpada por escrito pelo Quilmes.

Durante toda a tarde desta quinta, o Clarín fingiu não saber ou enganou-se, dizendo que Desábato havia sido preso por chamar Grafite de “negro”, manchete que foi mantida horas depois que o jogador já havia admitido haver dito muito mais. A cobertura do La Nación foi mais isenta. [Permito-me um adendo a este parágrafo às 14:30 de Brasília: é um pedido de desculpas ao meu amigo e blogueiro argentino Daniel Link que havia se referido com ironia ao argumento do cônsul argentino sobre a "inocência" do epíteto. Eu li o post de Daniel como se o dito lá fosse literal. Agradezco la corrección.].

Diz o Globo:

A versão do Grafite, que é corroborada em parte por imagens de TV, é de que o atleta argentino o chamou de filho da p..., negro de merda e negrinho. Já o jogador argentino disse que, durante a viagem, ouviu dizer que Grafite comemoraria um gol fazendo uma banana e, por isso, teria apenas mandado ele enfiar a banana - explicou o advogado do São Paulo, José Carlos Ferreira Alves.

Desábato confessou, em depoimento, ter chamado Grafite de 'negrito de mierda', confirmando também a referência à 'banana', conforme consta no boletim de ocorrência, assinado pelo jogador.

Há muitas testemunhas de como Desábato é uma pessoa super bacana. Parece que mais uma vez, ironicamente, a primeira aplicação de uma lei pega alguém de forma meio sacrificial. Mas isso não altera a justiça da aplicação da lei. Desábato foi simplesmente o primeiro a ser pêgo, porque Grafite foi lá e denunciou.

Achei que seu Nico, o delegado, agiu corretamente acatando a denúncia. Havia suficientes provas. Levaram o jogador direito, alimentaram, trouxeram policiamento para que o plantel do Quilmes saísse do Morumbi. O cônsul argentino foi à delegacia prestar assistência e fez a parte dele. Até aí tudo bem.

Aí às 17:21 o UOL noticia que a anta monumental, o ministro dos esportes que não sabe a diferença entre uma bola de gude e uma bola de basquete, o pior ministro dos esportes desde que o ministério foi inventado, o ministro dos esportes sob o qual a cartolagem corrupta recuperou todo o poder que havia perdido sob o ministro anterior, a anta albanesa divulga nota à imprensa politizando o incidente, atacando o jogador argentino que já estava sendo punido da forma legalmente cabível, e arvorando-se em paladino da causa do fim do racismo no esporte. Exatamente o que a República Federativa do Brasil não precisava neste momento: palhaçada do ministro stalinista que “comanda” o esporte sem saber o que é um centroavante. Realmente as cotas do PC do B neste governo são um desastre: um ministro da coordenação política que quer banir a palavra linkar e um ministro dos esportes que se dedica a atacar, para proveito político, um cidadão estrangeiro já preso em terrítório nacional.

Eu estava disposto a comprar briga com a imprensa argentina pela cobertura: ir lá no Clarín, especialmente, escrever cartas e tal (não vou brigar com o Olé, claro). Mas depois da palhaçada desse ministro resolvi que meu papel de cidadão brasileiro seria vir ao blog e

1) apoiar a decisão do delegado;
2) lembrar a todos que é importante observar rigorosamente os trâmites de lei e dar todas as garantias e boa vontade ao Leandro Desábato, que se arrependeu e encarou a situação com dignidade e cabeça erguida;
3) repudiar, repudiar com ênfase infinita, essa carta imbecilóide do Ministério dos Esportes, ministério que tem, deste blogueiro, nota zero pela sua performance até hoje.

Num contexto em que os incidentes racistas passam a ser mais denunciados no futebol da Europa, é certo que este caso estabelecerá precedentes. Num contexto em que o Corinthians Paulista transformou-se em Timón, o episódio acendeu a antropologia racial comparada entre os jogadores.

São 4:00 da manhã em Nova Orleans, 6:00 da manhã em Brasília. Eu sinceramente desejo que o presidente Lula escolha manter silêncio sobre esse episódio.

O papel de discussão é da imprensa, dos blogs, da sociedade civil, não dos políticos proselitistas que deveriam estar governando e não imiscuindo-se num caso que já está na justiça.

Dois lembretes: 1) quaisquer ofensas racistas aqui são apagadas (nunca aconteceu, ainda bem); 2) quaisquer ofensas ao povo argentino e à República Argentina são sumariamente apagadas também (já aconteceu uma vez, infelizmente).

Sei que esses lembretes não são necessários para 99.5% dos leitores do Biscoito, mas eles são feitos em beneficio dos outros 0.5%, porque espero uma caixa de comentários bem animada nesta sexta.

Vocês com a palavra. Debatam à vontade.



  Escrito por Idelber às 03:39 | link para este post | Comentários (104)


Comentários

#1

Seu trotskista sacana e vingativo, este é o seu melhor post da semana. ;)

Rafael em abril 15, 2005 4:30 AM


#2

É bem provável que o Lula ande falando alguma besteira. Ele leva sempre uma comitiva tão grande em suas viagens mas nesse tempo todo de governo esqueceu de contratar um assessor de "vai dar merda"... Ótimo post. beijos!

Renata em abril 15, 2005 4:30 AM


#3

Também estou com medo do Lula. Depois da entrevista dele em Roma dizendo que era um homem sem pecados ( e por isso tinha comungado sem se confessar na Missa do Papa) eu espero qq coisa.
Adorei o post.
Beijos!

Alline em abril 15, 2005 6:00 AM


#4

Acabei de deixar um comentário para a Leila Couceiro, que repito em termos aqui:Fico feliz que o Brasil possa estar dando esse exemplo e que a repercussao esteja sendo grande (apesar de saber que o buraco é muito mais embaixo, a discriminação continua solta e casos como esse não chegam facilmente à mídia). Enquanto isso, ontem a noite aqui na Áustria, o Dr. Di Tutu Bukasa, militante anti racismo, foi covardemente espancado por 6 skinheads e se encontra em estado grave. No meu último post, falei sobre a última (até aqui, as coisas ainda não estão bem delineadas) vitória política de Haider. o que vem daí nnao pode ser coisa boa. Por isso, acho muito bom que o Brasil esteja sendo manchete internacionalemnte, em sentido contrário.
Quanto ao Tas, ele foi de uma infelicidade desconcertante.
E por útlimo: obrigada pelas dicas do Artemio.

Felicia Luisa em abril 15, 2005 6:38 AM


#5

Eu achei espetacular o fato de terem tomado providências, de o Grafite ter denunciado, e principalmente, de abrir um baita precedente para inibir o racismo dentro de campo. Agora falta começar a punir torcedores racistas.
Depois, acabar com a violência, também, dentro e fora dos gramados.
Seria pedir demais?
Grande Abraço,
Marcos

marcos em abril 15, 2005 7:04 AM


#6

Estou saindo para uma viagem de 9 dias ao Rio, mas antes vim aqui ler tua opinião. Creio que - apesar de não ter lido todo o teu post - concordamos.

Encerro meu post de hoje falando também a respeito.

Falou-se tanto sobre Cortázar que - na primeira parte deste post - resolvi recuperar uma pequena história sobre blogueiros inspirada em Cortázar. Acho que, se me visitares, darás boas risadas.

Abraço apressadíssimo.

Milton Ribeiro em abril 15, 2005 7:12 AM


#7

Estou aqui festejando a coragem do Grafite que não teve medo de denunciar o jogador argentino. Esse vai pagar para dar o exemplo. O Lula está na África, ontém no Senegal pediu perdão aos senegalenses pela escravidão e se comparou à João Paulo II que pediu perdão aos judeus. Ainda bem que ele não soltou nenhuma bêtise do tipo, essa cidade é bem moderna, nem parece que estamos na África. Beijos e queijos.

Ana Lucia em abril 15, 2005 7:20 AM


#8

Idelber, post lúcido e objetivo. Não importa o local, hora ou circunstância, crime é crime. Admiro o Grafite pela coragem, sabemos as pressões que os jogadores de futebol sofrem por parte de técnicos e dirigentes. Partilho com você a indignação com o Marcelo Tass, era um a cara que eu admirava na TV e que me decepcionou, por mais de uma vez, em seu blog com opiniões rasteiras. Enquanto no futebol europeu, o mais organizado e profissional do mundo, nenhuma medida concreta foi tomada para deter as manifestações racistas que assolam os campos daquele continente, principalmente na Itália e Espanha, foi aqui, nesta bagunça generalizada que é o nosso futebol que alguém resolveu agir. Abraços, Afonso

Afonso em abril 15, 2005 7:22 AM


#9

Muito bom esse post, minha preocupação é com relação a Copa do Mundo, que vai acontecer na Alemanha, sendo que a Europa( todos nós sabemos ) é palco dos piores incidentes racistas no Futebol... é melhor as "autoridades" tomarem as devidas providências... Abraços...

Andre Delgado em abril 15, 2005 7:35 AM


#10

e chamar alguém de argentino... é racismo tb?

ribs em abril 15, 2005 7:52 AM


#11

O episódio, se por um lado mostrou que esse comportamento racista tende a não ser mais aceito no Brasil, por outro lado, mostrou a hipocrisia da imprensa brasileira, posando de consternada e agindo como se esse tipo de coisa fosse atitude de argentino racista.

O fato do jogador ser argentino certamente não altera nada. Ele deveria ser preso mesmo, e foi. Acontece que recentemente aconteceu o mesmo no Brasil, em um campeonato estadual, com jogadores brasileiros e tudo terminou em um pedido de desculpas e pizza. Quase ninguém ficou sabendo, não houve esse estardalhaço e, se houvesse, é provável que uma parcela maior da imprensa se comportasse como o Sr. Marcelo Tas.

Santa hipocrisia Batman.

Daniela em abril 15, 2005 8:29 AM


#12

Primeiro uma observação de boleiro (e que você também já colocou no post): chamar alguém de negão em jogo de futebol é extremamente comum. Faz parte da cultura futebolística. Contudo, sem a carga claramente racista da ofensa do jogador argentino. É antigo o costume dos jogadores e torcedores argentinos de se referir aos brasileiros como "macaquitos", e uma vez não me lembro em que jogo, chegaram a atirar bananas no campo.
O que mais me parece interessante nesse caso é o ineditismo da sanção penal, e o fato dela ter sido aplicada em terras brasileiras.
O mundo tá meio esquisito: enquanto um jogador argentino é preso por racismo no Brasil, torcedores italianos da Internazionale atiram sinalizador em cima do goleiro Dida na Itália (país desenvolvido) e torcedores da Juventus de Turim perseguem torcedores do Liverpool, objetivando uma "vingança" do massacre de Heysel na final da copa dos campeões de 1985.
Em suma - me alonguei demais para um comentário -
o país da tolerância dá uma lição aos intolerantes. A história do século XX é suficiente explicitar o significado da intolerância, que começa por aí: comentários racistas e "pequenas ofensas" repetitivas.

Roberson em abril 15, 2005 9:00 AM


#13

Espero que depois de aberto esse precedente histórico, as pessoas tomem consciência de que o racismo é uma prática completamente execrável e que deve acabar.

Muta em abril 15, 2005 9:25 AM


#14


Olha, Idelber, teve muita gente legal na Alemanha que apoiou os campos de concentração durante a WWII. O que eu quero dizer (antes que o Tas ache que está certo), é que se o argentino é mesmo um cara legal, isso apenas comprova que a técnica do "macaquito" é uma tradição oficial no futebol latinoamericano. Muitos pensam que o racismo é feito à base de malvados de filme americano quando o elevador social é apoiado por (quase) todos os membros desse prédio que é o Brasil. Quanto à Copa do Mundo na Alemanha, eu tenho que dizer que na Europa o crime de racismo nos estádios vem sendo combatido de forma mil vezes melhor do que nos tristes trópicos. Se ainda não acabou é porque tem muitos "caras legais" que não vem nada de mais em chamar alguém de "macaquito". Abraços.

Fernando em abril 15, 2005 9:26 AM


#15

Olhem bem para foto do Jogador argentino. Vcs ja perceberam que ele não é branco? Pq isso é relevante? Afinal não devem existir somente brancos racistas. Eu acho pertinente pois acredito que os argentinos não se aceitam e o resultado dessa vergonha que sentem por não serem realmente brancos os move a insultar os outros com termos racistas.
A grande parte dos argentinos é descendente de italianos, espanhois e indios. Os italianos e os espanhois são descendentes de arabes que por sua vez tem uma enorme quantidade de sangue africano. È por isso que olhando para uma foto do jogador agressor ( desabato) e do jogador agredido ( grafite) perceberas varios traços que se asemelham. Os dois poderiam ser primos pois os dois tem uma descendencia em commun.
Enquanto os argentinos não se curarem desse complexo que sentem não havera nenhuma lei que os ira impedir de proferir insultos de cunho racial. A lei serve para proteger o jogador agredido o que acho certo + o problema do povo argentino esta na cabeça.

Alexandre em abril 15, 2005 9:31 AM


#16

Perfeito! Análise clara e detalhada de todas as questões envolvidas no acontecimento, de forma lúcida e isenta. Exatamente o que faltou para 99% da nossa imprensa (a argentina tb) na cobertura do caso. A tentativa de se aproveitar da situação e levar uns "dividendos políticos" do nosso Ministro dos Esportes só é sintomática das atitudes de quase todo o governo, infelizmente. Usando uma metáfora do futebol, o governo joga para as câmeras de TV e esquece da "partida". Uma coisa que me chamou atenção no caso foi essa de "nossa, como os Argentinos são racistas". A lei existe, está para ser cumprida e depende apenas de quem denuncie. Mas parece que em nome de manter as aparências e fingir que o racismo não existe aqui (o racismo velado é até mais doentio do que o que acontece às claras)as pessoas não tomam atitudes. Ouvi abobrinhas do gênero "ah, mas o Grafite é um fresco, tá dando atenção demais para isso" até de pessoas negras tb. Parece mais confortável para essas pessoas deixar as coisas "dentro de campo, pq ele falou de cabeça quente" do que realmente fazer algo. Que a atitude do Grafite seja exemplo para a população como um todo e que a lei passe a ser cumprida diariamente. Sem essa de "pq não fizeram isso antes? São hipócritas!". Hipócrita é continuar fingindo que o racismo não existe aqui.

Donizetti em abril 15, 2005 9:32 AM


#17

Depois de todo o transtorno e constrangimento pelo qual Desábato está passando (ser algemado extrapolou os limites), creio ser a oportuna a hora do Grafite pedir desculpas a ele.

mito em abril 15, 2005 9:41 AM


#18

Gostei do artigo, mas teço algumas considerações:
1) Como a legislação brasileira – em especial a penal – é uma colcha de retalhos, inúmeras são as incongruências. Tome-se o caso do crime inafiançável. Por incrível que pareça, pode ser mais vantajoso ser indiciado por inafiançável que por crime afiançável. Seguinte: em linhas gerais, não havendo razão para prisão preventiva, cabe a liberdade provisória, com fiança (crimes afiançáveis) ou sem fiança (inafiançáveis). O sujeito poderia estar solto sem por a mão no bolso, fosse o crime inafiançável...
2) A meu ver, correta a tipificação do delito como injúria qualificada. Mas, notem bem: a injúria é comum no futebol, e nunca vi ninguém sair preso do campo por isso... Aliás, Idelber, chamar o ministro de anta é injúria, cuidado (risos)...
3) Acho o racismo e a discriminação de grupos ou indivíduos por quaisquer motivos simplesmente abominável. Por isso acho as cotas raciais uma coisa absurda, até mesmo inconstitucional: segregacionismo na cara-dura! Lembro também que racismo é uma via de duas mãos... Exemplificando: imaginem uma faculdade voltada para a cultura branca, ou uma revista chamada “Arianos” ou coisa assim. Ia dar o maior fuzuê! Mas uma faculdade voltada para negros ou uma revista como a “Raça”, isso pode...

Ricardo Montero em abril 15, 2005 9:59 AM


#19

E outra coisa que me ocorreu só agora... Se grafite não for nome ou sobrenome, não é um apelido racista, se tomarmos tudo ao pé da letra?
E se o argentino falasse "Grafite de mierda"? Aí, pode?!?

Ricardo Montero em abril 15, 2005 10:01 AM


#20

Depois de tudo isto faltarão bananas em Buenos Aires no próximo jogo de qualquer equipe brasileira.

Grafite não entra mais lá. Que se cuidem os jogadores brasileiros em Buenos Aires. A polícia estará de olho e qualquer deslize equivalerá a uma noite na cadeia.

mito em abril 15, 2005 10:04 AM


#21

O apelido Grafite faz referência ao fato de o jogador ter sido grafiteiro antes de se dedicar ao futebol.

E mesmo que fizesse alusão à cor não mudaria nada. Eu posso ser chamada de neguinha pelos meus amigos e achar isso ótimo, carinhoso. É muito diferente de ser chamada de neguinha no meio de uma discussão.

Isso é o ÓBVIO DO ÓBVIO. Surpreende-me que pessoas aparentemente inteligente não consigam perceber a diferença abissal

Em tempo: quem vai decidir se as cotas são ou não constitucionais é o Supremo. E, pelo que me consta, a maioria lá é a favor, como eu :-)

Daniela em abril 15, 2005 10:15 AM


#22

Parabéns, uma ótima análise do que ocorreu neste meio de semana aqui no Brasil... estaria melhor ainda se você tivesse aprofundado a análise da forma como é tratado o racismo aqui no Brasil...
Você como um adorador de várias coisas da Argentina, deveria saber (e você sabe) que a rivalidade entre Brasil e Argentina foi o que impulsionou, na verdade, este caso. Houve muitos casos, não apenas no campeonato Paulista, como também em todos os campeonatos estaduais, de puro racismo entre os jogadores durante a partida e tudo mais... e como a imprensa anda dando um valor altíssimo, e até justo, sobre o racismo contra negros, vem repercutindo bastante a falta de aceitação das diferenças e também a livre e espontânea agressão verbal.
O negócio é que essa hipocrisia que criaram em cima deste caso, vem apenas pelo jogador ser argentino, visto que muitos casos entre brasileiros tinham sido vistos e nada tinha acontecido. "Poxa, até que enfim, né!? Resolveram colocar a mão na massa e não tolerar mais o racismo no futebol!!!" Sim, é verdade, mas não deixo de dizer que pegaram um argentino pra Cristo, e isso engloba com a rivalidade entre as nações, da qual seria também uma outra forma de racismo, desta vez de nacionalidade.
Apesar de tudo, gostei de ver o Brasil como um pioneiro na condenação de atos racistas, pelo menos pode ser de exemplo para a Europa, onde anda acontecendo muita cagada sobre isso... agora, eu só quero ver o seguinte, se irão tratar com a mesma rigidez novos casos que acontecem em quases todos os jogos no mundo... a intolerância não vem só da falta de educação do povo, mas também pela competitividade que acontece durante o jogo... o sangue tá lá em cima, pura adrenalina e muitas vezes, jogadores cometem atos irracionais, o que não quer dizer que alguém é racista ou não... é também uma forma de provocação, precendida de uma agressão, inevitável.
Acho que nem levaram em conta a resposta violenta do Grafite, pois ele apenas se 'defendeu' de uma ofensa... quer dizer então, que quem nos ofende racistamente poderemos então ser agressivos e agredir a pessoa? Realmente, foi um ato inocente do garoto...
Agora, hipocrisia maior é ver alguém ser chamado de Grafite (da qual, a única definição que enxergo é que seja por sua cor de pele) e não condenar isso racista... é por que não é falado num ato de ofensa!? Apenas de definição!? E negrito não pode, só grafite!? Tudo bem, estou sendo um idiota, mas enfim...
Quero ver outros movimentos que são descriminados também, sairem por aí e reclamarem por seus direitos... não existe apenas o racismo de cor... todos sabemos... mas caso chamarem um amigo meu de branquelo ou alemão, vou por na cadeia também!
HeHe

FrOg em abril 15, 2005 10:16 AM


#23

Complementando o que eu deixei passar. As universidades não precisam ser voltadas para a cultura "ariana". Basta deixar tudo como está: os negros quase não entram, os pobres idem.

Em Salvador, a cidade com maior população negra fora da África (mais de 80%), alguma coisa perto de 11% de universitários são negros. Os negros já estão subrepresentados. Não existe a mínima necessidade de se criar uma universidade ariana.

E é apenas pelo fato dessa subrepresentação na mídia, nas universidades, nos postos de comando, entre os formadores de opinião, nas capas de revistas, nas novelas, etc e bla bla bla, que uma revista como a Raça existe.

Daniela em abril 15, 2005 10:21 AM


#24

deveria haver uma opção edit aqui, mas tudo bem.

errata: pessoas aparentemente inteligentes

Daniela em abril 15, 2005 10:22 AM


#25

Manda brasa, Daniela, teus comentários estão porretas tanto aqui quanto no seu blog quanto no meu. Idelber, também fiquei chocada com o cinismo da cobertura argentina. No entanto, vi no Pedro Dória que numa enquete do Clarín, 60% dos leitores foram a favor da prisão do jogador por ato racista. Ou seja, apesar do racismo que permeia a sociedade TANTO NA ARGENTINA QUANTO NO BRASIL, é bom ver que a maioria ainda condena ideologicamente essa prática. O que precisamos é botar o dedo na ferida, apontar o racismo de todas as formas (como fez o bravo Grafite), até que a sociedade aprenda a enxergar o preconceito onde antes achava que era "normal". Estou vendo que alguns comentaristas aqui estão tendo dificuldades de enxergar a gravidade da ofensa perpretrada pelo Desabato, e até com peninha dele.

Quanto à nota do Agnelo, também estou contigo, Idelber, e aliás morro de rir quando vejo o amadorismo panfletário de certas notas à imprensa. O público agora é outro, não é mais a militância do partido; ou eles profissionalizam a redação das suas notas e discursos, ou vão continuar sendo alvo de ridículo.

Leila em abril 15, 2005 10:40 AM


#26

Nada a acrescentar, você disse tudo. Só acho que o argentino poderia ter sido enquadrado pelo crime de racismo sim, não há outra interpretação para "negro de merda" que não racismo. Diferente do uso de um tom jocoso ou afetuoso, sem intenção de ofensa, eu mesmo chamo um dos meus melhores amigos de "neguinho", isso desde que éramos crianças. Ninguém que me ouvir chamando ele assim teria dúvidas de que o tom é jocoso e afetuoso. A própria lei define o animus jocandi como excludente de ilicitude, como essa avaliação acaba sendo subjetiva, cabe agir só mediante denúncia daquele que se sentir ofendido.

Roger em abril 15, 2005 10:58 AM


#27

"Depois de tudo isto faltarão bananas em Buenos Aires no próximo jogo de qualquer equipe brasileira."

O comico e triste desse comentario é que se uma equipe brasileira jogar na argentina e jogarem bananas em campo boa parte das pessoas enxergarão nisso um insulto racista condenavel ou um insulto merecido por qualquer razão que seja, mesmo relacionado a raça.

O triste é que se desperdiciaria alimentos numa nação onde 50% da população vive abaixo da linha da pobreza e se alimentam de uma forma precaria.

O futebol causa cenas belas e tbm cenas irracionais.

Alexandre em abril 15, 2005 11:25 AM


#28

Daniela, as cotas raciais são racistas, sim. Só não enxerga quem não quer.
Quanto à opinião do Supremo, é eminentemente política (o que pode ser observado em todas as suas decisões). Eu poderia até pegar a CF e trazer os artigos aqui para análise, mas sei que é inútil tentar te convencer.
A existência de cotas nas faculdades vai criar estudantes de segunda categoria, que serão discriminados pelo ingresso com base em autêntica muleta. Isso em nada ajuda a integração racial, concorda?
Ademais, a discriminação que existe no Brasil é econômica. Negros ricos vivem tão bem quanto brancos ricos.
Se as cotas tivessem critério econômico, seriam aceitáveis. Com esse sistema, o pior de tudo será a situação de ser branco e pobre.
Quanto à faculdade "negra" e a revista "Raça", repito aqui a questão: quantos dias ficaria livre um cidadão que criasse uma revista ou faculdade voltada para os valores dos brancos? Daniela, sem hipocrisia, esse cidadão estaria vendo o sol nascer quadrado... Ou você acha que isso seria aceitável???

Ricardo Montero em abril 15, 2005 11:30 AM


#29

Ricardo: já existe uma infinidade de revistas "voltadas aos valores dos brancos". Chamam-se Veja, IstoÉ, Exame, Epoca, etc. Mesma coisa quanto às faculdades: não é necessário criar faculdades "voltadas aos valores dos brancos" porque todas as faculdades brasileiras já o são desde sempre. É tão difícil entender isso e parar de fazer essas comparações ESDRÚXULAS?

Quanto às cotas, please: dê uma guglada nos resultados das pesquisas que se fizeram na UERJ e UFBA, depois da implantação do sistema de cotas, para ver como você JA ESTÁ equivocado ao supor que elas "criariam estudantes de segunda classe". Os dados mostram que tanto na UERJ como na UFBA (as duas universidades para as quais há pesquisas sobre rendimento) os cotistas tiveram aproveitamento igual ou ligeiramente superior aos não cotistas. Há uma bibliografia sobre o assunto, Ricardo. Dá uma procurada e volta.

Idelber em abril 15, 2005 11:41 AM


#30

Parabéns! Muito bom o teu post. Quarta eu estava no Morumbi. Ali, na hora, não entendemos o porquê de sua expulsão mas, sei lá, intuitivamente, aplaudimos e gritamos seu nome mesmo sendo expulso. Um comportamento anormal esse, pois a torcida do São Paulo mais vaia do que aplaude. Findo o jogo, descobrimos que fizemos a coisa certa ao aplaudir o Grafite. Para quem está preocupado com os próximos jogos de brasileiros na Argentina: nada acontecerá, tirando, talvez, mais vaias e xingamentos. A FIFA e a Conmebol estarão muito atentas a esses jogos.

emerson em abril 15, 2005 11:51 AM


#31

Ah, eu até pensei em escrever algo sobre esse ministrinho de meia pataca, mas já basta o tempo que você perdeu escrevendo sobre ele. Não compensa perder mais tempo ainda com isso.

emerson em abril 15, 2005 11:54 AM


#32

Prof. post maravilhoso! O que falar? Deixei "comment" ontem na Daniela (primeira a postar) e depois na Leila e so posso dizer que vocs 3 juntos estao mandando bem que eh uma beleza! Ate desisti de ler publicacao oficial, porque a elucidacao dos fatos aqui, la e acola estao bem mais interessantes! So fiquei com pena do Tas, porque quem pisou literalmente na banana foi nosso querido menino Poli, hein? Como diz Biajoni: Vai dizer?
Beijao!

Leitrora/Fa em abril 15, 2005 12:00 PM


#33

Ricardo Montero,

Cotas é um assunto pra se debater horas a fio e eu escreveria um livro com argumentos a favor. Como o veículo e nem o tempo permitem, tentarei ser breve. De qq maneira já postei minha opinião panorâmica sobre o assunto no meu blog (http://idiossincrasia.weblogger.terra.com.br/200411_idiossincrasia_arquivo.htm).


Primeiro: "Daniela, as cotas raciais são racistas, sim. Só não enxerga quem não quer."

Discordo. Isso é a sua opinião. A minha, muito à propósito, é diferente.

Segundo: eu conheço a Constituição Federal e lá diz que "todos são iguais perante a lei". Acontece que alguns são mais iguais que outros. Essa defesa da igualdade estática (Somos iguais porque a lei diz isso) já está mais do que ultrapassada. O ex-ministro do Supremo Marco Aurélio Mello defende que "Do artigo 3º vem-nos luz suficiente ao agasalho de uma ação afirmativa, à percepção de que o único modo de se corrigir desigualdades é colocar o peso da lei, com a imperatividade que ela deve ter, a favor daquele que é tratado de modo desigual."

Se for ler o artigo três vai ver que lá se encontram diversos verbos de ação, a saber, "construir", "garantir", "erradicar" e "promover.

"construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação"

Você continua achando que a igualdade que, embora esteja na letra da lei não existe de fato, vai se concretizar sozinha? Tipo, no dia que ela sentir vontade? Curioso :-)

As cotas já foram criadas, se vc ainda não sabe. Pesquisas inclusive já foram feitas avaliando o desempenho dos cotitas e o desempenho se mostrou equivalente e, em alguns casos (como a Estadual da Bahia, por exemplo) se mostrou superior ao dos não-cotistas. O medo era infundado, como vc pode ver.

A discriminação existente no Brasil é econômica? Tsc tsc tsc, que argumento elementar!!! Quer dizer que, se a pobreza acabasse num toque de varinha de condão o racismo iria junto? Quer dizer que negros mais abastados, de classe média não sofrem preconceito? Ah, então diga isso pro guarda que me para todo dia na porta do shopping onde fica a minha academia e pergunta pra onde eu vou(são 6 da manhã e o shopping está fechado). Engraçado é que eu estou com roupas de ginástica e ele não para nenhum dos brancos. Vai ver ele acha que alguém da minha cor não pode pagar aquela academia. Mas, perái, o preconceito não é econômico??

Se você ler o projeto de lei, vai saber que as cotas não atingem os negros ricos, apenas os que estudaram na escola pública.

E, concluindo, acho que nenhuma forma de racismo é aceitável. E é por causa dele que os negros tiveram que fazer "revistas de negro". A menos que vc me diga que, num país onde metade da população é negra, metade dos apresentadores de tv, das modelos, das capas de revistas, dos professores universitários tb o são. Ou eu e vc não nascemos no mesmo país, ou vc fecha os olhos deliberadamente ao fato de que quase todas as apresentadoras de tv são brancas. Na minha época as infantis eram todas loiras. Um espectador desavisado pensaria estar assistindo a tv norueguesa.

Idelber, desculpe tomar tanto do seu espaço. Ainda bem que aqui não tem limite de caracteres. :)

Ricardo, se me permite a sugestão, leia o artigo do Marco Aurélio. Você pode encontrá-lo em http://gemini.stf.gov.br/netahtml/entrevistas/MA_20122001.htm

Carpe Diem

Daniela em abril 15, 2005 12:02 PM


#34

Idelber, virei sua fã!!!! :))))

Leitrora, ce leu isso? rsss

Daniela em abril 15, 2005 12:03 PM


#35

Eu já virei seu fã também, Daniela. Escreva à vontade. A página estica. :)

Idelber em abril 15, 2005 12:11 PM


#36

NÓS PERDEMOS O SENSO DE RIDÍCULO...

Dentro do Brasil (e provavelmente em qqr outro lugar) tb é proibido xingar de FdP, cuspir ou agredir outrem, logo devo crer q 2o vcs VerdAmarelos todas as vezes q isso ocorrer dentro de um campo de futebol ou de uma quadra (isso existe em todos os esportes coletivos) o meliante deve ser preso?!?

Vai faltar cadeia no mundo!!!

Msim em abril 15, 2005 12:17 PM


#37

Idelber, admirável o seu equilíbrio, isenção e sabedoria que, na proporção que lhe sobram neste episódio, faltam à maioria dos nossos políticos. Deus nos livre da retórica futebolística do nosso presidente!

Bear em abril 15, 2005 12:18 PM


#38

Desculpe fazer uma nova intervenção. Agora, pra comentar a lei contra o racismo (Do ponto de vista de um cidadão. Não sou jurista).

Por que chamar alguém de filho-da-puta não leva ninguém pra cadeia e chamar de neguinho, macaco e outras expressões pejorativas leva? Não é tudo insulto?

É. Porém, o "filho-da-puta" se esgota quando acaba a raiva. Não tem efeitos colaterais duradouros. Já os insultos de natureza racial perpetuam um preconceito que tem causado prejuizo social e econômico aos negros. E a sociedade brasileira, através da lei, está dizendo que não quer ver esta situação perdurar.

Esta é a diferença. Se por trás do insulto não houvesse o preconceito arraigado, o tratamento diferenciado e prejudicial aos negros, chamar alguém de macaquito, macaco ou neguinho seria apenas mais um insulto.

Bear em abril 15, 2005 12:35 PM


#39

Precisava prender o cara por ter dito um monte de asneira, ainda que no calor do jogo? Precisava. Mas precisava mesmo. Simplesmente porque o Grafite, este grande centroavante que não fez mais que 2 ou 3 tentos na temporada em que jogou no Grêmio (calma, Tiago, pra não ser um boçal como o argentino) fez valer o direito dele. Foi preconceito? Foi, ele gritou, Grafite chamou na cidadania e ponto final.

Além disso, ele - e até o Leóz, que disse que "esse jogador não joga mais a Libertadores" - meteu um golaço nos colegas de UEFA, que assistem os torcedores da Lazio com bandeiras nazistas nas arquibancadas e que punem com trocados estádios inteiros gritando como macacos.

Lembro da reação de três nigerianos sub-20 que desembarcaram no Beira-Rio, mês passado. Eles disseram à imprensa que estavam surpresos pela recepção calorosa que tiveram - e salientaram o fato de que os colegas de clube os abraçaram e apertaram suas mãos. Por aí, se tem uma noção do que acontece com esses garotos quando vão jogar na Europa.

Coincidência ou não, Lula pedia desculpas pela escravatura em viagem à África...

Quanto ao Agnelo, obrigado por ter escrito tudo o que eu penso, de maneira muito melhor. Assino embaixo. E sim, melhor post da semana.

tiagón em abril 15, 2005 12:46 PM


#40

Grande Tiagón!

Idelber em abril 15, 2005 12:48 PM


#41

Ótimos comentários do Bear, do Tiago e da Daniela. Idelber, fiz um post a respeito... Aparece lá.

Donizetti em abril 15, 2005 12:55 PM


#42

Publiqué, debidamente intervenida con corchetes de mi autoría, la noticia de ayer: la detención del estúpido Disábato por crímenes de hate speach ("O crime de racismo é inafiançável no Brasil, mas Leandro foi enquadrado em crime de injúria com agravante em discriminação racial, este sim, fiançável").
Idelber Avelar me contesta hoy, creyendo que yo, de algún modo, adhiero al punto de vista infame del jugador, el cónsul argentino o el directivo quilmeño. Nada de eso, querido amigo. Por mí, que se lo guarden al tarado de Disábato y lo expongan en la plaza pública. Sólo la vergüenza propia (otra vez un argentino dando que hablar alrededor del mundo) motivó que me refugiara en el doble sentido de la ironía.
Y no es una cuestión de idiomas o países, Idelber: aquí también (por eso el cónsul argentino y el directivo fueron cínicos en sus declaraciones) "negro de mierda" es una injuria y un acto de hate speach que no debiera tolerarse. Pero muchos argentinos se creen en un más allá de la corrección política (y así nos va). Muchos, pero no todos: la encuesta del diario La Nación de ayer arrojaba los siguientes resultados: el 60 % de los votantes condenaron las palabras de Disábato. Yo, entre ellos.
Y de nada serviría que invocara, ahora, mis créditos previos para garantizar la buena fe de mis dichos: los actos de lenguaje no se miden por sus intenciones sino por sus efectos. Mis disculpas, pues, a los amigos de Brasil.


Querido Daniel: !!no tenés nada de que disculparte!! yo en mi torpeza, y ya a las cuatro de la mañana, exhausto, no me di cuenta de que el contenido de tu post era obviamente irónico. Me alegro de que con la velocidad de la blogosfera podamos hacer esas correcciones y aclaraciones instantáneamente. Ya he publicado, en el interior del post, una actualización que aclara mi equívoco de lectura. Abrazos fuertes, Idelber

Linkillo em abril 15, 2005 12:58 PM


#43

"Oh, meu Deus! Nós, machos brancos, estamos sendo ameaçados, seremos esmagados pelas mulheres, pelos negros, pelos pobres! Eles vão tomar de assalto nossas universidades, a mídia, nossos empregos! A raça negra passará a ser a opressora! As mulheres irão nos emascular e nos demitir de nossos cartos! Heeeeelp!" Soa ridículo? Pois é exatamente isso que as pessoas que são contra as cotas, contra a equal opportunity, e contra a atitude do Grafite, estão gritando por aí. É simplesmente a estratégia da direita para tentar manter o status quo racista e desigual na nossa sociedade, se bobear torná-lo ainda pior. Claro que muita gente bem intencionada acaba acreditando nesse discurso, e acredito que o Ricardo seja um deles. Mas Ricardo, pode acreditar, eu moro nos EUA e trabalho numa universidade americana, e que eu saiba nenhum incompetente é contratado ou aceito como aluno só por causa de sua etnia ou gênero. O que eu vejo à minha volta é um grupo competentíssimo de pessoas das mais variadas origens e raças. No Brasil, se você trabalha num cargo de profissional liberal, os poucos negros que você encontra na empresa são o office boy e o faxineiro. Mesmo um negro que consegue chegar à universidade encontra mais preconceitos em entrevistas para emprego. Então, já está mais que chegada a hora de criar oportunidades para os negros ascenderem economicamente no Brasil. E isso não é racismo, ou "racismo às avessas", expressão que a direita gosta de usar. É solidariedade, pagamento de dívida social, e uma estratégia que renderá dividendos para a nação como um todo, inclusive os "brancos" da classe média e alta.

Leila em abril 15, 2005 12:58 PM


#44

Você disse tudo, Idelber, não tem nada a completar. Diga-se de passagem que eu também achei muito estranha a nota do ministro, e não entendi a utilidade dela, afinal isso é uma questão da justiça e o governo não é ONG. Fiquei feliz que você tenha abordado a questão de forma tão contundente.

Ana Lúcia: infelizmente o Lula soltou outra pérola nessa viagem à África, comparando "a dor da escravidão" com a de um "cálculo renal"...

Ricardo Monteiro: "as cotas raciais são racistas, sim. Só não enxerga quem não quer". Típico: "esse monte de gente que discorda de mim é tudo burro e cego". Descarto liminarmente argumentos desse tipo. Os outros já foram rebatidos convenientemente.

Msim: se todas as vezes em que houver ofensa racista o ofensor for preso, com certeza os casos vão diminuir. É pra isso que serve o direito penal, caso você não saiba.

Idelber: você tem o melhor "time" de comentadores da blogolândia brasileira.