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Um weblog anti-apocalíptico sobre polí­tica, música, futebol e literatura.



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terça-feira, 31 de maio 2005

Drops

1. Já é oficial, então posso anunciar: o 6º Salão do Livro de BH, que acontece de 11 a 21 de agosto deste ano, incluirá no dia 12, sexta-feira, uma mesa sobre blogs e literatura (não, não será aquele velho papo de se blog é literatura, não). O Salão, junto com o Biscoito, estenderá o tapete vermelho para receber dois paulistanos muito especiais: Alexandre Inagaki e Fal Azevedo comporão comigo essa mesa no evento. Promete-se transmissão ao vivo e outros babados. Dizem que um certo grande pandeirista aparecerá. Quem é de BH está intimado a aparecer. Quem não é daqui e quiser visitar, é ótima época. Vem Afonso Avila, vem Silviano Santiago, vem Millôr Fernandes, vem muita gente boa.

2. Da série livros maravilhosos que me esperavam aqui em BH: obrigado ao poeta mario cezar coivara pelos dois volumes, coivara e maturi. Poeta extraordinário mesmo, que eu admiro e desde sempre linko no Biscoito. Em maturi, diz coivara:

porque não descansarei
enquanto a doutrina da água
não entregar o prefácio do beijo

Missiva recebida com gratidão, poeta. Em breve, resenha mais detida da poesia de coivara. Enquanto isso, visitem o blog.

b. obrigado à caraqueña Prof. Teresa Cabañas por um livro precioso, A Poética da Inversão: representação e simulacro na poesia concreta (Goiânia, 2000). Desde o ano em que o Coritiba foi campeão brasileiro, a Prof. Teresa é nossa co-cidadã aqui na pátria amada. Pós-graduou-se na Unicamp e hoje é professora da Federal de Sergipe. Honra-nos, estudando e lecionando a nossa literatura. Obrigado pelo livro, Teresa.

c. De Victoria Howitz, da Fundación Antorcha, República Argentina, eu agradeço esse livro alucinante que é a Antologia Bilíngüe Puentes / Pontes (Fondo de Cultura Económica, 2003), de poesia brasileira e argentina contemporânea. Não dá para começar a descrever esse livro. Comprem! 20 brasileiros e 20 argentinos, todos em ambas as línguas. Do Brasil, feras como Cacaso, Ana Cristina César, Leminski, Wally Salomão. Da Argentina feríssimas como Perlongher e Pizarnik. Imperdível. Obrigado, Victoria.

d. falando de Argentina, chegam à BH os livros do visitadíssimo Daniel Link. Linkillo é o blog não-brasileiro que mais manda leitores ao Biscoito. Thanks, bro.

e. de Michael Bérubé chega o pagamento da aposta do torneio universitário de basquete. Maravilhoso livro de Michael sobre a experiência com Jamie, seu filho que tem síndrome de down, e uma bela antologia de ensaios sobre estudos culturais. Thanks for being gracious in defeat, bro.

3. Ajude o Mauro Amaral, gente finíssima do Carreira Solo e designer do selinho do Decálogo dos Direitos do Blogueiro, a ganhar um iPod. É só cadastrar-se nesta promoção do Buscapé.

4. Reforma Universitária: O intenso calendário com meus filhos e com o trabalho acadêmico ainda não me permitiu ler muito mais além do próprio texto do projeto de Reforma Universitária. Ainda há algumas leituras que quero fazer. Mas sabem? eu sou muito amigo e velho compadre de uma das pessoas mais top no referente à educação superior no Brasil hoje, a Reitora da UFMG, Presidente do Conselho de Reitores do Brasil (e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Lula) Dra. Ana Lúcia Gazzolla. Ainda não procurei Ana Lúcia por puro respeito ao alucinante horário que ela tem hoje (que inclui regulares aparições no Jornal Nacional, reuniões com o Ministro, e tal). Mas até papear com Ana Lúcia não emitirei opinião sobre a Reforma. Ela tem suas razões para ser contra as cotas, eu tenho minhas razões para ser a favor; e quero escutá-la. Mas pelo que li da Reforma, até agora, ela me parece epidérmica. Nada ali é ruim necessariamente, mas nada altera muita coisa. É uma primeira impressão.

5. Nesta quarta-feira, a partir das 8:30, no Glutões (da Cidade Nova, rua Júlio Otaviano 500 e pouco), vamos nos reunir para a cervejada o Biscoito, o NCC e Monicomio e amigos. Estão convidados todos os blogueiros de Belo Horizonte, viu? Se algum louco quiser dirigir um FIAT de Sampa até aqui para nos ver, maravilha.

6. Patrocinado pela Funarte e pela Petrobrás é o Projeto Pixinguinha, que passeia pelo Brasil divulgando a obra do Maior de Todos com três grandes instrumentistas: Antúlio Madureira, Lia de Itamaracá e Roberto Mendes. A brincadeira viaja pelo Brasil mas começa hoje, em BH, às 21 no Teatro Alterosa. Quem sabe a gente atrasa a cerveja um pouquinho?

7. Está cancelada até segunda ordem a Fenomenologia da Fumaça. Cansei de escrever toda semana sobre isso. Ando segurando a onda razoavelmente bem.

8. Está impagável o post do Cardoso sobre o Miss Universo. Êta blog bom.

9. Neste fim de semana assisti seis partidas do Campeonato Brasileiro. Estou horrorizado. Equipes medíocres, violentas, sem criatividade no meio-de-campo, funcionando na base do chutão e do chuveirinho, inúmeros passes errados, arbitragens horrendas, tudo sem inspiração. Enquanto isso, claro, Ronaldinho Gaúcho e Kaká encantam a Europa.

10. Depois de uns 22 anos lendo a Folha, o meu jornal diário passou a ser o Globo. É uma decisão que vem amadurecendo já há umas semanas. Isso não quer dizer que eu deixe de olhar a Folha (ou o NYT ou o Página 12). Mas o meu jornal de todo dia passou a ser o Globo. Estou curtindo a variada.


PS pós-cervejada: Foi deliciosa a reunião de blogueiros de BH. Batemos papo como se fôssemos velhos amigos. O relato e as fotos do encontro estão lá no Prás Cabeças.



  Escrito por Idelber às 22:13 | link para este post | Comentários (32)



segunda-feira, 30 de maio 2005

Belo Horizonte

Eu tenho por Belo Horizonte esse amor cheio de idealizações que é próprio dos expatriados. É curioso chegar aqui anualmente e renovar esse amor com rituais que beiram o patético: ir à Praça da Liberdade comer uma coxinha de galinha com guaraná; ir ao Mineirão ver um jogo (não, eu não fui ver o vexame do Galo ontem; preferi passar o dia com meus filhos, decisão muito sábia); ir ao Santa Tereza e redescobrir que ainda há lugares onde as pessoas passam 8 horas numa mesa de bar, bebendo e cantando até o amanhecer. É difícil explicar como é, para um expatriado, descobrir o que já se sabe, ver o velho com olhos de novidade. Estar de volta no Brasil, estar de volta em Minas.

É curioso porque, analisando-se friamente, Belo Horizonte não é uma cidade das mais fascinantes. Não tem praias e hospeda a população mais obcecada com praia que há no mundo. Você quer falar de praia, tecer teorias sobre a praia, chame um mineiro. Você escutará as teorias mais insólitas.

Bonita a cidade não é, com certeza. Porto Alegre, por exemplo, é muito mais chamativa plasticamente. O trânsito de Belo Horizonte é o pior que eu conheço, e olha que eu já viajei por este mundo (sempre que digo isso, meus amigos paulistanos exibem o comprimento dos seus engarrafamentos e o tempo que passam no trânsito; em números absolutos, eles têm razão, mas acreditem: São Paulo não chega aos pés de BH em caos por centímetro quadrado).

BH é um arraial planejado para existir dentro de uma avenida circular, a Contorno. A cidade se espraiou loucamente em todas as direções e transbordou a Contorno por dezenas de quilômetros, mas continua existindo como se fosse o velho arraial. Enquanto que é perfeitamente possível, por exemplo, viver em Copacabana de forma relativamente auto-suficiente, em BH todos os cinemas, teatros, repartições públicas e tudo o mais continuam localizados dentro da Contorno. Todo mundo tem que ir ao centro por algum motivo. O centro é um aglomerado de ruas estreitas, planejadas para abrigar o movimento de uma população de, no máximo, uns 200.000. O resultado é que 3 milhões de pessoas vivem aqui em convergência permanente em direção a um espaço onde elas não cabem. Dirigir no centro de BH é das experiências mais enlouquecedoras que pode passar um ser humano.

De onde vem, então, o fascínio? BH combina, de forma singular, o cosmopolitismo e o provincianismo. Cosmopolita, cheia de opções culturais, BH mantém algo do velho Curral d’el Rey: os mineiros dão informação, por exemplo, como se ainda estivessem no arraial. Tudo é logo ali. Tudo tem uma certa intimidade que não noto nem mesmo em cidades menores, como Curitiba ou Fortaleza.

O salto cultural dado pela cidade nos últimos anos foi impressionante. Eu sou muito crítico do governo federal, mas há que se reconhecer que as sucessivas prefeituras petistas belo-horizontinas (em coalizão com o PSB e o PC do B) têm sido notáveis. BH é hoje a capital internacional do teatro de bonecos. É conhecida mundialmente pelos seus eventos de teatro de rua. Acontecimentos como o Salão do Livro e o Comida de Buteco continuam atraindo multidões anualmente. A cena musical continua tão rica como sempre foi, mas muito mais estruturada e com melhores canais de comunicação com a população. À pilhagem das igrejas evangélicas sobre os cinemas seguiu-se uma proliferação de cineclubes que fazem que a oferta de cinema hoje seja ainda melhor do que era quando a cidade possuía suas salas de cinema clássicas. Os bairros periféricos fervilham de atividades culturais inovadoras.

Há tempos escrevi um post, ainda no velho UOL, que diferenciava cidades-véu de cidades-vitrine, cidades que o abraçam quando você chega e cidades que exigem um guia. BH pertence a esta última categoria. Chegar aqui e zanzar ao léu, como é possível zanzar em NYC ou no Rio, é decepção na certa. A cidade não se oferece a você e não o seduz, como Salvador. Você tem que seduzi-la.

Tudo aqui é cheio de recovecos. As pérolas estão escondidas. Mais ou menos como na psicologia do mineiro, a melhor parte é a que se esconde atrás do véu e que só se descobre com o tempo.

É muito intensa a experiência de renovar esse laço com a cidade.



  Escrito por Idelber às 01:00 | link para este post | Comentários (43)



sexta-feira, 27 de maio 2005

Seleção Brasileira x Clubes

A partir de qual jogo os confrontos da seleção de futebol contra clubes brasileiros passam a ser proibidos, ou pelo menos fortemente desaconselhados pela antiga Confederação Brasileira de Desportos? Quando e onde ocorreu esse histórico embate? Qual foi o resultado final e qual dos gols dessa partida foi anotado em situação irregular? Se alguém souber a escalação das duas equipes, claro, aí fica mais bonito ainda.



  Escrito por Idelber às 04:04 | link para este post | Comentários (16)




Baião e Bossa Nova, gêneros mineiros

gonzaga.jpg

Há um estranho e bairrista professor que defende a insólita tese de que a bossa nova na verdade não nasceu no Rio e que o baião não nasceu nem no Nordeste nem no Mangue carioca. Ambos são, na verdade, gêneros cujos momentos fundamentais de constituição acontecem em Minas Gerais. Tirando seu exagero, por que não seria incorreto dizer que o nascimento da bossa nova e do baião passam por Minas Gerais, apesar de que isso quase nunca se menciona? Quando e como passam esses gêneros por Minas nos momentos imediatamente anteriores ao seus nascimentos?



  Escrito por Idelber às 03:58 | link para este post | Comentários (12)




Seleção mineira dos últimos 30 anos

Dida, Nelinho, Vantuir, Luisinho e Paulo Roberto; Cerezzo, Palhinha e Paulo Isidoro; Ronaldinho, Reinaldo e Éder.

Discordâncias?



  Escrito por Idelber às 03:56 | link para este post | Comentários (11)




Um jogador do Bahia que cometeu suicídio

Um jogador do Bahia uma vez cometeu suicídio depois de um clássico contra o Vitória, por um motivo relacionado a algo ocorrido na partida. Quando aconteceu esse jogo e o que ocorreu nele que levou esse jogador a suicidar-se? É das histórias mais insólitas que eu já ouvi sobre o futebol brasileiro.



  Escrito por Idelber às 03:55 | link para este post | Comentários (4)




Exercício de memória política no condicional

lula-comicio.jpg

Como sabe quem lê este blog, seu autor foi militante do PT durante muito tempo e lamenta muito que Lula não tenha sido eleito em 1989, na eleição em que Fernando Collor de Mello, com inestimável ajuda extra-campo, ganhou a parada. Naquele momento o PT previa posição dura contra o sistema financeiro internacional, pesada taxação do capital especulativo e outros elementos de um programa bem mais radical que o de hoje. O que teria sido do Brasil se Lula , não em 2002 ou 1998 ou 1994, mas em 1989? Caos? A mesma coisa? Algo muito mais interessante? O mundo seria hoje o mesmo?



  Escrito por Idelber às 03:51 | link para este post | Comentários (7)




Filósofo esloveno Slavoj Žižek sobre o ciúme

“Mesmo que as alegações do marido ciumento – de que a sua mulher anda indo para a cama com outros homens – sejam completamente verdadeiras, isso não muda nada no fato de que o seu ciúme é uma estrutura patológica. O ciúme é paranóico e patológico independentemente da veracidade da suspeita, eis aí um dos ensinamentos da psicanálise de Jacques Lacan”.

(Slavoj Žižek)



  Escrito por Idelber às 03:46 | link para este post | Comentários (3)




Animais na Seleção Canarinho

bicho.jpg


Já vestiram a camisa da seleção brasileira, desde as priscas eras, pelo menos 14 jogadores conhecidos por apelidos que são nomes de bichos. Quais são eles e em que época jogaram pela seleção?



  Escrito por Idelber às 03:44 | link para este post | Comentários (13)




Quem Disse?

1. “Treino é treino, jogo é jogo”.
2. “Não me venha com a problemática que eu não tenho a solucionática”.
3. “O pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube”.
4. “Quem tem que correr é a bola”.
5. “Já acabou? Que campeonato curtinho essa tal de Copa do Mundo!”


(a frase número cinco não é uma citação exata, mas é uma reconstrução bem aproximada, feita de memória)



  Escrito por Idelber às 03:43 | link para este post | Comentários (5)




Seleção gaúcha dos últimos 30 anos

Manga, Arce, Figueroa, Anchieta e Paulo Roberto; Batista, Falcão e Paulo César Caju; Ronaldinho Gaúcho, Dadá Maravilha e Mario Sérgio.

Discordâncias?



  Escrito por Idelber às 03:43 | link para este post | Comentários (9)




Galo x Corinthians

galo1.jpg

Eu não sei onde vocês vão estar no domingo às 15 horas, mas eu estarei na Churrascaria Farroupilha, na subida da Abraão Caram, entrada do Mineirão. Atleticanos da Sagrada Família, da Zona Leste e amigos da Galo Metal - confirmada a esquentada dos tamborins para o jogo contra o Curíntia.

Aproveitando a ocasião, fica a pergunta:

Qual foi o primeiro jogo entre Galo x Corinthians? Quando e onde aconteceu? Que ocasião ele marcava, ou seja, por que esse jogo é especial? Qual foi o placar final? Vamos ver quem aparece com as respostas e alguns detalhes sobre esse jogo histórico.



  Escrito por Idelber às 03:39 | link para este post | Comentários (3)



quinta-feira, 26 de maio 2005

A mais nova crise do governo Lula

O governo Lula enfrentou nesses últimos dias mais uma crise de gerenciamento político no parlamento. Depois de um flagrante envolvendo Maurício Marinho, indicado do PTB de Roberto Jefferson para os Correios, a oposição – previsivelmente – passou a levantar a bandeira de uma CPI para apurar as denúncias. A forma como a direção petista lidou com o problema foi um festival de bateção de cabeças.

Eu não tomo a existência dos Waldomiros Diniz e dos Maurícios Marinho como prova de que “político é tudo igual” e que “o PT é igual aos outros”. Não necessariamente. O que se espera de um governo não é que jamais haja um caso de corrupção no primeiro, segundo ou terceiro escalões. O que se espera é que, uma vez substanciada uma denúncia, a apuração seja feita. Se a oposição se apóia num "denuncismo", a melhor maneira de combatê-lo é efetivamente investigar as denúncias reais (e neste caso havia muito mais que uma denúncia: havia provas).

Se o PT tivesse tomado a iniciativa da CPI ou da apuração, ele teria esvaziado a iniciativa da oposição, e de quebra teria se fortalecido para as negociações com o PTB dentro da base do governo. Escolheu o caminho que era, ao mesmo tempo, o menos ético e o mais burro. A direção petista tem usado o argumento de que a oposição quer desestabilizar o governo – o que não deixa de ser verdade – para implementar um projeto autocrático de partido. Justificam absolutamente tudo com o fantasma da volta da direita. Justificam, inclusive, a adoção de métodos que já não os diferenciam da direita.

Depois da aprovação da CPI, ontem no congresso nacional – para a qual contribuíram suas assinaturas 19 deputados petistas e um senador, Eduardo Suplicy – o PT já fala em punição dos rebeldes. Ou seja, o partido que até pouco era considerado o repositório ético da política brasileira pensa em punir parlamentares porque eles apoiaram uma proposta de CPI para apurar uma comprovada cena de propina no governo. Parece inacreditável. O PT no qual eu militei ao longo da década de 80 teria se envergonhado dos episódios desta semana. A Folha de hoje noticia:

A cúpula do PT decidiu que tratará os deputados federais que mantiveram a assinatura no pedido de criação da CPI dos Correios como "bancada paralela", dando início a um processo de punição que pode resultar num novo expurgo de rebeldes do partido. Segundo a direção petista, 8 dos 19 petistas que aderiram acabaram recuando. Sobraram 11, número considerado alto -mais de 10% da bancada de 91 deputados.
Em relação ao senador Eduardo Suplicy (SP), que anunciou que assinaria o pedido de CPI depois de a bancada ter decidido em reunião de manhã que não endossaria a investigação, a cúpula do governo espera que ele desista de concorrer a senador pelo PT. (...) Os 11 deputados que mantiveram o apoio serão internamente responsabilizados pela cúpula do PT como os principais responsáveis pelo fracasso do esforço para retirar as assinaturas. O governo avalia que foi mais ou menos esse o número de assinaturas que não conseguiu reverter.

A política econômica conservadora e o gerenciamento político autoritário e autocrático são minhas duas críticas recorrentes ao governo. No episódio da tentativa de abafa da CPI dos correios, esse gerenciamento político equivocado chegou a um cúmulo de ruptura com os princípios históricos do PT.

Ao tentar construir a base de sustentação do governo no parlamento, o PT em nenhum momento jogou com o notável mandato popular que Lula recebeu em outubro de 2002. Ao buscar maioria a qualquer custo, acharam que estavam entregando os anéis e, quando se deram conta, os dois braços já haviam ido. No início do mandato, a coalizão PT-PL poderia ter construído um marco bastante sólido de governabilidade, mesmo considerando o fato de que só possui 100 e poucos deputados. Como? Usando politicamente o mandato popular para pressionar o Congresso, para colocar os deputados mais fisiológicos na posição de ter que ceder e votar os projetos de interesse do governo, sob pena de ser execrados pela população e perder a boquinha na próxima eleição. Quando nós, na época na esquerda do PT, falamos da importância de partir do imenso apoio a e admiração por Lula entre a população para negociar no congresso, a tropa de choque delúbica-genoínica se recusou a conversar e veio nos dar aulas de "realismo". "Ingênuos! Não sabem que é necessário negociar? Não sabem que o mundo é mais complicado que os sonhos de vocês?", eram e são as caricaturas usadas para desqualificar as críticas à grotesca política parlamentar adotada pela administração Lula. Fizeram os acordos mais espúrios sem consultar o partido. Começaram a falar em "ala progressista" do PP, "ala progressista" do PTB, e outras asneiras. Viraram escravos da sua própria falta de princípios, reféns de raposas políticas que não têm 5% da representatividade de Lula. Afinal, nesse jogo, os ACMs e Jeffersons da vida são muito mais espertos que os Genoínos. Esse é mais um episódio que demonstra que a direção do PT deveria pensar nas críticas que ela vem recebendo dentro do partido. É a culminação do que poderíamos chamar o “hegemonismo” da direção do PT: conquistar maioria a qualquer custo, bombardeando e alijando, no processo, os “ingênuos” e “idealistas” que se atrevem a protestar.



  Escrito por Idelber às 03:44 | link para este post | Comentários (21)



quarta-feira, 25 de maio 2005

Drops, Viagem

A angústia do itinerante diante da mala: Neste sábado eu já estarei na capital mundial do buteco. Tudo prontinho: laptop, drive, impressora portátil, máquina fotográfica novinha (thanks for the tip, Rafa) e iPods lotados de música – um de 15GB com brasileira e um de 20 GB com EUA, Reino Unido, Cuba, Argentina e Africa, que é até onde chega minha coleção (não, eu não ouço música alemã do século XIX). As prateleiras derridiana e musical da minha biblioteca já estão voando rumo a BH (falo sobre Jacques Derrida em Araraquara em junho e sobre Chico Science em Buenos Aires em agosto, então tive que mandar caixa de livros, porque, bem, perguntem se eu já rascunhei uma linha dessas palestras...). O embarque é sexta, e infelizmente o caminho desta vez é pela mais detestável cidade norte-americana: Miami. Por sorte são só três horas naquele buraco daquele aeroporto. Êta cidade baixo astral.

Por falar em iPod: o papa do neo-jornalismo blogueiro, David Gillmor, andou opinando que o iPod tende a ser substituído pelos telefones/agendas eletrônicas que também tocam mp3. A galera gritou. Eu também achei meio furado.

Um dos blogs que mais tenho lido nos últimos dias é o Marketing Hacker, do pioneiro Hernani Dimantas – que eu, na minha ignorância, ainda não havia conhecido (obrigado, escritora e leitora anônima). Como eu, Hernani é influenciado por Gilles Deleuze- filósofo das multiplicidades, do movimento, das revoluções moleculares, pensador da intensidade e da alegria. Se tivesse vivido mais uns anos, Deleuze teria se ligado no fenômeno dos blogs. A blogosfera é, de alguma maneira, a realização de sua filosofia. Infinitas e descentradas redes, onde qualquer ponto pode se conectar com qualquer outro a qualquer momento: rizomas.

Excelente notícia musical chega via BMTH : a coleção Revivendo lança um resgate do repertório do Terror dos Facões. O Terror dos Facões é um marco da música brasileira e principal grupo instrumental gaúcho de começos do século – suas gravações para a Casa Edison são de 1913 (‘Facões” era gíria da época para “músicos ruins”). Fundado pelo genial Octávio Dutra – especialista em todos os instrumentos de cordas dedilhadas – o Terror dos Facões foi disponibilizado recentemente em CD na caixa "Memórias Musicais" da Biscoito Fino, mas esta já se encontra esgotada. O cromatismo e o diálogo complexo entre flautas e cordas são marcas registradas das polcas, valsas, maxixes e schottishes do Terror dos Facões. Vale uma conferida. As gravações de 1913 me assombraram.

Tarde especial em Tulane: Há alguns anos, numa visita a Santiago do Chile, conheci um jovem ensaísta genial e convidei-o a que viesse fazer doutorado conosco. Em 2000 ele chegou a Tulane. Seu nome é Felipe Victoriano. Grande conhecedor não só de literatura, mas também de futebol, ele já blogou aqui no Biscoito. Pois bem, Felipe hoje defendeu sua brilhante tese sobre a literatura, a mídia e o cinema dos anos de chumbo da ditadura chilena. A tese de Felipe é comovente quando trata dos desaparecidos, ou do espinhoso problema da testemunha. O que é, realmente, testemunhar uma atrocidade? A tese responde lindamente a essa pergunta. E Felipe sabe do que fala: Gilberto Victoriano Veloso, seu pai, foi assassinado pela ditadura militar de Pinochet em 1985. Como toda grande obra, a tese de Felipe traz, cifrada, uma reflexão sobre a biografia do autor. Eu já orientei umas vinte teses de Ph.D., mas nenhuma me encheu de orgulho e alegria como esta. O sucesso de Felipe é o presente que me faltava antes de embarcar para BH.

O post de hoje é uma homenagem a Felipe e é dedicado, in memoriam, a don Gilberto Victoriano Veloso, por si nos da el tiempo.



  Escrito por Idelber às 02:30 | link para este post | Comentários (22)



terça-feira, 24 de maio 2005

A Metafísica do Pênalti Perdido

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Conversando com Rafael Galvão sobre futebol e literatura outro dia, não coincidíamos na apreciação do escritor austríaco Peter Handke. Eu gosto, Rafa acha um saco. Mas concordávamos que o sujeito não entende de futebol. Só alguém que não entende do assunto pode escrever um romance chamado A Angústia do Goleiro diante do Pênalti. Ora, qualquer criança sabe que se há alguma angústia, ela é do batedor. O goleiro só tem a ganhar. O post de hoje é uma reflexão sobre essa estranha expressão, perder um pênalti.

Para perder-se alguma coisa, supõe-se que nós a tenhamos. Mas quem tem o pênalti, desde o momento em que ele é marcado, é o goleiro. O goleiro é o dono do pênalti, mas só o cobrador pode perdê-lo. Perder o que não se tem, eis aí a tragédia do pênalti para o batedor. Quem já amou sabe do que falo. A partir do momento da marcação, o atacante recebe um presente de grego, um presente ao qual ele só pode, na melhor das hipóteses, fazer jus: confirmar o que todos esperam e fazer o gol. Ele só pode, se convertê-lo, ficar quites. Se não convertê-lo, estará em débito com o presente recebido, terá se mostrado indigno de recebê-lo: um mau recebedor de presentes, um ingrato. Não há angústia do goleiro na cobrança do pênalti. A verdadeira angústia é a do batedor: a angústia dos que só têm a perder.

Quem se lembra dos pênaltis convertidos? Ninguém. Só os pênaltis perdidos têm morada na memória. Quantos gols de pênalti terá feito o Zico? Dezenas muitas. Mas todos se lembram do pênalti perdido em 1986, contra a França. Convertido, aquele pênalti teria levado o Brasil às semifinais da Copa do Mundo. Não há jogador mais amado pelos atleticanos que Toninho Cerezzo, mas a memória mais marcante desse que tanto ganhou nunca deixou de ser o pênalti chutado quase nas arquibancadas na decisão de 1977, no fatídico 05 de março de 1978, de tão triste memória para todos nós que achamos que o futebol e o jiu-jitsu devem continuar sendo dois esportes diferentes.

Os italianos, coitados, são especialistas em reminiscências de penalidades máximas. Lembram-se de serem eliminados nos pênaltis das copas de 90, 98 e, claro, de Baresi, herói e grande craque da decisão de 94, zagueiraço que anulou Romário e Bebeto durante 120 minutos, chutando para o espaço, ironicamente, o pênalti que começou a entregar o tetracampeonato ao modesto escrete feijão-com-arroz de Parreira.

Dos pênaltis convertidos só nos lembramos por coisas alheias ao pênalti mesmo, como o milésimo gol de Pelé. Até nisso o pênalti foi irônico: aquele que marcou gol de tudo quanto foi jeito, de letra, de cabeça subindo na testada, de cabeça mergulhando no peixinho, de costas, por cobertura, de voleio, de bicicleta, de meio-voleio, espírita, de placa, além de quase todas as combinações possíveis entre eles, o gênio que fez mil duzentos e tantos desse momento único que não conhece nenhum outro esporte, pois ele, o Rei maior, teve que se resignar a marcar o milésimo de pênalti, arrastado, chorado, com o goleiro Andrada quase pegando a bola pelo rabo, quase humilhando o Rei ali na boca da butija, com o teatrão todo preparado já para a festa do seu gol mil. A bola entrou e o Rei escapou por pouco, como escapou tantas vezes, mas não eludiu o gostinho amargo de que o milzão foi feito ali, na obrigação protocolar do penal.

Pois bem, dos pênaltis convertidos eu só me lembro, sempre, desse do Pelé. Dos perdidos, não saem da minha memória o do Zico, durante o jogo com a França em 1986 (e também as cobranças desperdiçadas por Sócrates e Júlio César na disputa de penais), o de Cerezzo em 1978 e o de Edmundo, pelo Vasco, na decisão do campeonato mundial da FIFA contra o Corinthians em 2000.

Dia de exercício de memória futebolística no Biscoito. O tema é pênaltis perdidos. Vocês com a palavra.



  Escrito por Idelber às 00:49 | link para este post | Comentários (28)



segunda-feira, 23 de maio 2005

Glossário de Epítetos

Li num livro de Roland Barthes – já não me lembro qual – uma frase que me marcou: o que põe fim a uma discussão não é o surgimento da verdade, mas a maior força de uma linguagem sobre a outra. Que uma discussão raramente se encerre com uma chegada consensual à “verdade” não quer dizer que as polêmicas não valham a pena ou que não tenham relação com alguma verdade a surgir no futuro.

Não costumo confiar nas pessoas que enchem o peito para dizer que “não participam” de polêmicas porque nestas o que estaria em jogo seria “o ego”. Ora, que o ego está sempre em jogo todos sabemos, mas quer algo mais ególatra que dizer que não se rebaixa ao nível de polemizar?

Melhor é ser pragmático e escolher as polêmicas nas quais vale a pena participar. Não acho que tenha sido um exercício vão, por exemplo, debater as cotas aqui neste blog. No entanto, há algumas palavras que, quando lançadas como epítetos, têm o poder de me fazer tomar uma certa preguiça da discussão em curso. Aqui vão três delas.

Niilista. O Biscoito sugere uma pauta: quando alguém acusar alguém de niilista, fique do lado do acusado. Só rotula alguém de niilista quem não sabe o que a palavra significa. No contexto onde ela foi cunhada – a filosofia de Nietzsche – “niilismo” é um processo epocal, não individual, de queda na auto-comiseração e na piedade: uma derrota dos valores “altos”, que para Nietzsche são a força, a potência, a afirmação da vida. Trata-se do relato de uma história que vai de Sócrates ao Cristianismo, e com o qual pode-se estar de acordo ou não. Mas xingar alguém de niilista não faz o menor sentido, embora “niilista” seja o epíteto preferido com que os fanáticos religiosos rotulam aqueles que questionam os seus valores. "Niilista" é como as ligas de defesa da moral rotulam, por exemplo, o heavy metal, que é um gênero musical que de niilista não tem nada. Estás sugerindo que meu Deus não é o único e universal, começo e fim de tudo? Estás sugerindo que meus dogmas são questionáveis? É porque não acreditas em valor nenhum, és um ... niilista!

Elitista: A essa palavra eu simplesmente não presto atenção a não ser como sintoma. Não é que não existam elitistas. Existem, claro, os que acham que sua condição social ou intelectual lhes dá o monópolio da verdade. Mas o mal que fazem esses é infinitamente menor do que o mal que fazem os que gritam elitismo! todas as vezes que sua ignorância é ameaçada. Tomemos o governo Lula. Você mostra por A + B que a política econômica do governo é idêntica à do anterior, mostra que não se avançou nada no social, mostra que a gerência política é autoritária e, para piorar, incompetente. A tropa de choque do governo, incapaz de apresentar um número sequer que desminta o dito, contra-ataca com a acusação de “elitismo”. Assim, implicitamente tratam o presidente de forma paternalista. Não é que não existam ataques deploráveis ao presidente por causa de sua origem social ou supostos “erros” gramaticais. Existem. Mas muito mais daninha ao país tem sido a desqualificação, com o epíteto de “elitista”, dos que apresentam números e argumentos críticos. O dia que me mostrarem que as críticas preconceituosas estão impedindo o governo de fazer algo, junto-me a eles. Até agora, parece-me tarefa mais urgente despertar do seu sono dogmático os que se aliam à tropa de choque sem um argumento sequer: você apresentou todos esses números, todos esses fatos e dados, todo esse embasamento para a crítica, ora, você é um .... elitista!

Relativista. Outro termo descritivo que, quando usado como epíteto, sugere que a discussão está deixando de valer a pena. “Relativista” é o epíteto favorito de quem acha que todo questionamento dos valores pretensamente absolutos é uma celebração de que tudo dá na mesma. Na crítica literária, quando se começou a revisar o cânone dos autores considerados “essenciais” para que se incluíssem mais negros, mais mulheres, mais autores das classes populares, enfrentamos uma saraivada: ah, esses bárbaros relativistas que querem igualar Shakespeare aos seus autores que só estão aqui por causa das cotas. Não adiantava explicar que não era isso, porque a histeria "anti-relativista" não argumentava em boa fé. Até hoje, vira e mexe, está lá o fantasma do relativismo, brandido como comedor de criancinhas. Outro princípio, então: alguém acusou alguém de “relativismo”, olhe primeiro o absolutismo do acusador.

Numa próxima oportunidade, mais três verbetes do glossário de epítetos.

E a você, Smart, quais epítetos lhe tiram do sério?

PS: O presidente Lula está na Coréia, participando de um Fórum da ONU sobre Governância. A nossa blogueira cientista, a feríssima e finíssima Lucia Malla blogará o evento em tempo real a partir das 9 da noite de hoje, segunda-feira. O Biscoito enfaticamente recomenda várias visitas ao Uma Malla pelo Mundo nos próximos dias. Parabéns e boa sorte, Lu!



  Escrito por Idelber às 04:50 | link para este post | Comentários (24)



domingo, 22 de maio 2005

Jornais, suplementos literários e culturais

Perguntar não ofende: quantas entrevistas o Caderno Mais! da Folha de São Paulo ainda fará com o antropólogo Lévi-Strauss antes de deixar que a figura morra em paz? Só nos últimos anos foram umas três, que repetem a mesma cantilena sobre o Brasil, a antropologia, a USP e os índios nambiquara. Nada contra o homem, mas ninguém agüenta mais.

Eu não sei se alguém compartilha minha impressão, mas eu sinto um grande cansaço nos suplementos culturais/ literários dos jornais brasileiros. A Folha aposta na recliclagem de pensadores "prestigiosos" da Europa e dos EUA (Peter Burke, Slavoj Zizek, Jacques Rancière) e traduz longos textos dessas figuras, que só costumam interessar às pessoas que não precisam da Folha para encontrá-los, ou seja, gente capaz de lê-los no original. Em outras palavras: o Mais! é redudante para uns poucos ao mesmo tempo que chatíssimo e desinteressante para a maioria. Consegue não agradar quase ninguém: nem é fino e nem atinge a massa.

Eu acho que o suplemento literário de um jornal deve ser uma coisa ágil.

Já a proposta do Idéias, do Jornal do Brasil, é outra: fazer do suplemento cultural um caderno de resenhas e notícias sobre o mundo literário. É informativo e não deixa de ser ágil, mas excetuando-se um texto de Beatriz Resende aqui ou acolá, o caderno tem pouquíssima substância.

Talvez eu deva começar a ler o Prosa e Verso, d'O Globo, que eu reconheço que há tempos não leio.

Mas que a Folha deveria renovar esse bolorento Mais!, ah, isso deveria.

PS: não deixem de conferir esta entrevista com o Presidente Kirchner.



  Escrito por Idelber às 02:27 | link para este post | Comentários (16)



sábado, 21 de maio 2005

Links

Alguns links para vocês:

Assombrosa entrevista com um dos principais jornalistas investigativos do Brasil, Cláudio Tognolli, que conta tudo, desde o preço de tabela para se livrar alguém de um flagrante por maconha no Rio ou em São Paulo até a história de como foi espancado no Haiti.

Boa novidade: a TV Record foi condenada na justiça por alguns de seus muitos insultos contra as religiões afro-brasileiras. Mestre Nei Lopes tem a história aqui e aqui.

Belo texto do Marcos VP sobre o rádio, veículo que mais cresceu nos últimos anos nos EUA.

Muito lúcidas observações de Julio Daio Borges sobre alguns dos melhores blogs do Brasil.

Continua o debate lá no Túlio sobre o direito das empresas lerem o conteúdo dos emails enviados pelos funcionários. Todos os argumentos apresentados em favor dessa prática até agora me parecem fracos. Pode-se perfeitamente monitorar o uso do email com a proibição de certo tipo de attachment, ou com a limitação das mensagens a um certo tamanho, ou medidas semelhantes. Ler conteúdo do email dos outros me parece violação pura e simples de direito constitucional à privacidade. O que é freqüentemente esquecido nessas discussões é que a esmagadora maioria dos usos a que se prestam essas leis, uma vez aprovadas, são usos relacionados à censura política, à chantagem, à intimidação. Essa história de que precisam ler email de funcionário para ver se eles estão trocando foto de mulher pelada na hora do expediente é conversa para boi dormir.

Luma deixou no post de ontem ótimas dicas de convívio eletrônico: alguns parentes e amigos meus fariam bem em visitar aquelas dicas. Eu tenho parentes e amigos íntimos que até hoje enviam spam. Eu já tive um parente que me enviou, como spam, um texto meu com nome de outrém: não é o cúmulo da vergonha? Enviar ao próprio autor o seu texto reprocessado como lixo eletrônico com nome falso. Parentes e amigos queridos: não enviem spam. Não passem para frente o lixo que recebam pela internet. Ninguém que eu conheça que trabalhe online o tempo todo e com um volume grande de emails, ninguém mesmo, gosta de receber joguinho, filminho, animação-zinha, corrente-zinha ou piadinha por email. Os que trabalhamos com email o tempo todo abominamos isso. Parece incrível, mas com o filtro de Tulane eu praticamente estou à salvo do spam - exceto aquele enviado por parentes e amigos bem próximos. Com o tempo que você forwardeia lixo você pode escrever um email pessoal, Fulano, pensei em você, abraço. Será motivo de alegria para quem receba, de uma forma que o lixo em forma de corrente jamais será.

Lá na imprensa argentina andam dizendo que o Pasarella vai processar o goleiro Fábio Costa porque este o teria chamado de "lobo em pele de cordeiro". O blogueiro Guillermo Piro se pergunta: e se tivesse sido "filho da puta"?

Sabe-se que o Irã é um dos países que têm a blogosfera mais ativa. Vale a pena acompanhar este blog coletivo criado a propósito da eleição presidencial que se avizinha.

Enquanto isso, o pântano do império só piora.



  Escrito por Idelber às 03:13 | link para este post | Comentários (8)



sexta-feira, 20 de maio 2005

Links, Email, Viagens

1. Sobre a aniversariante: meus parabéns e muitas felicidades à amiga e conterrânea Mônica. Feliz Aniversário!

2. Uma decisão judicial do TST garantiu à HSBC Seguros o direito de manter a demissão por justa causa de um funcionário que teve sua correspondência eletrônica violada pela empresa. Ou seja, estabeleceu-se um precedente perigoso de violação de priv