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domingo, 01 de maio 2005

Fenomenologia da Fumaça, Semana 9 - Balanço Parcial

cigarro.jpg

Um dos mais talentosos escritores da nova geração, Luiz Biajoni, visitou esta fenomenologia da fumaça na sua segunda semana (ainda na velha casa, no UOL) e deixou o seguinte relato:

A mãe de um amigo, a dona Nico (não sei o nome, todo mundo chama ela assim) foi internada para cirurgia cardíaca, fumava dois maços por dia. internou dois dias antes para remédios, desintoxicar, etc... na noite anterior à operação ela saiu de fino do hospital, fugiu prum boteco... se empanturrou de coxinha e croquete e fumou uns PAR de cigarro. voltou com o maço para o hospital. lá pelas tantas, deu vontade de fumar. mas ela esqueceu os fósforos! saiu pelo hospital caçando fósforos. foi encontrada sentada num corredor, cigarro na boca, esfregando duas pedrinhas perto do algodão com alcool que tinha sido colocado na veia dela, junto com o soro. não é piada! é real!


Assim como no relato contado por Biajoni, em muitos outros nós vemos essa figura, o fumante reduzido à lama da lama. Guimbas catadas no chão, cigarros filados por qualquer motivo, tosse e mais fumaça na madrugada, pacientes terminais no hospital fumando cigarros pelo orifício do tubo alimentar.

Faz dois meses e meio que deixei de fumar e iniciei aqui uma espécie de relato periódico da experiência. Na semana passada tive recaídas com dois ou três cigarros “de festa”. Nesta semana aconteceu de novo: dois cigarros na quarta-feira (comemoração do final das aulas) e mais dois cigarros na sexta-feira (crawfish boil, festa com lagostins cozidos num panelão, tradição de New Orleans).

O paradigma é claro: tenho segurado bem a onda, contanto que não me aproxime de um bar ou de uma festa. Morando numa cidade que é pura celebração o tempo todo, a tarefa fica duplamente difícil.

Como, a partir de agora, com o fim do semestre letivo, eu estarei em mais festas do que tem sido o caso, há motivo para muita preocupação.

Mas também há algo para se comemorar. No começo do ano eu tinha muito desejo de deixar de fumar, mas o semestre que se avizinhava incluía cinco ou seis viagens para dar sete ou oito palestras sobre temas diferentes, dois cursos bem puxados, uma infinidade de obrigações administrativas na universidade, uma série de compromissos com editoras e revistas, oito ou nove alunos de doutorado fazendo tese comigo, um blog que estava crescendo muito e, para completar, uma casa inteira para transferir para o Brasil, por um ano. Mesmo assim resolvi encarar a tarefa, com a ajuda de vocês e do blog.

A grande notícia é: eu consegui!

A péssima notíca é: eu continuo morrendo de vontade de fumar em todas as festas e reuniões onde se consome cerveja. Não, eu não aceito abrir mão da minha cerveja. Aí já seria demais.

A perpectiva complicada é que, em Belo Horizonte, apesar de que eu possuo minha própria casa (paraíso-zinho reservado para mim, Alexandre e Laura, meus filhos), boa parte das refeições, reuniões de família para futebol e outras coisas são feitas na casa de minha mãe e de meus irmãos, todos eles fumantes inveterados. Na casa de minha mãe até o cachorro fuma. Manter minha resolução significará reduzir drasticamente o tempo passado na casa da família, ou sucumbiria, especialmente estando de sabático (‘férias”) e não tendo obrigações de trabalho imediatas para cumprir.

Então esse é o estado da coisa, caro Artemus, caro Tabac. Resolvi dar um tempo das elocubrações “teóricas” que tem acompanhado esta fenomenologia (voltarei a elas) e fazer um balanço real:

75 dias sem fumaça, excluídos aí aproximadamente sete ou oito cigarros fumados nos últimos quinze dias.

A alimentação continua cada vez melhor e mais variada, e a comida continua recuperando o gosto. Já consigo diferenciar até mesmo a couve do almeirão, coisas que para mim eram indistinguíveis a não ser pela visão. Texturas que antes eram imperceptíveis começam a conversar com meu paladar.

Cabelo, barba e tudo mais continuam recuperando o cheiro que deveriam ter tido desde sempre.

As energias corporais várias continuam na ascendente.

Mas por alguma razão, minha atitude neste momento é de um otimismo bem moderado e bem parcial.

Durante os próximos 28 dias, terei que fazer o que não faço há três anos: desmontar uma casa, enviar ao Brasil o que tem que ser enviado, estocar o resto e preparar tudo para que eu possa trabalhar, blogar e curtir meus filhos em Belo Horizonte pelos próximos 8 meses. Será um período de certa tensão e muita correria. Será importante não ceder à tentação do cigarro antes da viagem, porque durante a estadia em BH ela será muito, muito grande.

Apesar de que New Orleans é uma cidade muito festiva, é bem mais fácil manter a resolução aqui do que no Brasil, onde a tendência é estar rodeado de amigos fumando. Ainda não eliminei a possibilidade de recorrer ao tal do Zyban, que dizem que é poderosíssimo. Veremos.

A citação do dia vem de Arturo Toscanini, e é das mais inspiradoras: Beijei a minha primeira garota e fumei meu primeiro cigarro no mesmo dia. Desde então não tive mais tempo para o cigarro.



  Escrito por Idelber às 02:47 | link para este post | Comentários (33)


Comentários

#1

"Beijo é igual a cigarro: se não mata, vicia"

E assim acendo mais um cigarro à espera do seu beijo, do meu novo vicio. Para um dia, enfim, poder morrer de amor.

Ashtray Girl em maio 1, 2005 4:59 AM


#2

Eu ia escrever alguma coisa, mas depois dessa decidi ficar quieto. :)

smart shade of blue em maio 1, 2005 5:45 AM


#3

Caro Idelber,

Não é fácil. Fumo a exatos 35 anos e, destes, no mínimo há 15 venho tentando deixar de fumar. Já fiz quase tudo, menos o tal de Zyban. Já ouvi relatos de pessoas que tomaram e disseram passar mal por dois ou três dias (náuseas, vômitos, dores de cabeça... descontado algum possível exagero). Alguns conseguem, outros não. Estou fazendo uma antepenúltima tentativa: acunpuntura. Ando com as orelhas cheias de "sementinhas de sei lá o quê" coladas. Também não estão adiantando. A penúltima será o Zyban. Bom, se ele não resolver, vou ter que apelar para a única coisa que resove definitivamente o assunto: força de vontade com uma pitada de vergonha na cara, é o que dizem. Meu grande problema é que ambos andam em falta nesse corpo. Uma coisa, ao menos, eu já sei e é o que deve estar acontecendo contigo: muito, mas muito mais importante mesmo, é ter o controle, saber-se maior que o vício. Eventuais recaídas festivas não significam "fumar". Fumar é o hábito, o vício; é fazer mesmo sem uma vontade específica. Parabéns por teres conseguido ser maior que o vício. E quando, ao tomar uma cervejinha, der vontade, vai fundo. E me faz um favorzinho, já que estás vindo para o Brasil: vê se em alguma farmácia daí (afinal, dizem que por aí eles têm de tudo) tem comprimidos de "Vergonha na Cara, 20 mg" e me traz umas duas caixas. Quanto à "Força de vontade", parece que já quebraram a patente e estão produzindo por aqui. abs

Afonso em maio 1, 2005 6:20 AM


#4

Oi Idelber,

Continue firme que você vai conseguir parar de fumar de vez !!! Pensamento postivo !!!

Eu fumei dos 15 aos 27 anos, principalmente quando bebia. Resolvi parar de fumar, comecei a nadar e parei de vez. (Não tenho a menor vontade de fumar, aliás não gosto nem do cheiro de cigarro.)

Acho que terapias alternativas do tipo acupuntura ou laser podem ajudar sim, mas parar de fumar tem ser uma decisão firme da sua parte. Talvez a prática de um esporte PERMANENTE, que você goste possa ajudar. Na Cidade Nova, há um monte de academias boas de natação, musculação, etc... Busce prazer em outras coisas que não o cigarro. Vale à pena tentar.

Esperamos você aqui em BH.

Beijos
Adriana e Flávio

Adriana em maio 1, 2005 8:19 AM


#5

Tenho 37 anos. Nunca fumei. Venho de uma família de fumantes, mas nunca tive o desejo de fumar. Minha mãe morreu de infarto, aos 41 anos de idade. Meu pai de complicações relacionadas ao sistema digestivo, aos 61. Meu irmão, que é 3 anos mais novo que eu e fuma, parece mais velho. O cigarro vai minando a energia da pessoa. É impressionante.
Boa sorte na sua luta. Tenha força pra vencer o fantasma da nicotina.

O homem dos cadernos grampeados em maio 1, 2005 9:00 AM


#6

Meu amigo, sua dificuldade não é trivial. De jeito nenhum! Cigarro e cerveja são uma dupla infernal. Só falta o futebol em terras brasileiras para você ter o maior desafio de sua vida. Ainda bem que você não tem grandes interesses pelo planeta bola.
Brincadeiras à parte, meu comentário vai tomar um espaço maior. Dê um pulinho lá no Cigarro e leia, ok?
Putz, agora que me toquei para um fato: seu blog, para os mais próximos, acabou virando apenas Biscoito. Um apelido simpático e facílimo de memorizar. E o meu, virou Cigarro? Que terrível...
Mas vá lá, vá lá.
Grande abraço.

Artemus em maio 1, 2005 9:42 AM


#7

Caro Idelber,

Imagino o que você está passando por conta da vontade de fumar. Não, não sou ex-fumante, porém consigo avaliar o que você sente por presenciar sempre isso em meus pacientes. Lido com uma especialidade onde o tabagismo (associado ao etilismo) é fator predisponente ao câncer.
Tenho vários pacientes que deixaram espontaneamente (mas com muito sacrifício) o cigarro. O difícil é acabar com o hábito...Mas muitos conseguiram.
O Zyban pode ajudar, mas somente quem está realmente disposto a não mais fumar. Acredito que você não precisa tomá-lo. Porém, eu acho muito importante que, caso decida-se por fazê-lo, um acompanhamento psicológico. Porque o que é necessário é acabar com o hábito. Ah, esse é o grande vilão.
Tenho acompanhado você e a Sheila nesssa batalha, como leitora de ambos. Estou na torcida.
Um grande abraço,
Monica

Alma em maio 1, 2005 9:54 AM


#8

Fica firme homi ! Você já passou a pior etapa. Eu entendo bem o que é isso, mas o meu problema são as comidas. Fim de trimestre aqui é tempo de coquetéis, festas, jantas e as banhas que eu tinha conseguido perder já recuperei. Enfim, cada um com um karma. Mas voltando ao cigarro, o importante é tentar substituir. Eu voto pelo Zyban. Outra bom incentivo seria começar a fazer um exercício. Quem sabe o fato de você ter abandonado o cigarro encoraje alguns dos seus familiares a seguir o seu exemplo. Beijos e boas festanças e mudanças.

Ana Lucia em maio 1, 2005 10:28 AM


#9

Nossa, Idelber, leva um estoque de Zyban lá pro Brasil, já pensou recair depois de todo esse trabalho? De repente, você podia pensar em umas estratégias de substituição toda vez que der vontade de fumar no Brasil. Saia correndo e se tranque numa sala com computador e comece a blogar; dê um beijo na primeira moça bonita que aparecer; mastigue um chiclete; coma um chocolate. Beba mais um copo de cerveja :)

Leila em maio 1, 2005 11:47 AM


#10

Eu nunca fumei e não, eu não compreendo o que vc está passando. Me solidarizo, entretanto.

Ainda bem que não tenho vícios que matam (fumar e essas coisas). Meu vício é só internet, que - graças a Deus - ainda não começou a matar...rs

Admiro essa disciplina, apesar dos deslizes. E entro na corrente positiva. Boa sorte e sucesso. Talvez fosse interessante começar a se viciar em exercícios físicos ou chocolates. Ou em agarrar a primeira mulher que passar, como disse a Leila. Pelo que andei lendo nessa caixa de comentários, não faltará pretendente... :-)))

Daniela em maio 1, 2005 12:58 PM


#11

Mais uma afinidade entre nós: TODO MUNDO AQUI EM CASA FUMA!
Por sorte, eu parei de fumar quando ainda estava casada com um não-fumante, e só tive que evitar a casa materna por uns diazinhos, pra evitar tentações. E eu tinha um forte estímulo para manter meus bons propósitos: estava grávida! Mesmo assim meus familiares me sabotavam. Iam me visitar e "esqueciam" o maço lá em casa. Pior que eu AMAVA fumar e nunca tinha pensado em parar,embora, nesta ocasião, fumasse desbragadamente já há treze anos.
Consegui vencer todos os percalços e eis-me aqui, dez anos depois, livre e saudável. Como psicóloga, trabalhei em projetos anti-tabagismo até com certo sucesso, mas nunca consegui converter um só familiar. Voltando a morar com minha mãe, tive que me habituar à "cortina de fumaça" e hoje nem ligo.

Quanto ao Zyban, segundo minha experiência clínica ele ajuda sim, mas não em todos os casos, e pode realmente ter efeitos colaterais desagradáveis em algumas pessoas. Alguém sugeriu aí e eu recomendo com muito mais ênfase a ACUPUNTURA. Os resultados sobre o desejo de fumar são moderados (comparáveis aos do zyban) e ainda favorece a diminuição geral da ansiedade e o equilíbrio de todo o organismo, auxiliando a desintoxicação. Eu sou fã da medicina chinesa, de sua profundidade de alcance e inteligência no diagnóstico e na intervenção. Se você ainda não conhece, vale a pena experimentar.

Nas festas, sendo impossível evitar a cerveja (um fortíssimo detonador do desejo de fumar, eu bem sei), você pode recorrer a uns truquezinhos que cortam na hora a vontade maligna:
-chupar balinha ou chiclete
-beber água gelada
-escovar os dentes
-beijar na boca (o melhor método, disparado)

VOCÊ VAI CONSEGUIR, meu amigo! Vale a pena, eu garanto. Sobretudo pela liberdade. É ridículo ser escravo de uma substância.

Beijos e força aí!
:o*

christiana em maio 1, 2005 4:07 PM


#12

Pois é: não deu pro Galo, desta vez. Levar gol no último minuto parece tradição!
Quanto ao cigarro: você está conseguindo, sim!
Quanto ao Zyban: não é milagre; não é tão terrível; existe no Brasil.
Abraços.

Cláudio em maio 1, 2005 5:28 PM


#13

Eu acho que vc tem motivos pra comemorar, sim...O mais difícil já passou. Quem sabe vc encontra um aliado aqui em BH ? Algum amigo ou parente que também resolveu largar o pito...Você não imagina como as pessoas estão tentando parar de fumar de fato. Só de pessoas bem próximas, conheço umas três, uma com grande êxito e as outras duas com pequenas recaídas como você. A caminha é dura, mas vá em frente !!!

Fefê em maio 1, 2005 6:20 PM


#14

pow... Idelber, boa sorte.. mas assim ó.. cientificamente a fase de abstinencia jah passou.. 2 horas sao suficientes p pder ficar sem sintomas e bem fisicamente.. agora eh encarar a onda psicologica mesmo...eu nunca fumei!!! mas vi minha mae com cancer e meu pai tossindo sangue .. e sem consiguir parar de fumar.. entao boa sorte mesmo e um suportezinho psicologo ajuda mesmo!!!

luluzita em maio 1, 2005 7:01 PM


#15

Caro amigo,

Será que vai ter que parar de ver passoas fumantes, parar de sair para bar e festa? Virar uma pessoa que não deixa as pessoas ao redor fumarem? Dificil de imaginar, mas no processo de purificação (que me parece teu caminho), as vezes é assim.

Estou torcendo para voce!

Aaron

Aaron em maio 1, 2005 9:13 PM


#16

Idelber, pense que o pior já passou! Se você conseguiu ficar esse tempão sem fumar, não vai estragar tudo agora, né? Em post anterior falaram que essas recaídas eram perigosas... Claro que melhor seria não tê-las mas também não façamos tempestade em copo d'água.
Vai firme que a gente ajuda daqui.
Quanto aos métodos sugeridos, achei ótimo o do beijo. Se você tem beijado sempre a mesma boca, pergunte a ela se não prefere SEM cigarro. Se não tem boca fixa, é hora de fazer uma pesquisa de campo!
Um beijo,

Viva em maio 1, 2005 9:36 PM


#17

Bendito seja o blog onde se fala tanto de beijo!

Valeu. Um abração a cada um e cada uma, com meu muito obrigado por esse alô dominical. Não vou responder individualmente, como cada um/a mereceria, porque senão ficaria muito longo e eu não escreveria o post da segunda. Mas os comentários estão alto astral demais, valeu mesmo.

Balanço do domingo:

8 horas de JazzFest
4 super refeições
5 cervejas
nenhum cigarro

Axé babá,

Idelber em maio 1, 2005 10:17 PM


#18

Parei de fumar duas vezes. A primeira após seis meses de vício, depois de uma quase pneumonia. A segunda foi na gravidez. Costumava brincar que foi fácil parar de fumar porque também tive que parar de beber cerveja. Mas acabei voltando ao retornar da licença maternidade. Redação de jornal pede um cigarro pra aliviar toda aquela ansiedade. Atualmente estou me livrando de outros vícios mas o cigarro está na minha lista.
Desejo boa sorte na luta contra o cigarro. Recaída faz parte do processo. O mais importante é não desistir. Beijos! Renata

você está muito nova ainda.. pode fumar mais um bocado, depois pára, né? tem tempo; obrigado pela visita, beijos.

Renata em maio 1, 2005 11:37 PM


#19

Parabéns!!!! Cigarro ZERO em pleno Jazz Fest e depois de tudo o que você contou, merece um beijo!

Viva em maio 2, 2005 8:02 AM


#20

FUMEMOREMOS!
;>)


lindão! .

Biajoni em maio 2, 2005 12:15 PM


#21

O Bia só esqueceu de dizer que as pedras com que a dona Nico tentava fazer fogo haviam sido retiradas de sua vesícula, no dia anterior.

Bear em maio 2, 2005 6:12 PM


#22

Idelber, digo-te para não temeres tampouco idolatratres a Bupropiona (Zyban, Wellbutryn, Zetron ou outro nome comercial que vierem a lhe dar em um futuro próximo). Basta afirmar que realmente é, na atualidade, a medicação mais eficaz e segura para a cessação do hábito de fumar. De qualquer forma, praticamente conseguistes andar algo como 1/3 do caminho sozinho. Os 2/3 restantes são fichinha se você estiver organizando seu pensamento da forma correta.

Uma ferramenta interessante para este e outro hábito pouco saudável que nós filhos de Deus (um DNA ainda vai comprovar) temos - o hábito de comer em excesso - é a "ancoragem de recursos", um método utilizado para bloqueio de ansiedade ou desejos compulsivos como os que ocorrem quando a pessoa sente "aquela" necessidade de comer, ou fumar, ou beber...

Apesar de não valorizada por alguns colegas, tenho usado com eficácia surpreendente em meu consultório. Basta um QI um pouco mais que 100 para compreender as orientaçãoes e uma tenacidade mínima que permita que você internalize certos conceitos.

Podemos falar mais sobre isso se desejares.

Rafael Reinehr em maio 2, 2005 9:27 PM


#23

Idelber

Eu fumava muito,fiz umas 3 sessões de acupuntura a laser e parei desde 95.Às vezes quando estou quando alguém que fuma,peço um cigarro,não sinto nada,nem culpa.Você tem que pensar que ele só rouba nossa energia.

Leia Beigler em maio 7, 2005 5:09 PM


#24

Muito interessante a sua proposta de escrever um livro a tantas mãos. Estou acompanhando a feitura e espero que continues firme e forte no seu propósito de deixar de fumar.
Abraços,
Rosa

Rosa em junho 3, 2005 11:00 PM


#25

Muito interessante a sua proposta de escrever um livro a tantas mãos. Estou acompanhando a feitura e espero que continues firme e forte no seu propósito de deixar de fumar.
Beijo,
Rosa

rosa em junho 3, 2005 11:01 PM


#26

Caro Idelber,

Retirei de site parte de uma crônica escrita no jornal O Globo por João Ubaldo Ribeiro. Gostaria de ler a mesma por inteiro.

"Deixando de fumar - Capítulo MDXXXI..."
"... Fico imaginando meu necrológico, já que provavelmente terei um, nem que seja pronunciado por um confrade amigo da Academia, no momento em que estiver sendo baixado ao Mausoléu dos imortais. Escritor, romancista e tal e coisa, abandonou repentinamente suas atividades aos 55 anos, para dedicar o resto de sua existência a deixar de fumar. Suas últimas palavras, já no leito derradeiro, foram: _ SERÁ QUE CONSEGUI ? Como ninguém certamente as responderá, já que meu leito derradeiro provavelmente será a enxerga de uma UTI e o anúncio de meu passamento um apito de um aparelhinho e, de qualquer forma, ninguém compreenderia os balbucios de uma boca entupida de tubos, JAMAIS SABEREI ".

Abraços,

Rosane

Rosane em junho 4, 2005 5:49 PM


#27

"Um dia a massa comerá do fino biscoito que produzo" Mário de Andrade.
Vc se considera o biscoito fino e nós somos a massa?


isso aí já foi você quem disse. Mas a citação é de Oswald de Andrade, não de Mário.

Ronaldo em junho 7, 2005 10:25 AM


#28

Obrigado pela informação. Na realidade confundi as bolas, a citação é mesmo de Oswald de Andrade.
Vamos ver se o seu biscoito fino é bom para comer.
Um abraço e parabéns pela iniciativa penso que pode ajudar as pessoas a parar de fumar ou pelo menos para refletir sobre a possibilidade.

Ronaldo

Ronaldo em junho 8, 2005 7:49 AM


#29

Minha dica....Zetron (a.k.a zyban), canela em pau (sim... coma pedacinhos e have fun), patch de nicotina e a certeza de que, se morrer de câncer, foi por azar mesmo :) Keep walking.

Half a person em junho 10, 2005 1:32 PM


#30

O que ocorre com esse blog! Cadê o nosso biscoito fino?
Escreva alguma coisa!
Abraços,
EU


Sargina, estou escrevendo! é só à página principal, idelberavelar.com. abraços!

Sargina em julho 8, 2005 11:38 AM


#31

Pensando na "angustia" Kierkkegardiana, aquela que está estritamente ligada a liberdade de escolha, ou seja, o medo de decidir e se arrepender... Com o vício da nicotina, ocorre algo totalmente avesso: Uma vez que muda até mesmo nosso livre arbitrio (outro termo de Kierkkegard), pois por mais firmes que tenhamos o proposito, logo este é abandonado. Se Sarte tivesse tentado parar de fumar, ele diria que o homem está condenado a liberdade do vício. Continuo tentando.

Cristiano Antunes em julho 19, 2005 8:12 PM


#32

É o fim... não o kantiano, mas outro, humano e imoral.

Cristiano Antunes em julho 19, 2005 8:14 PM


#33

Deixou de deixar de fumar e largou o blog?
Por favor responda...

Rosa em julho 25, 2005 7:13 AM