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quarta-feira, 08 de junho 2005
Algumas Notas sobre Xenofobia Anti-Argentina
Em primeiro lugar eu gostaria de convidar a que voltassem aqui todos os leitores que apareceram na época do post sobre Grafite/Desábato para dizer que a Seleção Brasileira seria recebida a pedradas em Buenos Aires, que o Brasil seria massacrado a pancadas e que a polícia argentina estaria pronta para levar qualquer brasileiro para a cadeia por qualquer coisa.
Em segundo lugar, alguns comentários sobre o jogo de ontem, ou melhor, sobre a transmissão brasileira:
1:40: depois de uma dividida normal, Galvão Bueno nos diz: "esse Killy González é desleal, só entra para quebrar".
3:40: gol da Argentina, depois de uma triangulação de toques rápidos típica do futebol argentino. G.B.: "Gol da Argentina numa bobeira da defesa do Brasil". Nenhuma menção à bela jogada argentina.
11:00: Depois de sofrer falta normal, Adriano se levanta e tenta agredir Ayala. Falcão: "se o árbitro tivesse mostrado o amarelo o Adriano não teria feito isso". Penso comigo: "será que o Adriano antevê o futuro?" Porque obviamente ao se levantar para agredir o argentino ele não tinha nem idéia do que faria o árbitro.
17:00: gol da Argentina. G.B.: "outra bobeira da defesa do Brasil".
40:00: terceiro gol da Argentina.
46:00: Roque Jr. faz falta e, caído, chuta Ayala. G.B.: "os jogadores brasileiros estão começando a revidar". Penso comigo: 'revidar o quê?'
No segundo tempo, com a reação do Brasil, G.B. e Casagrande nos dizem, várias vezes, que aquele era o jogo real. Uai, penso comigo, o que eu vi no primeiro tempo era um jogo imaginário? Parece que o jogo só é "real" quando o Brasil é superior.
Mas o grande destaque da noite aconteceu aos 21 do primeiro tempo. G. B. nos avisa que a palavra milonga pode ser traduzida como malandragem. Gardel revira-se no túmulo.
O sociólogo brasileiro Ronaldo Helal que reside em Buenos Aires e, como eu, se dedica ao estudo da cultura argentina, concedeu à Folha uma entrevista (link para os que têm UOL) em que afirma: Aqui, quase não há piadas com brasileiros. No Brasil, não vejo matérias elogiando o futebol argentino . . Assisti ao jogo do Brasil [contra o Paraguai] em Buenos Aires . . . Três momentos me chamaram a atenção no segundo tempo. No início, o locutor disse: "Eles jogam se divertindo. Muita técnica, uma beleza!". Depois, quando o Brasil fez 3 a 0, disse: "Agora para os amantes do bom futebol, vamos assistir ao luxo do Brasil". No final, ele disse: "Toda a magia e fantasia do jogador brasileiro". Não imagino o Galvão Bueno falando assim dos argentinos.
Ronaldo Helal tem toda a razão. Eu sonho com um Brasil onde nós conhecêssemos sobre eles 10% do que eles conhecem sobre nós; onde as transmissões de futebol não fossem essa palhaçada xenófoba; e onde todos os argentinos que aqui chegam fossem recebidos com o carinho de que eu, pelo menos, desfruto sempre que chego lá.
A propósito, um dos maiores romances latino-americanos dos últimos tempos, Duas Vezes Junho, do argentino Martín Kohan, acaba de ser lançado em português, pela editora Amauta. Não percam. O romance transcorre durante a Copa de 1978, desmontando todo o delírio patriótico que cercou aquela Copa. Ainda estou esperando um romance brasileiro que reflita criticamente sobre a nossa relação patrioteira com o futebol.
Pronto. Podem meter o pau.
Escrito por Idelber às 22:37 | link para este post
| Comentários (42)
#1
Meter o pau em quem? Em voce ou nos argentinos? Sem brincadeira, a xenofobia não nos torna melhores, só revela que não fizemos a lição de casa e por isso odiamos quem eventualmente esteja um passinho avante. Vizinhos, em geral não vão mesmo muito de acordo, pois as comparações estão todas ali à mão. Mas no resumo, qualquer forma de preconceito é sinal de ignorância ou da referida vergonha dos proprios defeitos. Eu tenho alguns e bons amigos argentinos, assim como já conheci tambem argentinos arrogantes e pedantes. O mundo é belo porque é variado.
Flavio Prada em junho 9, 2005 1:28 AM
#2
Olha, Idelber. Assisti Brasil vs. Paraguai e a narração não foi essa maravilha toda.
Há coisas positivas sobre o relacionamento bilateral por aqui. E em maior número que as que temos no Brasil.
Mas as coisas também não são esse mar de rosas em que os argentinos são anjos imaculados. Talvez o que eu julgue ser um exagero de sua parte seja simplesmente um alerta para que abramos os olhos.
Quanto a isso, concordo plenamente. Os argentinos não são apenas o estereótipo que imaginamos: há coisas que se confirmam _como a mensagem recebida pelo Alexandre_, assim como há coisas que sequer imaginamos. O que você citou sobre eles nos conhecerem melhor do que nós a eles é inteiramente aplicável, eu até ousaria expandir isso para toda a AL _em maior ou menor grau.
Eu acho que isso vêm não apenas da barreira lingüística, mas também de uma negação da idéia de AL que nós temos no Brasil. Qual é o brasileiro que se identificaria como "latino" em algum formulário de recenseamento?
Flavio mandou muito bem falando sobre a relação entre vizinhos, acho que rusgas _principalmente comerciais no mundo atual_ são normais.
Eu enfrento controvérsias como as recém-surgidas como um desafio para que nos conheçamos melhor mutuamente e que façamos a lição de casa, pra citar o Flavio novamente.
[]'s
Diogo S Lima em junho 9, 2005 4:24 AM
#3
O Flávio disse tudo: reconhecimento e respeito às diferenças. Eis o segredo de uma vida possível. Nas duas vezes em que estive na Argentina fui tratado com delicadeza e com descortezia. Lá, como cá, ou alhures, a arrogância e a cordialiade acampam no mesmo sítio. Concordo com o Idelber quanto às patriotadas do GB, espelho para o bairrismo de todo comentarista de futebol. Falar com certa racionalidade de uma paixão é arte para poucos. Quanto aos impropérios do Alexandre...
Cláudio Costa em junho 9, 2005 6:26 AM
#4
El columnista ese de Ole, parafraseándolo a él mismo, antes que argentino es un hijo de puta. Creo que es obvio y que la cita no viene al caso como argumento sobre la xenofobia de los argentinos. Alexandre tiene razón cuando se refiere a la visión que tienen los argentinos de la mujer brasilera, aunque no creo de ninguna manera que esa forma de tratar a la mujer sea patrimonio exclusivo de los argentinos. No sé si el pueblo argentino es más o menos racista, más o menos xenófobo, más o menos machista que el brasilero, pero la afirmación de que los argentinos son una porquería (por no decir que son una mierda) prueba más la xenofobia del que habla que la de los argentinos en general.
Y sí, Idelber, los argentinos sabemos más sobre los brasileros que a la inversa. Es más: la admiración es tan grande que –más o menos secretamente– todo argentino desearía haber nacido brasilero. En lo que sí no se ganan nuestra admiración es que en general los brasileros saben poco o no les importa nada del resto de AL o del mundo (en eso nos llevan la delantera y se parecen demasiado a los yanquis).
Besos.
Julieta em junho 9, 2005 7:21 AM
#5
Em primeiro lugar é bom falar sobre a velha empolgação que nos atinge em qualquer situação. Basta uma boa vitória e os brasileiros já acreditam que nada mais os impedirá rumo a glória. É interessante ver comentaristas esportivos tarimbados afirmando que basta jogar prá frente que a magia do futebol brasileiro resolve tudo. A realidade é diferente e já devíamos ter aprendido com as inúmeras lições. A Argentina não se preparou para um jogo, mas para uma guerra, e em casa não admitiria qualquer vergonha. Se preparou também para agir com civilidade. Conseguiu merecidamente mais do que queria. Já nós não estávamos preparados para sermos os derrotados da noite e quase fizemos papel feio. Claro que admiramos o futebol argentino: com aquela admiração em que reconhecemos as qualidades do rival mais constante. Parece simplicidade diluir uma rixa que claramente existe tal e qual a que existe entre Inglaterra e França (guardem proporções e a história de guerras). A grande maioria dos Argentinos é muito bem recebida aqui tanto quanto nós somos lá. E, finalizando, teria sido uma maravilha tê-los vencido lá dentro. :)
Reginaldo Siqueira em junho 9, 2005 7:33 AM
#6
Os comentários do Sr. Alexandre - a que fizeram referência os leitores anteriores - foram apagados porque continham insultos à República Argentina e ao povo argentino.
Esse leitor - que já me insultou no meu blog e foi perdoado, já insultou Gladys Marín no meu blog no dia da sua morte e foi perdoado, já se referiu várias vezes aos povos hispano-americanos com epítetos racistas neste espaço e foi perdoado - conquistou hoje o direito que tanto buscou, o de ser banido do blog.
Parabéns a ele e minhas desculpas a quaisquer outros leitores que estejam acessando o blog via IPs 201.3.253.13 e 201.2.219.86. Esses IPs estão banidos.
Idelber em junho 9, 2005 7:50 AM
#7
Idelber,
Antes de mais nada, um comentario sobre o jogo, o futebol em si: ontem, o Brasil foi o Paraguai da Argentina (comparando-se o jogo de Buenos Aires com o de Porto Alegre, domingo), no primeiro tempo: medroso, completamente dominado. Sucumbiu `a marcacao dura mas leal dos hermanos. E que futebol bonito jogou a Argentina, com toques, triangulacoes. Se fosse o Brasil, a torcida estaria cantando "ole" desde os vinte minutos do primeiro tempo.
Sobre a Argentina. Eh uma verdade que o Brasil conhece menos a Argentina (e a America Latina) do que o inverso. Nos, que moramos (no meu caso, morava, ao menos temporariamente) no RS, conhecemos um pouco mais pela proximidade geografica e por muitas raizes comuns, o pampa, a milonga, todos gauchos.
Mas a xenofobia vem da ignorancia, sem duvidas.
abraco
marcelo em junho 9, 2005 8:17 AM
#8
Idelber, o que vi foi um jogaço. Não posso dizer que o Brasil jogou mal porque simplesmente os argentinos não deixaram nosso time jogar bem ou mal. Só deu camisa azul no vídeo. A impressão que eu tinha é que haviam 5 jogadores argentinos para cada um brasileiro. Doa a quem doer, eles foram infinitamente melhores. Beijocas
Yvonne em junho 9, 2005 8:45 AM
#9
Fiquei estarrecida quando GB disse que Killy González era "maldoso" num lance que não foi nada comparado ao tapão que Ronaldinho Gaúcho deu gratuitamente na orelha de um adversário. Detalhe: dias antes do jogo um colunista do Clarín fez mil elogios a Ronaldinho, falando do seu talento e alegria. (detalhe do detalhe: impensável que um jornalista brasileiro se renda ao talento de um jogador argentino, triste não?)
Luciana Christante em junho 9, 2005 9:22 AM
#10
Galvão odeia o Killy. Sempre.
No tapa que o Gaúcho deu no Sorín, o Arnaldo justificou dizendo que não foi uma agressão. Foi...nem sei o que ele usou pra defender o brasileiro.
E tem jornalista sim que elogia jogador argentino. José Trajano, por exemplo, não tem problemas em reconhecer o talento dos hermanos. Mas o Trajano é uma coisa à parte no jornalismo esportivo. Assim como o PVC.
Gabriel em junho 9, 2005 9:46 AM
#11
Sabe, Idelber, estive pensando sobre nossos complexos. O caso do Brasil é único e raro na psicanálise: somos sempre tomados por um completo complexo de inferioridade e superioridade ao mesmo tempo. Como se o primeiro sustentasse e justificasse o segundo. Acobertamos toda a nossa deficiência com nosso sentimento de superioridade; criamos e sustentamos um país imaginário, onde estamos acima de qualquer suspeita e padrão.
O problema disso tudo, Idelber, é que nosso sentimento de superioridade enfraquece, cada vez mais nossas verdadeiras qualidades.
Fernando Henrique em junho 9, 2005 9:59 AM
#12
Gostei muito do debate. Debates assim fazem parte do processo civilizatório. Isto deveria ser o óbvio.
Belon em junho 9, 2005 10:03 AM
#13
Caros
Lamentando a derrota para a Argentina, venho aqui e encontro vários comentários LÚCIDOS sobre a relação Brasil-Argentina e Argentina-Brasil, o que é raro em nosso país. Mas a opinião de Flavio se destaca entre todas, especialmente pela sua inteligência e concisão!
Acredito que a bola tocada por você, Idelber, me deixe quase com a certeza de que a nossa imprensa esportiva não anda muito boa no quesito cobertura internacional. Nunca gostei do Galvão Bueno, e acontece que ele acaba influenciando outros profissionais!!! Em outros tempos, me lembro do João Saldanha tentando no rádio e na TV dar uma noção, para nós brasileiros, da grandeza do futebol argentino.
Me parece que a ausência do jogador do S.Paulo na delegação brasileira influenciou, e muito, para que o ambiente que antecedeu o jogo fosse o melhor de tantos Brasil x Argentina que eu já vi.
Acho que estamos entrando em uma NOVA ERA no relacionamento entre nossos dois países, talvez mais bacana! E quem diz isso é alguém que já esteve no Céu e no Inferno dentro da Argentina. Muito mais no primeiro que no segundo!
Quando o "tempo fechou" já fui chamado de macaquito na Argentina! Tudo bem, isto é normal. Acredito que ainda levará muito tempo para que eles esqueçam este tratamento, que reservam aos brasileiros nas "horas mais quentes"!!! E, ao contrário do que falou o Parreira e parte da imprensa brasileira, acho que o time argentino nos deu um banho de bola. Parabéns ARGENTINA! Viva o país de Martin Fierro!!
Paulo Zobaran em junho 9, 2005 10:06 AM
#14
Depois de um bom período de ausência dessa caixinha (mas sempre acompanhando tudo...) volto!
Tenho grandes amigos argentinos e sempre sou muito bem tratado por eles, seja em conversas virtuais ou mesmo quando nos encontramos aqui no Brasil. (não, eu nunc aestive no lado de lá, uma pena!) Mas vale pros dois lados, pois esses meus amigos sempre afirmaram serem muito bem tratados aqui no Brasil e elogiaram muito a boa educação e receptividade do brasileiro. Então é o caso de reparar que figuras como o xernófobo Galvão Bueno acabam contribuindo para que essa coisa toda aumente!
John Coffey em junho 9, 2005 10:08 AM
#15
Aliás, só pra dar mais um pitaco.
Ainda são 12h11 e eu falei com várias pessoas, todas elas tendo sido muito lúcidas, principalmente fazendo referências à melhora do Brasil no segundo tempo mas também citando os fatos de já estarmos praticamente classificados, o medo que alguns tiveram sobre uma eventual derrota em casa e coisas do gênero.
Apenas um tonto quis fazer uma piada sem graça _a exceção que confirmou a regra do dia_ e me "ofereceu" lenços de papel, ao que eu disse-lhe para guardar os lenços para o Hexa-2006 ;)
Duro mesmo vai ser pagar a aposta que fizemos com o porteiro do prédio: uma dúzia de Quilmes de um litro e uma churrascada para dez pessoas.
[]'s
hahahah, Diogo, Quilmes de um litro não devia ser prêmio, devia ser castigo! Eu sou mesmo meio parcial a favor da Argentina, mas cerveja Quilmes ninguém merece! Abraço .
Diogo S Lima em junho 9, 2005 10:12 AM
#16
Idelber, sou zero à esquerda (hahaha) em futebol, mas, bravo!, concordo plenamente com você! me lembra uma coisa que soube que rolou na sabatina do Gilberto Gil na "Folha", quando se citou o caso Grafite. ele se afirmou favorável à atitude do Grafite, e então foi interpelado sobre se essa atitude não gerava mais preconceito, desta vez entre brasileiros e argentinos. o ministro-cantor teria respondido, meio impaciente, que é claro que sim, que qualquer SOLUÇÃO gera necessariamente um novo problema (o que, obviamente, não desqualifica a primeira solução). pois então tô com você: o debate aberto sobre o racismo naquele caso não torna necessário e bacana que a gente também reflita sobre nossos preconceitos, desta vez contra os argentinos?...
pedro em junho 9, 2005 10:58 AM
#17
Seria muita petulancia algum argentino chegar pro Ronaldo Helal e contar piada de brasileiro. Se contam é longe dele...rs.
Estou triste mas não sem esperanças, ainda temos chances...beijus,
Luma em junho 9, 2005 11:35 AM
#18
Idelber e amigos:
além da entrevista do Ronaldo Helal na Folha, vi também uma entrevista dele na ESPN Brasil em que ele lembrava uma frase do sociólogo argentino que é orientador de sua tese de pós-doc:
Os argentinos odeiam amar os brasileiros e os brasileiros amam odiar os argentinos.
Boa né?
Abraços.
Roberson em junho 9, 2005 11:36 AM
#19
Sabe o que mata!? Não é o fanatismo brasileiro, ou a xenofobia dos mesmos, nem nada disso... pois isso é o que dá brilho à partida.
O que mata é a transmissão da Globo. Essa monarquia nas transmissões da seleção, nos obriga a ouvir as bobeiras patriotas do Galvão Bueno.
Oooo cara chato! É de um patriotismo doentio, que não consegue ver a realidade, o que está realmente acontecendo.
Narrando a partida de outra maneira:
1 gol - saiu o gol da Argentina, não só com uma bela jogada Argentina, mas também com a bobeira do Cafu, que não acompanhou a defesa e não saiu. Crespo de frente pro gol, matou!
2 gol - Bola tranquila, para se dominar, Roberto Carlos me dá um bicão pra cima. A bola cai nos pés de Riquele, que toca bonito, se posiciona para receber, dribla e bate de fora da área, maravilhoso gol, sem chances pro Dida.
3 gol - o jogo tinha dado uma equilibrada, até porque os argentinos tinham cansado e recuado, com o placar a favor e por causa da correria que tinham metido no Brasil no longo do jogo, então o jogo fica de igual para igual. Até que numa jogada ensaiada de escanteio, (jogada ensaiada, da qual os brasileiros desconhecem... você não vê uma jogada ensaiada aqui no Brasil) sai gol da Argentina, com bobeira da defesa que não acompanhou o Crespo e também com a esperteza de Saviola que esperou a muvuca do meio da área, sair de lá.
Segundo tempo, o Brasil vem com mais posse de bola, mas é claro o relaxamento da equipe argentina com o placar de 3 a 0. O Brasil fica com mais posse de bola, mas não cria, não sai uma única chance clara de gol no segundo tempo, até o gol do Roberto Carlos de falta. Daí adiante o jogo ficou mais aberto, antes disso o Saviola errou a bola num cruzamento de frente com o Dida, no começo do segundo tempo a primeira chance de gol é argentina, e o tromba-tromba Adriano chuta uma bola na trave, que dizem se tivesse saído o gol, o Brasil empataria. Sinceramente, acho que não... a Argentina tinha domínio tático da partida, e dava confiança de poder fazer o 4º gol mais rápido que o Brasil empatar a partida. Qualquer ser mais racional que o Galvão Bueno poderia ver que a Argentina estava administrando o jogo, chamando o Brasil pra seu campo, para atacar só nos contra-ataques. Dizer que o Brasil foi muito superior a Argentina, como a Argentina foi contra o Brasil no 1º tempo é de uma estupidez clara. Quero ver o que falarão os jornalistas que sempre reclamaram com o Parreira por um time mais ofensivo e tudo mais. Bem, ele fez o que pediram, deixou o time do jeito que todos queriam, mas acho, e falei isso antes de começar o jogo, que o Brasil devia vir um pouco mais fechado no primeiro tempo, jogar no contra-ataque, respeitar a seleção Argentina que jogava em casa, apoio da torcida e tudo mais.
Jogo que fez juz ao clássico mundial, uma equipe foi superior a outra e fez o resultado no primeiro tempo. Nada mais a comentar.
Deixei alguma coisa escapar???
FrOg em junho 9, 2005 11:51 AM
#20
Eu detesto torcer contra o Brasil, mas ontem, sinceramente, tava difícil...E a narração, blé, acho que já foi dito tudo...Só não disse que na minha pós estou estudando Cortázar, inclusive o conto Continuidade dos Parques. Muito bacana, né ? Já dei uma pesquisada sobre o autor aqui nos seus posts. Meu dever de casa é analisar o conto Pai Contra Mãe, do Machado de Assis. Tô queimando uns neurônios, mas vai dar certo...
Um abraço, Idelber.
Fefê em junho 9, 2005 1:14 PM
#21
Também não conhecia essa livre interpretação do GB sobre a palavra "Milonga". Muito instrutiva essa tevê, sobretudo quando tem o Galvão Bueno no pedaço.
Estive recentemente em Buenos Aires e fui muito bem tratado. Sou obrigado a admitir que gosto de contar piada de argentino e não faço idéia se eles fazem o mesmo ou não conosco. A verdade é que somos mais parecidos do que quer a mídia brasileira e temos os mesmos problemas, como pude observar quando estive na capital argentina.
Eduardo Figueiredo em junho 9, 2005 1:27 PM
#22
Idelber, só um alô rápido... Essa xenofobia brasileira contra os argentinos para mim é uma tremenda ignorância e cafonice.
Ah, provei jiló frito! Comi vários, mas achei um pouco amargo... Bjs cariocas,
Leila em junho 9, 2005 1:31 PM
#23
Verdade. A última vez que eu li o "La Nácion" foi de chorar. Artigos preocupando-se com a imagem da Argentina no Brasil, coraçõezinhos com a bandeira brasileira(Tipo, amo Brasil) nos anúncios de pacotes de viagem.
Enquanto isso, brasileiros falam mal de um país que não conhecem.
Andre kenji em junho 9, 2005 2:28 PM
#24
Bem, o que posso dizer sobre Galvão Bueno? Sei lá. Ele não tem razão em NENHUMA das circunstâncias de que falaste, a não ser na do primeiro gol da Argentina, quando o Cafu simplesmente esqueceu de deixar o Crespo impedido.
Como o entendimento de GB sobre futebol é muito primário, ele não fala que no gol de Riquelme não houve "bobeira" e sim falta de cobertura, que a defesa estava desprotegida, que o Roque saiu na caça e que, depois vencido brilhantemente pelo adversário, ninguém chegou e o cara pôde ajeitar a bola e chutar.
O pior é que os "comentaristas" não ousam discordar ou esclarecer a sumidade. Não sei se adiantaria.
Violência? Provocações? Não vi.
Aliás, quando li que apenas Emerson marcaria o meio-de-campo da Argentina, cantei (e escrevi sobre) a derrota. Não se enfrenta a Argentina em Buenos Aires como se enfrenta o Paraguai em casa.
(E Parreira é um medíocre.)
Abraço.
Milton Ribeiro em junho 9, 2005 2:39 PM
#25
Finalizando:
1. Milonga = Malandragem? Piada...
2. Brasil e Argentina são as duas maiores seleções do mundo. Se o futebol fosse justo, apenas nossos países ganhariam Copas do Mundo. Há que respeitá-los e, às vezes, aprender com eles.
Na visão de GB só o Brasil existe: "nós somos sensacionais", "nós falhamos", "nós vencemos", "nós perdemos". O adversário simplesmente não existe, não faz nada, não influencia no jogo...
E, em âmbito interno: "somos o futebol campeão do mundo", "eles (os jogadores e comissão técnica) perderam para a Argentina". Como dizia Passarella e aplico isto ao Brasil, parte da imprensa pode ser chamada de "los invictos". Nós ganhamos, eles perdem.
Te cuida, Idelber. Precisamos ganhar do Atl-MG para chegar na faixa da Libertadores. Mas este jogo só foi fácil no ano passado. Acho que, se não chover, vou ao Beira-rio.
Abraço.
Milton Ribeiro em junho 9, 2005 2:51 PM
#26
Sim, sobre minha ida a Buenos Aires, ia esquecendo que, quando dizia lá que era brasileiro, ouvia elogios carinhosos sobre nosso povo e terra. Fiquei mesmo emocionado com uma jovem que encontrei em um bar do "Caminito". Ela disse que morou aqui e essa era a melhor terra do mundo. Mas parece que uma parte da imprensa de lá tb gosta de alimentar preconceitos. Então ficamos assim: não conhecemos a Argentina, como de resto não conhecemos país nenhum da Am. Sul e não fazemos outra coisa que não seja criticar os de lá e imitar o modelo americano. É triste. Mas nem tudo está perdido. Vou muito à Porto Alegre e lá, muitas pessoas que conheci gostam da Argentina, de suas cidades e povo.
Eduardo Figueiredo em junho 9, 2005 3:14 PM
#27
Gente, eu ainda acho que Cafu pode até ter falhado no primeiro gol, mas ´esquecer´, Milton, acho um pouco forte. A jogada se desenvolvia no lado esquerdo da defesa do Brasil. Cafu estava na marcação. A tabela foi rapidíssima. Não sei quantos marcadores teriam tido a presença de espírito para, numa jogada daquelas, abandonar a marcação numa fração de segundo e sair para fazer linha de impedimento. Digamos que teria sido possível deixar Crespo impedido, mas o ponto original permanece. A tabela merecia ter sido reconhecida e elogiada na transmissão.
Milton disse tudo: o Mr. Patriotismo Xenófobo narra o jogo como se só o Brasil estivesse em campo.
André: o que você viu no La Nación se repete no Clarín, no Página 12, em toda a imprensa argentina. Enquanto isso, no Brasil, depois de um jogo desses, a Folha de São Paulo só cita o Olé.
Fefê: trabalhei bastante esses dois contos, tanto o de Machado como o de Cortázar; estou à disposição para o que precisar.
Marcelo: acho que você tem razão, no sul do Brasil o conhecimento sobre a América Latina é um pouco maior, sim.
Roberson: a frase do Helal é lapidar. Concordo totalmente.
FH: acho que você pegou muito bem, é isso mesmo. Só que psicanaliticamente - Cláudio Costa que corrija se eu estiver errado - ´complexo de superioridade´, estritamente falando, não existe: é uma compensação imaginária por uma ferida narcísica. E acho que isso acontece na nossa relação com a Argentina: ufanismo e gigantismo como forma de compensar a percepção de que o vizinho é mais rico, mais desenvolvido, mais culto, etc. Tudo isso muda um pouco com a pauperização da Argentina nos últimos anos, mas é uma percepção tradicional. A velha história: há mais livrarias em uma rua de Buenos Aires (Calle Corrientes) que em todo o estado de São Paulo.
Frog: bela análise! Com a minha pequena discordância sobre o primeiro gol, explicada acima.
Eduardo: alegro-me de que sua experiência em Bs.As. tenha sido igual às minhas.
Leila: bem-vinda, sumida!
Pedro: o curioso daquele episódio é que eu acho que ele não aguçou em nada a xenofobia anti-argentina, pelo contrário - ajudou na compreensão mútua. Dê uma olhadinha nos comentários do post do dia 15 de abril deste blog. Acho que o surpreenderão!
Julieta: vos, como siempre, impecable. Qué gusto recibiste acá. Y gracias por contestar la agresión antes de que yo pudiera borrarla.
Flávio: belo comentário, como viu, inspirou vários leitores!
Reginaldo: A ´civilidade´ foi chave né? Todos relataram que a seleção foi impecavelmente recebida lá.
Gabriel: é verdade, Trajano, PVC - e eu acrescentaria MAG, Soninha, Tostão e Juca Kfouri - são honrosas exceções.
Luciana: que coincidência nossos posts, hein?
Idelber em junho 9, 2005 3:34 PM
#28
Completando....
Diogo: estarei aí em Buenos Aires em agosto. Tomemos aquela... Quilmes não! Cerveja brasileira, européia ou vinho!
John: bem-vindo, sumido! também alegro-me de que sua experiência em Bs. As. tenha sido bacana.
Yvonne: acho que o jogo foi isso mesmo. A aplicação tática da Argentina foi decisiva. Concordo com a análise do Frog. Só espero que essa derrota não sirva para que o Parreira volte com aquele horrível esquema cheio de volantes.
Abraços,
Idelber em junho 9, 2005 3:39 PM
#29
Coincidência nossos posts, Idelber.
Eu cansei desse mundo mesquinho, onde as piadas controlam a maneira de pensar.
menina-prodígio em junho 9, 2005 4:34 PM
#30
Mais um pitaco.
1) O time argentino jogou muito bem, Não foi só aplicação tática, também teve muito toque de bola. Grande futebol!
2) Se alguém me pegar chamando argentino de "hermano", podem me botar de castigo ouvindo 72 horas seguidas de narração do GB!!
Paulo Zobaran em junho 9, 2005 5:32 PM
#31
Idelber,
Volto pra SP no dia 24 de julho :(
Dia desses tomei uma cerveja artesanal: fermentação na garrafa e o diabo a quatro. Uma família dinamarquesa erradicada na Argentina a fabrica. Não me lembro do nome dela, infelizmente, mas ela pode ser tomada no Clube Sueco e no Olsen, dois restaurantes daqui.
Me diga uma coisa: teve oportunidade de ouvir aqueles covers dos Stones?
[]'s
Diogo, adorei os covers, obrigado mesmo: depois te conto mais por email. De repente a gente se vê por aqui, fico no Brasil pelo menos até janeiro. Abração, valeu
Diogo S Lima em junho 9, 2005 7:00 PM
#32
Cheguei tarde, tudo já foi dito. Xenofobia não combina com desenvolvimento.
Viva em junho 9, 2005 9:33 PM
#33
Nossa eu realmente tinha que passar aqui e assistir este bate-bola...
Não irei falar que entram de salto alto, não irei falar que a primeira por entre as pernas pensei xiiiiii...Irei falar que desligo o som e escuto o antigo velho e bom rádio...
GB mimguém relamente merece...E sim esta rivalidade é ufanisticamente imbecil...
Los Hermanos jogaram...nós não!!! Sim Hermanos afinal é carne e sangue...no mesmo planeta, na mesma terra, na mesma América..a Latina...
Abraços Idelber...
Tânia Aranha em junho 9, 2005 9:52 PM
#34
um dos maiores prazeres da vida é ver uma argentina, de vez em quando, reduzir a coco do cavalo do bandido o inflado ego da seleção brasileira e dos patriotas de plantão.
putz, os milongueiros são foda.
tenho pra mim que, toda vez que os argentinos entram em campo, o fazem na condição de um bando de davids contra os celebrados golias brasileiros.
isto explica pq eles ganham mais do que perdem deste gigante embevecido e autocentrado deitado em berço esplêndio.
joão em junho 9, 2005 9:57 PM
#35
Idelber,
Eu até entendo o seu entendimento do primeiro gol, mas a jogada, apesar de ter sido muito rápida, dava para ser evitada. Tanto é que o Roque Jr. saiu antes, só ficou o Cafu. Cafu, com toda a sua experiência, devia estar mais ligado no jogo, ele teria visto o Roque saindo, dava um ou dois passos, já colocava o Crespo em posição de impedimento. Mas agora já foi, méritos argentinos.
Enfim, você disse que não espera que o Parreira volte à seu antigo horrível esquema, pois, é notícia lá no Estadão, "Parreira admite rever esquema" http://www.ibest.estadao.com.br/esportes/futebol/noticias/2005/jun/09/160.htm
Na minha opinião, não é um jogo que vai determinar a qualidade da seleção brasileira.
Fomos precipitados com o Paraguai e deu no que deu. Mas acho que com o atual esquema, o Brasil atropela todas as outras seleções desta Eliminatória, voltar ao esquema antiga, seria retrocesso, e dos grandes!
FrOg em junho 9, 2005 10:15 PM
#36
Realmente concordo com tudo Idelber... Aliás, dói ter que ver futebol sendo transmitido pelo G.B. com comentários do Casagrande. Agora, que Killy González é desleal mesmo, isso é, não importa a nacionalidade dele.
Donizetti em junho 9, 2005 11:04 PM
#37
Fico feliz pelos comentários favoráveis à Argentina. Eles merecem o nosso respeito nem que seja por causa do Borges e do Cortázar. Morei numa república com dois estudantes argentinos na época da minha graduação e afirmo que o estereótipo do argentino arrogante e truculento é totalmente falso.
O Galvão Bueno é o verdadeiro apóstolo da Lei de Gérson, que ficou injustamente associada ao Canhotinha de Ouro. Pra nós vale tudo, pro inimigo a lei! Paradigma do Brasil dos PCs, Sérgio Nayas, Delúbios e Jeffersons...
Wagner em junho 10, 2005 2:15 AM
#38
Caro Idelber
Muito interessante esta "bola que você levantou" - a questão das relações Argentina/Brasil e Brasil/Argentina - a propósito do jogo de seleções pelas eliminatórias da XVIII Copa do Mundo em B.Aires. Percebi no entanto, que ao contrário da maioria dos amigos que aqui escreveram, que as informações que tenho sobre o país vizinho precedem a minha capacidade de ler Borges ou Cortázar (pois eu mal começava a ler Monteiro Lobato). Desde cedo já ouvia referências sobre a Argentina na minha casa. Sempre referências respeitosas, mas nunca subalternas. Só fui perceber um ambiente anti-argentino mais tarde, quando, acredito que por um acirramento da cultura do CONSUMISMO (atenção não é comunismo).
A Argentina que tinha, desde o início do século, um padrão de consumo bem superior ao Brasil passou, através de seus cidadãos, a nos brindar com brincadeiras à respeito da pretensa superioridade de seu país. Como vemos agora já há muitos brasileiros que percebem que as relações com vizinhos devem ser levadas bem mais "na esportiva" do que, por exemplo, a imprensa por vezes alardeia. Será que todos os cidadãos brasileiros que são favoráveis à melhoria das relações Brasil e Argentina estão neste blog?
Saudações.
P.S. - Quanto a prevalência do GB falando barbaridades (de futebol e de "comportamento") nas transmissões televisivas, acho que não são NECESSARIAMENTE ligadas a um aspecto do monopólio destas transmissões.
P.S. 2 - A defesa de transmissões de jogos da seleção brasileira por pool de TV (ou coisas assim), me parece atitude semelhante a defesa da "pátria de chuteiras".
Paulo Zobaran em junho 10, 2005 7:30 AM
#39
Esta resenha vai longe...*risos*
Abraços
Tânia em junho 11, 2005 1:33 AM
#40
O Aluno relê o post e sugere a retirada da última frase. A mesma, para alguns, poderia ter conotação sexual.
Aluno em junho 11, 2005 5:44 PM
#41
Idelber, creo que tal xenofobia pasa sòlo por el fùtbol, por la amenaza de dominio, por la experiencia del desafìo... Pero quienes han ido a Brasil han vuelto siempre muy satisfechos por el trato: hay un reconocimiento humano que pocas veces se verifica acà con lo "extranjero". Aquì, es cierto, se admira mucho el espìritu brasileño, esa entelequia sensual con la que tanto los comentaristas de futbol como los lectores sueñan encontrarse...
oliveriocoelho em junho 16, 2005 12:27 AM
#42
Em vários blogs vi frases sobre "a vergonha" sofrida pelo Btasil. Não sei que vergonha é essa de jogar mal e perder um jogo. Nem se a seleção brasileira estivesse invicta desde 1914.
Abraço.
tesco em junho 17, 2005 12:59 PM