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sábado, 04 de junho 2005
As Cem Maiores Capas da História


A notícia me chegou via este post do Fudido e Meio: a Bizz, revista que embalou as tribos musicais "alternativas" nos anos 80, está de volta. A proposta não é a mesma, os redatores também não, tudo soa muito mais mainstream que antes, mas vale a pena conferir. O número 1 é uma eleição das 100 melhores capas de discos da história, feita por músicos, jornalistas e produtores.
Eleita, com muita justiça, foi essa pérola do pop art feita por Andy Warhol para o disco de estréia do Velvet Underground, com Nico - a famosa banana que, depois de descascada, se revela rosada e roliça.
A capa brasileira mais bem colocada não foi nem a manjada capa dos Secos e Molhados, de legendária preparação na maquiagem, nem a famosa de Todos os Olhos, de Tom Zé, que imita um olho com uma bola de gude colocada num não-identificado ânus. O primeiro lugar nacional (terceiro geral) ficou com esta bela capa de Cartola, para Verde que te quero rosa.
A eleição da Bizz é mais uma oportunidade para que a gurizada visite a obra-prima chamada Velvet Underground and Nico (1967). Tudo naquele disco é perfeito, não só a capa: não seria exagerado dizer que ele compõe, com Sgt. Peppers, a dupla de LPs mais importantes da história do rock.
Os Velvets são os inventores do conceito de underground na música popular; são os criadores e avôs do projeto de "rock alternativo"; inventores da noção mesma de art rock, depois desenvolvida nos 70 pelo glam; primeira banda a levar os mundos sado-masoquistas para o rock; primeira a fazer usos criativos tanto da dissonância como da distorção, logo depois transformada em arte por Hendrix. E primeiros em muita coisa mais. A brincadeira que corre é que esse disco da banana só foi ouvido por umas cem pessoas, mas todas elas formaram uma banda depois. De David Bowie a R.E.M., tudo o que se seguiu seria impensável sem os Velvets.
Sempre que encontro mais um garoto que acaba de descobrir os Doors e passa a achar que Jim Morrison é a última palavra em transgressão no rock, eu insisto: já ouviu Venus in Furs? Heroin? All tomorrow's parties? Já descascou uma banana?
A verdadeira radicalidade estava em Nova York, não na Califórnia dos flower children. Perto de Lou Reed e dos Velvets, a viagem rimbaudiana de Morrison parece escapismo de adolescente. Que a grande baterista do grupo, Maureen Tucker, tenha depois, nos anos 80, trabalhado como semi-escrava no Wal-Mart é uma dessas ácidas ironias do pop.
Quando me pedem uma indicação de um disco fundamental de rock, eu volto a esse aí. É a fonte - desconhecida de muitos - de boa parte do que veio depois.
Escrito por Idelber às 12:28 | link para este post
| Comentários (13)
#1
Boa tarde, vim conhecer o blog que minha Alcinéa Cavalcante (alcinea.zip.net) classifica como o melhor dos melhores. Concordo com esta classificaÇao. Tão logo entrei aqui recebi a boa notícia: a Bizz está de volta. Eu que li tanto essa revista não sabia disso. Mas não vou perder tempo, hoje mesmo vou vasculhar as bancas de revistas atrás dela. E depois voltarei aqui dizendo se encontrei ou não. Aliás estarei a partir de hoje sempre por aqui, mas os posts sobre futebol vou "pular". Futebol nunca me atraiu. Tchauzinho e até mais.
Solange Guimarães em junho 4, 2005 2:32 PM
#2
Idelber, realmente só posso assinar embaixo... Lou Reed não foi o cara que me trouxe para o Rock, mas foi quem me fez gostar ainda mais dele, foi quem fundiu o ritmo à minha alma. Sobre o garoto que vc cita, pode ter certeza que ele provavelmente não ouviu Velvet, mas já descascou muita banana! haha
Donizetti em junho 4, 2005 5:29 PM
#3
Idelber, vale a pena lembrar que um dos colaboradores da nova reencarnação da Bizz é o Ricardo Schott, do Discoteca Básica.
valeu a lembrança, Ina, obrigado :) Quase todos os textos desse número vêm sem assinatura e só depois do seu toque eu reparei na lista de colaboradores na primeira página. Que boa notícia! .
Inagaki em junho 4, 2005 6:56 PM
#4
Bem legal esse post.
Seria bom tb sabermos quais foram as outras 99.
Tenho um amigo q tem um blog de capas é muito interessante.
Sei q vc deve ser muito ocupado, mas se um dia quiser conferir, deixarei o end.
www.dicolino.blogger.com.br
Abraços
Vanna em junho 4, 2005 7:46 PM
#5
Idelber, comparto el amor por Velvet. A los 15 años mis amigas me regalaron un casete de los Doors (acababa de salir la película de Oliver Stone) y me gustó. Pero el que luego sería mi novio-marido-ex ya me había hecho conocer a Velvet, y después de escucharlos sería difícil que otra banda los superara (esa banda sería Pixies, lo mejor del rock de finales de los ochenta). A Lou Reed le fue mejor que a la baterista del grupo, claro. Supe hace un par de años que vivía en Tribeca, un amigo de mi ex le paseaba el perro. Besos,
j
Julieta, a mí también me encantan los Pixies; qué alegría verte de nuevo por acá... No dejes de avisar cuando llegues a Brasil. Besos :)
Julieta em junho 5, 2005 8:22 AM
#6
Bom dia, Idelber: as dicas do "rock fundamental" (jamais fundamentalista!) são ótimas. Vejo que daqui de BH, você ainda mantém o ritmo. É isso, blog vicia, tanto quem escreve quanto a gente que lê, do lado de cá.
Off topic: a ExpoCachaça termina hoje. Estou aqui, agora (13,30h) e vou esticar até mais tarde. Está um espetáculo. Venha de metrô, pois o trânsito está infernal. Abraços, Cláudio.
Cláudio Costa em junho 5, 2005 11:43 AM
#7
"A verdadeira radicalidade estava em Nova York, não na Califórnia dos flower children. Perto de Lou Reed e dos Velvets, a viagem rimbaudiana de Morrison parece escapismo de adolescente."
LA was lame. SF was where it was. NORTHERN California in the parks and in big halls like Fillmore and Avalon. ZAPPA was big when he went north and was hailed.
Idlelber- we must talk about 80s postpunk wave in UK Manchester. NOW. Anjo 51
cap em junho 5, 2005 1:54 PM
#8
idelba, primeiro MUITO, MUITO OBRIGADO!
...
segundo: essa capa não venceu somente essa votação, foi eleita numa votação da ROLLING STONE tb como a melhor desde SEMPRE.
...
no lançamento o velvet vendeu pouquíssimo desse e do próximo disco (que também tem uma capa antológica, tb de warhol, aparentemente totalmente negra, mas com uma caveira pirata quase invisível no lado inferior esquerdo). depois houve a "descoberta" do velvet, com grandes novos fãs, como o pessoal do sonic youth. assim os discos foram relançados, mas o projeto gráfico sempre ficava no segundo plano. não conheço uma edição sequer desse disco em CD em que a banana seja descascável. é mole? com isso limaram o PEEL SLOWLY AND SEE que acompanha a banana. única chance de ver o ESQUEMA como foi concebido é a maravilhosa caixa que tem esse nome, PEEL SLOWLY AND SEE... é bem carinha, mas vale cada centavo.
...
quando reed e cale se uniram para contar a história do PAPA POP na ópera-pop SONGS FOR DRELLA botaram a cara de warhol escondida sob o fundo preto também.
...
sabe onde estão os maiores fãs de warhol e do V.U. hoje? no japão!
...
;>)
falou quem sabe do tudo do tema :) Obrigado lindão! SONGS FOR DRELLA é o máximo, que belo álbum conceitual :)
Bons fluidos viajando ciberneticamente para vc aí .
Biajoni em junho 5, 2005 3:54 PM
#9
Eles estavam mais numa lógica de experimentação artistica do que de música popular.
Achei a idéia que o VU foram os primeiros a fazer um uso criativo das dissonâncias muito engraçada, pois basta ouvir Monteverdi ou Rameau para ver que o uso criativo das dissonância está muito mais antigo.
para quem leu com atenção, no trecho "primeira a fazer usos criativos da dissonância" sub-entende-se, pela frase anterior, "primeira banda de rock", é lógico... De qualquer forma, obrigado pelo adendo.
horvallis em junho 5, 2005 4:30 PM
#10
Falou bem de Lou Reed o Bia gosta sempre, vai dizer?
***
Cláudio Costa, o ExpoCachaça termina hoje!? O correspondente paraibano ainda nem começou, sô! Mas eu, como não sou besta, já tomei umas hoje, hehehe...
Ismael Grilo em junho 5, 2005 9:07 PM
#11
Me esqueci de dizer: eu, com minha FANTÁSTICA atualização sobre o mundo do rock, o mais novo que conheço(conheço, não ter ouvido uma música ou outra!) é Beatles e Chuck Berry.
Ismael Grilo em junho 5, 2005 9:10 PM
#12
Bem, sobre o Velvet Underground não tenho o que discutir. É, junto com o cd inicial dos Stooges, um dos mais importantes do que já foi feito em rock mesmo. Minha cópia, comprada numa loja de discos numa galeria decadente de Copacabana me segue aonde eu for.
Por outro lado, vou ser chato e dizer que Hendrix tinha seu estilo próprio quanto à distorção. Não poderia ter ele desenvolvido isso "logo depois", quando os LPs de estréia dos dois sairam ao mesmo tempo (1967), sendo que a pirotecnia de Hendrix já vinha causando sensação antes dessa data. A proposta de distorção dos dois lados foi revolucionária, mas com matizes diversos. Mas isso é só um detalhe. Ótima capa, ótima banda, ótima música. Abraços.
Fernando em junho 6, 2005 11:17 PM
#13
A voz do Lou Reed é tão melhor que da Nico... Não fosse pela música "Pale Blue Eyes", o grande mérito do disco seria estético: a Nico é bem mais gracinha que o Lou Reed. Bom, o Lou Reed continua arrebentando em shows ao vivo.
Ram em junho 13, 2005 8:32 AM