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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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quinta-feira, 28 de julho 2005

Máxima do Dia

Citação: Uma tabelinha de Pelé e Tostão é a prova, no século XX, de que Deus existe.
(Armando Nogueira, 1970).

Comentário: Um meio-campo com Walker e Ataliba é a prova de que, no século XXI, Deus morreu e abandonou suas criaturas às guerras de invasão, ao fim dos direitos humanos, ao assassinato gratuito, ao reino da tortura e ao da mentira.

Certas pessoas que acreditam em coisas insistem que Ele ressucitará para consertar tudo.



  Escrito por Idelber às 05:13 | link para este post | Comentários (14)



quarta-feira, 27 de julho 2005

Feliz Aniversário, Telê Santana

tele.jpg

Com um dia de atraso, o blog saúda o 74o aniversário de Telê Santana, comemorado neste dia 26 de julho. Seria exagero dizer que foi o maior técnico da história do nosso futebol? Com certeza, foi o maior entre os que eu vi.

Como jogador, no Fluminense, do alto dos seus 57 kg, inventou uma posição: a do ponta que fecha para o meio, recua, ajuda na marcação e arma o contra-ataque.

Mas as maiores glórias foram como técnico. Três anos depois de encerrada a carreira, em 1965, recebe o comando do Fluminense e leva a equipe ao título do Roberto Gomes Pedrosa de 1969, o Brasileirão da época. Em 1970 assume o Atlético-MG e quebra a hegemonia de 5 anos do ex-Ipiranga, que tentava o hexacampeonato.

Ainda sob a euforia do tricampeonato da seleção no México, a antiga CBD decide organizar o primeiro certame realmente nacional do nosso futebol, o Campeonato Brasileiro. Naquele pioneiro Campeonato de 1971, havia vários favoritos: o Santos de Pelé; o São Paulo de Gérson e Pedro Rocha; o Botafogo de Jairzinho e Carlos Alberto; o Palmeiras de Ademir da Guia; o ex-Ipiranga de Tostão e Dirceu Lopes.

Mas quem papou o título foi o Galo de Dadá.

Obra pessoalíssima de Telê Santana, que forjou uma equipe campeã com 11 jogadores limitados, que sabiam suas funções e seguiam fielmente o seu técnico. Só Telê Santana foi capaz de quebrar a hegemonia do rolo compressor do Internacional, conquistando com o Grêmio - de novo, no comando de um limitado elenco - o histórico Campeonato Gaúcho de 1977.

Na Seleção Brasileira, armou a maior máquina de jogar futebol que vimos desde a era Pelé, o escrete de 1982 - que parecia jogar por música, sempre ofensivamente, surpreendendo o espectador e o adversário com jogadas geniais. Perdeu a Copa de 1982 numa fatalidade e começou aí o absurdo mito do "Telê pé frio".

A corja da CBF, a camarilha da Rua da Alfândega, jamais lhe perdoou alguns pecados: um deles, o de ser mineiro. O outro, o de ser avesso à politicagem e ao conchavo. O terceiro, o de jamais aceitar interferências no seu trabalho. E finalmente o de jamais deixar de denunciar a violência e os árbitros e cartolas coniventes com ela.

Uma vez, perguntaram ao grande Zico se havia algum treinador que jamais havia mandado bater num adversário. Zico respondeu: somente Telê.

Por tudo isso, torci muito pela seleção de 1986, que poderia ter sido a redenção de Telê no comando do Brasil. Mas de novo, numa fatalidade povoada de penais perdidos, o Brasil foi eliminado da Copa e o futebol ofensivo de Telê foi substituído por retrancas e brucutus. Ganhou força o mito do "pé frio".

Assumiu o Galo de novo e, às vesperas da decisão do Campeonato Mineiro de 1988, teve que ouvir durante toda a semana que o ex-Ipiranga já festejava o bicampeonato, pois tinha a melhor equipe e enfrentava um "pé frio". Os garotos do Galo, quase todos oriundos dos juvenis, fizeram um pacto pela vitória por Telê, por amor a Telê. A massa tomou 2/3 do Mineirão, como é de costume nos clássicos mineiros, e gritou o nome do seu técnico ao longo do jogo. Os meninos se encheram de brios e venceram por 1 x 0. Galo campeão mineiro de 1988. Uma multidão esperou Telê para carregá-lo nos ombros.

Mas ainda faltava a grande volta por cima.

Em outubro de 1990, o São Paulo era uma equipe em crise, já há quatro anos sem títulos importantes. Telê assume o Tricolor e em menos de um ano monta o maior esquadrão da história do clube. Naquele time, Telê burilou peça por peça. Um certo lateral direito apenas esforçado recebeu horas e horas diárias da atenção do mestre (especialmente nos cruzamentos) e em pouco tempo se transformou no Cafu depois capitão do pentacampeonato.

Com Telê, o São Paulo foi campeão dos dois campeonatos mais importantes do país em 1991, o Paulista e o Brasileiro. Em 1992 levou o São Paulo ao título da Libertadores. Ganhou o campeonato mundial interclubes. Trouxe ao seu time outro mineiro apedrejado depois da tragédia da Copa de 1982, o já veterano Toninho Cerezzo. Sob a batuta de Cerezzo, Raí e Telê, o São Paulo repetiu a dose em 1993: campeão da América e campeão mundial. Durante 5 anos no São Paulo, Telê fartou-se de ganhar títulos, de calar a boca dos críticos e de encantar o mundo com o futebol bonito e ofensivo que a seleção brasileira jamais voltou a jogar desde que ele deixou de ser seu treinador.

Vive agora com a saúde bem debilitada, mas cercado, aqui em Minas Gerais, de um amor absolutamente unânime.

Hoje à noite jogam Atlético-MG e São Paulo no Mineirão. Seria uma linda oportunidade para que as torcidas dos dois clubes prestassem uma homenagem àquele que foi o maior técnico de suas histórias.

Evoé, Telê.

Atualização: e quem faz aniversário hoje, um dia depois de Telê (info via Meg) é o mestre e cumpadi Alexandre Inagaki. Parabéns, e muitos anos de vida e saúde.



  Escrito por Idelber às 04:28 | link para este post | Comentários (20)



terça-feira, 26 de julho 2005

Cordel do Fogo Encantado em BH

cordel 020.jpg

Sábado passado o Cordel do Fogo Encantado visitou Belo Horizonte e finalmente pude vê-los. Queria saber se todas as lendas sobre o espetáculo eram verdadeiras mesmo.

Saí apaixonado pela banda, muito mais do que já era via disco. O show é um espetáculo de tambores e luzes, uma festa percussiva-psicodélica liderada pelo pandeirista, vocalista e poeta Lirinha, uma espécie de Jim Morrison do sertão.

Segundo a explicação da banda: Cordel é o trabalho com a literatura oral e escrita, o fogo é o sertão das fogueiras de São João, do sol e da terra queimada e encantado é o profeta, o cantador.

Vindos de Arcoverde, sertão de Pernambuco, eles pegam carona nessa grande inovação de Chico Science e do Mangue Beat pernambucano: a incorporação das alfaias e tambores como base rítmica para a música pop.

Nego Henrique, Rafa Almeida e Emerson Calado se revezam nos instrumentos de percussão, ora tambores, ora congas, ora dois sets de bateria de rock armados ao fundo do palco. Só um instrumento harmônico, o violão de Clayton Barros.

A base rítmica é o samba de coco, a embolada e muito reisado. Mas reciclado, como tudo no Pernambuco pós-Mangue Beat, na escola do hip hop, do rock, do funk. Nego Henrique e Rafa Almeida vêm do Morro da Conceição e trazem toda a vivência dos cultos afro-brasileiros.

cordel 019.jpg

Com esses ingredientes, um jogo de luzes e fogos impressionante, e a performance dramática de Lirinha, o Cordel te leva, durante duas horas, a um show que parece um sonho: dragões, bestas-fera, castelos, uma espécie de surrealismo medieval no meio da seca. É indescritível.

Há uma velha história de amor entre o Cordel e Belo Horizonte, porque eles passaram por aqui em absolutamente todos os shows que fizeram ao longo dos 8 anos de carreira. Deixaram um público fiel. O Lapa Multishow superlotou, e a banda parecia rever velhos amigos.

Para quem não conhece os dois imperdíveis discos do Cordel, o site oficial traz uma mostra.

A cada experiência, eu me convenço mais: a melhor música popular deste país continua se fazendo em Pernambuco. É o laboratório do futuro.



  Escrito por Idelber às 02:11 | link para este post | Comentários (20)



segunda-feira, 25 de julho 2005

No Que Eles Querem que a Gente Acredite

Alguns fatos:

1. Está provada a existência do mensalão. À ínfima minoria que ainda acredita que se trata de um complô para desestabilizar o socialista e revolucionário governo Lula - cuja política econômica é de responsabilidade do líder proletário Henrique Meirelles, oriundo das brigadas do Bank of Boston - pede-se mais uma vez que encare os fatos. Um bom lugar para começar seriam os 200 últimos posts do Noblat e os últimos 6 ou 7 dias da Folha ou do Globo.

2. A dupla Dilúvio e Velório, digo, Delúbio e Valério, optou pela estratégia óbvia: negar, negar, mentir, mentir. Sabedores de que a prática do caixa 2 é disseminada, confessam só a irregularidade do dinheiro não contabilizado, que é um crime eleitoral com pena máxima de 3 anos de reclusão. Flagrados só nesse crime, como réus primários, poderiam até mesmo cumprir a pena em liberdade ou simplesmente prestar "serviços à comunidade".

3. A quebra do sigilo bancário de Valério revela uma gigantesca máquina de corrupção envolvendo contribuições a campanhas, depois licitações fraudadas e retribuição dos beneficiados à camarilha em forma de milhões de reais que alimentam o lamaçal conhecido como mensalão. Fala-se hoje em quase 200 parlamentares sobre os quais a história teria respingado (lembram-se do Luiz Inácio que falava dos 300 picaretas com anel de doutor?).

O que Delúbio e Silvio Pereira querem que acreditemos é que essas centenas de milhões de reais movimentados via Valério, passando às mãos de parlamentares (ou a seus assessores ou cônjuges), eram só isso, "pagamento de despesas de campanha". Que eles fossem mentir era previsível.

O absurdo é que o Presidente Lula, ao invés de utilizar a entrevista concedida a Melissa Monteiro na França (e depois vendida por ela à Globo) para dar mostras de que quer a verdade, repete a cantilena de que "o que PT fez é simplesmente o que sempre foi feito no Brasil". Em outras palavras: O Presidente compromete-se com a versão de Delúbio e Valério, versão que facilmente desmoronará face à documentação já vista. Diz isso ao mesmo tempo em que se confessa - para eximir-se de culpa - "afastado" da vida partidária. E continua vendendo o conto do faz-de-conta, um delírio completamente inverossímil.

O PT ganharia muitos pontos com a sociedade e faria um grande serviço a si mesmo se tomasse a iniciativa de punir e desfiliar os membros - e o chefe - da gangue. Sim, porque trata-se de uma gangue. Com muitas ramificações, mas gangue. Antecipando-se, punindo quem deve ser punido e pedindo desculpas à sociedade, o partido poderia até, talvez, resgatar algo do seu compromisso histórico com a ética.

Acredito que isso vá acontecer? Não. É mais fácil o Galo ganhar o Campeonato Brasileiro que o PT fazer a autocrítica que deve fazer e tomar as providências necessárias. O mais provável é que o PT não faça nada e continue tapando o sol com a peneira. Francisco de Oliveira parece estar correto quando diz que o partido passou a representar outra classe: a dos ex-sindicalistas administradores de fundos de pensão. Mesmo sendo o mensalão a operação de uma gangue bem circunscrita, o pano de fundo que o possibilita é a ascensão de toda essa nova classe. Defendem seus privilégios com a raiva e o ódio que só possuem os novos-ricos. Por isso é bem provável que a vaca já tenha ido para o brejo e a "refundação" do PT fique no sonho.

Mas como eu sou atleticano, eu não desisto nunca.

O PT deve explicações à sociedade e a seus 800 mil filiados inclusive porque, por exemplo, como muita gente sabe, nem Chico Alencar, nem Eduardo Suplicy, nem Ivan Valente, nem Olívio Dutra, nem Miguel Rossetto, nem Marina Silva, nem dezenas de outras lideranças petistas que eu poderia citar, de todo o Brasil, estão envolvidas em esquemas de corrupção de licitações e superfaturamentos para pagamento de suborno a ninguém. E precisamente para que não paire dúvidas sobre os inocentes, o próprio PT deveria punir os culpados.

Porque além dos muitos que a gente sabe serem inocentes, está a turma da gray area, aqueles pelos quais eu não poria a mão no fogo.

E há, claro, os que nós sabemos serem bandidos.

Diz o jornalista José Casado no Globo, em excelente matéria publicada neste domingo: Dirceu se move no Congresso e no governo com a meticulosidade de quem se preocupa em construir uma defesa coordenada com a do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, o ex-secretário do partido Sílvio Pereira e seus antigos assessores Waldomiro Diniz e Marcelo Sereno. Foi uma das sugestões que ouviu recentemente, para limitar a ação de adversários em busca de eventuais provas nessa etapa do processo político. “Não conseguiram encontrar indícios nem provas”, reafirmou em nota, sexta-feira.

O colunista Ilimar Franco, também no Globo, menciona o movimento interno para que Dirceu siga Silvinho e saia do partido. Isso seria, para mim, grosseiramente insuficiente. Estamos falando do chefe, ora bolas. Não basta ir embora. Tem que confessar e responder pelo que fez.

Também via Ilimar sabemos que ao partido ele [Dirceu] tem dito que desconhecia totalmente a operação financeira entre Delúbio Soares e Marcos Valério.

É possível tamanho cinismo?

É nisso que ele quer que a gente acredite.

Se o PT quisesse realmente investigar, de verdade pedir desculpas à sociedade e mudar de rumo - o que, insisto, seria não só eticamente correto mas políticamente inteligente - o primeiro passo seria chamar o chefe de Delúbio e de Silvinho, ou seja, José Dirceu, e exigir: conte tudo. Quem for culpado cai com você. Já não estamos discutindo se você vai perder ou não seu mandato. Estamos discutindo se você vai para a cadeia ou não.

Como isso não acontecerá, o PT passará mais uma vez pela vergonha de ir à reboque dos acontecimentos: no dia 02 de agosto, Dirceu será destroçado por Roberto Jefferson, pelo motivo bem simples de que este, neste caso, está dizendo a verdade. E aquele, a cada vez que fala, soa mais e mais como alguém que tem coisas a esconder.

E vai ser doce ver o aprendiz de ditador desmoronar, assim como foi doce ver Heloísa Helena tendo o seu dia de vingança interrogando Delúbio, que havia sido testemunha de acusação (imaginem!) no processo de expulsão imposto a ela pela camarilha de Dirceu em 2003.

Talvez, a longo prazo, algo muito bom saia de tudo isso.



  Escrito por Idelber às 00:40 | link para este post | Comentários (36)



sexta-feira, 22 de julho 2005

O Mensalão e a Literatura

(eu preparava um post "sério" sobre o mensalão. Desisti quando chegou, via listserve Fórum Musical, esta verdadeira aula de literatura. O texto já chegou ao listserve apócrifo; se alguém souber quem é o autor, favor entrar em contato)

Atualização: O texto é de Reinaldo Azevedo, embora já esteja circulando com acréscimos. Muito obrigado, Edson!


À moda Haicai:
"Cueca e dinheiro,
o outono da ideologia
do vil companheiro."

À moda Machado de Assis:
"Foi petista por 25 anos e 100 mil dólares na cueca"

À moda Dalton Trevisan:
"PT. Cem mil. Cueca. Acabou."

À moda concretista:
"PT
cueca
cu
PT
eca
peteca
te
peca
cloaca".

À moda Graciliano Ramos:
"Parecia padecer de um desconforto moral. Eram os dólares a lhe pressionar os testículos".

À moda Rimbaud:
"Prendi os dólares na cueca, e vinte e cinco anos de rutilantes empulhações cegaram-me os olhos, mas não o raio-x."

À moda Álvaro de Campos:
"Os dólares estão em mim
já não me sou
mesmo sendo o que estava destinado a ser
nunca fui senão isto: um estelionato moral
na cueca das idéias vãs."

À moda Drummond:
"Tinha um raio-x no meio do caminho,
e agora José?"

À moda Proust:
"Acabrunhado com todas aquelas denúncias e a perspectiva de mais um dia tão sombrio como os últimos, juntei os dólares e elevei-os à cueca. Mas no mesmo instante em que aquelas cédulas tocaram a minha pele, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferente às vicissitudes da vida, inofensivos seus desastres, ilusória sua brevidade, tal como o fazem a ideologia e o poder, enchendo-me de uma preciosa essência."

À moda Kafka
:
"Naquela manhã, K. acordara com os testículos embrulhados num gigantesco maço de notas novas."

À moda James Joyce:
"Aquele que se aproxima é o raio x... Lendo duas páginas por noite termino semana que vem... Por que me olha a funcionária dessa forma? Ninfomaníaca... O carpete granulado desaparecera sob seus pés, a esteira rolava a conduzí-lo, sabe-se lá para onde. Termino a leitura no avião. Me coçam as bolas, me embrulham essas folhas retangulares de cor-sem-cor em tom pastel... Caso morra, é preciso enviar cópias a todas as bibliotecas do mundo, inclusive Alexandria. Ela é maníaca, não bastava me olhar assim, com esses olhos, e agora me quer tocar assim, com essas mãos, vai me conduzir à sala vip... o que fazer com ela? Se eu mijasse destruía as cédulas?"

À moda TS Eliot:
"Que dólares são estes que se agarram a esta imundície pelancosa?
Filhos da mãe! Não podem dizer! Nem mesmo estimam
O mal porque conhecem não mais do que um tanto de idéias fraturadas,
batidas pelo tempo.
E as verdades mortas já não mais os abrigam nem consolam."

À moda Lispector:
"Guardei os dólares na cueca e senti o prazer terrível da traição. Não a traição aos meus pares, que estávamos juntos, mas a séculos de uma crença que eu sempre soube estúpida, embora apaixonante. Sentia-me ao mesmo tempo santo e vagabundo, mártir de uma causa e seu mais sujo servidor, nota a nota".

À moda Lênin:
"Não escondemos dólares na cueca, antes afrontamos os fariseus da social-democracia. Recorrer aos métodos que a hipocrisia burguesa criminaliza não é, pois, crime, mas ato de resistência e fratura revolucionária. Não há bandidos quando é a ordem burguesa que está sendo derribada. Robespierre não cortava cabeças, mas irrigava futuros com o sangue da reação. Assim faremos nós: o dólar na cueca é uma arma que temos contra os inimigos do povo. Não usá-la é fazer o jogo dos que querem deter a revolução. Usá-la é dever indeclinável de todo revolucionário."

À moda Stalin:
"Guarda a grana e passa fogo na cambada!"

À moda Gilberto Gil:
"Se a cueca fosse verde como as notas, teríamos resgatado o sentido de brasilidade impregnado nas cores diáfanas de nosso pendão, numa sinergia caótica com o mundo das tecnologias e dos raios que, diferentemente dos da baianidade, não são de sol nem das luzes dos orixás, mas de um aparelho apenas, aleatoriamente colocado ali, naquele momento, conformando uma quase coincidência entre a cultura do levar e trazer numerário, tão nacional, tão brasileira quanto um poema de Torquato."

À moda Ferreira Gullar:
"Sujo, sujo, não como o poema
mas como os homens em seus desvios."

À moda Paulinho da Viola:
"Dinheiro na cueca é vendaval, é vendaval..."

À moda Camões
"Eis pois, a nau ancorada no porto
à espreita dos que virão d'além
na cobiça da distante terra,
trazendo seus pertences, embarcam
minh'alma se aflige
tão cedo desta vida descontente."

À moda Guimarães Rosa:
"Notudo. Ficado ficou. Era apenas a vereda errada dentre as várias."

À moda Shakespeare:
"Meu reino por uma ceroula!"

À moda Dráuzio Varela:
"Ao perceber na fila de embarque o cidadão à frente, notei certa obesidade mediana na região central. Se tivesse me sentado ao seu lado durante o vôo, recomendaria um regime, vexame que me foi poupado pelos agentes da PF de plantão no aeroporto. Cuidado, portanto: nem toda morbidez é obesidade."

À moda Neruda:
"Cem mil dólares
e uma cueca desesperada."

À moda Saint Éxupéry
"Tu te tornas eternamente responsável pelo que carregas na cueca."



  Escrito por Idelber às 03:02 | link para este post | Comentários (43)



quinta-feira, 21 de julho 2005

Times Inesquecíveis que eu vi, I

inter.jpg

1. A Revista Placar reuniu umas duas dúzias de "especialistas" para escolher os melhores esquadrões brasileiros da era pós-Pelé.

Como tudo o que acontece quando se chama um time de "especialistas", o que se viu foi uma monstruosidade.

Em resposta, este Biscoito inaugura a série "Times Inesquecíveis que eu vi", e o primeiro primeiríssimo é esse aí.

De cada time elegeremos sua característica mais notável.

Esse aí era o que tinha a saída mais implacável da defesa para o ataque.

Quem vai saber escalar?

********************

2. Que Oxumaré acompanhe o jogador cearense que morreu domingo depois bater um pênalti.

3. Por falar em Ceará, o Galo ressuscitou em Fortaleza. Atleticano é uma raça irrecuperável. Hoje eu vi uns dois dizendo "se brincar a gente belisca uma vaguinha na Sul-Americana". Ah, paixão incorrigível.

4. Que viva o Balípodo, o melhor site de análise de futebol da internet brasileira. Eu participo da promoção de aniversário.

5. Em breve: um post de análise dos desdobramentos do caso do bravo, bravíssimo Grafite (que você se recupere logo, grande).

6. Minha frase favorita no universo futebol: Quem pede recebe, quem desloca tem preferência. Outras candidatas?

********************

PS: Eu ia fazer um post provocando todos os amigos que há uns 20 dias atrás disseram esse negócio de mensalão nunca pode ser provado.... Mas por que tripudiar, se mesmo os que estávamos corretos continuamos sendo surpreendidos com a extensão inimaginável da lama?

PS 2: Prova cabal do mensalão, além de muitas outras: O Bispo Rodrigues, do PL-RJ, apontado por Jefferson como um dos operadores, chora lágrimas de crocodilo na TV depois de revelado que ele mesmo (não o assessor, não a cônjuge, mas ele mesmo) fez saques de dezenas de milhares de reais na conta de Marcos Valério. Como diz o Marcelino, êta danado!



  Escrito por Idelber às 02:43 | link para este post | Comentários (29)



quarta-feira, 20 de julho 2005

Corrente da Música, dia do amigo

O amigo Rafael Reinehr passou a corrente da música e aqui vão as respostas:

1. Quantos gigabytes usados com música?

No computador muito pouco, menos de 2 GB (390 canções). Nos iPods, a situação é a seguinte: 16.14 GB (4292 canções) no iPod de música não-brasileira e 14.12 GB (4112 canções) no iPod de música brasileira.

Último CD que comprei:
Sol Negro, de Virgínia Rodrigues e o Epônimo de Junio Barreto, artista pernambucano radicado em São Paulo (luminosa dica dela).

Música tocando no momento:
All Tomorrow's Parties, ironiquíssima versão ao vivo gravada no Texas, Velvet Underground

Pergunta que acrescento à corrente:

Músicas mais executadas nos iPods (com o número de execuções no último ano):

Hey Pocky A-Way, The Meters 51
Unity: The Third Coming, Afrika Bambaataa 49
Electric Cafe, Kraftwerk 49
Get Up (I Feel Like Being A) Sex Machine, James Brown 48
Mesa de bar, Alcione e Ed Motta 39
Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida, Paulinho Da Viola 30
Samba Makossa, Chico Science & Nacão Zumbi 26
Povo, Mestre Ambrósio 26
The Killing Moon, Echo and the Bunnymen, 23
Ain't No Sunshine, Neville Brothers 25
Hino do Atlético-MG, Tianastácia 23
Hino do Grêmio, Chimarruts e Borguetinho 23
Volta Por Cima, Beth Carvalho 22
Concertos de Brandenburgo, 1 a 6, Bach 22
Take the A Train, Duke Ellington, 22
O Cidadão Do Mundo Chico Science & Nação Zumbi 22
A Deusa Dos Orixás, Clara Nunes 22
Canto Das Três Raças, Clara Nunes 21
Torresmo à Milanesa, Clementina De Jesus e Adoniran Barbosa 21
Bailão, Kleiton & Kledir, 21
Hino do Vasco, Paulinho Da Viola e Los Hermanos 21
Ratamahatta, Sepultura 21
Eleanor Ribgy, The Beatles 20
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, The Beatles 20
Silencio No Bixiga, Beth Carvalho 20
Feira Moderna, Beto Guedes 20
Ect, Cássia Eller 20
I Like Ki Yoka, Dr. John 20
Ain't No Sunshine, .Eva Cassidy 20
It Don't Mean A Thing, Dr. John 20
A História Da Morena Que Abalou As Estruturas Do Esplendor Do Carnaval, Max de Castro, 20
Só O Tempo (Com Zizi Possi), Paulinho Da Viola 20

5 pessoas para quem passo a batuta
Fica prá próxima

PS: Feliz dia do amigo a todos os amigos. E à amiga Lucia Malla meu muito obrigado por já ficar amiga do Alexandre e enviar-lhe fotos lindas do mar. Ver o Alexandre curtindo o post da Lu sobre os tubarões foi daquelas alegrias incríveis. Para isso a gente bloga. O resto é bobagem.

Tudo de bom sempre.



  Escrito por Idelber às 03:30 | link para este post | Comentários (11)



terça-feira, 19 de julho 2005

EUA-Brasil: O Olhar

olhar.jpg

Hoje eu li um livraço: Tocquevilleanas: Notícias da América, de Roberto DaMatta (Rocco, 2005), uma coletânea de artigos sobre os EUA, publicadas no Jornal da Tarde e no Estadão entre 1993 e 2004. Para quem não sabe, DaMatta é um dos principais, senão o mais ilustre antropólogo de Pindorama. Ao contrário dos antropólogos que preferem estudar índios, DaMatta fez a carreira estudando os mitos dos quais somos feitos: o Carnaval, o futebol, a cordialidade, o "jeitinho", a malandragem. Sua obra mais conhecida é o clássico Carnavais, Malandros e Heróis.

Como eu, DaMatta vive entre o Brasil e os EUA, já que está vinculado à bela universidade (católica) de Notre Dame, situada no cu do mundo chamado South Bend, Indiana (desculpe, Roberto, mas aquilo é cu do mundo mesmo).

Lendo o Roberto eu tenho uma curiosa sensação: concordo com tudo o que ele diz sobre os EUA e discordo de tudo o que ele diz sobre o Brasil. Isso não surpreende, dado que o autor é assumidíssimo admirador da tucanagem. A antropologia comparada do Roberto me deu a idéia de desenterrar, aqui no blog, 15 anos de anotações minhas sobre as diferenças e semelhanças entre os EUA e o Brasil. É tema fascinante e explosivo, que mexe com as entranhas de todo mundo.

Em primeiro lugar, uma palavra sobre o expatriado. O expatriado é um ser que nunca voltará ao lugar do qual saiu. Uma vez abandonada a pátria, babau. Você pode até desistir da empreitada e voltar, mas não se iluda com a idéia de que voltará ao país onde vivia antes. Aquele não existe mais. Sua percepção está para sempre afetada pela saída.

O expatriamento mexe com as vísceras e produz terríveis distorções de percepção. A não ser nos casos de exílio, claro, todo mundo que sai o faz porque quer, mas esse querer está sempre misturado com outras emoções. Vacilos, dúvidas, culpas vão produzindo uma racionalização da saída, através da qual a pátria deixada para trás se transforma num inferno do qual se escapou ou num paraíso perdido.

Em 15 anos de EUA já encontrei brasileiros em crise de depressão porque nos EUA não existe coxinha de galinha nem guaraná. Já encontrei um brasileiro em choro convulsivo porque não há Bombril nos EUA (meu Deus, como é possível viver sem Bombril?).

As opiniões dos expatriados sobre seus países de origem em geral são radicais, absolutas, taxativas. Já encontrei brasileiros que sustentavam piamente que nenhum carioca pode sair às ruas sem levar bala na cabeça; que todo homem brasileiro é machista; que nenhum brasileiro branco tem consciência da desigualdade racial do país; que o sistema educacional brasileiro é o pior do mundo; que os professores universitários brasileiros passam fome e que nas universidades brasileiras não há giz nem carteiras. E por aí vai.

No outro extremo, já encontrei expatriados que defendem que não há amizade nos EUA como no Brasil; que só no Brasil há companheirismo de verdade; que no Brasil brancos e negros convivem em harmonia e não há racismo; que tudo no Brasil é informal e doce.

Todas essas opiniões tomam algum aspecto verdadeiro da realidade e o mulplicam, distorcem, absolutizam. A idéia desta série que estou inaugurando hoje é fazer umas ponderações sobre esses mitos, sem deixar de notar as diferenças que acredito serem reais.

Uma delas é o olhar. Uma das coisas que me alegram ao chegar de volta ao Brasil é estar de novo num lugar onde as pessoas se olham na rua. Uma velha conhecida minha, baiana, ao comprar seu primeiro carro, me confidenciava: "Idelber, é muito legal! A cada semáforo alguém te paquera!"

Eis aí uma cena impensável nos EUA, a paquera no semáforo. Sem querer generalizar, uma adaptação curiosa que os professores estrangeiros têm que realizar nos EUA é acostumar-se com a idéia de que uma vez terminado o semestre, o aluno com o qual você trabalhou durante quatro meses cruzará com você no campus, mas não mais o olhará. Durante o semestre, sim, depois não. Não é que ele o ignore. Ele simplesmente não vê. Gastei anos para aceitar que era isso mesmo, até que dezenas de outros colegas, norte-americanos e estrangeiros, me relataram a mesma experiência. O sujeito não vê. Olha para adiante com aquele olhar vazio do qual só são capazes os norte-americanos.

Os olhares oblíquos, com double entendres, irônicos são raríssimos nos EUA, e em geral restritos aos ambientes mais cosmopolitas e povoados de estrangeiros. Roberto DaMatta notou o mesmo fenômeno: Nos Estados Unidos, não existe esse contato visual que nós, os antigos, chamávamos de flerte (pag.26). Roberto exagera, pero no mucho.

O olhar do centroavante que avisa ao cobrador do escanteio onde ele quer a bola não tem equivalentes nos esportes americanos.

O norte-americano é um ser que caminha olhando para um horizonte vazio.

Talvez isso tenha alguma relação com o fato de que tantos norte-americanos, depois do 11 de setembro, se perguntavam: Por que eles nos odeiam se somos tão bonzinhos e estamos sempre ajudando os outros países?

Atualização às 14 h: Como o assunto dá pano para manga, esclareço o que estou dizendo e o que não estou dizendo: Não estou dizendo que nos EUA as pessoas não se olham. Não é isso. Inclusive, em várias partes do país (como no Sul) é comum ocorrer algo difícil de se ver no Brasil, que é o "good morning" na rua, gratuito, a estranhos. Coisa bonita. E acho que o Roberto exagera quando diz que não há flerte nos EUA. Mas há uma gama de jogos de olhares oblíquos, irônicos, com duplo sentido, muito comuns entre nós, que são raros nos EUA. Na fórmula de Caetano: lá "branco é branco e preto é preto".



  Escrito por Idelber às 02:25 | link para este post | Comentários (36)



segunda-feira, 18 de julho 2005

Mais dois blogs

Aos 7 e 5 anos de idade, eles tomaram conta do controle remoto.

Agora, chego em casa e vejo que aos 8 anos, Alexandre criou um blog. Não satisfeito, o moleque ensinou à irmã de 6 como fazer o dela.

A gente mal se acostuma a ser blogueiro, já tem que se acostumar a ser pai de blogueiro.

Onde vai parar este mundo? Alguém aí tem filho blogueiro, para dar umas dicas?

PS: Viva as meninas do vôlei. Viva as meninas do vôlei. Viva Renatinha, Sheilla, Jacqueline, Sassá, Paula, Carol, todas. Que time lindo de se ver. Quem ficou acordado para ver a final contra a Itália não se esquecerá tão cedo.



  Escrito por Idelber às 05:12 | link para este post | Comentários (25)



domingo, 17 de julho 2005

Links

Literatura:
Para quem ainda não viu, vale a pena conferir as belas respostas de Marcelino Freire e Ademir Assunção à grosseira caracterização que fez a Revista Veja do Movimento Literatura Urgente, que pleiteia apoio estatal à produção, circulação e consumo de literatura. É isso aí. Subsídios ao papel (link via Martelada) para que megaconglomerados editoriais multipliquem suas margens de lucro, pode. Apoio à produção de literatura, não pode. É incrível como esse tema mobiliza ressentimentos e polícias do "dinheiro público", justamente por parte de pessoas que não costumam ter a menor preocupação com o bem público. Só para confirmar o óbvio: o Biscoito apóia o Movimento Literatura Urgente.

Política:
1. Relato detalhado das práticas de conchavo, aparelhamento e descaso pela democracia por parte do grupo dominante do PT, durante a última "eleição" da nova Executiva Nacional, encontra-se aqui.

2. É o irmão do dito cujo quem relata: Blogueiro Khalid encarcerado no Iraque. É a ocupação americana e seus frutos "democráticos".

3. Para acompanhar a sucessão de desastres e devastação provocados pela invasão americana ao Iraque, a melhor fonte na blogosfera é o meu colega da Universidade de Michigan, o informadíssimo Juan Cole.

4. De que tipo de projeto de lei o Brasil precisa neste momento? Segundo um ilustre deputado de São Paulo, o que nós precisamos é de abolir a crase na língua portuguesa. Haja paciência.

Música:
Músicos do Rio de Janeiro estão se mobilizando em protesto contra a "eleição" na Ordem dos Músicos do Brasil-RJ. Para quem não sabe, a OMB é uma organização que nada tem a ver - e em nada colabora - com os músicos. Dirigida por verdadeiros ditadores, ela sistematicamente aparece nos shows para exigir crachá e filiação, e dificultar o trabalho dos artistas sem nada fazer em benefício da classe. Está rolando um abaixo-assinado e uma série de outras iniciativas. Se você é músico, considere a possibilidade de juntar-se ao listserve Forum Musical e colaborar com a mobilização da classe.

Blogs:
1. Como se sabe, boa parte da blogagem é eco do que acontece em outros blogs. E, se todos tomaram uma determinada informação de uma mesma fonte, e essa fonte está equivocada, 30.000 blogueiros podem estar errados.

2. Todo mundo já ouviu histórias de gente que foi demitida por causa de um blog. Agora chega a novidade: tem gente sendo contratada por causa de seus blogs.

3. O Homem-Baile às vezes se supera. Sensacional.

4. Acho que este mês eu não disse: eu amo esse blog. A garimpeira do insólito, cada vez melhor.

Esporte:
Alguém aí se lembra de algum Campeonato Brasileiro de Futebol tão ruim como este?



  Escrito por Idelber às 02:49 | link para este post | Comentários (25)



sexta-feira, 15 de julho 2005

Alegrias do Google - Homenagem de aniversário ao blog de Rafael Galvão

Amanhã, 16 de julho, um dos melhores blogs do Brasil, o de Rafael Galvão, completa dois anos. Rafa é responsável por uma das contribuições mais originais do Brasil à blogagem, As Alegrias que o Google me dá, onde ele periodicamente relata as deliciosas buscas que levam leitores ao seu blog.

Sem ter a pretensão nem de chegar aos pés do Rafa neste gênero, achei que já valia a pena compartilhar aqui algumas das pérolas que trouxeram leitores ao Biscoito nestes primeiros 100 dias de blog em domínio próprio. Fica aqui o plágio descarado como homenagem ao Rafa neste segundo aniversário do seu blog:

futebol é considerado um esporte de massa?
Não. Esportes de massa são o golfe e o hipismo. O futebol é um esporte aristocrático inventado por ingleses. Você é brasileiro e não sabia disso?

vai flamengo balança a rede do adversário

Tudo bem, mas não se esqueça de avisar ao Júnior Baiano de que lado fica a rede do adversário.

o governo de lula comparado com os poemas de bertolt brecht
Perde. Perde feio. Não dá nem para a saída. Brecht odiava emendar soneto quebrado.

porco curitibano

É mais limpinho. Pelo menos é o que dizem, né?

previsões 2005 corinthians

Contratará mais dois argentinos, servirá para lavagem de dinheiro iraniano e continuará mais um ano na fila.

putaria suruba
São dois conceitos diferentes, amigo. Muito importante não confundi-los.

relatos de gozo anal
Lá no Biajoni tem sexo anal. Agora, nessas matérias de gozo, cuidado, porque ele finge muito.

fotos tropeiro mineirao

O feijão vem por cima, o lombo do lado esquerdo, a couve do direito, e em cima de tudo um ovo frito. Agora, em quê essa foto vai lhe ajudar eu não sei...

roberto jefferson vascaíno
Ah, está explicado!

pro for kits tata indigo
Tem o Indigo da Tata do Kit, serve?

a massa armando nogueira
(16 buscas)
expliquei. O texto é meu. Meu, certo?

qual a vantagem de escutar mpb
Nenhuma. Seus filhos vão te achar velho, os roqueiros vão te achar careta, os classicistas vão te achar vulgar e os bregas vão te achar pretensioso.

a família ao pé da cruz mineirão

Já tentei, meu amigo. Já tentei figuinha, Santo Antônio, Candomblé, banho de descarrego, trabalhinho na encruzilhada, tudo. Não adianta. Foi praga muito forte lançada por cruzeirense em alguma encarnação anterior.

cinco dias sem fumar
Cinco? E você já está guglando? No chance for you, baby. Vá lá na esquina, compre um maço e deixe de bobagem.

olavo de carvalho demitido globo
Reúna uns dez quilos de desinformação, tempere com algumas pitadas de paranóia de extrema-direita e junte um jornal que ainda respeita seus leitores. Só isso. Qualquer outra coisa é delírio.

ortiz goleiro do atletico mineiro
O cara entrega o campeonato mineiro de 1977 ao ex-Ipiranga e você vem procurá-lo no meu blog? Não sabe que ele é o único argentino que não é bem-vindo neste blog?

frases galvao bueno e argentina

Se encontrá-las, não me mostre. Poupe-nos essa antologia, pelamordedeus.

galvão bueno roque jr
Os dois juntos? Você está pagando promessa? Quantos parentes você matou?

conto sobre maldade das pessoas

Pode começar com a Bíblia. Ou com Dostoiévski. Ou com Machado de Assis. Pensando bem, pode começar em qualquer lugar.



  Escrito por Idelber às 02:07 | link para este post | Comentários (18)



quarta-feira, 13 de julho 2005

Balanço de um mês de incêndio no PT

PT.jpg

Recapitulando: Bob Jefferson denuncia corrupção com detalhes e o PT perde duas semanas negando o óbvio, esperneando contra um não-existente "complô da imprensa". As denúncias se acumulam, ganham consistência e sistematicamente apontam para a "turma do Zé": Delúbio, Silvinho Pereira, José Dirceu. Cai Delúbio. Logo depois do fatídico saí daí, Zé pronunciado por Bob Jefferson, cai o outrora todo-poderoso Ministro-Chefe da Casa Civil José Dirceu. No fim de semana, é preso com 100.000 dólares na cueca o assessor do irmão de José Genoíno, parlamentar no Ceará. Já encurralado, cai Genoíno também. O PT descobre que tem que recompor sua direção.

Tarso Genro deixa o Ministério da Educação e assume a presidência do PT. A Nova Executiva toma algumas medidas positivas, como a adoção de mecanismos de transparência nas relações com doadores.

A posição deste blog é a seguinte: eu discordo de qualquer análise simplista que se limite a dizer é tudo farinha do mesmo saco. Não é. O PT não é o PFL (este é infinitamente mais esperto, diga-se de passagem: viram a rapidez com que expulsaram o bispo que carregava sete malas de grana?). Covas não era FHC, Gabeira não é Dirceu, Suplicy não é Genoíno. Eu acredito em separar o joio do trigo.

Também acredito - apesar de ter passado os últimos quatro ou cinco anos criticando sem cessar o PT, por exemplo aqui, ali e acolá - que o Partido dos Trabalhadores é uma experiência chave na história política brasileira: enlameada nos últimos tempos, é verdade, especialmente pelo vale-tudo imposto por um certo grupo de caciques paulistas. Mas trata-se para mim de uma experiência sobre a qual a última palavra ainda não foi dita.

A questão é: o PT está irrevocavelmente lançado à vala comum dos partidos fisiológicos brasileiros? Para mim, é óbvio que os caciques do grupo dominante da Articulação em São Paulo estão metidos até o pescoço em práticas bastante suspeitas. O problema é saber se o organismo já está totalmente comprometido ou não. Gente que eu admiro muito - por exemplo o sociólogo e fundador do PT Francisco de Oliveira - já perdeu a esperança (link via Elenara).

Gostei da indicação de Tarso Genro para a presidência? No quadro atual, qualquer nome fora do esquemão Dirceu-Gushiken- Mercadante- Greenhalgh já é um avanço. Mas não foi nada promissora a forma como foi decidido o cargo. Depois de uma reunião entre caciques - os de sempre, Marta, Dirceu, João Paulo, etc. - o grupo majoritário impôs à esquerda do partido o nome de Tarso como "inegociável". Tem sido sempre assim: a cúpula toma as decisões e as apresenta ao partido como "inegociáveis". Foram todas elas decisões desastrosas para o PT e para o projeto progressista que ele um dia encarnou: aliança com Garotinho no Rio, coligação com o PL, indicação de Meirelles para o Banco Central, tudo decidido por um comitê de caciques e apresentado ao partido como decisões "inegociáveis".

É importante dizer que todas as denúncias de corrupção envolvem membros de uma mesma corrente do PT, o grupo majoritário, também conhecido como "Articulação". Em outras palavras, não há uma única denúncia de corrupção envolvendo um parlamentar ou ministro alinhado com a esquerda petista. Com isso não quero fazer inferências sobre a pureza de ninguém, simplesmente relatar um fato: a lama em que se meteu o PT foi obra de um grupo muito particular dentro do partido. Se ainda é possível arrancar o PT das garras dessa gente, são outros 500.

Para isso, seria importante que a esquerda começasse a se articular para a eleição de setembro, que renovará toda a direção nacional do PT; que se rejeite qualquer manobra para adiar a eleição; que as centenas de milhares de suspeitíssimas filiações feitas nos últimos anos sejam fiscalizadas; que a esquerda publicamente cobre da direção nacional a investigação de todas as denúncias envolvendo petistas (ao invés de se esconderem nesse papo-furado de que tudo é complô da imprensa); que a esquerda publicamente coloque a direção atual contra a parede e questione a ética e a tática adotadas nos últimos anos.

E sobretudo que a esquerda petista deixe claro ao grupo dominante - e o faça publicamente, sem medo - que o Sr. José Dirceu tem explicações detalhadas a dar à sociedade brasileira sobre o que ele andou fazendo durante o período em que ocupou a Casa Civil. Que a esquerda deixe claro ao grupo dominante que ele perdeu a moral e que deveria começar a negociar com menos arrogância.

Ao contrário de camaradas que achavam que dar vazão às denúncias de Bob Jefferson era "jogar o jogo da direita", este blog sempre acreditou que a verdade é libertadora. Se a cúpula está atolada em corrupção, que a base o saiba o quanto antes. Se o PT corre o risco de se transformar em outro partido fisiológico, que aqueles que o construíram ao longo dos anos tenham acesso à informação necessária para, pelo menos, remar contra a maré.

Não tenho nenhuma ilusão quanto à transparência das eleições de setembro no PT. Mas Plínio de Arruda Sampaio, Raul Pont, Valter Pomar, Maria do Rosário e outros líderes de tendências minoritárias de esquerda devem conversar e planejar estratégias conjuntas. Ficar no papo-furado de "defender o PT" não é suficiente (por isso a proposta de resolução do grupo de Pomar, a Articulação de Esquerda, ainda é fraca).

Seja qual for o resultado dessa eleição, a esquerda tem uma oportunidade histórica nas mãos: ou mostra que não é feita do mesmo material dos Delúbios e que tem um projeto alternativo para o partido, ou afunda junto com o barco que nem teve oportunidade de pilotar.

Atualização
: também assino embaixo da reflexão sobre o PT realizada, de outro ângulo, por Maria Alzira Brum Lemos e intitulada O Inimigo é o Vazio.



  Escrito por Idelber às 01:25 | link para este post | Comentários (33)



segunda-feira, 11 de julho 2005

Hitler e as Copas que a Argentina não Ganhou

Festa de aniversário de 4 anos do Burburinho e Nemo Nox me convidou a enviar um texto. Publicamos este aqui, do qual lhes deixo a introdução e depois um link à continuação lá na revista.

hitler.jpg

O torcedor fanático por futebol não vive nem no presente, nem no passado, nem no futuro. O tempo verbal do apaixonado pela bola é, por definição, o mais-que-perfeito do subjuntivo. Que diacho é isso? É o famoso "se não tivesse tido". Se não tivesse chovido, se o juiz não tivesse roubado, se fulano não tivesse se contundido, se não tivéssemos perdido o pênalti. Não há torcedor que, ante a derrota de seu time, não recorra aos encantos do mais-que-perfeito. Um exemplo clássico tem como protagonista o técnico Evaristo de Macedo. Ao ver seu Flamengo massacrado pela Ponte Preta por 3 x 1, Evaristo recorre à pérola: "se eles não tivessem feito dois gols no começo, o jogo teria terminado 1 x 1".

Pois bem, conta a lenda que o grande Friedenreich, nosso primeiro grande gênio da bola, aquele que marcou, nas décadas de dez, vinte e trinta, mais gols que Pelé, viu o Brasil retornar da Suécia em 1958 com seu primeiro caneco. Contemplando a festa, comentou, inconsolável: "Se cariocas e paulistas não tivessem brigado em 1930 (briga que nos fez levar uma seleção carioca à Copa do Uruguai, sem Fried), agora seríamos bicampeões." Fried nem se preocupou em falar da copa de 1950. Para ele o que importava era a Copa do Uruguai, onde não teria tido para ninguém caso ele estivesse no time, junto com outros paulistas, como o goleiraço Athié e o endiabrado Feitiço. Em 1930 o mais-que-perfeito do subjuntivo entrou na vida de nosso futebol para nunca mais sair.

Mas das copas que não ganhamos falarei em outra oportunidade. Hoje quero falar do namoro traumático dos argentinos com o mais que perfeito.

Sem deixar de voltar para bater um papo sobre Hitler, a Argentina e as copas, ou os encantos do mais-que-perfeito no futebol, continue lendo Hitler e as Copas que a Argentina não Ganhou, na festa de aniversário do Burburinho.



  Escrito por Idelber às 02:19 | link para este post | Comentários (12)



sexta-feira, 08 de julho 2005

O Terrorismo, a Esquerda e a Tristeza: We're all British today

london.jpg

Mais um atentado, mais um banho de sangue e, de novo, a compulsão e a cobrança de dizer algo sobre o indizível.

Por que escrever de novo sobre todo o sabido, escrever que o círculo vicioso do terrorismo-resposta-imperialista- mais-terrorismo foi levado a um ponto irreversível depois de uma invasão do Iraque calcada em mentiras, invasão particularmente humilhante para os povos árabes, dado que destruidora de Bagdá, berço da civilização nossa, a ocidental, sim senhor, nascida entre o Tigre e o Eufrates, assim como da civilização por vezes de forma tão simplista chamada de muçulmana? E qual é a diferença entre as duas? E são duas mesmo?

E por que voltar ao assunto de que foi a fermentação estadunidense de uma guerrilha religiosa anti-comunista, regada a muitos petrodólares nos anos 80, a que nos deu esse monstro, o terrorismo islâmico, que tantos hoje nos querem apresentar como anti-ocidental, quando ele é na verdade a cria mais legítima da “democracia” ocidental?

E por que escrever de novo sobre as contínuas intervenções e a manipulação criminosa feitas por Bush dos ataques aos EUA realizados pelos seus próprios (ex) aliados – família Bush e família Bin Laden que fizeram negócios durante mais de uma década –, digo, por que voltar a tudo isso agora se tudo é sangue e desolação?

Se nesta madrugada eu continuo sem saber notícias de John Kraniauskas, David Treece, Jens Andermann e tantos outros amigos londrinos? Como não pensar na gratidão pelo carinho recebido em Birkbeck College?

Se nesta madrugada eu só consigo me lembrar da hospitalidade londrina, do tratamento tão especial recebido lá, do especial que é aquela cidade?

Na tarde deste 08 de julho, tentando, com a ajuda dela, falar com Londres, eu compartilhava com os camaradas do blog-left uma mensagem:

Não sei qual é a sensação de vocês, mas na esteia desses ataques terroristas, fica clara a sinuca em que anda a esquerda. Simplesmente não tem um discurso para tratar do assunto. Estive passeando aí pelos blogs e reacende-se o mesmo bate-boca entre os que adotam o discurso à la Bush (mandar mais soldados ao Iraque! acabar com todos eles!) e os que implicitamente justificam os atentados com o argumento (verdadeiro, mas insuficiente) de que este lamaçal foi criado pelo belicismo anglo-americano.

Nesse bate-boca, não tem havido espaço para uma análise de esquerda, que não deixasse de imputar responsabilidade a Bush, Blair e cia. mas que AO MESMO TEMPO mostrasse que o terrorismo tem sido um desastre para os próprios povos em nome dos quais ele age, e é um legítimo produto da falta de opções políticas naquelas sociedades. Enfim, é um triste círculo vicioso. A cada ataque, piora mais.

O pior é que as pessoas começam a cobrar: "o que você vai dizer sobre o assunto?", quando na verdade o assunto já está colocado de um jeito em que só há duas posições, ambas insatisfatórias para mim.


A esta mensagem minha desolada, tanto Leila Couceiro como André Kenji retrucavam, com razão, que há uma ampla gama de blogs e veículos de imprensa progressistas que têm essa compreensão de “esquerda” do terrorismo, a do terrorismo como produto da situação social criada nas sociedades árabes, em parte pela intervenção ocidental. Estão sem dúvida corretos, e o grande livro de Tariq Ali é a confirmação de que essa é a análise que vai mais fundo nos fatos.

Certíssimos estão ambos, portanto, mas a sinuca a que eu me refiro não é analítica e sim política: ou seja, embora exista um espaço para a análise óbvia, a ponderada – a de que o militarismo anglo-americano constrói, com o terrorismo islâmico, um círculo vicioso onde eles mutuamente se justificam – não há espaço político para que essa análise se coloque dentro da sociedade sem que seja apedrejada por supostamente “compactuar com o terrorismo”. A derrota de John Kerry foi a prova mais cabal: fizemos tudo certinho, e mesmo assim perdemos.

De forma que todos, na esteia de ataques como este, caem na armadilha de esbravejar contra os “terroristas”, como se isso adiantasse algo.

Terroristas são como traficantes de drogas: você pode ser contra eles, defender a sua execução sumária, e tudo o mais. Isso não quer dizer que possam desaparecer por um fiat lux repressivo. Só uma alteração da política que os criou pode eliminá-los.

O problema é que a força encarregada de eliminar os terroristas – no mundo de hoje, o bushismo – não está interessada em revelar suas causas profundas, posto que manipula o medo do terrorismo para benefício próprio. O dia em que o terrorismo acabar, acaba o bushismo. São filhos diletos um do outro.

No meio da noite, chega o email: Dear Idelber: yes, everything is fine here with us, and as far as I know with all my colleagues too. I didn't go in to work today, and Carol went in on the train, but heard about an explosion on the underground and just came back home. Thanks a bunch for writing; and see soon (in Puerto Rico?). Hope all is well. Abrazos, John K

Alegria incontida, alegria: John está a salvo, e eu me lembro de que John sai para dar aulas cedo via Russell Square, e quantas vezes tomamos juntos aquele metrô? e a elegância dos britânicos, que têm a delicadeza, sempre que peço informações, de me dizer subway, em vez de tube, pensando que sou americano?

We’re all British today, porque nessas horas identificar-se com a vítima é o mais humano e o mais digno que se pode fazer. A tragédia é que sabemos que, politicamente, tudo isso só terminará quando aqueles que detém hoje o lugar dos ocupadores, dos interventores, entenderem que os povos árabes só produzirão mais e mais homens-bomba enquanto continuarem as ocupações e as intervenções.

PS: Bem-vindos ao blogroll cinco blogs que já deveriam ter sido linkados há muito tempo, e não o haviam sido por pura distração ou ignorância minhas: o grande jornalista Sergio Leo, o pioneiro Alfarrábio, o excelente Mad Tea Party, o camarada Imaginação ao Poder e o amigo Striptease Cerebral. Desculpem o atraso.

PS 2: Olavo de Carvalho foi mandado embora do Globo e as olavetes esbravejam: Censura! Complô do PT! Não lhes ocorre, claro, que o jornal tenha simplesmente chegado à conclusão de que o sujeito não está à altura de escrever para um veículo como o Globo.



  Escrito por Idelber às 06:31 | link para este post | Comentários (29)



quarta-feira, 06 de julho 2005

Perguntas irrespondíveis

1. Pai, se o Galo só fica perdendo, por que tanta gente torce prá ele?

2. Pai, Adão e Eva viveram antes ou depois dos dinossauros?

3. Pai, onde fica a América da novela?

4. Pai, por que aqueles caras chamam os outros de "Vossa Excelência"?

5. Pai, se Jesus morreu por que falam que ele é Deus?

6. Pai, quem inventou essa bobeira de que Batman voa?

E a minha favorita:

7. Pai, o que é mensalão?


Eu proponho a criação de um clube: blogueiros com filhos ou sobrinhos ou irmãozinhos que fazem perguntas impossíveis.

Quem já tiver encarado perguntas cabeludas assim, deixe o registro. E claro, quem quiser se habilitar a responder alguma dessas, eu agradeço . . .

Atualização 14:52: A Sheila Leirner do Quando Onde Como tem um maravilhoso post coletivo, com contribuições de muita gente, intitulado o Mundo Visto pelas Crianças. Recomendadíssimo.



  Escrito por Idelber às 03:23 | link para este post | Comentários (29)



terça-feira, 05 de julho 2005

Pausa para manutenção

Como parece que o blog precisa atualizar o Movable Type - que anda dando pau, quebrando links à caixa de comentários e duplicando posts - vamos fazer umas consultas com o mestre Fábio Sampaio e voltamos a postar dentro de 1-2 dias.

Se esta caixa de comentários estiver funcionando, fiquem à vontade para papear sobre a entrevista de Genoíno e os últimos desdobramentos da "crise" :)

Até já,



  Escrito por Idelber às 03:56 | link para este post | Comentários (10)



segunda-feira, 04 de julho 2005

O Ano de Lenine

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Matérias no Globo, no Estadão, homenagens na França, show no legendário Le Zenith: a carreira de Lenine está no auge.

Muito merecido, aliás: há tempos digo que Lenine, para mim, é o artista mais completo da última década na música brasileira popular. É um exímio compositor, violonista, cantor, letrista e melodista. Trabalha uma sonoridade muito própria, fruto de uma combinação inteligente entre o melhor da MPB, do rock internacional e de ritmos nordestinos como o maracatu e o baião.

Lenine é o primeiro violonista popular, desde Gilberto Gil e João Bosco, a estabelecer um estilo reconhecível até mesmo pelos ouvintes de música mais casuais. Trata-se do que chamaríamos em inglês picking style, um estilo 'percussivo', em que as pontas dos dedos trabalham muito e criam uma sonoridade mais sincopada, mais 'quebrada', às vezes fazendo das cordas quase que um instrumento de percussão.

Lenine pertence a uma geração que tem, com relação ao rock brasileiro dos anos 80, duas diferenças importantes:

1. enquanto que as bandas dos 80 estouravam quando seus integrantes contavam 20 e poucos anos, Lenine, Chico César, Paulinho Moska e outros perambularam bom tempo, amadureceram sua arte durante mais de uma década até gravarem seus primeiros discos solo. Lenine estréia em 1983 com Baque Solto (em parceria com Lula Queiroga). Espera dez anos para gravar Olho de Peixe (em parceria com Marcos Suzano) e só em 1997 lança O Dia em que Faremos Contato, que é o seu primeiro disco solo e momento em que chega ao estrelato. Durante todo esse trajeto, Lenine amadurece sua visão de Brasil, a sua sonoridade, a compreensão de como funciona o mercado da música. É covardia comparar uma entrevista de Lenine com as entrevistas dos roqueiros dos 80. Em Lenine você encontra uma concepção global sobre o que é o Brasil, o que é o pop, qual a inserção de um artista de música no mundo, etc.

2. enquanto que a maioria dos roqueiros dos anos 80 formou-se ouvindo basicamente o rock internacional, nutrindo pela MPB uma verdadeira ojeriza (sim, isso muda depois, com a incorporação do próprio rock à MPB, mas o momento inicial é de antagonismo), um artista como Lenine entendeu bem cedo que há combinações ricas para serem armadas entre maracatu e hip hop, entre baião e música eletrônica. Essa liberdade de combinar ritmos do fundo do sertão com sonoridades do pop internacional é das grandes conquistas da música brasileira dos anos 90, e Lenine é um dos responsáveis por essa abertura (o grande pioneiro nisso foi, claro, o também pernambucano Chico Science).

Com Na Pressão (1999), vem a consagração definitiva: uma mistura que vai de canções mais uptempo sobre o Brasil, visto pelo viés de Jackson do Pandeiro ("Jack Soul Brasileiro"), releituras de Oswald de Andrade e da antropofagia ("Tupi Tupy") até uma parceria com Arnaldo Antunes sobre o trânsito, um verdadeiro manifesto de cidadania ("Rua da Passagem").

Durante o último congresso do ramo latino-americano da International Association for the Study of Popular Music, no Rio de Janeiro, fomos agraciados com um papo com Lenine. O cara simplesmente encantou todo mundo. Sabe o que faz, sabe onde quer chegar, sabe quais são os obstáculos.

Na letrística de Lenine você encontrará ecos de muita coisa, desde Noel Rosa até Chico Buarque, passando por João Cabral de Melo Neto. Trata-se de uma poesia que trabalha muito as aliterações, as paranomásias, as rimas internas, os jogos de duplo sentido. Ficam aí como exemplo as três últimas estrofes desse lindo poema de amor que é "Meu Amanhã":

Minha meta, minha metade
Minha seta, minha saudade
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã

Meu fá, minha fã
A massa e a maçã
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã
Meu lá, minha lã
Minha paga, minha pagã
Meu velar, meu avelã
Amor em Roma, aroma de romã

O sal e o são
O que é certo, o que é sertão
Meu Tao, e meu tão...
Nau de Nassau, minha nação.

Se há algum leitor do Biscoito que ainda não ouviu esses discos imperdíveis, uma boa amostra está disponível para audição no site da Rádio Terra. Também recomendo o disco de 2002, Falange Canibal, um Lenine mais roqueiro e mais pesado que os anteriores. Disponível para audição parcial está o mais novo lançamento, seu primeiro álbum ao vivo, In Cité.

PS: Meu Movable Type anda meio estranho ultimamente, um pouco temperamental, e a hospedagem também. Se em algum momento vocês tentaram acessar o Biscoito e encontraram o site fora do ar, me avisem por favor, ok?



  Escrito por Idelber às 15:16 | link para este post | Comentários (6)



domingo, 03 de julho 2005

Ultimato ao Galo no Blog

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Estamos saindo, neste domingo, eu e ela, para ver Galo x Flamengo no Mineirão. É a primeira vez que ela vai ao Gigante da Pampulha.

Fica prometido, ante todos os quinze leitores deste blog, que se o Galo cometer, com ela, a suprema indelicadeza de perder dentro de casa para esse time do Flamengo, as palavras Clube Atlético Mineiro serão doravante tratadas como spam neste blog, e que não mais falaremos no primeiro campeão de Minas primeiro campeão do Brasil primeiro campeão da Copa Conmebol primeiro e único clube de futebol do mundo a derrotar a Seleção Brasileira, não mais falaremos dessa entidade, pelo menos até a copa de 2014 ou até o Galo armar um time decente, o que venha primeiro.

A primeira vez que eu prometi banir o Galo da minha vida foi em 1983, quando chegou às semifinais do Brasileirão contra o Santos, precisando fazer um golzinho para chegar à revanche contra o mesmo Flamengo, e o golzinho não saiu.

A segunda vez que eu prometi banir o Galo da minha vida foi em 1985, quando chegou às semifinais com o Coritiba, Bangu e Brasil de Pelotas, e espetacularmente conseguiu perder o título.

De lá para cá, foi uma seqüência de promessas não cumpridas, a cada campanha empolgante interrompida na boca da botija.

Mas dessa vez não haverá quebra de promessa: se perder do Flamengo na estréia dela, está banido do blog.

O Galo entra em campo com Danrlei, George, André Luiz, Henrique e Rubens Cardoso; Walker, Amaral, Ramon e Fábio Baiano; Euller e Marques.

Eles vestem as camisas que há exatos 25 anos eram de João Leite, Orlando, Osmar Guarnelli, Luisinho e Jorge Valença; Chicão, Cerezzo e Palhinha; Pedrinho, Reinaldo e Éder.

Suspiro.

'Bora comer tropeiro do Mineirão e depenar Urubu.

PS 1: Série coisas-maravilhosas-de-Minas-que-eu-já-tinha-esquecido. Mineiro dando informação sobre como chegar em algum lugar, e eu juro que não estou inventando: "O senhor sobe a Rua Rio Verde até ela ficar meio estranha e ali, mais ou menos um quarteirão antes de onde ficava o posto de gasolina, o senhor vire à esquerda. Não tem como errar".

PS 2: Um lindo blog que anda subindo depressa no meu ranking de favoritos: Onde anda Su?, da antenadíssima Suzana Gutiérrez. Êta gauchada boa de serviço.

PS 3: Feliz Aniversário, Gravatá!

Atualização: Ela não só é pé quente, como previu o resultado correto: Galo 3 x 1 Flamengo. Mais um show inquesquecível da Massa Alvi-Negra no Mineirão. 30.000 pessoas e muita cantoria. O Galo continua sendo um tema válido no blog.



  Escrito por Idelber às 05:13 | link para este post | Comentários (23)



sábado, 02 de julho 2005

Sobre uma mui urgente conversa entre acadêmicos e jornalistas

Mantenhamos na pauta do Biscoito o projeto de uma importante aliança e conversa que se deve construir: falo da conversa e da aliança entre profissionais da universidade e profissionais da imprensa, "acadêmicos" e "jornalistas", essas duas turmas que com freqüência trocam farpas, mas que hoje, no Brasil, têm muitos interesses em comum e estão começando a se enxergar melhor. Os blogs, a blogosfera, são em parte responsáveis pelo fato de que esse diálogo ocorra hoje em termos mais ricos que os de outrora.

Acadêmicos e jornalistas têm em comum o fato de que são tomados como bodes expiatórios sempre que alguma coisa vai mal com o poder.

Acadêmicos e jornalistas têm em comum o fato de que, com freqüência, são desautorizados, desqualificados in toto, como se todo acadêmico fosse um bolorento preso numa torre de marfim, como se todo jornalista fosse um simplificador e banalizador que não sabe do que está falando.

Acadêmicos e jornalistas muitas vezes se acusaram, mutuamente, de serem exatamente isso que descrevo no parágrafo anterior. Com bastante freqüência protagonizaram brigas recheadas de mal-entendidos.

Mas cada vez mais acadêmicos descobrem a riqueza do trabalho dos jornalistas, e cada vez mais jornalistas descobrem a abertura ao diálogo de muitos, muitos dos profissionais da universidade.

É lógico que não é fácil: os acadêmicos que decidimos transgredir os muros da universidade e defender nossos pontos de vista "aqui fora" enfrentamos obstáculos dentro da academia, sim, a começar por um permanente desprezo pela "popularização" do trabalho intelectual.

E os jornalistas que decidem, também aqui "fora", defender seus pontos de vista e sua prática, enfrentam constantes obstáculos dentro dos meios de comunicação no qual trabalham, e também freqüentes incompreensões "aqui fora".

De minha parte, como mero acadêmico, venho protestar contra a verdadeira busca de bode expiatório que tem acompanhado as trapalhadas do governo federal, sempre disposto a pôr a culpa da crise na imprensa, como se a responsabilidade pelo incêndio no circo fosse do profisssional que o está fotografando.

Em todo caso, neste sábado - que sempre é um dia mais paradão no blog - deixo um post dizendo o óbvio:

Nem todo acadêmico é um neurótico especialista em uma minúscula e irrelevante área, incapaz de dialogar com o resto dos mortais. E nem todo jornalista é um banalizador, como tantas vezes nós, acadêmicos, injustamente pensamos.

O diálogo entre essas duas turmas é de muita importância para o Brasil de hoje.

Por agora, que fique o protesto: tropa de choque do governo, chega de culpar a imprensa pelo desastre sobre o qual vocês estão presidindo. Um pouquinho de humildade para reconhecer os próprios erros faz bem.



  Escrito por Idelber às 03:42 | link para este post | Comentários (16)