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terça-feira, 26 de julho 2005
Cordel do Fogo Encantado em BH

Sábado passado o Cordel do Fogo Encantado visitou Belo Horizonte e finalmente pude vê-los. Queria saber se todas as lendas sobre o espetáculo eram verdadeiras mesmo.
Saí apaixonado pela banda, muito mais do que já era via disco. O show é um espetáculo de tambores e luzes, uma festa percussiva-psicodélica liderada pelo pandeirista, vocalista e poeta Lirinha, uma espécie de Jim Morrison do sertão.
Segundo a explicação da banda: Cordel é o trabalho com a literatura oral e escrita, o fogo é o sertão das fogueiras de São João, do sol e da terra queimada e encantado é o profeta, o cantador.
Vindos de Arcoverde, sertão de Pernambuco, eles pegam carona nessa grande inovação de Chico Science e do Mangue Beat pernambucano: a incorporação das alfaias e tambores como base rítmica para a música pop.
Nego Henrique, Rafa Almeida e Emerson Calado se revezam nos instrumentos de percussão, ora tambores, ora congas, ora dois sets de bateria de rock armados ao fundo do palco. Só um instrumento harmônico, o violão de Clayton Barros.
A base rítmica é o samba de coco, a embolada e muito reisado. Mas reciclado, como tudo no Pernambuco pós-Mangue Beat, na escola do hip hop, do rock, do funk. Nego Henrique e Rafa Almeida vêm do Morro da Conceição e trazem toda a vivência dos cultos afro-brasileiros.

Com esses ingredientes, um jogo de luzes e fogos impressionante, e a performance dramática de Lirinha, o Cordel te leva, durante duas horas, a um show que parece um sonho: dragões, bestas-fera, castelos, uma espécie de surrealismo medieval no meio da seca. É indescritível.
Há uma velha história de amor entre o Cordel e Belo Horizonte, porque eles passaram por aqui em absolutamente todos os shows que fizeram ao longo dos 8 anos de carreira. Deixaram um público fiel. O Lapa Multishow superlotou, e a banda parecia rever velhos amigos.
Para quem não conhece os dois imperdíveis discos do Cordel, o site oficial traz uma mostra.
A cada experiência, eu me convenço mais: a melhor música popular deste país continua se fazendo em Pernambuco. É o laboratório do futuro.
Escrito por Idelber às 02:11 | link para este post
| Comentários (20)
#1
Eu lembro como se fosse hoje da primeira vez que escutei essa banda -- num CD brinde de uma revista Trip que, embora destacasse uma canção inédita do Chico Science, tinha 10 faixas do primeiro disco do Cordel.
Fiquei embasbacado, também pelo fato de eles serem do interiorzão de Pernambuco mesmo, às vezes sem muitas referências roqueiras diretas, mas fazendo um som que, apesar de acústico, tem uma levada rock inconfundível no meio do batuque soberano. "Os Oím do Meu Amor" me lembrou PJ Harvey!
Infelizmente ainda não os vi ao vivo. Eles vieram a Belém numa bienal de música, mas eu estava trabalhando no interior do Pará nessa época...
Marcus Pessoa em julho 26, 2005 4:53 AM
#2
Concordo. Mangue-beat, Julio Barreto e o Cordel. Brasileiro, original, vigorosa e cosmopolita a música de Pernambuco.
pecus em julho 26, 2005 8:47 AM
#3
Oi Idelber
vc chegou a ver a matéria de ontem no Clarín que trata de uma pesquisa sobre como argentinos e brasileiros se vêem? Achei interessante e estranhei não ver nada na mídia brasileira. Como vc conhece bem a cultura argentina, creio que possa ter algo interessante a nos dizer.
o link http://www.clarin.com/diario/2005/07/25/sociedad/index.html
Beijo
Luciana
Luciana Christante em julho 26, 2005 10:24 AM
#4
Ha!! idelber que inveja. Bh + cordel. Para mim terra natal+ boa música. Eh saudade!!
Simy em julho 26, 2005 11:11 AM
#5
O Cordel é simplesmente fantástico,apesar de ter todo o trabalho deles nunca vi apresentação ao vivo, é até um pouco frustrante.
É uma pena que pouyca gente conheça seu trabalho, mas como disse o Tom Zé: "É difícil se destacar em um país de ótimos".
Ronzi em julho 26, 2005 11:20 AM
#6
Meu caro, vou para BH nesta quinta, fico até domingo. Você ainda estará por aí?
Abs
Gravatai Merengue em julho 26, 2005 12:53 PM
#7
Uma pergunta, Idelber: o povo que assistia agitou muito no show? Porque em Pernambuco a integração da platéia com o público é impressionante. Assisti a uma apresentação deles em fevereiro de 2003, no encerramento da bienal da UNE, na Rua da Moeda: talvez o show com a vibe mais violenta que já vi (mais até do que Sepultura!), com pessoas subindo em cima de orelhões e árvores, pulando no ritmo da percussão e recitando as poesias junto com o Lirinha - tudo isso enquanto eu ficava na calçada pra conseguir ver alguma coisa.
Fora a lenda que surgiu por aqui (ao que parece em alguns shows no Marco Zero) de que a música "Chover" tem poderes reais sobre a chuva... ;-)
Edson em julho 26, 2005 1:04 PM
#8
Pois é, pecus, é de primeira né? e tem muito mais: Lenine, Otto, Cascabulho, Mundo Livre...
Marcus, é de embasbacar mesmo. E ainda com boa parte dos integrantes sendo do sertão eu acho que as referências roqueiras chegaram bem, sim... há um momento do show que é puro rock... é a tal da globalização...
Luciana, obrigado pelo link :) Já li e gostei muito. Confirma algumas coisas né (mais informação sobre o Brasil lá que sobre a Argentina aqui, p.ex.), mas achei que as explicações (dadas nas entrevistas) eram fracas, os argentinos escolhidos para falar do Brasil falaram na verdade de si mesmos... Valeu, beijo.
Simy, você é de BH? E tá onde? Pelo blog não dá prá saber..
Ronzi, quando puder ver não perca. É inesquecível mesmo.
Gravataí: bem-vindo a BH, meu velho. Mandei email :) Dê um alô também ao Cláudio Costa, vocês vão gostar de se conhecer.
Edson, agitou-se muito mesmo. Muitíssimo. Não estilo Sepultura, e sem nada fora dos limites, mas foi muito intenso :) Legal essa lenda sobre "Chover" :) Abraços,
Idelber em julho 26, 2005 2:04 PM
#9
cabra idelber. na cidade de cajazeiras tem um grupo batizado de TOCAIA que arrancaram das pedras de sal. do castigo do veneno. das ventas das formigas. das águas salobras. os cabras arrancaram um som brabo e lúcido. são tão bons quanto os cabras do cordel. esses cabras da paraíba estão prestes a lançar o segundo trabalho. é do mel escorrer da panela destampada
mario cezar em julho 26, 2005 3:27 PM
#10
muito obrigado, Poeta. Tocaia, está anotado. É essa trilha de sons que me interessa escarafunchar. Já estou no encalço do primeiro trabalho. um abração, lavrado no gume da chibanca, sempre bem-vindo :)
Idelber em julho 26, 2005 3:50 PM
#11
Eu já tive este prazer, de ver o Cordel ao vivo. É realmente fantástcio, um momento...encantado.
Aquele Abraço,
Helena
Helena Costa em julho 26, 2005 5:41 PM
#12
Ouvi a pequena amostra do site. Gostei. Vou atrás dos CDS. Obrigada por mais esta!
Patricia Kunkar em julho 26, 2005 6:48 PM
#13
Ver um show do Cordel em Recife deve ser algo indescritível. Não tive essa sorte na minha única visita por aqueles pagos. Apesar disso, não posso reclamar, já que vi outras pérolas locais como Eddie, Bonsucesso e Mombojó.
Musicalmente, não há lugar como Pernambuco no Brasil, visse?
GBRL em julho 26, 2005 7:15 PM
#14
Ouvi o CD deles e achei muito bom!!
Denilson em julho 26, 2005 7:29 PM
#15
Sempre uma boa dica! Vou ficar de olho, quem sabe aparecem aqui pelo Rio.
Viva em julho 26, 2005 9:16 PM
#16
Idelber, você acertou MUITO a mão neste post. Fui a dois shows deles aqui em Sampa e não vejo a hora de ir prestigiá-los novamente. Fora a musicalidade única deles, ainda as letras são fora de série. Lirinha parece uma mistura de Antônio Conselheiro com Jim Morrison mesmo!
E as luzes, a pirofagia, o surreal? Nossa, aquilo é quase um ritual, nos deixa em transe por duas horas!
Parabéns pela descrição do que estes meninos representam! E um viva à musicaliade dos confins do nosso Brasil!
ps: e ainda alguns dos meus amigos me enchem o saco por eu ter verdadeiro repúdio às rádios. NUNCA ouvi uma rádio que seja tocar Cordel ou Karnak, duas das melhores bandas brasucas.
Patrícia em julho 26, 2005 11:35 PM
#17
Obrigado, Patrícia.. que bom que você já passou pela iniciação também... É isso, é o espírito de Antonio Conselheiro mesmo. E eu também adoro Karnak :) Beijos,
Obrigado Denílson, Viva, Patrícia K, GBLR e Helena. É isso, quem ainda não viu, não deixe de ver quando puder... Saúde :)
Idelber em julho 27, 2005 5:18 AM
#18
Cordel do Fogo Encantado realmente é um show! Fui em dois shows deles aqui em João Pessoa, e nos dois, pulei e cantei muito! Lirinha é um ator! Segundo a crítica, depois de Chico Science, veio Lirinha! Não sei, mas, sei que é muito bom e ouvível!
Abraços!
Pedro Daniel em julho 27, 2005 12:11 PM
#19
Idelber querido:
Vê se traz com você e ela os meninos do Cordel. Há anos, desde que começaram, uma das minhas paixões.
Sabia que eles têm o maior fan-club internético?
Os discos -2 CDs - deles eu compro assim de muito mais de um que é para dar de presente;-)
Sim sou uma moça dadivosíssima, hohoho.
E vim aqui dizer também - porque é comum se fazer isso: Hoje é dia de aniversário de INA SAN, ok?
Amanheci falando com o Gravatá pelo telefone. Para avisar também.
BTW, e quando é o seu?
Reafirmo que casa e coração estão escancarados;-)...
Beijo
Meguita
P.S Quando assino "Meguita" é porque...ih! vc já sabe;-)
Meg em julho 27, 2005 2:46 PM
#20
Meguita, o meu é 31/10, dia das bruxas, hoho.
Estarei aí do dia 17 ao dia 20 de agosto. No dia 18 dou uma palestrinha com uma turma da UFRJ, sobre música.
Um beijo,
Idelber em julho 27, 2005 3:36 PM