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terça-feira, 19 de julho 2005

EUA-Brasil: O Olhar

olhar.jpg

Hoje eu li um livraço: Tocquevilleanas: Notícias da América, de Roberto DaMatta (Rocco, 2005), uma coletânea de artigos sobre os EUA, publicadas no Jornal da Tarde e no Estadão entre 1993 e 2004. Para quem não sabe, DaMatta é um dos principais, senão o mais ilustre antropólogo de Pindorama. Ao contrário dos antropólogos que preferem estudar índios, DaMatta fez a carreira estudando os mitos dos quais somos feitos: o Carnaval, o futebol, a cordialidade, o "jeitinho", a malandragem. Sua obra mais conhecida é o clássico Carnavais, Malandros e Heróis.

Como eu, DaMatta vive entre o Brasil e os EUA, já que está vinculado à bela universidade (católica) de Notre Dame, situada no cu do mundo chamado South Bend, Indiana (desculpe, Roberto, mas aquilo é cu do mundo mesmo).

Lendo o Roberto eu tenho uma curiosa sensação: concordo com tudo o que ele diz sobre os EUA e discordo de tudo o que ele diz sobre o Brasil. Isso não surpreende, dado que o autor é assumidíssimo admirador da tucanagem. A antropologia comparada do Roberto me deu a idéia de desenterrar, aqui no blog, 15 anos de anotações minhas sobre as diferenças e semelhanças entre os EUA e o Brasil. É tema fascinante e explosivo, que mexe com as entranhas de todo mundo.

Em primeiro lugar, uma palavra sobre o expatriado. O expatriado é um ser que nunca voltará ao lugar do qual saiu. Uma vez abandonada a pátria, babau. Você pode até desistir da empreitada e voltar, mas não se iluda com a idéia de que voltará ao país onde vivia antes. Aquele não existe mais. Sua percepção está para sempre afetada pela saída.

O expatriamento mexe com as vísceras e produz terríveis distorções de percepção. A não ser nos casos de exílio, claro, todo mundo que sai o faz porque quer, mas esse querer está sempre misturado com outras emoções. Vacilos, dúvidas, culpas vão produzindo uma racionalização da saída, através da qual a pátria deixada para trás se transforma num inferno do qual se escapou ou num paraíso perdido.

Em 15 anos de EUA já encontrei brasileiros em crise de depressão porque nos EUA não existe coxinha de galinha nem guaraná. Já encontrei um brasileiro em choro convulsivo porque não há Bombril nos EUA (meu Deus, como é possível viver sem Bombril?).

As opiniões dos expatriados sobre seus países de origem em geral são radicais, absolutas, taxativas. Já encontrei brasileiros que sustentavam piamente que nenhum carioca pode sair às ruas sem levar bala na cabeça; que todo homem brasileiro é machista; que nenhum brasileiro branco tem consciência da desigualdade racial do país; que o sistema educacional brasileiro é o pior do mundo; que os professores universitários brasileiros passam fome e que nas universidades brasileiras não há giz nem carteiras. E por aí vai.

No outro extremo, já encontrei expatriados que defendem que não há amizade nos EUA como no Brasil; que só no Brasil há companheirismo de verdade; que no Brasil brancos e negros convivem em harmonia e não há racismo; que tudo no Brasil é informal e doce.

Todas essas opiniões tomam algum aspecto verdadeiro da realidade e o mulplicam, distorcem, absolutizam. A idéia desta série que estou inaugurando hoje é fazer umas ponderações sobre esses mitos, sem deixar de notar as diferenças que acredito serem reais.

Uma delas é o olhar. Uma das coisas que me alegram ao chegar de volta ao Brasil é estar de novo num lugar onde as pessoas se olham na rua. Uma velha conhecida minha, baiana, ao comprar seu primeiro carro, me confidenciava: "Idelber, é muito legal! A cada semáforo alguém te paquera!"

Eis aí uma cena impensável nos EUA, a paquera no semáforo. Sem querer generalizar, uma adaptação curiosa que os professores estrangeiros têm que realizar nos EUA é acostumar-se com a idéia de que uma vez terminado o semestre, o aluno com o qual você trabalhou durante quatro meses cruzará com você no campus, mas não mais o olhará. Durante o semestre, sim, depois não. Não é que ele o ignore. Ele simplesmente não vê. Gastei anos para aceitar que era isso mesmo, até que dezenas de outros colegas, norte-americanos e estrangeiros, me relataram a mesma experiência. O sujeito não vê. Olha para adiante com aquele olhar vazio do qual só são capazes os norte-americanos.

Os olhares oblíquos, com double entendres, irônicos são raríssimos nos EUA, e em geral restritos aos ambientes mais cosmopolitas e povoados de estrangeiros. Roberto DaMatta notou o mesmo fenômeno: Nos Estados Unidos, não existe esse contato visual que nós, os antigos, chamávamos de flerte (pag.26). Roberto exagera, pero no mucho.

O olhar do centroavante que avisa ao cobrador do escanteio onde ele quer a bola não tem equivalentes nos esportes americanos.

O norte-americano é um ser que caminha olhando para um horizonte vazio.

Talvez isso tenha alguma relação com o fato de que tantos norte-americanos, depois do 11 de setembro, se perguntavam: Por que eles nos odeiam se somos tão bonzinhos e estamos sempre ajudando os outros países?

Atualização às 14 h: Como o assunto dá pano para manga, esclareço o que estou dizendo e o que não estou dizendo: Não estou dizendo que nos EUA as pessoas não se olham. Não é isso. Inclusive, em várias partes do país (como no Sul) é comum ocorrer algo difícil de se ver no Brasil, que é o "good morning" na rua, gratuito, a estranhos. Coisa bonita. E acho que o Roberto exagera quando diz que não há flerte nos EUA. Mas há uma gama de jogos de olhares oblíquos, irônicos, com duplo sentido, muito comuns entre nós, que são raros nos EUA. Na fórmula de Caetano: lá "branco é branco e preto é preto".



  Escrito por Idelber às 02:25 | link para este post | Comentários (36)


Comentários

#1

belíssimo, idelber, belíssimo, bravo!

em resposta, contrapartida, ou complementação, sei lá, escrevi isso aqui: http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2005/07/duas-coisas-que-eu-gosto.html

sobre o roberto da matta, eu acho ele genial. deve ser dos poucos caras com quem concordei com quase tudo o que li - especialmente sobre o brasil... ;)

os trabalhos dele mais acadêmicos são ótimos, mas esses seus livros de crônicas/artigos para jornal são ainda mais deliciosos. Leia isso aqui, que escrevi sobre ele: http://liberallibertariolibertino.blogspot.com/2004/07/roberto-da-matta-curso-bsico-de-brasil.html

abraços,

alex castro em julho 19, 2005 4:02 AM


#2

Sei lá, Idelber, tenha a impressão que na high school a coisa ainda rola. Existe uma certa empatia entre todos. A coisa piora mesmo é no college, onde a necessidade de ser o "the best" é cultural e extremamente enraizada.

Iraldo em julho 19, 2005 6:04 AM


#3

Lindo, lindo post, Idelber. Estou louca pra ler, ao longo da série, seus comentários sobre as mesas divididas em restaurante fast-food. :)

Eu NUNCA vou me acostumar com isso.

Beijos, e parabéns.

Ale em julho 19, 2005 8:48 AM


#4

Mas Idelber, não seria simplesmente e somente uma questão CULTURAL?

Fernando Henrique em julho 19, 2005 9:09 AM


#5

fernando, ué, essa eu nao entendi. claro que é uma questao cultural. o que mais seria? uma questao fisica? uma inabilidade fisiologica de olhar?

alex castro em julho 19, 2005 10:32 AM


#6

Valiosas suas observações. Gosto de ler o Mateus (como gosta de aqui ser chamado) Shirts, o americano no Brasil. Acrescentaria que nas relações com estranhos os americanos não deixam qualquer margem para ironia.

pecus em julho 19, 2005 11:04 AM


#7

Muito bacana a sua reflexão, caro Idelber.

O professror Roberto DaMatta tem sido muito presente publicamente, desde o ano passado. Já vi/ouvi o DaMatta em debate sobre o funk, sobre a cidade do Rio de Janeiro e sobre outros assuntos relativos (principalmente) ao Rio. Ele tem falado regularmente na TV e no rádio e, se não me engano muito, está ativo lá na PUC.

As suas palavras sobre o "expatriado" são inegavelmente abalizadas. Gostaria de lembrar a curiosa situação que nós temos aqui pelo Brasil, com o fato de também convivermos com expatriados mas com "sinal trocado". Me refiro aqueles que fizeram o itinerário (do que se convencionou chamar) Norte-Sul! Acho que o contraponto é interessante.

Mas se concordei em quase tudo o que você afirma, confesso que não entendi a localização que você atribui a South Bend - IN, no mundo. Curioso que desde muito pequeno ouvia falar desta cidade, onde eram fabricadas máquinas que faziam parte do universo de coisas que o meu pai trabalhava. E talvez antes mesmo de consolidar a minha leitura, já tinha ouvido este nome inúmeras vezes.

Para quem nasceu em uma cidade cosmopolita e percebeu isso logo em criança, há nas primeiras saídas da nossa cidade uma sensação de que tudo o que você vai encontrar é rústico. Mas nem sempre é assim.

Me lembro ainda pequeno, por exemplo, de visitar uma pequena cidade no estado de Minas Gerais onde na casa de um senhor, amigo ou contraparente do meu pai, se fabricava "queijo de minas" na casa ao lado e existia uma belíssima biblioteca na casa principal. Acabei conhecendo aquele ambiente "para adultos" por conta de uma chuva-de-verão. Ou ainda, um pouco mais tarde, a descoberta que um norte-americano deixara uma bela coleção de discos de mpb, bossa nova e música norte-americana em uma casa da Pituba que minha família visitou. E outra lembrança é a de uma viagem com os meus pais que culminou em uma pequena cidade gaúcha onde em uma casa conhecida havia livros sobre Napoleão, autores brasileiros e o papo ia de Buenos Aires até não sei aonde.

Confesso que a idéia inicial de uma criança/pré adolescente, morador de uma cidade cosmopolita, era considerar Baependi (MG), o então longínquo bairro da Pituba em Salvador (com a maioria das ruas ainda de chão) e a pequena São Gabriel (RS) como lugares primitivos. Mas logo as circunstâncias me fizeram ver que não era assim. Portanto resisto um pouco a idéia, como você expressou, de que South Bend seja - esta expressão eu não vou escrever - da forma que você diz.

Uma cidade que tem o Roberto DaMatta só precisa de mais uma coisa, um bar para se tomar um chopp e conversar fiado. O papo fazemos nós.
Abraço

Paulo Zobaran em julho 19, 2005 11:17 AM


#8

Oha, eu me considero meio que expatriado. Do Rio. Moro em São Paulo há três anos e ainda sinto saudades. Também cultivo um ideário a respeito de minha terra, que nunca aproxima-se da realidade, só do que idealizamos. Expatriar-se dói, é um pouco autopunição, uma vez que a decisão foi nossa mesmo.

Grimble em julho 19, 2005 1:01 PM


#9

Pô Idelber, na próxima vez avisa o seguinte pros seus conhecidos que estão com saudade do Brasil: tem bombril nos EUA sim, chama-se SOS, vem numa caixinha com uns dois ou três. Coxinha de galinha é só fazer em casa, tem todos os ingredientes aqui. Guaraná, basta pedir pela internet numa Sendexnet da vida, se você não mora perto de algum mercado brasileiro.

Sobre essa do olhar e da paquera, eu não concordo muito não, sorry. Eu até acho que aqui nos EUA os desconhecidos na rua sempre te cumprimentam com "good morning" ou "hi" (não na apressada ida ao trabalho, mas numa caminhada de fim de semana na calçada, por exemplo), coisa que no Rio de Janeiro eu nunca vi. E tem muita gente que paquera no carro e sustenta o olhar na rua sim. Ou mesmo no ambiente de trabalho. É certo que os homens negros e latinos são mais adeptos desse comportamento, mas tem muitos brancos que paqueram escancaradamente ou que te olham de forma simpática mesmo sem te conhecer bem. Digo isso não só sobre Sacramento, onde moro (cidade de porte médio, equivalente a uma Campinas ou Brasília), mas também por minhas passagens em Washington e Nova York (um lugar, onde, aliás, nunca fui tão paquerada na vida, por homens de todas as cores).

Leila em julho 19, 2005 1:42 PM


#10

Ué, se a questão é puramente cultural então não deveria ser julgada, deveria? O Roberto não fez isso? (não li nada do Roberto, por isso é apenas uma pergunta, e não uma afirmação).

Fernando Henrique em julho 19, 2005 2:36 PM


#11

hahaha, Leila, essa do Bombril foi ótima! O chororô do meu conhecido pelo guaraná foi no começo dos 90, antes da internet. Agora tudo é mais fácil, claro. Mas o lance do expatriado em depressão é o seguinte: ele sempre vai encontrar uma forma de dizer que o SOS não é o mesmo que Bombril.... Sobre sua experiência: d'accord, d'accord, ver atualização.

Iraldo: taí uma excelente pergunta. Meu contato com garotos de colégio é quase nulo. Suspeito que você esteja certo, mas eu ainda insistiria: é aquele olhar denotativo, direto, sem duplo sentido.

Alex: obrigado, está o ótimo o post sobre o DaMatta; gostei da observação sobre o gringo "ficcional".

Paulo: é verdade, o Roberto continua ativo na academia aqui também... Desculpe se a expressão ofendeu, eu achei que como já é até título de música (do Caetano), ela já havia entrado ao rol das expressões que se podem usar inocentemente....

Ale: que legal sua visita depois de tanto tempo! É verdade, eu também não curto aquelas mesas não. Mas já invadiram os shoppings brasileiros, não é?

Pecus: é exatamente essa a diferença. A ironia é uma arte muito, muito rara por lá. E é cada vez mais perigoso recorrer a ela, especialmente em aeroportos.

FH: tá confusa a coisa. Claro que é cultural. O post todo é sobre uma diferença cultural. Acho que não há "julgamento" não, é só a descrição de uma diferença. Enfim, acho que o Alex lhe respondeu bem.

Grimble: o expatriamento de um carioca em São Paulo deve ser das coisas mais dolorosas que há, não é? E eu adoro Sampa, não vai aqui nenhum juízo de valor. Mas para alguém acostumado com o Rio...

Abraços,

Idelber em julho 19, 2005 3:10 PM


#12

idelber, genial, genial, genial, genial... sem medo do exagero a que sempre me quedo, estou, juro, emocionada com este seu texto. a história do expatriamento e o do olhar do expatriado traz tantas coisas à tona. é tão violenta a expatriação, mesmo a voluntária... enquanto lia seu texto pensava também nos "expatriados" que vieram morar em são paulo, como eu, vindos de outros estados, no meu caso, minas gerais.

é tão impressionante como o nosso olhar sobre o inferno ou o paraíso que deixamos para trás é violentamente enfático...

genial, idelber, obrigada...

márcia em julho 19, 2005 3:20 PM


#13

acabei de descobrir, lendo os outros comentários, que muita gente falou sobre a "expatriação" estadual tbem, hahahahaha.

márcia em julho 19, 2005 3:22 PM


#14

Sob o risco de ser linchada pelos leitores paulistanos deste blog, realmente eu (carioca) me senti muito mais expatriada quando morei em São Paulo do que morando nos Estados Unidos. Ficava agoniada com a falta de paisagem, com engarrafamentos às duas da madrugada, com distâncias imensas entre uma reunião e outra (ainda maiores por causa do engarrafamento eterno) e a falta de opções de lazer diurno. Eu tive que aturar muito mais discriminação anti-carioca lá do que eu jamais tive aqui em termos de preconceito contra estrangeiros. Mas como estar expatriado sempre tem um lado positivo, eu tive algumas experiências maravilhosas em São Paulo, nas áreas profissional, gastronômica, fashion e dançante, e voltaria a morar lá sem problemas se a vida me levasse a isso. Ah, e lá em São Paulo eu tive um grande exemplo da generosidade de estranhos. Eu estava sozinha pagando as compras num supermercado em Higienópolis, quando a mulher vem me dizer que não aceitava cheques de outro estado. Eu não tinha como pagar. Um rapaz de uns 30 anos, atrás de mim, se ofereceu para pagar e aceitou o meu cheque em troca. Fiquei tão boquiaberta que mal consegui balbuciar um "obrigada", depois pensei que eu devia ter corrido atrás e pedido o telefone desse homem maravilhoso.

Leila em julho 19, 2005 3:47 PM


#15

Os Eua é o último pa´si que eu moraria no mundo, e não digo isso devido a política externa, na verdade,acho que os EUA só fazem o que todos os impérios de todas as épocas fizeram, controlaram e manipularam de maneira a manter seu império. Os EUA simplesmente não me atraem, sabe,não rola uma empatia pessoal com aquele país. Obviamente que é uma pessoalidade minha e que ele oferece oportunidades e tals, mas acho que existem lugares melhores para se viver.
Sobre os expatriados sofrerem um tipo de depressão por terem deixado o Brasil, acho que em geral é inerente do Homem sentir falat do que deixou para trás, mesmo que não fosse tão bom para ele. Sabe quando a pessoa morre? Todos esquecem os defeitos, não?

Ronzi em julho 19, 2005 4:06 PM


#16

Não caro IDELBER, não em ofendeu usar aquela expressão. De jeito nenhum.

Talvez eu não tenha sido claro, mas se eu não acho que a simpática Baependi é classificada daquela forma, como poderei considerar uma cidade que tem uma Universidade conhecida e que possivelmente deve ter pelo menos uns três ou quatro barezinhos simpáticos (que tenham chopp) não de para se viver uma vida digna. Apesar de ser num país como o que você descreveu!

Paulo Zobaran em julho 19, 2005 4:06 PM


#17

Difícil pra nós brasileiros e muito mais pra nós, mineiros afetuosos que somos, entender o não-olhar norte-americano...

Fefê em julho 19, 2005 4:15 PM


#18

Post interessante, Idelber.

Quanto à questão dos expatriados, a célebre frase de Tomm Jobim resume tudo: "Viver no exterior é bom mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda mas é bom."

Ricardo Antunes da Costa em julho 19, 2005 4:28 PM


#19

Pô, Márcia, que legal que você se emocionou, é uma alegria e tanto quando a gente toca um leitor... E você é a Blake quando Bebê do blog do Pedro, né? Agora que eu juntei as coisas! E ainda por cima mineira:) Adorei visitar o seu blog e o da sua mãe. Ambas já linkadas aqui, viu?

Leila, hehehe, há duas discussões em que esse blog não entra: 1) cariocas x paulistas; 2) gremistas x colorados. Em ambas a gente mineiramente se abstém... Linda sua experiência no supermercado :)

Ricardo: hahahah, sensacional essa frase do Tom Jobim, né? É isso mesmo....

Paulo: é verdade que o você diz; vida digníssima é possível lá, sim. O que ocorre no meio-oeste americano, especialmente nas pequenas cidades, é que o cotidiano é muito duro. São 6 ou 7 meses de neve, inverno brutal, distâncias grandes. Mas sem dúvida há muita coisa boa. Eu morei numa espécie de South Bend (Champaign, Illinois) durante 3 anos. Tenho queridos amigos lá.

Fefê, pois é, já encontrei muitos, muitos mineiros em crise no exterior. Os de Valadares, então...

Ronzi: muito, muito sábias suas palavras. Eu também - apesar de viver lá há 15 anos - tenho muita dificuldade em identificar-me com certas coisas. E agradeço ao destino poder viver em Nova Orleans, que é bem diferente do resto do país. E foi super legal visitar o seu blog: posts como este e este me fizeram rolar de rir. Já linkado aqui também.

Abraços,

Idelber em julho 19, 2005 5:13 PM


#20

sim, idelber! eu sou(era) a "blake quando bebê" do blog do pedro, mas agora resolvi assinar márcia mesmo, porque tenho um companheiro homônimo lá (o "blake quando bebe", que engraçado) e achei melhor assinar diferente pra não dar confusão.

obrigada pelos links, colocarei o seu lá "em casa" também. ah, só pra lembrar - eu sou a cruzeirense que uma vez gritou "zeeeero" aqui no seu blog, por causa de um post do (argh!) atlético mineiro (blergh!), hihihihh.

beijão.

márcia em julho 19, 2005 6:14 PM


#21

Esta coisa de saudades de Bombril?!?!?!?
Aqui no sul se diria que é coisa de CDF ([símbolo químico do Cobre] de Ferro). O CDF é o crente, o estudioso,... um aluno bem diferente deste que escreve.
Sentir saudades de Bombril?!?!?!? O cara deve estar com muita coceira. Sorry, mas a única coisa que senti saudades, quando vivi fora do Brasil, foi o churrasco em família e a salada de batata que a minha mãe fazia/faz, o resto ou se arruma, substitui por parecido ou troca-se por outro. Simples, porém complexo. Sobre o olhar perdido: morei em Barcelona. Até hoje não consigo entender:
- Escola de Engenharia Industrial, 90% de alunos homens, 10% de ala feminina, mesmo em minoria, tinha aquelas de "parar o transito". Olhar perdido era o que eu via. Uma delas, retaguarda padrão barsileiro, caminhando pelo longo corredor, dezenas de rapazes conversando em grupo. O olhar perdido: muitos poucos, a sensação era de nenhum, interrompendo a prosa para dar aquela olhadinha básica. Nem falo em cutucões, comentários, mas perder de olhar aquele monumento? Fui testemunha de váriais situações destas. Mesmo casado sempre tive a licença de poder olhar, nunca tocar.
Aqui no Brasil não se perde olhar. DEfinitivamente.

Aluno em julho 19, 2005 10:09 PM


#22

Temos todos um componente fundamental em nossa identidade (sempre imaginária, é verdade) que se chama "sentimento de pertença". Enquanto isso não é reciclado e reconstruído num país (ou cidade, ou casa, ou estado, ou grupo social -principalmente) a gente se sente out, fora, excluído, estranho... e daí, a depressão e a "saudade" de coisas que têm uma significação única para cada um (geralmente incompreensível para outrem). Muito bom, este post. Aguardo mais desdobramentos.

cláudio costa em julho 19, 2005 11:12 PM


#23

Não uso Bombril, meu namorado de forma alguma é machista (e por isso também namoro com ele); alguns professores da USP ganham muito bem sim; e eu costumo não olhar as pessoas na rua. Se olho olho rápido e já vou andando. Questão de postura e sobrevivência: nunca fui assaltada e a única vez que tentaram me assalatar no carro estava com o vidro levantado. Coisas que se aprende em São Paulo, mas eu sou um caso extremo. Se por acaso você me encontrar na rua um dia e eu não te der oi foi porque não vi. Sim é sério eu sou assim, então é melhor me parar e falar oi.

Curioso como os outros no vêem. Há também o mito de que as brasileiras são calentes e adoram sexo. Só que pelo que eu saiba os europeus, principalmente do lado leste são muito mais liberais com relação ao sexo. Ainda bem que eu conheço pessoas, estrangeiros, que conseguem compreender que boa parte disse é só mito mesmo.

Beijos e até mais

Bibi em julho 19, 2005 11:18 PM


#24

Esse post estah simplesmente MARAVILHOSO, e os comentarios MARAVILHOSOS idem. Colocacao de opinioes riquissima.

Concordo q uma vez q vc saia, toda a sua percepcao da vida muda. Para alguns, muito, para outros, menos, mas muda, sempre. Mas... e nao mudamos todos com o passar dos tempos? Os lugares tambem sao assim, e nosso movimento ateh eles tbm. Tudo eh dinamico na vida: nosso olhar sobre o mundo tambem. Os q nao mudam, morrem.

Uma vez recebi um cartao postal de um amigo alemao q dizia: "Soh os peixes mortos nadam a favor da mareh." Eh verdade, se estamos vivos, nademos em todos os sentidos, mas movimento eh vital sempre. E esse movimento nos acarreta novas visoes, mudancas de pensamento, reflexoes.

Pessoalmente, eu diria q onde todos os seus conceitos sao jogados numa mesa, estracalhados e precisam ser reconstruidos manualmente, peca por peca, eh num expatriamento na Asia. Em qualquer lugar da Asia. Porque eh onde a visao ocidental cai por terra de vez, e a forma como o pensamento asiatico eh formulada te faz doer os neuronios pra entender. Jah fui expatriada na Europa, nos EUA e numa ilha do Pacifico, e te digo: a Asia eh outro planeta. E com referencia ao olhar, ateh isso eh diferente dos 2 pontos-de-vista q vc coloca aqui. Pq ambos sao o ponto-de-vista ocidental. Eles olham orientalmente aqui.

E nem me peca pra explicar, pq nao consigo. Tem q ver pra entender. Mas eh fenomenalmente intrigante. E eu adoro saber dessa diversidade do mundo, em todos os sentidos. Nao existe melhor nem pior: existe, ponto final. Eh fato. Cabe a cada um interpretar de acordo com sua experiencia de vida e respeito, acima de tudo.

Lucia Malla em julho 20, 2005 12:36 AM


#25

Desculpe a ignorância (minha), mas acredito que você generalizou. Até porque temos que considerar que o Brasil tem ao menos 170 milhões de pessoas e é claro que todas elas tem sensações diferentes. Pode ocorrer, é óbvio com algumas ou muitas tenham idéias ou sensações parecidas (sonho capitalista/
monopolista).
Porém , pela minha observação diária, pelo menos aqui onde moro (Niterói;RJ) as pessoas não se olham. Inclusive eu sou até incômodo a algumas pois sempre olho todos na rua. E percebo que, na verdade, não se olham por vários motivos. Analogicamente seria como passar por um mendigo a caminho da Daslu e não perceber a desiqualdade do país. Ou seja, as pessoas sabem que as outras existem, no entanto simplesmente fingem que não estão lá. Talvez seja um mecanismo de defesa. Serve perfeitamente contra a violência: todo mundo sabe que ela está na rua, mas todos precisamos sair então fingimos que ela não existe.
Dizer que aqui é assim ou lá é assado, de fato não tem lógica. Claro que aqui você pode mandar beijos pra alguém sem ser processado, claro que as culturas são muito diferentes. É como dizer, por exemplo, que o Brasil é um país de corruptos. Sempre respondo: Só o Brasil?
A corrupção é inerente ao ser humano e não somente ao brasileiro. Assim como a indiferença ou o medo ou a tendência a relativizar ou absolutizar tudo.
Desculpe se pareço diminuir seu post quando na verdade tento é aumentá-lo através da argumentação.
Infelizmente, a maioria dos seres caminha a um vazio. Se formos pensar, não consiquimos nos ver daqui a 20 ou trinta anos. Você com 18 anos come um monte de junk food e não pára para pensar que com 40 você vai ter um infarto.
Pode não parecer, mas entre estadunidenses e brasileiros há uma enorme ignorância sobre os mais diversos aspectos. Tanto os estadunidenses acham que são americanos quanto os brasileiros acham que não são.

ermitão em julho 20, 2005 1:01 AM


#26

lucia, a ex falou a mesma coisa. ela diz que o timor é apavorante pq é tudo muito parecido com o brasil, o biotipo das pessoas, a vegetaçao, a arquitetura, etc, entao vc as vezes se engana pensando que está no brasil, mas eles sao asiaticos, e funcionam com uam logica totalmente diferente.... quase ETs - comparados a nos, claro....

alex castro em julho 20, 2005 1:07 AM


#27

Professor,
Eu ouvia muitas vezes a ideia de que aqui nao ha comunicacao dos olhos entre estrangeiros na rua. Mas, acho que a analise falta algo. Em muitos lugares nos EUA, um olhar malentendido pode provocar uma briga. Eis um montao de pessoas, especialmente, me parece, na comunidade negra americana, que tem tanta raiva que trouxam qualquer escusa pra comencar uma briga. Eu, por exemplo, cresci com essa ridicula versao de hipermasuclinidade no meu povo Detroit. Demais gente tem sido ferida ou pior simplesmente por olhar a "pessoa incorrecta".

Muitos americanos tem pavor do "louco" desconhecivel. Nos temos pavor porque estamos paranoides porque sabemos que os monstruos podem ser qualquer.
Parece pessimista ,mas e verdade.

Roderick em julho 20, 2005 4:47 AM


#28

Infelizmente caro IDELBER eu tinha razão, e o episódio com o football-player Grafite não passava apeans de sem-vergonhisse, pura e simples, como diriam os antigos.
Está lá no cantinho da pág. 34 de 'O Globo' [Ed. n 26.280]: "Grafite não vai levar denúncia de racismo à frente." Ou seja o football-player considera que: "ele [Nota: Desábato] já pagou o bastante pelo que fez". Trata-se de um primor de aplicação PRIVADA da Justiça. Prá mim uma vergonha! E INFELIZMENTE eu tinha razão. É ISSO AÍ!!!!!

Paulo Zobaran em julho 20, 2005 8:51 AM


#29

Roderick, você tocou num ponto chave, que acho que é geral na sociedade americana, não só na comunidade afro-americana. A associação entre certas formar de olhar "direto" e a agressividade. Eu me lembro de mil e um mal-entendidos por causa disso, envolvendo americanos e estrangeiros. Obrigado pela participação sempre inteligente no blog, um abração :)

Adorei, Bibi, seu testemunho de como você se afasta de certos estereótipos nacionais ou regionais, hehehe. Abraços,

Cláudio, obrigado por esse toque psicanalítico, sempre acrescentando algo a mais do dito pelo post.

Aluno, pois é, essa coisa de olhar todas as bonitas não parece ser universal entre os homens de todos os lugares, né?

Pois é, Lu, você confirma o que eu sempre imaginei, que essas diferenças exigem muito mais da compreensão nossa no caso dos orientais, onde eu nem me arriscaria a dar nenhum palpite :)

Abraços a todos e obrigado pelos comentários,

Idelber em julho 20, 2005 5:07 PM


#30

Idelber, desculpa.

Só nas cidades mais cosmopolitas que não há o cumprimento. Moro numa capital interiorana de 250 mil habitantes nos confins da Amazônia (Rio Branco) e aqui as pessoas se cumprimentam pela manhã.

Vão até a esquina tomar um cafezinho e dizem oi aos estudantes indo às aulas.

É fato que os tempos estão mudando. Mas ainda é comum o contato interpessoal pleno em cidades mais interioranas.

Não conheço os EUA mas acredito, apenas acredito, que nas cidades ou nos bairros mais suburbanos (no bom sentido) possa existir esse importante elemento de relacionamento entre as pessoas.

By the way,

Good morning, good blog and good children you have.

Até.

Edk.

Edk em julho 22, 2005 6:48 AM


#31

Você tem toda a razão, Edk. Generalizei um pouco sobre o Brasil a partir das cidades grandes. É verdade o que você diz sobre o interior e as capitais mais interioranas. Preserva-se esse 'bom dia', mesmo aos estranhos.

(embora não seja bem todo o interior, não é mesmo, porque em cidades como Contagem-MG, Santos-SP, ou tantas outras aplica-se o que eu disse).

Agora, em cidades pequenas do interior de Minas ocorre o mesmo que você diz sobre Rio Branco.

Enfim, tema fascinante.

Nos EUA há uma outra variável importante, que é regional. O cumprimento é muito comum no Sul. Abraços, obrigado pela visita e comentário.

Idelber em julho 22, 2005 11:53 AM


#32

Olha, eu já morei em Nova York e flertei com americanas na rua sim! Claro que isso é exceção a regra e Manhattan não é exemplo de cidade normal dos EUA.

Mas eu moro em Curitiba, uma cidade conhecida pelas pessoas frias onde NÍNGUEM se olha na rua. E mesmo na balada, se uma menina está afimd e vc ela olha uma vez NO MÀXIMO e pronto.

Entendi que você não quiz generalizar, mas é bom pensarmos nesses contrastes ao clichê. Pois temos lugares no Brasil que podem ser mais "frios" do partes do EUA.

Márcio "Mazur" Gonçalves em julho 23, 2005 7:09 PM


#33

O olhar do centroavante tem sim seu igual no esporte americano: o olhar do point-forward antes de fazer uma assitencia no basquete. Sao microsegundos, mas esta la. Pode observar. O basquete americano tem outras coisas, o aviso do drible, as peitadas, tudo muito cheio de emocao e agressividade, como o futebol. Nao e o futebol, porque o jogo e rapido, e a torcida age de maneira diferente. Isso, mesmo no Brasil... Tem outra coisa, nao se pode comparar uma cidade grande do Brasil a um agrofundio americano, como Indiana. Bons olhares por ai.

Ram em julho 25, 2005 1:15 PM


#34

Hi ya !

Estou morrando em New Zealand e por aqui as coisas sao muito diferente , as pessoas sao muito prestativas as vezes acho q sao ate demais .No ponto das pessoas si olharem na rua tambem existe aquele cumprimento d G'day pra quase todos com quem vc passa na rua .
Nos mercados os caixas ti perguntam como foi teu dia , e ai q vc fez hoje ,Como esta si sentindo hoje coisas deste tipo acho muito bacana isso.No brazil nao encontramos este tipo d atendimento .
Aqui as pessoas querem ouvir q vc tem a falar.
Ae gostaria d falar mais mas estou meio atrazado desculpa mas fica pra proxima ...
See ya..

Edson Wachholtz em agosto 28, 2005 9:54 AM


#35

Esse constante entreolhar do brasileiro é um fato mesmo, e que quem está acostumado com ele sente a falta quando sai do Brasil. E não é só nos Estados Unidos - na Inglaterra a coisa é muito pior, essa "frieza" duplica, triplica em comparação com a dos americanos. Aqui, olhar para o carro ao lado num semáforo é quase que uma ofensa, impensável para os ingleses. Andam sempre com os olhos no horizonte.



A impressão que dá é que olhar demais para alguém, na Europa ou nos EUA, equivale quase à uma violação de privacidade. Claro que nem sempre este excesso de intimidade do brasileiro é bem-vindo; ele gera muitos contatos desnecessários, físicos inclusive (os célebres tapinhas nas costas são o exemplo mais fácil), conversas indesejadas - como qualquer um que usa o transporte público no Brasil bem sabe - e, como todo mundo se julga "amigo" do próximo, sofremos de uma informalidade crônica.

Rafael Azevedo em agosto 30, 2005 10:46 PM


#36


Alo Idel. Vivi alguns anos fora do Brasil. Essa questão do que somos ou não é muito presente quando vivemos fora. Embora aqui não seja lugar para poesia, gostaria de enviar pra vcs uma prosa-poesia que fiz e que pra mim é uma fotografia da vida num suburbio americano:

(Uma Manhã Americana - Chicago, 1997

Caminho por essa manhã americana
Por esses ordenados jardins
vendo os respingos das mangueiras que simulam chuva e o insimulável azul que recobre tanto verde.

Encontro um lago,
Talvez pudesse sentar ali
Mas tenho receio de importunar a paisagem,
Essa paisagem estanque, reta e igual
Onde a ordem se pretende absoluta.

Talvez nem seja hora de andar por aqui
Onde a harmonia é uma lei
Onde apenas os pássaros tem movimentos imprevisíveis.
Minha retina quase se cansa
Cansado quase me confundo com a propria estampa.
Não sei se apenas sinto ou se faço parte...
Alguma inquietude deixa que o silencio se rompa...ou se assuste,
São ganços e pássaros trocando piados
E um cachorro que passa ao som
De uma tesoura podando o jardim.

As linhas dessas casas se enquadram com essas árvores
É difícil distinguir o que não foi traçado e medido.
Deito sobre a grama e nesse gesto proibido, ganho,
Uma imensa abóbada azul a me acolher, a me abraçar
Um abraço livre, de doação do céu para o homem,
Numa resposta então, de que faço parte, como esses ganços.

As casas, as cercas, as árvores,
tentam se impor diferentes
em tamanho, feitio e cores... mas
Alguma coisa se repete, em tudo,
Num conjunto ordenado, e
Numa completa uniformidade no viver.

Os ganços correm em direção ao lago
Seus pescoços são muito retos e combinam com a paisagem,
Se curvam, num curvado elegante, harmonizado, dando orgulho a paisagem
Movem-se diferentes, mas são iguais no conjunto
Parecem orquestrados...como tudo em volta.
Mexem seus pescoços, num certo balanço, num compasso perfeito,
Impulsionando e deslizando, numa monótona e suave apresentação
Que perturbam o vento e ondulam a paisagem.

Interpretam essa manha azul americana
Numa paisagem reta e igual,
Onde rompe com algum e perfeito descuido, a vida.)

Abs a todos, Luma



Luma em setembro 18, 2005 7:52 PM