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segunda-feira, 11 de julho 2005

Hitler e as Copas que a Argentina não Ganhou

Festa de aniversário de 4 anos do Burburinho e Nemo Nox me convidou a enviar um texto. Publicamos este aqui, do qual lhes deixo a introdução e depois um link à continuação lá na revista.

hitler.jpg

O torcedor fanático por futebol não vive nem no presente, nem no passado, nem no futuro. O tempo verbal do apaixonado pela bola é, por definição, o mais-que-perfeito do subjuntivo. Que diacho é isso? É o famoso "se não tivesse tido". Se não tivesse chovido, se o juiz não tivesse roubado, se fulano não tivesse se contundido, se não tivéssemos perdido o pênalti. Não há torcedor que, ante a derrota de seu time, não recorra aos encantos do mais-que-perfeito. Um exemplo clássico tem como protagonista o técnico Evaristo de Macedo. Ao ver seu Flamengo massacrado pela Ponte Preta por 3 x 1, Evaristo recorre à pérola: "se eles não tivessem feito dois gols no começo, o jogo teria terminado 1 x 1".

Pois bem, conta a lenda que o grande Friedenreich, nosso primeiro grande gênio da bola, aquele que marcou, nas décadas de dez, vinte e trinta, mais gols que Pelé, viu o Brasil retornar da Suécia em 1958 com seu primeiro caneco. Contemplando a festa, comentou, inconsolável: "Se cariocas e paulistas não tivessem brigado em 1930 (briga que nos fez levar uma seleção carioca à Copa do Uruguai, sem Fried), agora seríamos bicampeões." Fried nem se preocupou em falar da copa de 1950. Para ele o que importava era a Copa do Uruguai, onde não teria tido para ninguém caso ele estivesse no time, junto com outros paulistas, como o goleiraço Athié e o endiabrado Feitiço. Em 1930 o mais-que-perfeito do subjuntivo entrou na vida de nosso futebol para nunca mais sair.

Mas das copas que não ganhamos falarei em outra oportunidade. Hoje quero falar do namoro traumático dos argentinos com o mais que perfeito.

Sem deixar de voltar para bater um papo sobre Hitler, a Argentina e as copas, ou os encantos do mais-que-perfeito no futebol, continue lendo Hitler e as Copas que a Argentina não Ganhou, na festa de aniversário do Burburinho.



  Escrito por Idelber às 02:19 | link para este post | Comentários (12)


Comentários

#1

É verdade. Para os argentinos eles ganharam TODAS as Copas do Mundo. O resto é detalhe!

Paulo Zobaran em julho 11, 2005 8:11 AM


#2

Pois eu digo, e não é retórica: se o Cruzeiro não tivesse feito os dois goals, nós teríamos ganho de 1x0. (Estou respeitando sua decisão de não mais nomear, aqui, o nome do glorioso.

Cláudio Costa em julho 11, 2005 9:30 AM


#3

Caro Idelber

Como você bem sabe o torcedor platino acha que seu clube de coração e, por extensão, a seleção argentina são, clube e seleção, simplesmente os melhores do mundo.

O torcedor daquela metópole é possivelmente o mais fanático do mundo, e se alimenta da rivalidade maior River x Boca, além de uma cadeia de outras rivalidades. A região metropolitana de B.A. segundo dizem, tem a maior quantidade de clubes de futebol profissional só comparáveis a Londres (região metropolitana) e ao Rio de Janeiro. E esta legião de torcedores platinos são especialilstas na arte que você aponta, a de justificar derrotas. E naturalmente, comemorar com muitos fogos as vitórias!!!

Portanto é isto mesmo. Ficam lá os platinos em especial e os argentinos por extensão, curtindo as Copas que eles imaginaram que tenham conquistado. E para não fugir a sina daquele país que possui um grande futebol, um povo bacana, ficam nos chamando de "macaquitos". Eles não concebem que que possa existir no futebol alguém ou alguma coisa que possa ser maior que eles.

É verdade também que atitudes como a do capitão Rattin já não são mais possíveis neste mundo [equivocadamente] globalizado. Naquela época o time argentino voltou para casa e o torcedor argentino contabilizou mais uma Copa ganha. Pois os roubos em campo perpetrados contra a Argentina, foram imediatamente tomados como a única possibilidade de se conseguir tirar aquele título de suas mãos.

Uma imagem que me ficou, mais até do que o Rattin amassando a bandeirinha, foram as suas jogadas frias isolando a bola, algumas vezes passando perigosamente contra o próprio gol! Apesar de já ter desistido de conversar sobre futebol com argentinos há muito tempo, acho uma escola fantástica. Mantenho a opinião apesar de admitir que não atravessa um momento favorável, após a derrota chocante contra o nosso time! Não é mesmo?

Paulo Zobaran em julho 11, 2005 9:55 AM


#4

Cláudio, se o Tite não tivesse escalado o Henrique, teríamos vencido o jogo fácil! Foi daqueles jogos que só o Galo consegue perder. O time do ex-Ipiranga é medíocre.

Idelber em julho 11, 2005 1:10 PM


#5

Truqueiros também adoram o "se eu não tivesse feito assim...", "se eu tivesse feito assado"...

Kelli em julho 11, 2005 3:39 PM


#6

Remontar o Burbu deu um p*** trabalho mas eis que segue firme com contribuições cada vez melhores como essa.

Fábio S. em julho 11, 2005 5:33 PM


#7

Eu não falo sobre futebol hoje. Alguém quer conversar sobre cerveja?

Ricardo Antunes da Costa em julho 11, 2005 6:34 PM


#8

Já havia lido lá no Burburinho antes de vir aqui... Está simplesmente fantástico!

Donizetti em julho 11, 2005 11:10 PM


#9

O que eu acho engraçado é ver que brasileiro não sabe o que é espelho :-)

Luis em julho 11, 2005 11:15 PM


#10

Sempre vem um técnico maluco para acabar com o time. Às vezes é o Tite, às vezes é o Adolfo "El Loco" Hitler que mata o time. Outras vezes, o Muricy faz de tudo para prejudicar o time, mas ele ganha do mesmo jeito. Quando isto acontece, desaprendo o mais-que-perfeito do subjuntivo e faço de conta que não vi a enorme pressão do ridículo Vasco.

Abraço.

Milton Ribeiro em julho 12, 2005 10:54 AM


#11

E isso acontece mais no futebol do que em outros esportes. O futebol desperta paixão...e normalmente a paixão causa cegueira.
Essa do "se não tivesse tido" é quase a prova das teorias da Física quântica, que fala sobre os Universos alternativos.

Menina-Prodígio em julho 12, 2005 3:47 PM


#12

jajaj, adoré Paulo :-). Pelé numa entrevista no programa de TV de Maradona, a semana anterior, Pelé com um violão, para o nosso Deus DIEGO, ele cantou... Vc quer se parecer a Deus.., mas naum sabe que Deus é VC ".
Os 2 genios, jogaram ai no programa, e abracaram se.

Saudacoes ao povo brasileiro.

Sanson em agosto 22, 2005 5:21 AM