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segunda-feira, 04 de julho 2005

O Ano de Lenine

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Matérias no Globo, no Estadão, homenagens na França, show no legendário Le Zenith: a carreira de Lenine está no auge.

Muito merecido, aliás: há tempos digo que Lenine, para mim, é o artista mais completo da última década na música brasileira popular. É um exímio compositor, violonista, cantor, letrista e melodista. Trabalha uma sonoridade muito própria, fruto de uma combinação inteligente entre o melhor da MPB, do rock internacional e de ritmos nordestinos como o maracatu e o baião.

Lenine é o primeiro violonista popular, desde Gilberto Gil e João Bosco, a estabelecer um estilo reconhecível até mesmo pelos ouvintes de música mais casuais. Trata-se do que chamaríamos em inglês picking style, um estilo 'percussivo', em que as pontas dos dedos trabalham muito e criam uma sonoridade mais sincopada, mais 'quebrada', às vezes fazendo das cordas quase que um instrumento de percussão.

Lenine pertence a uma geração que tem, com relação ao rock brasileiro dos anos 80, duas diferenças importantes:

1. enquanto que as bandas dos 80 estouravam quando seus integrantes contavam 20 e poucos anos, Lenine, Chico César, Paulinho Moska e outros perambularam bom tempo, amadureceram sua arte durante mais de uma década até gravarem seus primeiros discos solo. Lenine estréia em 1983 com Baque Solto (em parceria com Lula Queiroga). Espera dez anos para gravar Olho de Peixe (em parceria com Marcos Suzano) e só em 1997 lança O Dia em que Faremos Contato, que é o seu primeiro disco solo e momento em que chega ao estrelato. Durante todo esse trajeto, Lenine amadurece sua visão de Brasil, a sua sonoridade, a compreensão de como funciona o mercado da música. É covardia comparar uma entrevista de Lenine com as entrevistas dos roqueiros dos 80. Em Lenine você encontra uma concepção global sobre o que é o Brasil, o que é o pop, qual a inserção de um artista de música no mundo, etc.

2. enquanto que a maioria dos roqueiros dos anos 80 formou-se ouvindo basicamente o rock internacional, nutrindo pela MPB uma verdadeira ojeriza (sim, isso muda depois, com a incorporação do próprio rock à MPB, mas o momento inicial é de antagonismo), um artista como Lenine entendeu bem cedo que há combinações ricas para serem armadas entre maracatu e hip hop, entre baião e música eletrônica. Essa liberdade de combinar ritmos do fundo do sertão com sonoridades do pop internacional é das grandes conquistas da música brasileira dos anos 90, e Lenine é um dos responsáveis por essa abertura (o grande pioneiro nisso foi, claro, o também pernambucano Chico Science).

Com Na Pressão (1999), vem a consagração definitiva: uma mistura que vai de canções mais uptempo sobre o Brasil, visto pelo viés de Jackson do Pandeiro ("Jack Soul Brasileiro"), releituras de Oswald de Andrade e da antropofagia ("Tupi Tupy") até uma parceria com Arnaldo Antunes sobre o trânsito, um verdadeiro manifesto de cidadania ("Rua da Passagem").

Durante o último congresso do ramo latino-americano da International Association for the Study of Popular Music, no Rio de Janeiro, fomos agraciados com um papo com Lenine. O cara simplesmente encantou todo mundo. Sabe o que faz, sabe onde quer chegar, sabe quais são os obstáculos.

Na letrística de Lenine você encontrará ecos de muita coisa, desde Noel Rosa até Chico Buarque, passando por João Cabral de Melo Neto. Trata-se de uma poesia que trabalha muito as aliterações, as paranomásias, as rimas internas, os jogos de duplo sentido. Ficam aí como exemplo as três últimas estrofes desse lindo poema de amor que é "Meu Amanhã":

Minha meta, minha metade
Minha seta, minha saudade
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã

Meu fá, minha fã
A massa e a maçã
Minha diva, meu divã
Minha manha, meu amanhã
Meu lá, minha lã
Minha paga, minha pagã
Meu velar, meu avelã
Amor em Roma, aroma de romã

O sal e o são
O que é certo, o que é sertão
Meu Tao, e meu tão...
Nau de Nassau, minha nação.

Se há algum leitor do Biscoito que ainda não ouviu esses discos imperdíveis, uma boa amostra está disponível para audição no site da Rádio Terra. Também recomendo o disco de 2002, Falange Canibal, um Lenine mais roqueiro e mais pesado que os anteriores. Disponível para audição parcial está o mais novo lançamento, seu primeiro álbum ao vivo, In Cité.

PS: Meu Movable Type anda meio estranho ultimamente, um pouco temperamental, e a hospedagem também. Se em algum momento vocês tentaram acessar o Biscoito e encontraram o site fora do ar, me avisem por favor, ok?



  Escrito por Idelber às 15:16 | link para este post | Comentários (6)


Comentários

#1

Teste...

Fábio S. em julho 5, 2005 8:37 AM


#2

Nobilérrimo Idelber,
Eu não só ouvi como escrevi. Espero ter o prazer de sua presença neste texto linkado abaixo. Forte abraço...:-)

http://www.sobrecarga.com.br/node/view/6004

MarcosVP em julho 5, 2005 12:01 PM


#3

Belo texto, Marcos VP, gostei mesmo, estamos de acordo em tudo quanto ao Lenine :)

Obrigado, mestre Fábio!

Idelber em julho 5, 2005 12:26 PM


#4

Lenine é tudo de bom mesmo, Idelber. Quem já teve a oportunidade não apenas de ouvi-lo tocar e cantar, mas também de ouvi-lo falar em algum bate papo, certamente sabe se tratar de um cara simpaticíssimo sem fazer gênero, culto sem ser pernóstico, animado sem ser mala e preocupado com os problemas sociais sem fazer militância. A musicalidade dele é mesmo das nelhores coisas que temos...percussiva, lírica, abusada, dançante...
Putz, deixa eu parar com a babação de ovo...rs...
Parabéns mais uma vez pelo post sempre afinadinho.
Um beijo.

ps: ontem não entrava comentário aqui, né? Mas parece que o problema foi sanado...

Patrícia em julho 5, 2005 2:03 PM


#5

Legal a avaliação, Idelber, com essa acho que concordo 100%, hahaha. Acrescentaria só um dado bacana: entrevistei o cara algumas vezes, e em todas elas ele sempre fez questão de ressaltar que, por trás das qualidades dele, sempre houve a atuação intensa de duas "eminências pardas". Um é o poeta Bráulio Tavares, outro aquele mesmo Lula Queiroga do primeiro disco de 1983... Lula (Queiroga), por sinal, é o produtor da sensacional trilha-tributo do documentário "A Pessoa É para o Que Nasce", que está quase saindo de cartaz aqui no Brasil sem que a maioria dos cinéfilos tenha se apercebido do valor monumental do filme (e trilha)...

Putz, desculpa a falação destrambelhada...

pedro em julho 7, 2005 12:57 AM


#6

Patrícia, também tive essa sensação com ele, "simpaticíssimo sem fazer gênero", é isso... e obrigado e beijo :)

Pedro, obrigado, e que falação que nada, hahaha, é uma honra ter você comentando um post de música aqui; adorei a resenha da trilha sonora que você fez lá no blog, aliás, vou andar atrás do disco :) Abração,

Idelber em julho 7, 2005 1:58 AM