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Um blog sobre política, literatura, música e futebol. Na rede desde outubro de 2004



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quarta-feira, 31 de agosto 2005

New Orleans submersa, 31/08/2005

Um mapa relativamente representativo da proporção normal de água para terra no pântano no qual se situa New Orleans seria este aqui:

orleans_map.gif

Imagine que a densa área urbana que congrega 500.000 habitantes (chegando a 1 milhão à medida que você for considerando os subúrbios e a "grande" New Orleans) está quase toda situada entre o imenso Lago Pontchartrain e o Rio Mississipi e em sua grande maioria está submersa. Uma das partes baixas da cidade é a que bordeia o rio no setor centro-leste da cidade, o downtown que inclui o turístico French Quarter e, ao norte, o mais antigo bairro negro da América do Norte, o Tremé:

FQ_map-lg.gif

Não só a downtown turística, como a uptown (ainda ao longo do rio, mais ao oeste) como a região próxima ao lago, se encontram neste momento submersas, com inúmeros mortos (gente que ficou presa nos seus sótãos ou telhados e morreu afogada) e ainda gente pedindo socorro. Os relatos são de que os barcos de resgate passam "ignorando os mortos", tal é o número de pessoas ainda pedindo socorro. Aproximadamente 37.000 pessoas estão em abrigos, em situação mais ou menos desesperadora e terão que ser evacuadas. Nestes vídeos da WWLTV tem-se uma dimensão da tragédia (Obrigado pelo link, Alexandre).

new-orleans2.jpg

Depois de horas assistindo CNN e especialmente a TV local, o que eu consigo avaliar é: a grande maioria das casas da cidade está submersa, dezenas, talvez centenas, talvez milhares de pessoas ainda pedem ajuda em sótãos e telhados, aproximadamente 37.000 pessoas estão em abrigos na cidade (em situação mais ou menos precária) e mais de uma centena de saqueadores já atacaram prédios vários da cidade. Em várias partes da cidade a água continuava a subir na noite desta terça. Obviamente não se pode, por exemplo, dar descarga em lugar algum de New Orleans. Agua potável é problema seríssimo e eu não consigo nem imaginar o que é a vida de alguém trabalhando nas operações de resgate neste momento. O altíssimo estádio/ginásio fechado Superdome não esteve longe de, até ele, ceder à água. Foto tirada de um helicóptero:

new-orleans3.jpg

A situação de milhares de casas em toda New Orleans não é muito diferente destas aqui:

new-orleans5.jpg

onde os moradores podem ter saído a tempo, podem estar num abrigo, mas podem também estar mortos ou ainda pedindo socorro.

É em muita gente que eu penso agora: nos meus amigos e conhecidos que podem ter estado entre os quase 100.000 que não saíram da cidade, por razões econômicas.

Apesar de ter morado numa dezena de lugares nesta vida, New Orleans é - junto com Belo Horizonte - a única que jamais chamei de "minha cidade".

Espero que Paul Becnel e toda a família Becnel estejam bem. My heart goes out to you, bro.

Seria pretensão achar que este blog, com seu autor em Belo Horizonte, poderia ajudar em alguma coisa. Mas se puder, pelamordedeus usem. Quem é de Tulane não têm acesso a email, então use meu email do blog prá dar recado, in any language por supuesto, se tiver acesso à internet. Quem trabalha no serviço público da cidade também não tem email neste momento, mesmo que esteja fora de NOLA. Acesso a qualquer coisa neste momento em New Orleans é ultra complicado.

Quem for de reza, que reze, então, para Jeová, Jesus, Alá; quem for de orixá, que fale com os orixás; quem for só de fazer figuinha, que faça, pela cidade. É um encanto e uma beleza de cidade, essa New Orleans.



  Escrito por Idelber às 02:23 | link para este post | Comentários (56)



terça-feira, 30 de agosto 2005

Katrina

A minha amada New Orleans não sofreu o apocalipse que poderia ter sofrido, mas recebeu uma pancada horrorosa. Numa das paróquias mais baixas da cidade, o St. Bernard Parish, pelo menos 40.000 casas foram totalmente submersas e pelo menos 200 pessoas foram salvas no teto de suas casas. No segundo vídeo listado nesta página assiste-se um desses dramáticos salvamentos.

Ainda não há confirmação de mortes em New Orleans, mas algumas pessoas prevêem números bem pessimistas. As autoridades estão pedindo que as pessoas não voltem, pelo menos pela próxima semana.

No primeiro vídeo listado nessa página da CNN, que mostra imagens da downtown (a área mais próxima ao Rio Mississippi), vê-se como ficou desesperadora a situação nas áreas mais baixas da cidade (70% dela fica, como se sabe, abaixo do nível do mar, razão pela qual os cemitérios em New Orleans sepultam os mortos acima da terra). Em todas as principais paróquias da grande New Orleans (St. Bernard, Orleans, St. Tamanny, St. Charles), a destruição é muito grande.

Só 20% dos habitantes permaneceram na cidade, a grande maioria porque não tinha condições econômicas de sair. É comum que parte da população de New Orleans ignore as sugestões de saída da cidade na época dos furacões (eu sou um dos que o faz), mas desta vez as autoridades ordenaram evacuação.

Parece que os prédios da área de passeio, orgia, música e turismo que os New Orleanianos amamos (o French Quarter) não sofreram grande destruição, mas só o tempo dirá o que o alagamento estragou. Muitos daqueles prédios estão cheios de, por exemplo, instrumentos musicais. A área que bordeia o imenso lago Pontchartrain, ao norte da cidade, foi muito atingida, pelo que parece.

O meu carro, coincidentemente, estava na época de passar dos cuidados de uma amiga para os de outra amiga. Se o furacão pegou-as no intervalo dessa passagem, é possível que meu querido Mazda esteja boiando em algum canto de New Orleans. Minhas coisas mais importantes (os eletrônicos, CDs e metade dos meus livros) estão a salvo, no terceiro andar de um prédio de Tulane. A outra metade dos livros estava guardada num galpão e pode ter sido destruída, junto com uns móveis que não valem nada.

Fico pensando mesmo nos meus bares, nas casas de show, nos inigualáveis restaurantes de New Orleans, e espero que estejam todos lá, intactos, com seus profissionais a salvo em algum canto dos EUA.

Em geral os furacões chegam a New Orleans um pouco depois de iniciadas as aulas. Katrina chegou bem na semana em que os alunos e professores retornavam, o que deve ter tornado o caos em Tulane ainda pior.

Dos amigos ainda não tive notícias, mas confio que todos conseguiram sair da cidade e estão bem. Obviamente é impossível comunicar-se com qualquer pessoa de Tulane por email (até o site está fora do ar) e boa parte dos telefones que tenho dos amigos são fixos, não celulares, então não adianta. Se alguém atender o telefone, é mau sinal. Os poucos celulares que tentei não atenderam. Continuo a torcida para que o Alex Castro supere o susto, se restabeleça bem em New Orleans, e que o Oliver sobreviva.



  Escrito por Idelber às 02:33 | link para este post | Comentários (19)



segunda-feira, 29 de agosto 2005

No Museu da Bombonera

No fundo pelas mesmas razões pelas quais eu acabo nunca indo ao Preservation Hall em New Orleans, nenhum dos meus amigos e conhecidos argentinos havia visitado uma super (e recente) atração turística da cidade: o museu do Boca Juniors, que fica no mesmo prédio da Bombonera. Eles têm lá suas razões extra, também: o presidente do Boca é o ultra conservador político da direita argentina, Mauricio Macri (obrigado pela correção, Santiago), que obviamente tenta usar o sucesso do time como alavanca eleitoral.

Mas abstraindo isso, o museu do Boca Juniors é passeio obrigatório para o amante do futebol em Bs. As. É superior aos museus que já vi na Europa, como o do Real Madrid. Mesmo numa manhã de sexta gelada, há uma muvuca de turistas do lado de fora. Há bares, churrasqueiras na rua, bailarinos de tango e até um pintor que faz um poster com craques e dois lugares para alguém pagar mico na foto:

Bombonera-fora.jpgpintura-jogo.jpg


Lá dentro começa um passeio vertiginoso. Três andares de troféus, cinema em 360 graus, televisões, computadores, fotos e camisas. Primeiro, uns 10 metros por 3 altura com fotos pequenas de centenas de jogadores do time em todos os tempos, com suas respectivas datas de estréia. Do outro lado da parede, estrelas amarelas com nomes de sócios. Subindo a rampa que sai desse corredor, emoldurações de camisas que o Boca usou ao longo da história:

estrelas-boca.jpgCamisas-Boca.jpg


Ao final da primeira volta do caracol, um dos dois pontos mais impressionantes do museu. Para cada ano em que o Boca foi campeão, há três televisores sobrepostos a um painel com a campanha completa do time. O televisor do meio mostra os gols e momentos especiais do campeonato, o da esquerda mostra eventos daquele ano na Argentina e o da direita os acontecimentos mundiais. É televisão para encher horas e horas de visita. Coloque aí uns 30 anos que o Boca foi campeão, vezes 3 TVs, são umas 90 TVs com imagens rolando sem parar. No caminho para o segundo andar, uma sala com fotos gigantes de vários ídolos do Boca. No detalhe o maior goleiro da história do time, Gatti:


painel.jpggatti.jpg

A galeria de troféus é vasta e inclui Campeonatos argentinos, Libertadores e um caneco mundial inter-clubes, mas eu preferi fotografar o troféu de um torneio desimportante, que o Boca conquistou em 1951 surrando a mulambada. O futebol brasileiro não deixa de estar presente dignamente no museu, no entanto. A única camisa não boquense exposta é a 10 do Rei, usada por Ele na final da Libertadores de 1963, quando o Santos derrotou o Boca:

DSC00533.JPGCamisa-santos.jpg

A parte mais impressionante do museu elude qualquer foto: uma sala escura, com um cinema em 360 graus simulando que você é um atleta do Boca, subindo o túnel, entrando em campo (o surround sound do lugar é incrível e altíssimo) até o momento de êxtase em que através de uma câmera situada atrás da bola o filme sugere que você, espectador, está fazendo um gol por cobertura na Bombonera lotada. Experiência poderosa, a do cinema 360. O passeio inclui também uma visita às instalações e ao gramado da Bombonera,

Bombonera.jpgBombonera-dentro.jpg

onde o que mais me impressionou foi quão íngremes e altas são as arquibancadas, e quão perto o torcedor fica do gramado (o torcedor sentado na primeira fila lá embaixo fica a um máximo de quatro metros da linha lateral).

A visitinha é barata, 9 pesos, o que dá uns 7 reais e 50 :)

Não dá para concluir esse post sem dizer o óbvio: seria legal se o futebol brasileiro cuidasse mais da sua memória. O único museu digno do nome que eu conheço é o do São Paulo F.C., que está a anos-luz de ser comparável ao do Boca.

PS 1: As provocações estimulam os grandes. Parabéns ao Paraíba por um dos melhores posts da história de seu blog, quase tão bom como aquele.

PS 2, sobre o furacão Katrina: eu já encarei vários furacões em New Orleans, mas nenhum com essa gravidade, com essa força e com essa certeza de que vem de frente. O servidor de Tulane já está fora do ar, portanto meu email de lá está inacessível. O do blog funciona firme e forte. Quem for de reza, que reze pela cidade, pelos meus amigos, pelo cachorro do Alex e se sobrar um tempinho pelos meus livros e CDs, estocados num galpãozinho que eu espero que sobreviva. Amigos de New Orleans, fiquem à vontade para, quando puderem e tiverem acesso à internet, usar o blog para dar notícias trocar recados e tranquilizar a gente.



  Escrito por Idelber às 03:30 | link para este post | Comentários (18)



sexta-feira, 26 de agosto 2005

Desde Buenos Aires - Revelación de mi identidad

Queridos lectores:

Se acabó la broma. En el comentario 44 del post anterior, el lector Bear dio con mi verdadera identidad. Sí, soy un argentino que los ha engañado durante ocho meses haciéndose pasar por brasileño. Soy parte de una vasta conspiración de argentinos desparramados por el mundo - nuestro objetivo final es invadir Brasil y transformar esa tierra pindorámica en una república de verdad, sin mensalones.

El nuevo país se llamará República del Plata Pindorámico, y después que tomemos todo el territorio brasileño, nuestras primeras medidas serán:

1. José Dirceu será exiliado a Santiago del Estero.
2- Galvão Bueno será enviado al paredón.
3 - Bloggeros estalinistas de Sergipe no recibirán ciudadanía en la nueva república.
4 - Daniel Link será el ministro de la cultura.
5 - Santiago Llach será el ministro de los deportes (peor que Agnelo Queiroz no puede ser).
6 - El Rio Grande do Sul cambiará su nombre a Río Grande del Centro.
7- El Atlético Mineiro y el Boca Juniors se fusionarán en un solo club, y tendrán la más grande hinchada de América, sobrepasando fácilmente a un cierto equipo miserable.
8- Ya no se disputarán mundiales de fútbol, por absoluta falta de necesidad.
9 - El PT y el Partido Justicialista (Peronista) se fusionarán y consolidarán la democracia más perfecta del planeta, más perfecta que la de Cuba.
10 - Todos los bifes tendrán que tener por lo menos cinco centímentros de altura y medio metro de longitud. ¿Quién les dijo que tamaño no importa?

Después de todo esto, consolidada la nueva República, invadiremos América del Norte, para traer la civilización a las 270 milliones de personas que padecen por allá una horrible dictadura.

Aunque el castellano será la lengua oficial de la nueva República, los ciudadanos que insistan en ser monolíngues en portugués no serán discriminados.

Lamento haberlos engañado durante todo este tiempo, pero era estrictamente necesario para que se cumpliera la misión. Los argentinos somos talentosísimos para fingirnos de otra cosas, y no duden que entre los 170 milliones de ciudadanos presumiblemente brasileños hay varios otros argentinos como yo, disfrazados, realizando esta importante tarea.

Mañana: noticias de La Bombonera. Por ahora, aceptamos sugerencias sobre cómo deberá ser la bandera, la cultura, la música, las costumbres, la organización política y todo lo demás en la nueva nación, que se extenderá desde la Patagonia hasta la Amazonia.

Los saluda, desde la capital de la nueva República, Buenos Aires.



  Escrito por Idelber às 02:31 | link para este post | Comentários (39)



quarta-feira, 24 de agosto 2005

Esses estranhos seres vegetarianos, ou porque eu amo a Argentina

Essa foi minha primeira conversa aqui em Buenos Aires. Eu juro que não estou inventando. Alguma licença poética sim, mas tudo o que se segue é verdadeiro.

01 da manhã de terça-feira. O avião da TAM aterriza no meu conhecidíssimo aeroporto de Ezeiza, depois de um vôo muito turbulento, em que pela primeira vez na vida tive medo de que um avião caísse (desde terça há um dilúvio em Buenos Aires). Macaco velho, passo direto pelos táxis das grandes companhias e vou direto à entrada do aeroporto, onde algumas furrecas velhas de particulares se oferecem para levá-lo ao centro por 40 pesos (um táxi de empresa cobra até 70). Entro no carro. O taxista engata primeira, segunda, terceira, e eu puxo assunto. Segue-se o diálogo.

Eu: como vai o país, amigo? Faz quatro anos que não venho.
Taxista: A mesma merda. Isso aqui não muda nunca.
Eu: Como não muda? Eu vim em 2001 e o país estava desmoronando!
Taxista: Desmoronar é nosso estado natural.

(gargalhada do blogueiro; primeiro reencontro com o humor argentino; lembrança, num flash, de todas as razões que me fazem amar a Argentina)

Eu: A última vez que vim foi um pouco complicado, porque trouxe uma amiga gringa que era vegetariana.
Taxista: Vegetarianos são os que torcem para o Gimnasia Esgrima de Jujuy ou aqueles caras dessa nova seita que aparece na televisão?

(outra gargalhada do blogueiro; a palavra "vegetariano" soa tão insólita na Argentina que por um momento hesito: será que ele fala sério? será que ele realmente não sabe? opto por continuar com a brincadeira)

Eu: Vegetarianos são membros de uma nova e estranha seita que não come carne.
Taxista: Como? Os caras só ficam comendo frango?
Eu: Não. Nem frango eles comem. Nem peixe. Existem alguns mais radicais, chamados "vegans", que não comem nada derivado de animal. Ou seja, não comem queijo, nem ovos, nem tomam leite.
Taxista: Uai, então comem o quê? (sempre que eu disser uai neste post, entenda-se que o original foi tchê)
Eu: Comem pão, legumes, verduras.
Taxista: E depois?
Eu: Depois de quê?
Taxista: Depois da entrada, uai?
Eu: Digamos que para eles a entrada é a comida toda.
Taxista: Bem que eu falei com o padreco lá de Jujuy, a igreja fica com essas viadagens e agora estão só perdendo fiéis para seitas estranhas. Aqui na Argentina a sua amiga comeu o quê?
Eu: Comia pizza de brócolis.

(gargalhada do taxista)

Taxista: O sr. é um argentino muito gozador.
Eu: Eu não sou argentino.
Taxista: Como não é argentino?
Eu: Eu sou brasileiro.
Taxista: Sei, o sr. é um brasileiro de Corrientes e Callao (duas ruas do centro de Bs. As.)
Eu: Não, meu amigo, eu sou brasileiro mesmo. Eu falo assim porque leciono literatura argentina, venho muito aqui, aprendi direitinho.
Taxista: Bem que me avisaram em Jujuy. Esses portenhos são todos loucos. Adoram fingir que são outra coisa.

(gargalhada do blogueiro, que hesita: o taxista está de gozação? Tiro meu passaporte brasileiro? Deixo prá lá)

Taxista: Existem vegetarianos no Brasil?
Eu: São uma seita ainda sem muita aceitação. Mas existem.
Taxista: E no Brasil existe pizza de brócolis?
Eu: Eu nunca vi. Mas existe pizza de tomate, de azeitona. Há outras coisas que os vegetarianos podem comer.
Taxista: E o que vocês comem para bater aquelas faltas de curva por cima da barreira?

(gargalhada do blogueiro)

Eu: A gente come pão de queijo.
Taxista: E o que é pão de queijo?
Eu: É uma espécie de medialuna com mais fermento, outro tipo de farinha e mais tempo no forno.
Taxista: O Brasil é um país muito estranho.
Eu: Bota estranho nisso, meu amigo.
Taxista: E eu só digo isso porque sei que o sr. é um portenho que está tirando onda com a minha cara.

(chego ao Hotel Hispano, na legendária Avenida de Mayo, gargalhando).

PS: Nesta noite de quarta-feira, estarei em La Bombonera assistindo o tira-teima da Recopa Sul-americana entre Boca Juniors e Once Caldas, da Colômbia. Se eu não aparecer aqui no blog até sexta-feira, por favor mandem notícias ao Itamaraty, porque eu vou com a camisa do Galo.



  Escrito por Idelber às 01:27 | link para este post | Comentários (51)



segunda-feira, 22 de agosto 2005

Crônica: Mineiro no Rio

Qual é a última coisa que vai querer fazer um blogueiro mineiro no Rio? Blogar, é lógico.

Eu, que venho insistindo que a escrita dos blogs arma uma relação única com a experiência - distinta da que encontramos na literatura em livro, no jornalismo em papel ou na telinha, na produção acadêmica em artigos - acabei largando o blog por cinco dias pela primeira vez desde sua inauguração, por puro . . . acúmulo de experiências que não podiam ser interrompidas para dar lugar ao seu relato.

Mineiro quando vem ao Rio é um caso sério. Acha que o mar que vai se acabar. Eu já disse isso aqui: para mim, entender o Brasil passa, necessariamente, por entender dois fluxos migratórios, o do nordestino que vai para São Paulo e o do mineiro que vem ao Rio.

Tomemos o caso da crônica, esse gênero essencialmente carioca: depois de duas gerações de fundadores - Machado de Assis e depois Lima Barreto, João do Rio e outros - ela se constrói com mineiros exilados no Rio: Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Drummond e vários outros (Rubem Braga é a exceção capixaba que confirma a regra).

A história da música popular brasileira é impensável sem a mineirada que se radica no Rio: Ary Barroso, Ataulfo Alves, Clara Nunes, Mílton Nascimento, João Bosco e uma longa lista de etcéteras (sim, sim, Mílton nasceu no Rio, mas é mineiro, né?).

O Rio é o lugar onde os mineiros se sentem mais mineiros. Da mesma forma como a psicanálise insiste que entender-se é acertar as contas com a falta que lhe constitui, é no Rio que o mineiro entende, de verdade, a falta de mar que é a nossa essência.

Tudo isso para dizer que ainda nem dá para relatar a intensidade dos momentos vividos aqui, como eu gostaria, porque este blog afinal de contas está ficando cada vez mais confessional: cansaço infinito da política, cansaço infinito de ver meu time na lanterna do Brasileirão.

Num mesmo fim de semana - todo iluminado pela presença dela -, ter a honra de ser recebido na legendária Escola de Música da UFRJ (ainda hoje chamada por aqui de Escola Nacional de Música), onde os habituais Beethovens e Paganinis deram lugar, por um dia, a Chico Science (na minha palestra) e fandangos paranaenses (na fala do Dr. Edmundo Pereira); conhecer meus ídolos Cora Rónai e Luiz Gravatá (e visitar a legendária cobertura do Capitão Gravatá no Leblon, por onde já passou a nata da nata da cultura brasileira, devidamente registrada numa infindável parede de fotografias); coroar tudo com um belo encontro de blogueiros, onde velhos e novos amigos se reuniram para mais uma rodada de chopp. Foi um barato estar com o Marcos VP, a Lontra, a Viva e a Yvonne, o Henrique, o João Nababu, o Pedro, o Zé Maria, a Renata, e minha ídola e pioneira Claudia Letti, que ao vivo é ainda mais impressionante. O Bruno também pintou, mas eu já não estava lá. Também as leitoras argentinas Julieta e Matilde passaram por lá, assim como a Luninha, leitora deste blog, que trouxe uma daquelas lindas camisas novas do Fluminense, de cor laranja. O Nababu levou um gravadorzinho equipado para podcast, e eu não quero nem pensar na borrachada que eu disse e que ele deve ter registrado. Seria boa idéia eu ser bem bonzinho e cordial com o Nababu nesta semana.

Infelizmente as várias fotos terão que esperar, porque não foi possível passá-las para o computador do hotel de onde faço este post.

O mais provável é que também durante esta semana os posts fiquem mais espaçados, porque saio nesta segunda para Buenos Aires, e é claro que a última coisa que vai querer fazer, na Argentina, um blogueiro brasileiro apaixonado pelo país é blogar.

Mas talvez eu volte logo com um daqueles posts de amor pela Argentina que tanto irritam metade dos leitores do blog.

Aos conterrâneos, só resta dar um daqueles testemunhos que não deixam de ser uma das funções dos blogs: o Rio de Janeiro continua lindo, e os cariocas continuam não gostando de sinal fechado.



  Escrito por Idelber às 01:11 | link para este post | Comentários (31)



quarta-feira, 17 de agosto 2005

Convite a um Evento sobre Música na UFRJ

Rascunhando palestra, arrumando para entrar no avião, não deu para escrever post hoje. Mas deixo aqui o convite a quem estiver no Rio de Janeiro e quiser prestigiar o seguinte evento:


O LABORATÓRIO DE ETNOMUSICOLOGIA da UFRJ
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convida para a série de encontros temáticos a partir desta próxima quarta, 17/08:

Música em Debate IV (2005)

1º Módulo: Música, Cidadania e Políticas Públicas; Perspectivas Recentes no Brasil.

Foco: O seminário procura debater o lugar da música e da construção da cidadania em políticas culturais, à luz da experiência recente no Brasil.

17 de agosto - 18:30 às 19:30
Sala da Congregação, Escola de Música da UFRJ.
Mediador: Prof. Dr. Samuel Araujo, LE-UFRJ
Palestrante:
Ana de Hollanda (Diretora do CEMUS/Funarte/MinC) - A Criação da Câmara Setorial de Música no Ministério da Cultura (2005); Novos Desafios para a Cidadania no Brasil
Debatedor: Eduardo Camenietzki (Compositor e professor, Fórum Musical do Rio de Janeiro)

18 de agosto - 10:00 às 12:00
Salão Henrique Osvald, Escola de Música da UFRJ.
Mediadora: Prof.ª Draª Marianne Zeh, LE-UFRJ.
Palestrantes:

Prof. Dr. Idelber Avelar (Tulane University, EUA) - De Chico Science a Berimbrown: Mangue Beat e Blackitude mineira pensando a nação e a cidadania.

Dr. Edmundo Pereira (Associação Cultural Caburé; LACED-Museu Nacional/UFRJ) - Tradições orais, pesquisa e criação de parâmetros para implementação de políticas públicas: reflexões a partir do fandango paranaense.

Promoção: Laboratório de Etnomusicologia (LE-UFRJ)

Apoio: Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ.

Local: Escola de Música, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Sala da Congregação
Rua do Passeio, 98, Centro
Rio de Janeiro – RJ

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Coordenação:

Prof. Dr. Samuel Araujo

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O Laboratório de Etnomusicologia foi criado em 2001, como resultado da implantação (década de 1980) da Etnomusicologia como disciplina no âmbito da Pós-Graduação em Música, e, posteriormente (2000), da linha de pesquisa Etnografia das Práticas Musicais, subordinada à área de concentração Musicologia. Abrange ainda o histórico acervo multimeios do Centro de Pesquisas Folclóricas, criado por Luiz Heitor Correa de Azevedo em 1943. No ano de sua fundação, o Laboratório teve a responsabilidade de coordenar a comissão local de organização do 36º Congresso Mundial do International Council for Traditional Music (ICTM), órgão consultivo formal da UNESCO, com a presença de cerca de 300 pesquisadores e músicos de todo o mundo.

Tem o Laboratório por finalidade mais geral abrigar as atividades de ensino, pesquisa e extensão dos professores da área específica e de áreas afins, pesquisadores associados, técnicos em especialidades pertinentes e alunos dos níveis de graduação e pós-graduação da Escola de Música da UFRJ. Entre suas atividades incluem-se cursos de graduação e pós-graduação, alguns dos quais oferecidos em outras unidades da UFRJ, desenvolvimento de projetos de pesquisa individuais e em equipe, desenvolvimento de projetos e ações em parceria com entidades de cunho comunitário, ciclos de palestras, simpósios e apresentações musicais.

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PS: A menção especial de hoje vai para a primeira pessoa que leu o Biscoito, e sem cujo apoio e incentivo no começo este blog talvez nem existisse. Obrigado mais uma vez, Cipy Lopes :)



  Escrito por Idelber às 10:58 | link para este post | Comentários (16)



terça-feira, 16 de agosto 2005

Encontro de Blogueiros no Rio

Recado aos blogueiros e leitores cariocas:

Eu chego ao Rio nesta quarta, dou palestra na Escola de Música da UFRJ na quinta-feira às 10 da manhã (em evento organizado pelo laboratório de etnomusicologia da Federal, sobre música e cidadania, todos convidados) e convido os amigos blogueiros para uma cervejada na sexta-feira no

Pizza Park na Cobal do Humaitá às 19 h.
. Quem puder participar, deixe um alô aqui na caixa de comentários ou escreva um email para a Viva, do blog Nós por Nós.


Enquanto isso, a brincadeirinha de hoje é invente uma legenda:

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PS: o mais incrível do fim de semana em BH é que o feladaputa do Achcarigudum, que inventou um blog só para xingar a gente, apareceu!! Temos inclusive fotos comprometedoras do sujeito. Mais detalhes em breve.



  Escrito por Idelber às 03:10 | link para este post | Comentários (35)



segunda-feira, 15 de agosto 2005

No Salão do Livro

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Astral muito bom na mesa sobre blogs no Salão do Livro: organização impecável, convidados bem recebidos. O público, se não foi nada que lotasse o mezzanino onde falamos, era bem razoável em quantidade e maravilhoso em qualidade.

Ela veio de Três Corações para o fim de semana e iluminou tudo com sua presença.

Inagaki chegou a tempo de almoçar com a gente e pudemos papear um mucadinho antes do encontro. Falzoca enganou todo mundo dizendo que ficava nervosa, e coisa e tal, e foi a mais aplaudida, amada e divertida de nós três, sem dúvida.

Eu, que queria espremer muita coisa para 15 minutos, recorri a essa muleta preferida dos acadêmicos, ler um texto previamente preparado. Ninguém dormiu, que eu tenha visto :)

Falou-se da experiência dos blogs de cada um: das alegrias, das neuroses, dos objetivos, do alcance dos blogs; do trabalho de alguns escritores de ficção na blogosfera; do impacto dos blogs no jornalismo, na política, na vida pessoal de cada um. Deixo aqui um trechinho do texto que apresentei:

A tese central que eu gostaria de trabalhar com vocês aqui esta noite é que os blogs são uma ferramenta nova de representação da experiência. Se há alguma novidade nos blogs, se há algo de revolucionário na escrita blogueira, a explicação desse caráter renovador deve ser buscada na forma como os blogs dão voz a um novo tipo de escrita da primeira pessoa. Os blogs são a resposta dada pelos usuários das novas tecnologias de publicação online à necessidade de representação da experiência, espremida entre a assepsia da informação dos jornais, cada vez mais repetitivos e previsíveis no espelhamento da miséria do mundo, e o caráter técnico e especializado da literatura, cada vez mais divorciada da vivência cotidiana dos sujeitos. Então a tese básica seria essa: algo ainda não representado na experiência ganha acesso à escrita através dos blogs.

Do ponto de vista da literatura, o que de mais notável os blogs acrescentam é essa dinâmica de uma escrita diretamente vinculada à experiência. Mesmo nos blogs menos confessionais, estabelece-se uma relação diferente com o nome próprio das que permeiam outras formas de escrita. Desenha-se com frequência um certo teatro da intimidade, onde não é raro que se interrompa o fluxo de posts sobre os temas principais do blog para uma observação sobre a vida privada: um comentário sobre um desengano amoroso, um lamento por um tragédia pessoal, a convocação de uma festa. Pouco a pouco vai se tecendo um personagem de ficção ali naquele espaço, que os leitores acompanham um pouco como acompanhamos uma telenovela. Com as diferenças que o enredo traz uma relação direta com a experiência de quem escreve e que o final da história não está determinado de antemão. Ele vai se construindo dia a dia, no bojo da interação com os leitores.

O pensador alemão Walter Benjamin, num ensaio intitulado "O Narrador", escrito em 1936, observava que a quantidade de experiências vividas pelo sujeito moderno não havia levado a uma proliferação de relatos pessoais mas, ao contrário, a uma atrofia na capacidade de narrar. Benjamin notava, por exemplo, a incapacidade dos ex-soldados de relatar o que lhes havia ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial. Apesar de terem vivido o inédito, voltavam mais vazios de experiência. Esta, para Benjamin, estava sempre vinculada à possibilidade de transformar o vivido em matéria narrável. Para isso, Benjamin se aproveitava da existência de duas palavras para designar a experiência em alemão: Erlebnis, forma substantivada do verbo leben, viver, seria a matéria bruta, a coleção de fatos vividos. Uma outra palavra, Erfahrung, tem uma relação etimológica com Gefahr, perigo, e é o termo reservado por Benjamin para designar a experiência no sentido forte. Transformar Erlebnis em Erfahrung é tomar o vivido, a coleção bruta de banalidades da vida cotidiana, e convertê-la em uma narrativa que lhes dê ordem e coerência . Para Benjamin, é exatamente essa conversão que está atrofiada no mundo moderno. Vivemos experiências automatizadas, num mundo onde já não se contam estórias ao pé da lareira. O declínio da arte de narrar seria a principal razão dessa crise na transmissibilidade da experiência. Já não se transmitem experiências como antigamente. Ao primado da informação no mundo moderno corresponderia uma atrofia na nossa capacidade de narrar. Ao contrário da narrativa, a informação é por definição perecível, segmentada, irrelevante no dia seguinte. Na era da informação, acentua-se o divórcio entre narração e experiência.

Nós, blogueiros, nos indignamos quando alguém confunde blog com diário adolescente – que é apenas um tipo de blog, e nem de longe o mais importante ou mais representativo. Mas é fato que o blog mantém uma relação essencial com a forma diário; a superposição de entradas datadas, o vínculo direto com o tempo, a escrita do eu. Pois mesmo nos blogs mais impessoais – científicos ou jornalísticos – aflora ali sempre uma marca do nome próprio, do sujeito que assina, marcas em geral reprimidas na grande imprensa ou mesmo na literatura de ficção das grandes casas editoriais. Essas marcas aparecem com mais força especialmente nos blogs de mulheres, onde em geral a escrita do nome próprio tende a aflorar sem medo. Nós, blogueiros, temos tido que inventar essa língua, porque os modelos existentes por aí não nos satisfaziam. Daí o fato de que nos blogs você frequentemente encontra uma prosódia, uma retórica, uma sintaxe, que não se encontra em nenhum outro lugar. Nossa aposta é que estaríamos assim reconstruindo um lugar de onde narrar a experiência, renovando a linguagem ali onde as palavras já andavam meio sujas e automatizadas.

O público participou, infelizmente sem falar, mas recorrendo a umas fichinhas para enviar perguntas à mesa. O papo foi bom e fiquei conhecendo pessoalmente gente que eu leio há tempos. Aí vai o registro dos blogueiros que prestigiaram a mesa:
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(em pé, da esquerda para a direita, na fila de trás: Viva, Cynthia, Fefê, Fal, Inagaki, Bruno, Biajoni e Mônica; em pé na frente desses, a leitora Carolina e a Laura das Mothern; agachados, Leandro Oliveira, eu e a Juliana das Mothern.

Acho que quem foi se divertiu. A festa continuou com toda a blogueirada na lendária Cantina do Lucas, no edifício Maleta. No detalhe, eu e as poderosíssimas Mothern:

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Uma trupe de blogueiros sobreviventes armou a terceira parte da festa, no meu AP, da meia-noite às 9 da manhã, incluindo os visitantes Biajoni, Inagaki, Bruno e Viva (valeu a visita, pessoal), os belo-horizontinos Guto e Mônica, além dela, claro, que continuava iluminando tudo, até mesmo as discussões mais bizantinas entre Biajoni e eu sobre quais eram os discos decentes do meu iPod (êta cabra musicalmente intolerante, esse).

Às 9 da manhã, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

O relato da Fal está imperdível, tirando a parte em que ela conta a lorota de que "balbuciou palavras sem sentido". Foi ela quem mais encantou.

O que continua me assombrando nesses encontros blogueiros é a sensação insólita e prazerosa de ser um velho amigo de pessoas que acabo de ver pela primeira vez. É bem melhor do que a sensação - mais comum nas nossas vidas, acho - de que figuras que vemos regularmente há anos são, na verdade, completos estranhos e desconhecidos.



  Escrito por Idelber às 00:54 | link para este post | Comentários (45)



sexta-feira, 12 de agosto 2005

Ascensão e Morte do PT de c.d.

(este post foi originalmente publicado em 30 de novembro de 2004. Pouca gente o conhece, porque naquela época o Biscoito tinha meia dúzia de leitores. Republico-o sem mudar uma palavra, porque resultou profético. Foi o primeiro post meu linkado por alguém. Obrigado, Pedro Dória)

POST ORIGINAL
(digamos que c.d. é um personagem fictício que hoje tem 36 anos)

1981: aos 13, c.d. junta-se à formação do PT na sua BH natal, durante potente greve dos professores; 1982: c.d. faz campanha de Sandra Starling e combate o voto útil tancredista; época do lema terra trabalho liberdade; 1983: intensa mobilização do movimento secundarista de BH: petistas punks pacifistas anarquistas contra o PC do B; fim do ano traz os primeiros comícios do PT pelas diretas; 1984: gigantesca campanha das diretas; c.d. se aproxima da DS, trotskista mas fortemente comprometida com a construção do PT; 1985, terminando o 2o grau, c.d. se filia ao PT e se converte em militante da DS; Virgílio Guimarães, então da DS, tem grande votação para prefeito em BH; vitória em Fortaleza; 1986: c.d. lidera a vitória petista sobre o PC do B no DA da Letras-UFMG; c.d. tem vida leninista, 25 reuniões por semana; cresce o PT; Virgílio eleito à constituinte; 1987: DS consegue passar no congresso do PT a auto-definição como partido socialista; vitória de c.d. no DCE da UFMG; numa das maiores federais do país, caía a hegemonia do PC do B sobre o movimento estudantil; c.d. profissionaliza-se como militante; 1988: enlouquecido de tanta reunião e militância, c.d. continua no PT mas desliga-se formalmente da DS para terminar curso de letras; reunião tensa e difícil na célula; 1989: volta completa à militância durante campanha de Lula; brutal a derrota; 1990: já no exterior, c.d mantém contato com petistas e continua considerando-se parte do partido; pelos próximos 14 anos, passará 4 meses por ano no Brasil; 1991: reuniões na CUT sobre o impeachment de Collor; 1992: c.d. participa de corpo (no Brasil) e pela escrita (nos EUA) da campanha pelo impeachment; vitória contra Collor; 1993-94: c.d. discorda violentamente da punição a Luísa Erundina; participa por umas semanas na campanha fracassada de Lula; 1995-96: c.d. vê com muita preocupação a acumulação de poder de Dirceu no partido; Porto Alegre elege um militante da DS, Raul Pont, como seu prefeito; 1997-98: c.d. participa menos intensamente na campanha de Lula e envia carta protestando o "massacre promovido pela Direção Nacional e sua cavalaria cossaca contra o PT carioca"; quando a burocracia do PT paulista decide enfiar Garotinho goela abaixo do PT carioca, c.d. considera a possibilidade de desfiliar-se mas não o faz; derrota acachapante de Lula para FHC; 1999-2001: Crescente burocratização do partido, mas c.d., morando no exterior, identifica-se com o PT e dá palestras sobre a história singular do partido; 2002: c.d. participa da última semana da campanha no Brasil e celebra o domingo 27/10 numa comuna operária do Chile, em meio a retratos de Salvador Allende; grande emoção; péssimos sinais, no entanto, no que diz respeito à vontade nítida do novo governo de agradar aos banqueiros; consolida-se nacionalmente a sinistra figura de Delúbio; 2003: movido pela esperança em Lula e por uma década de militância, c.d. publica na revista progressista argentina Punto de Vista uma crônica e defesa do PT; quando sai o artigo de c.d. Dirceu já fez sua grosseria mor com Gabeira; c.d. vê com horror a punição aos radicais Babá, Heloísa e Luciana; conversa com ex companheiros, agora co-autores de A Economia Política da Mudança, volume que desmonta as premissas da política econômica paloccista; c.d. decide desfiliar-se, mas mesmo assim não o faz; 2004: revelação cristalina do governo do PT como governo neoliberal, burocratizado, perdido, incompetente e refém do calculismo de sua própria politicagem; c.d. queima filiação, bandeiras e camisas do PT e manda o projeto de um partido de massas, pluralista, democrático e socialista para o raio que o parta.

OS POST SCRIPTA SÃO DE HOJE, 12/08/05
PS: Curiosamente, César Maia publicou em seu blog posts falando de impeachment para Lula e depois de almoçar com Jorge Bornhausen deletou os posts. Alguém avise a ele que isso não se faz?

PS 2: É hoje! Belo Horizonte está recebendo vários blogueiros para o evento desta sexta-feira no Salão do Livro. Biajoni chegou e já fez um estrago no estoque de cerveja da cidade. Falzoca já chegou. Viva e Bruno chegam nesta manhã. Inagaki está a caminho. Dr. Cláudio, Ana Letícia, Mônica, Fefê e Leandro Oliveira já confirmaram presença. Invasão blogueira. Nem só de papel vive o Salão do Livro.



  Escrito por Idelber às 04:51 | link para este post | Comentários (25)



quinta-feira, 11 de agosto 2005

Avulsos

Celular clonado, carro morrendo na marcha lenta, chuveiro pifado e televisão dando piripaco. Tudo num dia só.

Só se eu fosse mágico para fazer um post decente hoje.

Comento a sequência de minitragédias com a progenitora, e ela me sai com essa:

- Pois é, meu filho, lembra que seu pai avisava que esse negócio de ser atleticano não dá certo?

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O interrogatório do sócio de Marcos Valério hoje na CPI foi dos espetáculos mais grotescos que pode produzir a miséria humana. Estou com o brilhante pecus: Três ou quatro culpados aos leões, pizza já, e chega de circo.

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Melhor frase de ontem na CPI: Vossa Excelência, ainda há 30 inscritos e já está quase no horário da novela!

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É amanhã! Reiterando o convite a todos os belo-horizontinos: sexta-feira, às 19:30, na Serraria Souza Pinto, mesa-redonda sobre blogs com Alexandre Inagaki, Fal Azevedo e este escriba. Todos convidados. A serraria fica embaixo do Viaduto de Santa Teresa, imortalizado, como bem lembrou o Leandro Oliveira, no Encontro Marcado de Fernando Sabino. Para os que vêm de fora: caminhem pela Afonso Pena, viu, não caminhem pela Andradas não. O Leandro já deu a dica.

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Trocadilho infame da semana: não confundir militante do PT com mil e tanto pro PT.

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Preparando o ensaio sobre blogs que vou apresentar no Salão do Livro, revisitei esta maravilha de post de Alê Felix: O blog começa a lhe fazer mal quando..... É ou não é um dos melhores posts da história da blogosfera?

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Por falar nisso, leiam os pioneiros, môs fios, leiam os pioneiros: Blowg, Subrosa, Catarro Verde, Por um Punhado de Pixels. Crédito a quem crédito merece.

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Como é que um ser humano pode ser burro o suficiente para seguir conselhos de José Dirceu até hoje, meu Deus?

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Se o Clube Atlético Mineiro me fizer voltar para a América de Bush amargando um rebaixamento para a segunda divisão, eu não terei outra opção senão fechar esta joça. Se você vê algo de interessante neste blog, vire atleticano por quatro meses e nos ajude na matemática do desespero.

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Alex Castro embarcou para New Orleans, onde será, sem dúvida, um dos mais brilhantes doutorandos em literatura de Tulane. Que os orixás o acompanhem.