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1. Em coluna para a Folha de São Paulo em 23/08/2008, Fernando Rodrigues afirma que John McCain é a "síntese de uma ala republicana liberal". Evidentemente, ninguém nos EUA caracteriza McCain como liberal, nem ele mesmo.

2. Na edição 2.020 da Revista IstoÉ, sob o título Símbolo da fundação de Roma, o monumento Lupa Capitolina é mais novo do que se imaginava, a reportagem afirma: ... os historiadores sempre acreditaram que fora erigido por volta de 500 anos antes da era cristã. Como é esse monumento que data o nascimento da capital italiana, fixou-se então, logicamente, o surgimento de Roma nesse mesmo período (...) Na semana passada ocorreu uma reviravolta envolvendo tal marco: arqueólogos revelaram que a estátua é datada do ano 1300 a. C, ou seja, Roma é mais jovem do que se supunha.... A Revista IstoÉ se esqueceu de que 1.300 a.C é mais velho que 500 a.C., ou seja, deu a impressão de não saber que, antes de Cristo, a contagem das datas se faz para trás (obrigado, Serbão).

3. Em coluna publicada na Folha de São Paulo em 06 de agosto, Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo, diz que o voto hispânico "já alcança cerca de 25% dos eleitores" dos EUA. Errou só por 100%. Segundo os últimos números oficiais, o eleitorado hispânico dos EUA é 12,5%.

4. A Folha Online relata que o último spot publicitário da campanha de Obama afirma que McCain é um político submisso às grandes petrolíferas e lembra que o senador conservador recebeu milhões em contribuições eleitorais dessa indústria. O anúncio divulgado hoje por McCain procura desfazer esses mitos. A palavra mitos vem assim, sem aspas. Alguém esqueceu de avisar à Folha que as milionárias contribuições das petrolíferas a McCain não são mitos.

5. Em entrevista a João Pereira Coutinho na Folha Online, Daniel Piza, o homem que enforcou Jesus Cristo e transformou o entrudo em "dança de salão", afirma que muitos na verdade ainda estão em Bakunin, "toda propriedade é um roubo". A frase "a propriedade é um roubo", evidentemente, é de Proudhon (obrigado, Tiago Mesquita).



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terça-feira, 30 de agosto 2005

Katrina

A minha amada New Orleans não sofreu o apocalipse que poderia ter sofrido, mas recebeu uma pancada horrorosa. Numa das paróquias mais baixas da cidade, o St. Bernard Parish, pelo menos 40.000 casas foram totalmente submersas e pelo menos 200 pessoas foram salvas no teto de suas casas. No segundo vídeo listado nesta página assiste-se um desses dramáticos salvamentos.

Ainda não há confirmação de mortes em New Orleans, mas algumas pessoas prevêem números bem pessimistas. As autoridades estão pedindo que as pessoas não voltem, pelo menos pela próxima semana.

No primeiro vídeo listado nessa página da CNN, que mostra imagens da downtown (a área mais próxima ao Rio Mississippi), vê-se como ficou desesperadora a situação nas áreas mais baixas da cidade (70% dela fica, como se sabe, abaixo do nível do mar, razão pela qual os cemitérios em New Orleans sepultam os mortos acima da terra). Em todas as principais paróquias da grande New Orleans (St. Bernard, Orleans, St. Tamanny, St. Charles), a destruição é muito grande.

Só 20% dos habitantes permaneceram na cidade, a grande maioria porque não tinha condições econômicas de sair. É comum que parte da população de New Orleans ignore as sugestões de saída da cidade na época dos furacões (eu sou um dos que o faz), mas desta vez as autoridades ordenaram evacuação.

Parece que os prédios da área de passeio, orgia, música e turismo que os New Orleanianos amamos (o French Quarter) não sofreram grande destruição, mas só o tempo dirá o que o alagamento estragou. Muitos daqueles prédios estão cheios de, por exemplo, instrumentos musicais. A área que bordeia o imenso lago Pontchartrain, ao norte da cidade, foi muito atingida, pelo que parece.

O meu carro, coincidentemente, estava na época de passar dos cuidados de uma amiga para os de outra amiga. Se o furacão pegou-as no intervalo dessa passagem, é possível que meu querido Mazda esteja boiando em algum canto de New Orleans. Minhas coisas mais importantes (os eletrônicos, CDs e metade dos meus livros) estão a salvo, no terceiro andar de um prédio de Tulane. A outra metade dos livros estava guardada num galpão e pode ter sido destruída, junto com uns móveis que não valem nada.

Fico pensando mesmo nos meus bares, nas casas de show, nos inigualáveis restaurantes de New Orleans, e espero que estejam todos lá, intactos, com seus profissionais a salvo em algum canto dos EUA.

Em geral os furacões chegam a New Orleans um pouco depois de iniciadas as aulas. Katrina chegou bem na semana em que os alunos e professores retornavam, o que deve ter tornado o caos em Tulane ainda pior.

Dos amigos ainda não tive notícias, mas confio que todos conseguiram sair da cidade e estão bem. Obviamente é impossível comunicar-se com qualquer pessoa de Tulane por email (até o site está fora do ar) e boa parte dos telefones que tenho dos amigos são fixos, não celulares, então não adianta. Se alguém atender o telefone, é mau sinal. Os poucos celulares que tentei não atenderam. Continuo a torcida para que o Alex Castro supere o susto, se restabeleça bem em New Orleans, e que o Oliver sobreviva.



  Escrito por Idelber às 02:33 | link para este post | Comentários (19)


Comentários

#1

Voce tem uma casa ou apartamento lá também? A tua preocupação é legítima, já que o fenomeno é mesmo destruidor. Estamos na torcida pra que nada de mais grave aconteça.

Flavio Prada em agosto 30, 2005 4:04 AM


#2

susto sai com agua, thanks. :) eh incrivel o quao rapido this city grows on you. esse furacao em NO foi quase tao ruim quanto se tivesse sido no rio...

eu queria voltar no fim de semana, mas nao sei se serah possivel...

e queria muito, muito, mandar alguem check on my dog, ou pelo pra ver se a casa estah de peh. eu moro em uptown, na spruce com carrolton, nao consegui saber muito sobre a regiao, mas nao parece ter sido especialmente atingida. vc viu alguma coisa?

abracoes and good luck to us all,

(presente de grego, esse seu, hein? ;) mas se meu cachorro nao se machucar, vai ser uma grande historia pra contar pros netos...)

alex castro em NY em agosto 30, 2005 4:29 AM


#3

susto sai com agua, thanks. :) eh incrivel o quao rapido this city grows on you. esse furacao em NO foi quase tao ruim quanto se tivesse sido no rio...

eu queria voltar no fim de semana, mas nao sei se serah possivel...

e queria muito, muito, mandar alguem check on my dog, ou pelo pra ver se a casa estah de peh. eu moro em uptown, na spruce com carrolton, nao consegui saber muito sobre a regiao, mas nao parece ter sido especialmente atingida. vc viu alguma coisa?

abracoes and good luck to us all,

(presente de grego, esse seu, hein? ;) mas se meu cachorro nao se machucar, vai ser uma grande historia pra contar pros netos...)

alex castro em NY em agosto 30, 2005 4:31 AM


#4

E o seguro paga? Não é "act of God"?

pecus em agosto 30, 2005 11:30 AM


#5

Que susto! Eu nunca fui à NO, mas tenho loucura para conhecer por causa da influência francesa. Espero que tudo dê certo para você. Beijocas

Yvonne em agosto 30, 2005 11:35 AM


#6

Idelber, vuelvo después de unos días en los que estuve reinstalándome acá en el norte. Yo también cruzo los dedos por tus amigos, tus libros y pelo cachorro do alex. Espero que todo salga "lo menos peor" posible. Un abrazo,
Julieta

Julieta em agosto 30, 2005 11:40 AM


#7

Acho que o seguro paga, sim, pecus. Vamos ver...

Não, Flávio, por sorte não tenho casa armada lá; minhas coisas estão estocadas...

Obrigado, Yvonne. Gracias, Julieta :)

Alex, mande mais notícias quando tiver. Abraços,

Idelber em agosto 30, 2005 11:54 AM


#8

Estamos torcendo por tudo e todos, your things and books, as pessoas, the city e o Oliver.

Edk em agosto 30, 2005 1:05 PM


#9

Sinceramente, não consigo imaginar a cumplicidade de quem mora em lugares atacados periodicamente por desastres naturais com os mesmos. Acho incrível as pessoas e vc mesmo falando sobre os furacões, os moradores de Los Angeles e do Japão sobre os terremotos e os Oceânicos com os vulcões, terremotos e outras coisas.

A naturalidade destes relatos é algo incompreensível para mim. Vejo com terror estes desastres e realmente me preocupo quando eles ocorrem. Não conseguiria me imaginar agindo com tanta naturalidade. Até acho que é uma questão de: "ou se acostuma, ou se acostuma", mas me parece estranho.

Minha pacata Rio Branco há alguns anos sofreu um pequeno abalo sísmico. Eu morava em uma apartamento e fiquei simplesmente horrorizado ao ver tudo tremendo. Desnecessário dizer que troquei o prédio por uma casa em pouco tempo. Estamos sendo castigados aqui no meio da Amazônia por uma seca sem precedentes este ano. O rio tá quase seco e a fumaça nos encobre. O calor é infernal e não chove há mais de dois meses. Estou desde já abalado.

Mas é isso Idelba. Não sei se é naturalidade, não sei. Mas me é inteiramente incompreensível.

No mais estou torcendo bastante pela sua charmosíssima cidade esperando que ela não sofra muito para que ela fique linda quando eu (um dia) for visitá-la. Abraços.

Edk em agosto 30, 2005 1:15 PM


#10

Oi, Idelber! lhe enviei um e-mail logo que comecei a acompanhar as notícias do Katrina, mas ele retornou. O afeto que desenvolvi por essa cidade que (por enquanto) só conheço pela imaginação, pelos seus comentários e pelos passeios no 'Google Earth' me deixaram com o coração partido. Espero que a sua (ou a nossa) amada New Orleans se recupere rapidamente.
Um grande Abraço!
Iris.

Iris Hoisel em agosto 30, 2005 2:57 PM


#11

Poxa, espero então que a casa do Alex não tenha sido pega na enchente, e que o Oliver esteja apenas sofrendo de saudade. Vi uma foto hoje no site do New York Times de New Orleans, a inundação é monstruosa. Vi também na CNN o resgate de um cara de helicóptero, pelo telhado de sua casa.

Leila em agosto 30, 2005 3:03 PM


#12


Noticias de Nova Orleans em tempo real sobre os efeitos de Katrina sobre a cidade.


http://www.wwltv.com/perl/common/video/wmPlayer.pl?title=beloint_wwltv&props=livenoad

Alexandre em agosto 30, 2005 6:36 PM


#13

Caro Idelber

Aproveite a Argentina.
Enchentes são as catátrofes mais comuns em todo o mundo! E não há o que impeça de que ocorram.

Acabei de ver imagens de N.Orleans e os saques rolam. Como se pode ver, somos todos humanos.

Aproveite a Argentina.
Paulo Zobaran

Paulo Zobaran em agosto 30, 2005 7:34 PM


#14

Tenho acompanhado as notícias...que horror, espero que fique tudo bem! As imagens são desanimadoras...80% da cidade está embaixo d'água...Ainda bem que vc não estava lá e que o Alex conseguiu sair. Não consigo parar de pensar no Oliver, espero que ele esteja bem!!
Pelo que tenho visto, há muita gente preocupada com ele!! Todos estão sensibilizados com a história...agora é esperar a água baixar e reconstruir a cidade...
Beijos

Luninha em agosto 30, 2005 10:45 PM


#15

Antes de conhecer você (virtual e pessoalmente) e o Alex Castro (virtualmente) N.Orleans era, para mim, um mito: jazz, blues, cultura negra, etc... agora, acompanho os noticiários como se tivesse um parente lá. Fico feliz em saber que você (aqui na Latinoamérica) e o Alex (já refugee em NY) estejam bem. Abraços.

Cláudio Costa em agosto 30, 2005 11:12 PM


#16

Este link é melhor do que o anterior para noticias sobre Nova Orleans. Impresionante.

http://www.wwltv.com/

Alexandre em agosto 30, 2005 11:50 PM


#17

Axompanhando e torcendo pelos seus livros, Alex e Oliver.

Viva em agosto 31, 2005 1:14 AM


#18

Idelber, passei os ultimos dias acompanhado com muita curiosidade o que aconteceria em NO, e uma vez que vi o que estava acontecendo, a curiosidade se transformou em tristeza. Esta' feia a coisa la', pelo visto. Espero que as suas coisas estejam seguras, e que seus amigos, mais ainda. Abraços de Kansas City.

Bruno em agosto 31, 2005 1:34 AM


#19

Toda vez que leio algo ou vejo o noticiário sobre a encnente só consigo lamentar: oh, Oliver!
Mas é uma decisão difícil. N'O Globo de hoje uma mulher conta que seu filho não quis sair da cidade e deixar seus gatos e cachorro para trás. Agora ela não sabe se eles estão vivos.

Te em agosto 31, 2005 4:54 PM