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segunda-feira, 29 de agosto 2005
No Museu da Bombonera
No fundo pelas mesmas razões pelas quais eu acabo nunca indo ao Preservation Hall em New Orleans, nenhum dos meus amigos e conhecidos argentinos havia visitado uma super (e recente) atração turística da cidade: o museu do Boca Juniors, que fica no mesmo prédio da Bombonera. Eles têm lá suas razões extra, também: o presidente do Boca é o ultra conservador político da direita argentina, Mauricio Macri (obrigado pela correção, Santiago), que obviamente tenta usar o sucesso do time como alavanca eleitoral.
Mas abstraindo isso, o museu do Boca Juniors é passeio obrigatório para o amante do futebol em Bs. As. É superior aos museus que já vi na Europa, como o do Real Madrid. Mesmo numa manhã de sexta gelada, há uma muvuca de turistas do lado de fora. Há bares, churrasqueiras na rua, bailarinos de tango e até um pintor que faz um poster com craques e dois lugares para alguém pagar mico na foto:


Lá dentro começa um passeio vertiginoso. Três andares de troféus, cinema em 360 graus, televisões, computadores, fotos e camisas. Primeiro, uns 10 metros por 3 altura com fotos pequenas de centenas de jogadores do time em todos os tempos, com suas respectivas datas de estréia. Do outro lado da parede, estrelas amarelas com nomes de sócios. Subindo a rampa que sai desse corredor, emoldurações de camisas que o Boca usou ao longo da história:


Ao final da primeira volta do caracol, um dos dois pontos mais impressionantes do museu. Para cada ano em que o Boca foi campeão, há três televisores sobrepostos a um painel com a campanha completa do time. O televisor do meio mostra os gols e momentos especiais do campeonato, o da esquerda mostra eventos daquele ano na Argentina e o da direita os acontecimentos mundiais. É televisão para encher horas e horas de visita. Coloque aí uns 30 anos que o Boca foi campeão, vezes 3 TVs, são umas 90 TVs com imagens rolando sem parar. No caminho para o segundo andar, uma sala com fotos gigantes de vários ídolos do Boca. No detalhe o maior goleiro da história do time, Gatti:


A galeria de troféus é vasta e inclui Campeonatos argentinos, Libertadores e um caneco mundial inter-clubes, mas eu preferi fotografar o troféu de um torneio desimportante, que o Boca conquistou em 1951 surrando a mulambada. O futebol brasileiro não deixa de estar presente dignamente no museu, no entanto. A única camisa não boquense exposta é a 10 do Rei, usada por Ele na final da Libertadores de 1963, quando o Santos derrotou o Boca:


A parte mais impressionante do museu elude qualquer foto: uma sala escura, com um cinema em 360 graus simulando que você é um atleta do Boca, subindo o túnel, entrando em campo (o surround sound do lugar é incrível e altíssimo) até o momento de êxtase em que através de uma câmera situada atrás da bola o filme sugere que você, espectador, está fazendo um gol por cobertura na Bombonera lotada. Experiência poderosa, a do cinema 360. O passeio inclui também uma visita às instalações e ao gramado da Bombonera,


onde o que mais me impressionou foi quão íngremes e altas são as arquibancadas, e quão perto o torcedor fica do gramado (o torcedor sentado na primeira fila lá embaixo fica a um máximo de quatro metros da linha lateral).
A visitinha é barata, 9 pesos, o que dá uns 7 reais e 50 :)
Não dá para concluir esse post sem dizer o óbvio: seria legal se o futebol brasileiro cuidasse mais da sua memória. O único museu digno do nome que eu conheço é o do São Paulo F.C., que está a anos-luz de ser comparável ao do Boca.
PS 1: As provocações estimulam os grandes. Parabéns ao Paraíba por um dos melhores posts da história de seu blog, quase tão bom como aquele.
PS 2, sobre o furacão Katrina: eu já encarei vários furacões em New Orleans, mas nenhum com essa gravidade, com essa força e com essa certeza de que vem de frente. O servidor de Tulane já está fora do ar, portanto meu email de lá está inacessível. O do blog funciona firme e forte. Quem for de reza, que reze pela cidade, pelos meus amigos, pelo cachorro do Alex e se sobrar um tempinho pelos meus livros e CDs, estocados num galpãozinho que eu espero que sobreviva. Amigos de New Orleans, fiquem à vontade para, quando puderem e tiverem acesso à internet, usar o blog para dar notícias trocar recados e tranquilizar a gente.
Escrito por Idelber às 03:30 | link para este post
| Comentários (18)
#1
O Museu de la Passión Boquense é realmente fantástico, vale a visita com certeza, assim como o bairro da Boca.
Lendo os posts sobre sua viagem, dá saudades de Buenos Aires, uma cidade espetacular. Tenho que ir lá mais uma vez, afinal estou devendo uma garrafa de cachaça, das boas, para o The Temple. Bêbado promete cada coisa, he he he.
Ricardo Antunes da Costa em agosto 29, 2005 10:23 AM
#2
Conheço este museu. É impressionante. Dizem que o Inter inaugura o maior do país em 2006. Estão preparando algo em 360º para o gol de Falcão no Atl-MG em 1976.
A Playboy deste mês elege os 30 maiores jogadores de todos os tempos. Figueroa em 13º e Falcão em 15º.
Olha o Atrétis, Idelber! Terceira vitória consecutiva e possibilidades matemáticas de sair do grupo dos 4 rebaixados na próxima rodada! O Inter pega o Flamengo fora e adoraria ajudar. Seria bom se vocês ao menos empatassem com o Brasiliense fora. Sonho com o Vasco na segundona. Acho que tu sonhas com o Flamengo lá, não?
Abraço.
Milton Ribeiro em agosto 29, 2005 10:29 AM
#3
Boca Juniors sucks.
Eu sou é Vélez...;-)
MarcosVP em agosto 29, 2005 1:24 PM
#4
E você fica interferindo nos meus roteiros de viagem, Idelber! Maldade!
Vai escrever bem assim pra lá!
*****
Estamos numa corrente de apoio ao Oliver.
Menina-Prodígio em agosto 29, 2005 3:10 PM
#5
Hola Idelber, qué tal la vuelta? Aclaro que Francisco Macri es el padre, uno de los superempresarios de la Argentina, lo cual convierte a su hijo Mauricio, presidente de Boca y hoy lanzado a la política, en nuestro pequeño Berlusconi.
SL em agosto 29, 2005 3:26 PM
#6
Llegué bien, Santiago, gracias por la corrección, ya la incorporé al post. Abrazos :)
Idelber em agosto 29, 2005 3:41 PM
#7
Deve ser de arrepiar o cinema 360 graus! Quem não queria fazer um gol na Bombonera e sair pro abraço? Não precisava nem ser golaço.
Boa notícia, segundo o PVC, times que viram o turno na zona não são rebaixados. Esperemos. O São Paulo já saiu...e ainda colocou o flamengo.
Gabriel em agosto 29, 2005 3:52 PM
#8
Bacana o museu! Não sabia da existência.
Já foi falado que os Macri são donos de muita grana (talvez até já tenham sido mais poderosos, quando montavam veículos). Me lembro que durante as privatizações no nosso país eles andaram arriscando (não sei se levaram) e tem alguma empresa por aqui também.
Como cartola, o Macri no Brasil não faria feio não. Se sentiria em casa!!!!
Boa viagem. Com mais histórias!!!!!!!!!
Paulo Zobaran em agosto 29, 2005 3:55 PM
#9
Milton, acho que o Flamengo na terceira divisão seria um grande acontecimento, e poderia ser a salvação econômica do futebol brasileiro :)
Parabéns pela tamancada no ex-Ipiranga. Contra o Galo em casa, lembremos, o Colorado suou para arrancar um 1 x 1 :)
Idelber em agosto 29, 2005 4:16 PM
#10
Esse é o ano do Fortaleza. Por mim, o resto pode se lascar tudo...;-)
MarcosVP em agosto 29, 2005 6:30 PM
#11
Q museu, hein? Maravilha!!!
Viu no q deu cutucar o baiano (baiano sim, paraíba, não ... rsrsrsr)?
Tô na torcida aqui pra q n aconteça nada de grave em New Orleans.
Beijos,
Cipy em agosto 29, 2005 6:36 PM
#12
CREDINCRUIZ esse MUSEU!
:>)
Biajoni em agosto 29, 2005 7:02 PM
#13
Se o Flamengo cair ele não volta mais véi. Este é meu medo e desespero. O despreparo administrativo que impera na Gáve é algo absurdamente gritante. Não existirá meios-termos. Se cair, ba-bau, não volta mais. Pois não existe planejamento ou qualquer coisa parecida com isso na gávea.
Realmente seria muito bom se no Brasil existisse algo parecido com o museu do Boca. Mas, infelizmente, bem, .... infelizmente, ....
E o Katrina, bem,... , só podemos torcer.
Edk em agosto 29, 2005 9:42 PM
#14
I- You better hope that galpãozinho is an attic as opposed to a ground level room (basement não ha' com certeza em NOLA). Or that your books and cds are in your office on the third floor of Newcomb, sanos y salvos. Por lo menos no están en Gulfport donde el agua está en los pechos. Suerte. C-
Todos diziam "pray/prayers" na TV, menos uma que falou em "keep fingers crossed." Acho que fazer despaxo. XXOOO
perrone@ufl.edu em agosto 29, 2005 11:40 PM
#15
Anjo: all my electronics are safe and sound in the office. CDs and half my library as well. The other half of the library plus my furniture are on storage, and to tell you the truth I have no idea how high the thing is, I never did go see it. I'm kinda worried about the car, though, which was in the hands of a friend. We'll see ;)
Idelber em agosto 29, 2005 11:54 PM
#16
Mulambada?!? Tudo bem, a ironia é que o Boca não deixa de ser uma versão portenha do Flamengo. Como tão eloquentemente dizem aqueles adesivos de traseira de caminhão: "A inveja é uma merda". :)
[]s
PS = Boa sorte com a Katrina.
Fernando em agosto 30, 2005 12:26 AM
#17
Grande Fernando, welcome back :) Brincadeirinha o "mulambada", mas o Flamengo não anda inspirando inveja em ninguém né ?
abs,
Idelber em agosto 30, 2005 12:45 AM
#18
E' verdade, periodo nada honroso para o Mengao. Estamos jogando quase tao ruim quanto outros timecos que estao abaixo de nos na tabela.
[]s
Fernando em agosto 30, 2005 7:17 PM