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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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sexta-feira, 30 de setembro 2005

Aniversário do blog

Bem, meu aniversário está prestes a tornar-se o Dia Nacional do Saci Pererê.

Em compensação, o blog hoje completa hoje seis meses de casa nova. Nosso primeiro post aqui foi no dia 30 de março. Aí vão alguns números:

Foram 272.808 pageviews.

Curiosamente, eu tenho mais leitores nos Estados Unidos que no Brasil. Foram 153.019 visitas dos EUA e 102.682 do Brasil. Muito curiosamente, o terceiro país que mais nos manda leitores é a Austrália (thanks folks, I love your Fosters!). Leitores de 107 países diferentes estiveram por aqui nestes seis meses, incluindo o Kirguistão, Kazaquistão, Omã e até o Vaticano.

Somente 20,1% dos meus leitores usam Firefox. 70,4% ainda usam a barca furada do Internet Explorer (o que estão esperando, cambada? Baixem o Firefox!). 1,6% usam o Opera e 1,4% usam o Safari.

Somente 4,9% das visitas do Biscoito vêm do Google ou de outros motores de busca, o que é uma indicação de que quase a totalidade dos acessos do blog são de leitores de verdade. 67,3% vêm de bookmarks ou de "direct address" (quando o leitor escreve a URL do site no browser). 27,6% vêm de links de outros sites, quase a totalidade deles outros blogs.

2980 URLs diferentes nos enviaram leitores nesses seis meses (este número é menor do que parece: eliminem aí uns 100 ou 150 sites de spam e considerem que dentro de um mesmo blog pode haver mais de uma URL enviando leitores: por exemplo, a URL do índice e a de um post específico).

Os blogs que mais nos mandaram leitores foram:

Pensar Enlouquece: 1909
Liberal Libertário Libertino: 1396
Rafael Galvão: 1147
Smart Shade of Blue: 973
Stuck in Sac: 757
Pedro Dória: 733
Drops da Fal: 699
Milton Ribeiro: 535
Biajoni: 524
NCC: 517
Prás Cabeças: 430
Nós por Nós: 413
Lixo Tipo Especial: 355
Gravatá: 340
Cora Rónai: 285
Síndrome de Estocolmo: 266
Megeras Magérimas: 219

E umas duas centenas de outros blogs que nos mandaram entre 1 e 200 visitas. Thanks much, indeed.

Neste aniversário eu não poderia deixar de agradecer: Fábio Sampaio, pelo maravilhoso trabalho de instalação e manutenção do blog. Quem tem uma fera como ele ao lado não precisa temer nada. Nemo Nox, pelo layout do blog. Rafael Galvão, pela ajuda com numerosos pepinos.

Love you all, folks
(como sabem, eu não costumo misturar inglês aqui, mas com a eleição do Aldo eu não resisto).

Além das buscas com o meu nome e sobrenome, a frase que mais trouxe leitores ao Biscoito através do Google foi: O que é mensalão? Espero que tenham encontrado a resposta.

Nesta segunda-feira eu pego um avião com ela para Santiago, onde estarei dando um curso na Universidade do Chile durante o mês de outubro. Mas antes disso ainda rolam um ou dois posts. Espero poder blogar normalmente por lá, apesar da voltagem em 220.

Obrigado pelas visitas. Tim-tim.



  Escrito por Idelber às 02:08 | link para este post | Comentários (44)



quinta-feira, 29 de setembro 2005

Alguns projetos de lei apresentados pelo novo presidente da Câmara

Graças ao trabalho intenso do governo na liberação de verbas para emendas parlamentares e ao lobby do Planalto e de alguns ministros, Aldo Rebelo (PC do B-SP) foi eleito ontem presidente da Câmara dos Deputados no segundo turno, por uma diferença de quinze votos.

Aí pensei que seria interessante listar os projetos de lei apresentados à Câmara pelo novo presidente Aldo Rebelo. Deliciem-se:

PL-4681/2001: Estabelece a obrigatoriedade da dublagem em português, feita em território nacional, para filmes estrangeiros a serem exibidos na televisão.

PL-4679/2001: Dispõe sobre a obrigatoriedade de adição de farinha de mandioca refinada, de farinha de raspa de mandioca ou de fécula de mandioca à farinha de trigo.

PL-2867/2000: Proíbe a utilização de sistema de catraca eletrônica nos veículos de transporte coletivo de passageiros.

PL-2217/1999: Altera o art. 4º da Lei nº 6.766, visando construir um campo de futebol a cada 1000 lotes e a cada 1000 unidades habitacionais.

PL-859/1999: Torna obrigatório o exame prévio de DNA para a cremação de cadáveres.

PL-4224/1999
: Proíbe a instalação de bombas de auto-serviço nos postos de abastecimento de combustíveis.

PL-2861/1998: Proíbe a exigência de declaração de idade em currículo profissional.

PL-4502/1994: Proíbe a adoção, pelos órgãos públicos, de inovação tecnológica poupadora de mão-de-obra.

PL-1676/1999: Dispõe sobre a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa, proibindo o uso de estrangeirismos na língua pátria (sobre essa palhaçada eu já escrevi, ainda na casa velha do Biscoito: aqui, ali e acolá).

E para terminar, a pérola das pérolas:

PL-2762/2003: Institui o dia 31 de outubro (por coincidência o aniversário deste blogueiro) como o Dia Nacional do Saci Pererê.

Este é o novo presidente da Câmara. Vocês com a palavra.



  Escrito por Idelber às 04:39 | link para este post | Comentários (60)



quarta-feira, 28 de setembro 2005

Todo apoio ao projeto de descriminalização do aborto

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Hoje é o dia latino-americano pela descriminalização do aborto, e este blog participa da iniciativa do Nós na Rede de fomentar a discussão sobre o tema.

Foi entregue ontem à Câmara dos Deputados o projeto de lei que descriminaliza o aborto nas 12 primeiras semanas e em qualquer idade gestacional quando a gravidez implicar risco de vida à mulher ou em caso de má formação fetal incompatível com a vida. Ele será incorporado ao projeto de lei 1.135, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Neste momento, é muito importante que a sociedade brasileira, e especialmente as pessoas de formação religiosa, entendam: realizam-se no Brasil aproximadamente 1 milhão de abortos clandestinos por ano. A maioria deles ocorrem em condições precárias e perigosas. A existência dessa indústria clandestina do aborto só favorece ainda mais o apartheid social brasileiro: quem tem dinheiro, paga por um aborto seguro que, como bem diz o advogado Túlio Viana, é um crime pelo qual ninguém vai preso. Quem não pode pagar, a vasta maioria, arrisca a vida em clínicas de fundo de quintal com agulhas de crochê.

Se você é católico e é a favor de que se mantenha essa vergonhosa criminalização de uma cirurgia porque "a Bíblia manda", releia a Bíblia: como sabem os que conhecem a história da Igreja, e como já demonstraram as Católicas pelo Direito de Decidir, só na segunda metade do século XIX a Igreja começa estabelecer essa absurda identificação entre feto e ser humano. Se um feto fosse uma vida, obviamente ele não precisaria de um outro corpo durante nove meses. O corpo da mulher deve ser de única responsabilidade da mulher, o papel do estado sendo unicamente o de dar condições dignas e adequadas para que cada mulher cuide dele.

O aborto é uma questão de saúde pública, não uma questão moral. Ser contra o direito ao aborto com julgamentos morais sobre a mulher que engravidou é de uma hipocrisia e/ou ignorância sem tamanho: engravida-se por mil motivos, e se a ciência já nos forneceu condições de interromper a gravidez indesejada de forma higiênica e segura, por que trazer ao mundo mais seres humanos que não terão como serem cuidados?

Defender o direito à vida é defender que todo ser humano que venha ao mundo tenha condições dignas de sobreviver. Pró-vida somos nós, que defendemos o direito de que as mulheres tenham acesso aos meios necessários para que seus filhos usufruam da vida em toda sua beleza.

Por isso, há que se entender: ninguém, nem a feminista mais radical, é "a favor do aborto". Não existe isso, ser a "favor do aborto". Quem já conversou e conviveu com uma mulher que abortou sabe: trata-se sempre de uma decisão dura e difícil para a mulher. Insistimos no direito ao aborto que - combinado com mais educação sexual e mais acesso a métodos contraceptivos e planejamento familiar - produziria, inclusive, uma redução no número de abortos efetivamente realizados.

O que não podemos aceitar é que a criminalização, por motivos religiosos, de um procedimento cirúrgico continue colocando em risco a vida de tantas mulheres ou, por outro lado, continue forçando-as a trazer ao mundo crianças que engrossarão as fileiras da marginalidade.

Por isso, neste 28 de setembro, o Biscoito convida seus leitores a que se informem: visitemos o Dossiê Aborto Inseguro, não imaginemos que podemos fazer juízos morais sobre a mulher que aborta e sobre as razões que a levam a abortar e, acima de tudo, entendamos que é hipocrisia ignorar que os abortos clandestinos continuarão ocorrendo caso essa estúpida criminalização se perpetue. Mais mulheres morrerão ou se mutilarão com agulhas de crochê.

Feto é feto, ser humano é ser humano. E temos milhões de seres humanos aqui no Brasil, vivendo em condições precárias. É importante cuidar deles. Inclusive para que esses seres humanos não sejam, depois, vítimas fáceis da criminalidade, da marginalidade ou da pedofilia.

Neste 28 de setembro, pense nisso. Converse com um profissional da saúde. Converse com uma mulher que já passou pela cirurgia. Não se lance a julgar moralmente a mulher que engravidou. Pense nas mil e uma circunstâncias que podem produzir uma gravidez indesejada. Pense no custo de se trazer ao mundo uma criança não desejada pelos pais. Visite os blogs que participam da iniciativa do Nós na Rede. E deixe sua opinião aqui no Biscoito.



  Escrito por Idelber às 01:14 | link para este post | Comentários (44)



terça-feira, 27 de setembro 2005

Acadêmicos e blogagem

Nos dias 20 a 23 de outubro eu estarei de volta na terra da "mais perfeita democracia do mundo". Não irei a New Orleans, mas a Pittsburgh, cuja universidade me convidou para um colóquio sobre ética e estudos latino-americanos.

Prometi a eles uma palestra sobre acadêmicos na blogosfera. Tomando o mote da convocatória do colóquio, o resumo que enviei do que eu pretendo apresentar é o seguinte (desculpem, vai em inglês mesmo):

The question of a more “dispersed, fragmented, and (potentially) democratic and liberating practice” in Cultural Studies cannot be properly addressed without reference to the new technologies of online publication that have transformed the internet in recent years. Made possible by user-friendly platforms such as Movable Type, blogs have become an integral part of the internet experience in several countries (US, Brazil, Iran, France).

My paper will be a reflection on my one-year experience as a blogger writing daily on literature, music, and culture for a non-specialized audience much larger than those of academic publications. It will also include an account of the blogger movement amongst literary and art critics, writers, musicians, and filmmakers. Most importantly, the paper will attempt to recast the questions guiding the conference in the light of these new practices: how have academics responded to the challenge of writing to another audience beyond the walls of the university? how has online publication affected the editorial market? How has the internet been used to establish networks and collaborations between academia and its outside? How can we reinterpret the ethical imperatives of intellectual work in the light of these new processes?

Revisando o material que tenho sobre acadêmicos-blogueiros, vi que quase todos eram norte-americanos: para citar somente alguns, Michael Bérubé, PZ Meyers, bitch ph.d. e outros que eu visito com freqüência.

No processo percebi o óbvio: há pouquíssimos acadêmicos blogando no Brasil. Há, é claro, o trabalho pioneiro do André Lemos sobre cibercultura, mas que eu saiba o André não bloga. Conheço as blogueiras-acadêmicas Suzana Gutierrez, que tem um belo trabalho na área, a Elisa Máximo, que acaba de concluir tese de doutorado sobre blogs (obrigado pela correção, Elisa) e a Efêmera, que também está dissertando sobre cibercultura. Tem a Ana Maria Brambilla, que é mestranda na UFRGS e desenvolve um projeto sobre jornalismo open source. Há também o físico Sérgio Lima e o E por falar nisso, da Prof. Iris.

E entre os acadêmicos que trabalham no Brasil, não conheço muito mais.

Alguém aí tem uma observação interessante sobre a relativa ausência dos acadêmicos na blogosfera? Ou outra dica? Ou alguma teoria sobre a ampla maioria feminina entre os acadêmicos-blogueiros? E será que há um montão de gente que eu ainda não achei?

PS: Por falar em ética, o jornalista Juca Kfouri, um dos que mais batalham pela ética no futebol, já tem blog.

PS 2: E por falar em futebol, você se orgulha dos seus conhecimentos futebolísticos? Tente passar pelo teste do Bira. Eu já mandei minhas respostas. Veremos se dei vexame.



  Escrito por Idelber às 02:38 | link para este post | Comentários (19)



domingo, 25 de setembro 2005

O mais novo escândalo do futebol brasileiro

bola.jpg


A bomba do fim de semana foi a reportagem da Revista Veja que relatou investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo) e da Polícia Federal acerca de uma quadrilha que fraudava jogos do Campeonato Brasileiro através de um árbitro, o sr. Edílson Pereira de Carvalho. Há suspeitas de envolvimentos de outros árbitros também.

Por uma propina de 10 a 15 mil reais, o sr. Edílson (o mesmo que xingou os jogadores argentinos Tévez e Sebá, do Corinthians, de "gringos de merda") manipulava o resultado de uma partida, em geral a vitória do time considerado favorito. Ao ser designado para um jogo, ele avisava à quadrilha de apostadores (empresários e donos de bingos) que "garantia" um determinado resultado, fazendo com que a quadrilha ganhasse fortunas em sites de apostas.

A partir de uma denúncia da revista, a Polícia Federal conseguiu autorização judicial para escutas telefônicas, e pescou pérolas como esta conversa entre Edílson e o empresário Nagib Fayad anterior ao jogo entre Vasco e Figueirense:

Edilson: Amanhã eu faço Vasco e Figueirense.

Fayad: Qualquer coisa eu ligo pra ocê. Tô desanimado.

Edilson: O Figueirense joga sem cinco titulares. E o Vasco tem de ganhar de qualquer jeito (...). Vou marcar falta no meio-de-campo. Se o cara reclamar, meto pra fora (...). Não joga Edmundo, Cléber, Bilú e Axel (do Figueirense) (...)

Fayad: É brincadeira. Faz o seguinte: deixa eu ligar pra ocê até meia-noite, deixa que eu vou ver o que fazer.

Edilson: Tá jóia, o que você quiser. Pode jogar até os carros que você tem que amanhã eu saio de escolta (do jogo) do Figueirense.

O Vasco venceu o jogo por 2 x 1, com um gol de pênalti escandaloso. O Figueirense já fala em virada de mesa.

Em compensação, num jogo também apitado por Edílson, o Vasco foi derrotado pelo Botafogo por 1 x 0 no dia 08 de maio, com um pênalti que o próprio árbitro afirmou não haver existido. A lista de partidas apitadas por Edílson é uma sucessão de manipulações vergonhosas.

O safado já está preso, mas tudo indica que ele é só a ponta do iceberg.

Vale lembrar que esta é a última de uma série de escândalos de manipulação de resultados no futebol brasileiro.

Entre 1981 e 1982, a Revista Placar, então dirigida pelo jornalista Juca Kfouri, desmascarou a chamada Máfia da Loteria Esportiva. A Loteca nunca mais foi a mesma, mas o processo se arrastou na justiça com poucos resultados.

Em 1995, o ex-árbitro Wilson Roberto Catani foi flagrado no telefone dizendo ter recebido R$ 18 mil para beneficiar o Botafogo de Ribeirão Preto na Série A-2 do Campeonato Paulista.

Em 1997, Ivens Mendes, que comandava a Conaf (Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol), foi apanhado em gravações pedindo dinheiro ao presidente do Corinthians, Alberto Dualib, e ao homem forte do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia. Os dois cartolas foram suspensos mas já voltaram aos seus cargos.

Em 2002, Armando Marques chegou a ser afastado da Comissão de Arbitragem de CBF após coagir um árbitro a mentir na súmula. Armando Marques, o mesmo que escandalosamente roubou o ex-Ipiranga na final do Brasileirão de 1974 contra o Vasco, também voltou ao cargo (até eu, um atleticano que no Rio tem simpatias pelo Vasco, devo admitir que a final de 1974 foi uma vergonha de roubo).

Vale lembrar que tática descrita pelo sr. Edílson - inventar falta no meio-campo e se alguém reclamar, pôr para fora - foi exatamente a mesma usada pelo sr. José Roberto Wright na partida decisiva da Libertadores de 1981 entre Atlético-MG e Flamengo no Serra Dourada, encerrada antes dos 40 minutos do primeiro tempo, porque 5 jogadores do Galo haviam sido expulsos pelo mesmo sr. que hoje "comenta" e pontifica sobre arbitragens para a Rede Globo. Sobre os interesses econômicos envolvidos naquela disputa pela hegemonia no futebol brasileiro no começo dos anos 1980, muito já se disse, mas nada se provou.

Se há uma instituição que eu admiro neste país, é a Polícia Federal. Mas com esse histórico, fica a pergunta: será este escândalo mais um a terminar em pizza?



  Escrito por Idelber às 04:33 | link para este post | Comentários (21)



sexta-feira, 23 de setembro 2005

Times Inesquecíveis que eu vi, II

gremio83.jpg

A série Times inesquecíveis que eu vi continua com uma provocação aos meus amigos colorados: Milton, Gejfin, Elenara e Marmota.

Em compensação, acho que o Tiagón e o Roman vão gostar.

Inaugurei esta série com uma homenagem ao Colorado de 1975/76, o primeiro time que aprendi a amar.

Mas no dia 10 de dezembro de 1983, aos 3 minutos do primeiro tempo da prorrogação, o relógio do Estádio Nacional de Tóquio marcava Grêmio 1 x 1 Hamburgo da Alemanha. Um certo craque, cuja cara está cortada nessa foto, aplicou três dribles seguidos e fuzilou o goleiro Stein, que está procurando a bola até hoje. Grêmio 2 x 1 Hamburgo.

Grêmio campeão do mundo de 1983
.

O caminho que levou a essa conquista começou no Morumbi, em 1981. Ainda me lembro da decisão daquele campeonato brasileiro.

Entre a Anistia (1979) e as primeiras eleições livres sob ditadura (1982), existiram, no Brasil, três times: Atlético-MG, São Paulo e a mulambada (direitos autorais do termo "mulambada" são do meu amigo Marcos VP).

O resto era resto.

Por isso, quando o Grêmio foi ao Morumbi decidir o título de 1981 com o São Paulo de Oscar, Darío Pereyra e Marinho Chagas, ninguém apostava nos gaúchos.

Menos eu. Lembro bem o que pensei: "A defesa dos caras é muito sólida. Eles vão acabar ganhando esta joça". Com um gol de Baltazar, o primeiro pop star evangélico do futebol brasileiro, o Grêmio levou o caneco de 1981, e abriu o caminho para a conquista da Libertadores e do Mundial de 1983.

Para cada time inesquecível a gente escolhe a característica mais marcante: a desse time do Grêmio era a combinação entre a marcação implacável e a saída para o ataque com toque refinado.

Para cada time homenageado, pedimos aos leitores que escalem a equipe: neste, falta um jogador na foto, mas imagino que os gremistas saberão quem é.

Quem se habilita a escalar a máquina? E quem se habilita a sugerir outros times pós-1975 para esta série?



  Escrito por Idelber às 01:53 | link para este post | Comentários (26)



quarta-feira, 21 de setembro 2005

Links e Dicas

crônicas.jpg

Está em São Paulo? É nesta sexta-feira a festa de despedida do livro Crônicas de Quase Amor, da Fal Azevedo. Detalhes aí no cartaz. Adorei essa idéia de despedir-se de um livro. Desse - morram de inveja - eu tenho um exemplar com dedicatória :)

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Concepção genial: abrir um blog, narrar 73 obsessões e fechá-lo (dica dela).

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Enquanto o PT elege seu novo presidente, as baixas no governo continuam, desta vez na área de sofware livre: o sociólogo Sérgio Amadeu cansou de ser sabotado e abandonou a presidência do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.

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Sobre as denúncias de fraudes perpetradas pelo Campo Majoritário nas eleições do PT do Amapá, ver o blog de Alcinéa Cavalcanti.

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O blog nota 10 da coluna desta semana do homem que mais celebridades possui na sua parede é o Megeras Magérrimas, um dos meus blogs favoritos desde sempre. Congrats.

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Há verdadeiras pérolas no blog de Andrea del Fuego, autora de Minto enquanto posso (de novo, dica dela, que sabe tudo).

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O Faker Fakir fez a crítica mais demolidora do filme Os Dois Filhos de Francisco que se viu por aí até agora.

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O post já é velho mas eu só vi hoje: O Alexandre Matias ouviu o novo disco da Nação Zumbi (que ainda não chegou às lojas) e aposta nele como o melhor da banda até agora e provável disco do ano. Há um vídeo de uma entrevista com a banda, saindo do estúdio, aqui.

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Bem que o Milton Ribeiro falou que ia fazer algo para esquentar as turbinas para o Galo x Colorado deste domingo. Os colorados andam em estado de graça com a liderança do campeonato.

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Durante todo o baixo astral pela tragédia em New Orleans, continuei encontrando alegria e paixão pelo insólito no maravilhoso mundo de Bibi's Box. É um pecado não visitar esse blog diariamente.

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Chegada é o nome do novo disco de Naná Vasconcelos, que promete. Cheguei lá via Brazilian Music Treasure Hunt, que também é parada diária minha, obrigatória - aliás, eu adoraria saber quem mantém aquela maravilha.

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Happy surfing, everyone. Se o Severino renunciar alguém me avise, por favor.



  Escrito por Idelber às 04:04 | link para este post | Comentários (30)



terça-feira, 20 de setembro 2005

A Eleição no PT

Eu não sou daqueles que torcem para que a ex-mulher fique enrugada, gorda, pelancuda e suicida. De jeito nenhum. Tudo o que é parte do meu passado é parte de mim.

Como sabem os que acompanham este diário adolescente, eu me desfiliei do PT em 2004. Ensaiei a desfiliação em 1998, quando a quadrilha de José Dirceu pisoteou o PT fluminense, impondo-lhe Garotinho goela abaixo. Eu havia entrado no partido em 1981.

E apesar de que não há blog "de esquerda" que tenha descido tanto o sarrafo no PT como este, eu acompanho com interesse tudo o que acontece no PT, e torço para o partido consiga limpar a lambança feita pelo grupo dominante. Discordo totalmente - já disse isso várias vezes - de todas as platitudes do tipo "o PT é igualzinho aos outros partidos", "política é tudo igual", "o PT aplicou a única política econômica possível", e outros clichês que deixam a nossa triste realidade social com aquela carinha de coisa inevitável que não pode ser transformada nunca.

Dito isso, vamos aos comentários sobre a eleição direta para presidente do PT:

São uns 820 mil filiados em condições de votar. O medo dos petistas era que, devido à crise, a eleição não atingisse o quorum, 15% (ou seja, uns 120 mil eleitores). A eleição realizada domingo bateu de longe o quorum: escrevo depois do boletim parcial das 20 horas de segunda-feira e as projeções são de que o número de votantes ultrapasse os 270 mil.

Qual foi mesmo a última vez que PSDB ou PFL levaram 270 mil filiados às urnas para escolher Eduardo Azeredo ou Jorge Bornhausen como seus presidentes? Comparando-se o funcionamento interno do PT com o dos outros partidos, e sem esquecer por um momento todas as falcatruas, não há como negar que há uma grande diferença no grau de envolvimento dos filiados com a vida do partido.

Candidatos: São 7 candidatos, 5 com votação expressiva de mais de 10%. No Campo Majoritário - de onde saem todos os petistas acusados de corrupção - o problema passou a se chamar José Dirceu: desmoralizado nacionalmente, ele continua tendo poder suficiente para que um ex-ministro da educação (Tarso Genro), chamado para consertar a barafunda, não consiga retirá-lo da chapa. Como Tarso não se prestou a participar de uma chapa com os criadores do mensalão, Ricardo Berzoini, outro ex-ministro, teve que ser chamado às pressas para ser o candidato do oficialismo. É o único candidato que defende incondicionalmente as políticas do governo Lula.

Na esquerda, 4 posições: Maria do Rosário, crítica do Campo Majoritário, praticamente confunde-se com ele, ao dedicar mais tempo a atacar a esquerda petista que os coronéis que desmoralizaram o partido. De todos os candidatos, pareceu-me a que tem o discurso mais fraco: "resgatar a utopia socialista", "voltar a ser o fermento na massa dos oprimidos" e outros clichês.

Valter Pomar é o candidato da "Articulação de Esquerda" e, neste momento, o que parece ter mais chances de ir ao segundo turno contra Berzoini. Foi muito beneficiado pelo apoio que recebeu, em São Paulo, do grupo de Marta Suplicy. Tem uma boa análise do que aconteceu com o PT, mas durante todo o processo disse muito pouco sobre a política econômica que, afinal de contas, é a principal responsável pelo fato de que o governo Lula é praticamente indistinguível do governo FHC.

Completam o quadro da esquerda os dois candidatos sobre os quais repousam minhas preferências. Eu ficaria feliz se um deles conseguisse chegar ao segundo turno e derrotar o ex-Campo Majoritário:

Plínio de Arruda Sampaio, fundador do PT, faz críticas ferozes ao sufocamento da democracia interna, à política de alianças com partidos de direita, à cantilena do "superávit primário" e à onda marqueteira pós-Duda Mendonça que tomou conta do PT. Na minha opinião, fragilizou sua candidatura ao acenar, várias vezes, que dependendo do resultado da eleição ele poderia abandonar o partido.

Raul Pont, também fundador do PT, autor de um dos melhores livros sobre a história do partido, ex-prefeito de Porto Alegre, é o candidato da Democracia Socialista, a tendência de esquerda mais numerosa e bem estruturada do PT. Compartilha com Plínio as críticas à política econômica e à política de alianças, mas se coloca inequivocamente na posição de quem quer resolvê-las dentro do PT. É o candidato que vem propondo uma "refundação" do PT nos moldes de um novo estatuto para o partido. A candidatura de Pont também não está isenta de contradições: faz duras críticas ao governo, mas é parte dele, já que a DS administra o Ministério do Desenvolvimento Agrário (o Ministro Miguel Rossetto é membro da tendência).

Pois bem, os números do segundo boletim, com 200 mil votos totalizados, mostram Berzoini com 42%, Pomar com 17%, Plínio com 13,4%, Pont com 12,7% e Maria do Rosário com 12%. Ou seja: o Campo Majoritário já não é majoritário e Berzoini enfrentará um segundo turno. Não se sabe se contra Pomar, Plínio, Pont ou Maria do Rosário.

Na DS, há a expectativa de que Pont ainda possa chegar lá: só foram totalizados 56% dos votos gaúchos e 25% dos votos mineiros, dois estados onde o apoio a Pont é forte.

De qualquer forma, já está claro que a composição do novo Diretório Nacional (também eleito proporcionalmente neste processo) impedirá que continue se reproduzindo o que acontecia: que o grupo de Zé Dirceu decidisse a portas fechadas o que fazer e depois homologasse sua decisão no Diretório com a maioria de pau mandado.

Se o PT continuar fazendo lambança, será por outros motivos.

Para terminar, diga-se que achei de infelicidade e covardia supremas a decisão do presidente Lula de não votar nessa eleição. Se ele estivesse em visita oficial aos EUA ou a Burundi, ou resolvendo algo urgente em Brasília, tudo bem. Mas o cabra estava em São Bernardo do Campo, onde tem o seu domicílio eleitoral. Não votou por quê?

PS: Há uma entrevista deliciosa com a Falzoca no Cronópios (link roubado da Cláudia Letti).



  Escrito por Idelber às 01:34 | link para este post | Comentários (18)



segunda-feira, 19 de setembro 2005

O trabalho do luto

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(mulheres em luto na Palestina. Foto: AP).

Parece que entre os aztecas, a morte era vista como um pequeno acidente de percurso numa ordem cósmica e, ao contrário das civilizações ocidentais, a forma da morte, não o feito durante a vida, determinava o rumo do morto.

No politeísmo yoruba, base do nosso candomblé, os rituais fúnebres são festivais: danças onde os egunguns se comunicam com os vivos.

Sobre esses outros modos de lidar com a morte, sei pouco. Mas, preparando-me para escrever um livro sobre o luto, andei durante uns anos lendo bastante sobre a história de como a filosofia ocidental tem entendido a morte.

Ao imaginar sua República ideal, Platão insistentemente pede aos poetas que não retratem Aquiles, o filho de uma deusa, "de costas ou de lado . . . ou agarrando com ambas as mãos a negra areia . . . ou chorando ou lamentando-se" (388b). Ao longo da obra, é nítido o receio de Platão ante uma possível explosão de choro das mulheres, que poderia, segundo o filósofo, minar os fundamentos da estabilidade da pólis.

Ao longo da filosofia helênica, o luto é pensado sobretudo como coisa de mulheres, ao qual se associa um potencial subversivo e perigoso.

Por que Platão exila o poeta da República? Há a resposta consagrada pelos manuais escolares, e que não é incorreta: o poeta é exilado porque é copiador de uma cópia. Tal como o pintor, que copia a cadeira de madeira que já é uma réplica da "cadeira ideal" do mundo das formas, o poeta é uma espécie de opaco carbono, duplamente removido da verdade.

Mas isso acontece no Livro X da República. Já no Livro III o poeta havia sido banido, por outro motivo: a poesia torna os jovens mais "sensíveis e brandos do que os queremos" (387b).

O poeta é expulso da República por ser uma espécie de porta-voz do luto barulhento das mulheres que, teme Platão, um dia acabará derrubando a pólis.

Na "longa noite do cristianismo" Friedrich Nietzsche observa uma degradação da morte: privatizada, empurrada para dentro de cubículos, alcovas e hospitais, a morte já não traz nada de heróico, altivo. Humanos, convertidos em vermes sem nenhum orgulho, arrastam-se, humilhados, pelo direito de vegetar na cama mais umas semanas ou meses. Nada mais longe, segundo Nietzsche, do orgulhoso guerreiro pagão que escolhe a hora da morte e vai à montanha abraçá-la.

O texto sobre o luto mais influente do século XX é, sem dúvida, o "Luto e Melancolia", de Freud, escrito durante a primeira guerra mundial. É lá que Freud arma a teoria: o luto é o processo pelo qual o ego retira seu investimento libidinal do objeto perdido (o morto) e paulatinamente transfere-o a um objeto substituto. A conclusão desse processo seria a "resolução saudável" do trabalho do luto.

Quando essa resolução não acontece, e o enlutado permanece fixado no objeto perdido, incapaz de sublimá-lo num substituto, o luto se arrasta, não-resolvido, e o sujeito desemboca na melancolia: desinteresse pelo mundo externo, auto-centramento, paralisia, repetições compulsivas.

Para Freud, então, o luto seria "normal" e a melancolia seria "patológica" - uma patologia que advém, precisamente, da impossibilidade de fazer o luto.

Acontece que, ao longo do século XX, feministas, psicanalistas, pensadores vários mostraram que talvez a separação entre o normal e o patológico não seja tão firme como queria Freud. Talvez em todo processo de luto haja um momento irredutível de melancolia. Talvez todo processo de luto inclua um momento em que o enlutado nem sequer aceita a possibilidade de que o luto seja realizado, de que o objeto perdido seja "esquecido" ou sublimado. Talvez todo trabalho do luto inclua um momento em que o enlutado percebe a possível resolução do luto como uma traição ao morto.

Depois do Holocausto - a morte transformada em política genocida, estatal de aniquilação - o filósofo Theodor Adorno afirmaria que aquilo jamais poderia ser devidamente processado pelo trabalho do luto. A enormidade daquilo demandaria para sempre um luto suspenso, irrealizado.

Segundo o pensador italiano Giorgio Agamben (que chega este mês ao Brasil, mais detalhes aqui em breve), a forma da morte nas nossas sociedades é marcada pela produção incessante do homo sacer, o homem que vive no limite do vivível, aquele cuja vida é permanentemente dispensável, esteja ele em Bagdá, Guantánamo ou no Ninth Ward de New Orleans.

Com a teocracia fundamentalista bélica que hoje governa o país mais poderoso do mundo, o desprezo pela morte alheia teria chegado ao seu ápice.

PS: Por falar em trabalho do luto, amanhã comento os primeiros números da eleição do PT. Prometo.

PS 2: Muito obrigado aos que passaram e insistiram durante este interregno. Thanks indeed.

PS 3: Em breve, mais uma postagem coletiva do Nós na Rede. Aguardem.

PS 4: Obrigado à Márcia Rodrigues, do Jornal A Notícia, de Boston, pela entrevista comigo.

PS 5: Será que na quarta-feira estaremos comemorando a renúncia de Severino? Noblat garante que sim.



  Escrito por Idelber às 01:32 | link para este post | Comentários (23)



quarta-feira, 14 de setembro 2005

Os posts que eu ia fazer

Bom, para ir vagarosamente voltando à vaca fria, eu pensei em fazer um post sobre o estranho fato de que o PT é hoje o grande aliado de Severino na sua luta contra a cassação.

Aí pensei em fazer um post sobre a curiosa decisão do Campo Majoritário do PT, de apresentar ao Processo de Eleição Direta (PED) do partido, no próximo dia 18, uma chapa em que 5 membros são parlamentares envolvidos com o recebimento de recursos de Marcos Valério.

Aí pensei em tirar um sarro com essa incrível piada, o blog dos amigos do Zé Dirceu.

Aí falei, porque não deixar disso e fazer um post sobre o centenário do grande sambista Ismael Silva, que anda passando em brancas nuvens?

Aí pensei em recomendar dois novos e lindos blogs, o Garatujas e Garapas e o Quase Dois Irmãos (ambos via Falzoca).

Mas aí vi que eu realmente ando sem forças, e que essa tragédia de New Orleans abalou muito minha capacidade de escrever sobre outras coisas.

Então, paciência, môs fios, que com o tempo voltaremos à programação normal de futebol, literatura, política e música.

Por enquanto a coisa ainda anda difícil.



  Escrito por Idelber às 08:28 | link para este post | Comentários (40)



segunda-feira, 12 de setembro 2005

Sobre New Orleans (post do dia 18 de janeiro, republicado)

[Neste domingo o caderno Mais! da Folha de São Paulo publicou texto de Gerald Thomas no qual, entre outras barbaridades, afirma-se que "Nova Orleans fala um inglês que muitos norte-americanos (mesmo os sulistas) têm dificuldade de entender" e, heresia das heresias, que "a cultura 'cajun' (crioula-francesa) é algo obscura para a maioria dos norte-americanos". O fato de que o maior jornal brasileiro publique um texto que comete o erro mais grosseiro que se pode cometer sobre New Orleans, ou seja, confundir cajun com créole, me animou a republicar este post, originalmente publicado no dia 18 de janeiro. Republico-o sem tirar nem pôr]

NetSec-2003-New-Orleans-2.jpg

Rafael Galvão levantou a bola para um primeiro post de volta aqui em New Orleans. Rafael mencionava interesse na questão da religiosidade afro-americana, na qual só vou tocar de raspão. Depois pode se aprofundar mais. New Orleans é completamente incompreensível para o paradigma branco-e-pretista com o qual trabalha o resto dos EUA. Muito multicultural, negra, francesa, caribenha, mulata, hispânica, católica e bruxa para caber dentro dele.

Trata-se de uma cidade negra. Eu diria, a única grande cidade negra dos EUA. Sei que a população de Washington, DC é quase 80% negra, mas lá trata-se de uma cidade dominada pela cultura branca. Aqui não. Os brancos que estamos em New Orleans estamos aqui para seguir a cultura negra e vivê-la. Os que não curtiam já foram embora para os subúrbios nos anos 60, no processo conhecido como white flight. Há dois grupos étnico-raciais que só existem aqui:

1. os cajun, descendentes dos colonos de Acádia, hoje Nova Escócia, Canadá, que chegaram no século XVII. São católicos, brancos e se estabeleceram no interior da Louisiana antes de chegar a New Orleans. Sofreram violenta repressão por serem católicos.

2. os creole, que são os francófonos (brancos e negros) que começaram a chegar no século XVIII. Já no século XIX, a população creole é quase toda de ‘free people of color’, ou seja negros não escravos. Parte dessa população é inclusive dona de escravos durante o XIX.

Estas duas culturas não se confundem: o zydeco, por exemplo, que é primo do forró, é uma dança creole, não cajun (o correspondente cajun é uma música à base de cordas, com rabecas e banjos, e mais parecida ao bluegrass).

A primeira vez que o pau comeu foi franceses e índios Natchez, de 1680 e poucos até 1731. Ali a população era umas sete mil almas mandando açúcar e rum para a França e madeira, tijolos e carne para as Índias. Na cessão de New Orleans para os espanhóis em 1760, pesou na decisão dos franceses o fato de que a cidade parecia destinada a morrer: atacada por índios, três metros abaixo do nível do mar, cercada por um lago imenso e um rio caudaloso, sem saída. Até 1803 New Orleans foi espanhola, pero no mucho. Nos anos 1780 os New Orleanianos (um pouco como uns Tiradentes) botaram o regente espanhol para correr. Para onde? Para Havana, cidade que foi o grande diálogo comercial de New Orleans durante todo o século XIX até os anos 1950. Os gringos adquirem New Orleans à preço de banana, mas em compensação levam um montão de outros territórios que depois ganhariam a eleição para George Bush.

A partir daí começa a história segregacionista.

A história segregacionista começa com dificuldades: New Orleans estava cheia de negros livres e cheia também de negros donos de escravos (parte dos ‘creole’). Por volta de 1880, quando se promulgam as leis de segregação, proíbe-se aos negros viver do lado uptown de Canal Street e acontece algo interessante: os ‘creole’ tornam-se negros. Jamais haviam pensado em si enquanto tais, mas viram-se vitimados e pouco a pouco toda a população negra vai se consolidando como anglófona. Hoje o francês não sobrevive como língua nativa de quase ninguém aqui e poucos são os falantes de ‘cajun’ no interior.

A herança católica é forte, mas trata-se sobretudo de uma cidade que é herética e politeísta, crente e supersticiosa, litúrgica e pagã. Até hoje, não há nenhuma garantia de que ela não será inundada da noite para o dia (e todo ano a gente passa um susto), o que talvez explique a postura de festejo enlouquecido permanente, como se o mundo fosse sempre acabar amanhã.

New Orleans se parece tremendamente com Salvador. O New-orleaniano compartilha com o baiano aquilo que eu chamaria de excepcionalismo sem arrogância. Sistematicamente faz propaganda do caráter único da sua terra sem nunca falar mal de ninguém.

O Rafael tem razão em supor que a experiência religiosa aqui é singular. O vudú, que chega cedo (com os haitianos pós-revolução, lá pros idos de 1810), se combina com mil outras narrativas, inclusive católicas e angolanas. Há aqui uma inclusividade radical que é de difícil compreensão para o estadunidense ‘típico’. As pessoas não são uma coisa ou outra, são uma coisa e outra.

Também na questão racial a experiência aqui tem algo de único: ao contrário de qualquer outra cidade estadunidense, o imigrante branco não experimenta em New Orleans a tensão racial normal, que é de se esperar, vinda do afro-americano, que percebe aquele imigrante como possível competição.

O negro new-orleaniano fala com a tranqüilidade de quem está hospedando. O que não quer dizer que a população negra não seja explorada pela indústria do turismo e da música, ainda majoritamente controlada por brancos.

Mas sim quer dizer que cultural e simbolicamente o povo negro está em inequívoco controle da cidade, expresso em mil festas: além do carnaval, tomadas rituais das ruas e secondlines (desfiles em que a gente sai dançando atrás de uma banda de metais pela cidade).

É a única cidade do mundo onde um policial vai te chamar de babe enquanto conversa com você. Também a única, que eu saiba, onde a morte é motivo para festa urbana: uma outra tradição de desfiles musicais pelas ruas, o jazz funeral.

Por falar nisto, neste dia 20, na posse de Bush, New Orleans se mobilizará para um Jazz Funeral for Democracy.

(publicado originalmente no dia 18 de janeiro de 2005)



  Escrito por Idelber às 08:35 | link para este post | Comentários (23)



sábado, 10 de setembro 2005

Fotos do Supersunday 2005 em New Orleans / Notícias dos Músicos Refugiados

Os Mardi Gras Indians são membros da comunidade afro-americana de New Orleans que fazem anualmente um tributo às tribos indígenas que albergaram escravos fugidios no século XIX. A tradição logo tomou a forma de uma competição entre fantasias cuidadosamente tecidas pelos próprios chiefs:

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Essas são algumas imagens de Mardi Gras Indias desfilando ao som de seus tambores no começo deste ano:

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Abaixo, mais fotos do Supersunday de 2005 em New Orleans. Uma legítima secondline neworleaniana (uma banda de metais toca e desfila pela cidade, com a população atrás, dançando):

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Notícias sobre músicos queridos de New Orleans: A família musical neworleaniana por excelência, os Neville Brothers, está dispersa. Aaron Neville se refugiou em Nashville, Tennessee. O irmão Cyril Neville está em Austin e o filho Ivan em Los Angeles.

A sobrinha de Aaron, Charmaine Neville, atração das segundas-feiras no famoso clube Snug Harbor (e cantora a quem Chris Dunn ensinou "Na Baixa do Sapateiro") sobreviveu a uma agressão e se recupera.

O legendário clarinetista do jazz Pete Fountain perdeu as duas casas que tinha e se refugiou em Winnsboro. A lenda do Rhythm'n'Blues e vovô do rock Fats Domino foi resgatado de uma casa alagada no Ninth Ward, uma das áreas mais atingidas pela tragédia.

Um dos maiores guitarristas da história da música de New Orleans, Clarence "Gatemouth" Brown, 81 anos de idade, com enfisema, câncer de pulmão e tudo, sobreviveu à perda de sua casa em Slidell e se refugiou no Texas. Long live Gatemouth.

Os trumpetistas Irvin Mayfield e Kermit Ruffins (quiçá os dois principais trumpetistas de New Orleans) se refugiaram em Baton Rouge, assim como a cantora Theresa Anderson. O pianista Eddie Bo está agora em Lafayette. O clarinetista Michael White encontrou refúgio em Houston.

Não há notícia de mortes entre os nossos queridos músicos. Há um fundo de contribuições aos músicos de New Orleans atingidos pelo furacão no site do Preservation Hall.

Atualização, domingo 11 de setembro: A música está de luto: Morreu o mestre, o grande bluesman Clarence "Gatemouth" Brown. Já com enfisema e câncer, provavelmente não sobreviveu à tristeza (obrigado pelos links, Gin e Helô).



  Escrito por Idelber às 04:18 | link para este post | Comentários (18)



quinta-feira, 08 de setembro 2005

Drops, New Orleans, Brasil

Pois bem: parece que em breve eu, pelo menos (assim como muitos na nossa comunidade), estarei pronto para começar o trabalho do luto. "Começar", pois como insistia aquele cara, o luto é interminável. Começar o luto quer dizer começar o contar o que se perdeu.

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Das ironias que envolvem essa tragédia: eu escrevi um livro sobre o luto, ou sobre como a literatura lida com o luto (inglês aqui, espanhol aqui, português aqui), morando na Carolina do Norte e depois em Illinois, antes de me mudar para New Orleans. Morando em New Orleans, eu dizia: "jamais escreveria um livro sobre o luto, isso não combina com a cidade". Amarga ironia, a de ter que fazer, um dia, luto por por New Orleans.

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Parece que na comunidade imediata de amigos meus de Tulane, estão todos vivos. Parece.

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O Centro de Estudos Latino-Americanos se reorganiza via um blog. Meu bróde Christopher Dunn, chefe do Departamento de Espanhol e Português, monta um blog. Alunos, funcionários, professores e amigos de Tulane que passarem por aqui, visitem esses dois blogs irmãos para trocar notícias. É lógico que este blog continua a disposição para essa função também.

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Para os alunos de pós-graduação de Tulane: Seria impossível listar aqui todas as universidades que me escreveram oferecendo ajuda na instalação de vocês como alunos e pesquisadores durante o semestre do outono (obrigado a todos que escreveram). Assumamos o seguinte: em qualquer que seja o lugar em que você estiver e quiser se matricular, escreva-me, ou a Chris Dunn, ou a Tom Reese, e um de nós aciona os contatos necessários.

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Se você está em busca de moradia, não deixe de visitar este site (dica do Alex Castro).

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Para pensar no que é perder New Orleans, ou no que se perdeu em New Orleans nessa tragédia, é impossível não evocar a perda musical: se na nossa comunidade imediata de amigos de Tulane estão todos vivos, com certeza esse não é caso em comunidades em que muitos de nós também temos amigos, como as dos vários bairros negros de New Orleans. Neles, sem dúvida pereceram incontáveis bluesmen, secondliners, jovens músicos. Eu não quero nem pensar em todos os conhecidos inalcançáveis por este brasileiro blog que podem estar mortos. Só mesmo quando eu voltar à cidade.

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No campus de Tulane, alagamento, mas nada que fosse devastador para nenhum edifício, pelo que parece. No detalhe, duas fotos (dos fundos e frente) do prédio onde eu trabalho, o Newcomb Hall, onde funcionam os departamentos de sociologia, filosofia, comunicação, espanhol e português, francês e italiano, clássicas, germânicas e eslavas:

flickr tulane area1.jpgflickr newcomb2.jpg
(fotos cortesia de Ned Sublette)

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If you're a lover of New Orleans music, consider help rebuilding WWOZ, one of the best community radio stations in the USA.

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Um minuto de silêncio por St. Bernard Parish.

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Meu camarada Jon Beasley-Murray está blogando.

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O LLL bate recordes de comentários com o aparecimento de Oliver!

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nos_h_cinza_vermelho.gif: Nós na Rede é uma comunidade de blogueiros filiados ao listserve blogleft. Veja os vários excelentes posts sobre o Brasil lá compilados e, para não dizer que não falei do 07 de setembro, reproduzo (retocada) uma mensagem minha à lista:

Se eu fosse escrever sobre o 07 de setembro, seria para falar da insignificância simbólica do 07/09 para nós, comparado com qualquer outra data, o 25 de maio argentino, ou o 18 de setembro chileno, ou 04 de julho americano, etc.

Somos um país sem San Martín, sem Bolívar, sem Jefferson. Nosso grande herói da independência é um derrotado, Tiradentes. A "independência mesmo" não foi produto de guerra popular, como nos outros lugares, mas de uma negociata severínica com jabaculê e maracutaia dentro da própria família real portuguesa, negociata essa mascarada pelo mentiroso "grito do Ipiranga" replicado nos livrinhos escolares da(s) ditadura(s). Imensa vergonha de uma "independência" sem luta.

Ao contrário do forte conteúdo popular das datas nacionais hispano-americanas, o nosso 07 de setembro é pura mentira. Refletir sobre os limites da nossa independência é também entender o imenso vazio dessa data.

Várias outras perspectivas lá no Nós na Rede.

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Não se assustem se a escumalha de extrema-direita dos EUA conseguir derrubar Ray Nagin, o prefeito de New Orleans.

Atualização 09 de setembro: e porque New Orleans será sempre New Orleans, até na desgraça aparece a sátira (obrigado pelo link, Michelle).



  Escrito por Idelber às 17:44 | link para este post | Comentários (31)



domingo, 04 de setembro 2005

A Negligência Criminosa com New Orleans, em 10 datas

neworleans-05.jpg.
(foto: AP, via WWLTV)


12/01/01: Houston Chronicle cita avaliação do Federal Management Emergency Agency do começo do ano de 2001 de que um furacão em New Orleans era um dos desastres ou catástrofes mais prováveis nos EUA, junto com um possível terremoto em San Francisco e, profeticamente, um ataque terrorista a Nova York.

2002: Times-Picayunne, o jornal de New Orleans, realiza uma série de reportagens mostrando o cenário de uma ruptura dos diques (especialmente os do Lago Pontchartrain) e concluindo obviamente (video via CNN) que A large population of low-income residents do now own cars and would have to depend on an untested emergency public system to evacuate them.

2003: Bush nomeia Mike Brown chefe da FEMA (a agência responsável pela resposta às emergências). Suas qualificações? Ter administrado (pessimamente) a Associação Internacional de Cavalos Árabes e ter sido despedido pelo desastre que deixou. Nenhuma experiência com o que deveria ser seu trabalho, a administração de respostas aos desastres. Quem era seu antecessor, também nomeado por Bush? Alguém - também sem experiência - que deixou o cargo para criar uma firma de consultoria para empresas que fazem negócios no Iraque.

Julho de 2004: Amplos estudos e previsões de um cenário macabro em New Orleans no caso de um furacão seguido de ruptura do dique.

Verão de 2004: FEMA recusa os pedidos de fundos de New Orleans para mitigar desastres.

25 de agosto: Katrina recebe denominação de furacão categoria 4.

26 agosto-: ao longo da semana, a (não) preparação e a (não) resposta do governo Bush à tragédia não chegam nem perto dos padrões já baixos do do plano de sua própria agência.

30 de agosto-2 setembro: Entulhados num estádio sem água ou comida, 20.000 negros pobres de New Orleans passam pelo horror do Superdome e são ignorados pelo governo. O mundo se pergunta: onde andam os helicópteros dessa tão poderosa nação, que podem ir ao Iraque e não chegam a New Orleans? Será que é porque não importa, porque New Orleans é pobre, é negra, votou contra George Bush 82 x 18, é festiva, sensual, satírica e crítica da macabra direita fanático-religiosa aliada a Bush? Do you know what it means to lose New Orleans?

1 de setembro: O Secretário de Segurança Doméstica declara que não sabia que milhares de pessoas do lado de fora do Centro de Convenções sem comida ou água 72 horas depois que o planeta e a torcida do Corinthians sabiam que havia milhares de refugiados no Centro de Convenções sem água ou comida. Entrevista irada do prefeito de New Orleans.

2 de setembro de 2005: Em desrespeito ao fato de que só os pobres ficaram, o diretor da FEMA culpa as vítimas. O exército faz referência ao início das operações de combate em New Orleans e se refere aos cidadãos norte-americanos que estão lá (negros e pobres) como a insurgência.

3 de setembro de 2005: 300 pessoas ainda eram evacuadas do Superdome, uma semana inteira depois da chegada do furacão à cidade e seis dias depois da tragédia da ruptura do dique.

PS: Ofertas de ajudas aos alunos de pós-graduação de Tulane: NYU (via Ana María Ochoa), Spanish and Portuguese at Berkeley (obrigado, Francine Masiello e José Luis Passos), Spanish and Portuguese at Austin (obrigado Leopoldo Bernucci), Cornell University, o MLA (obrigado, Rosemary Feal).

PS 2: Ofertas de pessoas que colocaram emails a disposição dos que precisem: Julee Tate, no norte da Geórgia (1 e 1/2 hora de Atlanta), Joyce Baugher em Baltimore, Christina Sisk em Houston, Maria Asturias em Oakland.

PS 3: Aos alunos de Tulane: se precisarem de qualquer contato em qualquer universidade para reinstalar-se por um semestre, escrevam-me ou a Chris Dunn, que com certeza qualquer um de nós teria prazer em encaminhá-los.

PS 4: Ainda não tenho notícias certas sobre Maureen Shea, Ibtissam Boucharine, Padré Ferré, Ricardo Crespo. Atualização 06 de setembro: Maureen Shea está a salvo em Maryland!!. Atualização: Ibitssam Bouacharine está a salvo em Smith College! . Atualização: Ricardo Crespo está a salvo na Noruega!!!



  Escrito por Idelber às 23:46 | link para este post | Comentários (91)



sábado, 03 de setembro 2005

Notícias e Recados aos Refugiados de New Orleans

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Estamos desesperadamente querendo saber notícias desta pessoa: Renata Nascimento, carioca, negra, mais ou menos 1,80m, magrinha e muito, muito mais linda do que essa foto sugere. Ela se encontrava em New Orleans com sua mãe, dona Ione, e com o namorado Aaron Lorenz, que também são meus amigos (Aaron e Renata são doutorandos em Tulane). O pai de Renata, seu Manuel, mora no Rio de Janeiro e tem uma casa em Arraial do Cabo. Infelizmente não tenho o telefone dele. Já fui ao blog do Mestre Nei Lopes, que é amigo da família, e deixei recado, porque imagino que se Renata estiver bem, o seu Manuel já terá tido notícias. Renata há tempos é leitora do blog, e por isso a sua ausência aqui me deixa em pânico. Gente que eu jamais imaginaria encontrou o blog. Ela ainda não apareceu. Atualização às 10:30 de Brasília: Renata, Aaron e Ione apareceram e estão vivos na Califórnia!!!

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Ainda não temos notícias de Maureen Shea, Kathleen Davis, Yaoska Tijerino, Ibtissam Boucharine, Padre Ferré. Cinco amigos muito queridos. Atualização às 10:30 de Brasília: Yaoska apareceu e está viva em Saint Louis!!! Atualização domingo, 18:30: Kathleen Davis a salvo em Nebraska!!

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Minha querida Tatjana Pavlovic, simplesmente a maior especialista do planeta no cinema de Pedro Almodóvar, apareceu! Ela me pede que publique o seu email: Dear Idelber, got your call. thanks! I am off to New York. my new email address is Pavlovic_Tatjana@yahoo.com. please post my email. will write you in peace from New York. as you know we all feel devastated by the tragedy of people left behind. love,Tanja

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Christopher Dunn, sonhando com o Brasil, nos avisa que Brown University está oferecendo acomodações e bolsas para alunos de Tulane e de outras áreas afetadas pela tragédia. Quem se interessar, entre em contato com a Graduate School de Brown.

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Também Columbia University está oferecendo boas-vindas aos alunos de Tulane e outras escolas da região. A oferta inclui uso da biblioteca, ginásio, matrícula por um período determinado, etc. Quem se interessar, entre em contato com Jane Acton Chung lá no International Students and Scholars Office, por telefone (212-854-3587) ou por email (Obrigado, Odradek).

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Hoje eu falei com a produção da Rede Globo de Televisão em Nova Iorque. Procuravam um brasileiro com celular em New Orleans. Dei a minha modesta opinião de que ia ser meio difícil... Mas aproveitei para pedir ajuda na localização dos nossos amigos.

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O presidente de Tulane, Scott Cowen, confirmou: está cancelado o semestre letivo em Tulane.

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Em Houston, Christina Sisk insiste que seu telefone e email estão à disposição dos amigos refugiados por lá. Ela está levantando grana, conseguindo roupas, e fazendo um trabalho de solidariedade fantástico. De novo, o contato de Christina é no telefone 713-962-6686 ou por email.

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Fiquei sabendo que dois amigos maravilhosos salvaram o meu carro, que eu já dava por perdido e com o qual nem me preocupava mais. Obrigado :)

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E obrigado a vocês por tornarem este blog um espaço útil para a nossa comunidade. Nossos amigos estão esparramados pelo país, vivendo a dura realidade do refugiado. Trocar mensagens aqui pode ser não só uma forma de encontrar pessoas e ter notícias, mas também de sentir-se um pouco menos só. Fiquem à vontade, in any language, siempre.

Atualização às 10:30: Também queremos saber notícias do cantor brasileiro Ricardo Crespo, conhecido da comunidade latina de New Orleans. Ricardo é gaúcho, branco, toca violão, tem mais ou menos 1,75m. Estava na cidade até a chegada do furacão.



  Escrito por Idelber às 01:53 | link para este post | Comentários (54)



sexta-feira, 02 de setembro 2005

Mais Notícias da Destruição em New Orleans

A cronologia da irresponsabilidade.

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O Secretário de Segurança Doméstica Michael Chertoff se recusava a acreditar que havia milhares de pessoas do lado de fora do Centro de Convenções sem comida ou água. Secretário, até em Belo Horizonte sabia-se que havia milhares de pessoas sem comida ou água do lado de fora do Centro de Convenções.

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Bush no Good Morning America: "Ninguém poderia ter previsto a ruptura dos diques". Presidente, todos, até as baratas de New Orleans, previram a ruptura dos diques. Foi previsto em 2001 e muitas vezes desde então. Mas o dinheiro especificamente destinado à prevenção de desastres em New Orleans foi diretamente realocado para a guerra no Iraque.

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Deixo para outros, em melhores condições emocionais que eu, a discussão sobre as responsabilidades políticas sobre essa catástrofe natural: ver os posts no Crooked Timber, Michael Bérubé, a palavra de um especialista no Guardian, The Left Coaster, Mark Kleinman e, na blogosfera brasileira, Smart Shade of Blue e Lucia Malla.

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Parece que a lenda do Rhythm'n'Blues de New Orleans, Fats Domino, que estava desaparecido, foi encontrado e está a salvo.

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Blogs que acompanham a situação de New Orleans: Nola View, Humid City, Katrinacane's Friends. Algumas imagens comparativas, do antes e do depois da catástrofe, encontram-se aqui.

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Conversei com dois sobreviventes hoje à noite: se o que você está vendo na televisão é horrendo o suficiente, você não imagina o que são os relatos dos que escaparam. Pelo que pude avaliar até agora: Ninth Ward, Chalmette, St. Bernard Parish não existem mais, simplesmente. Airline Highway e West End continuam submersos. O Oakwood Mall foi incendiado. Há partes do French Quarter que não estão submersas, mas lá é onde os saqueios (e inclusive incêndios) campeiam. Nossa cidade, a mais brasileira de todas as cidades americanas, está literalmente sendo destruída. A sensação de impotência aqui é muito grande.

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Notícias da comunidade de Tulane: estou muito comovido de que este blog esteja servindo como canal de comunicação para alunos e professores de Tulane. Já ficamos sabendo que estão salvos, em vários pontos do país, Mac Williams, Michelle Nasser, Miguel Rivera, Alejandra Osorio, Alejandra Sánchez, Felipe Victoriano, Inmaculada Alvarez e o companheiro Dani, Marylin Miller, Christopher Dunn, Henry Sullivan, Nilda Rivera, Claudia St. Marie (com John e Bernardete), Julia Reinneman, Tatjana Pavlovic, María Jesús Castillejo, Ari Zinghelboim, Uriel Quesada, Mónica Albizurez, Cindy Seley. Estas são as pessoas que temos certeza que estão bem. Quero dizer, "bem" não é a palavra, mas estão a salvo.

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Não temos notícias de: Maureen Shea, Renata Nascimento, Aaron Lorenz, Yaoska Tijerino, Ibtissam Boucharine, Hamilton Pinto, Padre Ferré. Quem souber do paradeiro destas pessoas, por favor avise-nos aqui no blog. À medida que passam os dias sem notícias destas pessoas - algumas delas são os amigos mais queridos que tenho - a angústia aumenta muito. Atualização às 12 de Brasília: Hamilton Pinto está a salvo em Orlando.

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Christina Sisk, muito obrigado pelo trabalho maravilhoso de assistência aos nossos amigos refugiados em Houston.

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Amigos: fiquem à vontade para usar o blog também para compartilhar angústias e alegrias no meio da tragédia. This is a trilingual blog. You write in whatever language tú prefieras. O importante é termos informação sobre todo mundo.

Atualização às 16 horas de Brasília: Entrevista furiosa do prefeito de New Orleans: Transcrição aqui e áudio aqui.



  Escrito por Idelber às 01:19 | link para este post | Comentários (70)



quinta-feira, 01 de setembro 2005

Emergência em New Orleans / Notícias dos Amigos

Minha cidade, a que me acolheu como se eu fosse seu filho, aquela que - junto com Belo Horizonte - é a que eu mais amo no planeta, está mesmo destruída: New Orleans continua submersa, a availação do prefeito é que milhares de mortos bóiam nas águas da enchente, não há saneamento básico nem eletricidade e a cidade foi convertida num pesadelo dantesco de saqueadores. As 50.000 a 100.000 pessoas (os números são todos vagos) que ainda haviam ficado na cidade estão sendo evacuadas. No detalhe vê-se exatamente a localização da cidade em relação ao Lago Pontchartrain e o Rio Mississippi, e a dimensão da tragédia da inundação:

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Este blog, neste momento, tem a única função de servir como ponto de encontro, contato, apoio e disseminação de informações sobre os amigos e a comunidade de Tulane. Aqui vão as notícias:

Claudia St. Marie, John e Bernardete estão salvos no Alabama.

Michelle Nasser está a salvo em Houston.

Uriel Quesada está a salvo com Christina Sisk em Houston.

Mac Williams e família estão salvos no Alabama. Mac oferece ajuda a quem precisar nos telefones 770-974-5909 ou 504-812-0468, ou pelo email.

Eu passei o dia desesperado por eles, porque na terça eles ainda se encontravam em New Orleans, mas Tatjana Pavlovic, Inmaculada Alvarez e seu companheiro Dani, Felipe Victoriano (que já foi convidado aqui no blog), Alejandra Osorio e Alejandra Sánchez parece que se salvaram e estão vivos em Lake Charles. Não sei em que situação andam vivendo, porque provavelmente saíram da cidade em condições precárias.

Sonia Valle e marido estão salvos na Flórida. Cindy Seley e marido estão salvos em Indiana.

Meu brother Christopher Dunn está a salvo na Flórida. Chris, uma conta de email foi criada para você: christopher@idelberavelar.com. A senha é o seu sobrenome, mais o primeiro nome da sua esposa, mais a primeira letra do nome do compositor brasileiro sobre o qual você sabe tanto e cuja esposa lhe manda frequentes notícias. Para acessá-lo, visite este site e coloque sua senha. Depois mude a senha por segurança.

O site idelberavelar.com está a disposição da comunidade de Tulane, ou de qualquer neworleaniano que precise de uma conta de email segura. É só pedir aqui na caixa de comentários ou no meu email.

Não temos notícias de Miguel Rivera, Aaron Lorenz e da cidadã brasileira, carioca Renata Nascimento. Não quero criar pânico, mas não posso deixar de usar o blog para pedir notícias deles. Quem tiver notícias de Miguel, Aaron e Renata, por favor escreva-me.

um blog acompanhando a catástrofe (obrigado pelo link, Chris).

Há um site recolhendo doações (obrigado pelo link, Alfredo).

O site de Tulane se transformou num blog de emergência do nosso presidente, Scott Cowen.

Parece que passarão semanas ou meses antes de que a cidade esteja minimamente habitável de novo. Não há notícias oficiais de Tulane.

Muito obrigado a todos que têm enviado mensagens de solidariedade. Foi um dia de muita angústia e desespero. À nossa comunidade espalhada por vários pontos dos EUA: sintam-se à vontade para usar o blog para deixar recados, confortar os amigos e pedir notícias, em qualquer língua.

Estou muito feliz de estar em Belo Horizonte com meus filhos, e muito angustiado pelos amigos.

Atualização às 13:30 de Brasília
: mais notícias de New Orleans aqui, aqui e aqui.

Atualização às 14:15: Segundo o New York Times a situação em nossa cidade, por bairros, é a seguinte:

área do Tulane University Hospital: 6 pés (2 metros) de água.
Ninth Ward: situação desesperadora ainda, com água até os telhados.
St. Bernard Parish: água até os telhados.
West End: casas totalmente submersas.
Área de Marengo Street: água de 3 a 10 pés.
Lake Pontchartrain Causeway: submersa.
French Quarter: algumas áreas submersas, outras não. Saqueios continuam.
Airline Highway: água até o segundo andar dos prédios.

Atualização às 15:30: Chris, link atualizado, lá no post, que agora te leva ao webmail correto. Agora funciona. Just log on as christopher@idelberavelar.com and enter password.



  Escrito por Idelber às 06:14 | link para este post | Comentários (52)