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quinta-feira, 08 de setembro 2005
Drops, New Orleans, Brasil
Pois bem: parece que em breve eu, pelo menos (assim como muitos na nossa comunidade), estarei pronto para começar o trabalho do luto. "Começar", pois como insistia aquele cara, o luto é interminável. Começar o luto quer dizer começar o contar o que se perdeu.
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Das ironias que envolvem essa tragédia: eu escrevi um livro sobre o luto, ou sobre como a literatura lida com o luto (inglês aqui, espanhol aqui, português aqui), morando na Carolina do Norte e depois em Illinois, antes de me mudar para New Orleans. Morando em New Orleans, eu dizia: "jamais escreveria um livro sobre o luto, isso não combina com a cidade". Amarga ironia, a de ter que fazer, um dia, luto por por New Orleans.
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Parece que na comunidade imediata de amigos meus de Tulane, estão todos vivos. Parece.
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O Centro de Estudos Latino-Americanos se reorganiza via um blog. Meu bróde Christopher Dunn, chefe do Departamento de Espanhol e Português, monta um blog. Alunos, funcionários, professores e amigos de Tulane que passarem por aqui, visitem esses dois blogs irmãos para trocar notícias. É lógico que este blog continua a disposição para essa função também.
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Para os alunos de pós-graduação de Tulane: Seria impossível listar aqui todas as universidades que me escreveram oferecendo ajuda na instalação de vocês como alunos e pesquisadores durante o semestre do outono (obrigado a todos que escreveram). Assumamos o seguinte: em qualquer que seja o lugar em que você estiver e quiser se matricular, escreva-me, ou a Chris Dunn, ou a Tom Reese, e um de nós aciona os contatos necessários.
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Se você está em busca de moradia, não deixe de visitar este site (dica do Alex Castro).
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Para pensar no que é perder New Orleans, ou no que se perdeu em New Orleans nessa tragédia, é impossível não evocar a perda musical: se na nossa comunidade imediata de amigos de Tulane estão todos vivos, com certeza esse não é caso em comunidades em que muitos de nós também temos amigos, como as dos vários bairros negros de New Orleans. Neles, sem dúvida pereceram incontáveis bluesmen, secondliners, jovens músicos. Eu não quero nem pensar em todos os conhecidos inalcançáveis por este brasileiro blog que podem estar mortos. Só mesmo quando eu voltar à cidade.
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No campus de Tulane, alagamento, mas nada que fosse devastador para nenhum edifício, pelo que parece. No detalhe, duas fotos (dos fundos e frente) do prédio onde eu trabalho, o Newcomb Hall, onde funcionam os departamentos de sociologia, filosofia, comunicação, espanhol e português, francês e italiano, clássicas, germânicas e eslavas:


(fotos cortesia de Ned Sublette)
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If you're a lover of New Orleans music, consider help rebuilding WWOZ, one of the best community radio stations in the USA.
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Um minuto de silêncio por St. Bernard Parish.
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Meu camarada Jon Beasley-Murray está blogando.
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O LLL bate recordes de comentários com o aparecimento de Oliver!
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: Nós na Rede é uma comunidade de blogueiros filiados ao listserve blogleft. Veja os vários excelentes posts sobre o Brasil lá compilados e, para não dizer que não falei do 07 de setembro, reproduzo (retocada) uma mensagem minha à lista:
Se eu fosse escrever sobre o 07 de setembro, seria para falar da insignificância simbólica do 07/09 para nós, comparado com qualquer outra data, o 25 de maio argentino, ou o 18 de setembro chileno, ou 04 de julho americano, etc.
Somos um país sem San Martín, sem Bolívar, sem Jefferson. Nosso grande herói da independência é um derrotado, Tiradentes. A "independência mesmo" não foi produto de guerra popular, como nos outros lugares, mas de uma negociata severínica com jabaculê e maracutaia dentro da própria família real portuguesa, negociata essa mascarada pelo mentiroso "grito do Ipiranga" replicado nos livrinhos escolares da(s) ditadura(s). Imensa vergonha de uma "independência" sem luta.
Ao contrário do forte conteúdo popular das datas nacionais hispano-americanas, o nosso 07 de setembro é pura mentira. Refletir sobre os limites da nossa independência é também entender o imenso vazio dessa data.
Várias outras perspectivas lá no Nós na Rede.
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Não se assustem se a escumalha de extrema-direita dos EUA conseguir derrubar Ray Nagin, o prefeito de New Orleans.
Atualização 09 de setembro: e porque New Orleans será sempre New Orleans, até na desgraça aparece a sátira (obrigado pelo link, Michelle).
Escrito por Idelber às 17:44 | link para este post
| Comentários (31)
#1
Idelber, depois do susto, começa a fase de juntar os caquinhos.
Ana Maria em setembro 8, 2005 6:43 PM
#2
So passei para te desejar muita forca e sobriedade para enfrentar toda essa situacao... Impressionante sua generosidade, sempre passando informacoes uteis aos que possam precisar... Que essa epoca de reconstrucao ocorra com muito otimismo e perseveranca! "Na alegria ou na tristeza", seus leitores sempre estarao por aqui.. torcendo por voce! Tudo de bom!
Luciana Triplett.
Luciana em setembro 8, 2005 6:56 PM
#3
Tchê Idelber,
Tenho acompanhado tudo por aqui durante esses dias, mas fico meio sem saber o que dizer.
Foi gradioso todo o serviço que o blog prestou. A tragédia me deixou, todas as vezes que tive qualquer contato - seja por imagens ou textos - com ela, absolutamente atônito. A ida do Alex Castro também me fez rememorar um pouco minha chegada em New York em 11 de setembro de 2001. Às vezes tudo é tão surreal que me deixa paralisado.
Aliás, nada mais surreal e absurdo que o episódio do OdeC.
E do luto à reconstrução.
Abração!
Gejfin em setembro 8, 2005 7:05 PM
#4
Caro Idelber
No campo da solidariedade, SOLIDARIEDADE!
No campo da independência não acredito que adianta substituir uns equívocos por outros!!!
Não é mesmo?
Vamos ver se conseguimos conquistar a felicidade do nosso povo, e já tá bom demais!!!
Paulo Zobaran em setembro 8, 2005 7:17 PM
#5
Idelber, não acredito que a direita vá conseguir derrubar o prefeito de New Orleans. A população de lá com certeza irá apoiá-lo, por ele ter mostrado fibra, emoção genuína e preocupação real com sua população. E ele também ganhou muitos fãs nacionalmente, gente que nunca ouvira falar nele antes do desastre.
Leila em setembro 8, 2005 7:29 PM
#6
Idelber, ver essa foto do Newcomb Hall me partiu o coracao... como falei lah do blog, quero muito voltar pra nola e ajudar a reconstruir... mas fiquei pensando como ficou seu sabatico? acho que vc eh que acabou se dando mal... nao teria que trabalhar de qualquer jeito... :(
o pessoal aqui de berkeley nao poderia possibly be nicer.
abracos,
alex
Alex Castro no Sproul Hall, Berkeley em setembro 8, 2005 8:19 PM
#7
Dick Cheney tem a cara de pau de dizer que as operações de resgate e de recuperação tem sido admiráveis. Pelo menos algum morador local mandou o sujeito ir se f...er ao vivo e a cores. Agora, o pouco caso com St. Bernard Parish é algo que vai muito mais fundo no problema. É nessa hora que os dizeres ABAIXO DE CÃO - que por sinal é título da autobiografia de Charles Mingus (que não era nem preto, nem branco, nem mulato, e por isso sofria mais que qualquer um) - fazem muito sentido. O mundo fala de New Orleans, claro tem que falar mesmo...mas os outros...oras, os outros serão sempre os outros, abaixo de cão.
E volto a mencionar os maravilhosos e brilhantes mais de 56 milhões de americanos que re-elegeram George W Bush para presidente. A cada um de vocês eu faço um brinde: eu tomo um gole daqui, da torneira mesmo, e vocês tomem um gole das águas putrefatas de New Orleans, pois cada um de vocês é responsável pelo desastre global que significa esse criminoso na presidência dos EUA.
Odradek
Odradek em setembro 8, 2005 9:24 PM
#8
O Silêncio de Um Minuto. Cada dia tem o seu segredo. A importância de viver o momento presente. Poderia explicar isso, com o impacto da presença de uma pessoa que nem ao menos conhecemos direito e que toca profundamente a nossa alma quando temos a certeza de que ela não mais existe... São laços invisíveis e não menos intensos.
O segredo do momento presente se traduz, quase sempre, quando se solicita aquele pedido de silêncio: “Um minuto de silêncio, por favor!”. E todos se calam. Cada um pensa qualquer coisa ou, simplesmente, olham-se unhas esperando o minuto passar . Mas nesse Silêncio de um minuto, tal Noel Rosa, pode-se mergulhar em profudenzas reveladoras.
Silêncio, palavra definida, no singular e masculino, como estado de quem se abstém de falar, privação de falar, interrupção de ruído e de correspondência, sossego, segredo. Provoca no ser humano uma força misteriosamente profunda, que abre abismos de um mundo desconhecido e infinito. Passado, presente, futuro seriam a mesma coisa ou coisa nenhuma. Como um relógio, cujo pêndulo oscila entre as esperanças mal sucedidas, os sonhos conquistados e as dores que marcam nossa trajetória. Digno refúgio de almas fortes e generosas, de emoções profundas e misterioso encanto. Pois, todas as vezes que o ser humano se insula em uma atmosfera silenciosa, para sondar os segredos de sua alma, os terríveis enigmas do seu coração, os mistérios de sua existência e a incerteza de seu destino, encontra no silêncio e no recolhimento de seu espírito, antes de mais nada, a si próprio. No silêncio absoluto e na solidão, o ser humano, longe das convenções e das conveniências, assume um outro semblante. Às vezes, o silêncio é ameaçador, hostil...
A palavra é do tempo, o silêncio é da eternidade. É também a linguagem do infinito, elemento de tudo que é divino. Nele se depara uma grandeza transcedental, semelhante à nascente e ao oceano, em que tudo começa e tudo termina.
O silêncio dos que tiveram o privilégio de conviver com o ilimitado... Em Ilíada, Horácio, depois de dizer que os troianos irromperam da cidade para combater, gritando como selvangens, acrescenta que os gregos, ao contrário, avançam silenciosos e cheios de audácia. Uma passagem de um raro poder evocativo. No profundo silêncio de sua tenda, Napoleão resolvia problemas de estratégia e tática militar cuja execução deveria assombrar os monarcas da Europa. No recolhimento do seu quarto, Newton, Kepler, Galileu, adivinhavam e demonstravam leis e sistemas que haviam de assombrar o mundo.
Pois é, quem gosta do silêncio há de ser pessoa de meditação e ação.
Silêncio! Quantos rumores inúteis e banais, quantas palavras sem senso comum, quantos livros que não adiantam nada, não violam teu reino sagrado. Pelo contrário, quantas coisas dignas a de serem, quantas verdades que deslumbram o mundo como o ato generoso de quem prefere calar-se ao revelar coisas que, em justificando o seu proceder, humilhariam seu adversário. O silêncio discreto com que um amigo guarda por longos anos um segredo comprometedor que lhe foi confiado num momento de desabafo, nos comove; o silêncio sobrehumano com que uma mãe assiste por noites dolorosas a doença de um filho, exalta-nos.
Penso que a morte de Leonel brizola nos faz crer o que Hamlet já anunciou: “The rest is silence?
me desculpe, Idelber, mas meu luto, meu silêncio me fez escrever tudo isso, e qdo escrevo entendo melhor o que estou sentindo por New Orleans, pelo Brasil, pelo pau que rolou no blog-left, hehehe...
Elenara Iabel em setembro 9, 2005 12:13 AM
#9
Sou solidária ao luto por Nova Orleans. Principalmente por tantas mortes, tanta destruição e por ver como em situações de desespero os seres humanos se comportam como bichos. Sem falar na cara de pau do Bush de dizer que vai procurar os culpados. Ele não deve ter mesmo espelho em casa. Beijos!
Renata em setembro 9, 2005 2:44 AM
#10
Caro Idelber,
Suas observações sobre nosso 7 de setembro são angustiosamente precisas. Nosso herói da independência não é um vencedor, mas um mártir. E isso diz muito sobre nosso país...
Abração!
Túlio Vianna em setembro 9, 2005 10:11 AM
#11
Hora dessas fala um pouco para a gente do prefeito de New Orleans. Tem um blogueiro «direitinha» que escreveu um monte de coisas sobre esse assunto no blogue, entrei muda e saí calada. Fico feliz que todos os seus amigos apareceram e estão bem em algum lugar do mundo. Beijão para ti.
Ana Lucia em setembro 9, 2005 11:37 AM
#12
O Brasil é uma nação necrólatra. Basta recordar a comoção em torno de cortejos de personalidades como Mané Garrincha, Ayrton Senna, Tancredo Neves, Mário Covas e até mesmo os Mamonas Assassinas. Não à toa, canta Nelson Cavaquinho em "Quando Eu Me Chamar Saudade": "Sei que amanhã/ Quando eu morrer/ Os meus amigos vão dizer/ Que eu tinha um bom coração/ Alguns até hão de chorar/ E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão". Para esta nação, herói bom é herói morto.
Inagaki em setembro 9, 2005 11:38 AM
#13
Em tempo: Dick Cheney deve ser o maior consumidor de óleo de peroba, a julgar pela cara-de-pau com que afirmou que as operações de resgate tem sido exemplares. Só falta usarem Ray Nagin como bode expiatório. Por essas e outras Kanye West, que desceu a lenha em Bush em rede nacional de TV, tornou-se meu rapper predileto.
Inagaki em setembro 9, 2005 11:42 AM
#14
Depois de chorar sem qualquer constrangimento ao ver pela TV muitas horas desse sofrimento,revivo tudo com todas essas informações que você traz. Vejo procissões dos maiorais do jazz e blues desfilando por N.O., vestidos de preto, espalhando notas tristes com seus instrumentos. Mas também vejo a alegria do reencontro de tantas pessoas e animais perdidos, a volta de famílias para seus países. Sim, ainda há luto, ainda há tristeza;as alegrias ainda são comedidas; os políticos ainda são feitos da mesma matéria em qualquer país. Mas a gente crê em pessoas que são, além de solidárias, generosas, como você.
Assim fica mais fácil ler o que disseram sobre o que escrevi, indignada contra a morosidade do atendimento.
Abraço e força!
Clarice em setembro 9, 2005 12:15 PM
#15
Idelber, tô sempre por aqui, quieta, mas acompanhando as notícias. Mando minhas boas vibrações nesse momento difícil.
Beijos
Fefê em setembro 9, 2005 12:36 PM
#16
Caro Idelber,
Parece que a calma esta chegando depois da tormenta, pelo menos ja podemos comecar a pensar na proxima fase - seja essa qual seja.
Veja o link abaixo que comeca a dar um toque novo orleano a desgraca: http://villagevoice.com/news/0537,fiore,67684,9.html
beijos desde Rice,
Michelle
Michelle em setembro 9, 2005 1:09 PM
#17
Amigos, obrigado, e desculpem não ter batido bola aqui na caixa hoje. Ando cuidando um pouco de mim, também, "dando um tempo" da avalanche pós-tragédia.
Obrigado de novo a vocês pela solidariedade.
E é verdade, Ina, o estoque de óleo de peroba na Casa Branca parece ser infinito...
E sobre a pátria amada, não seria interessante fazer uma análise detalhada de Brasil, de Cazuza? Sempre achei que diz muito sobre nós essa canção :)
Abraços,
Idelber em setembro 9, 2005 1:28 PM
#18
Idelber,
Tiradentes foi um herói construído pela nascente república brasileira que precisava de um ícone para legitimar a nova ordem política. Não é à toa que sua imagem, não foram feitos retratos dele à época, se assemelha a Jesus Cristo. Tiradentes é portanto um herói oficial, nunca foi popular. Mais popular que ele foram Getúlio Vargas e JK, que ocupam um lugar afetivo maior no imaginário político da nação. O sete de setembro é a mesma coisa, oficial, militar, não é e nunca foi uma comemoração popular. Será que que somos uma sociedade iconoclasta ou não produzimos realmente um líder político ou social que podemos chamar de herói?
Afonso Andrade
Afonso Andrade em setembro 9, 2005 4:22 PM
#19
Remember a couple of months ago when the Supreme Court ruled in Kelo v. City of New London that imminent domain could be invoked in order to seize private property for commercial development and tax revenue increases? Think about the potential effects that this ruling could have in New Orleans, especially in the impoverished and most likely destroyed Ninth Ward and Lower Ninth Ward. The aftermath of that decision may rear its ugly head in New Orleans. Hopefully the state legislature will step in and either pass a law prohibiting that scenario, or amend the constitution to forever outlaw it. Can you imagine the feeling of dread if you knew that not only had you lost your home, your possessions, possibly loved ones, but that also some giant corporation could come in and buy the land out from under your feet with the government's approval?
Mac Williams em setembro 9, 2005 4:48 PM
#20
Afonso, sobre Tiradentes: é vero. Há uma boa versão da coisa, segundo Silviano Santiago (em Em Liberdade: Cláudio Manoel como o verdadeiro herói, o verdadeiro guerreiro.
Mac, that's precisely what's already happening, as the ultra-suspicious Halliburton has been hired for after-storm cleanup. Expect class warfare against the poor, my fren', no less.
Ina: verdadeiríssima, nossa necrologia que você nota. Outro que foi maior morto que vivo: Vargas.
Idelber em setembro 9, 2005 5:32 PM
#21
Concordo com Afonso Andrade, para mim Tiradentes nunca foi herói. É herói fabricado. Sua própria posição de líder da inconfidência é questinável. Aliás, a Inconfidência era um movimento da elite, assim como foi a própria Proclamação da Independência. O povo, nesse país, nunca teve vez.
Ricardo Antunes da Costa em setembro 9, 2005 5:43 PM
#22
Today was supposed to have been our next payday. Did anyone receive a direct deposit payment today? Did I miss an update about when the next payday would be?
Thanks,
Mac
Mac em setembro 9, 2005 6:33 PM
#23
Caro Mac Williams, em NYC esse fenômeno tem apavorado centenas de famílias da 130th pra cima, em Manhattan. Minha querida Columbia University, maior proprietária de real state na cidade, parece querer promover seu plano de expansão usando esse recurso que você mencionou que é, diríamos, no mínimo diabólico. Qualquer semelhança sobre quem chuta o traseiro de quem no mundo regido pelo poder econômico é mera coincidência...ou seria merda coincidência?
Agora o diretor da FEMA, Michael Brown vai voltar pra casa e outro sujeito toma seu lugar pra coordenar as operações 'in loco'. O problema foi o seguinte: Michael Brown é um péssimo ator. O fato dele ser incompetente é relativo, afinal é mais um 'puppet' como tantos outros. Desde o início ele foi incapaz de mentir: deixou claro que o que aconteceu em New Orleans era não mais do que uma grande chatice, principalmente pra ele que detesta holofotes. Repito, ele é um péssimo ator: disse que hoje à noite, ao voltar pra casa em Washington, tomaria uma 'marguerita' com a mulher e curtiria uma noite de sono em paz.
Oooopss....que frase!!! Numa hora dessas!!?? Não que ele tenha que ter um talento de um George W. Bush ou do nosso querido Lula, por exemplo, mas um mínimo de talento para as artes cênicas e ele já saberia que deveria pelo menos ficar calado.
Sei que os debates continuam em todas as direções: pobreza, racismo, incompetência, etc. Mas ainda não consigo acreditar que disseram que os diques foram projetados para suportar furacões de no máximo categoria 3. Sabemos que essa escala vai até 5! Sabiam que um eventual rompimento dos diques afundaria a cidade e que furacões atingem aquela região 'once in a while'. É matemática elementar!!!! Mas vendo Bush fazendo discursos vazios na TV, vendo sua lerdeza, vendo tanta gente pobre nas ruas sendo desprezadas, vendo tanta incompetência por parte do governo, vendo tanto jogo de empurra-empurra, etc,etc, fiquei ainda mais perflexo: nunca os Estados Unidos da América foram tão parecidos com a Terra de Vera Cruz. Odradek
Odradek em setembro 9, 2005 6:41 PM
#24
Se quiser reir-se um poquitinho, deve ler a ultima versao do Onion. Eu gostei muito de alguns coisas.
The Onion.com
Mac Williams em setembro 9, 2005 6:51 PM
#25
Talvez seja mesmo uma oportunidade
de choro sincero
por uma outra América
Talvez seja mesmo
um choro
uma outra oportunidade
para a América sincera
Talves seja sincera
uma outra oportunidade de América
Talvez seja
Talvez América
@ em setembro 9, 2005 10:49 PM
#26
Momento de solidariedade, esperança e reconstrução.
O povo brasileiro pode não ter tido "protagonismo" na formação do "estado nacional brasileiro". Mas... o povo [em qualquer quadrante] muitas vezes não tem este protagonismo!
Agora mesmo observamos pelas informações que temos, que importante parcela do povo de N.Orleans não conseguiu (e não consegue) tomar decisões por vontade própria.
A sociedade humana tem disso!!!
Vivendo e melhorando. Abraços.
Paulo Zobaran em setembro 10, 2005 12:30 AM
Ricardo Antunes da Costa em setembro 10, 2005 12:55 AM
André Kenji em setembro 10, 2005 1:03 AM
#29
hmmmm, não vi muita "análise" lá não, André. Vi um blog conservador tentando fazer de Ray Nagin um bode expiatório...
Numa cidade completamente devastada, não sei o que o prefeito poderia ter feito mais além do que fez Nagin, o que foi bastante, comparado com os recursos que tinha o governo federal e com o que eles fizeram.
Não sei, ainda está para ver-se, mas é possível que ele saia até fortalecido disso. Mas é certo que há um movimento para puxar-lhe o tapete, não há dúvida. A arrogância dos Bushies jamais aceitaria a "petulância" de um prefeito negro que ousou desafiá-los. :) obrigado pelo link.
Ricardo, está hilária a charge :)
Idelber em setembro 10, 2005 5:23 AM
#30
Pode até parecer, mas não estou mudando de assunto: ver Paulo Maluf e seu filho indo pra cadeia é algo que pensei que jamais veria. Não sabemos se ele vai FICAR lá, muito provavelmente não, mas é mais do que hora de que todos nesse Brasil se toquem dos estragos sociais que esse tipo de criminoso faz num país como o nosso. São milhões e milhões que foram desviados de projetos sociais, i.e, da educação, da cultura, da infra-estrura, etc. Todos que lêem esse blog sabem disso, mas se Paulo Maluf se candidatasse hoje receberia milhões de votos justamente dos humildes que ele tanto roubou e de mais uma meia dúzia de bandidos também milionários, mas ainda soltos. Se Paulo Maluf for pra trás das grades, re-pensarei meu país e o quesito esperança vai ganhar força. Posso estar sendo muito otimista, mas é o calor da surpresa com essa notícia. Abraços, Odradek.
Anonymous em setembro 10, 2005 12:44 PM
#31
Vida que segue, Idelber. E vocês acham que as antas direitistas iam deixar barato a ordem do prefeito de mexer o traseiro? Qualquer cara de personalidade é uma ameaça para eles.
Te em setembro 12, 2005 3:21 PM