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quarta-feira, 28 de setembro 2005

Todo apoio ao projeto de descriminalização do aborto

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Hoje é o dia latino-americano pela descriminalização do aborto, e este blog participa da iniciativa do Nós na Rede de fomentar a discussão sobre o tema.

Foi entregue ontem à Câmara dos Deputados o projeto de lei que descriminaliza o aborto nas 12 primeiras semanas e em qualquer idade gestacional quando a gravidez implicar risco de vida à mulher ou em caso de má formação fetal incompatível com a vida. Ele será incorporado ao projeto de lei 1.135, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Neste momento, é muito importante que a sociedade brasileira, e especialmente as pessoas de formação religiosa, entendam: realizam-se no Brasil aproximadamente 1 milhão de abortos clandestinos por ano. A maioria deles ocorrem em condições precárias e perigosas. A existência dessa indústria clandestina do aborto só favorece ainda mais o apartheid social brasileiro: quem tem dinheiro, paga por um aborto seguro que, como bem diz o advogado Túlio Viana, é um crime pelo qual ninguém vai preso. Quem não pode pagar, a vasta maioria, arrisca a vida em clínicas de fundo de quintal com agulhas de crochê.

Se você é católico e é a favor de que se mantenha essa vergonhosa criminalização de uma cirurgia porque "a Bíblia manda", releia a Bíblia: como sabem os que conhecem a história da Igreja, e como já demonstraram as Católicas pelo Direito de Decidir, só na segunda metade do século XIX a Igreja começa estabelecer essa absurda identificação entre feto e ser humano. Se um feto fosse uma vida, obviamente ele não precisaria de um outro corpo durante nove meses. O corpo da mulher deve ser de única responsabilidade da mulher, o papel do estado sendo unicamente o de dar condições dignas e adequadas para que cada mulher cuide dele.

O aborto é uma questão de saúde pública, não uma questão moral. Ser contra o direito ao aborto com julgamentos morais sobre a mulher que engravidou é de uma hipocrisia e/ou ignorância sem tamanho: engravida-se por mil motivos, e se a ciência já nos forneceu condições de interromper a gravidez indesejada de forma higiênica e segura, por que trazer ao mundo mais seres humanos que não terão como serem cuidados?

Defender o direito à vida é defender que todo ser humano que venha ao mundo tenha condições dignas de sobreviver. Pró-vida somos nós, que defendemos o direito de que as mulheres tenham acesso aos meios necessários para que seus filhos usufruam da vida em toda sua beleza.

Por isso, há que se entender: ninguém, nem a feminista mais radical, é "a favor do aborto". Não existe isso, ser a "favor do aborto". Quem já conversou e conviveu com uma mulher que abortou sabe: trata-se sempre de uma decisão dura e difícil para a mulher. Insistimos no direito ao aborto que - combinado com mais educação sexual e mais acesso a métodos contraceptivos e planejamento familiar - produziria, inclusive, uma redução no número de abortos efetivamente realizados.

O que não podemos aceitar é que a criminalização, por motivos religiosos, de um procedimento cirúrgico continue colocando em risco a vida de tantas mulheres ou, por outro lado, continue forçando-as a trazer ao mundo crianças que engrossarão as fileiras da marginalidade.

Por isso, neste 28 de setembro, o Biscoito convida seus leitores a que se informem: visitemos o Dossiê Aborto Inseguro, não imaginemos que podemos fazer juízos morais sobre a mulher que aborta e sobre as razões que a levam a abortar e, acima de tudo, entendamos que é hipocrisia ignorar que os abortos clandestinos continuarão ocorrendo caso essa estúpida criminalização se perpetue. Mais mulheres morrerão ou se mutilarão com agulhas de crochê.

Feto é feto, ser humano é ser humano. E temos milhões de seres humanos aqui no Brasil, vivendo em condições precárias. É importante cuidar deles. Inclusive para que esses seres humanos não sejam, depois, vítimas fáceis da criminalidade, da marginalidade ou da pedofilia.

Neste 28 de setembro, pense nisso. Converse com um profissional da saúde. Converse com uma mulher que já passou pela cirurgia. Não se lance a julgar moralmente a mulher que engravidou. Pense nas mil e uma circunstâncias que podem produzir uma gravidez indesejada. Pense no custo de se trazer ao mundo uma criança não desejada pelos pais. Visite os blogs que participam da iniciativa do Nós na Rede. E deixe sua opinião aqui no Biscoito.



  Escrito por Idelber às 01:14 | link para este post | Comentários (44)


Comentários

#1

Por acaso estava online (leia-se cuidando da Clarissa) quando recebi o aviso do post. Talvez não seja dessa vez, pois as forças conservadoras de origem religiosa ainda são maioria no congresso. Um dia chega-se lá. abs

afonso em setembro 28, 2005 4:04 AM


#2

Conforme já registrado aqui no Biscoito, sou totalmente contra o aborto.

E o feto é uma vida sim, o fato de depender de outro corpo para sobreviver não muda isso.

Se o corpo é da mulher, ela que cuide dele, e não engravide. A ciência hoje já nos forneceu condições de evitar a gravidez indesejada de forma higiênica e segura.

Finalizando, eu não tenho nenhuma pena das mulheres que se metem a fazer aborto em clínicas ilegais. Desde o começo, da concepção ao assassinato, sabiam o que estavam fazendo. Que arquem com as consequencias.

Eu tenho pena sim, das vidas indefesas que não pediram para serem concebidas, e não podem se defender de seus assassinos.

Estranho esse mundo onde um feto humano vale menos que um cachorro.

Ricardo Antunes da Costa em setembro 28, 2005 10:05 AM


#3

Tive a sorte de ter meus filhos (2) em condições ideais (leia-se: eu os desejava e estava preparada para tê-los). Criminalizar um ato de desespero como o aborto(as mulhers que conheço e o fizeram, descrevem com verdadeiro terror a decisão) é fechar os olhos para os fatos!

Anonymous em setembro 28, 2005 10:27 AM


#4

Idelber,

Sem querer dar uma de conservador, mas vc não acha que havendo uma legalização do aborto, pode acarretar em uma banalização do mesmo e ele também ser usado como "método anti-concepcional"? Claro que exdistem casos onde a necessidade do aborto é óbvia, mas se não houver uma fiscalização, clínicas de aborto também não podem tornar-se matadouros?

Por que, desculpe o termo talvez chulo, mas na hora de trepar é bom, mas para assumir a responsabilidade...

Ronzi em setembro 28, 2005 10:42 AM


#5

Obviamente que esta lei, semelhante à italiana descrita pelo Flavio Prada, preserva o feto de sofrimento a mantém o direito de escolha da mulher. O resto é a consciência de cada um.

Pode haver algo mais justo?

Milton Ribeiro em setembro 28, 2005 10:44 AM


#6

Idelber, meu amigo, infelizmente ainda vivemos no Brasil uma fase legislativa pré-Revolução Francesa na qual ainda não há uma distinção nítidia entre direito, moral e religião. Para nossos legisladores e - pior, muito pior - para o Supremo Tribunal Federal é tudo a mesma coisa. Tem muito "nó na rede" jurídica para ser desfeito... Abração!

Túlio Vianna em setembro 28, 2005 11:04 AM


#7

Meu caro IDELBER,
Eis um ponto em que discordamos. Sou contra o aborto e, portanto, contra a lei do ilustre legislador comunista.
Sem querer polemizar ou usar seu blog como tribuna, permita-me ficar com le Brésil profond, contra o aborto.
E como divergência de opinião, não deve significar hostilidade, deixo-vos meu
Abraço fraterno,
BetoQ.

Zadig em setembro 28, 2005 12:17 PM


#8

Embora eu ache que o feto até três meses não possa ser considerado uma criança verdadeiramente pois não possui sistema nervoso formado, também sou contra a descriminalização em todo e qualquer caso, senão aqueles de estupro, risco de morte para a mãe e malformação do feto.

Como outras pessoas já disseram, há meios contraceptivos eficientes (inclusive a pílula do dia seguinte) para evitar que se chegue a esse extremo de retirar cirurgicamente um projeto de ser humano em andamento de dentro da mãe.

Penso nesse 'projeto de ser humano' embrião ou feto de que falei com tanto zelo porque sinto que tive a oportunidade de experimentar o futuro que ele representa. A minha irmã ficou grávida muito jovem de um namorado que meu pai detestava, e diante da seriedade da situação instalada em casa cheguei a pensar que a melhor solução seria abortar a criança, mas quando vejo hoje, seis anos depois, o meu sobrinho trazendo alegria especialmente para o seu avô (meu pai) e para todos nós da família, e ele próprio sendo muito feliz, eu acho que abortar é uma solução fácil demais para algo que deveria ser encarado com mais responsabilidade antes que acontecesse.

Em termos de saúde pública, a solução mais eficiente seria distribuir meios contraceptivos à população e principalmente adotar uma política séria de educação sexual. Banalizar o aborto além de custar caro aos cofres públicos também pode levar as pessoas a se tornarem ainda mais prolixas, ao invés de mais previdentes quanto a um assunto tão sério.

Atena em setembro 28, 2005 12:23 PM


#9

Estranho mundo esse onde as pessoas acham que podem e devem decidir pelas outras.

Particularmente, pessoal e intransferivelmente, eu não faria e nem aconselharia a nenhuma companheira minha a fazer.

Agora, eu defendo até a morte o direito das pessoas à liberdade de suas decisões.

A questão em cima do aborto, eu penso, é a de entender se ele deve ser ou não asemelhado a um assassinato. Talvez uma boa lei fosse aquela que defendesse a vida da mãe quando ameaçada pela gravidez e defendesse o feto de uma morte por um motivo torpe.

Agora, católico que sou, penso que essa é só uma dessas tábuas a que a igreja se agarra para tentar se salvar da extinção. Não adianta. É pena que a religião que devia vir para libertar as pessoas, só existe hoje para obscurecer a razão.

Bah, já falei demais.

MarcosVP em setembro 28, 2005 12:45 PM


#10

É realmente estranho uma pessoa decidir por outra que a vida dela deve acabar.

Ricardo Antunes da Costa em setembro 28, 2005 12:51 PM


#11

Completamente a favor. Agora as consequências virão para aquele que o fizer, isto é fato, mas o direito sobre o próprio corpo tem que ser garantido até o fim.

Idelber informação é tudo. Não dá para compreender uma gravidez indesejada hoje com tanto metodo para evitar, foi o que eu coloquei no meu blog.

Bju.

Simy em setembro 28, 2005 1:29 PM


#12

Esquece o prolixas. Quis dizer negligentes (tonta, tonta).

Atena em setembro 28, 2005 1:54 PM


#13

Você tocou no ponto: Aborto é uma questão de saúde pública.
Quando o aborto é fruto de uma concepção irresponsável não devemos nos esquecer que o sexo consciente vem de uma educação em que participa a família, a escola e os amigos, e o Estado não deve se isentar dessa educação.
Boa tarde!

Luma em setembro 28, 2005 2:13 PM


#14

Ricardo, permita-me discordar num ponto. Mesmo mulheres muito bem informadas e com acesso a anticoncepcionais (o que é raro nas classes desfavorecidas) estão sujeitas a acidentes que vão resultar numa gravidez indesejada. Contraceptivos nunca são totalmente eficazes. Portanto, fica complicado culpar e punir uma mulher, obrigando-a a levar adiante uma maternidade para a qual ela não está preparada.

E acredite, eu sou mãe e sei o quanto uma gravidez e criar um filho exige de uma mulher fisicamente, psicologicamente e financeiramente. É algo quase sobrehumano. Eu jamais acharia correto impor esse peso a uma mulher que não se acredita em condições de agüentá-lo. Muito menos adolescentes, pobres, mulheres solteiras ou sem qualquer outro suporte familiar.

No primeiro trimestre da gravidez ainda não existe feto. É embrião. Desprovido de consciência. E o feto só é capaz de sentir dor a partir das 29 semanas de gestação, segundo comprovam estudos médicos da UCSF. A vida que parece ser desprezada nessa discussão é a da mulher, você não acha? A mulher é um ser humano mais importante que um cachorro, mas padres, políticos e juízes não parecem pensar nisso. Com certeza, se os homens engravidassem, o aborto já teria sido legalizado há séculos.

Leila em setembro 28, 2005 2:22 PM


#15

Lindo Idelber, Lindo!

O direito a escolher fazer ou não um aborto é o direito sobre o meu corpo, um feto não vive fora do corpo da mãe, não existe sem tomar conta e usar esse corpo pra crescer. Retirar esse direito das mulheres e tratá-las como mero receptáculo, como se elas não fossem pessoas e já não tivessem custos muito altos em manter uma gravidez desejada, tanto maiores em uma indesejada.

E que tipo de vida tem uma criança não desejada, não amada? Que condições, em que ambiente essa criança vai crescer? Para ser abandonada, rejeitada depois?

Beijos

Cheshire em setembro 28, 2005 2:33 PM


#16

Leila, você tem todo o direito de discordar de mim, na hora que quiser.

E pelo visto continuaremos discordando, pois acredito que uma pessoa envolvida numa relação sexual está ciente dos riscos que corre, mesmo sendo o de uma eventual falha do método contraceptivo utilizado.

Portanto eu acredito, sim, que essa pessoa deve arcar com as consequencias de seus atos. Não é fácil ser mãe, eu sei. Ou melhor, imagino, pois jamais terei esse privilégio. Mas se acontecer, é algo com que a pessoa vai ter que lidar. O aborto é simplemente uma fuga de uma responsabilidade, mesmo que essa seja fruto de uma irresponsabilidade.

E independente de ser feto ou embrião, é um ser humano, vivo, em desenvolvimento. O sofrimento do embrião/feto não é, para mim, a questão. Afinal, não gostaria que me matassem, independente se fosse com ou sem dor.

Ricardo Antunes da Costa em setembro 28, 2005 2:35 PM


#17

Idelber estamos de pleno acordo. Gostaria de ver alguns dos teus comentaristas que usaram o argumento da responsabilidade de quem se relaciona sexualmente, criminalizarem o aborto tendo um teste positivo nas mãos. Camisinhas furam, anticoncepcionais falham, diafragmas vazam e por ai vai. O método 100% seguro é não fazer sexo, mas isso somente 20% dos padres consegue. O resto da humanidade precisa do sexo e no caso excepcional de uma gravidez indesejada, quem aceita, deve ter o direito de abortar. Além de questão de saúde, é uma questão de direito civil. Eu teria muito mais a dizer mas vou abortar, vou deixar a frase incompl

Flavio Prada em setembro 28, 2005 3:33 PM


#18

"O método 100% seguro é não fazer sexo, mas isso somente 20% dos padres consegue"

heheheh, grande Flávio!

Idelber em setembro 28, 2005 3:45 PM


#19

Pra mim a questão está bem clara:
- Abortos são feitos ao milhares, com ou sem legalização, e sem o consentimento do embrião/feto
- Se é crime ou não deve ficar na consciência de cada um
- Não acredito que com a legalização o numero de abortos venha a aumentar, mas, com certeza, os acidentes decorrentes de inépcia e falta de condições deve diminuir

Então, tudo se resume em dar as condições para se exercer o direito de escolha. O resto é decisão de foro íntimo, que com certeza é das mais difíceis para todos os envolvidos (homem, mulher, família).

wilson em setembro 28, 2005 5:14 PM


#20

Lamentavelmente esse projeto corre o risco de naufragar, por que o presidente precisa "estar de bem" com a Igreja Católica, já que precisa desesperadamente de apoio, e pensa em brecar a idéia.
Soube da teoria de Steven Levitt (publicada em Freakanomics), que ligou a queda da criminalidade nos EUA à legalização do aborto 30 anos atrás? O que acha disso?

Te em setembro 28, 2005 5:16 PM


#21

Eu li esse artigo, Te. Não me parece descabido, mas eu precisaria de ter mais elementos para julgar. Parece-me bem plausível sim, como mais um fator na queda da criminalidade.

Quanto ao Lula, você tem toda a razão. A carta enviada por ele à CNBB foi um tapa na cara na história do PT. Foi revoltante mesmo. Beijo :)

Wilson, é isso aí, você disse tudo. Abração :)

Idelber em setembro 28, 2005 5:29 PM


#22


Também sou contra o aborto, mas sou a favor da descriminalização. Acho que, nessa seara, nosso pecado maior é a hipocrisia.
Tô torcendo pra que o projeto da deputada do PCdoB seja aprovado.

Socorro em setembro 28, 2005 6:06 PM


#23

Eu não sou contra. Acho que a liberdade individual deveria ser maior do que o poder de restrição do governo. Porque o governo tem o direito de mandar no corpo do cidadão, de ditar o que deve fazer?

Daqui a pouco vamos virar um Uruguai da vida, onde o suicídio é considerado um assassinato, e o cara que não consegue cometer suicídio é preso e condenado por tentativa de assassinato (a sí mesmo!!!).

Evilasio em setembro 28, 2005 10:16 PM


#24

Querido Idelber

Li hoje alguns dos blogs que participam do “Nós na Rede”.

Acho maravilhosa a campanha. Acredito, sim, que é melhor liberar à manter a clandestinidade.

Porém é algo que me preocupa...

Nessa nossa cultura tão precária de informações, onde garotas de 13, 14 anos ficam grávidas pela simples falta do uso de um método anticoncepcional, tenho medo de que isso se torne “moda”...

Aborto não é uma simples retirada de feto (independente de religião) e sim uma (pequena) intervenção cirúrgica.

Acredito que, concomitantemente à liberação, deva haver uma maciça campanha de prevenção, não somente pela gravidez, bem como pelas DST.

Temos também a “pílula do dia seguinte” que também poderia ser usada.

Acho que a liberação do aborto deve ser usada somente em caso de risco de vida à mãe ou má formação fetal e não como método contraceptivo.

Bom.. ta aí...

Beijos.

Sandra em setembro 28, 2005 10:18 PM


#25

Ricardo: não sei se me enganei, mas seus argumentos ("uma pessoa envolvida numa relação sexual está ciente dos riscos que corre") dão a entender que só pode fazer sexo (mesmo seguro) quem está preparado para ter filhos. Eu acho justamente o contrário: sexo é bom, deixa as pessoas felizes, e pode ser feito por qualquer um, independentemente de querer ou não ter filhos.

"Independente de ser feto ou embrião, é um ser humano". Não, não é um ser humano. É um ser humano "em potencial", apenas. Um aglomerado de células que não sente e não pensa é "vida", claro, mas não tem nenhum dos pressupostos de "ser humano". A não ser que você acredite em alma, mas isso é uma questão religiosa de cada um, e não cabe ao Estado se imiscuir nessa questão.

Marcus Pessoa em setembro 28, 2005 11:12 PM


#26

Idelber,que post excelente!
O mais incrível, que tenho percebido, é a opinião dos homens.
Porque quer queira, quer não, quem paga o pato, pra fazermos o aborto ou criar a criança, somos nós as mulheres.
Comecei, meu blog a apenas 8 dias, e está sendo muito bom compartilhar, a minha experiência, com vcs.
As pessoas, que são contra, não estão entendendo, que os abortos, continuam sendo feitos a cada minuto, por uma máfia crimonosa.
Uma "turma", que só queirem seu dinheiro e te tratam muito mal.
O pior, é que esta culpa, mesmo no meu caso,que tenho problemas de saúde, fica, sendo martelada, pela falta total de apoio, que nós mulheres temos.
Ainda bem, que o mundo está caminhando pra melhor, com pessoas que contribuem, assim como vc. e todos, que nos ajudam a libertar destes grilhões que a igreja católica nos impõe.

Ah...só pra vc. saber, leio vc. a muito tempo, e adoro, mas, como não tinha blog, ficava caladinha.
E é ótimo saber, que é da mesma terra que eu...BH.
Vim aqui, através da querida amiga Denise Arcoverde.
Abraços e parabens!

jucimara em setembro 29, 2005 1:18 AM


#27

Marcus: Sim, eu acho. Se a pessoa não quer ter filhos, pode usar anti-concepcional, mas tem que estar preparado para a possibilidade de falha. É igual a pular de para-quedas. Dizem que é bom pra caramba, mas eu não estou a fim de encarar a possibilidade do bicho não abrir.

E em relação ao embrião, minha resposta é: 46 cromossomos. Não conheço nenhum bicho que tenha essa quantidade, senão o ser humano.

Se ninguém intervir, o embrião vai se desenvolver e virar um ser humano completo, salvo morte por causas naturais. Não existe possibilidade do embrião evoluir para outra coisa que não seja um ser humano. Por isso é sim, um ser humano. E acredito que cabe, sim, ao Estado garantir sua preservação, como a de todo ser humano.

Abraços.

Ricardo Antunes da Costa em setembro 29, 2005 1:23 AM


#28

Idelber, como sempre um post excelente com argumentos e dados sólidos. Nme vou comentar em detalhes pois concordo com tudo. A questão, para mim, não é o aborto em si e sim a liberdade de optar.

Viva em setembro 29, 2005 1:42 AM


#29

Tem uma especie de coelho do genero Lepus e uma especie de fungo do genero Ustilago q tbm tem 46 cromossomos. Nao somos a unica especie.

Lucia Malla em setembro 29, 2005 2:17 AM


#30

Idelber,

Vejo o blog-left como uma grande mesa de bar (um Jobi,aqui no Rio) onde nos reunimos para discutir com amigos. Nem sempre concordamos - e até gosto de um pega pra capar - mas o importante é que sentamos à mesma mesa.

Parabéns, pelo post e pela liderança!

Maria Helena Nóvoa em setembro 29, 2005 4:41 AM


#31

Ficou bonito, ficou bonito :)

Idelber em setembro 29, 2005 4:57 AM


#32

Agência Estado


10:27 29/09
dia 29 de setembro de 2005

A adolescente J.S.E, de apenas 14 anos, morreu, ontem à noite, quando era submetida a um aborto clandestino em São Vicente, na Baixada Santista (SP). A garota teria ido à casa da enfermeira aposentada Aparecida Pereira, de 63 anos, levada por uma amiga. Durante o aborto, a menina teria passado mal, sendo necessário o acionamento de uma viatura do resgate.

Maria Andréia em setembro 29, 2005 12:00 PM


#33

Agência Estado


10:27 29/09
dia 29 de setembro de 2005

A adolescente J.S.E, de apenas 14 anos, morreu, ontem à noite, quando era submetida a um aborto clandestino em São Vicente, na Baixada Santista (SP). A garota teria ido à casa da enfermeira aposentada Aparecida Pereira, de 63 anos, levada por uma amiga. Durante o aborto, a menina teria passado mal, sendo necessário o acionamento de uma viatura do resgate.

Maria Andréia em setembro 29, 2005 12:01 PM


#34

Taí, Maria Andréia, mais um caso. Só reforça o que vínhamos dizendo. 14 anos, cheia de vida, morta sem necessidade. Obrigado pela notícia :)

Idelber em setembro 29, 2005 12:08 PM


#35

Poucos temas podem ser tão controversos e polêmicos como o aborto. Chego atrasado à discussão com uma opinião particular.

Na maioria dos casos o aborto não é uma opção totalmente "segura" para a mulher. Respeito os argumentos e tb vejo o problema como de saúde pública e não penalmente.

Neste sentido deve ser descriminalizado, sem dúvida. Primeiro, pela falta de controle existente e segundo pelos inúmeros abortos clandestinos que acabam com a saúde de muitas mulheres.

Porém, há casos e casos. Não se deve visualizar o aborto como alternativa de contracepção. Infelizmente Idelber, sem radicalismos, vc sabe que isso poderia ocorrer (como ocorre, não no geral, mas ocorre).

A educação sexual é necessária, mas não é o bastante. Existe uma cultura de repressão sexual que ainda é muito forte. Vejo isso nos lugares onde ando e onde vivo. Embora os avanços sejam marcantes, ainda há uma grande parcela da população em idade sexual ativa (e sexualmente ativa) que não tem acesso (e mesmo conhecimento) de métodos contraceptivos como camisinha, pílula, injeção, DIU e outros. Parece anacrônico, mas isto existe sim.

Neste contexto o aborto surge como alternativa à uma educação sexual falha, falta de planejamento, irresponsabilidade com o corpo e descontrole dos hormônios. Não estou pregando a abstinência sexual, nem de longe pensaria isso. Mas, sem dúvida, a liberação penal traria um possível problema social.

Pórém, a situação atual é inadimissível. Como está, a lei penal é apenas mais uma lei que não é e nem será cumprida. Deve-se extingui-la não para garantir uma "opção contraceptiva", mas para evitar a irregularidade e a ilegalidade dos abortos atuais. Nunca, em minha opinião, reitere-se, o aborto deve ser visto como método de controle da natalidade.

Ademais sei da dificuldade que uma mulher que se vê diante do aborto enfrenta pois já fui testemunha. Não é decisão fácil e é acompanhada geralmente de muito sofrimento.

A "liberdade de decisões", Marcus VP, não deve ser assim tão "livre". Afinal assassinar uma pessoa tb é uma "decisão" e acredito que vc não defenda até a morte o direito de alguém assasinar outra.

Não que este seja o caso. Não vejo o aborto como assassínio. Nem como redenção. Acredito que sou a favor apenas em casos extremos. Não como "opção" contraceptiva ou de controle de natalidade. Não desejo que este ato seja um crime, mas também não sou (e nem sou obrigado a ser, diga-se) necessariamente a favor quando é utilizado como contraceptivo.

Aliás, ninguém é obrigado a aceitar opiniões alheias. Cabe ao Estado balizar a boa convivência entre os indivíduos e proporcionar condições de vida a todos. Isto não significa criminalizar atos exteriores à sua alçada ou por motivos simplesmente "religiosos".

Isto porém, não deve e nem pode ser meramente "imposto". Deve ser extensamente debatido inclusive visualizando suas conseqüências. Sem dúvida, será uma boa discussão, visto que, nossa Constituição baseada em "sei-lá-quê" argumentos dispõe de proteção à vida, incluindo a uterina.

E tenho dito.
Abs.
Edk

Edk em setembro 29, 2005 4:02 PM


#36

A questão do aborto não deve ser julgada como amoral...é uma questão sensível e pertinente apenas a mulher. Ela deve ter o direito de decidir o melhor para si mesma.

Renan em setembro 29, 2005 4:14 PM


#37

Idelber
O assunto que você em boa hora levanta, pode ganhar mais um obstáculo com a criação - no dia de hoje, em Belo Horizonte - de um partido político religioso!

Paulo Zobaran em setembro 29, 2005 10:01 PM


#38

Eu vi, Paulo. E os caras já começaram filiando o vice-presidente!

Idelber em setembro 29, 2005 10:23 PM


#39

Idelber, discordo de você.

E concordo com o Ricardo Antunes da Costa.

É assassinato sim.

****

Alguém disse aqui que o feto não sobrevive autonomamente, portanto a decisão é da mulher.

Um neném de um mês também não sobrevive sem cuidado. E se uma mulher quebrasse o pescoço de um bebê de um mês, é assassinato, certo?

****

Não tenho argumentos desenvolvidos, nem me sinto em condições de debater. Só sinto, dentro do meu coração que ama e defende a liberdade, que criança não é problema, apesar de dar muito trabalho e custar muito dinheiro.

Já passei pelo susto de estar grávida algumas vezes, e tive de confrontar todos esses conceitos, e cheguei a pensar no aborto. Apenas eliminei o aborto do meu rol de opções pela consciência de estar cometendo um crime (nem meu lado religioso contou muito).

Não importa se o número de abortos vai aumentar ou diminuir depois da descriminalização. Importa saber qual o direito que temos de dizer: hoje você pode ser morto; daqui a um mês, merece viver.

A ciência tem barreiras, ainda há fatos a serem descobertos.

****

Finalizo dizendo que seu post ficou maravilhoso, e sua argumentação, muito sólida. Apenas SINTO que não devo concordar com ela.

Como alguém disse mais abaixo, que bom sentarmos à mesma mesa.

Menina-Prodígio em setembro 30, 2005 6:42 PM


#40

Idelber, querido, na minha lista, seu post ficou por último (tava em ordem alfabética por título), mas dei umas puladas e vim logo aqui, porque ainda estou tentando atualizar a leitura de todos...

MARAVILHOSO! seu post está muito bom, mesmo, como era de se esperar :)

Um beijão!

Denise Arcoverde em outubro 1, 2005 3:39 AM


#41

Segundo os argumentos do Marcus, então fica justificado até o infanticídio, já que uma criança recém-nascida também é um aglomerado de células que não tem qualquer tipo de consciência de si mesma e é apenas um ser humano em potêncial que ainda não se desenvolveu. Portanto, sendo assim, não vejo diferença alguma em esperar o bebê nascer e depois o afogá-lo no rio ou no mar como fazem com os filhotes - sem alma- dos cachorros e gatos, talvez até com os tais coelhos da Lucia Malla) ou então poderíamos atirar os bebês na parede da enfermaria. Assim, as mulheres não precisariam procurar clínicas clandestinas para abortar e ficariam livres do risco de morrerem de hemorragia e do encargo de criarem um filho indesejado da mesma maneira. Com a diferença que teriam pelo menos 9 meses para pensar direito se querem ou não criar o filho. Caso contrário, a mãe diria : "já esta fora do meu corpo, que importa?" Seria a deixa para a enfermeira Sulanca e o Dr. Mengele entrarem em ação e esfolarem o bichinho. Poderíamos confeccionar casacos de pele, não? Pele de bebe humano é tão macia, quase igual a de bebê foca, só que sem pêlos.:)
Mas, deixando o humor negro de lado, eu gostaria de perguntar o seguinte: Será que todas essas mulheres que abortam e morrem vítimas de abortos mal feitos em clínicas (açougues) clandestinos no Brasil são:


a) Vítimas de Estupro ?

b) Mães de fetos com anencefalia e outras má formações graves que impossibilitem a vida depois do parto?

c) Mulheres com saúde frágil que podem morrer subitamente se a gestação continuar até o nono mês?

d) Mulheres que engravidaram por descuido, desinformação e/ou absoluta incapacidade de se verem no papel de mães?

Se você refletir e concluir que a maioria das respostas pode ser "D", então a lógica deveria levá-lo a ser contra a interrupção da gravidez e defender a prisão dos responsáveis por essas clínicas por homicídio doloso. Nenhuma vida humana inocente ( não importa qual o seu estágio de desenvolvimento, seja dentro ou fora do útero) deveria ser descartada ou colocada em risco em favor de outros direitos. Defender o aborto como forma de contracepção, controle de natalidade ou melhora de qualidade de vida, como fazem alguns, é a coisa mais asquerosa que já vi. Só as "ricaças universitárias" (é, eu estou generalizando) é que vem com esse papo filosófico de pro choice ou que o embrião não é vida humana (ah, ah), mas no fundo, lá no fundo mesmo, ao redor do próprio umbigo o que elas querem é o mesmo que deseja a empregadinha doméstica, favelada e /ou analfabeta: Querem ficar livres o mais rápido possível do "verminho" indesejável que tá crescendo dentro da barriga delas e que depois de nascer vai dar um puta trabalhão, transtorno e muita despe$a ( é nessas horas o feto deixa de ser vida humana e se transforma numa "coisa", um alien, um aglomerado de células (um cancêr? um quisto? um lipoma? ou quem sabe uma repugnante aranha? Irc!). Assim, só posso concluir que a questão principal não envolve realmente o direito de ter ou não um filho (se fosse isso seria questão de contracepção, não de aborto), o questionamento principal é decidir até que ponto o Estado deve permitir que uma mulher e um homem (Por que não?) devem chegar para manter sua estabilidade familiar e seu padrão de vida.

LOka em outubro 3, 2005 2:20 AM


#42

"Por isso, há que se entender: ninguém, nem a feminista mais radical, é "a favor do aborto". Não existe isso, ser a "favor do aborto".

Tá brincando, né? Conheço pelo menos umas três mulheres que fizeram abortos como se tivessem cortado uma unha. Elas acham que isso é seu direito reprodutivo e pronto. Sem remorso.

"Quem já conversou e conviveu com uma mulher que abortou sabe: trata-se sempre de uma decisão dura e difícil para a mulher."

Sim: muitas acreditam estar fazendo algo errado. E fazem mesmo assim. Agora, legalizar isso.... sei não....

Vanessa Lins em outubro 10, 2005 8:27 AM


#43

Loka, que máximo!!! Falou e disse tudo. Parabéns.

Vanessa Lins em outubro 10, 2005 8:35 AM


#44

"Defender o direito à vida é defender que todo ser humano que venha ao mundo tenha condições dignas de sobreviver."

Quem dita essas condições dignas? Eu? Você? É uma decisão subjetiva, então? Existe a mãe que ganha 400 reais por mês mas quer ter seu filho porque acha que vai conseguir criá-lo, nem que recorra a ajuda de terceiros e a que ganha 800 mas acha que não dá "porque não vai dar conforto nem educação nem comida". Decisão meramente subjetiva.

Querem legalizar o assassinato de um ser vivo com carga cromossômica independente da mãe, o seu próprio filho, por causa do direito "maior" que ela tem de achar "que não é a hora", tá bem.

Mas usar argumento subjetivo para legalização é a coisa mais louca que já vi. E é só o que os pro-choice fazem, pelo jeito.....

Vanessa Lins em outubro 10, 2005 8:41 AM