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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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domingo, 30 de outubro 2005

Discoteca Básica do Mangue Beat

Para conhecer a melhor música popular feita no Brasil nesta última década, a de Pernambuco:

mangue-3-lama.jpg 1. Da Lama ao Caos, Chico Science e Nação Zumbi (1994): Aqui começou tudo. Alfaias do maracatu misturando-se a guitarras, baixo e bateria. Vocais que exploravam o inusitado parentesco entre a embolada e o hip hop. Distorções à la heavy metal coexistindo com a ciranda e a música eletrônica. Tudo marcado pela poesia visionária de Chico Science. Os brasileiros que viram a performance de Chico e Nação no lançamento desse disco no exterior, no Central Park de Nova York em 1995, jamais perderão o orgulho de serem brasileiros. Fúria combinatória como não se via desde o tropicalismo. O encarte traz o maravilhoso manifesto.

mangue-1-samba.jpg2. Samba Esquema Noise, Mundo Livre S.A. (1994): Tão importante como Chico Science para o movimento, Fred 04 reúne a troupe pela primeira vez aqui e já no título rende um tributo a Jorge Ben Jor. Primeiros registros do que seria seu legendário cavaquinho. Mais roqueiros e mais diretamente políticos, o Mundo Livre S.A. também tem, ao contrário da Nação Zumbi, um pé inteiro no samba. Em "O Mistério do Samba", do disco Por Pouco, eles resumiriam a história: O samba não é carioca / O samba não é baiano / O samba não é do terreiro / O samba não é africano / O samba não é da colina / O samba não é do salão / O samba não é da avenida / O samba não é carnaval / O samba não é da tv / O samba não é do quintal / Como reza toda tradição / É tudo uma grande invenção.

mangue-4-terceiro.jpg3. Terceiro Samba, Mestre Ambrósio (2001): Difícil escolher o melhor disco do Mestre Ambrósio. Fico com este, o terceiro, onde mais se realçam a rabeca de Siba e as letras delirantes, com toques medievais, de Sérgio Cassiano. A base é o forró e a música de cordas árabico-ibérica, mas há de tudo: maracatu, samba, repente e ciranda incluídos. "Saudade" é um samba para carioca nenhum botar defeito. O irresistível baião "Povo" é, na minha opinião, das melhores canções políticas da história da música brasileira.

mangue-5-afro.jpg4. Afrociberdélia, Chico Science e Nação Zumbi (1996): Maturidade atingida, fórmula encontrada: a tríade maracatu-embolada-coco encontra a tríade metal-reggae-hip hop. Com produção superior à do primeiro disco, esse petardo preparava Science para conquistar o mundo. É de morder os lábios de raiva pensar que o cara morreria logo depois, com mil projetos na cabeça. A releitura de "Maracatu Atômico", de Jorge Mautner, marcaria época. Gilberto Gil dá canja numa faixa memorável, "Macô". Não seria exagero dizer que este é o disco mais importante da música popular brasileira na década de 90. Indispensável.

mangue-6-fome.jpg 5. Fome dá dor de cabeça, Cascabulho (1998): Primeira banda forró-punk do planeta. O Cascabulho destila a energia roqueira, metálica e rapeira do mangue beat mas toca, basicamente, baião dos bons, e uptempo. O vocalista Silvério Pessoa (agora em carreira solo e arrasando na Europa) é um show à parte. O Cascabulho explora especialmente a vertente sacana e safada sempre presente no forró. O exigentíssimo público musical de New Orleans se embasbacou com essa banda e lhe deu nota 10 no Jazz Fest de 2001. No título do disco, já toda uma estética.

mangue-7-fome.jpg6. Contraditório?, DJ Dolores (2002): Chico Science sempre teve um pé na música eletrônica, mas quem leva a arte do sampling às últimas consequências é DJ Dolores. Matérias primas da sampleada? Tudo, especialmente o arquivo infinito da música nordestina. Mas também entram ruídos ambientais, narrações de rádio, house. Já no título, um apelo à mistura. Nunca uma rabeca lhe soará tão moderna.

mangue-2-peixe.jpg7. Fique Peixe, Querosene Jacaré (2001): Um dos melhores discos de rock feitos nos últimos tempos no Brasil. O rock sempre foi pilar chave do mangue beat, mas aqui é onde ele se realiza com todo vigor. Sem prejuízo da mistura: você encontrará guitarras distorcidas embalando uma ciranda e sambalanços cujo swing cita claramente Jorge Ben Jor. Uma das pérolas do mangue ainda pouco conhecida no sul maravilha. Há mais rock numa faixa do Querosene do que em toda a obra dos Skanks, Jota Quests e outros abomináveis espécimens do chamado "rock mineiro".

mangue-8-naçao.jpg 8. Nação Zumbi (2002): Quem apostou que a Nação não sobreviveria à morte de Chico se enganou. Jorge du Peixe assumiu o leme e, depois do disco Radio S.A.M.B.A., de 1998, levou a troupe a esse absurdo petardo, talvez o disco mais pesado de toda a discografia mangue. Apesar de pesadíssimo - em ambos os sentidos, roqueiro e maracatúlico - Nação 2002 é melódico, lírico, de audição apaixonante. A sampleagem e a música eletrônica vêm no toque certo, sem se sobrepor às poderosas alfaias, guitarras e baixo. "Blunt of Judah" é daqueles fenômenos da música brasileira: letra meio nonsense, com inglês misturado, que todo mundo aprendeu e canta até hoje.

mangue-9-otto.jpg 9. Samba pra Burro, Otto (1998): Esse descendente de holandeses e índios foi baterista nas primeiras formações da Nação Zumbi e do Mundo Livre S.A. Só isso já lhe garantiria lugar de honra no movimento. Mas esse disco é outra pérola que não pode faltar numa discografia básica: a base é a eletrônica, mas sem agressividade. Muito swing, muita ginga. O título maravilhosamente descreve a ambiguidade do disco.

lenine-1.jpg10. Na Pressão, Lenine (1999): Lenine não é exatamente parte do movimento mangue, mas qualquer antologia de música pernambucana ficaria incompleta sem ele. Letrista, violonista, arranjador, produtor, pensador, músico de incríveis recursos, ele já marcou época na música brasileira. Sobre ele eu escrevi esse outro post. Qualquer um de seus discos serviria aqui, mas escolho Na Pressão pelo conjunto coroado por "Jack Soul Brasileiro", esse manifesto de brasilidade anti-xenofóbica.

Eu poderia citar outros 50 discos pernambucanos indispensáveis da última década (faltou o Cordel do Fogo Encantado, por exemplo). Mas com esses 10 dá para começar.

Salve, Pernambuco.

PS: Este blog foi inaugurado no dia 29 de outubro de 2004. Um aninho completado neste fim de semana. Tim-tim.



  Escrito por Idelber às 23:12 | link para este post | Comentários (40)



sábado, 29 de outubro 2005

Gracias, Chile

Pegando o avião de volta para o Brasil, eu não poderia deixar de fazer este post:

Obrigado, Chile
, por essa hospitalidade maravilhosa.

Obrigado, mestre Pablo Oyarzún - o maior filósofo latino-americano - pelo convite. Obrigado, Willy Thayer, por tanta generosidade. Obrigado, Elizabeth Collingwood. Claudio, pela ida memorável ao Estádio Nacional. César. Roxana. Sérgio Parra. Nelly Richard. Seria uma lista infinita, a dos amigos queridos.

Obrigado, Universidade do Chile. Obrigado aos fantásticos alunos que fizeram do seminário sobre a violência uma experiência memorável.

Fotinhas, todas tiradas por ela, com exceção da última:

chile-1.jpg chile-2.jpg
esq: Biblioteca de Willy Thayer
dir: Estádio Nacional, Chile x Equador


chile-8.jpg chie-8.jpg
esq: Viña del Mar
dir: Valparaíso

chile-7.jpg chile-6.jpg
esq: Túmulo de Pablo Neruda e Matilde Urrutia em Isla Negra.
dir: Coleção de garrafas de Pablo Neruda.

chile-3.jpg chile-10.jpg
esq: Na varanda do apartamento onde a Universidade nos hospedou
dir: Casa de Neruda em Santiago

Compañero presidente: tu memoria vive. chile-13.jpg

Daqui a uns dias a gente volta a transmitir da capital das Alterosas.



  Escrito por Idelber às 01:00 | link para este post | Comentários (14)



sexta-feira, 28 de outubro 2005

Brincadeira de Adivinhação - Campeonato Brasileiro

Brincadeirinha de adivinhação deste blogueiro mui masoquista:

Quais serão os quatro times rebaixados à segunda divisão do Campeonato Brasileiro neste ano de 2005?

No final do campeonato a gente sorteia um presentinho entre os leitores que tiverem acertado.

PS: O que os grandes meios de comunicação de massa estão fazendo que ainda não contrataram o Ubiratan Leal? O cara é muito melhor que todos os comentaristas de futebol da TV brasileira. Uma visita ao Balípodo vale 15 mesas-redondas de domingo à noite.

PS 2: O Juca Kfouri e o José Roberto Torero são jornalistas experientes, com vasta trajetória na crônica esportiva. Mas só agora estão descobrindo o que é administrar um blog. No blog do coitado do Juca, de cada 5 comentários, 3 são tamancadas à sua corintianice e suposta falta de imparcialidade. Outro dia o blog do Torero publicou uma carta da tia do rapaz ponte-pretano assassinado na semana passada e teve que aturar um monte de vândalos insultando a vítima. Vamos ver quanto tempo durarão aquelas caixas de comentários no formato em que estão hoje.



  Escrito por Idelber às 03:50 | link para este post | Comentários (28)



quinta-feira, 27 de outubro 2005

Texto completo da palestra em Pittsburgh

(a pedido de leitores, deixo aqui o texto que eu apresentei sobre blogs no colóquio organizado pela Universidade de Pittsburgh; na verdade a apresentação foi bem mais longa, mas este foi o texto base. Infelizmente, está em inglês. Se alguém tiver dificuldade de entender, pode pedir ajuda na caixa de comentários que com certeza alguma alma tradutora caridosa aparecerá...)

Cultural Studies in the Blogosphere:
Academics meet new Technologies of Online Publication

The following paper will be more a personal report than an exercise in speculative theory, but perhaps it might help us shed light on a debate that lies at the heart of the question of ethics in intellectual work: the possibility and desirability that academics write, on a regular basis, for an audience beyond the university walls. In a recent piece, American literature scholar Michael Bérubé reports on the stigma associated with academics who write for broader audiences, choose to intervene in so-called civil society, and thus break the unspoken pact of adherence to the semi-feudal structure that allows scholars to say just about anything as long as they stay within safe disciplinary boundaries. For junior faculty, of course, the act of stepping outside those boundaries into the terrain of broader cultural discourse may turn out to be deadly, no matter how brilliant, prolific, and accomplished they happen to be in their fields. It’s as if the extra work you do as a public intellectual – let us maintain that notion for the moment, however problematic it is – somehow cancels out, invalidates, or causes suspicion to be raised about your disciplinary work, regardless of how valuable that work has proven to be.

In academia, “journalism” is the name reserved for this beast. The term is used in academic discourse in at least two different senses, in a strictu sensu to designate the set of practices that emerged and consolidated themselves around the institution of the modern newspaper in the 19th century as well as its later offspring in spoken and visual media, but also a lato sensu to signify any and all discourses of knowledge, on any object, that do not conform to the boundaries proper to the modern, departmentally divided research university. “Oh, his work is kind of journalistic” we tend to say with disdain about those who dare overstep these boundaries or speak with a greater degree of clarity to an educated general readership, in an implicit equation between being readable and being superficial. This is not to deny, of course, that there is stuff that passes for scholarship but which is, in fact, journalism in the strict sense – a compilation of already produced knowledge, and that therefore should be called by its name. My point is, however, that more often than not the disqualification of journalism in academia works as a protective barrier, maintaining the separation between academia and its outside. First axiom of this paper, then: In the modern research university very seldom will you be able to put yourself in a position to act as a public intellectual without confronting the charge of being “journalistic.” Undoing the anxiety that belies that charge is itself one of the major tasks of intellectual work.

In a debate promoted by The Nation on that topic in 2001, Jean Bethke Elshtain mused that the problem with public intellectuals is that they tend to become more and more public, less and less intellectual. Not necessarily less respectful academically, but “less reflective, less inclined to question one's own judgments, less likely to embed a conviction in its appropriate context with all the nuance intact”. In finding a comfortable niche for him/herself, in a establishing a voice from which a certain public already knows what to expect, the public intellectual runs the risk, at the limit, of becoming a paid publicist, a spinner, an ideologue. That is not, of course, inevitable. Jean-Paul Sartre and Susan Sontag could be mentioned as two examples of thinkers who maintained their full critical edge and rigor even after a life-time of work in the public sphere. It was only after decades of engagement as a socialist intellectual that Sartre wrote his monumental study of Flaubert, The Idiot of the Family, a work as rigorous as anything he ever wrote. The charge that the public arena creates vices in the intellectual may, then, have some truth to it, but it’s far from being universal. However, for academics hoping to act in that arena, the combination or reconciliation of a broad public discourse with the maintenance of the rigor inherited from academic work is, indeed, a permanent challenge.

The discussion about the existence (or not) of genuine public intellectuals in the United States is itself a topic that has produced a lengthy bibliography. Books on the modern university, such as Bill Readings’ The University in Ruins or Peggy Kamuf’s The Division of Literature have studied the growing process of specialization undergone by the post-Fordist university, where an increasingly corporatized structure forces academics into ever-smaller corners of specialization. In this context, the figure of the intellectual in the European sense – or even in the New York sense in which Edmund Wilson and Irving Howe may count as examples – seem to have been on sharp decline, Susan Sontag’s death representing here a somewhat allegorical endpoint for a whole generational experience. For those of us not simply comfortable with the retreat into the safety of academic specialization, while aware that the conditions are not given for a revival of the public intellectual of the universalist, Sartrean type, what is to be done?

The figure of the politicized intellectual has always been closely connected with the space defined by Habermas as “public sphere” – Öffentlichkeit, the German term, brings with it the idea of openness and an essential relationship with the outside. This is my cue to connect ethics and intellectual work. I would contend that the ethical content of intellectual work today does not have to revolve around the question of political commitment along Sartrean lines – it doesn’t preclude it, mind you, but it should not be reduced to it. If we follow Emmanuel Lévinas on this matter, we’d have to reverse those terms: it’s not the content of the commitment that gives the ethical encounter its meaning, but on the contrary, the encounter itself, the unanticipated arrival of the Other that allows for all commitments, political and otherwise, to take place. The key, for Lévinas, is the irreducibility of the Other and its nature as the fundamentally unknowable agent of an event that cannot be anticipated, an event constitutive of the subject as such. The ethical question par excellence for Lévinas, then, is how to open oneself up to the arrival of the Other. How does one prepare and experience that encounter, however, while intervening in the public sphere in ways that enhance its unfinished nature, its openness to political action.

On the Internet, we always, by definition, speak and write to an other that we don’t really know. That is to say that the Internet radically changes our experience of the public sphere – in fact one could not speak of the public sphere today without considering, particularly, the world’s 60 million blogs have changed politics, journalism, and the practice and study of culture in recent years. I’ll devote my remaining minutes to a few reflections on it, based on my one-year experience as a blogger.

For the benefit of those who may not have run into blogs yet, here goes a short definition: a blog is a personal web page updated daily or semi-daily, or with some frequency, with entries dated and organized in reverse chronological order, so that as you open up the page you will always see the latest entry. These entries, named posts, may be accompanied by a comment thread where readers write in their responses. In the more widely visited blogs, the number and frequency of these responses may cause a true conversation to be formed. On one side of the page the blogger will usually include a blogroll, listing the blogs that s/he visits and with which she is engaged in conversation. Posts may be as short as a word and as long as an academic essay, but their essence is the hyperlink, that better-than-a-footnote resource that allows bloggers to send readers to their sources, be they a piece of news, a post in another blog or just about anything available on the Internet.

The first blogs emerged in the late 1990s, and today in several countries – the US, Brazil, France, and Iran, foremost among them – they have become an integral part of the experience of the Internet. According to Technorati, a site that tracks down links on the Internet, there are currently 60 million blogs worldwide. Every 14 seconds someone creates a blog somewhere. These, of course, can range from a teenage diaries to specialized news blogs, blogs of political or cultural commentary, blogs of or on literature, sports or what have you. In countries like Iran, the blogosphere already is the main source of news available about the country, in a context of severe censorship over traditional media. Something interesting has been happening, in fact, with the journalistic blogs: many of them started simply linking to, repeating, and commenting on news reported by the major media. Today, this movement has been reversed somewhat: using internet resources to reach information, blogs have begun to report news first and more thoroughly than major media, in such a way that major newsgroups are now often echoing pieces of news from the blogosphere. In Brazil all of the major newspapers have devoted teams of reporters to tracking down what goes on in the blogosphere. Hardly a day goes by in the United States without a major piece of news coming out through blogs. Hardly a day goes by without traditional media being forced go after or respond to a piece of news uncovered by blogs: recent cases include that of Jeff Gannon, the male prostitute that gained press passes to the White House, the unveiling of the Bush / Dan Rather forged document episode, not to mention the very candidacy of Howard Dean for the Democratic nomination last year, which was primarily catapulted and financed through blogs.

One of the recent events where this new paradigm for reporting and discussing news became clear in Brazil happened in April, during a soccer game between São Paulo and Quilmes, from Argentina. A black Brazilian player was sent off the field for reacting to a racist insult coming from an Argentine player. The unusual thing about the episode was that Grafite, the Afro-Brazilian player, pressed charges against Desábato, his Argentine colleague for racist injury, which is a federal crime in Brazil. The charges were accepted by the sheriff and a warrant for Desábato’s arrest was issued immediately after the game was over. For the first time in Brazil, and perhaps in the world, an arrest was made on a soccer field on the grounds of a racist insult. Regardless of what one thinks about the decision of the Brazilian justice, this was an absolutely novel event not picked up as such by the media. Sports journalists are not used to discussing matters such as racism, and on the other hand political journalists didn’t really know what to make of the event which had taken place, after all, within a soccer field. Dozens of blogs picked up the issue and wrote on a it with a number of perspectives. Several forums for discussion were created, with positions ranging from one extreme to the other. On the days following that episode, my own blog peaked at 18.000 daily visits. By the time the media picked up on it had become clear that they had missed the singularity of the event. If I can mention myself as an example, during the catastrophe in New Orleans it was through my blog and few others that the Spanish- and Portuguese-speaking community of Tulane was able to exchange news about each other and reassure colleagues that everyone was, if not well, at least alive.

As usual, academics have been slow to respond to this phenomenon, often echoing the nervous response of journalists: since blog posts go through no editorial process, there’s no “guarantee” of the quality or the verifiability of the material you read in a blog. While a few academics have picked up the medium and created excellent blogs, my experience is that I’ve had to explain what a blog is more often when talking to academics than when talking to teenagers. Meanwhile, we continue our discussions of the possible or desirable political impact of academia largely ignoring that such impact can no longer be measured without reference to these new electronic media. In the case of blogs three things in particular are highly relevant for that discussion: first, the sheer size of that readership: more people read my blog daily than have read both of my books in three languages and six years. Second, the instantaneous response of these readers makes of the blog an arena with challenges that one does not usually face in the more secure, walled space of the university, and third, the unpredictable nature of the associations you may establish goes far beyond what we have grown used to seeing in the university. The connection with the outside of university walls should no longer then, be a matter that we discuss in oblivion of this amazingly innovative experience in first-person writing. It is up to us to make full use of it.



  Escrito por Idelber às 05:05 | link para este post | Comentários (25)



quarta-feira, 26 de outubro 2005

Alô, Pittsburgh: Thanks!

pitt.jpg

13a maior cidade dos EUA, 1a cidade do mundo a ter um cinema, lugar de realização do primeiro transplante de fígado e de rins do mundo, cidade onde se fez o primeiro Big Mac da história, morada da 1a estação de rádio comercial e da primeira estação de TV pública dos EUA, Pittsburgh tem história. Muita. Durante anos, foi responsável por um terço de todo o aço produzido no planeta. Localizada na junção de três rios no oeste da Pennsylvania, numa região carbonífera, Pittsburgh sempre foi uma cidade de classe trabalhadora.

Ali se realizou aquela que talvez seja a greve mais marcante da história do movimento operário norte-americano, a Homestead Strike, em 1892, quando os trabalhadores tomaram as fábricas de aço e foram desalojados por uma força militar que ocupou a cidade durante meses.

pitt-mill.jpg

Nos anos 1980, com a desregulamentação da economia impulsionada por Reagan, Pittsburgh perdeu quase toda a sua produção de aço, da qual restam hoje ruínas pós-industriais. A visita a essas ruínas é muito impactante. A cidade se recuperou parcialmente investindo nas área de tecnologia e turismo. Seu grande orgulho são os Pittsburgh Steelers, time de futebol americano de muita tradição, especialmente na defesa (conhecida como Iron Curtain). O futebol americano ali é referido simplesmente como the game.

É uma das cidades com mais pontes em todo o mundo, e a chegada ao centro, por sobre o Rio Allegheny, é algo de exuberante. Pittsburgh também é morada de um Museu Andy Warhol e duas belas universidades, a Carnegie Mellon e a University of Pittsburgh.

A esta última, agradeço a hospitalidade e o convite ao belo colóquio sobre ética na semana passada. À Prof. Erin Zivin de novo meu muito obrigado pela impecável organização do evento. Ao mestre John Beverley, meu obrigado pelos passeios e pelos detalhes sobre a história de Pittsburgh. Obrigado também a todos os professores e alunos de pós-graduação do departamento de estudos hispânicos da Pitt, e ao Rafael por essa menção elogiosa no seu blog.

Lição mais uma vez renovada nesse colóquio: os que aparecem criticando "os intelectuais" por não fazerem nada "pelo povo" e repetindo slogans de algum político, de alguma fundação, ou de algum governo costumam ser os piores charlatães. Olho neles.

PS: O Edk me informa que o nosso Galo está leiloando a taça de 1971 para pagar dívidas trabalhistas. A patética diretoria do Galo diz que vai resolver. Meu Deus, a que ponto chegamos. Respeitem Telê Santana, cambada.

PS 2: Vejam que lindo flog ela fez sobre o Chile.

PS 3: Um blog que tenho curtido muito: Ressaca Moral.



  Escrito por Idelber às 02:17 | link para este post | Comentários (21)



domingo, 23 de outubro 2005

Até que enfim acabou esse referendo!

Ganhou o não. Ganhou bem e limpamente. Não deixa de ser um fenômeno eleitoral: uma bandeira que começou a campanha com 80% de apoio nas pesquisas foi rejeitada por 2/3 da população.

Conclusão: não há bandeira política que sobreviva ao apoio do governo federal.



  Escrito por Idelber às 23:27 | link para este post | Comentários (62)



sábado, 22 de outubro 2005

Um sábio ditado gringo

beer.jpg wine.jpg

Eis aqui um sábio dito popular do sul dos Estados Unidos, cuja veracidade pude comprovar mais uma vez esta noite:

Wine on beer, never fear
Beer on wine don't combine.

Será que algum dos eruditíssimos leitores deste blog arriscaria uma tradução ao pindorâmico que mantivesse as rimas?



  Escrito por Idelber às 03:19 | link para este post | Comentários (35)



sexta-feira, 21 de outubro 2005

Linkania em Pittsburgh

De volta em gringolândia - só por uns quatro dias, numa bela cidade que eu ainda não conhecia: Pittsburgh. Ando por aqui convidado por essa bela universidade para falar hoje num colóquio que promete. São 2 da matina, eu ainda não terminei a palestra e estou blogando. Êta, vício. Já deixo o agradecimento à Prof. Erin Zivin pelo gentil convite a este escriba.

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Eu já devo ter entrado e saído deste país umas 50 vezes. Hoje, o oficial de imigração que revisou meu passaporte e green card teve que fazer a pergunta inevitável: "por que está há tantos meses fora?" Começo de resposta minha: "Bom, eu moro em New Orleans e..." Resposta do cabra: eu também. Pela primeira vez, na vida, um contato humano com um oficial de imigração: trocamos figurinhas da desgraça. No avião, outra garota de lá, que perdeu tudo. A memória da minha cidade está por todas partes.

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Notícias dos EUA? Nada de novo: corrupção, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro. Mais ou menos como no Brasil, com a diferença, claro, que o governo daqui é responsável pela matança de dezenas de milhares de inocentes. E que agora parece haver real esperança de que, nas mãos de um promotor ao que tudo indica ilibado e respeitável, a montanha de provas contra Bush possa levar à queda da corja. Andam bem nervosinhos na Casa Branca, disso não há dúvida. E a Blogosilvânia de Esquerda anda bem confiante que agora a casa cai. Eu? Cético.

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Participe da campanha acorde um leitor da Veja: os caras conseguem, ao fazer três afirmações, publicar quatro mentiras. É como diz o Catarro: se a Veja nega, é porque é verdade. Se afirma, é porque é falso. É batata.

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O gente finíssima Mauro Amaral, do Carreira Solo, está fazendo um censo para conhecer melhor os leitores. Para participar e ajudar esse excelente projeto a mapear seu público, é só clicar aqui no selinho:
logo_small.gif

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O blog que mais tem me feito dar risadas nesse Brasil pós-mensalão completou 400.000 visitas. Congrats, lindas. Leitores, um pulinho lá para dar parabéns às magrelas que elas merecem. Êta, blog alto astral.

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E por falar em risadas, essa aqui é imperdível: saga.gif. Se ainda não viu, tem que voltar lá no começo e acompanhar tudinho. É hilário demais.

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Contaram-me que, tendo ido assistir pela primeira vez na vida uma partida de futebol - o histórico encontro entre XV de Piracicaba e Paraisópolis - o blogueiro Ludivicus Biajonicus não resistiu à emoção e parece que passou desta para a melhor, logo no dia do seu aniversário. Parece que suas últimas palavras foram: a única coisa que presta nos anos 80 são os Talking Heads, mesmo assim só o disco de raridades e B-sides lançado exclusivamente na Austrália! Relata-se que depois de decretar a falência de toda a música pop, o ilustre blogueiro expirou.



  Escrito por Idelber às 03:12 | link para este post | Comentários (18)



quinta-feira, 20 de outubro 2005

Post para alumnos del seminario de Universidad de Chile

(post em espanhol para discussão acerca de Sobre a Violência, de Hannah Arendt e Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon. Leitores regulares: fiquem à vontade para participar)


Hannah Arendt y Frantz Fanon representan dos puntos extremos de la reflexión del siglo XX sobre la violencia. Les propongo una discusión basada en los siguientes puntos:

1.El planteo de Arendt de que la guerra . . . ha perdido gran parte de su efectividad y casi todo su atractivo. ¿Cuáles hubieran sido los límites de esa percepción ya en el momento en que fue escrita (1970)? ¿Cuáles las diferencias de una época de guerra fría (definida Arendt como tiempo en que la carrera armentista no es una preparación para la guerra, sino .... la intimidación es la mejor garantía de paz ) respecto al momento? ¿Habrá sido alguna vez verdadero el supuesto de que la guerra había perdido su atractivo?

2.¿Qué le pareció la sorprendente crítica de Arendt a Sartre, filósofo atacado por ella (una pensadora más cercana al liberalismo que al marxismo) como no suficientemente marxista, o por lo menos como no fiel lo suficiente a Marx? ¿Por dónde pasan los diferendos entre Arendt y Sartre?

3.Según Arendt, la derecha y la izquierda coinciden en pensar que la violencia no es sino una manifestación de poder. Para ella el recurso a la violencia es, más bien, una manifestación de ausencia de poder. Discutir y evaluar esa percepción de Arendt.

4.¿A Ud. le parecería justo caracterizar la posición de Arendt acerca de la violencia como la de una pacifista liberal? ¿O bien habría algo en ella que escaparía a esa caracterización?

5.Frantz Fanon, en Los condenados de la tierra, presenta una posición diametralmente opuesta a la de Arendt. Discutan lo quieran respecto del diferendo entre las dos posiciones: cuál de ellas les pareció más apropiada a una práctica social (la de entonces y la de hoy), cuáles peligros o riesgos advendrían de cada una de ellas, etc.

(claro, no es necesario contestar todas las preguntas punto por punto, sino dejar comentarios que contemplen una o más de ellas y sirvan para provocar la discusión)



  Escrito por Idelber às 03:05 | link para este post | Comentários (19)



quarta-feira, 19 de outubro 2005

Blogueira convidada: Ana Maria Gonçalves

(carta dela, que fez um lindo blog sobre o Chile, aos meus filhos)

Santiago do Chile, 12 de outubro de 2005

Queridos Alexandre e Laura,

Hoje é dia das crianças aí no Brasil, e seu pai falou muito em vocês. Ele fala todos os dias, várias vezes ao dia, e tenho a certeza de que isso não significa nem uma mínima parte da quantidade de pensamentos nos quais vocês reinam absolutos. Será que vocês conseguem sentir isso? Acredito que sim, pois, ao contarem para ele como foi o dia de vocês, comentam apenas aquelas coisas das quais ele não participaria mesmo estando presente, como o dia na escola, os passeios com a mãe e os primos, os pensamentos mais secretos. Em tudo o mais, como quando vão dormir, comer, conversar, não comentam, pois estiveram juntos. Ou comentam apenas com aquele tom de observação de quem quer dividir o mesmo pensamento.

Queria contar para vocês das frutas chilenas, talvez por achar que algumas frutas são assim como as crianças. Principalmente as verdes, mas apenas as que são doces desde o início. Mas antes, queria que lessem um trechinho de um livro que compramos ontem, El viejo e el niño, de Efraim Barquero:

“Los dos se detienem casi al mismo tiempo, al descubrir la fruta em los árboles, uno con la dulzura de la edad y el outro con la premura de los años.
Y las frutas maduran.
El viejo toma una, la huele largamente y se la da l niño, quien se la come con gusto y se mira las manos que huelen a fruta acabada.
Hay que verlos en esta ocupación de recolectores.
- Están buenas como em otros años, dice el anciano, poniendo-se algo triste, del color de las frutas recordadas.
El chico mira y no sabe qué decir, porque sus ojos y su boca tienem siempre la edad de todas las frutas.
El anciano le indica que ésta es más dulce, que ésta tiene más sol y ésa otra más luna, pero non las prueba.
Las muestra solamente com el dedo como si tuvieram nombres de personas desconocidas para su pequeno amigo.”

Pronto, é isso. Já pensaram se, como diz o velho, as frutas tivessem mesmo nome de pessoas? Pois, em línguas que não conhecemos, podemos até mesmo brincar disso. Há pessoas que se parecem com frutas, já perceberam? Algumas são doces, outras são azedas; outras já são bonitas desde a casca, outras apenas quando vemos o interior; algumas são mais comuns, mais extrovertidas, outras se escondem para aparecerem apenas em determinadas épocas do ano. Algumas são raras, outras iguais a todo mundo. E por aí vai, crianças, pois tudo na vida é dado a comparações. Há muitas frutas diferentes no Chile, e estou mandando fotos de algumas. Bem, esta foto aí acima é de um limão, quase igual a que temos por aí, mas apenas para mostrar como são mais compridos e bicudos.

Esta outra foto é de mexerica, ou tangerina, como quiserem chamá-la. Está cortada feito uma laranja por que achei que combinava cortá-la como uma laranja, por causa desta casca que tem uma cor laranja magnífica. Está bem, confesso que também fiz isso porque não gosto muito de descascar com as mãos, fica aquele cheiro de sumo que mesmo depois de muitas horas todo mundo sabe que você chupou mexerica.

E já que estamos falando de frutas conhecidas, eis aqui o papaia chileno. Aquele mamão que aí conhecemos apenas como papaia, aqui ganhou um sobrenome e se chama papaia tropical. Apenas papaia é um pequenino, que fiz questão de fotografar junto com a minha mão para que vocês tenham idéia do tamanho. Tudo nele é diferente, a começar pela casca, muito mais fina, mas é muito mais diferente no gosto, é azedinho. A textura do miolo é de uma goiaba bem madura, mas o gosto de aproxima de uma maracujá, ou de um cajá, não sei bem. Vocês conhecem cajá? Também não sei como se comem aqui, mas eu como de colherinha, e aos montes, pois adoro fruta um pouco azeda. Então, misturando os nomes com os gostos, será que poderíamos chamar essa fruta de paracajá? Ou será que vocês têm nome melhor? Vão pensando aí porque depois vou querer saber.

Esta outra foto é de um fruta da qual não me lembro o nome. Por fora lembra um pequeno abacate, que aqui se chama palta e é usado em todos os sanduíches (seu pai não gosta, e sempre pede os sanduíches sem palta). Aliás, sabiam que aqui o abacate não é considerado fruta? Mas voltando às nossa fruta-da-qual-esqueci-o-nome, ela tem uma cor bonita, mas o gosto é um pouco estranho. É uma fruta pesada, não tem jeito de fruta, tem muita “massa” (nada a ver com macarrão, certo?). Até voltarmos, vou tentar descobrir o nome dela para contar para vocês.

Essa aí da foto é minha fruta preferida, por enquanto, pois tenho experimentado todas que vejo pela frente. O nome dela é “tuna”, bem estranho para algo que vive fora d'água, mas gostosa demais! Tem a aparência de um kiwi, mas a casca é fina e lisinha, e a textura novamente se assemelha a uma goiaba, não muito madura, talvez por causa das sementes. O gosto também não sei explicar muito bem, mas é docinho, e me lembra fruta fresca, como a melancia ou novamente aquelas frutas típicas do nordeste, das suculentas.

Por fim, a fruta preferida do seu pai, a chirimoya. Acho que é a versão chilena da nossa “fruta-do-conde”, um pouco mais durinha e um pouco menos doce. E é com ela que me despeço, com o seu pai aqui ao lado mandando um grande beijo que vai se juntar ao meu.

Com muito carinho, da amiga,
Ana

Atualização: esta caixa de comentários esteve com o link quebrado durante algumas horas. Já consertada.



  Escrito por Idelber às 01:47 | link para este post | Comentários (14)



terça-feira, 18 de outubro 2005

Recomendação do dia

Um dos melhores blogs do Brasil: Brasília, eu vi.



  Escrito por Idelber às 01:33 | link para este post | Comentários (9)



segunda-feira, 17 de outubro 2005

Observações sobre a Campanha do Referendo das Armas de Fogo

Este não é um post destinado a convencer ninguém a votar sim no referendo do próximo domingo. Como eu já disse, mais do que defender minha preferência, meu objetivo aqui é abrir espaço para o debate. Deixo alguns comentários sobre a campanha, tentando ser o mais ponderado possível, sem abrir mão da minha posição, é lógico:

1. Discordo dos queridos amigos que insistem que o referendo é uma perda de tempo e de dinheiro. Eu nunca havia visto a sociedade brasileira debatendo de uma forma tão ampla as raízes, causas e remédios para a violência no país. Por si, isso já é um exercício em democracia. É sempre difícil medir o que causou a diminuição ou o aumento de índices de violência, mas não me surpreenderia se os índices de homicídios caíssem no Brasil independente do resultado do referendo, como uma simples conseqüência de sua realização e do debate (que tem tido, nos seus melhores momentos, efeitos educativos sobre as causas da violência, sobre o uso de armas, etc.).

2. Dito isso, é verdade que o referendo está causando uma polarização inédita inclusive nas eleições, talvez porque as pessoas estejam mais dispostas a se polarizar em nome de uma idéia do que em nome de um político. Já tive notícias de amizades rompidas e famílias divididas. Em alguns foros de debates dá para se cortar a tensão com uma faca (com o perdão da metáfora, hehehe). Portanto, nestas horas é bom lembrar: a sociedade brasileira está discutindo a aplicação de um artigo de um estatuto de 37 artigos já em vigor. Só isso. É um artigo importantíssimo, claro, mas não é a linha divisória entre "os do bem" e "os do mal" e tampouco entre "patrulheiros" e "patrulhados". O que a maioria decidir é legítimo, porque ambos os lados estão tendo amplas oportunidades de fazer suas campanhas sem perseguições, caça às bruxas ou fraudes eleitorais, o que é bem mais do que temos visto recentemente nas "democracias mais perfeitas do mundo".

3. Talvez este referendo entre para a história como a primeira grande campanha marcada pelo spam. A quantidade de informações errôneas circuladas por meio de spams é assombrosa. Tomemos uma delas: apesar de que os próprios fabricantes de armas já cansaram de dar entrevistas dizendo que, no caso da vitória do sim, eles dirigiriam toda sua produção para o mercado externo, circula por aí um email que diz que "a lei do comércio exterior" (sic) impede um país de exportar aquilo que proíbe dentro de suas fronteiras, e que portanto, no caso da vitória do sim, o Brasil seria proibido de exportar armas. O spammer, obviamente, não cita que "lei" é essa, mas isso não impediu essa baboseira de circular abundamentemente, ferindo a credibilidade de quem a circulou. A Organização Mundial do Comércio não inclui nada disso em seu regulamento. Prova? Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration é responsável pela expedição de licenças de exportação para produtos não permitidos em território americano, como se pode comprovar neste link. Inúmeros produtos farmacêuticos americanos, por exemplo, já teriam que ter deixado de existir se essa baboseira fosse real. Portanto, você pode ter suas razões válidas para votar não, mas a preocupação com as exportações nacionais não é uma delas.

4. Na sua coluna de ontem no Globo, o ilustre romancista João Ubaldo Ribeiro cita esse spam tal qual, e diz que ele "parece ser" verdadeiro. Parece por quê, cara-pálida? Porque chegou à sua caixa de correio? Já ouviu falar em checar uma informação? Numa coisinha chamada Google? Por isso nós, blogueiros, prezamos tanto o link. Linkar uma informação não garante, claro, que ela esteja correta, mas dá ao leitor a possibilidade de avaliar a fonte. Para coroar uma coluna construída ao redor de um spam, o ilustre romancista afirma que Carlinhos Judeu faturou uma grana federal na bolsa de apostas que se formou em torno das altas questões referendais. Confesso que eu já tinha encontrado toda sorte de argumentos simplistas nesse debate, mas nosso romancista extrapolou e conseguiu introduzir até uma grosseria anti-semita na discussão. Triste.

5. Uma das queixas mais recorrentes que eu tenho encontrado em certas vozes que defendem o não é a de que estão sendo "patrulhados" e tratados como "párias". Confesso: sempre que alguém reclama de que está sendo patrulhado eu ligo meu desconfiômetro. Essa queixa tem, de mim, a mesma simpatia que merece a reclamação de José Dirceu de que está sendo "perseguido". Neste debate, há simplificações dos dois lados, há argumentos razoáveis e ponderados dos dois lados, e dizer-se vítima de "patrulha" porque seus argumentos a favor do "não" estão sendo atacados é tão bobo como dizer que defender o sim é ser "do bem" e defender o oposto é ser "do mal". Este blog completa 1 ano no fim do mês, e todas as vezes que discuti política aqui levei tamancadas homéricas na caixa de comentários. Algumas vezes deixei a tamancada lá, ecoando junto com os outros argumentos, outras vezes fui até a caixa debater e, se o leitor passa do limite com algo que julgo que é da ordem do insulto ou da calúnia, tenho a opção de apagar o comentário. Mas vou escrever post choramingando que sou vítima de "patrulha"? Pelo amor de Deus. Quem entra no debate é para ouvir argumentos opostos, quem está na chuva é para se queimar, como diria o imortal Vicente Matheus. Grow up. Isso é democracia. Lembra? Nós tivemos uma entre 1946 e 1964, imperfeita mas tivemos. Aos "patrulhados pelo politicamente correto", um lembrete: a moda não é ser "politicamente correto". Essa moda já passou. Isso é anos 80. A moda hoje é declarar-se patrulhado. Quem está na moda são vocês, não os "patrulheiros".

6. Mas as baboseiras não são exclusividade da turma do não. Abundam na turma do sim também. Entre elas, essa bobinha associação entre o sim e as "forças progressistas" e o não e as "forças conservadoras." Para esses paladinos da "paz", não há outro motivo para se votar no não exceto ser "de direita". Daí, partem para atacar qualquer um por causa de suas "companhias." Ora, numa eleição plebiscitária, não se pode desqualificar ninguém pelas companhias, porque todos estarão em companhias que não lhe agradam. Desqualificar alguém que vota não por estar do lado de Bolsonaro é um argumento intelectualmente desonesto. Lembrete: ACM Neto apóia o sim. Dos dois lados há gente com quem eu adoraria tomar várias cervejas, e há gente com quem eu não aceitaria tomar um cafezinho. Assim funcionam as votações plebiscitárias.

7. Aliás, há que se reconhecer: a campanha do não avançou, recuperou terreno, e o resultado está totalmente indefinido. As razões parecem ter algo que ver com a insistência dessa campanha na posse da arma como uma questão da ordem do direito individual, mas eu acredito que tenha muito que ver com a associação implícita entre a campanha do sim e o governo - associação, aliás, fomentada pelo próprio governo. Todos se lembram do Ministro Thomaz Bastos declarando que "ganharemos" o referendo, ou do artigo (link só para assinantes) escrito por Lula para a Folha defendendo o sim. Pois bem, estão pagando o preço pelo próprio desgaste do governo. Enquanto isso, a campanha do sim optou por programas bonitinhos, estilo Duda Mendonça, e negligenciou os melhores argumentos.

8. Se essa observação vale para criticar o governo, também vale para o estapafúrdio argumento da turma do não, de que o referendo seria uma "cortina de fumaça criada pelo governo para desviar a atenção de seus problemas." O argumento é esdrúxulo porque o projeto de lei que deu origem ao referendo é de 1999, muito anterior, portanto, ao governo Lula. Não custa lembrar que o projeto é de autoria do Senador Gérson Camata (PMDB-ES), que de lulista ou petista não tem nada.

De forma que fica aí o convite do Biscoito para esta última semana de campanha: ouça os dois lados com calma, cheque as informações, use o Tio Google e vote com a sua cabeça. E que o lado perdedor saiba aceitar o resultado, porque mais aberto do que este debate tem sido, acho difícil.

PS: Mais uma morte por arma de fogo numa briga de torcidas de futebol.

PS 2: Estreamos hoje um outro formato na caixa de comentários: ao invés da ordem cronologicamente ascendente, os comentários estarão em ordem descendente, de forma que o primeiro que comentar terá o seu texto aqui pertinho do post, e os demais se seguirão abaixo. Os comentários aos posts anteriores foram reformatados assim também. Acho que isso facilitará a leitura. Vocês me dirão.



  Escrito por Idelber às 06:07 | link para este post | Comentários (49)



sábado, 15 de outubro 2005

¿con palta o sin palta? Contribuição do Biscoito à diminuição do choque cultural dos brasileiros que venham comer sanduíches em Santiago do Chile

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Você é um paulista que se horroriza com um baiano colocando dendê na pizza? Ou um brasileiro que já teve ânsias de vômitos ao ver um norte-americano banhando a batata frita no catchup? Ou um argentino que se impacienta ante a heresia dos que preparam bifes na frigideira?

O grande choque cultural-gastronômico no Chile é: os sanduíches em geral vêm com abacate! Em fatias ou, mais comum, batido, como um guacamole.

Chegando aqui pela primeira vez, há onze anos atrás, eu escutei atônito a pergunta que se seguiu ao meu pedido de um sanduíche: ¿con palta o sin palta? (aqui no Chile não se usa a palavra espanhola mais universal, aguacate). Pensei comigo: que raio de pergunta é essa? Abacate no sanduíche?

Eu sou mineiro: abacate para mim é coisa que a gente corta, tira o caroço, joga açúcar dentro e come como sobremesa. Eu me lembro que ver abacate dentro dos sanduíches aqui no Chile me provocava uma gastura semelhante à de ver os gringos comerem batata frita com catchup.

Mas aí com o tempo fui me acostumando, da mesma forma como até brinco de catchup com meus filhos no McDonalds. Hoje eu como meus sanduíches chilenos con palta.

Pois então, quando vier ao Chile, decida se quer passar por essa barreira cultural-gastronônica. Se não quiser, terá que pedir seu sanduíche sin palta.

Quem tiver outras histórias sobre essas curiosíssimas diferenças no trato com a comida, registre-as aqui.

PS: Maravilhas da internet: O blog do Alex Castro, um apaixonado pelo capitalismo, tem mais leitores socialistas do que eu.



  Escrito por Idelber às 05:18 | link para este post | Comentários (43)



sexta-feira, 14 de outubro 2005

Só um link

Vejam que maravilha.



  Escrito por Idelber às 04:14 | link para este post | Comentários (13)



quinta-feira, 13 de outubro 2005

Êta, Joguinho Ruim

corner.jpghinchada.jpg

Noite linda no Estádio Nacional (gracias, Claudio), mas o time do Chile realmente não merece ir à Copa. Acho que não vi três passes certos consecutivos na noite toda. Milton, o que dizer de um time cujo grande craque é o volante brucutu do ex-Ipiranga?

Torcida não faltou, mas não deu. Notinhas interessantes para os fãs de futebol:

* Quase 40% do Estádio Nacional está reservado para a tribuna de luxo (onde os políticos entram de graça, e quem quiser pagar, desembolsa 70.000 pesos, ou 140 dólares) e a de semi-luxo (22.000 pesos, ou 44 dólares). Quem vai de arquibancada paga um preço razoável (6.000 pesos, 12 dólares), mas se localizará necessariamente atrás de um dos gols. Nenhum estádio brasileiro separa os ricos dos pobres dessa forma tão brutal.

* O gigantesco outdoor da Coca-Cola situado na entrada do estádio é uma réplica da imagem (muitíssimo difundida no Chile, e presente em livros escolares, etc.) dos chilenos fincando a bandeira em território boliviano, momento de vitória na Guerra do Pacífico, que tirou da Bolívia a saída para o mar no século XIX. No lugar da bandeira chilena, claro, uma bandeira da Coca-Cola.

* A polícia chilena, nos estádios, se comporta com particular grosseria, falta de sensibilidade e burrice. São eles, em geral, que começam todas as provocações.

* O Chile perdeu a classificação por causa da pífia campanha no primeiro turno, quando o treinador ainda não era Nelson Acosta. A torcida não perdoou o técnico anterior: Olmo / concha de tu madre / por tu culpa / no vamos al Mundial era o que mais que se ouvia no final do jogo.

*A noite foi tranqüila porque era jogo da seleção, mas os clássicos entre Universidad de Chile e Colo-Colo (a equipe financiada e sustentada por Pinochet) causam batalhas campais de fazer inveja a qualquer Mancha Verde ou Gaviões da Fiel.



  Escrito por Idelber às 02:00 | link para este post | Comentários (3)



quarta-feira, 12 de outubro 2005

Marmelada à vista?

Na área futebolística, a coisa anda fervendo entre chilenos, argentinos e uruguaios. O Chile depende não só de vencer o Equador hoje, mas também de uma "mãozinha" da Argentina, que teria que arrancar um ponto do Uruguai em Montevidéu, e outra do Paraguai, que teria que pelo menos empatar com a Colômbia em Assunção. Em condições normais, empates ou vitórias guaranis e argentinas nessas partidas seriam resultados esperáveis.

Mas aí começam as suspeitas: há uma tradicional simpatia entre uruguaios e argentinos, e uma igualmente histórica má vontade entre argentinos e chilenos (os dois países quase entraram em guerra em 1978, quando eram, ambos, governados por ditaduras de direita!). Nas eliminatórias passadas, o 1x1 que levou o Uruguai à Copa foi conseguido exatamente contra uma já classificada Argentina, numa partida bem estranha.

Pasmem: numa pesquisa feita pelo Clarín (jornal argentino), quase a metade (48%) dos leitores estava de acordo com que a Argentina facilitasse as coisas para o Uruguai com o objetivo de eliminar o Chile e a Colômbia da Copa. Somente 52% disseram que "a Argentina deve entrar para ganhar sempre". Dieguito Armando Maradona entrou na briga, dizendo: "Quem são os chilenos e os colombianos para pôr em dúvida a honra do jogador argentino?"

Quem lê este blog sabe da minha admiração pela Argentina, mas parece que Dieguito esqueceu-se de como a alvi-celeste chegou às finais do Mundial de 1978, num episódio vergonhoso que desmoralizou e enterrou definitivamente o outrora respeitável futebol peruano.

Só para que conste: o árbitro do jogo entre Colômbia e Paraguai é Márcio Rezende de Freitas, que as torcidas do Santos e do Atlético-MG conhecem muito bem. Então combinemos: hoje à noite eu vou, com ela, ao Estádio Nacional torcer pelo Chile (já temos ingressos!) e vocês fiquem de olho na maracutaia aí. Eu já não duvido de nada. Alguém aí duvida? Alguém aposta em marmelada?

PS: Dá-lhe, Galo! Nos três últimos jogos contra a mulambada, o Galo acumula um 11 x 3 (6x1 em Ipatinga, 3x1 no Mineirão, 2x1 no Rio). Nada como a mulambada e o ex-Ipiranga na mesma semana para levantar a moral do time.

PS 2: Segue a discussão aqui embaixo sobre o referendo das armas
de fogo. Meu interesse é muito menos fazer campanha pelo sim do que estimular o debate. Há ótimos argumentos ali, dos dois lados. Continuem o papo por lá também.



  Escrito por Idelber às 05:08 | link para este post | Comentários (7)



terça-feira, 11 de outubro 2005

Sobre o Referendo - Comércio de Armas de Fogo

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Eu confesso que estou observando meio estupefato, aqui do Chile, a discussão sobre o referendo pela proibição do comércio de armas de fogo e munições no Brasil. Não pelos argumentos em si, que são conhecidos e repetidos ad nauseam dos dois lados, mas pela tremenda polarização e pelas manifestações iradas que o assunto tem provocado.

Mais uma vez uma "eleição" me pega fora do país, então não poderei votar. Mas desde já declaro meu apoio ao sim e abro o espaço da caixa de comentários para a discussão. Sintam-se bem-vindos, defensores do sim e do não. Faço uma ressalva:

Se algum defensor do sim - artista ou quem seja - sugeriu ou deu a entender que com a vitória da proibição entraremos num róseo período de harmonia social e de fim da violência, obviamente está fazendo demagogia barata. É uma defensora do sim, a advogada Maria Eduarda Hasselman, que afirma: Todas as medidas internas de restrição de armas não serão eficientes se não houver concomitantemente o amparo pela fiscalização das fronteiras, o combate ao contrabando e a imposição de regras sobre a importação e exportação de armas. Feita essa ressalva, examinemos alguns dos argumentos apresentados por aí contra a proibição:

1. A proibição desarma o "cidadão de bem" e mantém os bandidos armados. O que me parece mais curioso neste argumento é que todos os que o apresentam acreditam que o mundo está dividido entre "cidadãos de bem" e "bandidos". Acreditam que eles são "cidadãos de bem" e que "bandidos", bom, bandidos são os outros, incluindo-se aí a Dona Maria que roubou um shampoo na loja da esquina. Quando confrontados com o óbvio fato de que uma grande parte dos homicídios são cometidos por pessoas sem nenhum antecedente criminal, o maniqueísmo da teoria cai por terra: quando comprou sua arma, o nosso ilibado executivo era um homem de bem, mas quando a usou para matar um motorista principiante que trombou em seu carro no trânsito, ele virou um "bandido"? Ou será que continuou sendo "homem de bem"? Quem era quem quando? Você está realmente certo de que é um "cidadão de bem" 100% do tempo?

2. Com a proibição, o cidadão não terá como defender sua casa da invasão de ladrões e bandidos. Como podem testemunhar inumeráveis vítimas de reações a assaltos, ter uma arma em casa aumenta exponencialmente o risco de que o dono da arma (ou um familiar seu, ou uma criança, ou um vizinho) seja a vítima. Não o bandido, mais acostumado com armas e operando, com frequência, com o fator surpresa. A prevenção da violência se faz com políticas sociais e com combate à criminalidade, não armando a população. Não é à toa que inúmeros profissionais da área de segurança apóiam o sim.

3. Com a proibição, aumentará o comércio ilegal de armas e só os bandidos as possuirão. Smart já comentou esse argumento apresentando o dado pertinente: só uma pequena parcela das armas atualmente em mãos da bandidagem provém de contrabando. Uma grande parte foi legal um dia e depois terminou roubada ou expropriada, ou mesmo vendida a bandidos pelo próprio "cidadão de bem". O pesquisador Ignácio Cano demonstrou que 75% dos crimes são cometidos com armas brasileiras e de calibre permitido. Obviamente há que se combater o contrabando também, mas dizer que o combate à comercialização das armas de fogo brasileiras não ajuda em nada me parece um argumento que não condiz com a realidade.

4. Os proprietários rurais ficarão sem instrumentos para defender suas propriedades. O argumento é falacioso porque ignora um simples dado sociológico: a imensa maioria dos crimes de homicídios relacionados a conflitos no campo são de responsabilidade de latifundiários e seus jagunços e capangas, não dos "bandidos" do MST. Mais uma razão para desarmar esse setor que - frequentemente intitulando-se "homens de bem" - operam numa paralegalidade que tem exarcerbado a violência no campo. Não, eu não acredito que o latifúndio irá se desarmar depois que triunfe o sim. Mas aí ele terá que fazer a opção por atuar flagrantemente na ilegalidade, o que dará ao estado um mínimo instrumento de coerção sobre ele.

5. A responsabilidade pelos acidentes e assassinatos passionais não deve ser creditada à arma, mas a pessoas que não sabem usá-las. O argumento é tão fraco que não resiste a um escrutínio. Numa discussão sobre políticas públicas, desviamos o foco para o caráter individual das pessoas. A justa condenação que devemos dirigir aos que fizeram bobagens com armas é usada para mascarar o fato de que foi a disponibilidade dessas armas que permitiu que a bobagem tomasse proporções mortais e irreversíveis, com perdas de vidas humanas. É muito fácil discutir políticas públicas pressupondo um cidadão perfeito, sensato e justo. Difícil é entender a imperfeição do mundo e tentar, sobre a base dessa imperfeição, melhorar um pouco a realidade.

Daí ser importante frisar: o Estatuto do Desarmamento já trouxe, sim, alguns resultados positivos. Pela primeira vez em 13 anos o número de homicídios no Brasil caiu. Ele ainda é escandalosamente alto, mas a campanha educativa - ao contrário do que diziam os profetas do "entregue sua arma e o bandido agradecerá" - provocou uma diminuição, não um aumento da violência.

Este post é parte da blogagem coletiva do Nós na Rede, que reúne blogueiros que votarão tanto pelo sim como pelo não. Passe por lá. Eu recomendo especialmente os posts do Fernando, do Smart, da Christiana Nóvoa.

PS: Este post é dedicado à memória de meu tio Luís Flávio Vasconcelos, morto com uma arma de fogo legalmente comprada e registrada por um cidadão de bem.



  Escrito por Idelber às 05:16 | link para este post | Comentários (66)



segunda-feira, 10 de outubro 2005

Futebol - Série B e Eliminatórias da Copa

Bem, apesar de toda a nossa torcida e do belo segundo tempo dos chilenos contra a Colômbia em Baranquilla (num calor de 40 graus, o que é o equivalente a levar um carioca para jogar em La Paz), la Roja só arrancou um empate e ficou na seguinte situação:

Brasil, Argentina, Equador e Paraguai carimbaram passaporte para a Copa da Alemanha. A vaga da repescagem, a ser disputada contra a Austrália, está entre Colômbia, Uruguai e Chile.

Se o Uruguai derrota a Argentina em Montevidéu, a vaga é sua.

Se a Colômbia vence o Paraguai em Assunção, fica com a vaga desde que o Uruguai não vença a Argentina, pois apesar de ter o mesmo número de pontos que o Chile, tem um saldo de gols bem superior.

O Chile fica com a vaga se derrotar o Equador em casa e Uruguai e Colômbia não passarem de empates em seus duros jogos contra a Argentina e o Paraguai.

Como Uruguai e Colômbia têm jogos muito difíceis, a confiança aqui no Chile é grande. Nesta quarta-feira eu vou pisar pela primeira vez no Estádio Nacional, onde dezenas de milhares de presos políticos padeceram num dos maiores campos de concentração da história latino-americana.

Enquanto isso, no Brasil, parece que Grêmio, Santa Cruz, Náutico e Lusa devem disputar o quadrangular que vai apontar os dois times que sobem para a Série A do ano que vem.

Pelo que vêm jogando, Grêmio, Santa Cruz e Náutico são os favoritos. Acho que as vagas ficam com Grêmio e um dos pernambucanos. Muito provavalmente os dois clássicos regionais decidirão a coisa no quadrangular final.

Alguém arrisca palpites nestas duas decisões?

PS: O Chile sempre foi pioneiro em termos de privatizações. Mas eu ainda não tinha visto a estrada totalmente privatizada, e com tecnologia eletrônica. Não se trata de um mero pedágio: as novas estradas inauguradas ao redor de Santiago exigem dos veículos que nela transitam um aparelhinho "medidor" de quilômetros rodados naquela via. A maquininha, que parece um abridor de porta de garagem, marca o trajeto feito e depois você recebe a conta a domicílio. Dentro em breve: as maravilhas da privatização do ar, que eu acho que é o único que falta privatizar por aqui.



  Escrito por Idelber às 07:54 | link para este post | Comentários (9)



sexta-feira, 07 de outubro 2005

Rapidinhas de Santiago

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Este é o palácio presidencial chileno, La Moneda, bombardeado no dia 11 de setembro de 1973. Está em cartaz um documentário de Patricio Guzmán intitulado "Salvador Allende". Imperdível. Guzmán é autor de um dos documentários mais importantes da história do cinema latino-americano, La Batalla de Chile, um longo experimento de narração da vida chilena entre 1970 e 1973. Há uma cena antológica - já no período de recrudescimento da violência golpista - em que Guzmán filma um cinegrafista filmando sua própria morte. Mais cinéma-vérité que isso, impossível. Para quem não viu ainda: é um clássico, vale a pena. Nos próximos posts mando notícias do novo filme de Guzmán, desta vez enfocado só na figura de Allende.

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Santiago tem quase o dobro de habitantes de Belo Horizonte, mas é com a capital das Alterosas que ela mais se parece. Seria meio exagerado comparar a Cordilheira dos Andes com a Serra do Curral, mas tanto Santiago como BH são cidades impossíveis com um rio no meio. Na diferença entre cidades-vitrine e cidades-véu, Santiago e BH pertencem, sem dúvida, a esta última categoria. O Mapocho, rio que atravessa a capital chilena, também foi morada de muitos cadáveres durante o regime militar.

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Pela primeira vez em anos de visitas ao Chile, não estou no centrão, e sim numa zona ultra-burguesa chamada Vitacura, no extremo oriente da cidade. Dá um pouquinho de trabalho sair daqui, mas o apartamento é lindo. Como no Rio de Janeiro, em Santiago também as coisas funcionam com aqueles pilotinhos de gás que tanto pânico provocam em nós, mineiros.

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Pedir informação em Santiago é uma delícia. Às vezes eu sei onde fica a coisa, mas pergunto só para ouvir a maravilha: Usted siga por allí, por allá, hacia la cordillera, hacia la cordillera, y ¡ya está! ¿cachai? Ou então a única variação possível: Usted siga por allí, por allá, hacia el mar, hacia el mar y ¡ya está! ¿cachai?. Aqui só existem dois pontos cardeais, sul e norte, claro. O resto é mar e cordilheira. As noções de ´primeira à direita´ ou `segunda à esquerda` não existem. O mais divertido é que às vezes, estando-se no centro de Santiago, não se vê nem cordilheira nem muito menos mar. Mas o sentido inato de estão essas duas coisas define o chileno, por oposição ao estrangeiro.

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Às vezes, aqui, pensam que sou argentino, por causa do espanhol fluente com sotaque platense (o ll, por exemplo, eu pronuncio da maneira portenha, quase como um x). Entre pessoas que acabo de conhecer na rua, o tratamento melhora sensivelmente quando digo que sou brasileiro. É incrível isso, né?

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O Chile ultrapassou a Austrália como terceiro país que mais manda leitores a estas plagas. Vários amigos meus estão desvirginando-se em matéria bloguística. Aos que chegam: en la caja de comentarios se puede escribir en cualquier lengua, ¿cachai?

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A propósito do que eu escrevia outro dia sobre acadêmicos e blogs, há este texto fantástico que o Smart encontrou.

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Ainda sem internet no AP: ou eu blogo, respondo emails e escrevo as benditas cartas de recomendação, ou eu leio notícias de Pindorama. Alguma alma caridosa me avise das notícias das quais vale a pena saber, se é que elas ainda existem.



  Escrito por Idelber às 14:32 | link para este post | Comentários (21)



quarta-feira, 05 de outubro 2005

Notícias do Chile

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* Sobrevoar a Cordilheira dos Andes continua sendo, para mim, a coisa mais impactante que se pode experimentar dentro de um avião: nada me provoca a sensação de você-é-só-um-ser-humano-pequenininho como esse raio dessa cordilheira. Se alguma vez vier ao Chile, venha durante o dia.

* Depois de alguns meses trabalhando só nas minhas pesquisas, estou de volta à sala de aula. Sensação muito boa: como meu primeiro livro circulou razoavelmente por aqui, sempre que chego há um grupo de interlocutores mais ou menos prontos para o papo. Desta vez, na Universidade do Chile, não tem sido diferente.

*No Chile, a poesia representa mais ou menos o que representa a música popular no Brasil: é o nome do ser chileno. São dois Prêmios Nobel, milhares e milhares de praticantes em tudo quanto é canto, constantes recitais em bares ou mesmo na rua, uma efervecência permanente de escolas e movimentos poéticos. Para conhecer melhor a poesia chilena, veja essas belas páginas com a obra de: Gabriela Mistral, Pablo Neruda, Vicente Huidobro, Nicanor Parra e Gonzalo Rojas, talvez os cinco maiores do século passado.

* O Chile se prepara para eleger a sua primeira mulher presidente: Michelle Bachelet (obrigado pelo link, Marcos), do Partido Socialista, também apoiada pela Democracia Cristã, é favoritíssima nas eleições presidenciais do próximo dia 11 de dezembro. Bachelet foi ministra da defesa do atual presidente Ricardo Lagos (que também é do PS) e é filha de um ex-ministro de Salvador Allende. Ela foi, junto com a mãe, vítima de torturas na época de Pinochet. A direita chilena anda bem desmoralizada, e seu candidato (Joaquín Lavín, uma espécie de Bolsonaro-que-baba-sangue), deve ficar bem abaixo do patamar histórico de votos da direita chilena. Apesar do ineditismo de uma mulher socialista presidente, o que se sente (pelo menos no grupo de pessoas com o qual convivo, que não é nenhum microcosmo da sociedade chilena, obviamente) é uma certa resignação, sem nenhum entusiasmo. Coisa do tipo: "vou votar nela, mas achando que dá tudo na mesma e que ela é só mais uma administradora do modelo neoliberal". Mais um exemplo do cansaço infinito com a política que parece tomar o planeta inteiro.

* O que mais está me chamando a atenção desta vez é como anda caro este raio de país. Desde que me entendo por gente o dólar vale 640 pesos chilenos. Agora anda valendo 505. Uma dose de Johnny Walker Red no bar custa 4.000 pesos, ou seja, 8 dólares (em algum lugar do Brasil paga-se 20 reais por uma dose de uísque? Nem no Morumbi ou no Leblon, né?). Uma corrida rápida de táxi do bairro ao centro custa 10 dólares. E por aí vai.

* A última vez que estive no Chile me reuni para ver uma partida de futebol entre Chile e Argentina com ex-alunos meus aqui do Instituto Pedagógico. A Argentina saiu ganhando de 2 x 0 no primeiro tempo, e parecia que engatilhava uma goleada. Contra todos, eu previ que la Roja empataria no segundo tempo. Riram da minha cara, mas não deu outra. Em pleno Monumental de Nuñez, o meio-campista Pizarro entrou no jogo, comeu a bola e o Chile arrancou um heróico 2 x 2. Neste sábado o Chile joga a suas últimas chances de classificação à Copa da Alemanha contra a Colômbia em Barranquilla. Precisa de pelo menos um empate para decidir a fatura em casa contra o Equador e alcançar a repescagem. Já me convocaram para trazer o pé quente. Torçam com a gente aí. Os chilenos merecem.

* Neste mês de outubro eu encaro dois cursos, três conferências acadêmicas formais e não sei quantas palestras informais. É possível que eu reduza um pouco a frequência de postagem no blog, e certamente ficarei meio desatualizado de notícias do Brasil, porque ainda estou sem internet em casa. Se acontecer alguma daquelas coisas sensacionais, tipo a cassação do Zé Dirceu, vocês passem aqui e me avisem, ok?

* O Galo perdeu do Paraná no Mineirão e desperdiçou dois pênaltis? Esse time está de brincadeira?



  Escrito por Idelber às 17:54 | link para este post | Comentários (18)



segunda-feira, 03 de outubro 2005

Dia do leitor que nunca comentou!

Eu vou ali na Pampulha pegar um avião para Santiago do Chile e já volto, logo que eu estiver plugado em terras transandinas.

Para os comentaristas regulares, fica o lembrete da discussão abaixo, sobre o desarmamento.

Enquanto isso, uma brincadeirinha, seguindo o exemplo do meu camarada Chris Clarke, que inventou na blogosfera americana o Lurker's Day, ou seja, o dia-do-leitor-que-só-fica-sapeando-e-nunca-comenta.

Se você é leitor deste blog e não costuma comentar, este é o post para que você se apresente, diga de onde lê o blog, do que gosta, do que não gosta, como chegou aqui, etc. Os blogueiros morremos de curiosidade.

É fácil: é só clicar na palavra "comentários" abaixo, escrever seu nome ou nick (o email neste blog não é obrigatório) e deixar o seu recado. Se você lê português, mas não escreve, tudo bem: qualquer língua vale.



  Escrito por Idelber às 05:14 | link para este post | Comentários (52)



domingo, 02 de outubro 2005

O desarmamento segundo a revista Veja

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Meu texto sobre a questão do desarmamento ficará para outra oportunidade. Com certeza, há argumentos razoáveis para se votar tanto não como sim no referendo do próximo dia 23 de outubro, sobre a proibição do comércio de armas de fogo no Brasil.

Infelizmente, eu não poderei votar, pois estarei fora do Brasil. Mas desde já o Biscoito está aberto para esse debate.

Eu ouvi com cuidado os argumentos que circulam por aí, de um lado e de outro. Mas se havia alguma chance de eu desistir de apoiar o sim à proibição, ela se esvaiu neste fim de semana. Por quê? Ora, porque a Veja apóia o não. Com os argumentos mais estapafúrdios.

Segundo a Veja, a pergunta O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil? é um "disparate". Para a revista, conhecida pela sua "honestidade", a forma "honesta" de fazer a pergunta seria O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito de comprar uma arma de fogo?

Eis aí a honestidade segundo a Veja, bem visível na capa da revista.

Compare-se o texto da Veja a esta análise do problema, feita pela advogada Maria Eduarda Hasselmann (link via Guto).

Prometo para breve um texto com as minhas razões para apoiar o sim. E vocês aí, já tomaram posição?



  Escrito por Idelber às 03:29 | link para este post | Comentários (47)