Meu Perfil
Um weblog anti-apocalíptico sobre polí­tica, música, futebol e literatura.



email: idelberavelar arroba gmail ponto com
Sobre o autor
 Curriculum Vitae
 Página pessoal em Tulane
 Prêmio Itamaraty (pdf)
 The Untimely Present
 The Letter of Violence
 Alegorias da Derrota
 Ensaio sobre o PT
 Balanço Governo Lula
 Ensaio Música Mineira
 Ensaio sobre 11/09
 Entrevista no Chile
 Entrevista no Gravatá
 Ensaio sobre o Galo


Sobre ela
 Um defeito de cor
 Ao lado e à margem do que sentes por mim
 Prêmio Casa de las Américas
 Comentário de Millôr
 Comentário de Risério
 Resenha na Folha de Pernambuco
 Entrevista na Record
 Entrevista na Globo News
 Entrevista na Novae (2002)


Direto do arquivo
 Decálogo do blogueiro
 Perfil do direitista tupiniquim
 ABC das eleições americanas
 Valsa, Polca e Maxixe
 Discoteca do Mangue Beat
 Homenagem a Silviano Santiago
 A Globo e as eleições
 Katrina, em 10 datas
 On Cult studies and blogs
 Bloomsday
 Sobre o luto
 Entrevista com José M. Wisnik
 Entrevista com Martín Kohan


Histórico
 maio 2008
 abril 2008
 março 2008
 fevereiro 2008
 janeiro 2008
 dezembro 2007
 novembro 2007
 outubro 2007
 setembro 2007
 agosto 2007
 julho 2007
 junho 2007
 maio 2007
 abril 2007
 março 2007
 fevereiro 2007
 janeiro 2007
 novembro 2006
 outubro 2006
 setembro 2006
 agosto 2006
 julho 2006
 junho 2006
 maio 2006
 abril 2006
 março 2006
 janeiro 2006
 dezembro 2005
 novembro 2005
 outubro 2005
 setembro 2005
 agosto 2005
 julho 2005
 junho 2005
 maio 2005
 abril 2005
 março 2005
 fevereiro 2005
 janeiro 2005
 dezembro 2004
 novembro 2004
 outubro 2004


Assuntos
 Clube de leituras
 Fenomenologia da Fumaça
 Filosofia
 Futebol e redondezas
 Gênero
 Literatura
 Metablogagem
 Música
 New Orleans
 Polí­tica
 Primeira Pessoa



Visito
 Acontecimentos
 Afrodite sem Olimpo
 Afonso, o Chato
 After the Fall
 Agência Carta Maior
 Aguafuertes
 Alcinéa Cavalcante
 Alê Felix
 Além do jogo
 Alessandra Alves
 Alfarrábio
 Amante profissional
 Ane Aguirre
 Animot
 Antônio Carlos Miguel
 Ao mirante, Nelson!
 Bala perdida
 Balípodo
 Bereteando
 Biajoni!
 Bibi's Box
 Big muff
 Blog do Alon
 Blog do Cássio
 Blog do galinho
 Blog do Juarez
 Blog do Mello
 Blog do Rovai
 Blog do Sakamoto
 Blog dos Perrusi
 Blogafora
 blowg
 The brain eaters
 Brainstorm # 9
 Branco Leone
 Bratislava
 Bugio
 Caldos de tipos
 Caquis caídos
 O carapuceiro
 Carla Rodrigues
 Carnet de notes
 Carreira solo
 Carta da Itália
 Caryorker
 A casa da colina
 Casa da tolerância
 Casa de paragens
 Catarro Verde
 Catatau
 Cinefilia
 Cinematógrafo
 Cintaliga
 Cocadaboa
 Conejillo de Indias
 Contra Capa
 Contraditorium
 Controvérsia
 Conversa afiada
 Cria Minha
 Cris Dias
 Crônicas perversas
 Cultura e barbárie
 Cyn City
 Cynthia Semíramis
 Uma dama não comenta
 Daniel Lopes
 De olho no fato
 De primeira
 De Rasuras
 Dez polegadas
 Diálogico
 Diário da Lulu
 Diário da Odalisca
 Diário de Bordo
 Diario de trabajo
 Diário gauche
 Diplomacia bossa nova
 Discoteca básica
 Dissidência
 Dito assim parece à toa
 Doidivana
 Don Quijote
 Dossiê Alex Primo
 ¡Drops da Fal!
 Duas Fridas
 É bom para quem gosta
 É por aqui que vai pra lá?
 eblog
 Ecologia Digital
 Enloucrescendo
 Enquanto seu blog não vem
 Epicaos
 EraOdito
 Escrúpulos Precários
 Eugenia in the meadow
 O eu profundo
 Fabricio Carpinejar
 Faca de fogo
 Faça sua parte
 Favoritos
 A Feminista
 Ferréz
 Fiapo de jaca
 Fósforo
 Fina flor
 Fogo nas entranhas
 Fotógrafos brasileiros
 Frankamente
 Futebol, política e cachaça
 Gabinete dentário
 Galo é amor
 Garotas que dizem ni
 Gejfin
 Gravatá
 Gravataí Merengue
 Groselha news
 Guga Alayon
 Guia de literatura
 Hedonismos
 Hermenauta
 Histórias do Brasil
 HQ e cultura
 Hunny.bunny
 Idéias mutantes
 Impedimento
 Impostor
 Imprensa Marrom
 Incautos do ontem
 Ingresia
 InternETC
 Interney
 Ius communicatio
 jAGauDArTE
 Jon Kepa
 Juca Kfouri
 Juliano Rosa
 Kit Básico da Mulher Moderna
 La lectora provisoria
 Lembrança eterna de uma mente sem brilho
 Letícia na web
 Liberal Libertário Libertino
 Limpo no lance
 Linkillo
 Lino Resende
 Lixo Tipo Especial
 Lixomania
 Lord Broken Pottery
 Luis Nassif
 Luz de Luma
 Mac's daily miscellany
 Maísa na blogosfera
 Uma Malla pelo mundo
 Marcelo Coelho
 Marconi Leal
 Marmota
 Martelada
 Meio bossa nova
 Melômano
 Meta.comunix
 Milton Ribeiro
 Mineiras, uai!
 Mino Carta: direto da Olivetti
 Mothern
 Monolingua
 Mox in the sky with diamonds
 Música popular do Brasil
 Na média
 Na prática a teoria é outra
 Nababu
 Nación apache
 Nalu
 Nei Lopes
 Noncapisconiente
 Nova corja
 Novo mundo
 Nóvoa em folha
 Odisséia literária
 Óleo do diabo
 Olho de boi
 Onde anda Su?
 Ontem e hoje
 A Ostra e o vento
 Outros dias
 Overmundo
 Palestina do espetáculo triunfante
 Pálido ponto branco
 Panóptico
 Para ler sem olhar
 Paralelos
 Parede de meia
 Pátria futebol clube
 Pecus Bilis
 Pedro Alexandre Sanches
 Pedro Dória
 O pensador selvagem
 Pensamentos esparsos
 Pensar enlouquece
 Perto do coração selvagem
 Pirão sem dono
 Poemas del alma
 Ponto media
 Por um punhado de pixels
 Porão abaixo
 Posthegemony
 Prás cabeças
 Prosaico20mgs
 Puente aéreo
 Quando, onde e como
 Que cazzo
 Querido leitor
 Rafael Galvão
 Recordar repetir elaborar
 Retrato do artista quando tolo
 Ricardo Antunes da Costa
 Río fugitivo
 Rizomas
 Roda de ciência
 Rosebud NYC
 RS urgente
 Sandino
 Seqüências parisienses
 Sergio Leo
 Serbão
 Sérgio blog 2.3
 Silenzio, no hay banda
 O sinistro
 Sob(re) a pálpebra da página
 Soninha
 Soninha (gabinete)
 A Sopa no exílio
 Sovaco de cobra
 Sub rosa v.2
 Superfície reflexiva
 Talqualmente
 Tapera
 Taxitramas
 Tentativas de mitologia
 Terapia Zero
 Tiago Dória
 Todo prosa
 Todos os fogos o fogo
 Tordesilhas
 Torero
 Torre de marfim
 Três amigos
 Tudo pode acontecer
 Tudo que é sólido se desmancha no ar
 Túlio Vianna
 Umbigo do sonho
 Ultimas de Babel
 Universo anárquico
 Vejo tudo e não morro
 Velho do farol
 Viajando nas palavras
 La vieja bruja
 A vida em palavras
 Virunduns
 A volta dos que não foram
 Zema Ribeiro




selinho_idelba.jpg


Movable Type 3.36
« setembro 2005 :: Pag. Principal :: novembro 2005 »

domingo, 30 de outubro 2005

Discoteca Básica do Mangue Beat

Para conhecer a melhor música popular feita no Brasil nesta última década, a de Pernambuco:

mangue-3-lama.jpg 1. Da Lama ao Caos, Chico Science e Nação Zumbi (1994): Aqui começou tudo. Alfaias do maracatu misturando-se a guitarras, baixo e bateria. Vocais que exploravam o inusitado parentesco entre a embolada e o hip hop. Distorções à la heavy metal coexistindo com a ciranda e a música eletrônica. Tudo marcado pela poesia visionária de Chico Science. Os brasileiros que viram a performance de Chico e Nação no lançamento desse disco no exterior, no Central Park de Nova York em 1995, jamais perderão o orgulho de serem brasileiros. Fúria combinatória como não se via desde o tropicalismo. O encarte traz o maravilhoso manifesto.

mangue-1-samba.jpg2. Samba Esquema Noise, Mundo Livre S.A. (1994): Tão importante como Chico Science para o movimento, Fred 04 reúne a troupe pela primeira vez aqui e já no título rende um tributo a Jorge Ben Jor. Primeiros registros do que seria seu legendário cavaquinho. Mais roqueiros e mais diretamente políticos, o Mundo Livre S.A. também tem, ao contrário da Nação Zumbi, um pé inteiro no samba. Em "O Mistério do Samba", do disco Por Pouco, eles resumiriam a história: O samba não é carioca / O samba não é baiano / O samba não é do terreiro / O samba não é africano / O samba não é da colina / O samba não é do salão / O samba não é da avenida / O samba não é carnaval / O samba não é da tv / O samba não é do quintal / Como reza toda tradição / É tudo uma grande invenção.

mangue-4-terceiro.jpg3. Terceiro Samba, Mestre Ambrósio (2001): Difícil escolher o melhor disco do Mestre Ambrósio. Fico com este, o terceiro, onde mais se realçam a rabeca de Siba e as letras delirantes, com toques medievais, de Sérgio Cassiano. A base é o forró e a música de cordas árabico-ibérica, mas há de tudo: maracatu, samba, repente e ciranda incluídos. "Saudade" é um samba para carioca nenhum botar defeito. O irresistível baião "Povo" é, na minha opinião, das melhores canções políticas da história da música brasileira.

mangue-5-afro.jpg4. Afrociberdélia, Chico Science e Nação Zumbi (1996): Maturidade atingida, fórmula encontrada: a tríade maracatu-embolada-coco encontra a tríade metal-reggae-hip hop. Com produção superior à do primeiro disco, esse petardo preparava Science para conquistar o mundo. É de morder os lábios de raiva pensar que o cara morreria logo depois, com mil projetos na cabeça. A releitura de "Maracatu Atômico", de Jorge Mautner, marcaria época. Gilberto Gil dá canja numa faixa memorável, "Macô". Não seria exagero dizer que este é o disco mais importante da música popular brasileira na década de 90. Indispensável.

mangue-6-fome.jpg 5. Fome dá dor de cabeça, Cascabulho (1998): Primeira banda forró-punk do planeta. O Cascabulho destila a energia roqueira, metálica e rapeira do mangue beat mas toca, basicamente, baião dos bons, e uptempo. O vocalista Silvério Pessoa (agora em carreira solo e arrasando na Europa) é um show à parte. O Cascabulho explora especialmente a vertente sacana e safada sempre presente no forró. O exigentíssimo público musical de New Orleans se embasbacou com essa banda e lhe deu nota 10 no Jazz Fest de 2001. No título do disco, já toda uma estética.

mangue-7-fome.jpg6. Contraditório?, DJ Dolores (2002): Chico Science sempre teve um pé na música eletrônica, mas quem leva a arte do sampling às últimas consequências é DJ Dolores. Matérias primas da sampleada? Tudo, especialmente o arquivo infinito da música nordestina. Mas também entram ruídos ambientais, narrações de rádio, house. Já no título, um apelo à mistura. Nunca uma rabeca lhe soará tão moderna.

mangue-2-peixe.jpg7. Fique Peixe, Querosene Jacaré (2001): Um dos melhores discos de rock feitos nos últimos tempos no Brasil. O rock sempre foi pilar chave do mangue beat, mas aqui é onde ele se realiza com todo vigor. Sem prejuízo da mistura: você encontrará guitarras distorcidas embalando uma ciranda e sambalanços cujo swing cita claramente Jorge Ben Jor. Uma das pérolas do mangue ainda pouco conhecida no sul maravilha. Há mais rock numa faixa do Querosene do que em toda a obra dos Skanks, Jota Quests e outros abomináveis espécimens do chamado "rock mineiro".

mangue-8-naçao.jpg 8. Nação Zumbi (2002): Quem apostou que a Nação não sobreviveria à morte de Chico se enganou. Jorge du Peixe assumiu o leme e, depois do disco Radio S.A.M.B.A., de 1998, levou a troupe a esse absurdo petardo, talvez o disco mais pesado de toda a discografia mangue. Apesar de pesadíssimo - em ambos os sentidos, roqueiro e maracatúlico - Nação 2002 é melódico, lírico, de audição apaixonante. A sampleagem e a música eletrônica vêm no toque certo, sem se sobrepor às poderosas alfaias, guitarras e baixo. "Blunt of Judah" é daqueles fenômenos da música brasileira: letra meio nonsense, com inglês misturado, que todo mundo aprendeu e canta até hoje.

mangue-9-otto.jpg 9. Samba pra Burro, Otto (1998): Esse descendente de holandeses e índios foi baterista nas primeiras formações da Nação Zumbi e do Mundo Livre S.A. Só isso já lhe garantiria lugar de honra no movimento. Mas esse disco é outra pérola que não pode faltar numa discografia básica: a base é a eletrônica, mas sem agressividade. Muito swing, muita ginga. O título maravilhosamente descreve a ambiguidade do disco.

lenine-1.jpg10. Na Pressão, Lenine (1999): Lenine não é exatamente parte do movimento mangue, mas qualquer antologia de música pernambucana ficaria incompleta sem ele. Letrista, violonista, arranjador, produtor, pensador, músico de incríveis recursos, ele já marcou época na música brasileira. Sobre ele eu escrevi esse outro post. Qualquer um de seus discos serviria aqui, mas escolho Na Pressão pelo conjunto coroado por "Jack Soul Brasileiro", esse manifesto de brasilidade anti-xenofóbica.

Eu poderia citar outros 50 discos pernambucanos indispensáveis da última década (faltou o Cordel do Fogo Encantado, por exemplo). Mas com esses 10 dá para começar.

Salve, Pernambuco.

PS: Este blog foi inaugurado no dia 29 de outubro de 2004. Um aninho completado neste fim de semana. Tim-tim.



  Escrito por Idelber às 23:12 | link para este post | Comentários (40)



sábado, 29 de outubro 2005

Gracias, Chile

Pegando o avião de volta para o Brasil, eu não poderia deixar de fazer este post:

Obrigado, Chile
, por essa hospitalidade maravilhosa.

Obrigado, mestre Pablo Oyarzún - o maior filósofo latino-americano - pelo convite. Obrigado, Willy Thayer, por tanta generosidade. Obrigado, Elizabeth Collingwood. Claudio, pela ida memorável ao Estádio Nacional. César. Roxana. Sérgio Parra. Nelly Richard. Seria uma lista infinita, a dos amigos queridos.

Obrigado, Universidade do Chile. Obrigado aos fantásticos alunos que fizeram do seminário sobre a violência uma experiência memorável.

Fotinhas, todas tiradas por ela, com exceção da última:

chile-1.jpg chile-2.jpg
esq: Biblioteca de Willy Thayer
dir: Estádio Nacional, Chile x Equador


chile-8.jpg chie-8.jpg
esq: Viña del Mar
dir: Valparaíso

chile-7.jpg chile-6.jpg
esq: Túmulo de Pablo Neruda e Matilde Urrutia em Isla Negra.
dir: Coleção de garrafas de Pablo Neruda.

chile-3.jpg chile-10.jpg
esq: Na varanda do apartamento onde a Universidade nos hospedou
dir: Casa de Neruda em Santiago

Compañero presidente: tu memoria vive. chile-13.jpg

Daqui a uns dias a gente volta a transmitir da capital das Alterosas.



  Escrito por Idelber às 01:00 | link para este post | Comentários (14)



sexta-feira, 28 de outubro 2005

Brincadeira de Adivinhação - Campeonato Brasileiro

Brincadeirinha de adivinhação deste blogueiro mui masoquista:

Quais serão os quatro times rebaixados à segunda divisão do Campeonato Brasileiro neste ano de 2005?

No final do campeonato a gente sorteia um presentinho entre os leitores que tiverem acertado.

PS: O que os grandes meios de comunicação de massa estão fazendo que ainda não contrataram o Ubiratan Leal? O cara é muito melhor que todos os comentaristas de futebol da TV brasileira. Uma visita ao Balípodo vale 15 mesas-redondas de domingo à noite.

PS 2: O Juca Kfouri e o José Roberto Torero são jornalistas experientes, com vasta trajetória na crônica esportiva. Mas só agora estão descobrindo o que é administrar um blog. No blog do coitado do Juca, de cada 5 comentários, 3 são tamancadas à sua corintianice e suposta falta de imparcialidade. Outro dia o blog do Torero publicou uma carta da tia do rapaz ponte-pretano assassinado na semana passada e teve que aturar um monte de vândalos insultando a vítima. Vamos ver quanto tempo durarão aquelas caixas de comentários no formato em que estão hoje.



  Escrito por Idelber às 03:50 | link para este post | Comentários (28)



quinta-feira, 27 de outubro 2005

Texto completo da palestra em Pittsburgh

(a pedido de leitores, deixo aqui o texto que eu apresentei sobre blogs no colóquio organizado pela Universidade de Pittsburgh; na verdade a apresentação foi bem mais longa, mas este foi o texto base. Infelizmente, está em inglês. Se alguém tiver dificuldade de entender, pode pedir ajuda na caixa de comentários que com certeza alguma alma tradutora caridosa aparecerá...)

Cultural Studies in the Blogosphere:
Academics meet new Technologies of Online Publication

The following paper will be more a personal report than an exercise in speculative theory, but perhaps it might help us shed light on a debate that lies at the heart of the question of ethics in intellectual work: the possibility and desirability that academics write, on a regular basis, for an audience beyond the university walls. In a recent piece, American literature scholar Michael Bérubé reports on the stigma associated with academics who write for broader audiences, choose to intervene in so-called civil society, and thus break the unspoken pact of adherence to the semi-feudal structure that allows scholars to say just about anything as long as they stay within safe disciplinary boundaries. For junior faculty, of course, the act of stepping outside those boundaries into the terrain of broader cultural discourse may turn out to be deadly, no matter how brilliant, prolific, and accomplished they happen to be in their fields. It’s as if the extra work you do as a public intellectual – let us maintain that notion for the moment, however problematic it is – somehow cancels out, invalidates, or causes suspicion to be raised about your disciplinary work, regardless of how valuable that work has proven to be.

In academia, “journalism” is the name reserved for this beast. The term is used in academic discourse in at least two different senses, in a strictu sensu to designate the set of practices that emerged and consolidated themselves around the institution of the modern newspaper in the 19th century as well as its later offspring in spoken and visual media, but also a lato sensu to signify any and all discourses of knowledge, on any object, that do not conform to the boundaries proper to the modern, departmentally divided research university. “Oh, his work is kind of journalistic” we tend to say with disdain about those who dare overstep these boundaries or speak with a greater degree of clarity to an educated general readership, in an implicit equation between being readable and being superficial. This is not to deny, of course, that there is stuff that passes for scholarship but which is, in fact, journalism in the strict sense – a compilation of already produced knowledge, and that therefore should be called by its name. My point is, however, that more often than not the disqualification of journalism in academia works as a protective barrier, maintaining the separation between academia and its outside. First axiom of this paper, then: In the modern research university very seldom will you be able to put yourself in a position to act as a public intellectual without confronting the charge of being “journalistic.” Undoing the anxiety that belies that charge is itself one of the major tasks of intellectual work.

In a debate promoted by The Nation on that topic in 2001, Jean Bethke Elshtain mused that the problem with public intellectuals is that they tend to become more and more public, less and less intellectual. Not necessarily less respectful academically, but “less reflective, less inclined to question one's own judgments, less likely to embed a conviction in its appropriate context with all the nuance intact”. In finding a comfortable niche for him/herself, in a establishing a voice from which a certain public already knows what to expect, the public intellectual runs the risk, at the limit, of becoming a paid publicist, a spinner, an ideologue. That is not, of course, inevitable. Jean-Paul Sartre and Susan Sontag could be mentioned as two examples of thinkers who maintained their full critical edge and rigor even after a life-time of work in the public sphere. It was only after decades of engagement as a socialist intellectual that Sartre wrote his monumental study of Flaubert, The Idiot of the Family, a work as rigorous as anything he ever wrote. The charge that the public arena creates vices in the intellectual may, then, have some truth to it, but it’s far from being universal. However, for academics hoping to act in that arena, the combination or reconciliation of a broad public discourse with the maintenance of the rigor inherited from academic work is, indeed, a permanent challenge.

The discussion about the existence (or not) of genuine public intellectuals in the United States is itself a topic that has produced a lengthy bibliography. Books on the modern university, such as Bill Readings’ The University in Ruins or Peggy Kamuf’s The Division of Literature have studied the growing process of specialization undergone by the post-Fordist university, where an increasingly corporatized structure forces academics into ever-smaller corners of specialization. In this context, the figure of the intellectual in the European sense – or even in the New York sense in which Edmund Wilson and Irving Howe may count as examples – seem to have been on sharp decline, Susan Sontag’s death representing here a somewhat allegorical endpoint for a whole generational experience. For those of us not simply comfortable with the retreat into the safety of academic specialization, while aware that the conditions are not given for a revival of the public intellectual of the universalist, Sartrean type, what is to be done?

The figure of the politicized intellectual has always been closely connected with the space defined by Habermas as “public sphere” – Öffentlichkeit, the German term, brings with it the idea of openness and an essential relationship with the outside. This is my cue to connect ethics and intellectual work. I would contend that the ethical content of intellectual work today does not have to revolve around the question of political commitment along Sartrean lines – it doesn’t preclude it, mind you, but it should not be reduced to it. If we follow Emmanuel Lévinas on this matter, we’d have to reverse those terms: it’s not the content of the commitment that gives the ethical encounter its meaning, but on the contrary, the encounter itself, the unanticipated arrival of the Other that allows for all commitments, political and otherwise, to take place. The key, for Lévinas, is the irreducibility of the Other and its nature as the fundamentally unknowable agent of an event that cannot be anticipated, an event constitutive of the subject as such. The ethical question par excellence for Lévinas, then, is how to open oneself up to the arrival of the Other. How does one prepare and experience that encounter, however, while intervening in the public sphere in ways that enhance its unfinished nature, its openness to political action.

On the Internet, we always, by definition, speak and write to an other that we don’t really know. That is to say that the Internet radically changes our experience of the public sphere – in fact one could not speak of the public sphere today without considering, particularly, the world’s 60 million blogs have changed politics, journalism, and the practice and study of culture in recent years. I’ll devote my remaining minutes to a few reflections on it, based on my one-year experience as a blogger.

For the benefit of those who may not have run into blogs yet, here goes a short definition: a blog is a personal web page updated daily or semi-daily, or with some frequency, with entries dated and organized in reverse chronological order, so that as you open up the page you will always see the latest entry. These entries, named posts, may be accompanied by a comment thread where readers write in their responses. In the more widely visited blogs, the number and frequency of these responses may cause a true conversation to be formed. On one side of the page the blogger will usually include a blogroll, listing the blogs that s/he visits and with which she is engaged in conversation. Posts may be as short as a word and as long as an academic essay, but their essence is the hyperlink, that better-than-a-footnote resource that allows bloggers to send readers to their sources, be they a piece of news, a post in another blog or just about anything available on the Internet.

The first blogs emerged in the late 1990s, and today in several countries – the US, Brazil, France, and Iran, foremost among them – they have become an integral part of the experience of the Internet. According to Technorati, a site that tracks down links on the Internet, there are currently 60 million blogs worldwide. Every 14 seconds someone creates a blog somewhere. These, of course, can range from a teenage diaries to specialized news blogs, blogs of political or cultural commentary, blogs of or on literature, sports or what have you. In countries like Iran, the blogosphere already is the main source of news available about the country, in a context of severe censorship over traditional media. Something interesting has been happening, in fact, with the journalistic blogs: many of them started simply linking to, repeating, and commenting on news reported by the major media. Today, this movement has been reversed somewhat: using internet resources to reach information, blogs have begun to report news first and more thoroughly than major media, in such a way that major newsgroups are now often echoing pieces of news from the blogosphere. In Brazil all of the major newspapers have devoted teams of reporters to tracking down what goes on in the blogosphere. Hardly a day goes by in the United States without a major piece of news coming out through blogs. Hardly a day goes by without traditional media being forced go after or respond to a piece of news uncovered by blogs: recent cases include that of Jeff Gannon, the male prostitute that gained press passes to the White House, the unveiling of the Bush / Dan Rather forged document episode, not to mention the very candidacy of Howard Dean for the Democratic nomination last year, which was primarily catapulted and financed through blogs.

One of the recent events where this new paradigm for reporting and discussing news became clear in Brazil happened in April, during a soccer game between São Paulo and Quilmes, from Argentina. A black Brazilian player was sent off the field for reacting to a racist insult coming from an Argentine player. The unusual thing about the episode was that Grafite, the Afro-Brazilian player, pressed charges against Desábato, his Argentine colleague for racist injury, which is a federal crime in Brazil. The charges were accepted by the sheriff and a warrant for Desábato’s arrest was issued immediately after the game was over. For the first time in Brazil, and perhaps in the world, an arrest was made on a soccer field on the grounds of a racist insult. Regardless of what one thinks about the decision of the Brazilian justice, this was an absolutely novel event not picked up as such by the media. Sports journalists are not used to discussing matters such as racism, and on the other hand political journalists didn’t really know what to make of the event which had taken place, after all, within a soccer field. Dozens of blogs picked up the issue and wrote on a it with a number of perspectives. Several forums for discussion were created, with positions ranging from one extreme to the other. On the days following that episode, my own blog peaked at 18.000 daily visits. By the time the media picked up on it had become clear that they had missed the singularity of the event. If I can mention myself as an example, during the catastrophe in New Orleans it was through my blog and few others that the Spanish- and Portuguese-speaking community of Tulane was able to exchange news about each other and reassure colleagues that everyone was, if not well, at least alive.

As usual, academics have been slow to respond to this phenomenon, often echoing the nervous response of journalists: since blog posts go through no editorial process, there’s no “guarantee” of the quality or the verifiability of the material you read in a blog. While a few academics have picked up the medium and created excellent blogs, my experience is that I’ve had to explain what a blog is more often when talking to academics than when talking to teenagers. Meanwhile, we continue our discussions of the possible or desirable political impact of academia largely ignoring that such impact can no longer be measured without reference to these new electronic media. In the case of blogs three things in particular are highly relevant for that discussion: first, the sheer size of that readership: more people read my blog daily than have read both of my books in three languages and six years. Second, the instantaneous response of these readers makes of the blog an arena with challenges that one does not usually face in the more secure, walled space of the university, and third, the unpredictable nature of the associations you may establish goes far beyond what we have grown used to seeing in the university. The connection with the outside of university walls should no longer then, be a matter that we discuss in oblivion of this amazingly innovative experience in first-person writing. It is up to us to make full use of it.



  Escrito por Idelber às 05:05 | link para este post | Comentários (25)



quarta-feira, 26 de outubro 2005

Alô, Pittsburgh: Thanks!

pitt.jpg

13a maior cidade dos EUA, 1a cidade do mundo a ter um cinema, lugar de realização do primeiro transplante de fígado e de rins do mundo, cidade onde se fez o primeiro Big Mac da história, morada da 1a estação de rádio comercial e da primeira estação de TV pública dos EUA, Pittsburgh tem história. Muita. Durante anos, foi responsável por um terço de todo o aço produzido no planeta. Localizada na junção de três rios no oeste da Pennsylvania, numa região carbonífera, Pittsburgh sempre foi uma cidade de classe trabalhadora.

Ali se realizou aquela que talvez seja a greve mais marcante da história do movimento operário norte-americano, a Homestead Strike, em 1892, quando os trabalhadores tomaram as fábricas de aço e foram desalojados por uma força militar que ocupou a cidade durante meses.

pitt-mill.jpg

Nos anos 1980, com a desregulamentação da economia impulsionada por Reagan, Pittsburgh perdeu quase toda a sua produção de aço, da qual restam hoje ruínas pós-industriais. A visita a essas ruínas é muito impactante. A cidade se recuperou parcialmente investindo nas área de tecnologia e turismo. Seu grande orgulho são os Pittsburgh Steelers, time de futebol americano de muita tradição, especialmente na defesa (conhecida como Iron Curtain). O futebol americano ali é referido simplesmente como the game.

É uma das cidades com mais pontes em todo o mundo, e a chegada ao centro, por sobre o Rio Allegheny, é algo de exuberante. Pittsburgh também é morada de um Museu Andy Warhol e duas belas universidades, a Carnegie Mellon e a University of Pittsburgh.

A esta última, agradeço a hospitalidade e o convite ao belo colóquio sobre ética na semana passada. À Prof. Erin Zivin de novo meu muito obrigado pela impecável organização do evento. Ao mestre John Beverley, meu obrigado pelos passeios e pelos detalhes sobre a história de Pittsburgh. Obrigado também a todos os professores e alunos de pós-graduação do departamento de estudos hispânicos da Pitt, e ao Rafael por essa menção elogiosa no seu blog.

Lição mais uma vez renovada nesse colóquio: os que aparecem criticando "os intelectuais" por não fazerem nada "pelo povo" e repetindo slogans de algum político, de alguma fundação, ou de algum governo costumam ser os piores charlatães. Olho neles.

PS: O Edk me informa que o nosso Galo está leiloando a taça de 1971 para pagar dívidas trabalhistas. A patética diretoria do Galo diz que vai resolver. Meu Deus, a que ponto chegamos. Respeitem Telê Santana, cambada.

PS 2: Vejam que lindo flog ela fez sobre o Chile.

PS 3: Um blog que tenho curtido muito: Ressaca Moral.



  Escrito por Idelber às 02:17 | link para este post | Comentários (21)



domingo, 23 de outubro 2005

Até que enfim acabou esse referendo!

Ganhou o não. Ganhou bem e limpamente. Não deixa de ser um fenômeno eleitoral: uma bandeira que começou a campanha com 80% de apoio nas pesquisas foi rejeitada por 2/3 da população.

Conclusão: não há bandeira política que sobreviva ao apoio do governo federal.



  Escrito por Idelber às 23:27 | link para este post | Comentários (62)



sábado, 22 de outubro 2005

Um sábio ditado gringo

beer.jpg wine.jpg

Eis aqui um sábio dito popular do sul dos Estados Unidos, cuja veracidade pude comprovar mais uma vez esta noite:

Wine on beer, never fear
Beer on wine don't combine.

Será que algum dos eruditíssimos leitores deste blog arriscaria uma tradução ao pindorâmico que mantivesse as rimas?



  Escrito por Idelber às 03:19 | link para este post | Comentários (35)



sexta-feira, 21 de outubro 2005

Linkania em Pittsburgh

De volta em gringolândia - só por uns quatro dias, numa bela cidade que eu ainda não conhecia: Pittsburgh. Ando por aqui convidado por essa bela universidade para falar hoje num colóquio que promete. São 2 da matina, eu ainda não terminei a palestra e estou blogando. Êta, vício. Já deixo o agradecimento à Prof. Erin Zivin pelo gentil convite a este escriba.

**********

Eu já devo ter entrado e saído deste país umas 50 vezes. Hoje, o oficial de imigração que revisou meu passaporte e green card teve que fazer a pergunta inevitável: "por que está há tantos meses fora?" Começo de resposta minha: "Bom, eu moro em New Orleans e..." Resposta do cabra: eu também. Pela primeira vez, na vida, um contato humano com um oficial de imigração: trocamos figurinhas da desgraça. No avião, outra garota de lá, que perdeu tudo. A memória da minha cidade está por todas partes.

**********

Notícias dos EUA? Nada de novo: corrupção, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro. Mais ou menos como no Brasil, com a diferença, claro, que o governo daqui é responsável pela matança de dezenas de milhares de inocentes. E que agora parece haver real esperança de que, nas mãos de um promotor ao que tudo indica ilibado e respeitável, a montanha de provas contra Bush possa levar à queda da corja. Andam bem nervosinhos na Casa Branca, disso não há dúvida. E a Blogosilvânia de Esquerda anda bem confiante que agora a casa cai. Eu? Cético.

**********

Participe da campanha acorde um leitor da Veja: os caras conseguem, ao fazer três afirmações, publicar quatro mentiras. É como diz o Catarro: se a Veja nega, é porque é verdade. Se afirma, é porque é falso. É batata.

**********

O gente finíssima Mauro Amaral, do Carreira Solo, está fazendo um censo para conhecer melhor os leitores. Para participar e ajudar esse excelente projeto a mapear seu público, é só clicar aqui no selinho:
logo_small.gif

**********

O blog que mais tem me feito dar risadas nesse Brasil pós-mensalão completou 400.000 visitas. Congrats, lindas. Leitores, um pulinho lá para dar parabéns às magrelas que elas merecem. Êta, blog alto astral.

**********

E por falar em risadas, essa aqui é imperdível: saga.gif. Se ainda não viu, tem que voltar lá no começo e acompanhar tudinho. É hilário demais.

**********

Contaram-me que, tendo ido assistir pela primeira vez na vida uma partida de futebol - o histórico encontro entre XV de Piracicaba e Paraisópolis - o blogueiro Ludivicus Biajonicus não resistiu à emoção e parece que passou desta para a melhor, logo no dia do seu aniversário. Parece que suas últimas palavras foram: a única coisa que presta nos anos 80 são os Talking Heads, mesmo assim só o disco de raridades e B-sides lançado exclusivamente na Austrália! Relata-se que depois de decretar a falência de toda a música pop, o ilustre blogueiro expirou.



  Escrito por Idelber às 03:12 | link para este post | Comentários (18)



quinta-feira, 20 de outubro 2005

Post para alumnos del seminario de Universidad de Chile

(post em espanhol para discussão acerca de Sobre a Violência, de Hannah Arendt e Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon. Leitores regulares: fiquem à vontade para participar)


Hannah Arendt y Frantz Fanon representan dos puntos extremos de la reflexión del siglo XX sobre la violencia. Les propongo una discusión basada en los siguientes puntos:

1.El planteo de Arendt de que la guerra . . . ha perdido gran parte de su efectividad y casi todo su atractivo. ¿Cuáles hubieran sido los límites de esa percepción ya en el momento en que fue escrita (1970)? ¿Cuáles las diferencias de una época de guerra fría (definida Arendt como tiempo en que la carrera armentista no es una preparación para la guerra, sino .... la intimidación es la mejor garantía de paz ) respecto al momento? ¿Habrá sido alguna vez verdadero el supuesto de que la guerra había perdido su atractivo?

2.¿Qué le pareció la sorprendente crítica de Arendt a Sartre, filósofo atacado por ella (una pensadora más cercana al liberalismo que al marxismo) como no suficientemente marxista, o por lo menos como no fiel lo suficiente a Marx? ¿Por dónde pasan los diferendos entre Arendt y Sartre?

3.Según Arendt, la derecha y la izquierda coinciden en pensar que la violencia no es sino una manifestación de poder. Para ella el recurso a la violencia es, más bien, una manifestación de ausencia de poder. Discutir y evaluar esa percepción de Arendt.

4.¿A Ud. le parecería justo caracterizar la posición de Arendt acerca de la violencia como la de una pacifista liberal? ¿O bien habría algo en ella que escaparía a esa caracterización?

5.Frantz Fanon, en Los condenados de la tierra, presenta una posición diametralmente opuesta a la de Arendt. Discutan lo quieran respecto del diferendo entre las dos posiciones: cuál de ellas les pareció más apropiada a una práctica social (la de entonces y la de hoy), cuáles peligros o riesgos advendrían de cada una de ellas, etc.

(claro, no es necesario contestar todas las preguntas punto por punto, sino dejar comentarios que contemplen una o más de ellas y sirvan para provocar la discusión)



  Escrito por Idelber às 03:05 | link para este post | Comentários (19)



quarta-feira, 19 de outubro 2005

Blogueira convidada: Ana Maria Gonçalves

(carta dela, que fez um lindo blog sobre o Chile, aos meus filhos)

Santiago do Chile, 12 de outubro de 2005

Queridos Alexandre e Laura,

Hoje é dia das crianças aí no Brasil, e seu pai falou muito em vocês. Ele fala todos os dias, várias vezes ao dia, e tenho a certeza de que isso não significa nem uma mínima parte da quantidade de pensamentos nos quais vocês reinam absolutos. Será que vocês conseguem sentir isso? Acredito que sim, pois, ao contarem para ele como foi o dia de vocês, comentam apenas aquelas coisas das quais ele não participaria mesmo estando presente, como o dia na escola, os passeios com a mãe e os primos, os pensamentos mais secretos. Em tudo o mais, como quando vão dormir, comer, conversar, não comentam, pois estiveram juntos. Ou comentam apenas com aquele tom de observação de quem quer dividir o mesmo pensamento.

Queria contar para vocês das frutas chilenas, talvez por achar que algumas frutas são assim como as crianças. Principalmente as verdes, mas apenas as que são doces desde o início. Mas antes, queria que lessem um trechinho de um livro que compramos ontem, El viejo e el niño, de Efraim Barquero:

“Los dos se detienem casi al mismo tiempo, al descubrir la fruta em los árboles, uno con la dulzura de la edad y el outro con la premura de los años.
Y las frutas maduran.
El viejo toma una, la huele largamente y se la da l niño, quien se la come con gusto y se mira las manos que huelen a fruta acabada.
Hay que verlos en esta ocupación de recolectores.
- Están buenas como em otros años, dice el anciano, poniendo-se algo triste, del color de las frutas recordadas.
El chico mira y no sabe qué decir, porque sus ojos y su boca tienem siempre la edad de todas las frutas.
El anciano le indica que ésta es más dulce, que ésta tiene más sol y ésa otra más luna, pero non las prueba.
Las muestra solamente com el dedo como si tuvieram nombres de personas desconocidas para su pequeno amigo.”

Pronto, é isso. Já pensaram se, como diz o velho, as frutas tivessem mesmo nome de pessoas? Pois, em línguas que não conhecemos, podemos até mesmo brincar disso. Há pessoas que se parecem com frutas, já perceberam? Algumas são doces, outras são azedas; outras já são bonitas desde a casca, outras apenas quando vemos o interior; algumas são mais comuns, mais extrovertidas, outras se escondem para aparecerem apenas em determinadas épocas do ano. Algumas são raras, outras iguais a todo mundo. E por aí vai, crianças, pois tudo na vida é dado a comparações. Há muitas frutas diferentes no Chile, e estou mandando fotos de algumas. Bem, esta foto aí acima é de um limão, quase igual a que temos por aí, mas apenas para mostrar como são mais compridos e bicudos.

Esta outra foto é de mexerica, ou tangerina, como quiserem chamá-la. Está cortada feito uma laranja por que achei que combinava cortá-la como uma laranja, por causa desta casca que tem uma cor laranja magnífica. Está bem, confesso que também fiz isso porque não gosto muito de descascar com as mãos, fica aquele cheiro de sumo que mesmo depois de muitas horas todo mundo sabe que você chupou mexerica.

E já que estamos falando de frutas conhecidas, eis aqui o papaia chileno. Aquele mamão que aí conhecemos apenas como papaia, aqui ganhou um sobrenome e se chama papaia tropical. Apenas papaia é um pequenino, que fiz questão de fotografar junto com a minha mão para que vocês tenham idéia do tamanho. Tudo nele é diferente, a começar pela casca, muito mais fina, mas é muito mais diferente no gosto, é azedinho. A textura do miolo é de uma goiaba bem madura, mas o gosto de aproxima de uma maracujá, ou de um cajá, não sei bem. Vocês conhecem cajá? Também não sei como se comem aqui, mas eu como de colherinha, e aos montes, pois adoro fruta um pouco azeda. Então, misturando os nomes com os gostos, será que poderíamos chamar essa fruta de paracajá? Ou será que vocês têm nome melhor? Vão pensando aí porque depois vou querer saber.

Esta outra foto é de um fruta da qual não me lembro o nome. Por fora lembra um pequeno abacate, que aqui se chama palta e é usado em todos os sanduíches (seu pai não gosta, e sempre pede os sanduíches sem palta). Aliás, sabiam que aqui o abacate não é considerado fruta? Mas voltando às nossa fruta-da-qual-esqueci-o-nome, ela tem uma cor bonita, mas o gosto é um pouco estranho. É uma fruta pesada, não tem jeito de fruta, tem muita “massa” (nada a ver com macarrão, certo?). Até voltarmos, vou tentar descobrir o nome dela para contar para vocês.

Essa aí da foto é minha fruta preferida, por enquanto, pois tenho experimentado todas que vejo pela frente. O nome dela é “tuna”, bem estranho para algo que vive fora d'água, mas gostosa demais! Tem a aparência de um kiwi, mas a casca é fina e lisinha, e a textura novamente se assemelha a uma goiaba, não muito madura, talvez por causa das sementes. O gosto também não sei explicar muito bem, mas é docinho, e me lembra fruta fresca, como a melancia ou novamente aquelas frutas típicas do nordeste, das suculentas.

Por fim, a fruta preferida do seu pai, a chirimoya. Acho que é a versão chilena da nossa “fruta-do-conde”, um pouco mais durinha e um pouco menos doce. E é com ela que me despeço, com o seu pai aqui ao lado mandando um grande beijo que vai se juntar ao meu.

Com muito carinho, da amiga,
Ana

Atualização: esta caixa de comentários esteve com o link quebrado durante algumas horas. Já consertada.



  Escrito por Idelber às 01:47 | link para este post | Comentários (14)



terça-feira, 18 de outubro 2005

Recomendação do dia

Um dos melhores blogs do Brasil: Brasília, eu vi.



  Escrito por Idelber às 01:33 | link para este post | Comentários (9)



segunda-feira, 17 de outubro 2005

Observações sobre a Campanha do Referendo das Armas de Fogo

Este não é um post destinado a convencer ninguém a votar sim no referendo do próximo domingo. Como eu já disse, mais do que defender minha preferência, meu objetivo aqui é abrir espaço para o debate. Deixo alguns comentários sobre a campanha, tentando ser o mais ponderado possível, sem abrir mão da minha posição, é lógico:

1. Discordo dos queridos amigos que insistem que o referendo é uma perda de tempo e de dinheiro. Eu nunca havia visto a sociedade brasileira debatendo de uma forma tão ampla as raízes, causas e remédios para a violência no país. Por si, isso já é um exercício em democracia. É sempre difícil medir o que causou a diminuição ou o aumento de índices de violência, mas não me surpreenderia se os índices de homicídios caíssem no Brasil independente do resultado do referendo, como uma simples conseqüência de sua realização e do debate (que tem tido, nos seus melhores momentos, efeitos educativos sobre as causas da violência, sobre o uso de armas, etc.).

2. Dito isso, é verdade que o referendo está causando uma polarização inédita inclusive nas eleições, talvez porque as pessoas estejam mais dispostas a se polarizar em nome de uma idéia do que em nome de um político. Já tive notícias de amizades rompidas e famílias divididas. Em alguns foros de debates dá para se cortar a tensão com uma faca (com o perdão da metáfora, hehehe). Portanto, nestas horas é bom lembrar: a sociedade brasileira está discutindo a aplicação de um artigo de um estatuto de 37 artigos já em vigor. Só isso. É um artigo importantíssimo, claro, mas não é a linha divisória entre "os do bem" e "os do mal" e tampouco entre "patrulheiros" e "patrulhados". O que a maioria decidir é legítimo, porque ambos os lados estão tendo amplas oportunidades de fazer suas campanhas sem perseguições, caça às bruxas ou fraudes eleitorais, o que é bem mais do que temos visto recentemente nas "democracias mais perfeitas do mundo".

3. Talvez este referendo entre para a história como a primeira grande campanha marcada pelo spam. A quantidade de informações errôneas circuladas por meio de spams é assombrosa. Tomemos uma delas: apesar de que os próprios fabricantes de armas já cansaram de dar entrevistas dizendo que, no caso da vitória do sim, eles dirigiriam toda sua produção para o mercado externo, circula por aí um email que diz que "a lei do comércio exterior" (sic) impede um país de exportar aquilo que pr