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Um blog atleticano e antropocêntrico.



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1. Em coluna para a Folha de São Paulo em 23/08/2008, Fernando Rodrigues afirma que John McCain é a "síntese de uma ala republicana liberal". Evidentemente, ninguém nos EUA caracteriza McCain como liberal, nem ele mesmo.

2. Na edição 2.020 da Revista IstoÉ, sob o título Símbolo da fundação de Roma, o monumento Lupa Capitolina é mais novo do que se imaginava, a reportagem afirma: ... os historiadores sempre acreditaram que fora erigido por volta de 500 anos antes da era cristã. Como é esse monumento que data o nascimento da capital italiana, fixou-se então, logicamente, o surgimento de Roma nesse mesmo período (...) Na semana passada ocorreu uma reviravolta envolvendo tal marco: arqueólogos revelaram que a estátua é datada do ano 1300 a. C, ou seja, Roma é mais jovem do que se supunha.... A Revista IstoÉ se esqueceu de que 1.300 a.C é mais velho que 500 a.C., ou seja, deu a impressão de não saber que, antes de Cristo, a contagem das datas se faz para trás (obrigado, Serbão).

3. Em coluna publicada na Folha de São Paulo em 06 de agosto, Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo, diz que o voto hispânico "já alcança cerca de 25% dos eleitores" dos EUA. Errou só por 100%. Segundo os últimos números oficiais, o eleitorado hispânico dos EUA é 12,5%.

4. A Folha Online relata que o último spot publicitário da campanha de Obama afirma que McCain é um político submisso às grandes petrolíferas e lembra que o senador conservador recebeu milhões em contribuições eleitorais dessa indústria. O anúncio divulgado hoje por McCain procura desfazer esses mitos. A palavra mitos vem assim, sem aspas. Alguém esqueceu de avisar à Folha que as milionárias contribuições das petrolíferas a McCain não são mitos.

5. Em entrevista a João Pereira Coutinho na Folha Online, Daniel Piza, o homem que enforcou Jesus Cristo e transformou o entrudo em "dança de salão", afirma que muitos na verdade ainda estão em Bakunin, "toda propriedade é um roubo". A frase "a propriedade é um roubo", evidentemente, é de Proudhon (obrigado, Tiago Mesquita).



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domingo, 23 de outubro 2005

Até que enfim acabou esse referendo!

Ganhou o não. Ganhou bem e limpamente. Não deixa de ser um fenômeno eleitoral: uma bandeira que começou a campanha com 80% de apoio nas pesquisas foi rejeitada por 2/3 da população.

Conclusão: não há bandeira política que sobreviva ao apoio do governo federal.



  Escrito por Idelber às 23:27 | link para este post | Comentários (62)


Comentários

#1

Como diria o Brizola, foi um não rotundo. Não deixa de ser uma mensagem. No final das contas, tenho a impressão de que nesse referendo, com trocadilho e tudo, o tiro saiu pela culatra. Tem gente achando que agora as armas estão liberadas. É o Brasil...

Guto em outubro 24, 2005 1:58 AM


#2

Conclusão II, a missão: a pesquisa anterior era mais furada do que peneira.

Conclusão III, o Retorno de Jedi: diante do resultado no RS, tome muito cuidado com os irmãos e pais das gaúchas.

Gravatai Merengue em outubro 24, 2005 2:00 AM


#3

Ganhou o não. Mas não há o que comemorar. Além da inépcia do governo neste assunto, só falta o Lula dizer que a culpa pela violência é de quem votou não.

A nós, cabe agora encher o saco do governo e dos nossos congressistas e exigir rigor no cumprimento da lei (sem o tal artiguinho polêmico, a lei não é ruim. Basta cumprí-la).

Bear em outubro 24, 2005 2:15 AM


#4

E ao apoio do governo estadual, Idelber. Aqui no Rio, Dona Rosinha Garotinho espalhou cruzes de isopor no espelho d'água da Lagoa e tentou soltar umas pombas brancas. Resultado do evento: sujeira e pombinhas caídas no chão. Lamentável!

Ana Maria em outubro 24, 2005 10:11 AM


#5

Discordo da Ana Maria. Até porque foi um evento Zona Sul e o Rio de Janeiro não é só Zona Sul. Mas acho que, o que aconteceu no Rio foi, armas, trafico, medo e etc. Como o prefeito disse: "Como viver em um Rio violento sem armas?". Terra de Malboro

A minha surpresa foi no Nordeste. Que teve dois Estados equilibrados. E outra grande supresa foi o número de pessoas que justificaram. 21%. É coisa pra caramba.

Carol Ribeiro em outubro 24, 2005 10:50 AM


#6

foram vários tiros nos próprios pés mas, curioso é que, nestes casos, corremos o risco de ser atingidos por algumas balas perdidas destes disparos, principalmente pela desinformação que grassou no processo todo.

boczon em outubro 24, 2005 10:55 AM


#7

Votei não, preferiria um resultado mais apertado, um quase empate.
Para a discussão seguir.
Tudo segue igual, armas legais seguiram sendo bem controladas.
A mensagem que o governo deveria "pegar":
desarmem os ilegais, impeçam o contrabando, o comércio ilegal,... daí acredito que o resultado reverteria. Eu reverteria meu voto, se notasse ações pelo desarmamento total.

O Aluno em outubro 24, 2005 11:11 AM


#8

Idelber, não sei se o que pegou foi o apoio do governo ao SIM (e, anyway, acho que não foi exatamente isso que você quis dizer). Mas algo me diz que a vitória, na verdade, foi da desinformação, acima de tudo. O que não necessariamente significa que o SIM ganharia se as campanhas fossem mais bem conduzidas, significa apenas que nunca saberemos. É o que dizemos em nosso post de hoje:
"A pergunta foi tão mal elaborada, o índice de não-inclusão digital é tão alto, as urnas eletrônicas são tão confusas, que talvez o resultado desejado pela maioria da população fosse justamente o oposto. Mas isso a gente nunca vai saber."
Beijos

Monix em outubro 24, 2005 11:14 AM


#9

Não simplifiquemos o resultado. O NÃO ganhou em todas as camadas sociais, desde o mais pobre ao mais rico, desde o analfabeto ao mais escolarizado.

Isso quer dizer algo não é? Não foi falta de informação, não foi o problema da pergunta que fez o SIM perder - até porque a pergunta foi feita da maneira que o mentor do referendo, Renan Calheiros queria - dizer isso é insultar a inteligência dos 64% da população que votou.

Porque não simplesmente afirmar que o NÃO foi uma resposta a polícita de (in)Segurança Pública? Seria bem mais honesto.

Detalhe sobre o RS - É o Estado mais educado do Brasil, junto com Pernambuco um dos mais politizados, que possui o maior número de armas de fogo, com um dos menores índices de criminalidade.

Educação, pessoal, educação...

Pablo Vilarnovo em outubro 24, 2005 12:11 PM


#10

Francamente, Idelber, continuo sem entender. Vi ver que, por estar longe do Brasil, eu tenha perdido os argumentos do NÃO que devem ser bem convincentes, mas não dá pra entender que as pessoas achem que ter arma em casa adianta de alguma coisa. Nunca ouvin um caso de alguém que conseguiu se defender de assalto com uma arma que estava guardada num armário e sem as munições (única forma segura de guardá-las, claro)... por outro lado, vivo ouvindo casos de acidentes com armas e homens que matam suas mulheres por ciúme porque tinha uma arma na mão, na hora... enfim, não entendo mesmo...

Abração e boa semana!

Denise Arcoverde em outubro 24, 2005 12:31 PM


#11

Ah, esqueci de ocmentar, a única coisa que eu entendo bem é que foi uma reação ao apoio do governo ao SIM... isso eu, infelizmente, entendo bem :(

Denise Arcoverde em outubro 24, 2005 12:32 PM


#12

Há o que comemorar com o resultado do referendo IDELBER! Eu explico:
Todo REFERENDO trata da aceitação por parte do cidadão da perda de algum direito. Apenas a frente do NÃO entendeu isso!
O que mostra o pouco e incrível conhecimento de Política de pessoas e entidades (por exemplo o VIVA-RIO) envolvidas em mais este passo de um desarmamento dos cidadãos brasileiros. E ISSO É GRAVE.
O responsável pelo VIVA-RIO para esta votação admitiu, na última hora (na TVE-RIO em 19/10), que a questão das armas no campo não tinha sido conveninetemente atendida pelo estatuto em vigor. E isso é triste. Como um órgão colegiado não consegue formular propostas políticas?
A formulação da pergunta, com duas negações, estava a cara deste Congresso. Onde a inteligência dá lugar a esperteza! Esperteza essa que produz representantes como a do deputado Professor Luizinho (que eu espero que elimine o apodo rapidinho, pois é insultante) e a esperteza do senador Renan Calheiros. Este último ao liderar a frente anti-armas pretendia limpar o seu nome! Desculpe, é irresistível: O TIRO SAIU PELA CULATRA.
De referendo passou a PLEBISCITO e o eleitor disse NÃO ao governo do presidente Lula na Política de Segurança. Destaques para o alto índice de SIM em São Paulo (estado em que PT e PSDB são fortes) e para o elevado índice do NÃO no Rio Grande do Sul, que mostrou que o povo deste estado tem alguns objetivos comuns bastante arraigados e NITIDAMENTE entenderam que estavam ali na iminência de PERDER UM DIREITO (não estou discutindo a qualidade do direito!!!).
Valeu IDELBER. Fui longo no comentário.
O BRASIL precisa de EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO...

Paulo Zobaran em outubro 24, 2005 1:40 PM


#13

Porque a conclusão não poderia ser: o Não venceu por ter os melhores argumentos? Ou o não venceu porque o governo de esquerda do Brasil (Garotinho e sua omissão, Lula e seus 12 milhões de reais de orçamento ao combate ao tráfico) dá segurança só para traficante?

Para quem admira e defende o "povo", você o insulta atentando contra a inteligência da população. Ou seria só o autor deste blog inteligente o suficiente para fazer uma decisão idônea e esclarecida? Você vota porque entende, sabe. Os outros, porque detestam o Lula. Acho que não. O Não venceu porque simplesmente o Sim agiu com a típica arrogância e ganância da esquerda, achando que o Brasil já está pronto para ser mais um exemplo do PolCor, que aceita qualquer baboseira destas vindas do exterior.

Ao menos a população mostrou fibra, e que sabe bem o que quer. E que o que não quer é viver a sombra do Viva Rio, onde madames que cheiram coca e seus seguranças particulares dizem como os outros devem viver. Quem sabe agora a discussão não começa a girar em torno do que realmente interessa:

1) Quando vamos sistematicamente desmantelar o tráfico de drogas?
2) Quando vamos pegar deputados e senadores que se metarm com Farc, Carlinhos Cachoeira, e Fernandinho Beira-mar?
3) Quando vamos fazer campanhas na tevê atacando a elite que usa drogas e alimenta a violência que massacra a população?
4) Quando os intelectuais vão aprender a mudar de opinião, ao invés de se apegar a dogmas políticos convenientes para reputação e carreira?
5) E quando iremos ter um referendo para proibir o alcool e o cigarro, duas armas muito maiores que "the guns", e que custam muito mais a sociedade tb? Afinal, meu imposto paga o tratamento de pessoas que cometem atrocidades devido ao alcool ou sofrem de cirrose. Idem para o cigarro e suas doencas. Um verdadeiro crime contra a população e a saúde pública, de um país de pobres, onde o sistema mal atende os casos mais necessários, e precisa se dedicar a vícios de outros.

Um dia, um plebscito para marcar as datas resolve isso aí também. Afinal, o Brasil é uma "democracia", onde o sistema judicial não funciona, onde qualquer pessoa dá carteirada ao invés de se ater a debates, onde o povo é o objetivo do intelectual mas é considerado uma massa de imbecis pelos mesmos, e onde todos intelectuais e políticos querem os benefícios que a URSS dava aos seus políticos... Casa, comida, respeito e poder.

PS: Claro, quem votou não porque realmente acredita no não é um ser humano vil e deformado. Quem votou não porque não acredita no Lula, está perdoado pela sacrossanta e infalível esquerda liberal nacional, representada pelos intelectuais de alta estirpe que moram no Olimpo e atiram pedras nos que chafurdam na lama.

Robson em outubro 24, 2005 2:26 PM


#14

Pessoal, excelentes argumentos, com a exceção do último. Acabo de chegar ao Chile de volta de Pittsburgh, e prometo que apareço por aqui para debater mais tarde. Tenho algumas discordâncias e concordâncias com todos que escreveram; desse último rapaz, claro, só pena.

Idelber em outubro 24, 2005 3:32 PM


#15

Arrogância não é argumento, Idelber. Se discorda do último moço, diga por quê e como.... Ele está argumentando, custa fazer o mesmo???? Postura tola, essa.... Francamente....

Vanessa Lins em outubro 24, 2005 3:47 PM


#16

Acredito que fosse qual fosse o resultado do referendo, as coisa snão iam mudar muito na prática. As questões mais importantes a serem avaliadas estão esquecidas, e francamente desarmar a população teria efeito mínimo, apenas em casos de acidentes domésticos e crimes passionais, que possuem seu peso dentro das estátisticas da violência, mas estão longe de ser "o" problema do Brasil.
Ademais, o não venceu pelo medo da população, de ver seus direitos suprimidos, e de não ter defesa contra a criminalidade.
Abraços, parabéns pelo ótimo blog!

renan em outubro 24, 2005 4:03 PM


#17

Vanessa, o Idelber disse que voltaria para comentar. Deixa o moço chegar de viagem, poxa! Mas que preça em chamá-lo de tolo..rs

Deveria ter lido tudo que ele escreveu. Ele apenas adiantou o que pensa de alguns comentários.

Francamente... :D

Gravatai Merengue em outubro 24, 2005 5:14 PM


#18

Desculpe pelo preça.

Gravatai Merengue em outubro 24, 2005 5:17 PM


#19

Não, não. É imperdoável.

Gravatai Merengue em outubro 24, 2005 5:18 PM


#20

Pablo, na minha opinião a falta de informação foi justamente sobre o tema do referendo. Nós não fomos chamados a votar a (falta de) política de segurança pública, e sim a proibição da venda de armas e munição. Democracia é aceitar a voz da maioria, claro, mas considerando-se o rumo que a discussão tomou, fico um pouco assustada com o resultado. (Sinto que aponta para um certo estado de salve-se quem puder, de forma geral, não apenas em relação a armas.) Enfim, é claro que isso é apenas a minha opinião. Nem melhor nem pior que as outras, porém a única que tenho. ;-)

Monix em outubro 24, 2005 5:29 PM


#21

Com o Guto, acho que foi um caso clássico de tiro saindo pela culatra (o governo tinha certeza da vitória do sim, tentou capitalizar nessa vitória e acabou enterrando as chances do sim); com o Bear, concordo que o há que se fazer é cobrar o cumprimento de um estatuto que, no final das contas, não é ruim: falta, claro, colocá-lo em prática de verdade.

Com a Ana Maria, concordo que a governadora teve, sim, seu papel no enterro das chances do sim. Carol, o fato de que o desastre ecológico com as cruzes de isopor tenha acontecido na Zona Sul não quer dizer os efeitos dessa bobagem não tenham se feito sentir na votação de todo o o Rio de Janeiro. Mas concordo com a Carol que o nível de abstenção foi bem, bem significativo também, além, claro, da diferença acachapante em favor do não entre os que votaram.

Com o boczon, eu me preocupo pelas consequências do referendo, especialmente (prá mim) se for significar aumento nas compras, mesmo legais, de armas. Também concordo com O Aluno que mais importante agora seria um bom controle e boa política de segurança.

Como a Denise eu também sou cético enquanto ao poder de proteção real que lhe dá uma arma em casa, e com a Monix, gostaria de ter visto um debate e uma campanha melhores, MAS: concordo totalmente com o Pablo Villarnovo e com o Paulo Zobarán, de que o voto foi fundamentalmente um rechaço aberto e claro da política de segurança do governo Lula. Nisso estamos totalmente de acordo: a população disse, sim, claramente o que queria, não acho que tenha havido nenhum "engano". É o que disse o renan: foi um voto contra a supressão do que se percebeu como um direito.

Para mim além da vontade dar uma tamancada de recusa ao histórico do(s) governo(s) na área de segurança, a vitória do não se deve ao sucesso da frente deles em colocar a questão como um problema de direito individual . Teve sucesso. (Gravata, eu não sei se a pesquisa inicial do Datafolha estava furada, ou se a opinião pública girou mesmo - tendo a achar que foi o segundo....)

(Vanessa, como já lhe expliquei uma vez, neste blog me dou o direito de responder a todos os argumentos de uma caixa, não responder nenhum, ou só responder os que quero, e deixar outros sem resposta).

Eu faria, aos amigos que apoiaram o não, o convite para que se juntassem, então, aos que defendemos a descriminalização do uso de drogas, também dentro da mesma lógica do direito individual (ao invés de se juntarem ao Dep. Fraga, chefe da frente do não, que agora quer plebiscito para aprovar coisas tipo prisão perpétua): eu sinceramente acredito que essa descriminalização teria um efeito muito mais redutor sobre a violência do que qualquer legislação que se possa aprovar sobre o comércio e a circulação de armas.

Abraços,

Idelber em outubro 24, 2005 7:03 PM


#22

Idelber,

Tens toda a razao. Fiquei bastante incomodado em defender a proibicao da venda das armas porque os argumentos que eu usava para defender a descriminalizacao e/ou legalizacao das drogas eram os mesmos. Discutir isso faria com que todos, obrigatoriamente, discutissem de maneira mais seria a questao da seguranca. Mas sinto que em um plebiscito desse tipo, a proibicao das drogas ganharia facil.

Grande abraco.

BB em outubro 24, 2005 8:13 PM


#23

Bom, eu vou discordar da maioria aqui. Não acho q a vitória do NÃO tenha sido algum tipo de resposta à política de segurança do governo Lula. O despreparo do Estado brasileiro para lidar com a questão da violência é muito anterior a esse governo, e nem é de responsabilidade apenas do governo federal, mas tb (aliás, principalmente) dos governos estaduais, q controlam as polícias civis e militares e os presídios. Acho q a população tem isso bem claro. Colar o resultado do referendo a uma suposta oposição a Lula é o tipo de coisa q eu espero ler nas páginas da Veja e da Folha de S. Paulo, ou em declarações de Arthur Virgílio, Bornhausen, Bolsonaro e companhia bela, mas com a qual eu definitivamente não concordo.
Por outro lado, acho q Idelber tocou no ponto certo qdo disse q a campanha do NÃO foi feliz em explorar a questão como um problema de direito individual. É justamente aí q reside a principal conclusão q eu tiro do referendo: o resultado só demonstrou, mais uma vez, o intenso conservadorismo político da população brasileira como um todo. Não apenas das elites econômicas, como gostaria de acreditar quem se considera de esquerda, mas da população como um todo, em todos os estratos sociais. Experimenta fazer um plebiscito sobre descriminalização das drogas, legalização do aborto, eutanásia ou sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, pra ver no q é q dá.
Sabe, ser progressista no Brasil pode ser um troço bem solitário, às vezes...

dra em outubro 24, 2005 8:31 PM


#24

É esse o problema, Idelber. A turma do bang-bang, na hora de defender o porte de armas, considera o cidadão brasileiro suficientemente maduro e esclarecido para portar um revólver.

Evocam, pois, o direito individual acima do controle estatal. Eita beleza.

Mas aí, quanto à liberação das drogas, aquele mesmo camarada seguro e bacana deixa de ser alguém confiável, de modo que precisa de ordens do Estado.

O que é mais perigoso na mão de um brasileiro, um revólver ou um baseado?

Gravatai Merengue em outubro 24, 2005 8:39 PM


#25

Isso me traz um alivio.. torna a leveza do meu ser mais sustentavel

calol em outubro 24, 2005 8:59 PM


#26

Pois é, BB, é aí que eu ainda acho que numa campanha boa, de debates de bom nível (superiores aos que vimos nesse referendo - que em seus melhores momentos chegou a níveis até razoáveis), a proposta de descriminalização das drogas teria, sim, uma chance. Talvez eu esteja sendo otimista demais, mas acho que tem sim. Mais que a descriminalização do aborto, que ainda mexe com as entranhas da religiosidade de muita gente.

Se não tiver chance, e perder feio, aí sim, não haveria como evitar a conclusão do dra., que plebiscito para essas coisas não vai funcionar nunca (Paulo, é possível conceber, sim, referendos que sejam sobre a extensão de direitos, e não sobre sua supressão: pensemos num plebiscito sobre a legalizaçao das drogas, por exemplo; nem sempre os referendos são sobre abandono de direitos).

Aí nesse hipotético plebiscito, Gravata, eu gostaria de dar a todos os amigos que defenderam o não o benefício da dúvida e esperar que eles se juntassem a nós na defesa da legalização das drogas com o mesmo fervor com que defenderam o direito de ter armas - aí quem sabe se produziria uma aliança política interessante em torno da noção de direito individual . . .

Abraço,

Idelber em outubro 24, 2005 9:10 PM


#27

Caro Idelber, para não cometer uma injustiça com o VIVA-RIO, são patéticas as declarações do Movimento Sou da Paz e do presidente da OAB-SP no pós-Referendo.

Paulo Zobaran em outubro 24, 2005 10:52 PM


#28

O que o presidente da OAB-SP disse, Paulo? Mande o link please :)

Idelber em outubro 24, 2005 11:20 PM


#29

Idelber,

Acho que, infelizmente, muito pouca gente no Brasil seria coerente com os argumentos dos direitos e realmente transferiria os votos do NAO para um eventual SIM as drogas. As pessoas votariam sem prestar atencao a contradicao.

Acabei de sair de uma aula em que a gente discutiu a questao de plebiscitos e referendos. A tendencia historica eh, na maioria das vezes, ganhar o status quo -- eh mais facil defende-lo (jah se conhece os resultados), funciona como um ponto focal e as probabilidades estao sempre a favor: no caso da mudanca voce tem que mobilizar as pessoas para sair de casa e votar, o que eh sempre mais dificil de fazer.

Por que voce acha que a questao das drogas teria alguma chance de passar? Se voce puder e tiver um tempinho, desenvolve mais sobre isso.

(Minha posicao: seria otimo se pudesse ser feito e geraria uma discussao realmente interessante sobre violencia, direitos individuais e papel do Estado. O meu medo, no entanto, eh que a coisa se polarizasse de tal forma que teriamos o grupo dos "maconheiros" contra o grupo dos "fascistas", o que eh a tendencia de qualquer plebiscito e o que aconteceu com o referendo das armas).

Abraco.

BB em outubro 25, 2005 1:33 AM


#30

Idelber, segundo a Folha, o não teve maioria entre aqueles que aprovam o governo federal.

E francamente, só quem não conhece o brasileiro para achar que um referendo desses seria aprovado...

André Kenji em outubro 25, 2005 1:44 AM


#31

Caro Idelber, à moda do esquartejador, ou seja, por partes:

1)O presidente da OAB-SP e o presidente do Sou da Paz falaram na TV (portanto rapidamente) criticando a pergunta formulada no referendo!
2)Um plebiscito sobre algum aspecto das drogas na cidade do Rio de Janeiro (e creio que no Estado do Rio também), teria possivelmente um componente religioso maior do que se fosse tratado do aborto!

Paulo Zobaran em outubro 25, 2005 1:49 AM


#32

BB, é verdade que uma parte da população que votou "não" neste referendo votaria "não" à descriminalização das drogas sem notar a contradição. Mas ainda acho que vale a pena fazer o apelo à coerência dos "formadores de opinião" que apoiaram o não e chamá-los a essa importante luta...

Acho que a legalização das drogas teria mais chances de passar no caso de que houvesse um debate real, genuíno, sem fanatismos, sobre o tema. Paulo: acho que o aborto mexe mais com o dogmatismo religioso do que as drogas. Não tenho certeza, mas acho que teria chances de passar sim.

Paulo, obrigado pelo dado sobre o pres. da OAB-SP. Se disse isso, disse bobagem. Claramente, a população não votou como votou por causa da formulação da pergunta, que aliás foi formulada como queria o governo.

André, interessante esse dado da Folha. Mas isso não prova que o repúdio ao governo não foi um fator. Só prova que o apoio ao não foi grande o suficiente para englobar até a base do governo que defendia o sim...

Abraços,

Idelber em outubro 25, 2005 2:17 AM


#33

Oi, Idelber, acabou q você não respondeu ao moço de q você tem pena né... rs... Mas tudo bem.

Quanto ao pessoal q defende o porte às armas com base no argumento da liberdade individual poder cair em contradição (imagino que alguns sejam a favor, mas muitos sejam contra mesmo)ao ñ querer legalizar as drogas, nem precisa ir tão longe p/ achar contradição.

A maioria das pessoas c/ quem conversei que foi a favor do desarmamento era a favor da legalização do aborto. O argumento? Liberdade individual, meu caro...... rs.... Então fica tudo elas por elas....

Vanessa Lins em outubro 25, 2005 7:58 AM


#34

Existem drogas e "drogas". Armas e "armas".
Votei NÃO pelo direito de certas pessoas (critérios técnicos já existentes) terem certos tipos de armas (calibre e potência).
Alguns tipos de drogas poderiam ser perfeitamente liberadas. Até porque a droga que mais mata tem propaganda a toda hora na TV: alcool.
Esta última frase é palpite, podem retrucar, é achismo puro. ACHO que o alcool mata mata mais (causas diretas e indiretas) que as demais drogas juntas. Preguiça de buscar dados, fica o chute.

Nada contra o alcool, mas acho exagerado a quantidade de propaganda. Cigarro é droga legal e não pode, já o alcool pode... vá entender.

O Aluno em outubro 25, 2005 8:48 AM


#35

Também acho estranho alcool poder e cigarro ñ, aluno....

Vanessa Lins em outubro 25, 2005 9:22 AM


#36

Mais um assunto polêmico, confesso que sobre a discriminalização das drogas ainda não tenho opinião fechada. Num primeiro momento sou a favor da discriminalização (por motivos liberais) mas contra a legalização (há um abismo de diferença). Hoje sabemos que para um usuário de drogas há apenas o constragimento policial, ou seja, no máximo é condenado a comparecer perante um juiz todo mês para assinar um termo, e na pior das hipóteses e acharcado por um policial.

Porém a afirmativa que a discriminalização das drogas causaria uma diminuição na criminalidade não é correta. O tráfico de drogas se abastece, principalmente, de mão-de-obra pobre, são pessoas que não vêem a menor condição de sobreviver ganhando menos que um salário mínimo. Isso não mudará. Não adiante comparar com a Holanda, até porque lá o tráfico é proibido também, e para surpresa de alguns há muitos problemas de drogas e até um movimento nascido na própria Holanda para acabar até com a tolerância do consumo.

O que acontecerá com os soldados do tráfico com a legalização? Nada. O único benefício será para os usuários, principalemente para os usuários de melhor classe social. Favelado fuma maconha dentro da favela, rico quer fumar no show, na praia, na boate, na micareta e etc...

Concordo com a discriminalização, só não concordo com o argumento que isso traria um decréscimo na criminalidade, não traz.

Vide o que acontece no Rio. Quando a polícia se mexe um pouco e realiza um estrangulamento ao tráfico (como esse período de agora), este "migra" para outros crimes, notadamente a invasão de residência, com armas pesadas e muita violência.

Outro motivo seria os trocentos acordos bilaterais e com órgãos internacionais em que o Brasil é signatário. Sei que alguns irão dizer: "que se dane os acordos", porém costumo ser uma pessoa bem realista e sei que certas coisas não são tão fáceis. Com certeza o Brasil sofreira restrições no caso de uma legalização (não estou tão certo quanto o caso de discriminalização) por isso acho isso fora de questão.

Então fica o dilema: discriminalizar e "ajudar apenas" o usuário, permanecendo o tráfico da maneira que está, ou não discriminalizar e promover uma melhora social e econômica para que a população mais pobre tenha uma opção de sobrevivência que não o tráfico de drogas.

Com certeza a primeira é mais fácil, mas será a mais certa ou mais produtiva?

Sinceramente ainda não encontrei essa resposta.

[]´s

P.S.: Desculpem o post enorme, mas é um assunto que deve ser sim bastante debatido.

Pablo Vilarnovo em outubro 25, 2005 10:18 AM


#37

Ah, outra coisa. O nível de absenteísmo não foi tão absurdo como dizem os jornais. O índice desse referendo foi menor que o do referendo de 1993 (21,85 em 2005 contra 25,76% em 1993) e foi apenas 1,39% superior ao segundo turno de 2002. Isso sem contar com os problemas no Norte, onde devido à seca muias comunidades tiveram o referendo prejudicado e algumas delas sequer puderam votar.

Não desqualifiquemos o resultado por causa disso.

Pablo Vilarnovo em outubro 25, 2005 10:46 AM


#38

Paulo

Tambem acho que o indice de abstenção não afetou o resultado. Tanto que todos poderiam votar no SIM e o resultado seria uma vitória significativa do Não).
Acho que a mensagem foi muito clara (~2:1) e não se pode desmerecer o resultado.

O Aluno em outubro 25, 2005 12:25 PM


#39

Olá, pessoal!

Apesar de ser contra o porte de armas, exceção que faço a caso extremos, que, como disse O Aluno já estão regulamentados, votei no não. Muito mais que ser contra a política do governo, mais do que pensar em termos de pessoas boas ou más, mais do que campanhas publicitárias a maior influência do meu voto foi o efeito que este referendo traria para a população como um todo. E, sinceramente, que me perdoe quem pense o contrário, mas não creio no governo a ponto de pensar que a vitória do sim traria bons resultados. Primeiro, para desarmar o povo o governo implantaria novas políticas o que geraria mais gastos, a meu ver inúteis, visto a ineficácia das medidas governamentais. Segundo, um governo que não soube como conduzir um referendo, não está preparado para implantar a política votada por este mesmo referendo. Sobre este ponto temos como exemplo a própria lei do Estatuto do Desarmamento, lei esta que no geral proíbe o porte de armas e específica a posse, e, que se fosse regiamente aplicada se bastava. Por fim, penso que este referendo foi uma demonstração da falta de confiança dos representantes do povo brasileiro em nossa capacidade de agir sem necessidade de ‘ferro’, porque se considerando o êxito alcançado com a Campanha do Desarmamento, onde a população entregou suas armas voluntariamente, chegando inclusive a superar o número esperado pelas autoridades, chego a conclusão que tudo o que veio depois disso foi perda de tempo e dinheiro. O que vi e apreendi disto tudo é o governo, novamente, perdendo a oportunidade de investir mais em seus cidadãos para investir em política/politicagem.

PS: Havia me esquecido de dizer que apesar dos pesares, uma única coisa boa restou, a vontade e o desejo das pessoas de discutirem sobre o que acontece em nosso país, sobre o melhor para o país.

Letícia em outubro 25, 2005 2:43 PM


#40

... to de boca aberta, pasma... se o NÃO tivesse ganhado aqui na terra do Tio Sam,... vá la!... faria todo o sentido do mundo para mim, mas no Brasil!? Acho que perdi o bonde em relação às transformações da sociedade brasileira. Concordo com você Denise Arcoverde, conheço mais histórias de crimes passionais ou acidentes com armas de fogo do que alguém que realmente tenha conseguido se proteger de um assalto. Além disso, conheço mais ainda histórias de extermínio da população negra. Segundo a UNESCO, a proporção de negros assassinados é 65,3% maior do que a de brancos. Só espero que as campanhas de desarmamento voluntário prossigam ... conscientizar, educar é preciso.

Renata em outubro 25, 2005 3:02 PM


#41

Qual é a contradição entre descriminalizar as drogas e "promover uma melhora social e econômica para a população mais pobre", Pablo?

Não dá pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo?

Marcus Pessoa em outubro 25, 2005 3:05 PM


#42

Bem, como diria Roger, do Ultrage a Rigor:

"Eu sou assim meio atrasadão
Conservador, reacionário e caretão".

De qualquer forma, que venha o debate! :-)


Ricardo Antunes da Costa em outubro 25, 2005 3:22 PM


#43

Com certeza Marcus! Só que uma consegue-se através de decreto e pronto. A outra não. Agora, quem garante que depois que a discriminalização for decidida, essas mesmas pessoas que querem hoje, se engajarão para uma melhora na vida dos favelados (digo favela pois é o exemplo de onde eu moro)?

Já perguntei sobre isso para pessoas que moram em favelas, o sentimento é que depois que a discriminalização for aprovada, a contra parte nunca virá.

Eu tenho por mim, que criminalidade é essencialmente um problema socio-econômico. Tráfico há em qualquer lugar, mas no Brasil existe uma massa tão grande de pessoas desesperadas que se tornam peões perfeitos, são homicidas-suicidas em fila de espera.

Tiro um paralelo com o IRA, após a recuperação econômica da Irlanda, o número de recrutas para o IRA diminuiu tanto que eles tiveram que fechar as portas. O mesmo aconteceria com os empreendimentos do tráfico.

Só que isso não é fácil quanto mudar uma lei...

Não sei se me fiz entender...

Pablo Vilarnovo em outubro 25, 2005 3:34 PM


#44

Pessoal, hoje é um dia pesado de trabalho (muitas aulas) para mim aqui em Santiago, então só estou acompanhando a discussão sem poder participar, mas de qualquer forma feliz de que o espaço está servindo para um bom papo. Que prossiga, abraços,

Idelber em outubro 25, 2005 3:43 PM


#45

Eu votei no Não. Mas não sei no que vai dar esse resultado. Tô com uma preguiça de falar nisso, você nem imagina.

Simy em outubro 25, 2005 4:01 PM


#46

Só passei pra deixar um abraço. Não tenho consiguido comentar aqui ultimamente, a internet tá ruim aqui em Mongaguá, deve ter estourado a algum cipó pelo caminho da tribo...

Ronzi em outubro 25, 2005 4:03 PM


#47

Excelente comentário, Pablo Villarnovo.

O maior problema do Brasil é a enorme desigualdade social. Falta educação, emprego, saúde, saneamento básico, e tudo que todos estamos cansados de saber.

Essas questões deveriam ser atacadas primeiro. Perto disso tudo, o resto é "detalhe".

Claro, nada impede que algumas medidas sejam tomadas em paralelo, como colocou o Marcus Pessoa.

Mas esse não é o caso do Brasil. Aqui só se foca no "detalhe", o essencial é esquecido.

Ricardo Antunes da Costa em outubro 25, 2005 4:33 PM


#48

Gostaria de lembrar:
Voto no Não: não quer dizer apoio irrestrito ao porte, posse ou uso de armas.
Voto no Sim: não quer dizer ser contrário a posse, porte ou uso de armas.
Muitos que votaram no sim seguirão sendo proprietários de armas.
Muitos que votaram no Não: entregaram ou entregarão suas armas.

E lá no fundo, a maior parte da população não pode ter arma legal ou ilegal.

O Aluno em outubro 25, 2005 5:24 PM


#49

Idelber

Pois não é que aqui no Rio Dona Rosinha, muito candidamente, declarou, alto e bom som - na rádio CBN, logo de manhãzinha, reproduziram a entrevista dessa senhoura - que foi uma pena o sim não ganhar e que, por isso, muito se perde? Disse mais, que, como consequência, alguns investimentos em segurança para o Estado do Rio e RJ cairão por terra, nem poderão ser implantados como pretendiam etc etc etc bla bla bla.

O teor dessa entrevista deve estar nos jornais, noticiários de hoje. Cariocas e fluminenses desesperados, leiam, ouçam e creiam que as desculpas esfarrapadas JÁ COMEÇARAM.

Sinto-me aviltada por políticos de terceira classe. Votei não e votaria de novo, porque achei o fim da picada a proposta (escusa) desse referendo. Votaria SIM se estivesse plenamente segura da seriedade da aplicação da lei, se tivesse sido bem informada de seu propósito. Se sentisse que estou vivendo num país em que os políticos levassem a sério o cargo que ocupam e se dedicassem, de verdade, a representar a vontade do povo que os elegeu. Mas a esquizofrenia reinante é muito perigosa...

Não fico feliz com a vitória do não; preferia, de verdade, que todos pudéssemos ter escolhido sim, unanimemente, tendo certeza de que traria bons frutos a sociedade. Se fosse um ouuuutro Brasil, né, quem sabe? Quem sabe numa próxima encarnação eu nasça na Suécia? :c)))

Bjs

Gin em outubro 25, 2005 5:34 PM


#50

Correção
:c))

"...Se sentisse que estou vivendo num país em que os políticos [levassem] levam a sério o cargo que ocupam e se [dedicassem] dedicam, de verdade, a representar a vontade do povo que os elegeu."

Bjs again, Idelber

Gin em outubro 25, 2005 5:48 PM


#51

Copio e colo aqui, dois comentários que fiz ao Paulo do FYI, o primeiro sobre o referendo em sí, e o segundo sobre um dos argumentos da campanha do SIM, só não falo mais porque estou cansado..., inclusive para ler os outros comentários...

Esse referendo foi uma das coisas mais vergonhosas que tive o desprazer de presenciar neste país.

Um joguinho de cartas marcadas onde o povo, qual palhaço, foi chamado a decidir sobre questão inócua. Quiseram dar um ar de legítimidade democrática ao Estatuto do Desarmamento que, de um jeito ou de outro, e como até o nome deixa claro, vai desarmar todo mundo.

Segundo o Estatuto, que está repleto de restrições de todo tipo, o cidadão comum tem que provar "necessidade" para que lhe seja permitido comprar ou portar arma. Ora, que diabos é necessidade?! Tenho que - provar - que vivo em constante risco de vida e ameaça de morte? Isso é patético!

Quem não provar necessidade não pode comprar arma, quem já tem precisa renovar o registro ou porte a cada três anos e se não provar a necessidade terá a arma confiscada.

Com base neste critério, me informaram que praticamente todos os registros já vem sendo negados desde o ano passado e a tendencia explícita é negar todos administrativamente. Ou seja, a administração, que é quem vai decidir o que é necessidade, vai desarmar todo mundo de qualquer jeito.

Aí vem eles, embalados pelas pesquisas feitas, onde todo mundo se declarava em princípio contra as armas, propor um referendo sobre questão inócua. Sim, inócua, pois, independente do resultado, você não pode ter arma pelo simples desejo de tê-la, e já foram criados os mecanismos pra desarmar todo mundo mesmo sem a proibição do comércio.

A única coisa que eles não esperavam foi a vitória do NÃO. E por 2/3 dos votos! Agora o povo poderá ver claramente como foi enganado, que seu voto não valeu de quase nada, que sua vontade verdadeira de garantir o direito de qualquer cidadão de bem ter uma arma por simples decisão pessoal, não será respeitado.

Como tenho dito, o povo ficou com nariz de palhaço, mas pelo menos arrancou a roupa do rei.

Se nós, brasileiros, tívessemos vergonha na cara - o que não temos -, iríamos às ruas pedir a revogação do Estatuto, desse estelionato político-eleitoral.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Não sei exatamente quanto custa ter uma arma, me informaram que pode chegar a R$ 3.000,00, dependendo da licença e tipo. Mas, sei que você poderia comprar um 38 por R$ 300,00 ou até menos, se o custo da licença, impostos, etc. JÁ NÃO FOSSE PROIBITIVO.

Engraçado é que eles mesmos tornaram a compra de armas proibitiva para os pobres, via impostos, licenças, etc, e depois usam isso de argumento para proibir "os ricos". Dizem que é injusta a injustiça que eles criaram...

Roger em outubro 25, 2005 6:27 PM


#52

o referendum passou... Vamos nos ater agora com problemas mais imediatos, como por exemplo, a febre Viária. Nosso presidente já tomou a iniciativa e já pediu ao Ministro dos Transportes
que tome as rédeas do poblema. E ainda liberou a importação de Bicarbonato para controlar o surto de aftosa. Quem tem Cobre, que o Cu(Bra).

gugala em outubro 25, 2005 6:52 PM


#53

Macrus, como que um consumidor de drogas não cometeu crime? Não é proibido o consumo? Se é, e a pessoa consumiu, então ela cometeu um crime sim senhor. A vítima, no caso, é a sociedade.

Pois o comércio é proibido. Então, ao consumir, uma pessoa estará alimentando o tráfico. Ou seja, é igual a receptar um produto roubado, ninguém vai roubar se não tiver para quem vender o produto depois.

Se deveria ser proibido ou não, é passível de discussão. Mas se é proibido, e a pessoa faz, então é crime.


Ricardo Antunes da Costa em outubro 26, 2005 10:21 AM


#54

Consumir drogas nunca foi crime. Pessoas são presas por uso de drogas, apenas arbitrariamente, para "averiguação" ou por "perturbação da ordem".

Se estiverem com pequena quantidade do produto, apenas a dose de consumo, esta é apreendida e eles tem que ser soltos em seguida. Agora, se estiverem fora de sí, tal qual um bêbado inconveniente, passam uma noite na cadeia até voltar ao normal ou a família ir buscar. Qualquer procedimento polícial que ultrapasse isto (coisa que ocorre na prática dado ao grau de "gentileza" de alguns policiais) é arbitrário e ilegal.

Quando se fala em descriminalização das drogas estamos falando do comércio, da venda, este sim é crime.

Roger em outubro 26, 2005 12:53 PM


#55

Realmente alguém tem que ter sofrido de uma lavagem cerebral muito grande para acreditar que ao fumar um baseado o usuário está fazendo "a sociedade" de "vítima."

Marcos em outubro 26, 2005 1:02 PM


#56

Tá bom, Ricardo. Na década de 30 os EUA tentaram proibir a comercialização de álcool -- o que só gerou o comércio ilegal dominado pela máfia. Nos seus parâmetros, aquele que só queria tomar seu uisquinho estava "alimentando o tráfico".

Ridículo o raciocínio, não é? Agora transponha isso para a situação atual. O que alimenta o tráfico não é o consumo (que sempre existiu e sempre existirá), mas a proibição. Isso deveria ser algo óbvio, mas estranhamente não sei que alucinação coletiva tomou conta das pessoas que não enxergam isso.

Não existe essa de que a vítima "é a sociedade". Estou falando de técnica jurídica. Não existe crime sem vítima. Direito não é apenas o estudo das leis.

* * * * * * * *

Você está enganado, Roger, consumo de drogas é tipificado como crime na mesma lei que pune o tráfico, apenas são artigos (e penas) diferentes.

Marcus Pessoa em outubro 26, 2005 1:37 PM


#57

Não Marcus, enganado está você.

Vige a Lei 6.36