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domingo, 30 de outubro 2005
Discoteca Básica do Mangue Beat
Para conhecer a melhor música popular feita no Brasil nesta última década, a de Pernambuco:
1. Da Lama ao Caos, Chico Science e Nação Zumbi (1994): Aqui começou tudo. Alfaias do maracatu misturando-se a guitarras, baixo e bateria. Vocais que exploravam o inusitado parentesco entre a embolada e o hip hop. Distorções à la heavy metal coexistindo com a ciranda e a música eletrônica. Tudo marcado pela poesia visionária de Chico Science. Os brasileiros que viram a performance de Chico e Nação no lançamento desse disco no exterior, no Central Park de Nova York em 1995, jamais perderão o orgulho de serem brasileiros. Fúria combinatória como não se via desde o tropicalismo. O encarte traz o maravilhoso manifesto.
2. Samba Esquema Noise, Mundo Livre S.A. (1994): Tão importante como Chico Science para o movimento, Fred 04 reúne a troupe pela primeira vez aqui e já no título rende um tributo a Jorge Ben Jor. Primeiros registros do que seria seu legendário cavaquinho. Mais roqueiros e mais diretamente políticos, o Mundo Livre S.A. também tem, ao contrário da Nação Zumbi, um pé inteiro no samba. Em "O Mistério do Samba", do disco Por Pouco, eles resumiriam a história: O samba não é carioca / O samba não é baiano / O samba não é do terreiro / O samba não é africano / O samba não é da colina / O samba não é do salão / O samba não é da avenida / O samba não é carnaval / O samba não é da tv / O samba não é do quintal / Como reza toda tradição / É tudo uma grande invenção.
3. Terceiro Samba, Mestre Ambrósio (2001): Difícil escolher o melhor disco do Mestre Ambrósio. Fico com este, o terceiro, onde mais se realçam a rabeca de Siba e as letras delirantes, com toques medievais, de Sérgio Cassiano. A base é o forró e a música de cordas árabico-ibérica, mas há de tudo: maracatu, samba, repente e ciranda incluídos. "Saudade" é um samba para carioca nenhum botar defeito. O irresistível baião "Povo" é, na minha opinião, das melhores canções políticas da história da música brasileira.
4. Afrociberdélia, Chico Science e Nação Zumbi (1996): Maturidade atingida, fórmula encontrada: a tríade maracatu-embolada-coco encontra a tríade metal-reggae-hip hop. Com produção superior à do primeiro disco, esse petardo preparava Science para conquistar o mundo. É de morder os lábios de raiva pensar que o cara morreria logo depois, com mil projetos na cabeça. A releitura de "Maracatu Atômico", de Jorge Mautner, marcaria época. Gilberto Gil dá canja numa faixa memorável, "Macô". Não seria exagero dizer que este é o disco mais importante da música popular brasileira na década de 90. Indispensável.
5. Fome dá dor de cabeça, Cascabulho (1998): Primeira banda forró-punk do planeta. O Cascabulho destila a energia roqueira, metálica e rapeira do mangue beat mas toca, basicamente, baião dos bons, e uptempo. O vocalista Silvério Pessoa (agora em carreira solo e arrasando na Europa) é um show à parte. O Cascabulho explora especialmente a vertente sacana e safada sempre presente no forró. O exigentíssimo público musical de New Orleans se embasbacou com essa banda e lhe deu nota 10 no Jazz Fest de 2001. No título do disco, já toda uma estética.
6. Contraditório?, DJ Dolores (2002): Chico Science sempre teve um pé na música eletrônica, mas quem leva a arte do sampling às últimas consequências é DJ Dolores. Matérias primas da sampleada? Tudo, especialmente o arquivo infinito da música nordestina. Mas também entram ruídos ambientais, narrações de rádio, house. Já no título, um apelo à mistura. Nunca uma rabeca lhe soará tão moderna.
7. Fique Peixe, Querosene Jacaré (2001): Um dos melhores discos de rock feitos nos últimos tempos no Brasil. O rock sempre foi pilar chave do mangue beat, mas aqui é onde ele se realiza com todo vigor. Sem prejuízo da mistura: você encontrará guitarras distorcidas embalando uma ciranda e sambalanços cujo swing cita claramente Jorge Ben Jor. Uma das pérolas do mangue ainda pouco conhecida no sul maravilha. Há mais rock numa faixa do Querosene do que em toda a obra dos Skanks, Jota Quests e outros abomináveis espécimens do chamado "rock mineiro".
8. Nação Zumbi (2002): Quem apostou que a Nação não sobreviveria à morte de Chico se enganou. Jorge du Peixe assumiu o leme e, depois do disco Radio S.A.M.B.A., de 1998, levou a troupe a esse absurdo petardo, talvez o disco mais pesado de toda a discografia mangue. Apesar de pesadíssimo - em ambos os sentidos, roqueiro e maracatúlico - Nação 2002 é melódico, lírico, de audição apaixonante. A sampleagem e a música eletrônica vêm no toque certo, sem se sobrepor às poderosas alfaias, guitarras e baixo. "Blunt of Judah" é daqueles fenômenos da música brasileira: letra meio nonsense, com inglês misturado, que todo mundo aprendeu e canta até hoje.
9. Samba pra Burro, Otto (1998): Esse descendente de holandeses e índios foi baterista nas primeiras formações da Nação Zumbi e do Mundo Livre S.A. Só isso já lhe garantiria lugar de honra no movimento. Mas esse disco é outra pérola que não pode faltar numa discografia básica: a base é a eletrônica, mas sem agressividade. Muito swing, muita ginga. O título maravilhosamente descreve a ambiguidade do disco.
10. Na Pressão, Lenine (1999): Lenine não é exatamente parte do movimento mangue, mas qualquer antologia de música pernambucana ficaria incompleta sem ele. Letrista, violonista, arranjador, produtor, pensador, músico de incríveis recursos, ele já marcou época na música brasileira. Sobre ele eu escrevi esse outro post. Qualquer um de seus discos serviria aqui, mas escolho Na Pressão pelo conjunto coroado por "Jack Soul Brasileiro", esse manifesto de brasilidade anti-xenofóbica.
Eu poderia citar outros 50 discos pernambucanos indispensáveis da última década (faltou o Cordel do Fogo Encantado, por exemplo). Mas com esses 10 dá para começar.
Salve, Pernambuco.
PS: Este blog foi inaugurado no dia 29 de outubro de 2004. Um aninho completado neste fim de semana. Tim-tim.
Escrito por Idelber às 23:12 | link para este post
| Comentários (40)
#1
E o parabéns n é só pro Biscoito. É também pra vc, querido, por mais um niver. E q alegria ver q a música voltou - num belo post - pra celebrar estas datas. Sim, tenho 4 dos cds citados e senti falta de 'Fuá na casa de Cabral'...
Beijos,
Cipy em outubro 31, 2005 4:24 AM
#2
Parabéns pelo aniversário do Biscoito, Idelber!
Muito legal sua discoteca básica de Mangue Beat. Valeu pelas dicas, agorá só me resta correr atrás, e conferir esses discos.
Abraços.
Ricardo Antunes da Costa em outubro 31, 2005 8:44 AM
#3
O aniversário é do Biscoito, mas quem ganha presente somos nós.
boczon em outubro 31, 2005 9:23 AM
#4
Parabéns duplo, então, querido mestre!
Viva em outubro 31, 2005 10:12 AM
#5
Chico Science é tudibão! Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor...
Parabéns pelo blogversário. :-)
Monix em outubro 31, 2005 10:41 AM
#6
Idelber, alguns comentários (e links):
senti falta de um disco importante da cena recifense da primeira metade dos 90, o primeiro da banda Jorge Cabeleira e o Dia em Que Todos Seremos Inúteis. Uma entrevista dos caras, na época do lançamento do segundo disco, pode ser encontrada em "http://www.cult22.com/index.php?command=content&content%5Bid%5D=120" (esse seu template aceita links HTML? na dúvida, vai por extenso mesmo...)
Esse disco é importante pq faz uma ponte com uma geração anterior do rock pernambucano, a geração de Alceu Valença, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e outros nomes menos conhecidos, como Paulo Rafael, Zé da Flauta, Robertinho do Recife e Lula Côrtes.
Pra saber mais sobre essa turma toda (dos anos 70), te indico dois links -
"http://www.abordo.com.br/senhorf/sf3vs/secreta/cenas/recife.htm"
"http://www.facom.ufba.br/pexsites/musicanordestina/index.htm" (q ainda traz boas informações sobre outros expoentes da música nordestina)
Especificamente sobre o disco Paebiru?, de Zé Ramalho e Lula Côrtes, visite -
"http://www.abordo.com.br/senhorf/sf3vs/secreta/lpsrar/paebiru.htm"
Esse disco, raríssimo, parece q foi reeditado por uma gravadora alemã independente, e pode ser comprado na Amazon por cerca de US$ 15. É um disco obrigatório, eu acho. A minha cópia eu baixei da internet alguns anos atrás. Alguma alma caridosa tinha disponibilizado o disco em um site q, infelizmente, já não está mais no ar...
O Paebiru? (a palavra era o nome com o qual se identificavam, no início da colonização do Brasil, supostos caminhos pré-colombianos entre a região do planalto de S. Paulo e litoral brasileiro e o centro do Império incaico - Cuzco e Macchu Picchu - passando pelo Paraguai) encabeça essa outra lista de 10 discos importantes na mistura rock + música regional brasileira, antes do manguebit. o link:
"http://www.velvetdiscos.com.br/conteudo/arquivo/jun/dezmaisum02.htm"
Pra terminar, uma alfinetada... Cascabulho realmente é muito boa, mas dizer q é "a primeira banda forró-punk do planeta"???!!! E os Raimundos, rapaz?
grande abraço, e parabéns pelo primeiro ano do blog,
dra em outubro 31, 2005 11:20 AM
#7
Um tim-tim singelo como só os mineiros sabem ser... Parabéns! :)
Luciana em outubro 31, 2005 12:24 PM
#8
E aí, Idelber. Parabéns peloS aniversárioS! Ótima lista. Fiquei curioso com o "Querosene Jacaré". Não conheço. Vou procurar.
Abração.
Guto em outubro 31, 2005 12:35 PM
#9
O primeiro disco do Raimundos realmente era forró-punk. Muito bom. Mas depois eles se venderam ao sistema! Passaram a tocar "música de rádio".
Ricardo Antunes da Costa em outubro 31, 2005 1:14 PM
#10
Ricardo uma das bandas que eu mais odeio nessa vida é Raimundos.
Idelber dos que você citou conheço Cordel do Fogo Encantado e Nação Zumbi. Fui ao show dos dois aqui em Curitiba mas em casas noturnas pequenas onde não foi possível fazer um Show como o que você viu do Cordel lá em BH. Mas valeu muito. Eu adoro eles.
Parabéns gato e continue nos encantando sempre.
Beijocas.
Simy em outubro 31, 2005 1:34 PM
#11
Ricardo: pois é, os Raimundos realmente "se venderam" depois dos dois primeiros discos (o segundo tb é muito bom).
Outra retificação q eu quero fazer é o segte... o nome certo do "movimento", pelo menos segundo os próprios mentores da parada, Chico Science e Fred O4, era "manguebit" - "bit" de informação cibernética. Qdo a imprensa do sul-maravilha "descobriu" o som de Recife, passou a grafar "manguebeat", com "beat" de batida, e esse nome acabou pegando. Mas, no original, era "manguebit". Vide o site
http://www.manguebit.org.br
dra em outubro 31, 2005 2:26 PM
#12
parabéns pelo primeiro e pelos próximos.
gugala em outubro 31, 2005 2:40 PM
#13
Parabens para o Biscoito. Um ano de Maravilhas. Eu o adoro.
Alcilene em outubro 31, 2005 3:14 PM
#14
Obrigado :) Vocês são tudibão!
Pois é, Cipy, poderia ter entrado o Fuá, também gosto muito dele, mas preferi o Terceiro Samba, mais lírico e apropriado para o dia de hoje, hehe....
Obrigado, dra. Quanto ao Jorge Cabeleira, também gosto muito; como disse, seria possível fazer mais 4 listas dessa com outros nomes.
Obrigado também pelos links. O da UFBA é muito bom como introdução, os do abordo são interessantes, mas para informação completa, é indispensável o livro do José Telles, Do Frevo ao Manguebeat (Editora 34, 2000). Na internet encontram-se "bits" resumidos (heheh) da informação compilada em detalhe por Telles. Nada além do que está no livro.
Retificando a "retificação": é verdade que a primeira ocorrência da expressão é com "bit", mas não é correto que "beat" se firmou a partir da "imprensa do sul maravilha". A ambiguidade dos dois termos esteve presente desde sempre. Já no dia 01 de junho de 1991, muito antes da cena estourar, já há registro da expressão "mangue beat" no Jornal do Comércio de Pernambuco (Telles, p.263), na primeira vez em que o termo "mangue" foi usado para descrever uma cena musical. O primeiro programa de rádio que a veiculou (na Caetés FM) se chamava "mangue beat". Nem Chico nem 04 jamais se referiram a "bit" como o "nome certo". O próprio autor do site citado, Renato L., se refere a "bit" apenas como "designação alternativa".
Respeito quem gosta dos Raimundos, mas prá mim a sensibilidade deles nunca teve nada de punk, e nunca tocaram forró legítimo, me parece.
Idelber em outubro 31, 2005 3:39 PM
#15
Idelber, obrigada pela mensagem de aniversário. E parabéns pra você também, por dividir este biscoito tão fino com a gente. Sobre o post, tive o privilégio de assistir ao Chico Science num de seus shows aqui em BH (nem sei se houve outro), e foi de deixar o queixo caído e os pés doendo de tanto dançar: o cara era MUITO foda mesmo. Salve, mangue!
Ju em outubro 31, 2005 3:40 PM
#16
Obrigado, Ju, companheira escorpiana... Que bom que você teve a sorte de ver Chico ao vivo :)
Dra, sobre o Paebiru, esqueci de acrecentar: é maravilhoso realmente, endosso sua recomendação - mas nos EUA mesmo antes do relançamento da Shadoks (2004), cavucando-se um pouco encontrava-se o LP. Parece que vários dos vinis que escaparam foram parar nos EUA. O CD, claro, está nas lojas por aí, não só na Amazon: acho que ebay, Kellkoo e Best buy podem ter melhores preços. Recomendação endossadíssima. Abraços,
Idelber em outubro 31, 2005 3:51 PM
#17
Um não pernambucano, mas quase, que também poderia entrar na lista seriam os Lampirônicos. Se aproximam muito do som pop? Mas quem disse que isso é ruim?
Axel em outubro 31, 2005 5:23 PM
#18
"...Mas na hora da verdade
Quando passou a cachaça
Seu Cabral sentou na praça
Caiu na reflexão
Disse: "Esta situação
sei que nunca mais resolvo!"
Então falou para o povo:
"Juro que me arrependi
o Brasil que eu descobri
queria cobrir de novo!"
Acho esta Fuá na casa de Cabral uma saborosa crônica sobre o "descobrimento do Brasil". Apesar de baiana, gosto muitíssimo da música de Pernambuco. Acho que porque sou do sertão e cresci ouvindo os cantadores nas feiras, as zabumbas e as bandas de pífanos nas alvoradas dos dias santos, o xote, o maracatu, as cirandas, o forró nas festas populares. Conheci a música de Chico Science através do meu filho - também por isso é bom ter filhos, pra nos ensinar - e, na primeira faixa do disco, me deu vontade de dançar. Não só por causa do ritmo mas porque estava encontrando um som que me era muito familiar. A partir daí, me reencontrei com uma linguagem musical que é muito mais minha do que muita coisa daqui de Salvador. Outro dia vi um show do Silvério Pessoa na Concha Acústica do TCA. Muito bom. Bate o mancá também é um ótimo disco. Tem letras muito politizadas. No show que fui ele levou uma bandeira do MST para o palco. O que acho interessante nesta "nova" música de Pernambuco, além da mistura de ritmos, são as letras. No caso do Cordel do Fogo Encantado, por exemplo, poesias maravilhosos de poetas populares como Zé Limeira, da Paraiba. "Se Zé Limeira sambasse maracatu..."
Bom, tô virando uma comentadeira de mão cheia. Parabéns pelo aniversário do blog e obrigada pelo presente.
Socorro em outubro 31, 2005 5:32 PM
#19
Congratulations, old pal.
Nelson Moraes em outubro 31, 2005 6:03 PM
#20
Parabéns pelo aniversário.
Hoje é dia do Saci, segundo o nosso bravo deputado Aldo Rebelo!
Paulo em outubro 31, 2005 6:38 PM
#21
Feliz aniversario para o Biscoito e para o criador do Biscoito tambem ! Tim-tim :-)
Ana Lucia em outubro 31, 2005 7:15 PM
#22
Feliz Aniversário, Idelber! Agora finalmente você me alcançou nos 37. Bjs,
Leila em outubro 31, 2005 7:53 PM
#23
Merci, amigos leitores, (e blogueiros que leio) Leila, Nelson, Ana Lucia, Abraços, fiel leitor Paulo :)
. . e toda a concordância com Axel (Lampiônicos rule, faltou mesmo) e com Socorro: Fuá é um clássico, a letra é uma super leitura do Brasil ;) tim tim.
Idelber em outubro 31, 2005 8:40 PM
#24
Hei, Idelber
Feliz aniversario pra voce e pro Biscoito!!
Sonia
Sonia Canellas em outubro 31, 2005 10:03 PM
#25
Bom, esses cds nunca ouvi, gosto de rock moderno... Abraços e muito gostoso o blog!
Illusion em outubro 31, 2005 11:13 PM
#26
Congratulations.
Felizes (e muitos) Aniversários!!! O pouco tempo que acompanho o Biscoito me revelou algo estranho que não sei se é compartilhando por "old pals" e leitores mais antigos.
Sinto um misto de cumplicidade e admiração for you teacher and your blog too. I don´t know, I just think. Don´t you understand, do you?
Talvez, seja pelo clima íntimo que se instaura em seus posts e comentários, não sei.
Talvez pelo eclético (poderia ser diferente se NOLA está na veia) e muito bom gosto musical.
Talvez pela sua experiência no magistério ou sei lá.
Mas é isso que sinto. Vc já percebeu que sou leitor assíduo, sem dúvida. Gostaria de te desejar parabéns, felicidades e vida longa aos "biscoitos finos" para as massas...
Abraço.
P.S.: Sempre quis saber se o "biscoito fino" daqui tem algo a ver com "aquele" selo musical homônimo... Parabéns e thanks indeed.
Edk em outubro 31, 2005 11:38 PM
#27
Parabéns por todos os aniversários e pelo dia do Saci. Um abraço
Flavio Prada em novembro 1, 2005 3:59 AM
#28
Oi Idelber:
valeu pelo esclarecimento na questão manguebit vs. manguebeat... eu tinha a nítida impressão de ter lido uma entrevista de Fred 04 (há muitos anos, não sei se na época do lançamento do Samba Esquema Noise ou do segundo disco, Güentando a Ôia), em q ele fazia aquela distinção. Mas, pelo jeito, fui traído pela memória (o q não é muito difícil), ou então por um arraigado e inconsciente preconceito de nordestino contra o "sul-maravilha". Mea culpa, mea maxima culpa .
Em todo caso, q tal aproveitar o embalo e nos presentear com aquele post q vc tinha me prometido sobre a especificidade da música dos pernambucanos dos anos 90 na histórica mistura da "linha evolutiva da música popular brasileira" (para usar uma expressão de Caetano)?
abração!
PS: Socorro, legal vc ter dito q talvez se identifique com o som de Pernambuco "pq é do sertão"... eu já vi Tom Zé dizendo a mesma coisa! Como ele é de Irará, dizia q se sentia mais próximo de PE do q de Salvador ou do Recôncavo (especialmente de Santo Amaro, hehe!!). É claro q é fácil ele dizer isso numa época em q a música de Pernambuco é o manguebeat (aprendendo rápido...) e na Bahia é o Axé... Mas eu acho importante fazer essa diferença, pq as pessoas de outros lugares do Brasil às vezes não têm a mesma percepção de q sertão e recôncavo são regiões com culturas diferentes (até a comida é diferente), dentro do mesmo estado. É q o Brasil é muito grande e muito rico culturalmente, e é difícil conhecer tudo... mas sempre é bom aprender mais um pouquinho!
dra em novembro 1, 2005 9:43 AM
#29
Está prometido, Dra :)
Obrigado, SOnia, Flavio, Illusion, gracias pelas belas palavras, Edk :) Claro que entendo, sim...
Idelber em novembro 1, 2005 10:31 AM
#30
Olá Idelber!
Tudo de bom! Como no dia do aniversário do Biscoito, eu estava viajando, passo agora para PARABENIZÁ-LO!
BJS
Shirley em novembro 1, 2005 1:13 PM
#31
Brother contudo que já foi dito neste blog, eu gostaria de citar outro pernambucano que também contribui para nossa MPB, com um trabalho valoroso de composição principalmente, o nome dele é Lula Queiroga.
Adriano em novembro 1, 2005 2:00 PM
#32
Valeu, Shirley, e obrigado, brother Adriano - com certeza Lula Queiroga merece a menção e mereceria estar em qualquer lista. Axé :)
Idelber em novembro 1, 2005 2:08 PM
#33
em primeiro lugar, parabéns! adorei sua seleção, mas no caso só conheço o chico science, o otto e adoro o lenine. aqui em niterói a gente tinha uma rádio alternativa, projeto da universidade federal fluminense (depto de antropologia) que tocava todo esse povo, mas a anatel fez o grande favor de ir até lá e fecha-la. é uma pena que nossa música não seja ouvida nas rádios, a não ser na base do jabá. (quanto à rádio, o ministério das com. já concedeu a outorga, estamos em vias de reabri-la). beijos e muito obrigada pela visita ilustre!
cristiane em novembro 1, 2005 5:20 PM
#34
Idelber, é um barato esta página de sol e chuva.
Leônidas Arruda em novembro 4, 2005 8:58 PM
#35
Idelber, parabéns pelo blog e por você. Sobre o post: os últimos discos do Nação Zumbi têm mostrado o quanto a banda continua se transformando, se reconfigurando, se organizando para desorganizar. Valeu!
Luiz em novembro 4, 2005 11:47 PM
#36
Lenine acabou entrando na vaga do Devotos do òdio.
Rafael Lima em novembro 7, 2005 1:37 PM
#37
Oi professor,
estou com uma dúvida e preciso da sua ajuda.
É sobre um texto atribuído a Oscar Wilde. Preciso, com alguma urgência, ter certeza se é mesmo dele.
O texto é o seguinte:
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
( Oscar Wilde.)
Muito obrigada.
Um abraço
Beta
Beta em novembro 7, 2005 9:43 PM
#38
Idelber,
Curto + de Mundo Livre e Otto que Nação Zumbi, mas jamais negaria a importância deste pra música brasileira.
Agora, que maldade chamar o Skank de 'abominável', ou, pior ainda, colocá-lo no mesmo saco que o execrável e insuportável Jota Quest.
Darcio em novembro 8, 2005 9:47 AM
#39
Parabéns atrasado vale?
Poxa, não tenho a lista toda, vou ver se Papai Noel me dá...:)
Giu! em novembro 9, 2005 3:57 PM
#40
Caro Idelber, gratificante ver vossa senhoria falar do som da minha terra. Carái, o samba Esquema Noise é foda mesmo! Acho que depois dele o Fred 04 (que conheço pessoalmente) perdeu um pouco a mão, exagerando no panfletarismo e tal. A alquimia do primeirão nunca mais foi encontrada, apesar de várias boas músicas nos demais discos. Uma pena. Quanto ao Chico, acho o Afrociberdelia superior ao Da Lama ao Caos, até mesmo por ter um mosaico maior de influências, se é que me entendes. A banda estava mais madura. Costumo ter uma opinião um tanto quanto herética a respeito da Nação, acho que o som deles melhorou muito depois da morte de Chico. Veja bem, com o Chico era massa, mas sem ele a coisa ficou ainda melhor. Não sei explicar, acho o Du Peixe melhor letrista e parece que a banda tornou-se mais coesa, afinal a figura do mangueboy-mor ofuscava um pouco o grande talento dos demais. Também notei a falta do Jorge Cabeleira e da Banda Eddie, que recentemente lançou um disco bacaninha ("Original Olinda Style"). Como o rótulo mangue bit é bem elástico, há ainda o Sheik Tosado (O China lançou um disquinho legal) e o Devotos (banda de público fiel por aqui). Legal ter lembrado do Querosene Jacaré (o maluco do Ortinho parece que tá pra lançar algo novo). Confesso que não gosto muito da música do Otto (do figuraça é impossível não gostar...), mas acho que ele tem talento. Como citasse Lenine, caberia falar sobre o "pai" de todos, Alceu Valença, proto-manguebit na veia. E, por fim, lembrar que os frutos ainda estão a aparecer, como dá provas a meninada do Mombojó.
Abração
Kbção em novembro 10, 2005 2:35 PM