

Noite linda no Estádio Nacional (gracias, Claudio), mas o time do Chile realmente não merece ir à Copa. Acho que não vi três passes certos consecutivos na noite toda. Milton, o que dizer de um time cujo grande craque é o volante brucutu do ex-Ipiranga?
Torcida não faltou, mas não deu. Notinhas interessantes para os fãs de futebol:
* Quase 40% do Estádio Nacional está reservado para a tribuna de luxo (onde os políticos entram de graça, e quem quiser pagar, desembolsa 70.000 pesos, ou 140 dólares) e a de semi-luxo (22.000 pesos, ou 44 dólares). Quem vai de arquibancada paga um preço razoável (6.000 pesos, 12 dólares), mas se localizará necessariamente atrás de um dos gols. Nenhum estádio brasileiro separa os ricos dos pobres dessa forma tão brutal.
* O gigantesco outdoor da Coca-Cola situado na entrada do estádio é uma réplica da imagem (muitíssimo difundida no Chile, e presente em livros escolares, etc.) dos chilenos fincando a bandeira em território boliviano, momento de vitória na Guerra do Pacífico, que tirou da Bolívia a saída para o mar no século XIX. No lugar da bandeira chilena, claro, uma bandeira da Coca-Cola.
* A polícia chilena, nos estádios, se comporta com particular grosseria, falta de sensibilidade e burrice. São eles, em geral, que começam todas as provocações.
* O Chile perdeu a classificação por causa da pífia campanha no primeiro turno, quando o treinador ainda não era Nelson Acosta. A torcida não perdoou o técnico anterior: Olmo / concha de tu madre / por tu culpa / no vamos al Mundial era o que mais que se ouvia no final do jogo.
*A noite foi tranqüila porque era jogo da seleção, mas os clássicos entre Universidad de Chile e Colo-Colo (a equipe financiada e sustentada por Pinochet) causam batalhas campais de fazer inveja a qualquer Mancha Verde ou Gaviões da Fiel.