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Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004.



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segunda-feira, 17 de outubro 2005

Observações sobre a Campanha do Referendo das Armas de Fogo

Este não é um post destinado a convencer ninguém a votar sim no referendo do próximo domingo. Como eu já disse, mais do que defender minha preferência, meu objetivo aqui é abrir espaço para o debate. Deixo alguns comentários sobre a campanha, tentando ser o mais ponderado possível, sem abrir mão da minha posição, é lógico:

1. Discordo dos queridos amigos que insistem que o referendo é uma perda de tempo e de dinheiro. Eu nunca havia visto a sociedade brasileira debatendo de uma forma tão ampla as raízes, causas e remédios para a violência no país. Por si, isso já é um exercício em democracia. É sempre difícil medir o que causou a diminuição ou o aumento de índices de violência, mas não me surpreenderia se os índices de homicídios caíssem no Brasil independente do resultado do referendo, como uma simples conseqüência de sua realização e do debate (que tem tido, nos seus melhores momentos, efeitos educativos sobre as causas da violência, sobre o uso de armas, etc.).

2. Dito isso, é verdade que o referendo está causando uma polarização inédita inclusive nas eleições, talvez porque as pessoas estejam mais dispostas a se polarizar em nome de uma idéia do que em nome de um político. Já tive notícias de amizades rompidas e famílias divididas. Em alguns foros de debates dá para se cortar a tensão com uma faca (com o perdão da metáfora, hehehe). Portanto, nestas horas é bom lembrar: a sociedade brasileira está discutindo a aplicação de um artigo de um estatuto de 37 artigos já em vigor. Só isso. É um artigo importantíssimo, claro, mas não é a linha divisória entre "os do bem" e "os do mal" e tampouco entre "patrulheiros" e "patrulhados". O que a maioria decidir é legítimo, porque ambos os lados estão tendo amplas oportunidades de fazer suas campanhas sem perseguições, caça às bruxas ou fraudes eleitorais, o que é bem mais do que temos visto recentemente nas "democracias mais perfeitas do mundo".

3. Talvez este referendo entre para a história como a primeira grande campanha marcada pelo spam. A quantidade de informações errôneas circuladas por meio de spams é assombrosa. Tomemos uma delas: apesar de que os próprios fabricantes de armas já cansaram de dar entrevistas dizendo que, no caso da vitória do sim, eles dirigiriam toda sua produção para o mercado externo, circula por aí um email que diz que "a lei do comércio exterior" (sic) impede um país de exportar aquilo que proíbe dentro de suas fronteiras, e que portanto, no caso da vitória do sim, o Brasil seria proibido de exportar armas. O spammer, obviamente, não cita que "lei" é essa, mas isso não impediu essa baboseira de circular abundamentemente, ferindo a credibilidade de quem a circulou. A Organização Mundial do Comércio não inclui nada disso em seu regulamento. Prova? Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration é responsável pela expedição de licenças de exportação para produtos não permitidos em território americano, como se pode comprovar neste link. Inúmeros produtos farmacêuticos americanos, por exemplo, já teriam que ter deixado de existir se essa baboseira fosse real. Portanto, você pode ter suas razões válidas para votar não, mas a preocupação com as exportações nacionais não é uma delas.

4. Na sua coluna de ontem no Globo, o ilustre romancista João Ubaldo Ribeiro cita esse spam tal qual, e diz que ele "parece ser" verdadeiro. Parece por quê, cara-pálida? Porque chegou à sua caixa de correio? Já ouviu falar em checar uma informação? Numa coisinha chamada Google? Por isso nós, blogueiros, prezamos tanto o link. Linkar uma informação não garante, claro, que ela esteja correta, mas dá ao leitor a possibilidade de avaliar a fonte. Para coroar uma coluna construída ao redor de um spam, o ilustre romancista afirma que Carlinhos Judeu faturou uma grana federal na bolsa de apostas que se formou em torno das altas questões referendais. Confesso que eu já tinha encontrado toda sorte de argumentos simplistas nesse debate, mas nosso romancista extrapolou e conseguiu introduzir até uma grosseria anti-semita na discussão. Triste.

5. Uma das queixas mais recorrentes que eu tenho encontrado em certas vozes que defendem o não é a de que estão sendo "patrulhados" e tratados como "párias". Confesso: sempre que alguém reclama de que está sendo patrulhado eu ligo meu desconfiômetro. Essa queixa tem, de mim, a mesma simpatia que merece a reclamação de José Dirceu de que está sendo "perseguido". Neste debate, há simplificações dos dois lados, há argumentos razoáveis e ponderados dos dois lados, e dizer-se vítima de "patrulha" porque seus argumentos a favor do "não" estão sendo atacados é tão bobo como dizer que defender o sim é ser "do bem" e defender o oposto é ser "do mal". Este blog completa 1 ano no fim do mês, e todas as vezes que discuti política aqui levei tamancadas homéricas na caixa de comentários. Algumas vezes deixei a tamancada lá, ecoando junto com os outros argumentos, outras vezes fui até a caixa debater e, se o leitor passa do limite com algo que julgo que é da ordem do insulto ou da calúnia, tenho a opção de apagar o comentário. Mas vou escrever post choramingando que sou vítima de "patrulha"? Pelo amor de Deus. Quem entra no debate é para ouvir argumentos opostos, quem está na chuva é para se queimar, como diria o imortal Vicente Matheus. Grow up. Isso é democracia. Lembra? Nós tivemos uma entre 1946 e 1964, imperfeita mas tivemos. Aos "patrulhados pelo politicamente correto", um lembrete: a moda não é ser "politicamente correto". Essa moda já passou. Isso é anos 80. A moda hoje é declarar-se patrulhado. Quem está na moda são vocês, não os "patrulheiros".

6. Mas as baboseiras não são exclusividade da turma do não. Abundam na turma do sim também. Entre elas, essa bobinha associação entre o sim e as "forças progressistas" e o não e as "forças conservadoras." Para esses paladinos da "paz", não há outro motivo para se votar no não exceto ser "de direita". Daí, partem para atacar qualquer um por causa de suas "companhias." Ora, numa eleição plebiscitária, não se pode desqualificar ninguém pelas companhias, porque todos estarão em companhias que não lhe agradam. Desqualificar alguém que vota não por estar do lado de Bolsonaro é um argumento intelectualmente desonesto. Lembrete: ACM Neto apóia o sim. Dos dois lados há gente com quem eu adoraria tomar várias cervejas, e há gente com quem eu não aceitaria tomar um cafezinho. Assim funcionam as votações plebiscitárias.

7. Aliás, há que se reconhecer: a campanha do não avançou, recuperou terreno, e o resultado está totalmente indefinido. As razões parecem ter algo que ver com a insistência dessa campanha na posse da arma como uma questão da ordem do direito individual, mas eu acredito que tenha muito que ver com a associação implícita entre a campanha do sim e o governo - associação, aliás, fomentada pelo próprio governo. Todos se lembram do Ministro Thomaz Bastos declarando que "ganharemos" o referendo, ou do artigo (link só para assinantes) escrito por Lula para a Folha defendendo o sim. Pois bem, estão pagando o preço pelo próprio desgaste do governo. Enquanto isso, a campanha do sim optou por programas bonitinhos, estilo Duda Mendonça, e negligenciou os melhores argumentos.

8. Se essa observação vale para criticar o governo, também vale para o estapafúrdio argumento da turma do não, de que o referendo seria uma "cortina de fumaça criada pelo governo para desviar a atenção de seus problemas." O argumento é esdrúxulo porque o projeto de lei que deu origem ao referendo é de 1999, muito anterior, portanto, ao governo Lula. Não custa lembrar que o projeto é de autoria do Senador Gérson Camata (PMDB-ES), que de lulista ou petista não tem nada.

De forma que fica aí o convite do Biscoito para esta última semana de campanha: ouça os dois lados com calma, cheque as informações, use o Tio Google e vote com a sua cabeça. E que o lado perdedor saiba aceitar o resultado, porque mais aberto do que este debate tem sido, acho difícil.

PS: Mais uma morte por arma de fogo numa briga de torcidas de futebol.

PS 2: Estreamos hoje um outro formato na caixa de comentários: ao invés da ordem cronologicamente ascendente, os comentários estarão em ordem descendente, de forma que o primeiro que comentar terá o seu texto aqui pertinho do post, e os demais se seguirão abaixo. Os comentários aos posts anteriores foram reformatados assim também. Acho que isso facilitará a leitura. Vocês me dirão.



  Escrito por Idelber às 06:07 | link para este post | Comentários (49)


Comentários

#1

Caro Idelber:

Concordamos em parte dos argumentos. O caráter relativamente supérfluo do referendo está diretamente relacionado ao fato que o Estatuto do Desarmamento já contempla boa parte das necessidades do controle necesário para o comércio das armas de fogo.
Aproveito para agradecer a visita e os comentários lá no blog. Valeram também as dicas sobre o Harold Pinter. E, como amante do futebol, não poderia deixar de dar uma beliscadinha, já que o ex-Ipiranga andou ganhando uma ontem...

Roberson em outubro 17, 2005 8:41 AM


#2

Oi! Antes da propaganda do referendo eu estava em dúvida. Eu tinha medo que com a proibibição, o mercado negro de armas aumentasse consideralvelmente, mas descobri que ele já é bastante amplo e que dele participam pessoas que eu conheço e que não são bandidos, cujas armas que agora são ilegais, já foram legais um dia. Mas foi a propaganda do NÂO que me convenceu a votar SIM. É que quando eu escuto a propaganda do NÂO, imagino todo mundo armado e atirando por achar que tem direito de decidir quem deve e quem não deve morrer. Se alguém me rouba, será que essa pessoa precisa morrer ou basta que ela seja presa e quem deve decidir sobre isso? Não vejo diferença entre um "bandido" e um "não bandido" com uma arma na mão, os dois estão dispostos a atirar, o motivo só a circunstâncias vão determinar. A namorada do meu irmão, que estava grávida, foi morta numa briga de trânsito por um "cidadão de bem". A propaganda de ontem questionou pq nóa podemos ter em casa coisas que podem ser perigosas como remédios, material de limpeza e facas e eu pergunto: você pode viver sem remédios, desinfetante e facas?? Você pode viver sem armas? Você quer trocar seus remédios, seu desinfetante e sua faca por uma arma? EU VOTO SIM.

Thaís em outubro 17, 2005 9:05 AM


#3

O número "1" diz tudo. abs

afonso em outubro 17, 2005 9:41 AM


#4

Thaís, uma das grandes mistificações dessa campanha é essa noção de "cidadão de bem". Já vi alguns dizendo que se o sim ganhar vão continuar comprando munição, só que ilegalmente. E continuam se auto-intitulando "cidadãos de bem" . . .

Roberson, de nada, foi um prazer voltar a visitar o Incontinentia. . .

Idelber em outubro 17, 2005 10:31 AM


#5

Pois então. Alguém por aí leu o Projeto de Lei? Algum jornal publicou, rádio, TV, alguém realmente deu publicidade ao Projeto? Todo mundo fica apostando que se o SIM ganhar vai ser assim, ganhando o NÃO vai ser assado. Parece que ninguém sabe que o que vale é o que tá no papel, e tanto uma quanto outra campanha (com a conivência dos meios de comunicação) ficam jogando com a nossa ignorância. Quer embasamento para o voto? Dá uma lida no que a Lei diz hoje e no que ela vai dizer caso o Projeto seja aprovado. Senão, tanto um quanto outro vão acabar decepcionando...
[]'s

Nohay em outubro 17, 2005 10:32 AM


#6

Oi Idelber,

Só para complementar o seu comentário a respeito do comércio exterior, o Brasil também exporta produtos proibidos internamente. Isso acontece, por exemplo, no mercado de fumo. O Brasil é um dos maiores produtos mundiais e exporta fumo com teores de nicotina acima do permitido internamente (naturalmente, para países com níveis mais altos tolerados).

Gostei do que vc disse sobre que "quem está na chuva é para se queimar". Embora as minhas opiniões sejam geralmente diferentes das suas, continuo a vir aqui porque a discussão é aberta. Esses dias estava num blog onde uma pessoa (visitante) dizia, resumidamente, que todos que pensavam diferente dela eram uns idiotas. Não dá...

Abs,

Krys em outubro 17, 2005 11:56 AM


#7

Idelber você sabe minha opnião, eu vou votar Não.
E dentre os itens que você colocou o pior de todos é a quantidade de informações erradas que estão por aí, até na propaganda gratuita. Infelizmente com força dos meios de comunicação. Isso é uma tragédia para a imprensa de massa e as que mais influenciam as pessoas, infelizmente.

Simy em outubro 17, 2005 1:12 PM


#8

O problema do referendo é que ele está *incentivando* a compra de armas, sem a devida discussão sobre os riscos desse ato.

E o problema das "companhias" no caso da vitória do "não", o aumento do poder político que Jair Bolsonaro e Antônio Fleury podem ter.

André Kenji em outubro 17, 2005 1:15 PM


#9

Realmente o uso massivo do spam é o que tem me impressionado nessa campanha. Coincidência ou não, a turma do "Não" é quem tem se utilizado mais desse irritante artifício. Não sei como, chegou um até aqui no meu e-mail do trabalho, que não dou para ninguém.

Leila em outubro 17, 2005 1:25 PM


#10

O pior é receber SPAM sobre o assunto de candidato a emprego. Sério!

O cara mandou um currículum para meu e-mail profissional, que ele deve ter pego com algum conhecido em comum, pois encaminhou para meu sócio também. Até aí tudo bem, sem problemas.

O chato é 3 dias depois receber um SPAM sobre o desarmamento do mesmo cara.

Como diriam aqui em Floripa: Ah pára, né ô!

Ricardo Antunes da Costa em outubro 17, 2005 1:44 PM


#11

Só um comentário sobre a sua 6ª questão... Acho que votar não seria seguir uma guinada de direita, sim. Conservadores no geral possuem a tendencia de deixar tudo como está. Ademais, os coronéis e os defensores do lucro da indústria armamentista possuem esse caráter tradicional e neoliberal. Tanto é que, sem querer generalizar, se você for analizar os parlamentares de cada lado verá muitos esquerdistas do lado do SIM, e a maioria dos direitistas ao lado do NÃO, independentemente de um ou outro estar em algum deles. Mas é claro que a política de esquerda não é uma doutrina, e sim uma corrente de pensamento aberta à dicotomias. O problema é que subversívos possuem uma sensibilidade poética, e até sonhadora, de mudar o que não está legal para o lado humano. Na minha opinião sincera, acho votar não uma posição de direita, mesmo. Ao lado de
Enéas e do burro do Bolsonaro.

pfnr em outubro 17, 2005 1:47 PM


#12

Idelber, gostei do novo formato da caixa de comentários, por ordem de chegada.
Quanto ao referendo, meu voto é SIM. Estou há séculos para escrever um post sobre o tema, mas não quero que pareça propaganda de voto.

Ana Maria em outubro 17, 2005 3:22 PM


#13

Mais uma morte dentro da USP, desta vez na rádio universitária. Arma de fogo?

Não. Ironia das ironias. Somente uma facada.

A violência não está nas armas ou no comércio delas. Envolve muitos aspectos. Não é proibindo o comércio de parcas duas ou três mil armas anuais que a violência diminuirá.

Leiam na Folha de São Paulo de Hoje a opinião de Jorge Zaverucha e Adriano Oliveira sobre como o referendo foi precipitado. Apenas isso, precipitado.

Não à hipocrisia, a inépcia estatal e à proibição. Não.

Mesmo sabendo que nada mudará...

Edk em outubro 17, 2005 3:25 PM


#14

Quem quiser mais informações sobre o Estatuto do Desarmamento pode acessar http://www.mj.gov.br/seguranca/desarmamento.

Idelber, gostei do novo formato dos comentários.

PatriciaSK em outubro 17, 2005 4:40 PM


#15

Pois é, Edk, agora imagine esse garoto da USP - claramente com sérios problemas psicológicos - com uma arma na mão . . .

Idelber em outubro 17, 2005 4:40 PM


#16

Idelber,

Agora imagina um colega armado, sem problemas psicológicos e que soubesse usar a arma... Será que não teria conseguido salvá-lo da facada?

Krys em outubro 17, 2005 4:51 PM


#17

Krys, obrigado pela completada, eu não sabia desse detalhe do tabaco!

Ricardo, o cara que manda spam para quem pode estar lhe oferecendo um emprego realmente não quer ser empregado, né?

pfnr, você tem razão que o desarmamento em geral tende a ser uma bandeira da esquerda. Mas a condução da campanha do sim foi incompetente ao associar automaticamente o sim ao governo. Está pagando o preço. . .

Ana Maria, escreva, menina. Melhor escrever do que não dizer nada, não acha?

Leila, na minha caixa de correios a tabulação anda assim: Não 43 x 28 Sim. Odiei receber cada um deles. . .

É verdade, Simy, dos dois lados há muitos de nós já meio fartos de informação falsa . . .

André, a corrida às armas era esperada. O cálculo do governo era ganhar o referendo e com isso compensá-la. Mas pode ser que tenham errado no cálculo, né?

Obrigado, Patrícia, abraços a todos,

Idelber em outubro 17, 2005 4:57 PM


#18

Excelente pergunta, Krys. No caso desse crime em particular, a resposta é não. Ninguém nem viu a facada. Parece que ele se aproximou e conversou durante 10 minutos com a vítima em tom de voz normal, na frente de todo mundo. Viram que era uma facada quando a vítima gritou "ele me furou!". Ou seja, qualquer arma ali, na mão de qualquer um, só teria piorado a situação (a não ser, claro, que alguém ache que o criminoso deveria ter sido assassinado pelas costas ali mesmo, quando corria).

Idelber em outubro 17, 2005 5:01 PM


#19

Esse negócio de se é complicado.. e se, mesmo soubendo usar a arma -- mas sendo ser humano, portanto.. longe de ser perfeito -- ele com a dor e o desespero causado pela facada, ele sacasse sua arma e desse um tiro nos seus miolos, só porque você passou lá na rádio pra visistar um amigo. Seria viagem, não é? Acho que se vocês aumentassem só mais um pouco a neurose, vocês explodem..


Há muito tempo que eu leio esse blog, e nem lembro como vim parar aqui. Gostei tanto, que todo dia eu volto pra ver o que tem de novo. Mas eu nunca tinha sequer olhado os cometários. Ótimo isso aqui, e o cara responde tudo... :)

pfnr em outubro 17, 2005 6:52 PM


#20

Idelber, pra mim está aprovada a mudança na caixa de comentários. Ficou bem melhor assim.

Um abraço.

Ricardo Antunes da Costa em outubro 17, 2005 7:01 PM


#21

Meu voto no sim é algo até meio "Poliana": gostaria de ver, ainda vivo, um mundo de culto a paz e à solidariedade. Não acredito que ter uma arma em casa traga segurança. Já se tem muito muro alto, com cerca elétrica, porteiro 24 horas e pit bull no quintal e no entanto a barbárie impera. Com armas ou sem elas, o foco da questão é, ao meu ver, a brutal desigualdade social brasileira. Ah, e já que é voto, ponto para o novo formato do sistema de comentários. Assim não se pega a conversa "andando".

Ivan em outubro 17, 2005 7:49 PM


#22

"Alguém por aí leu o Projeto de Lei? Algum jornal publicou, rádio, TV, alguém realmente deu publicidade ao Projeto?..." e etc. Concordo contigo, Nohay.

Idelber, teu ponto 1 foi perfeito, bem observado. Pena que poucas pessoas, de um lado e de outro, se preocupem em buscar informações corretas. Apesar do debate, por si, já ser algo bom, os argumentos usados são tristes. Essa do João Ubaldo Ribeiro foi horrível, ridícula.

Edk, não acho que o referendo tenha sido precipitado, afinal ele já está previsto há quase 2 anos. A inépcia do governo foi em não usar esse tempo pra promover um estudo amplo e sério sobre o tema, que provesse informações concretas à população.

O referendo, na forma como é apresentado no Estatuto, é um bom meio de se auferir os anseios populares sobre o tema. Quem é contra esse referendo está se posicionando contra uma ferramenta democrática das mais eficientes, quando bem utilizada. E o problema, na minha opinião, é justamente esse: ela não está sendo bem utilizada.

Rodrigo Tupinambá em outubro 17, 2005 8:08 PM


#23

Aprovado o novo formato dos comentários. Boa medida.

Roberson em outubro 17, 2005 11:09 PM


#24

Caro Idelber

Parabéns a sua capacidade de coordenar idéias e escrever alguma coisa sobre este referendo, em meio a um debate HIPER confuso.

É curioso, eu que sempre defendi a existência deste mecanismo em conversas de botequim e em outras um pouco mais formais, sinto a frustração de ter que ir votar em um referendo mal formulado. Mas é lógico que os parlamentares orquestraram a coisa dessa forma, para que nós todos supliquemos que não se volte a chamar outros referendos.

Paulo Zobaran em outubro 18, 2005 12:20 AM


#25

Olá Idelber.
Ainda estou na dúvida, apesar de ser mais simpático ao sim. A questão do Estado proibindo, em última instância, um direito meu, meio que fere meu jeito anarquista de ser, mas a quantidade de spans que tenho recebido e todos pela turma do não (daria a continuação perfeita daquele filme "teoria da conspiração") joga o argumento deles mais para o lado do absurdo, além disso que você destaca como 'homens de bem' .

Outra coisa: muito bons estes teus diários de viagem. Aqui em SC o abacate tem mesma função que em MG. E obrigado por linkar o Casa de Paragens aqui.
abraços
Rubens

Rubens em outubro 18, 2005 12:42 AM


#26

Obrigado, amigos: foi uma noite de muito pisco sour (a caipirinha chilena) por aqui, então deixarei as respostas mais bem pensadas para amanhã. Abraços,

Idelber em outubro 18, 2005 1:11 AM


#27

Idelber, Seu livro me ajudou muito e já está na bibliografia da tese. Mas, vamos ao assunto do debate.Tenho um problema, só consigo pensar em poesia,. meus melhores argumentos (ou os que eu considero melhores) são cpiados de poetas. Portanto, eu vou votar pelo SIM por causa do Drummond. Morte do leiteiro
Carlos Drummond de Andrade
(A Cyro Novaes)

Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.

E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.
Fonte: Antologia Poética - Editora Record, 40ª edição, página 134

Maria Andréia em outubro 18, 2005 7:41 AM


#28

Maria Andréa:
lindo o poema! sem dúvida, o voto é pelo sim!

dra em outubro 18, 2005 10:03 AM


#29

Oi,
Foi uma surpresa agradável alguém lembrar quanto debate tem havido por conta do referendo. Sem dúvida esse é o aspecto mais positivo. Confesso que ainda não tenho uma posição a respeito. Há muitos pontos importantes. Um amigo, por exemplo, que mora em um sítio afastado lembra que as dimensões do Brasil são fantásticas e que nosso país não se resume em centros urbanos. Para ele, a posse de arma em um sítio é fundamental para a sua segurança.
Por outro lado, sabemos que grande parte dos homicídios ocorrem por razões mundanas, brigas que poderiam ter ficado apenas em bate-boca ou bofetões. Poucos são aqueles que mantém o bom-senso quando perdem a razão! Se é que isso é possível!
Adorei seu blog!
abraço
pat

Patricia em outubro 18, 2005 11:14 AM


#30

Ótima análise, Idelber!

Só que em relação ao ponto 6, vc há de convir comigo que o número de reacionários na turma do "não" é bem maior. Só para citar alguns: Revista Veja, UDR, Deputado Enéas e Olavo de Carvalho.

Penso que o que se discute é o desarmamento das elites, pois um pobre jamais poderia ter uma arma registrada em seu barraco. É às elites que o desarmamento atinge diretamente.

É por isso que fico p* ao ver companheiros da esquerda votando NÃO. Estão legitimando as armas da UDR e a resistência deles aos sem-terras. Estão legitimando o direito de matar para defender o patrimônio nas grandes cidades.

No mais, perfeita sua análise! Abração!

Túlio Vianna em outubro 18, 2005 1:09 PM


#31

Muito apropriado o poema, bem lembrado, Maria Andréia. E obrigado pelo trabalho com o meu livro.

Obrigado, Patricia, que bom que achou o debate por aqui interessante.

Túlio, acho que à luz das objeções de vocês estou repensando o ponto 6. Realmente, o time dos reacionários na turma do não é muito grande - e mais, é hegemônico dentro da campanha. Ainda discordo dessa estratégia de campanha de associar o não à direita - a gente inclusive perde eleitores de direita e/ou descontentes com o governo com isso. Mas a sua objeção está perfeita, hoje eu redigiria o parágrafo 6 de outra forma. Abraço!

Idelber em outubro 18, 2005 1:58 PM


#32

Não sou reacionário e sou de esquerda. Mas, voto, não.

Edk em outubro 18, 2005 2:49 PM


#33

Novamente pergunto: o que é ser de "esquerda" o que é ser de "direita". Novamente afirmo: não existe "direita" no Brasil.

É ilusão achar que quem vota no NÃO é porque é de "direita" e quer deixar tudo como esta. É ilusão achar que as 3.000 armas vendidas anualmente abastecem as quase 10 milhões de ilegais. Nos centros urbanos é pior ainda. Das milhares de armas de fogo existentes nos morros cariocas a grande maioria é de calibre não permitido, ou seja, ilegais.

Só por curiosidade, os próprios partidários do SIM, afirma que hoje existem por volta de 10 milhões de armas ilegais. Alguns chegam a dizer 17 milhões. Se dividirmos esse número (10 milhões)por 45 anos, desde 1960 portanto, teremos 222.222 armas anuais.
A venda de armas para civis no Brasil nunca chegou nem perto desse número. E olha que qualquer armas mais poderosa que um 9mm (inclusive) já é proibido. Nunca mesmo, nem de longe, ainda mais nos últimos anos. Falar que a arma legal acaba indo parar nas mãos dos bandidos é ignorar a facilidade com que se cruza a fronteira Paraguaia com uma arma.

Por favor, falar que "a maioria dos crimes são originados por brigas inofensivas" é um ataque a nossa inteligência. Qualquer policial sabe que a maioria dos homicídios do Brasil estão relacionados com o problema das drogas e seus desdobramentos. Desde combate a traficantes, até o latrocínio para compra de drogas.

O fato de estar ligando o NÃO ao governo é o mais natural do mundo. O combate a violência é uma prerrogativa do governo, não só o federal como o estadual. Se as pessoas não vêem melhora, como podem compactuar com isso? Como podem estar dispostas a abrirem mão de um direito se o governo não faz a parte dele? Sim, os governos são culpados sim. Porque será que a Gov. Rosinha Matheus caiu de cabeça na campanha (inclusive cometendo um dos maiores crimes ambientais que a Lagoa Rodrigo de Freitas jamais viu)? Porque de uma hora para hora a criminalidade no Brasil, que sempre foi culpa do tráfico de drogas e de motivos econômicos, passou a ser culpa de uma reduzidíssima parcela de pessoas que possuem armas de fogo.

O que mais fico impressionado é com pessoas que repetem certos argumentos como brigas de bar e de família, mas NENHUMA delas presenciou algum fato parecido e muito menos sabe de alguém que tenha presenciado, mas a maioria já foi assaltado por alguém armado e grande parte até teve fuzis apontados para a cabeça.

O fato é que se os governos estivessem fazendo a parte dele, com investimentos sérios, a defesa do NÃO seria extremamente difícil, mas não está. A fronteira brasileira é uma avenida.

Pablo Vilarnovo em outubro 18, 2005 3:07 PM


#34

“Podem considerar-se como contrárias ao fim de utilidade as leis que proíbem o porte de armas, porque apenas desarmam o cidadão pacífico, enquanto deixam a arma passar nas mãos do criminoso, muito habituado a violar as convenções mais sagradas para respeitar aquelas que são somente arbitrárias”
César Beccaria, em 1763

Edk em outubro 18, 2005 3:38 PM


#35

“Leis que proíbem o cidadão de ter armas são leis que desarmam apenas aqueles que, na sua ampla maioria, não estão inclinados a cometer crimes. Estas leis tornam as coisas piores para as vítimas e melhores para os marginais, elas mais encorajam que previnem os crimes, pois enchem de confiança os assaltantes. A mais forte razão, em última análise, para um cidadão ter direito às armas é se proteger contra a tirania de um governo.”

Autor: Thomas Jefferson, 3º presidente dos EUA e um dos redatores da Constituição Americana e um daqueles rostos no Monte Rushmore

Edk em outubro 18, 2005 3:39 PM


#36

Idelber, genial! :)

Giu! em outubro 18, 2005 4:00 PM


#37

Idelber, este post está definitivo sobre o assunto (aliás, linkei).

Sobre sua resposta ao comentário da Thais ("Já vi alguns dizendo que se o sim ganhar vão continuar comprando munição, só que ilegalmente. E continuam se auto-intitulando "cidadãos de bem" ..."), só mesmo dizendo como um gerente aqui do meu trabalho: então, além de idiota, agora idiota ilegal. Desculpem o tom ofensivo, mas realmente esse argumento do mercado negro é o pior. Se a pessoa voluntariamente se decide a burlar a lei, e ainda comunica isso a todos, não dá nem pra conversar.
E se for por aí, então acabemos com o Imposto de Renda, já que todo mundo sonega mesmo.

Monix em outubro 18, 2005 5:47 PM


#38

Idelber, de mim não terás tamancadas, só bitocas estaladas - com todo respeito, of claro. Você abalou Bangu - como já disse mi sócia, em português mais escorreito e refinado. O trecho sobre as patrulhas, a merecida sacaneada no Ubaldo, tantas passagens... Mas uma tocou-me particularmente, e quando eu quiser simplificar este mundo complexo e besta, vou apenas dizer que ele se divide entre "gente com quem eu adoraria tomar várias cervejas, e há gente com quem eu não aceitaria tomar um cafezinho". Amei isso.
Espero que um dia possamos tomar algumas cervejas.

Helena Costa em outubro 18, 2005 10:53 PM


#39

Viva as duas Fridas :) Gracias!

Idelber em outubro 19, 2005 1:58 AM


#40

Idelber, please. Era só o que faltava dizer que ser "patrulheiro" hoje é a exceção. O politicamente correto está em voga no Brasil sim, e o pior, o pensamento homogêneo de esquerda norteia o meio acadêmico nacional. Me diz aí, se não fosse esta absurda patrulha, porque quase fui linchado no ônibus porque falei mal de Lula, dizendo que era despreparado? Não se pode falar mal de assitencialismo no Brasil, nem dos pensamentos socialistas e da esquerda. Ter pena dos pobres é lei, mas por outro lado, se dizer católico, hoje numa universidade, é considerado heresia das heresias...

Quantas pessoas aparecem na tevê propalando que a competição e o livre mercado deveriam ser a norma do Brasil capitalista? Quantas pessoas informam que o despreparo total do trabalhador brasileiro, em parte por falta de recurso,mas é também em parte por desinteresse da população brasileira em se educar? Ah sim, quantas pessoas perguntam na tevê porque o Lulinha não aprendeu a ler em 16 anos de campanhas presidenciais? Não. Isso não pode. E depois ainda atribuem um zé ruela usineiro como sendo "o exemplo mau do capitalismo", citando espécimes como Tariq Ali.
Cara, o Brasil tá tão patrulhado, que na universidade fui xingado simplesmente porque disse que é triste ficar fumando maconha. O pessoal não gasta dinheiro num livro, não junta para um apartamento, mas queima a munfa a tarde inteira no campus da UFRJ. E depois saem por aí dizendo que desde 64 são perseguidos. E olha que a maioria nem era nascida. Só leêm Focault, e nem isso entendem direito... Porque? Patrulha, ora. Do meu curso, não encontrei um só pensador que não fosse socialista. Ah sim, o socialismo foi a única "idéia" política dos últimos 60 anos? Putz...

Olha, depois disso ainda ter que vir num blogue inteligente como o seu, e ler que você não é patrulheiro. Por favor. Você pode ser patrulheiro, e escrever bem, não tem problema. Só não se santifique. Não há nada de errado em ser patrulheiro. O que é errado é patrulhar e depois ficar negando... Continue com o excelente blogue, otherwise.

Robson em outubro 19, 2005 3:37 AM


#41

Bom, deixemos que os leitores vejam o contraste entre o post e o comentário acima e decidam por si próprios quem está patrulhando quem. . .

Idelber em outubro 19, 2005 3:44 PM


#42

Estava procurando dados sobre o referendo e achei seu blog.
Achei muito interessante suas colocações, apesar de quase ter me decidido pelo não.
Minha tendência para o não pode ser reflexo da decepção com o atual governo.
Na minha opinião esse referendo não podia vir em hora pior. Em meio a uma baita crise política, no momento em que o brasileiro está mais desacreditado eles vêm com esse referendo. Pra me deixar mais com o pé atrás, a Globo (que não é flor que se cheire) apoia o sim.
A mesma Globo que omitiu informações da insatalação da base militar estadounidense no Paraguai (Isso não tem nada a ver com o tema. Citei só para dar ênfase aos interesses e à parcialidade da Globo).
Creio eu que dando sim ou não a situação em questão não vai mudar muita coisa, oq temo são os interesses por trás do referendo (sem teorias conspiratórias, até porquê não as tenho...hehehehe).
Imagino que a decisão de colocarem em questão esse referendo agora não tenha nenhum interesse miráculoso, tomando em base que isso já se arrasta a muito tempo, mas imagino que "os grandes" já devem ter pensado em um jeito de tirar proveito do SIM se o mesmo for referendado.

Espero uma visita sua no meu flog!
E uma resposta sua.
Gostei muito do seu blog (e olha que não leio NENHUM blog).

Diogo em outubro 19, 2005 5:28 PM


#43

Estava procurando dados sobre o referendo e achei seu blog.
Achei muito interessante suas colocações, apesar de quase ter me decidido pelo não.
Minha tendência para o não pode ser reflexo da decepção com o atual governo.
Na minha opinião esse referendo não podia vir em hora pior. Em meio a uma baita crise política, no momento em que o brasileiro está mais desacreditado eles vêm com esse referendo. Pra me deixar mais com o pé atrás, a Globo (que não é flor que se cheire) apoia o sim.
A mesma Globo que omitiu informações da insatalação da base militar estadounidense no Paraguai (Isso não tem nada a ver com o tema. Citei só para dar ênfase aos interesses e à parcialidade da Globo).
Creio eu que dando sim ou não a situação em questão não vai mudar muita coisa, oq temo são os interesses por trás do referendo (sem teorias conspiratórias, até porquê não as tenho...hehehehe).
Imagino que a decisão de colocarem em questão esse referendo agora não tenha nenhum interesse miráculoso, tomando em base que isso já se arrasta a muito tempo, mas imagino que "os grandes" já devem ter pensado em um jeito de tirar proveito do SIM se o mesmo for referendado.

Espero uma visita sua no meu flog!
E uma resposta sua.
Gostei muito do seu blog (e olha que não leio NENHUM blog).

Diogo em outubro 19, 2005 5:29 PM


#44

a discussão tá ótima, pessoal. mas alguém aqui poderia me explicar com objetividade QUAL É a relação entre votar não e ser de direita? fui ali buscar um café e, quando voltei, lá estava eu dividindo o mesmo saco com olavinho, enéas e outros distintos. é como afirmar que sou careca porque sempre me vêem andando de chapéu.

o diálogo é sempre uma boa idéia; rotular a posição política de alguém baseando-se em uma opinião descontextualizada (sim/não), não é. deixem isso para o political view do orkut.

alexandre em outubro 19, 2005 8:02 PM


#45

Idelber, o problema é o incentivo à armas que com uma vitória do sim viriam do mercado negro...

André Kenji em outubro 20, 2005 2:05 AM


#46

Brilhante esse Robson, hein? É isso aí: o Biscoito é um blog patrulheiro, a TV brasileira está cheia de gente defendendo o socialismo, quem critica o Lula morre de medo de ser espancado, e o problema da universidade são os meninos que fumam maconha de tarde!

Brilhante a análise do cabra, né Idelber?

Marcos em outubro 20, 2005 9:26 AM


#47

Alexandre, a relação "objetiva" entre a esquerda e o sim é que a esquerda tende a ser anti-bélica e questionadora das guerras; tende a ver as raízes da violência na desigualdade social e os remédios para ela na prevenção e na educação, e não no armamento da população; tende, também, a suspeitar de discursos do tipo "preciso de armas para me defender dos 'bandidos'".

De novo, isso não significa alinhamento automático entre o não e a direita e o sim e a esquerda. Mas a questão está longe de ser neutra politicamente.

Idelber em outubro 20, 2005 10:12 AM


#48

idelber, acho que na verdade falamos a mesma língua, e não sei em qual ponto nossa opinião diverge. também não acredito em armas ou guerras. armas de nenhum tipo, sejam velhos vinte e dois de cano longo ou ogivas. considero guerras o fim (sem trocadilho). e é claro, definir a desigualdade social como geradora da violência é ponto pacífico (sem trocadilho, desculpa). mas se a discussão e o próprio referendo passam perto de determinar uma ou outra posição política, passa longe de resolver a questão. é sobre o cumprimento de leis que estamos falando? no brasil il il il? sério mesmo? conhecendo os processos como nós conhecemos, sei não. nem chego perto de discutir os argumentos apresentados por qualquer um dos lados, porque são de uma superficialidade danada, quase como comentar os prós e contras do namoro da lurdinha com o glauco. se fosse um comercial das casas bahia tudo bem, mas gente – é um referendo contra a proibição do comércio de armas de fogo no brasil. ou é contra a fabricação de armas de fogo no brasil do comércio? ou é contra a comercialização do brasil proibindo o fogo nas fábricas?

acreditar que esse referendo nos transportará para algum lugar mais calmo é crer que mais uma lei vai colaborar para alterar índices de qualquer coisa, da mesma forma que impedem a maconha e o lança-perfume de serem comercializados, só pra ficar nos exemplos mais família. se você já comprou algumas dessas coisas, sabe que é nível de dificuldade três. a desigualdade social gerou as armas para otimizar a proteção de bens e propriedades, e não o contrário. agora são ferramentas nas mãos de marginais, entre as poucas que dispõem, oquei. a gente ainda aprende no colégio: está na contituição que todos têm direito ao mínimo necessário para uma vida digna, como saúde, moradia e alimentação. está lá, veja bem, mas não vinga. aí fazem um referendo pra proibir blablablabla. a conta não fecha.

mesmo votando não, não me incomodaria com a vitória do sim, claro que não. seria bom mesmo se funcionasse, a vida melhorasse, e empregos começassem a pipocar nas semanas seguintes. de fato, é desagradável ser morto por um maníaco que se sentiu ofendido com sua ultrapassagem. sei que a gente deve começar a mudar por algum lugar, mas tenho a impressão de que não é por aí.

enquanto a coisa não ficar aceitável pra todo mundo, para o menino sem perspectiva o herói continuará sendo o cara com a glock enfiada dentro da bermuda.

talvez devessem liberar armas apenas para pessoas dispostas (com registro em cartório) a alvejar políticos comprovadamente corruptos, mínimo de cinco tiros. talvez nossa intolerância à sacanagem devesse ser tão grande quanto nossa intolerância às armas.

mundo confuso.


p.s.: desculpa o aluguel da sua caixa de comentários, mas aqui foi o único lugar onde me animei a escrever alguma coisa sobre o assunto.

alexandre em outubro 20, 2005 3:28 PM


#49

Aluguel nenhum, Alexandre, a caixa está aí para isso mesmo. Também acho que concordamos na questão de fundo, apesar de que eu ainda acho que vale a pena dar uma chance para o sim (não sem certo ceticismo, pelas razões todas que você citou). Grande abraço,

Idelber em outubro 20, 2005 3:39 PM