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sexta-feira, 04 de novembro 2005
Sobre um conto de Jorge Luis Borges
Fred Murdock era daqueles jovens típicos. Estudantes típicos. Gringo. As más línguas poderiam dizer: tipicamente gringo. Em dúvida sobre o que estudar, recebe a dica: por que não estudar índio? Joga-se à empreitada e passa a viver entre os índios; com o tempo, passa a sonhar em sua língua. Revelam-lhe o segredo da tribo. Converte-se no índio perfeito, antes de voltar à sua universidade para escrever a tese, baseada no invejável conhecimento adquirido. Decide não escrever a tese. Casa, se divorcia e vira bibliotecário.
Este é o argumento de um dos mais curtinhos e fascinantes contos de Jorge Luis Borges, "O Etnógrafo", do livro Elogio da Sombra (1969). Para quem tiver paciência, saiu publicada no último número da Germina minha leitura desse conto: "Borges, a Antropologia e a Escrita do Outro."
Parece que resolveram fazer a incrível burrice de me oferecer uma coluna fixa na Germina e eu, honrado, acabei aceitando. É uma coluna bimestral e a próxima sai em dezembro. Obrigado a Lucia Farias e a toda a turma de lá pelo convite.
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Eu já li e recomendo o delicioso Nome da Cousa, de Fal Azevedo. Já encomendável no email aí de cima.
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Está saindo e o lançamento é em Porto Alegre:

O lançamento do livro de contos do Blog de Papel (São Paulo: Ed. Gênese, 2005) acontece neste dia 12 de Novembro na Feira do Livro de Porto Alegre:
Tarde de Autógrafos, às 15h30, no Memorial do RS com o André Dahmer (Malvados) e com Alê Felix, Milton Ribeiro, Ticcia Antoniete, Ane Aguirre, alguns dos autores representados no livro.
Às 16h30, na sala O Retrato do Centro Cultural Érico Veríssimo, haverá uma mesa de bate-papo sobre Literatura e Internet com a participação do Dahmer, os autores do Blog de Papel e mediação do escritor Armindo Trevisan.
Dia 19 de Novembro rola o lançamento paulistano, na Primavera dos Livros - OCA/Parque do Ibirapuera, se não me engano com a presença de todos os 14 autores.
Foi uma alegria escrever o prefácio desse livro de contos de tantas feras-blogueiras. Obrigado à Alê Felix pelo convite e espero que os autores tenham gostado dos meus dois centavos de tagarelice na primeira página. O livro é muito supimpa, vale a pena.
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Hoje revisitei um poema assombroso: um petardo feminista em pleno século XVII, nas redondilhas barrocas da mexicana Sor Juana Inés de la Cruz.
Escrito por Idelber às 02:15 | link para este post
| Comentários (25)
#1
Idelber,
Esse poema é mesmo fantástico. Como tudo o mais que você me apresentou dela. Obrigada.
E muito sucesso à Fal e ao pessoal do Blog de Papel!
Beijos,
Ana
Ana em novembro 4, 2005 11:44 AM
#2
Eu desejo muito, muito sucesso para a Fal. eu adoro aquela gata.
Eu li seu texto e vou ver se consigo ler o livro.
Não sei se entendi bem já que ainda estou me familiarizando com esta sua linguagem acadêmica. Bom seria muito fácil o Idelber conhecer meu mundo e até escrever sobre ele mas quase impossível acontecer o contrário.
Ah!! sei lá divaguei.
beijoca.
Simy em novembro 4, 2005 1:19 PM
#3
Fiz muito jovem minhas leituras de Borges. Um erro. Deveria voltar a elas.
Que legal que estás na Germina! Ainda estão lá dois velhos artigos meus. Devem estar em "Literatura", creio eu. A S. entrou em contato comigo, mas vou deixando para depois, para depois, para depois...
Além da honra de estar em tua vizinhança dentro da Germina, há muito mais: fico honradésimo de ser prefaciado por ti no livro do Blog de Papel. Ainda não li teu prefácio, espero que tenhas sido bondoso conosco. Porém, quando penso que escreves sobre Borges num dia e MR no outro, minha honra esvai-se para algum lugar indeterminado e tenho vontade de sumir para sempre com minha vergonha.
É o que farei.
Bom fim de semana!
Milton Ribeiro em novembro 4, 2005 3:09 PM
#4
lindo...
volto com calma para falar desse conto do borges.
:>)
(biju na ana)
Biajoni em novembro 4, 2005 4:15 PM
#5
Idelber, eu amei o seu artigo sobre o conto do Borges, a discussão sobre a antropologia... Acho que vou pedir a Prosa Completa de Natal para alguém.
bjs,
Leila em novembro 4, 2005 4:55 PM
#6
Idelber. Eu fiz uma entrevista com a Marina Colasanti para a minha casa, que é esta aqui: www.rabisco.com.br. Se for possível, eu queria ouvir um comentário teu sobre o meu trabalho. Estou voltando a escrever, aos pouquinhos, como a brisa do meu quintal :)
Ana em novembro 4, 2005 9:14 PM
#7
vou ler o conto com certeza e também o seu texto. seu artigo sobre blogs está na minha lista de leituras também, assim que o austríaco-doido-de-pedra me der um refresco. mesmo enrolada, já te elegi um dos meus favoritos. pronto, virei tiete! bj
cristiane em novembro 5, 2005 9:29 AM
#8
Obrigado, amigos :)
Que bom que gostaram do texto. Vou colocá-lo aí no template, como um link permanente.
Ana, achei um barato a entrevista com a Marina Colasanti, legal mesmo :)
Idelber em novembro 5, 2005 11:39 AM
#9
Leila, há uma edição bem boa e barata da Prosa completa em formato de bolso, pela Emecé. Há também uma mais cara, em capa dura, da Obra completa, também da Emecé. São fáceis de achar aí nos EUA. Boa leitura :)
Idelber em novembro 5, 2005 11:43 AM
#10
Simy, o curioso é que um acadêmico que lesse esse ensaio provavelmente diria que ele não é acadêmico o suficiente, heheheh. . .
Idelber em novembro 5, 2005 11:44 AM
#11
Caro Idelber
Outra visão do bibliotecário: que tal a sugestão do acesso ao conhecimento catalogado e sistematizado do seu próprio universo após ter aprendido os princípios do universo dos índios? Sei não...assim fica com um cheiro do velho só sei que nada sei, e incrivelmente simplista. Mas é Borges né?.
Não sei ao certo, não li o texto, somente sua análise aprimorada, e mais não me atrevo a comentar senão com certeza vou escrever besteira.
Abraços
Danilo
Danilo em novembro 7, 2005 8:00 AM
#12
Pois é Idelber só prova que meu vocabulário ainda é muito pobrinho.
Eu li o conto assim como todos os poemas do livro e só posso dizer que me apaixonei.
Tinha lido trechos de poesias dele mas nunca uma completa e ele é simplesmente demais.
já passei em um sebo e comprei um volume de Obras Completas I do cara. Quem sabe assim não entendo melhor? Valeu pela dica gato.
Beijo.
Simy em novembro 7, 2005 12:33 PM
#13
Jorge Luis Borges seria perfeito se fosse brasileiro e nascido em Minas! Besteira...
Tô aqui na terrinha e só assim pra consegui acessar o seu site. Felicidades e sucesso para os blogueiros e votos especiais pra ti, Idelber! Beijus
Luma em novembro 7, 2005 1:23 PM
#14
Idelber, muito obrigada pela delicadeza
:o)))
Fal em novembro 7, 2005 1:46 PM
#15
Quanta coisa boa rolando nos blogs...
lili cheveux de feu em novembro 7, 2005 3:30 PM
#16
Caro Idelber,
Tem um artigo sobre a recuperacao de NOLA la' no nominimo.
Abs.
Wagner em novembro 7, 2005 3:53 PM
#17
Estamos em um momento de produção literária na blogosfera nacional. E isso é muito foda.
Ronzi em novembro 8, 2005 11:52 AM
#18
Oi professor,
Estou com uma dúvida e preciso da sua ajuda.
É sobre um texto atribuído a Oscar Wilde. Preciso, com alguma urgência, ter certeza se é mesmo dele.
O texto é o seguinte:
"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."
( Oscar Wilde.)
Muito obrigada.
Um abraço
Beta
Beta em novembro 8, 2005 2:17 PM
#19
Professor, (may I call you this way??)
Curioso como certa vez usei argumento semelhante em um trabalho de antropologia quando fazia Comunicação Social (fiz um ano em meio e desisti). Claro que não tinha o brilhantismo nem do Borges, nem da sua leitura, mas, como tinha acabado de ler o conto e como não gostava muito de Antropologia (e muito menos do professor) escrevi algo um pouco mais ácido e com boa dose de veneno.
Claro que não sou tão ácido com a Antro hoje. Mas agradeço a memória do excelente contista que Borges era, sua concisão cirúrgica e precisão eram sublimes.
Não foi burrice nenhuma da turma da Germnina e sim muita persipcácia.
Congratulations professor.
Big hug!!
Edk em novembro 8, 2005 7:08 PM
#20
germina
(como hacai)
sempre maduro
sempre incompleto
valeu, mestre, pela dica
@ em novembro 8, 2005 10:59 PM
#21
Professor,
Devo admitir que nao entendei o ponto do conto. Eu li seu artigo na Germina e fico ainda mais confundido. Como sabe, no entanto, esse fato nao me vai parar que eu opine. Eu queria acresentar que eu pensava que Borges quis fazer comentarios sobre a quao vazias podem ser as vidas americanas. Eu achei raro que ele usava um americano em vez de um originario dum pais do qual ele identifica mais como argentina ou os paises da europa occidental. Bom, em tudo caso, so tenho um entendimento rudimentar do subjeito assim que tal vez essa analise e demais basico.
Roderick em novembro 9, 2005 3:03 AM
#22
E você vem pro lançamento em SP? :)
Giu! em novembro 9, 2005 3:58 PM
#23
Não vai rolar, Giu, infelizmente ;)
Idelber em novembro 9, 2005 4:45 PM
Milton Ribeiro em novembro 9, 2005 6:49 PM
#25
Amigos, desculpem o sumiço - foi acúmulo de trabalho :)
Idelber em novembro 10, 2005 1:12 AM