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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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terça-feira, 27 de dezembro 2005

Até já

Eu vou ali dar uma viajadinha, para o mar, como bom mineiro. Já volto. A próxima atualização deste blog deve ser lá pelo dia 04 de janeiro.

Obrigado a quem passou por aqui neste ano. Que todos tenham um ótimo réveillon.



  Escrito por Idelber às 07:34 | link para este post | Comentários (28)



sábado, 24 de dezembro 2005

Texto novo na Germina

river.jpgboca.jpg



Como diria Borges, o que segue é verdadeiro, excetuando-se os nomes próprios, lugares e datas. A história é conhecida, mas vale a pena relatá-la aos mais jovens: corria o ano de 1905, na cidade de Buenos Aires, já a cosmopolita capital do território que, um par de décadas antes, havia concluído a matança de seus índios e optado pelo nome de República Argentina. O perfil da cidade se alterara bastante com a imigração, predominantemente operária e européia. No começo do século XX só os Estados Unidos receberam mais imigrantes que a Argentina. Vinham da Itália, Rússia, Europa central, Espanha. A maioria da Itália. No bairro operário de La Boca, havia dois times de futebol, River Plate e Boca Juniors. O bairro era da colônia italiana, mas os nomes dos times já mostram que, em matéria de futebol, a herança inglesa não se apaga facilmente.

O diacho é que não só tinham o mesmo bairro-sede, mas também idênticos uniformes: camisa branca com listras transversais vermelhas, como a seleção peruana. Habitar a mesma sede, vá lá, mas camisa igual ninguém agüenta. Foi marcada uma partida para decidir a questão. O acordo que fizeram essas duas equipes, no longínquo ano de 1905, sempre me pareceu um testemunho dessa máquina insólita que é o futebol: o vencedor manteria a camisa, mas teria que se mudar do bairro. O perdedor continuaria em La Boca, mas teria que arranjar outro uniforme. Só mesmo no futebol trocar de casa é mais fácil e aceitável que trocar de camisa. Trocar de partido, de mulher, de bairro, tudo isso não é nada. Trocar de camisa, eis aí a verdadeira punição.

A peleja foi disputada como o são todas as pelejas argentinas: brigada no meio campo, com muita catimba e provocação.

Continue lendo Falsa pero verdadeira crônica sobre as origens de Boca e River, o texto deste dezembro no Alegorias, minha coluna na Germina.



  Escrito por Idelber às 01:32 | link para este post | Comentários (21)



sexta-feira, 23 de dezembro 2005

As pessoas morrem, os blogs continuam

Foi o Alex Castro, quem mais poderia ser, que encontrou a história.

Paul Berkley, soldado americano estacionado em Bahrein, residente na Carolina do Norte, 40 e poucos anos, volta para casa para passar o fim de ano. A mulher (uns 20 anos mais nova) tinha um amante adolescente, de 18 anos, que já inclusive morava com ela. A mulher trama o assassinato de Paul. Leva-o até um parque, onde o seu amante e o namorado da filha dele (enteada da mulher) acertam-lhe alguns tiros.

Como disse o Alex, é a história mais antiga do mundo. Um dos nossos maiores escritores, Euclides da Cunha, morreu assim, de um balaço dado pelo amante da mulher.

O que é novo é a repercussão que os blogs dessas pessoas geram. Ler o blog de um corno póstumo é quase terno, quase patético. O cabra se preparou durante semanas para a viagem para casa. Depois de sua morte, seu blog bateu recordes de visitas, e no livro de visitas a revolta é grande.

O blog da assassina virou um mural virtual de insultos. Como não poderia deixar de ser numa história norte-americana, o componente racial esteve no centro da coisa. O fato de que o amante fosse negro gerou toda sorte de insultos raciais no site.

Sabe-se que o amante da mulher e o namorado da filha eram amigos. Não está muito claro qual foi a participação da filha no planejamento do assassinato do pai, mas o blog dela já foi apagado.

Enquanto isso, Monique, a mulher, aguarda, presa, o que provavelmente será uma condenação à morte.



  Escrito por Idelber às 07:45 | link para este post | Comentários (11)



quarta-feira, 21 de dezembro 2005

Valsa, Polca e Maxixe no Rio de Janeiro do Século XIX

(Fragmento de trabalho acadêmico bem mais longo, sobre música popular no Brasil do século XIX. Críticas e sugestões são bem vindas)

waltz.jpg

A valsa operou no século XIX como um dos únicos espaços públicos de aproximação para namorados e amantes. Adquiriu na corte carioca a aura de ícone musical aristocrático, mas em suas origens também foi uma dança plebéia, rural, de camponeses. Tal percurso – das origens plebéias à aceitação à posterior canonização – foi realizado por linguagens populares tão diversas como o maxixe, o tango argentino, o jazz ou o rock’n’roll.

Introduzida pela família real portuguesa em 1808, solidificada com a presença de compositores como Sigismund Neukomm, o músico austríaco que morou no Rio entre 1816 e 1821, a valsa foi hegemônica na preferência da elite do Rio de Janeiro especialmente no período em que se interroperam os espetáculos de ópera, de 1830 a 1845. Em ritmo ternário (compasso em 3/4), e possibilitando um enlaçamento dos corpos até então desconhecido, a valsa é tanto um instrumento de socialização como uma via de acesso a uma experiência erótica.

As origens populares da valsa são visíveis na importante diferença que ela introduz em relação às danças européias anteriores como os minuetos, as polonaises ou as quadrilhas. Em contraste com estas, na valsa os bailarinos se encontram nos braços um do outro, com os rostos a poucos centímentros de distância e os corpos girando abraçados. É o gênero pioneiro na dança enlaçada. Para o século XVIII vienense, houve algo perturbador nessa introdução de posições mais eroticamente sugestivas na dança, e na medida em que a valsa se espalha e ganha popularidade na Europa ela enfrenta reações não muito diferentes das que provocariam o maxixe e o rock’n’roll um e dois séculos depois. No momento de sua introdução na Inglaterra, em julho de 1816, num baile oferecido pelo príncipe regente, um editorial do The Times ainda afirmaria:

Notamos com dor que a dança estrangeira indecente chamada valsa foi introduzida (acreditamos que pela primeira vez) na corte inglesa na última sexta-feira . . . Basta lançar os olhos no voluptuoso entrelaçamento de membros e compressão fechada dos corpos em sua dança para ver que ela certamente está bem distante da reserva modesta que até hoje tem sido considerada distintiva das mulheres inglesas. Enquanto essa exibição obscena estava confinada a prostitutas e adúlteras, não a julgamos digna de nota; mas agora que se tenta forçá-la nas classes respeitáveis da sociedade pelos exemplos civis de seus superiores, sentimos que é um dever alertar todos os pais contra a exposição de suas filhas a contágio tão fatal. (tradução minha; original aqui).

Tal como voltaria a acontecer incontáveis vezes com outros gêneros musicais, é à pureza da mulher que os moralismos de plantão recorrem como tesouro a ser preservado ante a chegada da dança bárbara. Isso implica, naturalmente, que é na verdade um prazer feminino anunciado na dança que está sendo censurado, mesmo na chegada de um gênero depois percebido como inocente e bem-comportado, como é o caso da valsa.

Depois da interrupção de 1830, o reinício da ópera no Rio acontece em 1845 e concide com a introdução da polca, que teria um impacto significativo na história da música brasileira.

polka.jpg Interpretada pela primeira vez no Rio em 3 de julho de 1845, no Teatro São Pedro, pelas duplas de atores Felipe e Carolina Cotton e Da Vecchi e Farina , a polca se espalharia pelos salões do país numa febre incrível. Já em 1846 se constituía uma Sociedade Constante Polca na corte carioca. Ao longo das décadas seguintes ela substituiria a valsa nas preferências da elite do Rio.
Segundo José Ramos Tinhorão, o 2/4 em allegreto da polca, com seus movimentos saltitantes, deu vazão a uma sensibilidade social da época – de euforia pela estabilidade política e prosperidade econômica – que era inalcançável pelo movimento mais cadenciado da valsa. Claro que a valsa não deixa de ser cultivada no Brasil: ela viria a ter, depois, papel destacado na obra no maior compositor popular da história do país.

Esse processo em que a polca desafia a hegemonia da valsa ocorre entre as décadas de 1840 e 1860. Enquanto a ópera entrava numa fase em que se transformara em pura cultura de ostentação, a polca consolidava sua hegemonia não só entre as elites, mas também entre amplos setores das classes populares. Ao contrário da valsa, a polca abriria uma linha de comunicação direta com a música popular: é na execução “chorada” e “sincopada” das polcas introduzidas vinte anos antes que os “grupos de chorões” começariam a elaborar a linguagem musical brasileira por excelência, o choro, a partir da década de 1860.

A passagem ao ritmo binário da polca representou, assim, a chegada de um padrão rítmico mais apto a conversar com a poliritmia afro-brasileira que naquele momento já se fazia ouvir em senzalas, quintais e ruas. Essa “conversa” tem um nome no Brasil: maxixe. Na definição lapidar de José Miguel Wisnik, aquela transição é um momento em que “o termo ‘maxixe’ vem comendo pelas bordas, e as síncopas, os efeitos rítmicos contramétricos e balançantes, vão se imiscuindo, decantando e se fixando por dentro da própria música.”

O gênero não é uma rígida forma que surja no país e se estabeleça numa data determinada (como os gêneros importados, a valsa em 1808 e a polca em 1845) nem tampouco um padrão rítmico determinado cujo nome seja contemporâneo ao fenômeno (como seria depois o caso do samba, constituído enquanto tal entre, aproximadamente, 1910 e 1933 e nomeado em 1916 numa famosa gravação). No caso do maxixe há um grande descompasso histórico entre o fenômeno e sua nomeação, em virtude da censura e repressão que sofre a própria palavra, o nome mesmo do gênero. No final dos anos 1870 o termo maxixe ainda é tabu no Rio de Janeiro. Evocando um corpo popular, negro e mulato, o maxixe opera, durante um par de décadas, também como repertório de movimentos corporais proibidos e subversivos. Para nomear suas composições maxixadas, Ernesto Nazareth escolheu o termo "tango", depois 'tango brasileiro' e que, é bom lembrar, nada tem a ver com o argentino.

O maxixe é um daqueles casos singulares em que a dança gera o gênero. José Ramos Tinhorão notou:

Foi, pois, o estilo de tal forma malandra e exagerada de dançar o ritmo quebrado da polca-tango que acabaria por fazer surgir o maxixe como gênero musical autônomo, ao estruturar-se pelos fins do século XIX sua forma básica: a exageração dos baixos – inclusive pelos instrumentos de tessitura grave das bandas – conforme o acompanhamento normalmente já cheio de descaídas dos músicos de choro.

O que se nomeia aqui como ‘polca-tango’ também foi chamado ‘polca-lundu’, ‘polca-chula’, ‘polca-cateretê’, além de ‘polca brasileira’. Esses rótulos designam no fundo o mesmo fenômeno, a forma de tocar a polca européia que se desenvolvia no Brasil, na qual se deixava ouvir nitidamente o registro de sensibilidades musicais afro-atlânticas ou americano-mestiças já de longa história aqui.


choro2.gif Esse é o momento em que se consolida o estilo de tocar dos chorões, na base de um solo acompanhado de contracanto e modulações. Tinhorão assinala que a música dos chorões traz um nítido legado do que se chamara nos fins do século XVIII e início do século XIX de música de senzala. Toma-se a polca européia e alonga-se a frase musical, introduzindo-lhe modulações que ela até então não conhecia. O uso do contracanto dá aos vocais uma estrutura responsorial, marca das práticas musicais afro-atlânticas (a famosa "chamada e resposta"). Começa a se constituir ali uma música mestiça urbana que traz um traço marcante das músicas africanas subsaarianas: a interpolação de agrupamentos binários e ternários, ou seja, a utilização de compassos que misturam agrupamentos de duas e de três pulsações. Como explica Mieczyslaw Kolinski, resenhando o clássico Studies in African Music, de A. M. Jones:

Nossa teoria musical clássica prevê dois tipos de compasso, os simples e os compostos. Nos compassos simples, as unidades de tempo são binárias. Por exemplo, nos compassos 2/4, 3/4 e 4/4, as unidades de tempo são as semimínimas, que, dividindo-se sempre por dois, serão equivalentes a duas colcheias ou quatro semicolcheias etc. (Os casos em que semimínimas são divididas de modo ternário constituem exceções à regra, são chamados de “quiálteras” e exigem sinalização especial.) Por outro lado, nos compassos compostos, como o 6/8 ou o 9/8, a unidades de tempo são ternárias e são representadas por semimínimas pontuadas (divididas portanto em três colcheias). Mas o fato é que não há compassos que misturem de modo sistemático agrupamentos de duas e três pulsações, como semimínimas e semimínimas porntuadas. É precisamente essa mistura que vai desempenhar um papel muito importante nas músicas da Africa subsaariana.

Essa caracteristica, que começa a penetrar, “invadir” os espaços considerados eruditos no Brasil no século XIX, receberia um nome: síncope, que já Mário de Andrade identificava como traço que “percorre com constância formidável toda a música americana” e que, notava o folclorista e escritor modernista, “é tida em geral como provinda da Africa”. A síncope, conceito naturalizado no discurso acadêmico e também na fala do leigo como algo “africano”, nada mais é que a forma encontrada para se fazer o registro dessa contrametricidade própria das músicas africanas subsaarianas nos cânones escriturais herdados da música erudita européia e já em voga na prática das elites do Brasil. Explica aí, Sandroni:

tal sistema [a notação em partitura] não prevê . . . a interpolação de agrupamentos binários e ternários. O resultado é que ritmos desse tipo apareceram nas partituras como deslocados, anormais, irregulares (exigindo, para sua correta execução, o recurso gráfico da ligadura e o recurso analítico da contagem) – em uma palavra, como síncopes.

Por isso, seria menos correto dizer “a síncope é uma ‘característica’ africana herdada pela música brasileira” que dizer que a síncope é a notação gráfica do susto da partitura européia ao ter que representar a mistura sistemática de agrupamentos de duas e de três pulsações, uma alternância que ela não conhecia e não estava preparada para registrar.

Produto de uma sincopagem mulata a que se submeteu a polca, o maxixe se dissemina fortalecido pela novidade da dança que permitia o entrelaçamento dos corpos, favorecido pelo contato com os lundus dançados com umbigadas por mestiços e brancos, e nutrindo-se do entusiasmo pelo baile gerado a partir da própria polca. Tinhorão indica que "o próprio nome de maxixe que a dança tomara pela década de 1870 era usado ao tempo para tudo quanto fosse coisa julgada de última categoria”. Seria necessário realizar todo um trabalho de pesquisa para dimensionar o que foi a censura ao nome no caso desse gênero. Requebrado, indecente, lascivo: a constelação de adjetivos que acompanha o termo maxixe na segunda metade do século XIX dá idéia do seu papel como repositório de práticas populares eróticas que cumpriam naquele momento uma inegável função democratizadora.

O fantasma inaceitável para a elite da época era, sem dúvida, a referência implícita ao corpo negro e mulato ocupando o lugar de sujeito de uma performance pública. Partindo dos bailes do Paraíso, onde se reuniam o baixo meretrício e a capadoçagem do tempo até chegar aos bailes de carnaval, o maxixe vai pouco a pouco conquistando as camadas mais altas da sociedade.

maxixe.JPG Na década de 1870 o maxixe inicia essa trajetória rumo à aceitação pelas elites. A incorporação do gênero ao teatro de revista se dá com Arthur Azevedo, na revista Cocota, no Teatro Santana em 6 de março de 1885. Em 1883 o maxixe era representado no teatro pela primeira vez para um público de classe alta, pelo ator Francisco Correia Vasques, enquanto se disseminava também como prática cotidiana das classes populares. A partir do tango As Laranjas da Sabina, de Arthur Azevedo, na peça República de 1890, o maxixe iniciaria uma longa carreira de pelo menos 40 anos nos palcos. Na década de 1890 há registros da disseminação do gênero por outras cidades brasileiras. Em 1899 o Jornal de Notícias de Salvador faz referência a um baile em que “um casal dançava tão bem o maxixe que foram brindados com cerveja gelada”. O gênero chegaria à Europa em 1905, através do famoso bailarino Duque; seu auge no Brasil terminaria com a chegada da febre dos fox-trot e charleston por volta de 1918.

PS 1: Há outras danças no Rio do século XIX, obviamente. A mazurca, a habanera e o schottish são três exemplos. Outro dia falo deles.

PS 2: Eu andei contribuindo com a Wikipedia nos verbetes valsa e Clube Atlético Mineiro (ah, que ironia). Alguém aí contribui também?



  Escrito por Idelber às 03:02 | link para este post | Comentários (25)



domingo, 18 de dezembro 2005

Agentes federais investigam estudante nos EUA por causa de livro de biblioteca

Um estudante de quarto ano de faculdade na Universidade de Massachusetts recebeu a visita de agentes federais há dois meses, depois de ele ter pedido [por empréstimo inter-bibliotecas] um exemplar do tomo de Ma-Tsé-Tung sobre o comunismo, intitulado O livro vermelho.

[...]

O aluno, que estava completando um trabalho de pesquisa sobre o comunismo para um curso do Professor [Robert] Pontbriand sobre fascismo e totalitarismo, preencheu um formulário do pedido deixando seu nome, endereço, telefone e número de registro no seguro social. Ele seria depois visitado na casa de seus pais em New Bedford por dois agentes do Department of Homeland Security.

O aluno disse aos Profs. Pontbriand e [Brian Glyn] Williams que os agentes lhe disseram que o livro estava numa "lista vigiada" e que a sua história de vida, que incluía um tempo significativo no exterior, os havia levado a investigar mais. "Eles trouxeram o livro consigo mas não o deixaram com o estudante", disseram os professores.

Apesar de que o Standard Times sabe o nome do aluno, ele não se mostrou, porque teme repercussões no caso de seu nome tornar-se público.

É espantosa a regularidade com que esse tipo de coisa vem acontecendo nos Estados Unidos.


Atualização, dia 24/12: Apesar de que a história relatada pelos professores ao jornalista e por este ao público era verdadeira, revelou-se depois que estes haviam sido enganados pelo garoto (link via Ned Sublette). Que um garoto possa enganar tanta gente durante tantos dias com uma história assim (link via Alex Castro), claro, é um testemunho do estado de incerteza que se vive nos EUA sobre as táticas de vigilância do governo. Mas fica registrada a correção dessa história em particular.



  Escrito por Idelber às 05:34 | link para este post | Comentários (35)



quinta-feira, 15 de dezembro 2005

Links e aniversários

Belo Horizonte 03-.JPG
Dia 12 de dezembro foi o aniversário de Belo Horizonte. Morram de inveja, Rio, Sampa, Recife e Salvador: em Minas todos os fantasmas do passado ficaram no interior. BH, passando pelo melhor momento de sua história, é uma adolescente de 108 anos, sem celulite. A comemoração foi em grande estilo, com Nação Zumbi na Praça da Estação Ferroviária. O maracatu daquele pessoal, minha gente, deveras pesa uma tonelada. Celebrar o aniversário de BH ao som das alfaias pernambucanas foi tudo de bom. Obrigado, Nação.

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E por falar em Minas, o blog do conterrâneo e grande atleticano Tristão, o Sarapalha, é o nota 10 do Gravatá esta semana. Parabéns. Linkado no Biscoito desde sempre.

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E por falar em Nordeste, veio do meu amigo Ismael Grillo a sugestão do petardo musical mais interessante dos últimos tempos: os paraibanos do Cabruêra, que eletrificam cocos e cirandas, usam as violas e violões do jeito mais incrível, trazem a marca da melhor música de cordas nordestina (a influência ibérico-medieval), misturam uma percussão irresistível. São de Campina Grande. Pelo jeito, circularam até mais lá fora do que aqui, dado o número de sites em inglês sobre eles.

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E por falar em Nordeste e em aniversários, 13 de dezembro foi o aniversário de nascimento de Luiz Gonzaga e dia nacional do forró. Salve, salve. (Via BMTH).

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Quando surgiu o interessantíssimo projeto de enciclopédia cooperativa online, a Wikipedia, muitas vozes - de pessoas muito inteligentes - saudaram o projeto como uma revolução. À luz de eventos recentes na Wiki, Pedro Dória dá uma relativizada no assunto.

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A mais importante revista alemã, a Der Spiegel (não, ela não se parece com a Veja, não) dedicou sua reportagem de capa desta semana às práticas de tortura e prisões clandestinas dos EUA e de seus serviços de inteligência fora do território do país. Se você não lê alemão, mas tem acesso ao UOL, pode ler a reportagem em português aqui.

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Nesta quarta-feira, publicou-se entrevista sobre a antropofagia na Folha com meu colega de Tulane (e brother) Christopher Dunn. De novo restrito aos uólicos, o link é este.

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No recente caso de irrupção de violência racial contra os jovens de ascendência árabe na Austrália, os blogs de novo mandaram muito bem na cobertura.

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Estão hilárias as aventuras gastronômicas do Sergio Leo com o Clóvis Rossi (via Lucia Malla). Ao Clóvis Rossi eu ainda devo um jantar, pois apostei com ele que Kerry ganharia de Bush no estado de Ohio. Terei que pagar na próxima viagem a São Paulo. Eu e meu otimismo esquerdista.

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É muito engraçado quando te citam numa língua da qual você não entende bulhufas. Terei que perguntar à Anna Bárbara que raios estão dizendo lá naquele treco que, pelo que suspeito, é húngaro.

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Por falar em línguas, o Decálogo dos Direitos do Blogueiros, cá deste blog, foi traduzido ao inglês, vejam só. Está boa a tradução. Obrigado.

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Uma forma linda de falar de políticas e de políticos, que eu adoro, é essa que tem a Marina W, como nesse post de 13/12.

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O excelente livro de contos do Blog de Papel já esgotou a primeira tiragem. Iuhuuu!! Parabéns aos 14 autores. O meu microscópico prefácio ao livro está disponível online. Já encomendou?

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Belíssima citação do dia lá no Quotations Page: my idea of an agreeable person is a person who agrees with me.

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Flávio Prada estreou sua nova casa na Verbeat, que vai consolidando seus planos de dominação do mundo. No futuro não haverá direita nem esquerda. Todos serão Verbeat.

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Atualização: Eu não quero nem imaginar o que foi dito nas conversas delas, mas 7 blogueiras se juntaram para fazer esse site, e eu topei mandar fotinha. É um presente-brincadeirinha para a mulherada aí no fim de ano. Gostei, claro.



  Escrito por Idelber às 01:30 | link para este post | Comentários (30)



segunda-feira, 12 de dezembro 2005

Perfil do direitista tupiniquim, em dez traços

10. Ao contrário dos direitistas gringos, europeus ou mesmo mexicanos – virulentamente patrióticos ao ponto da xenofobia – o direitista brasileiro odeia o Brasil. É curioso, porque nenhuma direita traz tantas marcas do seu lugar de origem como a brasileira. Até quando fala de Chesterton.

9. O direitista brazuca sofre de profunda nostalgia. Entende-se: ele um dia teve Carlos Lacerda e Paulo Francis. Hoje deve contentar-se com Diogo Mainardi e outros funcionários da Veja. Ou seja, já completa uma geração em total orfandade de gurus. Andam tão carentes que seu mais novo mestre é um auto-intitulado "filósofo" de cujo trabalho nenhum profissional de filosofia jamais ouviu falar.

8. Os direitistas tupiniquins em geral se dividem em dois grupos: os raivosos e os blasé. Aqueles vociferam em blogs, lançam insultos, ordenam que os adversários se mudem para Cuba. Reagem histericamente à própria infelicidade. Os blasé, em busca de uma elegância copiada de algum filme gringo, intercalam em suas frases expressões inglesas já completamente fora de uso. Reagem esquizofrenicamente à sua infelicidade, à sua incapacidade de reconciliarem-se com o que são.

7. O direitismo brasileiro costuma ser um grande clube do Bolinha. Tem verdadeiro pânico das mulheres, especialmente das mulheres fortes, seguras, profissionalmente bem-sucedidas. Estas últimas costumam ter o poder de fazer até mesmo do blasé um raivoso.

6. O direitista tupiniquim adora lamber as botas de Bush. Numa época em que até vozes do conservadorismo tradicional norte-americano reconhecem o caráter da mentirada (link via Smart) sobre a qual se sustenta Bush, o direitista daqui ainda defende o genocídio praticado pelos EUA no Iraque.

5. Por alguma razão, o direitista brasileiro sente-se profundamente incomodado com o cinema iraniano. Talvez, se a história do menino que perdeu um sapato fosse contada em inglês, com um orçamento milionário, dois personagens maniqueistamente representando o bem e o mal, algumas explosões e um final bem moralista, o direitista tupiniquim o saudaria como uma pérola.

4. O direitista brazuca adora declarar-se “liberal”. Sonha com o capitalismo preconizado por Adam Smith, quem sabe nalguma ilha onde ainda exista “livre competição pelo mercado”. Afinal de contas, no capitalismo realmente existente o que vemos são quatro megaconglomerados controlando toda a indústria musical do mundo, ricos impondo barreiras e tarifas aos produtos dos pobres, oligopólios praticando dumping, guerras de rapinha para saquear petróleo dos outros. Ao ser confrontado com esses fatos, o máximo que o direitista aceitará é que no “verdadeiro” liberalismo essas coisas deverão ser “corrigidas”. Talvez no dia em que o direitista consiga impor seu modelo de capitalismo à ilha de Robinson Crusoé.

3. O direitista tupiniquim tem pânico de discutir questões relacionadas a raça e etnia. Quando aflora qualquer conversa sobre a discriminação racial ou sobre o lugar subordinado do negro na sociedade, ele raivosamente acusa os interlocutores de estarem acusando-o de racista. Para essa “vestida de carapuça” Freud inventou um nome: denegação. É a atitude preferida do direitista quando o tema é relações raciais.

2. O direitista tem verdadeiro ódio da MPB. Vocifera, por exemplo, contra o silêncio de Chico Buarque sobre o caixa dois do PT, ao mesmo tempo em que idolatra pop stars americanos que silenciam sobre o genocídio no Iraque. Faz sentido: as áreas nas quais, em quantidade e em qualidade, o Brasil tem a mais respeitável produção do mundo desmentem a ficção auto-depreciatória com que o direitista tupiniquim transfere para o país o seu incômodo consigo mesmo.

1. O direitista brasileiro louva e idolatra o mercado, mas curiosamente pouquíssimos espécimens dessa turma se estabeleceram no mercado com o próprio trabalho. É mais comum que herdem um negócio do pai, recebam via jabaculê o emprego que terão pelo resto da vida ou, mais comum ainda, que concluam a quarta década de vida morando com a mãe e tomando toddyinho.



  Escrito por Idelber às 04:37 | link para este post | Comentários (220)



segunda-feira, 05 de dezembro 2005

Rumo a Juiz de Fora

O blog bateu o record de dias sem atualização e pode ser que o bata de novo em dezembro. Tendo que produzir academicamente num ritmo e quantidade não conhecidas há uns dois anos, meio enferrujado pelas férias e sabático e ainda por cima longe da minha biblioteca, não me tem sobrado tempo para escrever aqui. Aos que chegam agora, sugiro visitas aos arquivos sobre política, futebol, música, literatura e New Orleans.

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Palestra em Juiz de Fora:

Se você está nas redondezas de Juiz de Fora, está convidado a uma palestra minha sobre o "Multiculturalismo na América do Norte", nesta quarta-feira, dia 7, às 14h, no anfiteatro do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Quem me convida, gentilmente, é o Programa de Pós-Graduação em Letras da UFJF. Meu muito obrigado de antemão à Prof. Maria Clara Castellões de Oliveira e ao Prof. e amigo querido Evando Nascimento.

Por "multiculturalismo" entende-se uma série de práticas e discursos relacionados à "inclusão da diversidade racial e étnica" em várias instituições (educacionais, culturais, etc.) norte-americanas, entre os anos 60 e o presente. Essas práticas de inclusão tiveram seus grandes méritos e seus limites também. A idéia é desentranhar alguns deles com os amigos de Juiz de Fora.

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Se você se interessa pelos debates que ocorrem nos EUA sobre ensino de ciência nas escolas, vale a pena conferir a discussão com um dos defensores do furadíssimo "Intelligent Design" (disfarce pseudo-científico do criacionismo) no blog de Michael Bérube, aqui e depois aqui. Um blog que faz uma periódica desmontagem da falácia do "Intelligent Design" é o Pharyngula.

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Caso alguém aí não tenha visto ainda: dois dos discos brasileiros mais importantes das últimas décadas foram reeditados.

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Saudemos a recuperação do amigo blogueiro Bruno Viking Freitas, que acaba de ser operado para a remoção de um tumor. Foi um susto danado, mas parece que deu tudo bem! Our thoughts are with you, bro.

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Um aforismo sobre o Brasil de 2005:

A falta de graça que pairou sobre a comemoração do título corinthiano tem algo a ver com a falta de graça que pairou sobre a comemoração tucano-pefelê da cassação de José Dirceu. O ligeiro embaraço com que se fizeram ambas celebrações diz algo sobre o que foi 2005 no Brasil.



  Escrito por Idelber às 21:30 | link para este post | Comentários (14)