« Perfil do direitista tupiniquim, em dez traços ::
Pag. Principal
:: Agentes federais investigam estudante nos EUA por causa de livro de biblioteca »
quinta-feira, 15 de dezembro 2005
Links e aniversários
Dia 12 de dezembro foi o aniversário de Belo Horizonte. Morram de inveja, Rio, Sampa, Recife e Salvador: em Minas todos os fantasmas do passado ficaram no interior. BH, passando pelo melhor momento de sua história, é uma adolescente de 108 anos, sem celulite. A comemoração foi em grande estilo, com Nação Zumbi na Praça da Estação Ferroviária. O maracatu daquele pessoal, minha gente, deveras pesa uma tonelada. Celebrar o aniversário de BH ao som das alfaias pernambucanas foi tudo de bom. Obrigado, Nação.
******************
E por falar em Minas, o blog do conterrâneo e grande atleticano Tristão, o Sarapalha, é o nota 10 do Gravatá esta semana. Parabéns. Linkado no Biscoito desde sempre.
******************
E por falar em Nordeste, veio do meu amigo Ismael Grillo a sugestão do petardo musical mais interessante dos últimos tempos: os paraibanos do Cabruêra, que eletrificam cocos e cirandas, usam as violas e violões do jeito mais incrível, trazem a marca da melhor música de cordas nordestina (a influência ibérico-medieval), misturam uma percussão irresistível. São de Campina Grande. Pelo jeito, circularam até mais lá fora do que aqui, dado o número de sites em inglês sobre eles.
**************
E por falar em Nordeste e em aniversários, 13 de dezembro foi o aniversário de nascimento de Luiz Gonzaga e dia nacional do forró. Salve, salve. (Via BMTH).
**************
Quando surgiu o interessantíssimo projeto de enciclopédia cooperativa online, a Wikipedia, muitas vozes - de pessoas muito inteligentes - saudaram o projeto como uma revolução. À luz de eventos recentes na Wiki, Pedro Dória dá uma relativizada no assunto.
*************

A mais importante revista alemã, a Der Spiegel (não, ela não se parece com a Veja, não) dedicou sua reportagem de capa desta semana às práticas de tortura e prisões clandestinas dos EUA e de seus serviços de inteligência fora do território do país. Se você não lê alemão, mas tem acesso ao UOL, pode ler a reportagem em português aqui.
****************
Nesta quarta-feira, publicou-se entrevista sobre a antropofagia na Folha com meu colega de Tulane (e brother) Christopher Dunn. De novo restrito aos uólicos, o link é este.
***************
No recente caso de irrupção de violência racial contra os jovens de ascendência árabe na Austrália, os blogs de novo mandaram muito bem na cobertura.
****************
Estão hilárias as aventuras gastronômicas do Sergio Leo com o Clóvis Rossi (via Lucia Malla). Ao Clóvis Rossi eu ainda devo um jantar, pois apostei com ele que Kerry ganharia de Bush no estado de Ohio. Terei que pagar na próxima viagem a São Paulo. Eu e meu otimismo esquerdista.
*************
É muito engraçado quando te citam numa língua da qual você não entende bulhufas. Terei que perguntar à Anna Bárbara que raios estão dizendo lá naquele treco que, pelo que suspeito, é húngaro.
************
Por falar em línguas, o Decálogo dos Direitos do Blogueiros, cá deste blog, foi traduzido ao inglês, vejam só. Está boa a tradução. Obrigado.
************
Uma forma linda de falar de políticas e de políticos, que eu adoro, é essa que tem a Marina W, como nesse post de 13/12.
************
O excelente livro de contos do Blog de Papel já esgotou a primeira tiragem. Iuhuuu!! Parabéns aos 14 autores. O meu microscópico prefácio ao livro está disponível online. Já encomendou?
*****************
Belíssima citação do dia lá no Quotations Page: my idea of an agreeable person is a person who agrees with me.
************
Flávio Prada estreou sua nova casa na Verbeat, que vai consolidando seus planos de dominação do mundo. No futuro não haverá direita nem esquerda. Todos serão Verbeat.
***********
Atualização: Eu não quero nem imaginar o que foi dito nas conversas delas, mas 7 blogueiras se juntaram para fazer esse site, e eu topei mandar fotinha. É um presente-brincadeirinha para a mulherada aí no fim de ano. Gostei, claro.
Escrito por Idelber às 01:30 | link para este post
| Comentários (30)
#1
Aqui segue a entrevista do Dunn...(Idelber, espero que não tenha problema...)
Antropofagia devora a atualidade no EIA!
CARLOS CALADO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Intelectuais de vários países reúnem-se, em São Paulo, para discutir o legado e a atualidade da antropofagia de Oswald de Andrade. Em 1928, no "Manifesto Antropófago", o escritor modernista propôs que a cultura brasileira se renovasse a partir da assimilação crítica de idéias e modelos estrangeiros.
Dirigido e concebido pelo diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, o EIA! (Encontro Internacional de Antropofagia) acontece de hoje a sábado, no Sesc Pompéia. A programação inclui palestras, debates, shows, leituras teatrais e uma instalação do artista plástico Aguilar.
Em entrevista à Folha, o norte-americano Christopher Dunn -professor da Tulane University de Nova Orleans e autor do livro "Brutality Garden: Tropicália and the Emergence of a Brazilian Counterculture"- antecipa aspectos da palestra que fará na sexta-feira. E defende a validade da antropofagia na violenta era Bush. Leia a seguir.
Folha - Como seus alunos encaram o conceito da antropofagia?
Christopher Dunn - A metáfora da antropofagia é plurivalente, com múltiplos significados. A noção mais básica se refere ao procedimento de deglutir ou apropriar-se criticamente de produtos culturais ou idéias do outro, do estrangeiro dos centros metropolitanos, para então criar algo novo com a marca da singularidade de sua cultura. É um procedimento que rejeita a imitação, por um lado, e a rejeição xenófoba, por outro. Em geral, os estudantes norte-americanos ficam entusiasmados com esse conceito e suas possíveis aplicações no contexto local.
Folha - A antropofagia ainda é tão válida quanto era no final dos anos 20?
Dunn - Acho que a antropofagia continua a ser um conceito atual para artistas que lidam com questões da diferença, mistura de linguagens, intertextualidade e multiculturalismo. Estamos vivendo um momento terrível, com a ascensão do neoimperialismo criminoso dos Estados Unidos e o crescimento de fundamentalismos religiosos, que Oswald de Andrade teria chamado de "baixa antropofagia". Essa precisa ser enfrentada com a antropofagia generosa e utopia de Oswald.
Folha - Como se daria esse enfrentamento?
Dunn - Se aceitamos que a antropofagia é uma estratégia e práxis anticolonialista e antiimperialista, temos que atualizar suas lições para os dias atuais. Não estou sugerindo que a antropofagia seja a salvação, mas não deixa de ser uma metáfora sugestiva para lidar com as formas de "catequese" explícitas no projeto imperialista norte-americano, que hoje procura, cinicamente, "levar a democracia" ao Oriente Médio.
Folha - Você poderia fazer uma sinopse de sua palestra no encontro?
Dunn - Minha apresentação trata do conceito da antropofagia no modernismo brasileiro e como ele foi articulado por Oswald em relação a outras correntes que também elegeram o índio como figura representativa. Depois explico como e porque essa metáfora surgiu de novo como conceito organizador de vários projetos artísticos ligados ao momento tropicalista, nos anos 60.
Finalmente, vou falar sobre a antropofagia no contexto da globalização, refletindo sobre o conceito de "arrastão" desenvolvido pelo tropicalista Tom Zé para articular uma prática e uma ética enquanto músico brasileiro contemporâneo.
Folha - Você acha que Tom Zé recriou a antropofagia?
Dunn - Em vez do antropófago, do índio canibal, Tom Zé propõe a figura do andróide, o trabalhador analfabeto, terrivelmente explorado como mão-de-obra barata e descartável. Para Tom Zé, esses andróides podem ter "defeitos de fabricação" que possibilitam a resistência por meio de atos subversivos de criar, pensar, dançar e sonhar, enquanto fazem "arrastão" no legado cultural do qual são excluídos. Acho muito interessante essa metáfora, porque ela sugere explicitamente a posição social da figura subalterna, que a metáfora do antropófago tende a ocultar.
José Amaro em dezembro 15, 2005 4:21 AM
#2
Bom se sentir bem na própria cidade. Que Belo Horizonte prospere.
Que sorte você tem Idelber! Não sei dizer se a cidade do Rio de Janeiro tinha fantasmas no passado. Mas sem dúvida os fantasmas do estado do Rio vieram morar na capital. Logo no Rio, que ironia! A cidade que não queria ser capital de latifúndio algum, apenas de si mesma, apenas da ALEGRIA.
Mas já faz algum tempo convivemos com fantasmas: locais, estaduais (na verdade estaduais por empréstimo) e até interestaduais. Creio que se houvesse um novo pacto federativo, o que o Rio demandaria ao país poderia se resumir a: praia limpa, 4 clubes com direito a jogar no brasileiro SEMPRE, tempo bom a maioria do ano, chope gelado e guardar os dias de festa! Quanto as balas perdidas e outras mazelas que nos cercam, podemos tratar nós mesmos destas desgraças, embora envolvam perdas.
Ao latifúndio fluminense (e suas refinarias de petróleo) poderia ser dado outro caminho, incluindo a escolha de uma nova capital.
Não nego Idelber, hoje morro de inveja de uma cidade como a sua. Que BH traga a inspiração e acolhimento para todos! E feliz aniversário.
Paulo Zobaran em dezembro 15, 2005 7:37 AM
#3
Nada garante mais o crescimento de uma cidade/empresa/carreira do que o planejamento bem realizado.
Parabéns BH.
Manager em dezembro 15, 2005 8:09 AM
marcos em dezembro 15, 2005 8:21 AM
#5
Idelber, rapaz, obrigado pela citação. Não precisava, eu estava só...ok. Obrigado. Um abraço.
Flavio Prada em dezembro 15, 2005 10:05 AM
#6
marcos, o artigo da Nature é muito bom. Obrigado. Não há dúvida que o projeto da Wikipedia é maravilhoso, mas o Pedro Dória só está dizendo que as informações têm que ser checadas numa segunda fonte.
Idelber em dezembro 15, 2005 11:57 AM
#7
Fiu fiu fiu fiu !!!!!!
Mulé Mistério em dezembro 15, 2005 12:12 PM
#8
Idelber, adorei cada "retalho" dessa "colcha" de hoje, mas só vim comentar pra pedir a você que, assim que conseguir a tradução daquela citação em húngaro (também acho que é hungaro, mas é só chute) que poste pelo menos um pedacinho, pra gente saber o que é! É que a curiosidade matou o gato (e a mim também, hahaha).
Bjs
Monix em dezembro 15, 2005 12:36 PM
#9
Idelber, foi de brincadeirinha mas foi de verdade. Parabéns, Top Sexy!!!
hehehehehehe
Daniela em dezembro 15, 2005 4:25 PM
#10
Oi Idelber:
só passei pra te mandar um link (já q se trata disso no seu post):
http://bondedahistoria.blog-se.com.br/
acho esse cara bastante bom nas análises, apesar das recaídas aqui e ali.
abs,
PS: aquela história toda de direita x esquerda conseguiu me embrulhar o estômago várias vezes, por conta da histeria e da superficialidade (tanto de um lado qto do outro do argumento). Vai ver, essas são características do debate pela internet, sei lá...
dra em dezembro 15, 2005 4:46 PM
#11
idelber, meu caro, espero que você entenda... o que eu (penso que) sei, absorvo dos blogs que freqüento. entrei aqui e li seu post, adorei (e continuo adorando), fui até o LLL e vi lá uma argumentação que me pareceu coerente sobre esse seu post ter relação com o post do alex, aquele. achei por bem me retratar. mas unicamente porque me senti mal: tendo incorrido no erro do impensado julgamento de outras posições diferentes das minhas. foi uma justificativa pra mim, um pedido de desculpas ao alex - a quem, indiretamente, dediquei o meu post - e uma afirmação de que, apesar disso, continuava achando seu post muito bom.
espero não ter te ofendido ou coisa assim...
aquele abraço.
Thiago em dezembro 15, 2005 5:18 PM
#12
Ofensa nenhuma, Thiago, de jeito nenhum. Eu só quis deixar claro para o Alex que, por outro lado, em nenhum momento ele foi ofendido aqui, eu não permitiria. É o que eu disse no blog dele. Agora, quem levanta questões polêmicas tem que estar preparado para o rojão. Essa metáfora do "linchamento" foi de uma bobagem sem limites; quando a arena são blogs, espaços a priori abertos, mas onde cada um impõe ao seu as regras que quer, simplesmente não se aplica essa história de "linchamento". É como se eu fizesse o post que fiz e depois saísse por aí chorando por causa dos comentários que criticavam. Seria hipócrita, né? Abraços,
Idelber em dezembro 15, 2005 5:32 PM
#13
dra, excelente link. Gostei muito! Muito lúcida, a análise.
Monix, prometo sim ;) Deve ser alguma coisa sobre política, já que linka um texto meu sobre o governo. Achei curioso . . .
Idelber em dezembro 15, 2005 5:36 PM
#14
Ah, fala a verdade: tudo que você queria nessa vida era saber o que foi dito nas conversas do júri, nénão? Bom, nosotras já declaramos nossa preferência lá em casa!
Helena Costa em dezembro 15, 2005 7:48 PM
#15
Idelber e amigos.
O autor do Bonde da História é bom mas confundiu os efeitos financeiros de determinadas ações da Fazenda (por exemplo o pagamento antecipado), com uma Política Econômica.
O governo, através de seus vários representantes, na verdade não se esforçou em fazer a diferença entre uma coisa e outra.
O efeito que Palocci indica é financeiro, mas ele - nas entrelinhas - deixa escapar como se fosse econômico. O comportamento da Bolsa brasileira é inócuo (tanto + como -). O índice Risco-País não fez mais do que evoluir conforme os dados disponíveis.
Quanto ao futuro? Não custa torcer.
Paulo Zobaran em dezembro 15, 2005 8:14 PM
#16
Grande Idelber,
Tu e o Flávio Prada estão em alta...
Parabéns
abraço
Marcelo em dezembro 15, 2005 9:16 PM
#17
E que presente de final de ano ! Nunca vi tanta fofoca, zunzum e diversão. É claro que tem meia dúzia de reclamões e reclamonas, mas fazer o que né...A mulherada enlouqueceu de verdade :-) e da musiquenha gostaste ? :-) Beijocas.
Mulé Mistério em dezembro 16, 2005 12:57 AM
#18
Adorei a musiquinha ;)
Idelber em dezembro 16, 2005 1:49 AM
#19
Paulo Zobaran:
já q fui eu q indiquei o link do Bonde da História, acho q cabe fazer algum comentário ao seu comentário.
pra te ser sincero, eu não sou grande entendedor de economia, e confesso q fiquei com uma pulga atrás da orelha com relação a esse último post daquele blog. Tive a impressão q ele não fecha o argumento da melhor maneira, como vc, aliás, já se preocupou em ressaltar.
Em todo caso, o q eu gosto mais lá é qdo o cara trata de política strictu sensu. E, nos meses anteriores, tem tb alguns posts sobre as igrejas evangélicas q estão impagáveis.
é isso.
abs,
dra em dezembro 16, 2005 10:34 AM
#20
Vim aqui pra ver se tinha uma coisinha menos...hum...tímida, e nada
risos
Beijocas e aproveite o fim de semana
Daniela em dezembro 16, 2005 12:53 PM
#21
O o romeu Queiroz??? Quem lembra do Romeu?
Somente a Julieta de certo: -Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu?
Roberto Nou em dezembro 16, 2005 1:07 PM
#22
1. Pois sim, meu caro Top Sexy, nosso livrinho está bem na foto.
2. E digo por experiência própria,a Wikipedia é um perigo, rapaz: perdi bestamente uma aposta por causa dela e
3. não eram as eleições em Ohio.
O que é melhor: ser Top 15 ou estar na primeira divisão? (Sexta-feira, 20h, não provoca, Milton!)
Tchau, um churrasco me espera!
Milton Ribeiro em dezembro 16, 2005 6:59 PM
#23
Idelber, valeu pela citação à Cabruêra. eu adoro aqueles caras, já fui a trocentas apresentações deles. Tomara que incentive a curiosidade de parte dos teus leitores, pq é um som realmente maravilhoso...
i.Grilo em dezembro 17, 2005 12:10 AM
#24
Idelber, eu não posso contar os bastidores do Top 15, mas uma coisa eu te digo! Tinha umas 4 lá ameaçando furar o olho da outra se você não entrasse na lista :o)))
Bjs
Marcia Kawabe em dezembro 17, 2005 3:12 PM
#25
Márcia, ah, eu tinha ficado sabendo de uma só, e gostei ;) Bjs,
Idelber em dezembro 17, 2005 3:57 PM
#26
Pode uma coisa dessas ? :-) Essa Marcia tá me saindo muito assanhada !
Mulé Mistério em dezembro 17, 2005 5:12 PM
#27
Idelber, valeu pela citação! O Sergio Leo tem mesmo se superado a cada post em Hong Kong. :-)
Lucia Malla em dezembro 18, 2005 4:10 AM
#28
Muito obrigado, Idelber. Foi uma surpresa para mim quando vim visitar o seu blog. A gentileza do Gravatá foi duplicada. Muito obrigado. Abraço atleticano.
Tristão em dezembro 18, 2005 2:13 PM
#29
Ah, eu sou mineira também e de família de atleticanos. Mas, juro que nao levei isso em conta na hora da selecao do Top15sexy... ;-)
Beijoes,
Vanessa
Vanessa em dezembro 18, 2005 4:50 PM
#30
Lucia, Tristão : não há de quê. Abraços ;)
Vanessa, obrigado e você, e confesse aí, ser atleticano contou mais um pontinho, não?
Idelber em dezembro 18, 2005 5:28 PM