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terça-feira, 24 de janeiro 2006
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Escrito por Idelber às 22:15 | link para este post
segunda-feira, 16 de janeiro 2006
Fechamento do blog
Este blog está fechado por tempo indeterminado, provavelmente em definitivo. Decidi me concentrar nas obrigações profissionais, que são muitas. Obrigado a todos os que passaram por aqui, leram e comentaram. Tudo de bom para vocês.
Escrito por Idelber às 01:58 | link para este post
sábado, 14 de janeiro 2006
Fotos de New Orleans
Primeira e última leva de fotos de New Orleans que o blog publicará:


mid-city


lakeview


Os códigos nas casas significam: 1) esquerda, a unidade da Guarda Nacional que a vasculhou em busca de corpos (no caso, Nebraska); 2) acima, data da busca; 3) abaixo, número de corpos encontrados (aí no caso, nenhum). Note-se que os habitantes dessa casa provavelmente escaparam (ou tentaram escapar) pelo telhado.


Ironia: na casa destruída, uma placa de protesto contra o número excessivo de conselhos de administração dos diques; atrás, um guarda-roupa que sobreviveu.
Algumas coisas em New Orleans não mudam nunca, e o bom humor é uma delas: entre os muitos adesivos de carros comuns por aqui, havia um que dizia: New Orleans, proud to call it home. Ele acaba de ser substituído por este:

Escrito por Idelber às 22:17 | link para este post
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quinta-feira, 12 de janeiro 2006
Notícias de New Orleans, pós-Katrina
Eu ainda não andei o suficiente pela cidade, portanto o que vai aqui são as primeiras impressões. Primeiro, um mapinha para que vocês entendam a coisa:

Só a área ao longo do Rio Mississippi (de ambos os lados) escapou da destruição. Essa é a área a que está reduzida a vida "normal" da cidade, com energia elétrica, comércio, bancos e todo o demais funcionando com normalidade. Tulane University é essa área branquinha do lado esquerdo do mapa, na região chamada de uptown. Foi atingida, mas não da forma devastadora como as regiões inundadas pela água que vazou do lago. Muita gente duvidou, mas a universidade se reestruturou, eliminou alguns programas de pós-graduação (o nosso, em literaturas e culturas latino-americanas e ibéricas, continua firme e forte), mandou funcionários embora e está pronta para reiniciar atividades na próxima terça - tudo ainda um pouco caótico, mas o simples fato de que já vamos começar as aulas é, em si mesmo, espantoso.
No resto da cidade, a coisa é bem diferente. Toda a área próxima ao imenso lago Pontchartrain foi quase que totalmente destruída. Pouca gente de lá voltou. As pessoas que perderam suas propriedades têm direito a um trailer do governo - o drama é que elas devem estacionar os trailers no seu próprio terreno, o que significa, na maioria dos casos, viver num lugar sem luz, sem comércio, sem vizinhos e com montanhas de detritos em volta. Não surpreende que o que mais se veja hoje na cidade seja gente com trailers sem ter onde estacioná-los. Muita gente ainda não recebeu seus trailers.
Se você traçar uma linha horizontal exatamente na metade do mapa, tudo o que estiver acima dessa linha é hoje cidade-fantasma. Mas o horror mesmo é o que está ao leste da linha vermelha.
Ao leste do Industrial Canal, está o Lower Ninth Ward, berço de uma das culturas musicais mais vibrantes do planeta. O Lower Ninth tem uma peculiaridade: é um bairro de classe pobre, mas basicamente de gente que não paga aluguel - famílias negras que são donas de suas casas há gerações. Dali saíram alguns dos músicos mais brilhantes dessa genial cidade da música. Lá no Lower Ninth ainda há toque de recolher, e tudo é pura devastação. Nada indica que seus moradores poderão voltar algum dia, dada a ferocidade da especulação imobiliária que já se instalou na cidade. O bairro anda mais ou menos assim:


Leste do Lower Ninth estão os bairros de St. Bernard Parish e Chalmette, também berços da grande cultura musical de New Orleans. Também essas áreas estão, basicamente, desaparecidas. Ao nordeste do Industrial Canal está a região chamada de New Orleans East - e também ali pouca coisa sobreviveu.
A população da área urbana de New Orleans antes do furacão era de 500.000 habitantes (1 milhão se considerarmos a "grande" New Orleans, incluindo os subúrbios). Ela está hoje reduzida a pouco mais de um quarto disso, e mesmo assim tudo (bancos, restaurantes, serviços públicos) está mais cheio, dada a tripinha de terra a que foi reduzida a cidade.
Sobre as responsabilidades da criminosa administração Bush nessa tragédia, este blog já disse o que tinha que dizer. A documentação sobre quantas vezes a cidade pediu verbas para a restauração dos diques é extensa. Obviamente, a esmagadora maioria dos que não podem voltar são os negros, o que é desastroso para a singular cultura de New Orleans. Na reconstrução, são latinos, contratados a salário de fome (e muitas vezes não pagos), os que fazem o serviço.
Claro que há sinais encorajadores. Uma padaria reabre ali, outra casa de show é reinaugurada acolá. Kermit Ruffins, o legítimo sucessor de Louis Armstrong, já está de volta com seu show de quinta à noite no Vaughn's, que vários brasileiros já conhecem - trata-se do primeiro lugar onde eu levo meus hóspedes. Não tenho idéia de como o cabra está dando esse show, porque o Vaughn's fica bem perto do Canal. Mas é para lá que eu vou quando terminar este post, para abraçá-lo. Eu temi muito pela vida de Kermit.
No French Quarter, o bairro turístico, a vida vai pouco a pouco voltando ao normal. No momento, o importante é ganhar a batalha política para que os verdadeiros donos desta cidade, os que a construíram, possam voltar e reocupá-la. A batalha é, naturalmente, morro acima.
PS. A todos os que perguntaram, escreveram e se preocuparam por mim: obrigado. Eu estou bem, e instalado com conforto. Ainda não sei se a metade da minha biblioteca que ficou guardada num galpão (a outra metade está no gabinete) escapou, mas tudo indica que sim, já que o galpão fica no lado oeste do rio. Quanto mais histórias eu ouço, mais eu me sinto abençoado, sortudo e protegido pelos orixás. Graças a três amigos maravilhosos, meu carro está ainda em melhores condições do que estava antes da tragédia.
PS 2. Há uma impressionante coleção de fotos de New Orleans pós-Katrina aqui.
Escrito por Idelber às 20:24 | link para este post
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terça-feira, 10 de janeiro 2006
Brincadeirinha para passar tempo no aeroporto de Miami
Salve, salve, já estamos em gringolândia sem grandes percalços. O que mais fazer num lugar como o aeroporto de Miami senão pagar uma taxa absurda por umas horas de conexão wi-fi e visitar blogs?
A brincadeirinha que se segue foi roubada do meu bróde véio Michael Bérubé. Eu não passo corrente, mas quem quiser roubar ou completar nos comentários, que fique à vontade:
Quatro empregos que você já teve:
1. Office boy.
2. Carimbador de papéis em biblioteca.
3. Professor de inglês.
4. Professor de literatura.
Quatro filmes que você poderia assistir infinitamente:
1. Amacord.
2. Veludo azul.
3. Mulheres à beira de um ataque de nervos.
4. Fogo e paixão.
Quatro lugares em que você morou:
1. Uberaba, Minas Gerais.
2. Belo Horizonte, Minas Gerais.
3. Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA.
4. Champaign, Illinois, EUA.
Quatro programas de TV que você adora assistir:
1. Loucos por futebol, ESPN Brasil.
2. The Daily Show.
3. Inside the Actor's Studio (valeu a lembrança, Cynthia)
4. Qualquer coisa que tenha a Soninha na tela.
Quatro lugares em que você já esteve de férias:
1. Buenos Aires.
2. Santiago.
3. Londres.
4. Serra do Cipó.
Quatro blogs que você visita diariamente:
1. Liberal Libertário Libertino
2. Megeras Magérrimas
3. Bibi's Box
4. Smart Shade of Blue
Quatro de suas comidas favoritas:
1. Tutu à mineira, com lombo e couve.
2. Churrasco gaúcho / platense.
3. Frango curry indiano.
4. Cordeiro picadinho à moda árabe, com falafel e hummous.
Quatro lugares em que você preferiria estar agora (considerando que no momento estou no aeroporto de Miami, a resposta seria bem próxima a "qualquer um exceto Iraque e Afganistão", mas em ordem de preferência):
1. Bahia
2. Nova York
3. Rio
4. Porto Alegre
Quatro discos sem os quais você não pode viver:
1. Velvet Underground and Nico.
2. Africa Brasil, Jorge Ben.
3. Uma coletânea dos sambas de Caymmi, na voz de lui-même.
4. Uma coletânea qualquer de Lupicínio Rodrigues, na voz do próprio.
Quatro carros que você já teve:
1. 1986 Honda Civic.
2. 1985 Mazda não lembro qual modelo, o mais barato.
3. 1995 Escort Hobby 1.0 (o carrinho que ainda me transporta em BH)
4. 2001 Mazda Protegé (primeiro carro decente da vida, que milagrosamente sobreviveu à enchente em New Orleans graças a Alejandra Osorio e Felipe Victoriano).
PS: Às vezes você está num aeroporto, visita um dos seus blogs favoritos, e aí encontra uma coisa que parece escrita especialmente para você.
PS 2: Com atraso infinito, este blog regista o novo endereço do Almirante.
Escrito por Idelber às 12:34 | link para este post
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segunda-feira, 09 de janeiro 2006
Troféu tradução mais criativa
Cartaz de uma Lan House na Barra, em Salvador:

Enquanto isso, o Smart Shade of Blue abre uma cadeia de supermercados que já chegou até São Tomé das Letras:

Escrito por Idelber às 02:27 | link para este post
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sexta-feira, 06 de janeiro 2006
Começando o ano de Oxalá, na Bahia
Vocês conhecem alguém que tenha achado 2005 um ano bom? Eu não conheço, e a resposta, como todas as respostas, estava na Bahia: 2005 foi ano de Omulu, filho de Nanã, orixá que tem relação umbilical com a morte.
Se você sobreviveu a 2005, a boa notícia é que 2006 é ano de Oxalá.
Logo depois da tragédia em New Orleans, eu decidi uma coisa: precisava passar o réveillon na Bahia. Como explicar aquilo ali, eu não sei. Mas a energia renovadora do lugar é qualquer coisa de muito impressionante. Cada vez que vou lá, é como se tivesse nascido de novo.
Não dá para relatar tudo, mas o pôr-do-sol na Barra ainda continua sendo a mesma maravilha, e no Abaté continua existindo uma lagoa escura rodeada de areia branca:

Das várias alegrias proporcionadas por essa viagem à Bahia, duas muito especiais:
1. comemorar o aniversário da queridíssima Goli Guerreiro, autora de A Trama dos Tambores (se não leu, não deixe de ler).
2. conhecer pessoalmente a primeira leitora deste blog, Cipy Lopes.
No meio da viagem, pergunto ao meu filho filósofo de 9 anos, Alexandre, quais diferenças ele via entre a Bahia e os outros lugares que havia conhecido. A resposta certeira:
- Bom, pai, já são quatro dias aqui e até agora não vi uma cara estressada!
Não mais disse, e não mais lhe foi perguntado.
PS 1: O que anda acontecendo com a Austrália, hein?
PS 2: Feliz Aniversário ao Donizetti, que além de ser um grande amigo blogueiro, tem a chatíssima tarefa de comemorar três títulos de futebol por ano.
PS 3: Rufem os tambores da blogosfera! Ela, a pioneira, está de volta.
PS 4: Nesta segunda-feira eu embarco para New Orleans, ou para o que restou dela. Quem for de reza, que reze. Quem for de Iemanjá, que faça oferendas. Quem for ateu, que ponha um pensamentozinho positivo. Vamos precisar.
Escrito por Idelber às 21:42 | link para este post
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