« Perdoai, Caymmi ::
Pag. Principal
:: Censura na blogosfera do Grupo Folha »
quinta-feira, 30 de março 2006
O aniversário do golpe, o dia da mentira, as confusões entre ética e política, os cowboys gays, a cara-de-pau da Primeira Leitura e a ‘coerência’ do tucanato
Sabe-se que o golpe militar brasileiro – o aniversário vem aí – só se consumou realmente no dia primeiro de abril. Sim, foi em 31 de março que o general Olympio Mourão Filho partiu com suas tropas para o Rio de Janeiro, movimento que Castello Branco julgou intempestivo e tentou bloquear com um telefonema a Magalhães Pinto. Sim, foi em 31 de março que se unificaram no Vale do Paraíba as tropas do General Murici e as do General Morais Âncora, este último encarregado por João Goulart de prender Castello Branco. Âncora desobedeceu, optando por evitar o que provavelmente teria sido o estopim de uma guerra civil.

Foto: Tanques na Avenida Presidente Vargas (obrigado pela correção, Tania)
Mas é no dia primeiro de abril que ocorre a unificação de toda a liderança militar e a consumação do golpe, que havia sido marcado para o dia 04 de abril, tendo sido depois adiado para o dia 08 porque, segundo o general Carlos Guedes, nada que se faz em lua de quarto minguante dá certo.
Fugindo da lua de quarto minguante, a camarilha golpista terminou condenada ao dia da mentira, cuidadosamente evitado nos livros de história por uma sutil manobra sofista.
E haja sofisma, nesta época eleitoral.
***************
Um dos momentos mais divertidos que tive ano passado no Brasil foi durante a exibição de um Manhattan Connection, em que Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo comentavam – sem haver assistido – o filme Brokeback Mountain. Repetiam a cantilena da extrema direita americana: trata-se uma “politização” inaceitável do western, da utilização de um gênero para avançar a “agenda gay”, etc. e tal.
Foi a cena mais divertida da minha estadia: ver Reinaldo Azevedo, com aquele anelzinho, desmunhecando vigorosamente contra os cowboys gays.
***************
E agora eis que a Primeira Leitura, revista que abertamente se assume tucana, não vê nada de errado em receber dinheiro de um banco estatal de São Paulo, um estado administrado por um tucano. Esses são os mesmos que falam do “maior escândalo de corrupção da história”. Não vêem nada de errado nisso, por quê? Segundo Azevedo, porque
Primeira Leitura, de fato, foi criada por Luiz Carlos Mendonça de Barros. Mas não pertence mais ao ex-ministro desde setembro de 2004. Como informa o próprio jornal, “de outubro de 2004 até julho de 2005 (...), Primeira Leitura circulou com anúncios de página dupla da Full Jazz”. Ou seja: Mendonça de Barros já não tinha mais qualquer vínculo com a revista, de que deixou de ser, infelizmente, até mesmo colunista.
Como se Primeira Leitura tivesse deixado de ser tucana depois que Mendonça de Barros a abandonou, como se o governo de São Paulo não tivesse sido tucano entre outubro de 2004 e julho de 2005, como se um vínculo como esse, entre uma revista partidarizada e um fundo de dinheiro público – gerenciado, ainda por cima, por um pré-candidato a presidente – não fosse tão ou mais escandaloso que qualquer evento do suposto “maior escândalo de corrupção da história”, o do governo do PT.
Mas as justificativas esfarrapadas não terminam por aí. Segundo Azevedo, o mais “importante” é que seu apoio a José Serra durante o processo de decisão do PSDB o eximiria de qualquer responsabilidade nessa maracutaia:
Se estivéssemos mesmo fazendo site e revista a soldo de Geraldo Alckmin, seríamos, ademais, notórios traidores, vira-casacas. Que saibamos, Primeira Leitura foi o único veículo de comunicação que anunciou seu apoio à pré-candidatura de José Serra à Presidência da República (link)
Ou seja, como apoiamos outro pré-candidato na disputa interna do PSDB, está provado que somos inocentes de qualquer acusação. É como se um deputado do PT beneficiado com o caixa 2 de Delúbio se defendesse dizendo que pertence a uma corrente interna diferente da corrente de Delúbio dentro do PT. Com a diferença, claro, que todo o dinheiro dos anúncios da Nossa Caixa na Primeira Leitura é dinheiro público.Na seqüência de sofismas, Azevedo conclui:
No texto da primeira página, afirma a Folha, referindo-se inclusive a nós: “Os demais acusados também negam irregularidades”. Pergunta-se ao jornal: do que somos “acusados” exatamente? (link)
Expliquemos de novo, então: vocês são acusados de receber dinheiro público para financiar uma revista partidária, dinheiro que curiosamente vem do estado administrado pelo partido de vocês. Disso vocês são acusados. E não se explicaram ainda.
***************
Mas a Primeira Leitura não tem só colaboradores como Reinaldo Azevedo, que recorre a sofismas de escola de primeiro grau para justificar maracutaias piores que aquelas que o “escandalizam” tanto, desmunheca contra os cowboys gays, tece loas ao Papa mais reacionário dos últimos tempos, e em fevereiro diz que as "agressões" dos partidários de Alckmin “imitam” o estilo petista para em março declará-lo salvação do país.
Tem também colaboradores de outro nível, como Roberto Romano, professor de Filosofia da UNICAMP. Roberto Romano não é um idiota, não é um Olavo de Carvalho. É autor de uma respeitável obra. Mas vejamos o que ele dizia antes e o que ele diz agora.
Em 2000, quando FHC e Paulo Renato submetiam as universidades federais brasileiras ao maior sucateamento da história, o Prof. Romano dizia:
É muito interessante que comecemos a falar de universidade, porque o que aconteceu nestes últimos seis anos no Brasil foi um desmonte programado, intencional, racional, de todo um sistema de produção de saberes. . . . Fernando Henrique . . . e o seu ministério, a começar pelo ministro Paulo Renato, têm uma responsabilidade muito grande sobre o que está acontecendo. Ao abraçar o Antônio Carlos Magalhães, e ao abraçar essa via do possível, o que fez ele? Escolheu o caminho da tradicional dominação brasileira, violentíssima, paternalista e mentirosa.
Numa louvável denúncia do que o tucanato fez com a universidade brasileira, o Prof. Romano chegou a falar de “genocídio programado”. Curiosamente, em janeiro deste ano, ele dizia que
O PSDB é uma das últimas fronteiras políticas em prol do Estado democrático de direito.
Claro que a todos é dado o direito de mudar de opinião, mas nada nos textos do Prof. Romano nos explica como o partido que patrocinou o “genocídio programado” que ele denunciou há seis anos se converteu, num passe de mágica, em bastião da moralidade. Prof. Romano, se o sr. quer defender as CPIs com o argumento de que
sem CPI, quantos saberiam algo sobre as façanhas de PC Farias, dos Anões do Orçamento, do mensalão, do Land Rover do Silvinho, do conúbio entre Delúbio e certos agentes pouco ortodoxos do mercado, etc? (link)
o sr. poderia explicar por que os apoiadores do PSDB bastião do "Estado democrático de direito" sufocaram nada menos que 69 pedidos de CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo? Nenhuma delas se justiificava segundo o "Estado democrático de direito"?
Mas o Prof. Romano vai mais longe. Defendendo, em janeiro, a candidatura de Serra a presidente, ele dizia que o documento assinado por José Serra, em que ele se comprometia a ficar 4 anos na prefeitura de São Paulo era um “papelucho” sem valor porque
. . . um ato humano só pode ser válido quando feito sem constrangimentos externos, quando o diálogo que conduz a ele é efetivado com plena boa-fé do seu beneficiário . . . Serra foi constrangido por um truque petista (link).
Ora, Prof. Romano, assista esse vídeo aqui, em que Serra promete ficar 4 anos na prefeitura, e me diga se ele foi constrangido por algum “truque petista”.
Mas a coisa ainda piora para o lado do professor. Dando uma nítida “carteirada” de autoridade – como se ele, autor de pelo menos um belo livro, precisasse disso – o Prof. Romano afirma:
Como o PT possui gente que se arvora em especialista na filosofia de Spinoza (mas até o nome do filósofo deturpam, grafando-o contra toda a tradição como “Espinosa”), citarei a Ética e a Política spinozana para aclarar o caso da assinatura de Serra no documento/armadilha que lhe apresentaram.
Com essa grosseira referência, Romano obviamente alude a Marilena Chauí, autora de vasta obra espinosiana. Ora, que coisa feia, professor! Aprenda com os blogueiros! Quando se quer criticar alguém diretamente, nomeamos-no e damos o link. Deu para entender? Não é difícil. Se quer criticar Chauí, maravilha. Se quer questionar sua leitura de Espinosa, eu, particularmente, seria todo ouvidos, porque o tema me interessa muito. Mas deveria evitar essas referências grosseiras, não nomeadas, a uma mulher que tem um currículo infinitamente superior ao seu.
Sobre Marilena Chauí, há que se dizer, professor, e o senhor sabe disso, apesar de fingir não saber: ela não “se arvora” em especialista em Espinosa (sim, com E mesmo, escrito à brasileira). Ela é reconhecida em vários círculos espinosianos como a maior autoridade do mundo na obra de Espinosa, e como tal validada em italiano, em alemão, em francês, em espanhol.
Até agora não ouvi falar de ninguém que estivesse aprendendo português para ler o senhor ou a Primeira Leitura. Sei de vários estudiosos que o estão fazendo para ler a obra de Chauí. Ela jamais diria, por exemplo, uma platitude como essa do senhor:
Na Ética (Livro Quarto, proposição 72), Spinoza afirma: “O homem livre não age nunca com fraude, mas sempre de boa-fé” . . . Serra não agiu de má-fé quando assinou um “compromisso” que dele retirava a própria existência política. (link)
Prof. Romano descobre Espinosa, o fundador do PSDB.
Era só o que nos faltava: o vampiro da meia-noite é o homem livre espinosiano! Ora, professor, mais respeito com a nossa inteligência. Em todo esse debate, eu me encontro mais próximo da sua esposa, a grande acadêmica Maria Sylvia Carvalho Franco, que conclui uma entrevista dizendo:
Estamos num mato sem cachorro.
Atualização 1: Não, Sr. Reinaldo Azevedo, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) não o acusou de ser financiado com dinheiro do PSDB. Acusou-o de ser financiado com dinheiro público. E o sr. continua sem se explicar.
Atualização 2: Se o Prof. Roberto Romano - que acha que o PSDB é bastião do "Estado democrático de direito" - teve a excelente idéia de fazer um blog para disseminar seus textos, seria elegante de sua parte abrir uma caixa de comentários, não é mesmo? Ou alguém poderia achar que ele não quer debater o que escreve.
Escrito por Idelber às 05:28 | link para este post
| Comentários (26)
#1
Parabéns Idelber, voltaste com força total. Faz horas que não ouçø falar da Marilena Chauí e é a primeira vez que tomo conhecimento da existência dessa revista Primeira Leitura. Beijos e bom retorno.
Ana Lucia em março 30, 2006 7:35 AM
#2
Não comentarei o texto porque concordo com 93,47% do que está escrito. E não gosto de ficar dizendo ok, ok, muito bem.
O motivo desta (oh, que saudade da época das cartas com motivos!) é apenas para alertá-lo de que deve ser mais rigoroso com relação a datas. Exemplos?
Disse que retornaria em 1º de abril. Depois, mudou para 31 de março. Em seguida, do nada, escreveu no último dia 25. E agora, finalmente, reestreia no dia...30.
Assim não dá.
abraços.
Franciel em março 30, 2006 8:30 AM
#3
Parabéns! Parabéns!! Mil vezes parabéns! Fico satisfeita ao perceber que ainda existe leitura séria nesse país. Sou esquerdista e petista, desde que entrei na faculdade. Estou estarrecida com o jogo imundo PFL/PSDB, e apavorada com a simples possibilidade de perceber o Alkimin montado num cavalo branco como salvador do povo brasileiro. Mas também fico apavorado com a total falta de unidade ideológica da esquerda. Não é hora de dividir, mas sim de somar.
Atenciosamente, Cristina
Cristina em março 30, 2006 10:00 AM
#4
Franciel, eu acho cômico este drible das datas. A SAB (Síndrome da Abstinência Blogueira), criada pelo Dr. Cláudio Costa, pode explicar muitas coisas. Ou recorra à Freud, quem sabe. Acho também que o Idelber cometeu um ato falho ao marcar seu retorno no dia da mentira... E conseguiu piorá-lo ao antecipar a reestréia em um dia, sendo obrigado a antecipar a coisa em mais um dia e a culpar a SAB. Ele é humano, apenas. Um abraço.
-=-=-
Meu pai sempre me dizia:
- Por que não admitem que a porra desta "revolução" aconteceu em 1º de abril?
-=-=-
Não gostei do filme dos caibóis. Achei que ele atrasa a agenda gay... O roteiro, apoiado no conto que deu-lhe origem, mostrou-se moralista ao matar Jack Twist logo após a primeira discussão mais séria da relação. No momento em que os protagonistas teriam que decidir sobre o futuro, no momento em que Jack confessa suas traições e diz desejar ficar com Ennis, no momento em que estão próximos de uma atitude mais consistente ou de um rompimento, o roteirista "mata" Jack, dando um jeitinho de contornar rapidamente o problema criado e tranqüilizando os moralistas heteros.
Ou seja, reclamo do filme como o Reinaldinho, mas por outros motivos.
Abraços.
Milton Ribeiro em março 30, 2006 10:06 AM
#5
olavo é louco. gosto muito do reinaldo. não conheço romano. mas.... a marilena chauí pode ser excelente filósofa (nunca li) mas suas intervenções em jornais e revistas são risíveis, idelba. ela consegue ser mais ideologicamente cega do que o olavo e o sader. exagerada que só.
alex castro em março 30, 2006 11:41 AM
#6
Parabens Idelber! A canção do nosso amigo Ned Sublette, "Cowboys are Frequently Secretly (fond of each other)" gravado agora por Willie Nelson também merece comentário neste contexto. Ainda não vi "Brokeback Mountain."
Christopher Dunn em março 30, 2006 11:55 AM
#7
Opa, que ótimo retorno! O mundo blog volta a ficar mais inteligente.
Ju em março 30, 2006 12:18 PM
gugala em março 30, 2006 12:59 PM
#9
Esses liberais, sempre se dizendo a favor do Estado Mínimo, criticando investimento do governo em cultura, mas achando super normal receber dinheiro do estado para sua revista. Ha ha ha!
Muito bom você apontar a hipocrisia dessas pessoas.
E que ridículo ver a direita brasileira tentando importar a guerra cultural americana. Como bem lembrou o blogueiro Serbon, aqui no Brasil o Guimarães Rosa com Grande Sertão: Veredas já tinha feito coisa bem mais revolucionária décadas atrás.
Leila em março 30, 2006 2:01 PM
#10
"Chegaste, e desde logo foi verão..." Como sempre é, quando você está por perto.
Bem-vindo de volta.
Beijos,Ana
Ana em março 30, 2006 3:50 PM
#11
Bom te ler de novo :)
beijão,
Su
Suzana Gutierrez em março 30, 2006 8:08 PM
#12
Que bom que voltou! beijos
Maria Tereza em março 30, 2006 10:00 PM
#13
Puxa! voltou com tudo, hem? Não posso, e não devo, ceder à tentação de transformar este teu post num digerível fanzine acadêmico para ser lido nas salas institucionais, nos debates onde homens de olhar arrogante dizem aquilo que provavelmente não pensaram. hehehe. Curti muito a visita. penetrar no impenetrável. uma lógica de estruturação válida. ir como que “tridimensionalizando” as palavras, olhando para debaixo das mesmas e procurando acima de tudo alargar as perspectivas de significação e conotação neste contexto desta complexidade, deveras angustiante e doloroso, que estamos vivendo. dividendos, hehehe. "Só alcançaremos êxito se formos fiéis a nós mesmos..." Nietzsche
Receba um super beijo. Se bem-vindo! Tim-tim!
Elenara Iabel em março 31, 2006 12:16 AM
#14
Voltou muito bem :-)
- Daria tudo pra ver o Reinaldo Azevedo, desmunhecando e falando contra os cowboys gays.
- Marilena Chauí só me lembra meu ex-marido. Ele era tarado por ela, ela é bem mais velha que eu (na época eu tinha 20 aninhos) e mais velha que ele, também, mas sempre foi uma morena muito bonita e a inteligência impressionante dela deve ser um tesão, né, não?
Denise Arcoverde em março 31, 2006 1:21 AM
#15
Olá! A foto é da Av. Presidente Vargas e não Getúlio Vargas, parece a mesma coisa, mas não é.
Tania em março 31, 2006 5:51 PM
#16
Obrigado pela correção, Tania, já feita :-)
E obrigado por atacado a tod@s :-)
Idelber em março 31, 2006 6:12 PM
#17
Soory, Idelber:
Este fica sendo, o meu segundo (ou terceiro) comentário após sua volta - tenho pena que quem veio e comentou este, não tenha mais ido ao outro post de hoje, que julguei que fosse o primeiro, mas tudo que disse lá vale , obviamente, para este...como gostaria de fazer uma remissiva, mas...:-( well...
Quanto a Marilena Chauí, que sempre - para outras eras - foi minha "ídala" e minha professora, tenho uma uma tristeza, sem remédio, pelas razões objetivamente explicadas pelo Alex Castro.
É bom ter cuidado - agora fiquei apreensiva com o que falei lá no outro commnet - e observar os vários ângulos de uma questão, ou quando se for falar de uma pessoa.
A sua análise sobre o Primeira Leitura foi muito rica e informativa, sobre o prof Roberto Romano, quero ir verificar várias coisas.
Mas a minha querida professora Chauí prestou um desserviço para si prórpia e para muita gente, que só não foi maior, ou mlhor, a longo prazo, terá sido muito ruim para Marilena e muita gente, extamente por causa das viseiras condescendentes das pessoas ingenuamente tendenciosas e apressadas, pois como bem sabemos, e isso não é rocket science, uma postura crítica de *dentro* vale mais que mil elogios que acobertam o erro, ou erros que , poxa, vamos ponderar.´...não são privilégio só de quem não pensa igual a nós.
Minha psicanlista, que ninguém pode chamar de direitista, muito pelo contrário, *é* até hoje, "malgré tout" esquerdista, foi torturada, impedida de exercer sua profissão e publicar seus livros, trabalhou com Marilena - conforme eu disse no Sub Rosa e está lá no Imagens & Palavras - infelizmente, ainda preciso adquirir o hábito de me autolinkar - escreveu uma carta para Marilena, irreprochable.
Desculpem , mas Marilena não mostrou a fibra necessária para ser a grande mulher pensadora e política que a intelectual respeitadíssima e competentíssima;-) permitia entrever e nos autoriza a esperar que fosse.
Nota adenda: O smilie, o sorriso ao lado de "competentíssima" é -para quem , proventura não saiba, uma alusão a um dos mais famosos livros de Marilena Chauí, (que eu tenho com o autógrafo da bela professora, detalhe irrelevante, eu sei.)
beijos
Meg
Meg (subrosa) em março 31, 2006 7:27 PM
#18
A Carta Capital, a Caros Amigos e a Agência Carta Maior recebem dinheiro de Marketing do BB, da Petrobrás e de vários governos estaduais e municipais do PT.
Se a esquerda pode financiar seus ideólogos com dinheiro publico por que não a direita?
Gustavo em abril 1, 2006 6:25 PM
#19
Porque a direita passou três anos criticando o "aparelhismo" do PT e fazendo o discurso da "indignação santa", que associa o uso de recursos públicos para qualquer coisa a roubo.
Idelber em abril 2, 2006 4:15 PM
#20
veja bem,
a-você não comenta as omissões da matéria da FSP;
b-a revista não é "tucana assumida"(se você falasse tucana enrustida,poderíamos até discutir).RA nega isso sempre que pode(apesar de admitir simpatia ao PSDB,principalmente quando contraposto ao PT),negou no MC inclusive.Disse: "a revista está à direita do PSDB";O argumento do apoio a Serra é um "a mais".Está tudo lá no texto de RA,é só ler.
c-a entrevista de Chauí à Cult(antes de Roberto Jefferson gritar)e à Caros Amigos foram dignas de um militante dos mais cínicos e vagabundos. "A crise é produto da mídia".Certo,certo,por esse prisma,qual não seria?
d- . "... para explicar por que a Nossa Caixa financia a Primeira Leitura, revista oficial do PSDB para disseminar suas idéias..."
Isso não é acusar a revista de ser financiada pelo PSDB? Se a "revista oficial" do partido é financiada por um banco estatal de um governo do partido,qual a acusação óbvia que se extrai daí?
sds,
rafael em abril 7, 2006 12:11 AM
#21
Só uma coisa que não consigo entender: de onde tiraram a idéia que Alkimin, Serra, FHC e todo o PSDB é liberal?? Sério...
Por acaso vocês sabem o que é ser liberal? Como funciona a teoria liberal econômica?
Cada vez que alguém diz que o PSDB é "neoliberal" Roberto Campos dá gargalhadas onde quer que esteja...
P.S.: Podem dizer que o Olavo é louco (até acho que é), porém TUDO o que ele falou que iria acontecer com o PT no poder aconteceu....
Pablo Vilarnovo em abril 10, 2006 5:56 PM
#22
Pablo: não é verdade.
Texto de Olavo de Carvalho datado de 26 de outubro de 2002 (um mês e meio antes da posse de Lula):
"Em poucas semanas, a estréia petista no poder terá superado de muito a ditadura militar, que em vinte anos não fez mais de dois mil presos políticos".
Mentira. Bazófia. Chute. Mas é o tal negócio, quando você distribui chutes a torto e a direito, alguns deles acabam acertando...
Olavo de Carvalho aprendeu na astrologia essas técnicas.
Marcus em abril 11, 2006 8:44 AM
#23
Marcus, tenho esse texto. Ele fala sobre as tentativas de ONGs petistas para calar opiniões anti-Lula. Da tentativa daquele assessor de imprensa de prisão para pessoas que mandavam e-mails contra o Lulla.
Depois do que Chaves fez e o Lulla tentou fazer com a imprensa no Brasil, você realmente acha que ele estava errado?
Pablo Vilarnovo em abril 11, 2006 3:05 PM
#24
Idelber,
Não que eu esteja inocentando o Alkimin, estou longe de ser tucano. Mas essa "denúncia" de abafamento de 69 CPIs é meio... meio não, totalmente furada. Dentre essas CPI`s há coisa que não dizem respeito ao governo de SP como "Propõe a constituição de Comissão Parlamentar de Inquérito a fim de
investigar supostas irregularidades no Sistema Psiquiátrico de São
Paulo."
Para consultar basta ir em http://www.al.sp.gov.br/portal/site/alesp/menuitem.7fce831570a4083e3e977710f2004\
1ca/?inicio=15&fim=30&texto=comiss%25C3%25A3o%2520parlamentar%2520de%2520inqu%25\
C3%25A9rito&numero=&ano=&data=&autor=&tipo=&etapa=
Pablo Vilarnovo em abril 11, 2006 6:00 PM
#25
Ah, Pablo, peralá. O que o Lula tentou fazer com a imprensa no Brasil? Não há país onde a imprensa desça o sarrafo no presidente como no Brasil. Inclusive com calúnias morais. Alguém fechou? Alguém foi censurado? Se com a "tentativa" do Lula, você se refere ao projeto da Ancinav, eu concordo que foi uma idéia mal colocada, aliás eu concordo com 8 de cada 10 críticas suas ao governo Lula, mas a relação com a imprensa está longe, muito longe de ter sido essa mordaça contra a qual esbravejam por aí. A imprensa diz o que quer, inclusive calúnias, como a famigerada história dos dólares cubanos, que a Veja circulou sem ter uma única prova.
Olha, Pablo, eu moro nos EUA há 16 anos. Se houvesse aqui uma revista de circulação nacional fazendo com o Bush metade do que a Veja faz com o Lula, já teria fechado, neguinho já teria ido pra cadeia. Aqui tem repórter indo prá cadeia por não revelar fonte de notícia comprovadamente verdadeira. É proibido mostrar soldado morto, ou mesmo caixão na televisão. Ninguém nunca viu uma imagem de um cadáver regressando, ou de uma morte causada pela guerra.
Onde é que está a censura mesmo?
Ok, estou no intervalo de aula, depois volto para falar das 69 CPIs....
Idelber em abril 11, 2006 6:23 PM
#26
Idelber,
Censura não há pois os jornalistas agiram rápido. Não deixaram criar o CFJ. Esqueceu-se que Lulla queria expulsar o jornalista americano? Graças ao advogado do mensalão, travestido de ministro da justiça (minúscula de propósito) ele não foi expulso. Estou falando alguma inverdade? Não são fatos?
A história dos dólares cubano foi um erro craso da Veja, revista que serve aos interesses do PSDB assim como a Carta Capital e a Globo servem aos interesses do PT.
Agora, sinceramente, que é estranho um cara pegar um jatinho, sair de Ribeirão Preto, fazer duas escalas, pousar em Brasília para pegar umas míseras garrafas de Red Label... Não se perguntou quanto saiu só de combustível de avião?
E o caso dos dólares das FARC? O padre está preso na PF. Porque? Onde estão os relatórios da ABIN? Porque a investigação foi abortada assim que o PT ganhou a eleição?
Nunca custa lembrar que o Chavez, parceiro do Lulla no Foro de São Paulo fez. Ele tentou e conseguiu, Lulla tentou e fracassou.
Pablo Vilarnovo em abril 12, 2006 12:28 PM