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Um blog atleticano e antropocêntrico.



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1. Em coluna para a Folha de São Paulo em 23/08/2008, Fernando Rodrigues afirma que John McCain é a "síntese de uma ala republicana liberal". Evidentemente, ninguém nos EUA caracteriza McCain como liberal, nem ele mesmo.

2. Na edição 2.020 da Revista IstoÉ, sob o título Símbolo da fundação de Roma, o monumento Lupa Capitolina é mais novo do que se imaginava, a reportagem afirma: ... os historiadores sempre acreditaram que fora erigido por volta de 500 anos antes da era cristã. Como é esse monumento que data o nascimento da capital italiana, fixou-se então, logicamente, o surgimento de Roma nesse mesmo período (...) Na semana passada ocorreu uma reviravolta envolvendo tal marco: arqueólogos revelaram que a estátua é datada do ano 1300 a. C, ou seja, Roma é mais jovem do que se supunha.... A Revista IstoÉ se esqueceu de que 1.300 a.C é mais velho que 500 a.C., ou seja, deu a impressão de não saber que, antes de Cristo, a contagem das datas se faz para trás (obrigado, Serbão).

3. Em coluna publicada na Folha de São Paulo em 06 de agosto, Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo, diz que o voto hispânico "já alcança cerca de 25% dos eleitores" dos EUA. Errou só por 100%. Segundo os últimos números oficiais, o eleitorado hispânico dos EUA é 12,5%.

4. A Folha Online relata que o último spot publicitário da campanha de Obama afirma que McCain é um político submisso às grandes petrolíferas e lembra que o senador conservador recebeu milhões em contribuições eleitorais dessa indústria. O anúncio divulgado hoje por McCain procura desfazer esses mitos. A palavra mitos vem assim, sem aspas. Alguém esqueceu de avisar à Folha que as milionárias contribuições das petrolíferas a McCain não são mitos.

5. Em entrevista a João Pereira Coutinho na Folha Online, Daniel Piza, o homem que enforcou Jesus Cristo e transformou o entrudo em "dança de salão", afirma que muitos na verdade ainda estão em Bakunin, "toda propriedade é um roubo". A frase "a propriedade é um roubo", evidentemente, é de Proudhon (obrigado, Tiago Mesquita).



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segunda-feira, 22 de maio 2006

Pela descriminalização do consumo de drogas

Eu preparava um post sobre toda a discussão gerada a partir dos ataques do PCC em São Paulo na semana passada e os assassinatos de pelo menos 107 “suspeitos” pela polícia logo depois. E eis que encontro um texto que traduz, melhor que eu poderia, o que penso.

Não deixem de ler A Matança dos Suspeitos, da psicanalista Maria Rita Kehl.

O que eu tenho para acrescentar a toda a discussão sobre a necessidade de equipar melhor a polícia, de bloquear celulares na prisão, de investir em educação de forma a dar um pouco de perspectiva ao jovem da periferia, etc. etc. é algo que não vi comentado em lugar nenhum: é fundamental a descriminalização completa de todo o consumo de drogas, especialmente das drogas leves como a maconha.

O tráfico de drogas é a galinha dos ovos de ouro da bandidagem organizada, e ela se sustenta no monopólio que detêm os traficantes. Esse monopólio só pode ser quebrado com a descriminalização completa do uso. O monopólio tem uma relação direta com o poder assombroso do crime organizado e também com a propina para o policial - fruto da possibilidade que tem este de intimidar e chantagear o usuário real ou o "suspeito" de ser usuário.

Não, essa legislação que temos ainda não é suficiente, pois ainda prevê pena de até 2 anos para os atos de "Adquirir, guardar, ou trazer consigo, para uso próprio, substância entorpecente" (artigo 16 da lei 6.368). Mais que a legislação, é necessário mudar a política pública de drogas. Não conheço ninguém da minha geração e classe social que nunca tenha tido experiência com drogas, mas paira na sociedade brasileira uma resistência hipócrita a discutir o assunto. Com freqüência temos que ouvir diatribes moralistas de "especialistas" como padres, que não sabem nada sobre o assunto: ouve-se, por exemplo, que "da maconha o viciado passa para as drogas mais pesadas", o que é o equivalente de se dizer que quem gosta de suco de abacaxi amanhã vai se apaixonar por suco de groselha. Os usuários não passam de uma droga a outra por um misterioso motivo químico ou bioquímico. Os usuários passam de uma droga a outra porque ambas vêm do mesmo traficante, que está em condições de dizer: hoje não tem do preto, leva do branco. Afinal de contas, o "branco" dá mais lucro, vicia mais, cria laços mais fortes com o tráfico que o "preto". Para quem não tem grana para o "branco", dá-lhe crack, essa droga horrorosa que é quase um caminho sem volta.

Será algum dia possível fazer a contagem de todos os jovens (quase todos pobres, quase todos pretos) engolidos pela criminalidade organizada ao serem lançados no sistema carcerário por posse de drogas para uso próprio?

Não há dúvida sobre o dano que fazem as drogas ao organismo - algumas mais, outras menos: ter para a maconha a mesma política que se tem para a heroína e o crack é burrice e seria o equivalente do Ministério da Saúde ter a mesma política para a Aspirina e o Gardenal - mas a "guerra às drogas" copiada dos EUA continuará sendo aí no Brasil, como aqui nos EUA, um desastre completo.

Que fique claro o que estou dizendo: não incentivo ninguém a usar droga nenhuma, e a única que eu uso, o cigarro, eu tenho muita esperança de derrotar este ano. Mas tratar o consumo de uma substância como a maconha como caso de polícia só reforça o poder da bandidagem. Obviamente o problema é complexo e são necessárias outras medidas. Mas sem a descriminalização do consumo, nada vai a lugar nenhum. Eu me considero razoalvelmente capaz de entreter outros pontos de vista e de olhar as coisas por ângulos diferentes do meu, mas neste caso, sinceramente, eu não consigo entender como há gente que não enxerga isso.

PS: Não deixem de ler o blog do Ferréz. Pura integridade, lá de dentro do olho do furacão.



  Escrito por Idelber às 01:45 | link para este post | Comentários (52)


Comentários

#1

Estou morrendo de sono :-) e não tive tempo de ler, mas amanhã leio e comento. Só queria deixar registrado que também sou a favor da liberação das drogas.

Marcus em maio 22, 2006 3:05 AM


#2

Concordo inteiramente, mas os traficantes e seus associados não vão permitir que as drogas sejam descriminalizadas nunca. Farão campanhas na TV e lobby junto às igrejas para mostrar ao público brasileiro como são perniciosas as substâncias estupefaciantes.

Ricardo Machado em maio 22, 2006 4:26 AM


#3

Concordo e acho o texto muito apropriado. Ontem me coloquei a favor da liberação lá no blog e acho que, se a sociedade não se posicionar de maneira séria a respeito disso (numa estratégia totalmente avestruz), o buraco tende a ficar cada vez maior. Além desse post muito apropriado, já havia lido algo também no Polzonoff (http://www.polzonoff.com.br/?p=338). Agora é sentar e esperar os conservadores jogarem pedra com os argumentos de sempre. Abraço.

cris em maio 22, 2006 9:06 AM


#4

Idelber

Além do assunto principal, interessante, você toca em muitos outros, mesmo que de passagem. Sempre é muito bom ler Maria Rita Khel.

Mas o que eu queria lembrar é que como carioca vi as autoridades de Brasília (poder central) se debruçando sobre a "crise de S.Paulo", como há vários anos não se vê sobre os problemas (análogos) do Rio. Mais ou menos desde Sarney (desculpe-me pela inevitável citação).

Dos últimos presidentes, o único que não tinha receio de visitar o Rio (temendo demonstrações contrárias) era o Itamar!

Paulo em maio 22, 2006 9:37 AM


#5

Idelber:

como não concordar, em gênero, número e grau, com seu post?
infelizmente, nesse nosso país conservador e hipócrita até a medula, é mais fácil ouvirmos algum político ou outra autoridade jogar a "culpa" pela existência do crime organizado nos "jovens de classe média" q, supostamente, "mantêm" o tráfico com o consumo de drogas.
E quem ousa falar publicamente sobre a descriminalização, como fez há algum tempo a Soninha ou fazia antes o Planet Hemp, é perseguido e até mesmo enquadrado por "apologia".
mas o buraco tb é mais embaixo, como já notou Ricardo Machado. tem muito peixe grande envolvido com o tráfico e interessado em manter as coisas como estão...
ah, quem dera poder algum dia frequentar um coffeshop em Pinheiros, Botafogo ou na Ladeira da Barra, como se faz em Amsterdam! sonhar, sonhar...

abs,

dra em maio 22, 2006 10:32 AM


#6

Um grande amigo me disse: 'ainda bem que existe o tráfico de drogas... porque se do nada isso tudo fosse legalizado, os morros desceríam pras ruas e seria o fim dos tempos no Rio'.

Concordo plenamente com ele. O tráfico pode influenciar isso tudo, mas é a falta de punição, e prisões que não reabilitam, mas destróem ainda mais o 'cidadão' que causam isso que vimos.

E concordo sim que a lei tem que ser mudada e que usuários não podem, de maneira alguma, serem tratados como criminosos.

Bruno em maio 22, 2006 1:24 PM


#7

Boa tarde, Idelber. Ha´algum tempo fiz um post sobre este tema, a favor da "descriminalização" do uso das drogras. Os estudos mais consistentes demonstram a ineficácia de se "tratar do problema das drogas como se fosse caso de polícia". Há diferenças entre o "liberou geral" e a descriminalização, bem como deve haver discernimento entre drogas "leves" e "pesadas". A discussão é longa, requer revisão histórica e psicológica. Afinal, a humanidade sempre recorreu a substâncias psicoativas (vinho, por exemplo) para suportar o trágico da vida. Agora, pra você largar o "maldito" tabaco, meu amigo, tô torcendo desde aquela época de seus primeiros posts "about". Abração.

Cláudio Costa em maio 22, 2006 1:31 PM


#8

Idelber,
Li o artigo da Maria Rita Kehl e também o manifesto do Ferrez.
Concordo que é bastante hipócrita criminalizar todos os tipos de droga da mesma forma (caso da maconha, por exemplo) até porque há as drogas “legalizadas” como a bebida e o álcool. Porém não consigo perceber como a legalização/ descriminalização do consumo levaria a uma quebra do imenso poder dos traficantes e à corrupção que eles exercem em diversos círculos de poder.
Entendo que a legalização do consumo poderia sim levar a menos prisões e mortes inúteis entre os jovens, na sua maioria pobres. Mas, iria reduzir o poder do crime organizado?
No artigo da Maria Rita Kehl ela menciona “ negócios que, se legalizados deixariam o campo de forças mais claro e menos violento”.. Será? “Negócios legalizados” seria a descriminalização da venda também ? Isto eu realmente não concordo. Tráfico de drogas é crime, precisa continuar a ser e deveria ser punido não com matança generalizada, mas com lei, prisões e poder de polícia legal e efetivo.
Abs, PatriciaK.

PatriciaK em maio 22, 2006 3:08 PM


#9

Idelber,
desculpe acho que o comentário ficou longo demais... e cometi um erro, quis dizer ´"álcool e fumo" :-)

PatriciaK em maio 22, 2006 3:12 PM


#10

Oi, Patricia, não se preocupe com o tamanho do comentário. O Movable Type daqui agüenta...

Quanto à sua pergunta, pense no seguinte: a grande maioria dos presos por posse de drogas estão lá por maconha. A maconha é uma erva caseira, que cresce em qualquer lugar; cresce igual chuchu, é só jogar a semente. Hoje, o garoto que quer fumar se sujeita ao poder do traficante porque ele sabe que ser pego com alguns baseados será bem menos grave que se ele for pego plantando no seu quintal. Esse garoto jamais se submeteria ao risco de comprar do traficante se a posse fosse completamente descriminalizada. Não é à toa que os grandes traficantes são contra a descriminalização: ao manter o consumo como crime, compra quem "tem juízo" (quem não quer ser pego plantando para consumo próprio) e vende "quem pode" (quem tem armas para se bancar ou grana para subornar a polícia). Sem contar, claro, que a criminalização possibilita ao traficante "empurrar" drogas pesadas no garoto que quer maconha. Parece paradoxal, eu sei, mas quem tem a perder com a descriminalização do uso são os traficantes e os policiais corruptos. Abraços,

Idelber em maio 22, 2006 3:45 PM


#11

idelber, concordo redondamente com sua posição e agradeço pelos links apontados (eu não conhecia o blog do ferréz, nada como ouvir AS vozes nessas horas). abraço!

pedro alexandre sanches em maio 22, 2006 4:27 PM


#12

Amigos, acabo de ler n'O Globo que o escritor Ferréz teve que deixar São Paulo com a família por conta das ameaças que vem sofrendo. Só em Capão Redondo foram mortas 24 pessoas, que segundo as testemunhas e familiares não tinham nada a ver com o crime organizado. Os assassinos eram três homens que usavam toucas-ninja e atiravam de um Corsa ou Pálio.

Aqui vai a nossa solidariedade ao Ferréz
. Força aí, mano.

Idelber em maio 22, 2006 4:37 PM


#13

Como quase sempre (hehehe) eu serei o contraponto. Não que eu discorde totalmente da discriminalização. Discordo totalmente que ela seja solução para o problema da criminalidade.
A discriminalização hoje só traria (poucos) benefícios aos usuários. E isso porque é dificílimo encontrar algum USUÁRIO preso ou que tenha que cumprir penas mais pesadas que ir assinar termo de compromisso no Fórum. Conheço três que passam por isso.

Você está certo sobre o monopólio do tráfico, mas tem que entender que esse é a consequência, não a causa. Infelizmente o tráfico hoje, para um favelado, é seu trabalho diário. Seu ganha pão. Só falta carteira assinada.

Vejamos pelo mundo, não só no Brasil. O tráfico é tão violento quanto a pobreza local. Pode ser numa favela do Rio quanto num gueto nos EUA.

O que falta nesses lugares, não é essa bobagem de "social". Falta trabalho digno. Salário digno. É um problema muito mais econômico que social. As pessoas, em sua maioria, não querem esmolas do governo. Querem trabalhar, ganhar seu dinheiro, colocar comida na mesa. E o tráfico proporciona isso.

O que acontecerá com o exército armado até os dentes nos morros cariocas? A discriminalização da maconha (outras drogas não concordo mais ainda por motivos de saúde pública e custo, não quero ter que pagar por desintoxicação de ninguém), não resolverá isso.

O que eu digo é sempre isso: vamos chegar no nível de desenvolvimento humano de uma Holanda, onde as pessoas têm oportunidades que não sejam o tráfico, e só aí conversamos sobre discriminalização.

Novamente: o problema é Emprego, é Salário. Discriminalização só resolve o problema do usuário rico, não do traficante pobre e preto.

Pablo Vilarnovo em maio 22, 2006 5:31 PM


#14

A propósito, ótimo post! ;)

Pablo Vilarnovo em maio 22, 2006 5:33 PM


#15

Pablo disse algo com o qual concordo e bato na tecla. O problema é muito mais econômico, é o acesso. Quando o cara não vê entrada para a festa pela porta da frente, ele vai dar um jeito de entrar pelos fundos, ou pulando o muro, mas ele entra. Eu vejo todos os discursos sobre criação de milhões de empregos, mas de nada adianta se estes milhões pagam centavos, 300 reais que não paga um aluguel, não paga uma cesta básica, que dirá um mínimo para você sentir-se vivo, viver, veja bem, não sobreviver. é beber a cerveja, é poder alugar um filme, um livro, pq não? comentei até no blog do pedro alexandre sanches, que a pirataria é um grande fator de inclusão social-economônica-cultural pois oferece os produtos para quem a indústria não dá a mínima. dizer que pirataria acaba com o mercado é uma bobagem sem tamanho, pois quem compra pirata nunca compraria os oficiais mesmo. a pirataria apenas denuncia o abismo, das pessoas que ganham muito e as outras que não ganham.

Ian. em maio 22, 2006 6:48 PM


#16

Ah, e esse negócio de "não tinha envolvimento com o tráfico", sei lá...

Como carioca, conheço bem essa história. Depois que a velhinha filmou as crianças com pistolas na mão, a turma do "Sou da Paz" deu uma trégua para a polícia. Antes toda "criança" de 13 anos que morria era culpa da polícia e não fazia parte do tráfico. Depois da filmagem a coisa mudou um pouco.

O que tem que ser feito é uma investigação bem feita.

Dizer que TODOS os que foram mortos, alguns notadamente após realizarem ataque, eram inocentes me parece uma forma de querer ganhar notoriedade...

Só espero que isso não se torne a chave central do problema. A polícia seria muito burra se as acusações se confirmassem. Perderia todo o apoio que teve após o ataque.

Seria o mesmo erro de Bush repetido.

Pablo Vilarnovo em maio 22, 2006 7:13 PM


#17

"dizer que pirataria acaba com o mercado é uma bobagem sem tamanho, pois quem compra pirata nunca compraria os oficiais mesmo."

Tenho duvidas sobre a veracidade do comentario acima pois percebo que pessoas com renda alta sim adquirem pirataria, dvds, cds e muitas outras coisas contando que a qualidade seja boa. O que muitas vezes é.
Logo me parece que em nada adiantara legalizar as drogas que hoje são proibidas se nelas forem embutidos um icms de 25% por exemplo. Vai continuar tudo na mesma.
Isso é triste. O pior é que acho + provavel convencer um padre ou um pastor sobre a racionalidade em legalizar drogas do que convencer um burocrata sobre a irracionalidade de as tributar caso elas venhas a ser legalizadas.

Alexandre em maio 22, 2006 8:33 PM


#18

Na minha pressa não li direito o comentario que citei no meu comentario anterior. Lendo bem agora não posso deixar de concordar com ele.

Alexandre em maio 22, 2006 8:36 PM


#19

Muito bom, Idelber!

Só queria acrescentar que nesta questão da 'guerra às drogas', além da questão econômica, criminal, e de saúde pública, existe outro aspecto que merece atenção (para mim o mais importante), que é a questão cultural.

A humanidade sempre consumiu substâncias psicoativas, e é necessário e urgente que todos percebam que os conceitos utilizados no debate público sobre 'as drogas' estão, há muito, propositalmente 'viciados' por motivações políticas. Para começar, é um absurdo falarmos de 'drogas' de forma genérica. Fomos 'ensinados' a funcionar assim através de uma cartilha norte-americana que propõe a desinformação como estratégia de prevenção, e que desconsidera os usos socialmente e culturalmente desenvolvidos de substâncias psicoativas.

Para não ocupar mais espaço por aqui, convido-os a conhecer a 'Ecologia Cognitiva' -- um movimento que afirma o valor social do uso positivo de substâncias psicoativas, e pretende conectar e ativar a ação integrada de indivíduos e grupos pela mudança das políticas públicas que legitimam a lógica proibicionista no Brasil.

http://ecognitiva.blogspot.com/

Sobre a questão cultural que mencionei, para ilustrar, sugiro este link da revista Fapesp

Saudações,
Elias.

Elias Ulrich em maio 22, 2006 9:24 PM


#20

Leste o Millôr falando sobre a tua saramaga?

Milton Ribeiro em maio 22, 2006 9:44 PM


#21

Milton, vi sim. O texto publicado na Veja é basicamente o mesmo que saiu na orelha do livro. Com o acréscimo dessa recomendação para que o Saramago se cuide . . .

Elias, muito obrigado, que belos links! Vou acompanhar com mais o blog da Ecologia Cognitiva daqui em diante. Gostei mesmo - super documentado, sério, com ótimos argumentos. Gostei especialmente das notícias do México. Abraços e volte sempre.

Idelber em maio 22, 2006 11:08 PM


#22

Pablo, obrigado pela discordância. Como sempre, bacana, e como sempre, acrescentando. Vamos por partes.

1. Ninguém aqui disse que a descriminalização das drogas seja A solução para o problema da criminalidade. Mas é uma delas. Sem ela, não há solução, isso sim, eu disse. Diferença entre o suficiente e o necessário. Não é suficiente, mas é necessário.

2. É justamente o usuário rico que está pouco se lixando para a descriminalização. Ele recebe a cocaína em domicílio, não leva "dura" da polícia e não corre nenhum risco. E quem conhece a realidade da periferia sabe que as "duras" em busca de drogas são, na maioria dos casos, instrumentos de intimidação e agressão contra pretos e pobres.

3. E o discurso de que há que se ter um país maravilhoso (nível da Holanda!!??) antes de se fazer isso ou aquilo não nos ajuda em nada, né? Só podemos resolver um problema quando resolvermos todos? Claro que a solução é emprego, educação, etc. etc., mas esperar pleno emprego e população totalmente educada para resolver um problema tão urgente desses não me parece produtivo.

4. Há semelhanças entre o tráfico nos EUA e no Brasil (e essa é a desgraça! A política americana de combate às drogas é um desastre: nunca se consumiu tanto, nunca se encarcerou tanto e a violência associada ao tráfico não dá nenhuma mostra de diminuição), mas falar de "mundo todo" é exagero. Há uma série de países europeus com políticas bem-sucedidas nessa área.

De novo, não discordo de que há que se fazer muito mais que isso (uma política pública de empregos que supra o que o tráfico hoje proporciona aos jovens da favela, como você bem diz), mas que a descriminalização do consumo de drogas é parte fundamental da solução, disso eu estou totalmente convencido.

Idelber em maio 22, 2006 11:32 PM


#23

Idelber, é aí que está... a discriminalização da maconha (ou qualquer outra droga) é parte da solução de que???? É ísso que eu não entendo!

Da violência é que não é. Pois o traficante de hoje, será o ladrão de banco ou o sequestrador de amanhã caso drogas fossem vendidas em bares. O que irá adiantar? O que vc acha que os milhares de homens armados até os dentes nas favelas do Rio farão após a discriminalização? Simplesmente entregarão as armas?

Se eu acreditasse que iria ajudar ao menos um pouco eu cogitaria. Mas não vai adiantar. O traficante só irá migrar de um crime para o outro. Como já acontece hoje quando a polícia dá duro no tráfico.

Concordo sobre a Europa. Educação é fundamental. E mesmo lá as drogas são proibidas e o tráfico é combatido pela polícia. Mesmo a Holanda está repensando sua condição por causa dos turistas "indesejádos".

Pablo Vilarnovo em maio 23, 2006 1:13 AM


#24

Nossa, estou inconformado com essa história do Ferréz. O pior é perceber a ignorância da tal "classe média", que tem acesso a internet e se expressa tanto em blogs como em comentários. Como podem confundir defesa dos moradores da periferia com apoio ao PCC? Crítica à ação da polícia com apoio aos ataques da facção? Como que pode essa preocupação em pagar menos imposto no meio de tópicos tnao sérios como segurança pública e descriminalização das drogas? Li uma matéria na FOLHA que tem uns depoimentos de garotos da periferia e é até constrangedor o quanto que eles têm mais clareza na análise do PCC do que as pessoas supostamente "esclarecidas" que andam pela internet. O pior é que se pode divulgar as maiores bobagens pela net, mas um cara que estava falando algo sério, no caso o Ferréz, de repente perdeu seu direito de se expressar. Todo mundo pode falar o que quiser, até besteira, mas o cara tem que fugir da cidade por ter feito isso?

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2205200609.htm

daniel em maio 23, 2006 1:25 AM


#25

Daniel,
A menção de tributação se da pela seguinte razão. Siga o raciocinio.
Se a legalização das drogas visa remover o poder que um monopolio ou um oligopolio confere a um traficante ou a poucos traficantes então não se deveria tributar as substancias que serão legalizadas. Ao menos não se deveria fazer ao ponto onde o consumidor dessas substancias volte ao traficante para adquirir a droga. Se o custo da droga legalizada e fornecida por estabelecimentos registrados for proibitivo ao bolso do usuario nada mudara ja que ele ou ela continuara a financiar as mesmas pessoas que estão vendendo drogas agora.

Alexandre em maio 23, 2006 3:21 AM


#26

Alô Idelber,

Obrigado pelo estímulo. E gostaria de acrescentar uma observação: você repara que toda discussão sobre legalização de drogas fica uma coisa meio circular, sem saída? Será que o problema é da legalização, ou o problema é das drogas? E quando faço essa pergunta estou questionando o termo, o conceito, a palavra que é utilizada como ferramenta para o entendimento. 'Drogas'? O que é 'drogas'? É um universo tão genérico, tão diverso, que quando unimos a palavra droga ao conceito legalização, fica uma coisa meio impensável.

Mas o que estamos combatendo na verdade, é o proibicionismo. Esta estratégia foi montada lá nos anos 30 do século passado, e reforçada na reação do establishment ao 'love and peace' dos anos 60. Envolve muita grana das indústrias bélica e farmacêutica, assim como conta com o apoio dos atuais 'barões da droga' -- é muita grana (poder) reunida.

E estamos nessa até hoje. Você mencionou o México... Parece que já reverteram lá. O vizinho ficou bravo. Estarei pesquisando o caso para o 'Ecologia Cognitiva'.

Abraços,
Elias

elias ulrich em maio 23, 2006 10:46 AM


#27

Fala, Alexandre!

Concordo com o q vc disse a respeito da taxação em cima das drogas, o q eu não curto é um papo tipo o "não quero pagar pela desintoxicação de ninguém" que rolou lá em cima. Muito egocêntrico esse tipo de colocação. Até porque o fato das drogas ainda serem ilegais não significa que a rede pública de saúde não atenda casos de complicações com drogas.

daniel em maio 23, 2006 3:22 PM


#28

Grande amigo Idelber, respodendo:

A discriminalização não é solução para criminalidade como não passa nem perto disso. Como falei, o traficante encara o seu "serviço" como um trabalho. Funciona como uma empresa, com seu "chão de fábrica" (os olheiros, vapores e soldados), média gerência (os gerentes de boca) a diretoria (o dono do morro) e até o conselho de administração (os chefões do CV, ADA e 3 Comando). Eles não vão simplemente abaixar as armas.

E digo mais, nunca que o Brasil, conseguirá vender drogas "legalizadas" mais barato que os morros.

Traficante não paga imposto, não paga 13 salário nem INSS, FGTS então nem se fala. Não paga férias. Não tem que abrir firma, pagar taxa nenhuma, suborna alguns policias mas até isso é muito mais barato que o suborno de algum fiscal da receita ou de algum coronel do Corpo de Bombeiros para alguma laudo. Alguma empresa legalizada conseguiria competir com o tráfico? Não se esqueça é esse traficante já possui toda a cadeia produtiva, desde plantador de coca boliviano (tipo Evou Roballes), do atravessador, da Guerrilha narco-comunista (FARC), dos laboratórios de refino, da distribuição.

Agora eu te pergunto: algum viciado, doido para cheirar, vai querer comprar mais caro na "lojinha oficial" enquanto pode comprar mais barato na mão do traficante.

É a simples questão de preço, oferta e procura.

Acho isso muita ilusão, francamente.

Pablo Vilarnovo em maio 23, 2006 4:01 PM


#29

Pablo, meu caro, ando trabalhando igual de burro de carga aqui neste semestre-extra em Tulane, então a resposta vai ser curtinha. Sobre se a descriminalização quebraria ou não a espinha dorsal do tráfico, não acredite na minha palavra, nem na de petistas ou de gente ligada à área de direitos humanos. Converse com alguns delegados de polícia (não os corruptos que ganham propina, claro).

Eles são unânimes em condenar a nossa política de drogas (eu lhe digo isso porque sou de família de advogados, procuradores, delegados, e todos eles estão de acordo nisso). Enfiar o sujeito na cadeia porque foi pego com dois baseados é o fim da picada num país como o nosso, num sistema carcerário como o nosso.

E aí a questão não é "do viciado que quer cheirar". A vasta maioria dos encarcerados por consumo de drogas são por posse de maconha. E aí, meu amigo, é o que eu disse à Pat acima: a maconha é uma droga caseira, aquilo nasce até em xaxim. Quem quiser consumir pode fazê-lo de graça, plantando. Basta um palmo de terra. Não há motivo para se pensar que se instalaria uma distinção entre a "loja oficial" e o traficante. Quem precisaria de traficante para fumar maconha?

Cocaína e heroína são outra história, embora eu também seja favorável à liberação do consumo delas.

Quanto à Europa, é verdade que reprimem o tráfico, mas a política quanto ao consumo é bem distinta da dos EUA. E bem mais exitosa.

Daniel, meu caro, realmente é revoltante o que está acontecendo com Ferréz. Quem tiver notícias dele, por favor avise. Abraços,

Idelber em maio 23, 2006 5:24 PM


#30

Daniel,
Vou discordar de ti. Não acho que uma pessoa que não deseja e não acredita ser sua obrigação pagar pela desintoxicação de outra seja algo negativo. Me parece ser uma premisa da liberdade opinar e protestar quando um agente retira seu dinheiro para fazer algo com o qual não estas de acordo.
+ gostaria de falar + de como esse agente ( o estado) é tão incompetente, na verdader tão cinico na forma em que gasta nosso dinheiro em relação a recuperação de drogados.
Pelo o que eu saiba o SuS não oferece tratamento de desintoxicação. Não interno os dependentes e tampouco oferece acompahamento e medicamento para que se livrem de seus vicios. Entretanto a legislação trabalhista sim confere a um dependente de drogas o beneficio de APOSENTADORIA POR INVALIDEZ.
Vc não acredita, Pois acredita nessa irracionalidade pois é o que diz a nosso genial legislação.
Eu ja trabalhei como voluntario assitindo familias com dependentes internados e o acesso a aposentadoria por invalidez por vicio vai na direção contraria ao tratamento para desintoxicação pois um dos pilares desse tratamento é a ocupação do dependente em alguma atividade que lhe de retorno ( incluindo o financeiro) e por tabela lhe devolva a auto-estima atraves do sentimento de ser util, de encarar e vencer o desafio de trabalhar.
Logo no caso da recuperação de drogados o nosso dinheiro é usado não para ajudar o viciado no seu tratamento e sim para ESTIMULAR UM MAU HABITO que é duramente combatido atraves da re-educação pelos medicos que tratam dependentes toxicos.
Sim meu caro, tem dependente por ai se aposentando com 30 anos ou até menos por causa disso. Eu acho que é ruim para ele, é ruim para os contribuintes e afeta negativamente toda a sociedade.

Alexandre em maio 23, 2006 5:40 PM


#31

Caro Alexandre,

Acho que você não discordou de mim, não... Só o que eu acho é que esse papo de "pensar no contribuinte" é egocêntrico e contra-producente, não deve ser questão central em nenhuma discussão. Não concordo com gastos estúpidos de dinheiro público, mas acho que o mal uso dos impostos não deveria impedir iniciativas para resolver problemas. Resolvamos o problema primeiro, depois pensemos nas taxações.

Eu não sabia desses dados que você trouxe sobre o tratamento público de viciados e da aposentadoria. Realmente o "benefício" da aposentadoria vai na contramão do tratamento. Que coisa burra! Mas isso não vai contra o que eu estava dizendo.

Uma dúvida: drogas legais (álcool) também justificam aposentadoria por invalidez?

Alexandre, valeu pela discussão, está esclarecendo várias coisas.
Idelber, valeu pelo espaço. As discussões aqui sempre são interessantes.

daniel em maio 23, 2006 6:35 PM


#32

Idelber, que a política de combate às drogas é ineficaz estamos 100% de acordo.
Sobre os delegados, há controvérsias... já conversei também com outros que acham o oposto. Que a discriminalização não acabará com o problema da polícia que é criminalidade. Se esta é envolvida com o tráfico de drogas ou com assalto a bancos, tanto faz. O certo é que o tráfico, não só da maconha, mas também da coca que é o que dá dinheiro grande, continuará mesmo com a discriminalização.

Agora eu pergunto. Imagine a cena:

Você vai para o dia de sua operação de ponte de safena no Hospital X. Na entrada do hospital você seu cirurgião queimando um bagulho. Você deixaria ele te operar?

Veja bem, não importa se ele pode fazer isso escondido ou não. O que vc faria? Deixaria ser operado por um cirurgião que fumou um?

O problema que apesar de ser uma droga leve, a maconha sim causas alterações no organismo.

Ou entraria num avião de um piloto que acabou de fumar um bagulho?
Deixaria seus filhos numa creche em que a professora fuma um antes da aula?

São questões práticas, do dia a dia que poderiam acontecer no caso de uma discriminalização.

É complicado.

Sobre a utilização em casa, como um liberal eu tendo a concordar. Em muitos países da Europa isso já acontece. No Nomínimo um tempo atrás teve uma matéria sobre isso. Se eu não me engano era de lojas na Espanha que comercializavam livros, produtos...

Só que infelizmente tendo a duvidar de alguém que diz que SÓ fuma maconha em casa. Sei disso.

Pablo Vilarnovo em maio 23, 2006 7:26 PM


#33

Achei a reportagem do No Mínimo. Infelizmente o link está quebrado, mas encontrei sua reprodução no Site do Gabeira (já falei que sou fã desse cara?)

A reportagem chama-se Fumaça sobre a Catalunha

http://www.gabeira.com.br/e-legalize/artigos/mostra_art.asp?id=85

O problema é que quase invariavelmente, quem começa a plantar em casa para o consumo próprio, acaba vendendo o seu excedente. É o capitalismo.
Mas aí já se transforma em traficante...
E aí o bixo pega.

Pablo Vilarnovo em maio 23, 2006 7:32 PM


#34

Não tem jeito. Carioca coloca "x" em tudo. Até onde não tem... BICHO.

Pablo Vilarnovo em maio 23, 2006 7:43 PM


#35

Não entendi a argumentação de Pablo com o cirurgião, o piloto, a professora... Isso não pode acontecer mesmo com a droga ilegal? Será q já não acontece? E a mesma coisa não se aplica a drogas legais? Você vai se operar com um cirurgião pau-d'água? Acho que a descriminalização não tem nada a ver com essas situações.

daniel em maio 23, 2006 8:38 PM


#36

Também acho, Daniel. Eu não aceitaria ser operado por um médico que acaba de tomar 4 Johnny Walkers, nem por isso acho que devamos proibir o uísque :-)

Idelber em maio 23, 2006 8:54 PM


#37

puxa...
mas que honra sua visita!

volte sempre!
abs.

Luis Tavares em maio 23, 2006 9:46 PM


#38

Se repressão adiantasse mesmo, nós não teríamos chegado até onde chegamos. Qualquer um que realmente quiser sabe onde e como comprar cocaína, por exemplo. Os exemplos citados são extremos e poderiam acontecer também com drogas legais, como de fato acontecem. Tanto que algumas empresas têm programas para ajudar funcionários que queiram abandonar vícios, tipo alcoolismo. Droga é uma questão de saúde pública e não de polícia.

cristiane em maio 23, 2006 10:57 PM


#39

Daniel,
Talvez isso te interese. Abaixo esta um trecho sobre os efeitos da aposentadoria precoce. O autor relata varios casos de aposentadoria por invalidez por razões diversas. Entre elas por dependencia quimica. A leitura ao meu ver é reveladora.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232005000400017&lng=ES&nrm=iso&tlng=pt

"Nas famílias de trabalhadores jovens, a aposentadoria parecia constituir "um mal necessário". Para a mãe de M. H., 27 anos, atendente comercial, afastado com diagnóstico de dependência química, a aposentadoria não seria um prêmio, seria uma taxação de incapacidade. Uma pessoa que se torna incapaz com 27 anos pode ser uma tarja que ele venha carregar, né? Porque não pode ser benéfica. Ele vai ficar pior. Por outro lado, se ele não se curar e perder o emprego? Como vai se manter e se tratar? Essa mãe imaginava que o filho, uma vez demitido, dificilmente obteria um novo emprego. A aposentadoria era a garantia do rendimento mensal e do tratamento através da empresa. Entretanto, percebia também que a aposentadoria precoce o estigmatizaria, desobrigando-o da responsabilidade quanto à própria subsistência e da possibilidade de investir num processo de reabilitação profissional. Portanto, as famílias conheciam os desgastes sofridos pelas numerosas tentativas de readaptação. Em geral, os lugares oferecidos para "reabilitação", apesar dos esforços dos profissionais, eram limitados. Era comum o sujeito sofrer novo afastamento antes que o programa de reinserção se completasse. Para alguns gestores, aceitar o reabilitando significava ter "meio trabalhador no setor". Sem uma perspectiva de "reacomodação" mais consistente, essas pessoas tornavam-se desacomodados crônicos, recebendo sucessivos afastamentos."

Alexandre em maio 24, 2006 6:36 AM


#40

Idelber, então vocês concordam comigo.

Pablo Vilarnovo em maio 24, 2006 11:24 AM


#41

Olá Idelber!
Ler seu "blog" é ótimo, mas melhor ainda é ler os comentários...
Sou totalmente a favor de descriminalizar as drogas.E como Agrônomo posso afirmar que se liberassem o plantio de Cânhamo, tanto o "recreativo" como o "industrial", as vantagens para ambos os "lados", seriam enormes. Para o consumidor do "recreativo", a certeza de que aquilo que estaria consumindo teria uma "origem conhecida". E para o lado "industrial", a planta de Cânhamo é um verdadeiro "Bombril" vegetal. Iria poupar um tempo enorme para a produção de papel (é apenas uma das coisas que dá para se fazer), pois produz em seis meses, o que uma floresta de Eucaliptos leva seis anos. Além de ser um excelente recuperador de solos. Esse assunto é maravilhoso...

Gustavo Uriartt em maio 24, 2006 12:31 PM


#42

oi, Pablo,

Concordo que não quero me operar com um médico fumado ou bêbado ou ambos, mas discordo que manter as drogas ilegais evite esse tipo de situação.

daniel em maio 24, 2006 1:07 PM


#43

olá idelber. conheço vc lá do blog do pas e quero acrescentar ao seu ótimo texto a necessidade de se permitir o plantio doméstico da maconha para uso próprio, que é, a meu ver, o único modo do usuário escapar da armadilha de contribuir com o crime organizado cada vez que compra uma paranga.
um abraço.

pedro noizyman em maio 24, 2006 7:41 PM


#44

Pedro Noizyman tem razão acredito. Um plantio para consumo proprio é a coisa + madura que um usuario poderia fazer.
Quero acrescentar, sem fazer uma caça as bruxas e apenas dizendo o que me pareçe justo. Mesmo se o plantio proprio não for legalizado uma pessoa que consome maconha deveria a praticar pois assim assume os riscos por seu habito em vez de comprar de um traficante e jogar as consequencias para as comunidades onde os traficantes operam e para a policia encaregada de combater os mesmos.
Uma coisa é o que pregamos sobre um mundo ideal no buteco em conversas com nossos amigos e essa muitas vezes contrasta com o que praticamos em nossas vidas sempre buscando desculpas pela abrietaridade do estado sobre nossa vida para jogar as consequencias de nosso comportamento sobre outra ou outras pessoas.
A abrietraridade não é justa + e um escandalo, trantando-se de nossos habitos, a jogar no elo + fraco.

Alexandre em maio 25, 2006 6:26 AM


#45

Gustavo lembrou bem as mil e uma utilidades do cânhamo, o que naturalmente também é parte dessa discussão, não tocada no post.

heheheh, pedro, paranga é palavra que eu jamais achei fosse ser escrita aqui.

Valeu :-)

Idelber em maio 25, 2006 3:07 PM


#46

Concordo com vocês. E por incrível que pareça, bastante gente concorda. Nesses dias pós-guerra civil em SP, escuto muita gente comentando que deviam descriminalizar as drogas, para evitar situações como essa. Mas penso num porém: há viciados que assaltam drogarias para pegar remédios controlados. Isso já levou muitas a não abrirem mais em plantão. Se as drogas fossem vendidas em drogarias, não aumentaria muito esse tipo de roubo?
Em literatura, parece muito bom o livro "Cocaína: literatura e outros companheiros de ilusão", coletânea de textos compilados por Beatriz Resende, que falam sobre o efeito da droga no organismo descrito por vários autores. Engraçado, eu procuro por esse livro nas grandes livrarias para dar uma lida e não encontro em nenhuma. Por que será :-).

Te em maio 26, 2006 1:29 PM


#47

É engraçado que eu tenha sempre defendido a liberação de todas as drogas, baseado (sem trocadilhos, por favor) nas noções de liberdade de escolha, liberdade de manifestação e liberdade de expressão. Nunca tinha vislumbrado a idéia de liberar as drogas para nos livrar do crime "econômico" de vender uma mercadoria.

Mas infelizmente eu acho que essa proposta não tem a menor chance de ir em frente. O lobby contra a legalização das drogas é muito forte: policiais, religiosos, políticos, profissionais de saúde, assistentes sociais, psicólogos (ops, o Freud era a favor), advogados e tantos outros grupos profissionais organizados, que dependem diretamente do atual status ilegal das drogas, se mobilizariam para impedir essa mudança.

Homero em maio 27, 2006 9:03 PM


#48

Senado reintroduz prisão para usuário na 'nova' política de drogas

O Globo:
A comissão aprovou a exclusão da proposta da Câmara de pena alternativa para quem semeia, cultiva e colhe plantas destinadas à preparação de drogas. Quem for flagrado, por exemplo, com um pé de maconha plantado num vaso será tratado como traficante e preso. As alterações são de autoria dos senadore