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segunda-feira, 05 de junho 2006

Aberta a temporada de caça ao escritor austríaco Peter Handke

(o post é bem longo, mas peço uma leitura atenta. O assunto é muito importante)

handke.jpgNo dia 18 de março deste ano, o escritor austríaco Peter Handke, um dos maiores ficcionistas e dramaturgos da história da literatura em língua alemã, compareceu ao enterro de Slobodan Milosevic, em Pozarevac, Sérvia. No dia 06 de abril, uma certa Ruth Vicentini publicou, na revista francesa Nouvel Observateur, uma nota em que ela diz que o escritor austríaco, ao lado de 20.000 “fanáticos”, havia “tremulado a bandeira sérvia”, se referido aos sérvios como “as verdadeiras vítimas da guerra”, “defendido o massacre de Srebrenica”, “depositado flores no carro fúnebre de Milosevic” e, finalmente, designado Milosevic como “um homem que defendeu o seu povo”.

O que acontece é que todas as afirmações acima, feitas na nota de Vicentini, eram falsas. E daí? dirão vocês, foi só o Nouvel Observateur tendo o seu dia de Veja. Mas é que a história só está começando.

A partir da nota publicada na revista, Marcel Bozonnet, diretor da Comédie Française, decide cancelar a temporada da obra teatral de Handke já programada pela instituição. Uma enxurrada de linchamentos ao “defensor do genocida Milosevic” começa a circular em toda a imprensa européia: em inglês, em francês, em alemão, em espanhol. Handke havia recebido o prêmio Henrich Heine, talvez o mais importante das letras alemãs. Logo depois do artigo calunioso e do linchamento que se seguiu, teve início o processo – ainda em curso – de confisco do prêmio.

Imediatamente depois da publicação das mentiras de Vicentini, o escritor austríaco escreveu uma carta ao Nouvel Observateur, em que ele detalhava o que era falso no artigo e citava textualmente o conteúdo do seu discurso no enterro de Milosevic. Mais de três semanas depois a revista ainda não a havia publicado, nem se retratado pelo erro. Só o fez quando um grupo de intelectuais europeus escreveu uma carta aberta à revista, em solidariedade a Handke. A revista finalmente publicou a missiva de Handke, justificando-se com o argumento de que “a pessoa responsável pela correspondência dos leitores estava de férias”.

O que foi, finalmente, que disse Handke no enterro de Milosevic? Handke domina perfeitamente o servo-croata e nessa língua discursou. Ele mesmo traduziu o discurso ao francês para a revista. Traduzido por mim do francês ao português, o texto é este:

O mundo, o assim chamado mundo, sabe tudo sobre a Iugoslávia, a Sérvia. O mundo, o assim chamado mundo, sabe tudo sobre Slobodan Milosevic. O assim chamado mundo sabe a verdade. Por isso, o assim chamado o mundo está hoje ausente, e não somente hoje e não somente aqui. Eu sei que não sei. Não sei a verdade. Mas olho. Ouço. Sinto. Recordo-me. Por isso estou hoje presente, perto da Iugoslávia, perto da Sérvia, perto de Slobodan Milosevic.

Qualquer que seja a sua opinião sobre a guerra nos Balcãs e sobre a extensa produção escrita de Handke sobre ela, o texto está a quilômetros de distância do “defensor de massacres” que neste momento sofre o linchamento nas mãos da Europa bem-pensante. A própria revista assim o reconheceu, ao publicar a correção de Handke sem reparos, infelizmente só depois que o dano já havia sido feito e a calúnia tivesse dado três voltas ao redor do planeta.

Até chegar em Pindorama. No blog Todo Prosa, Sérgio Rodrigues publicou no último dia 03 um post em que dizia:

A vida do escritor austríaco Peter Handke piorou muito desde que ele compareceu ao funeral de Slobodan Milosevic, em março, e fez um emocionado discurso de adeus ao ex-ditador sérvio, o último grande genocida de um século rico nesse gênero.

O post atribuía a Handke a afirmação de que Milosevic foi “um defensor do seu povo”, quase um mês depois dessa afirmação ter sido desvelada como uma calúnia na própria revista que originalmente o publicou. Tudo bem, todo mundo erra. Conto a história para que se veja como se fazem e se destroem reputações, e como nossas “democracias” vilificam e lincham com a mesma facilidade com que pressupõem que a censura é exclusividade de comunistas, fundamentalistas islâmicos e outros bichos estranhos.

Desde então, e seguindo-se a um comentário que eu publiquei lá (e que é uma versão resumida da história relatada acima), a falsa atribuição de citação foi felizmente removida do post, infelizmente sem que se seguisse a ética blogueira de que, quando se altera um post ao qual os leitores já responderam, indica-se no corpo do post qual foi a alteração feita. Ou seja, como está, para que você saiba qual foi o post publicado no dia 03 você tem que ler a caixa de comentários.

Seguindo-se ao meu comentário, o Sérgio me ofereceu uma resposta da qual eu cito os três primeiros tópicos em itálicos. Intercalo minhas tréplicas:

1.Agradeço a informação sobre a notícia sensacionalista do Nouvel Observateur e lamento ter dado curso à frase sobre o “defensor de seu povo” - de todos (sic) as “calúnias” citadas no comentário, a única que veio parar neste blog. Como não tenho compromisso com o erro, já retirei a frase da nota. Não faz a menor falta.

De nada. Com certeza, uma falsa atribuição de citação não faz a menor falta num blog da qualidade do Todo Prosa. Lamento que, mesmo sabendo o que afirmação provocou na Europa, o colunista ainda prefira manter a palavra calúnia entre aspas. Também lamento que a retirada da frase não tenha seguido a ética blogueira de que se altera um post indicando no corpo do post qual a alteração feita. Parecem bobagem, mas não é. 20 leitores responderam a um post que não é o que está lá. Nesses casos, transparência é tudo.

2. As fontes que deram curso à tal frase são muitas, da agência alemã Deutsch Welle (sic) ao jornal The Guardian, para citar apenas duas acima de qualquer suspeita. O Yahoo foi linkado aqui porque trazia um resumo mais amplo da história.

Sérgio tem toda a razão que tanto Deutsche Welle como o Guardian reproduziram a calúnia da nota de Vicentini. O que só prova que há que se suspeitar de todas as fontes secundárias, incluídas as que estão “acima de qualquer suspeita”. Neste caso, claro, a fonte primária era o Nouvel Observateur, onde a calúnia já tinha sido exposta há quase um mês.

3. A frase é, obviamente, secundária. O comparecimento ao velório de um genocida de carteirinha fala por si - e lamento informar a Idelber e Curiango que esse atributo de Milosevic está longe de ser uma questão histórica aberta, infelizmente.

Em qualquer falsa atribuição de citação, a frase nunca é secundária. A frase “secundária” é parte de um amontoado de mentiras que provocaram considerável dano à reputação e à carreira de um dos maiores escritores contemporâneos. Secundária?

Quanto à “informação”, agradeço. Talvez o Sérgio devesse dá-la também aos especialistas em história dos Balcãs, nenhum dos quais usa a expressão “genocida de carteirinha” assim com tanta confiança. Talvez devesse dá-la à Comissão Internacional de Direitos Humanos que investigou a guerra nos Balcãs e explicitamente excluiu a palavra “genocídio” de seu relatório. É o especialista William A. Schabas que afirma, no livro Genocide and International Law (Cambridge University Press, 2000): “quando ficou claro que o líder iugoslavo Slobodan Milosevic pretendia expulsar os Kosovars do território, e não destruí-los fisicamente, as referências a genocídio declinaram. Uma resolução adotada pela Comissão de Direitos Humanos no fim de abril de 1999 descrevia a realização de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, mas não mencionava genocídio. Quando foi ouvido o pedido da Iugoslávia de medidas provisórias contra os estados da OTAN no começo de maio de 1999, os estados qualificaram as ações em Kosovo como limpeza étnica, não genocídio. Pelo Tribunal de Crimes Internacionais . . . Milosevic não foi acusado de genocídio" (página 500).

Como se vê, a afirmação de que está longe de ser uma questão historicamente aberta que Milosevic foi um “genocida de carteirinha” está tão equivocada como a citação atribuída a Handke e originalmente presente no post. Isso não quer dizer que não tenham ocorrido massacres e crimes: o massacre de Srebrenica feito pelos sérvios, o massacre croata em Krajina, massacres contra a minoria sérvia pelo Exército de Libertação de Kosovo. Simplesmente quer dizer que a palavra “genocídio” deve ser usada com cuidado, ou ela perderá a credibilidade. E que a guerra dos Balcãs está longe de ser um conflito em que há um lado “genocida” e um lado “inocente”. Esta caracterização, presente ainda na mídia, tem atendido interesses que não são os de estabelecimento da verdade.

É só isso que Handke tem dito, desde os anos 90.

Quanto à conclusão do post do Sérgio,

Continuo achando difícil conciliar o autor de “Asas do desejo” e o exaltador de Milosevic na mesma pessoa,

eu deixo o desafio de que ele me aponte uma única linha escrita por Peter Handke que possa ser interpretada como de “exaltação” a Milosevic. Já adianto que nem em Ein Wortland. Eine Reise durch Kärnten, Slowenien, Friaul, Istrien und Dalmatien nem tampouco em Unter Tränen fragend. Nachträgliche Aufzeichnungen von zwei Jugoslawien-Durchquerungen im Krieg, März und April 1999, os dois livros de Handke sobre os Balcãs, ele não a encontrará.

Por isso eu sempre achei que a defesa do direito de expressão, o direito de opinião, é sempre, por definição, o direito de ter qualquer opinião, até a aparentemente mais repugnante. Esse direito é como a virgindade: ou você tem ou não tem. Não há meio termo. E esse direito está sendo, no momento, tirado de um grande escritor contemporâneo, com censura, cancelamentos, confisco de prêmios e um linchamento nas mãos dos bem-pensantes.

Por isso acabo de assinar a carta dos acadêmicos norte-americanos em apoio a Peter Handke. Não há meio termo: toda a solidariedade a Handke.



  Escrito por Idelber às 05:11 | link para este post | Comentários (41)


Comentários

#1

Handke é, acima de tudo, um chato.

O primeiro problema, na minha opinião, não é exatamente questionar o sujeito por suas posições políticas; é fazer isso sobre bases factuais falsas. É inegável que ao comparecer ao enterro do Mimi ele fez uma declaração política. É uma figura pública, respeitada sabe Deus por quê. Só isso já deveria bastar para que se condenasse suas posições. Não é preciso falsificar declarações.

E descontando-se as diferenças mais que óbvias, é um pouco isso o que a mídia nacional -- e não apenas a Veja -- fez com Lula e com todo o governo no último ano. É um tipo de campanha nefasta que acaba, em primeiro lugar, com a verdade e com a sua relação com os fatos.

Por outro lado, é interessante ver como a diversidade da internet possibilita que esse tipo de linchamento, falso ou verdadeiro, seja contido ou pelo menos questionado em bases razoavelmente igualitárias.

Terminando: como se o pecado da chatice não bastasse, o sujeito não entende nada de futebol. Não sabe de quem é a verdadeira angústia na hora do pênalti. Como esperar que ele tenha juízo em política?

Rafael em junho 5, 2006 9:59 AM


#2

Gostei do post e ainda vou ter que conferir as referências, muito boas. Vou ter que concordar com o Rafael (espero que o petit Jesus não me castigue por isso :-).

A comparição e o discurso do escritor nesse enterro (comparição nada inocente) é em si um acte de parole. O outro problema é a conjuntura política francesa... Geralmente esse tipo de debate rola solto e tem grande participação, o problema é que a situação atual é delicada e dar espaço na Comédie française para um autor que pronuncia um discurso que coloca mais perguntas do que respostas em relação a um assunto espinhoso. Isso é claro não tem nada a ver com a obra do Handke. De resto, a palavra genocídio foi banalizada é verdade, mas a fronteira entre genocídio e limpeza étnica é muito estreita. Admite-se o uso da palavra genocídio no caso da Shoah, mas se começarem a atribuir o qualitativo de genocida aos autores e responsáveis dos massacres (ou limpezas étnicas) de Ruanda, da República Democrática do Congo, do Darfur, ou do Kosovo... isso terá como consequência assumir responsabilidades e isso é tudo que a ONU, os EUA e a União Européia não querem fazer. Para mim o fato de ter sido ao menos responsável por um crime contra a humanidade já me basta.

Quanto ao rapaz do Todo Prosa, acho que você está exigindo demais dele. O que ele faz no blog dele é comentar a atualidade literária, ele não deveria tentar passar por historiador ou especialista da atualidade internacional. Mas isso são os blogs, tem de tudo, filósofo de fim de semana, cozinheiro de ocasião, crítico literário e psicanalista de botequim. Para que ele retire o genocida de carteirinha, ia ter que ir pesquisar sobre o assunto, conferir fontes, já pensou a trabalheira ? :-)

Isso dito, acho que falta no Brasil um jornal ou publicação séria sobre atualidade internacional, para quem só lê em português é realmente difícil de ficar informado. Isso seria um bom projeto pra blogosfera brasileira, um blog coletivo com especialistas e semi-especialistas de várias regiões do mundo, com artigos e traduções para o portuga. Bjos.

Ana Lucia em junho 5, 2006 10:27 AM


#3

Adorei o post, Idelber. Precisamos reeditar o aviso de Caetano, de triste lembrança dos tempos da ditadura: "É preciso estar atento e forte", sempre.
Aquele Abraço.

Helena Costa em junho 5, 2006 11:58 AM


#4

Idelber, aproveitando a tua metáfora pergunto: Handke é virgem ou não?

Afinal, por que ele foi discursar no funeral de Milosevic?

Bender em junho 5, 2006 1:04 PM


#5

Ana Lucia, o Todo Prosa não é um blog qualquer, mas o blog de literatura do No Mínimo, e o Sérgio Rodrigues é um estudioso de literatura e filologia.

Bem, à parte o escândalo da citação errada, já explicado pelo Idelber, eu penso que criticar o escritor por ter uma posição política é patrulhamento.

Existe uma diferença muito grande entre dizer "não concordo com Handke" e "Handke não poderia defender isso". É a diferença entre pluralismo e intolerância.

Marcus em junho 5, 2006 1:14 PM


#6

Caro Marcus eu nao disse que se tratava de um blog qualquer, mas o fato que o jornalista citado seja estudioso de literatura (brasileira, universal ?) ou filologia não faz dele um especialista dos Balcãs. A blogosfera está cheia de estudiosos...as redações de jornais também...

Acho que centrar o debate na questão de saber se o que aconteceu na ex-Ioguslávia foi genocídio ou não, nos leva a um beco sem saída, afinal crime contra a humanidade e genocídio são coisas que caminham juntas. Se criticar o escritor é patrulhamento, criticar os que criticam também o é. O que é grave pra mim é citar uma polêmica sem ir verificar as fontes (o debate em questão é bem complicado) e também a questão de proibir a peça do autor em instituição pública (se fosse um teatro privado, do diretor mencionado, ele poderia fazer o que quer). Acho que ninguém disse que Handke não pode defender isso, o que se fez foi dizer se vc defende isso tant mieux, mas aqui você não entra... é em torno disso o debate...

Ana Lucia em junho 5, 2006 2:08 PM


#7

Está bacana o debate. Mandem bala. Como apontou o Rafael, o problema aqui foi a forma como o linchamento se deu, com falsificação de citações. O resto é importantíssimo, claro, mas é independente do que foi feito com Handke.

Idelber em junho 5, 2006 2:29 PM


#8

Eu já ia dizendo que qualquer um que peita Habermas conta com minha solidariedade quase-automática, mas vi que não seria sensível de minha parte. :)

De qualquer forma obrigado por trazer novos tons a este debate tão cinza, Idelber. Boa sacada, excelente post. Vou ler as referências atentamente.

abçs

hermenauta em junho 5, 2006 2:37 PM


#9

Ótimo post para fazer pensar, entre outras coisas importantes, sobre as fontes acima de qualquer suspeita. Acho que a Ana Lúcia tocou num ponto nevrálgico quando fala do medo de certos países e organizações de assumir responsabilidades. Basta pensar nas estranhas circunstâncias da morte do Milosevic, posteriormente classificada de morte natural pelas "otoridades".

Márcia em junho 5, 2006 3:12 PM


#10

Não foi um post longo. Foi muito fácil lê-lo.

Handke só não tem razão numa coisa: quem sente medo diante do pênalti não é o goleiro, é o batedor. Só ele pode transformar-se de verdugo à vítima em décimos de segundo.

Quem conhece um pouco de obra de Handke sabe do que estou falando. Aliás, não gostei muito deste livro.

Abraço.

Milton Ribeiro em junho 5, 2006 3:15 PM


#11

Me veio à cabeça um trecho escrito por Saramago em "o homem duplicado" :
"Todos nós andamos por aí, mais ou menos somos todos figuras públicas, o número de espectadores a assistir é que difere."
Volta e meia aparece um escritor que comete um deslize, esquecendo-se da força da palavra.Taí Fernando Sabino, que morreu amargando a infelicidade de Zélia, uma paixão. Fazer o quê? Handke vai ter que conviver com isso, até que a memória se apague. Também, quem mandou ele não desconfiar do número de espectadores sérvios?

Joelma em junho 5, 2006 3:19 PM


#12

lindo texto, idelber. mas só para provocar: seria o nouvel observateur em dia de revista "veja" ou em dia de "carta capital" ou "caros amigos". é bom a gente lembrar q essas duas ultimas publicações vivem a defender o fuzilamento de cubanos q se opõem a fidel. e sempre dão espaço aos abaixo assinados feitos pela "progressista" esquerda intelectual brasileira aos desmados e assassinatos do comandante fidel. o q no fim, prova q todo artista engajado, no fundo, são uns bestões

nara em junho 5, 2006 4:20 PM


#13

Sobre a diferença entre crítica e censura, que foi discutida acima: acho que as coisas não se confundem de jeito nenhum.

Vir aqui - ou ir a qualquer lugar - descer o sarrafo em algo que eu disse, mesmo com termos duros, é crítica. Escrever à AdNet e pedir o cancelamento da hospedagem do meu blog por algo que eu disse é censura.

Descer o sarrafo, mesmo com termos duros, nas posições políticas de Handke é crítica. Cancelar a exibição de obras e confiscar prêmios é censura.

Para mim, essa diferença é irredutível.

E, nessas horas, ou você defende o cabra que foi vítima de censura, ou não defende. Nessa questão eu não vejo meio-termo.

Idelber em junho 5, 2006 5:16 PM


#14

Só prá não ser totalmente off-topic, digo que o Peter Handke tinha todo direito de ir no enterro de quem quisesse. Essa história dos Balcãs é longa e complicada, e o Kusturica já tinha sido bem malhado, há alguns anos, por não ter sido "pró-croata" e "anti-sérvio" no "Underground". Só por ter mostrado uma visão menos preto-no-branco e com mais perspectiva levou bastante na cabeça, foi acusado de apoiar o Milosevic e tudo. Claro que no fim o que ele disse no filme é bastante verdadeiro: "irmão contra irmão", nada mais que isso.

Agora vamos pro off-topic. Como que a Carta Capital e a caros Amigos defendem fuzilamento de dissidentes cubanos???? A Carta Capital volta e meia reclama da situação tensa dos direitos humanos na Ilha, a Caros Amigos apóia bastante a esquerda latino-americana, mas nunca vi ninguém lá defendendo fuzilamento. Aliás, são ads poucas publcações que trazem críticas decentes ao governo Lula, por exemplo. Que porcaria de comentário foi esse?

É a mesma miopia, disfarçada de "inteligência", o que é pior, que leva a uma situação como a do Peter Handke. Ah, não é total e completamente contra Cuba e tudo que vem de lá? Então apoia ditadura, pede fuzilamento, e portanto não merece crédito. Vamos malhar.

Pelamordedeus.

daniel em junho 5, 2006 5:18 PM


#15

Não leio a Caros Amigos há muito tempo, mas nunca li lá qualquer defesa ao fuzilamento de dissidentes cubanos. Muito menos a Carta Capital.

Eu até gostaria de aclarar melhor a distinção que faço entre crítica e patrulhamento, mas acho que isso seria fugir ao assunto do post, que é a censura. Nesse ponto concordo com o Idelber, não existe meio-termo.

Marcus em junho 5, 2006 5:25 PM


#16

Nara, agradeço o elogio. Agora, como eu sou responsável pelos comentários potencialmente caluniosos presentes no blog, peço a você que a próxima vez que disser que uma revista "defende fusilamentos", cite edição, número, página e autor do texto.

Ou então deixe de dizer bobagem.

Idelber em junho 5, 2006 5:30 PM


#17

Caro Idelber,

Retribuo sua visita ao 'Todoprosa' e também peço licença para me estender no comentário. Afinal, seu ataque é bem pesado. Munição excessiva, se me permite, uma vez que é forçada demais a sua leitura de meu post como "linchamento moral" de Handke. Mesmo assim, como a imprensa brasileira deu uma bela ignorada na história, e você talvez precisasse de um gancho, entendo que eu tenha vindo a calhar como vilão. É estranho ver minha observação blogueira de perplexidade com as discrepâncias entre persona literária e persona política virar um caso sério de política internacional. Não sei se agradeço ou se lamento. Mas vamos lá.

Uma de suas leitoras ali em cima tem razão, não sou um especialista em Bálcãs. Aliás, não sou especialista em nada. Citando mais ou menos Handke, em seu discurso à beira do túmulo de Milosevic: apenas escuto, vejo, leio (aí sim, muito mais do que sua desdenhosa leitora, que obviamente não conhece o meu trabalho, pode imaginar). É por fazer tudo isso que me entristece ver um sujeito que admiro - um tanto friamente, mas admiro - estar metido com gente do naipe de Milosevic.

Não, não acho que a questão nos Bálcãs, como a do Oriente Médio, comporte análises maniqueístas. Mas não há análise capaz de transformar Milosevic em menos do que um assassino e uma das peças-chave daquela desgraceira. Lamento, não há. Na França, fala-se muito em revisionismo, numa tentativa de pôr Handke em pé de igualdade com os negadores do Holocausto. Acho um exagero. Mas não há essa tal mágica, não. Sou daquelas figuras - que hoje só conseguem sobreviver fora do meio acadêmico, parece - que acreditam que nem tudo é relativo.

Ainda assim, jamais defendi as retaliações que Handke vem sofrendo, me limitei a noticiá-las. Se linchamento há, Idelber, não tomei parte nele. Assim como não me passaria pela cabeça incluir você entre os revisionistas. Você me desafia a apontar uma exaltação do escritor austríaco a Milosevic, o que é engraçado. Leia o discurso fúnebre de novo. "O mundo todo está enganado sobre Slobodan. Eu não, por isso estou aqui juntinho ele." Estou distorcendo demais? Será que o Nouvel Observateur me daria emprego?

Quanto à tal "ética blogueira" de avisar quando se alterou uma nota, confesso que simplesmente não sabia disso. O NoMínimo, do qual sou um dos editores, não tem essa política - derrubamos as notas muito erradas, publicamos erratas compungidas, mas apenas consertamos as que contêm incorreções sanáveis. Talvez devêssemos fazer o que você diz. Como se faz, no meio do texto? Em nota de rodapé?

De qualquer forma, considerando que a substância da nota não se alterou, não senti falta de acrescentar nada além do que estava documentado nos comentários. E a substância, convenhamos, é exatamente a mesma, por mais que você se agarre à tese bizarra de que a frase inventada pelo Nouvel Observateur ("ele foi um defensor de seu povo" é até uma opinião defensável, pensando bem) tem mais importância do que o gesto político de Handke.

No mais, e correndo o risco de abusar da sua hospitalidade, apenas tomo a liberdade de reproduzir o último dos itens da minha primeira resposta a você lá no 'Todoprosa'. Ele ficou de fora da sua reprodução comentada, mas acho que pode interessar aos seus leitores:

Não é sequer original essa argumentação que superdimensiona a notícia maldosa do Nouvel Observateur como se ela explicasse tudo e o gesto de Handke tivesse a inocência de um piquenique à beira do Sena. Passo a passo, até dando os mesmos links, ela pode ser encontrada num artigo de Gilles d’Aymery no site Swans. Faltou apenas levar até o fim a coragem de d’Aymery de retratar Handke como um herói solitário rodeado por “tubarões sedentos de sangue” e concluir, num grotesco tom de manifesto:

"Para aqueles que viajam nessa estrada pouco batida, Peter Handke nos conforta com sua convicção de que sim, há outra Europa, e na verdade outro mundo. A toda velocidade, avante."

Um abraço, e obrigado pelo espaço,

Sérgio

Sérgio Rodrigues em junho 5, 2006 5:38 PM


#18

Caríssimo Sérgio,

Muito obrigado pela visita, pela resposta ponderada, e pela interlocução. Acho que no fundo não há grandes discordâncias, por isso quero em primeiro lugar esclarecer um ponto:

Em momento nenhum achei que sua nota é parte do "linchamento moral". É verdade que no meu primeiro comentário eu disse

Portanto, antes de juntar-se, mesmo involuntariamente, à troupe do linchamento, é bom apurar os fatos .

Mas com isso eu me referia a alguns de seus comentaristas, não à sua nota. Lamento não tê-lo deixado claro. Para fazê-lo, eu teria tido que chamar leitores pelo nome (ou nick). Não o fiz por receio de armar barraco no seu blog, e com isso dei-lhe a impressão de que a acusação de linchamento moral se dirigia a você. Não era o caso.

Quanto à caracterização de Milosevic, é aquela história: "genocida de carteirinha" é diferente de "assassino" e "peça-chave da desgraceira". Que foi peça-chave da desgraceira, não há dúvida. Mas "genocídio", em geral, se refere a um plano calculado de extermínio de todo um povo - o Holocausto sendo aqui o grande paradigma. Nem mesmo os extremamente pró-ocidentais tribunais e comissões montadas para investigar o caso conseguiram produzir evidência disso. O tribunal da OTAN desistiu da acusação, vejá só! Estou totalmente de acordo com você que nem tudo é relativo. Exatamente porque os termos não são relativos, há que se preservá-los.

Continuo não vendo no discurso fúnebre nenhuma exaltação a Milosevic. Pelo contrário, ele simplesmente está dizendo "o Ocidente já sabe tudo e eu quero estar aqui para saber; eu não sei". Como isso é uma exaltação? O cara diz "eu não sei" e você interpreta como "o mundo todo está enganado e eu não"? Que paráfrase é essa? Talvez fosse o caso de procurar emprego no Nouvel Observateur mesmo.

Imaginemos um cenário absurdo: uma Bahia governada por ACM tendo sido bombardeada por forças estrangeiras. Eu vejo como perfeitamente possível um comparecimento meu ao hipotético funeral de ACM sem que isso represente nenhuma exaltação a ele. Comparação esdrúxula, eu sei, mas que mostra que o comparecimento ao funeral não é sinônimo de exaltação.

Quanto à alteração da nota, eu parabenizo-lhe, de verdade. Os grandes reconhecem os seus erros. Não quis de forma nenhuma dar lição de ética blogueira, novato que sou no assunto. Mas no caso de uma alteração tão importante, costumamos indicá-la no post (um parêntesis com a alteração explicada, um asterisco remetendo ao fim da nota, qualquer coisa) para que fique claro que os leitores que comentaram o texto anterior não estavam loucos, não estavam inventando citações.

Quanto a eu me agarrar a tese de que a frase inventada pelo "Nouvel Observateur tem mais importância do que o gesto político de Handke", não é mesmo o caso, de jeito nenhum, caro Sérgio. O que eu disse é que foi, sim, a nota da revista francesa que gerou a enxurrada de falsas atribuições de citação pela imprensa do mundo todo. Isso é fato. A fonte primária era o Nouvel Observateur.

De jeito nenhum compartilho a caracterização que faz o d'Aymery de Handke como "herói solitário". Linkei o texto - no meu primeiro comentário, inclusive - mas não compartilho as visões dele na sua totalidade.

Então, para enfatizar: com "linchamento moral" eu me referia ao que está acontecendo na Europa, e que se replicou em alguns comentários da sua caixa, mas não à sua nota, que é ponderada e informativa. Tampouco peguei o gancho da sua nota para fazê-lo de vilão, de forma nenhuma. O seu blog - pioneiro - foi o único que noticiou a coisa em português, e como ele continha a citação falsamente atribuída pelo Nouvel Observateur, era impossível não linká-lo. Somente me dou ao trabalho de criticar aqui os blogs que eu considero de alta qualidade.

Enfim, o saldo disso tudo, eu acho, é positivo. É uma história de considerável impacto na Europa e que foi ignorada pela mídia (a Folha deu uma notinha minúscula) e que graças ao seu blog veio à tona para um público mais amplo.

Ponto para nós todos, portanto.

Grande abraço,

Idelber em junho 5, 2006 6:10 PM


#19

mas, então, a caros amigos ou a carta capital são ou não sáo simpaticas a estes abaixo assinados da esquerda brasileira em apoio a fidel qdo ó regime ditadorial cubano é acusado de fuzilar fugitivos do regime castrista? é claro q eles, editorialmente, não fazem isso às claras. mas q são simpáticos e favoráveis a estas ações da esquerda intelectual, são sim. não há como negar

frank em junho 5, 2006 10:01 PM


#20

A distinção entre censura e crítica proposta é artificial. Quem dá prêmios (aliás, quem os dá?) escolhe quem quiser, o mesmo valendo para teatros e cinemas.

Censura, no caso, só existiria com a proibição das obras.

andre lopes em junho 5, 2006 11:07 PM


#21

Caro Frank,

Há como negar sim.
Leia as revistas, por favor.

Não fuzilam figitivos. Os fugitivos fugiram, como vão ser fuzilados?

E que abaixo-assinados?

daniel em junho 6, 2006 12:17 AM


#22

Idelber, querido, passei para agradecer sua visita ao Fina Flor e dizer que você sempre será bem vindo por lá.

Vou linkar você para facilitar o contato daqui pra frente [sinta-se à vontade para fazer o mesmo, rs*].

Quanto ao seu post, acho tudo isso lamentável e agradeço a informação, pois confesso que não fazia a menor idéia de que isso tudo estava acontecendo.

beijos e boa semana,

MM

Mônica Montone em junho 6, 2006 1:27 AM


#23

Oi Mônica, obrigado pela visita, e boa sorte na batalha contra o cigarro; eu me juntarei a você em breve, pela segunda vez :-)

Idelber em junho 6, 2006 1:47 AM


#24

Certo, André, quem dá o prêmio escolhe. Mas no caso de Handke estamos falando de um prêmio já concedido. E depois confiscado por uma declaração política? Putz, se isso não for censura, não sei o que é . . .

Idelber em junho 6, 2006 1:49 AM


#25

Pois é, Daniel, não se pode falar de qualquer assunto que tenha a ver com política que sempre alguém volta com a cantilena sobre a Carta Capital e a Caros Amigos.

Continua o desafio: se alguém diz que elas "defendem fuzilamentos", que cite número, edição, página e autor do texto.

Idelber em junho 6, 2006 1:51 AM


#26

Idelber, discordo. O fato do prêmio ter sido "desescolhido" é irrelevante. Censura, no sentido ligado à liberdade de expressão, só ocorre quando há proibição da obra. Prêmio é adereço.

O fato da razão ser política só serve para colocar em dúvida os critérios de quem concedeu o prêmio. Mas isso...

andre lopes em junho 6, 2006 8:46 AM


#27

Só um comentário: qualquer forma de linchamento moral é lamentável. Seja quem for a pessoa e seja lá o que ela tiver feito.

Valéria em junho 6, 2006 1:30 PM


#28

Idelber, é aquele ditado: "posso não concordar contigo, mas defendo até a morte o seu direito de dizê-lo".

Porém, isso não pode ser mascarado. No caso específico da associação do sugeito e das revistas supracitadas não concordo.

Acho quem não denuncia, compactua. Quem não regeita, concorda. Nas palavras de Gabeira:

"Os marxistas brasileiros são cúmplices, por meio do seu silêncio, com a prisão de intelectuais e o fuzilamento de pessoas que queriam apenas sair de Cuba. Têm uma visão autoritária do mundo e ainda praticam o centralismo democrático, um instrumento pensado por Lênin para o principio do século XX, quando trabalhadores fabris enfrentariam o exército do czar."

Portanto uma revista ou qualquer outra que não denuncia os crimes cometidos e pelo contrário, apoia um tal regime (não precisa ser necessariamente de Cuba) apoia sim seus métodos solidariarmente.

Constantemente nessas revistas citadas mostram os abusos e os assassinatos das tropas americanas de Bush. Mas por outro lado nada falam dos fuzilamentos cubanos.

Por mais esquerdistas que sejam estão errrados.

Não pode existir dois pesos e duas medidas. Senão chegamos a conclusão que os fins justificam os meios.


Pablo Vilarnovo em junho 6, 2006 4:05 PM


#29

Pablo disse:
"Constantemente nessas revistas citadas mostram os abusos e os assassinatos das tropas americanas de Bush. Mas por outro lado nada falam dos fuzilamentos cubanos."

Pois então: leiam as supracitadas antes de falar. Preconceito e bobagens irrefletidas que levam à pobre situação do Handke. "Carta Capital" nem mesmo é de esquerda.

daniel em junho 6, 2006 6:42 PM


#30

Isso sem contar aquela velha coisa, que é tão simples mas os cabeças-duras insistem em não entender. Vamos lá:

-Defender Cuba não é igual a defender o socialismo ou o Castrismo.

-Defender o socialismo não é o mesmo que defender o Castrismo (há quem ache até que é o contrário, de uns 15 anos p/ cá).

É perfeitamente possível, por exemplo, atacar o embargo a Cuba e ao mesmo tempo ser totalmente contra Fidel Castro, o regime dele e até o socialismo. Aliás, é bastante coerente ser, por exemplo, contra o embargo e contra os abusos do regime castrista contra dissidentes. São ambas situações de atentados a direitos humanos.

Vai, não é tão difícil

daniel em junho 6, 2006 6:49 PM


#31

Sem contar, Daniel, que o argumento de que "quem não denuncia, concorda" é tão absurdo que não vale nem a pena responder. Segundo esse argumento, eu concordo com os massacres de Darfur por nunca tê-los denunciado aqui no blog.

É de lascar.

Idelber em junho 6, 2006 8:04 PM


#32

Sobre o caso Handke - que é o tema do post e único tema sobre o qual vou aceitar comentários nesta caixa daqui em diante - há uma boa análise, para quem lê alemão, aqui. Também em alemão, Peter Handke se pronuncia claramente sobre o massacre de Srebrenica aqui (via Linkillo, sempre atento).

Idelber em junho 7, 2006 5:08 AM


#33

O grande genocidio que eu me lembro naquela região foi o praticado por Bill Clinton, Tony Blair e cia. ; )

Mesmo Sbrenica teve o seu número de vítimas exagerado.

André Kenji em junho 7, 2006 11:31 AM


#34

Isso, André. Eu não sei se eu usaria a palavra "genocídio", mas que o covarde bombardeio da OTAN - dos EUA, para dar os nomes aos bois - sobre a Iugoslávia foi permeado de crimes de guerra, não há dúvida: bombardeio da embaixada chinesa em Belgrado, bombardeio da estação de televisão sérvia, assassinato de civis, tudo mais que documentado.

E aí os bem-pensantes se escandalizam por Handke foi ao funeral de Milosevic!

É de lascar.

Idelber em junho 7, 2006 3:07 PM


#35

Deniel - Desculpe mas não concordo com seus argumentos. Ou você não conhece história mundial e a história do socialismo mundial.

Começando ao afirmar que a Carta Capital não é de esquerda. Sem comentários... E digo isso não afirmando que ela não pode ser de esquerda. Na minha visão, não há problema nenhum nisso. Não sou desses que acham que jornalistas ou publicações não podem assumir tendências.

Sobre a defesa do Castrismo X Socialismo, aprenderam muito bem com a queda do muro. Vou colocar aqui dois parágrafos de uma entrevista de Gabeira para uma revista eletrônica da UNICAMP:

"Não há caminho para conciliar marxismo com democracia, se você se prender ao esquema de explicação histórica do marxismo, que prevê a chegada ao socialismo (a cada um de acordo com seu trabalho) e ao comunismo (a cada um de acordo com suas necessidades). Nesse processo, o papel messiânico da classe trabalhadora suprime a democracia tal como a conhecemos. Nele a democracia é apenas um objetivo tático e não estratégico e permanente."

"Os marxistas brasileiros são cúmplices, por meio do seu silêncio, com a prisão de intelectuais e o fuzilamento de pessoas que queriam apenas sair de Cuba. Têm uma visão autoritária do mundo e ainda praticam o centralismo democrático, um instrumento pensado por Lênin para o principio do século XX, quando trabalhadores fabris enfrentariam o exército do czar."

Gostaria de saber se você conhece o porque do Embargo a Cuba. Nem de longe o embargo é um atentado a direitos humanos. Colocar a proibição de empresas AMERICANAS de realizar comércio com Cuba no mesmo saco de fuzilamentos é demais para minha cabeça. Beira ao desprezo pela vida humana.

Em Cuba consegue-se qualquer coisa para quem tem dólares para pagar, de computadores IBM a tênis NIKE.

O Desconhecimento do assunto é tão grande que me assusta como pessoas podem repetir esses absurdos durante anos...


Agora concordo que defender Cuba não é defender o socialismo e nem o Castrismo. Acontece que nunca e ninguém defendeu realmente Cuba. Defendem o REGIME e esse sim é socialista e castrista. Ninguém se interssa a explicar como Cuba chegou a excelência em saúde e educação (esse último bem doutrinária). Ninguém quer mostrar Cuba de hoje. Ninguém quer saber porque crianças cubanas estão nascendo com problemas mentais. Pesquise sobre a avitaminose em Cuba. Daniel, pesquise mais sobre Cuba, mas não vá apenas naqueles lugares que só falam bem de Fidel.
Vai dizer que nunca ouviu falar nos fuzilamentos das pessoas que tentavam fugir da Ilha? Que maravilha de regime é esse, tão paradisíaco que pessoas preferem se arriscar a morrer devorados por tubarões no mar do Caribe a ficar na Ilha Prisão?

O que quis mostrar é que infelizmente, e principalmente com Cuba, a maioria dos jornalistas brasileiros são passionais demais.

Esse (o blog do Idelber) não é o espaço adequado. Se quiser, avise que podemos continuar em outros meios...

Abraços

Pablo Vilarnovo em junho 7, 2006 5:02 PM


#36

Idelber,

Se um jornalista ao cobrir algo ou alguém, descobre um crime. Não o denuncia e ainda por cima sempre faz críticas positivas, só posso afirmar que sim, você concorda. Ou como falei, os fins justificam os meios...

Pablo Vilarnovo em junho 7, 2006 5:04 PM


#37

Olha, Pablo, eu vou deixar esse comentário aqui por respeito à sua história no blog. Só por isso.

O post é sobre Handke e o que está acontecendo com ele. O dia em que eu fizer um post sobre Cuba você nos brinde com sua grande erudição sobre a ilha, ok?

Idelber em junho 7, 2006 5:57 PM


#38

Desculpe Idelber, sério mesmo foi o que eu quis dizer no final... Não é o espaço apropriado. Juro!

Você meu total apoio para retirar o post!!

Acabei me empolgando.

Pablo Vilarnovo em junho 7, 2006 6:00 PM


#39

Idelber, eu tenho por hábito usar os termos constantemente usados para qualificar Milosevic e sua gangue para qualificar Clinton e cia. Por isso que eu chamo Clinton de "Açougueiro dos Balcãs". ;)

Aliás, você já leu isso?

http://musictravel.free.fr/political/political58.htm

André Kenji em junho 8, 2006 12:37 PM


#40

Excelente o link, André, não conhecia não. Valeu mesmo.

Idelber em junho 8, 2006 8:02 PM


#41

E a tal Ruth Vicentini, não se manifestou diante do escarcéu que criou? Ela poderia ter perdido o emprego por uma coisa dessas. Pisada na bola feia. E realmente quase passou em branco por aqui, acho que nem o Observatório da Imprensa falou disso. Vou lá conferir.

Te em junho 9, 2006 4:04 PM