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sexta-feira, 28 de julho 2006

A Síndrome da Biblioteca de Babel e a Síndrome de Robinson Crusoé

labyrinth.jpg.jpg
imagem: daqui.

O Biajoni fez um excelente post sobre o que ele chama de Síndrome da Biblioteca de Babel: a desvalorização dos conteúdos que – em velocidade e profusão inauditas – são veiculados na internet. O exemplo do Bia é a música. Ele se lembra de suas experiências (que foram as minhas também) de economizar uma grana suada para comprar um bolachão de vinte e poucos minutos de cada lado e escutá-lo um mês inteiro: a grana para o próximo disco só pingaria no mês seguinte. Desolado, ele compara essa atenção ao artefato cultural com a euforia meio vazia de um amigo seu que hoje celebra ter baixado “48.000 músicas”! Com toda a razão, o Bia se pergunta quantas dessas músicas o amigo ouvirá com um mínimo de atenção.

Os efeitos da síndrome de Biblioteca da Babel são implacáveis e atingem especialmente a circulação de música popular. Baixa-se e apaga-se música de tal maneira que as novas gerações não mantêm nem mesmo a relação com o “disco”: no reino do MP3 as canções existem soltas, fragmentadas – mesmo os arquivos com terminação .rar, que compilam discos inteiros, com freqüência sofrem recortes de cada usuário depois de baixados. O garoto hoje ouve a canção sem saber de que disco ela saiu, o que para os velhos puristas fãs de música popular teria sido uma heresia inaceitável.

O problema é que, no frigir dos ovos, eu prefiro viver num mundo onde se pode baixar 40.000 canções em alguns dias do que num mundo onde eu compre um bolachão de 45 minutos por mês. A relação deste último comprador com o produto que ele adquiria era mais atenta? Sem dúvida. Mas era uma atenção movida pela escassez compulsória. Havia também aquele momento horrível – o Bia se lembrará de exemplos – em que o bolachão comprado com a grana suada era uma porcaria. Na profusão, cabe a cada um nadar ou afogar-se: eu, particularmente, confio no meu tino para organizar o redemoinho de informações. Prefiro, digamos, achar que é possível nadar do que me queixar que há água demais na piscina.

Vejam bem, não digo que o Bia está errado: ele está certíssimo. Mas há um risco – e o post do Bia está atento a esse perigo – de que ao combater a Síndrome da Biblioteca de Babel, caia-se em outra síndrome, que eu chamo Síndrome de Robinson Crusoé: a tendência de achar que em algum momento do passado a relação com a cultura, com a música, com o sexo ou com qualquer outra coisa foi mais pura, autêntica ou verdadeira. Em geral essa percepção é só uma ilusão retrospectiva. No fim dos anos 90, ainda havia gente, dentro do campo de estudos de música popular, que insistia que só se poderia escrever sobre música munido de vinil e um toca-discos de 2.000 dólares. Hoje esses saudosistas já desapareceram, ou estão fazendo luto pela morte do CD. Estão sempre a reboque da história. Levada ao limite, a Síndrome de Robinson Crusoé pode alimentar toda sorte de pessimismos reacionários– desses que insistem que tudo o que é produzido pela contemporaneidade não presta.

Foi uma coincidência ter lido o post do Bia ontem: meus dois iPods (15 GB e 20 GB) lotaram. Tive que apagar arquivos para fazer lugar para a nova música que chegava, bem consciente de que aquilo que fosse apagado ali jamais seria ouvido de novo, mesmo eu tendo os CDs em casa: é que já não me lembro qual foi a última vez que toquei um CD. O que foi apagado? Cortei três sinfonias de Beethoven (na antológica gravação de Karajan) para que coubessem dois discos do Sonic Youth – quem precisa ter as nove sinfonias de Beethoven, não é mesmo, Milton Ribeiro?

Outro mergulho recente meu na Síndrome da Biblioteca de Babel foi finalmente ter organizado meus feeds no bloglines, que andam em 150, entre blogs brasileiros, americanos, argentinos, revistas e jornais do mundo inteiro (para ler o Biscoito em RSS, cole no seu agregador este link para ler só posts ou este link para ler tanto os posts como os comentários). Depois de passar algumas horas lendo artigos que há algum tempo eu teria gastado anos para reunir, terminei me convencendo de vez: é importante, sim, estar atento aos efeitos diluidores da Síndrome da Biblioteca de Babel, mas é mais importante ainda não ceder aos clichês da Síndrome de Robinson Crusoé.

Senão, corre-se o risco de não se encontrar, entre as 48.000 músicas, aquelas pérolas que sempre estarão lá, e pelas quais em outras eras teríamos pago, com gosto, o preço de um vinil importado.



  Escrito por Idelber às 05:19 | link para este post | Comentários (42)


Comentários

#1

Estou na sala de espera de um cliente, esperando ser chamado. Tenho regrinhas para baixar, para armazenar e para organizar.

Nunca baixo nada que não sejamm álbuns completos...

Abraços.

Milton Ribeiro em julho 28, 2006 12:18 PM


#2

Parece que não há "síndrome" melhor que outra, uma vez que "síndrome" - pelo menos em medicina - significa um "certo conjunto de sintomas que remetem a uma disfunção. Por isso gostei de sua advertência: às vezes, para fugir de uma, caímos em outra. A diluição de conteúdos é uma realidade em todos os campos, tal o excesso de informação disponível. Somente pessoas mais dedicadas, "professores", saberão as relações entre os dados, de onde provêm e para que servem. Aliás, acho que sempre foi assim: a maioria procede como se fosse boi no pasto: pastam, pastam e pastam qualquer capim que se lhes ofereça...

Cláudio Costa em julho 28, 2006 12:48 PM


#3

A Síndrome da Biblioteca de Babel acontece com qualquer coisa que se torna abundante. Uma cidade, pequena, com seu landmark, que desaparece no meio de seus mihões de prédios (recentemente a Catedral de Colônia estava na lista de patrimônio ameaçado da UNESCO simplesmente porque havia planos de se construir arranha céus na cidade e isto poderia apagar a catedral do skyline da cidade). Quando faço uma pesquisa, a maior parte das minhas fontes vêm da Internet. Em pesquisas menos importantes (a maioria), uso o Google, que me dá fragmentos de informação. Às vezes um fragmento tem o que eu preciso (uma tradução, um contexto, um endereço, um autor, uma obra), e às vezes esse fragmento é suficiente para servir de estímulo para que eu escreva algo novo, ou vá atrás de outras fontes. Lembro-me que antigamente eu passava bem mais tempo em bibliotecas, porém lamentava mais não ter ou ter que esperar um tempão para obter um livro, ou jornal, ou artigo, que não tinha o que eu queria (era pior se eu precisasse comprar). Às vezes só precisava do trecho. Hoje existe esse monte de informação e o risco de haver muita informação incorreta, plagiada sem citar a fonte, mas, se você aprende a navegar nesse mar, você consegue sobreviver sem naufragar e perder-se na Biblioteca de Babel.

Helder da Rocha em julho 28, 2006 1:59 PM


#4

Como diria Aristóteles "A virtude está na mediania".

Acredito que o principal problema na quantidade de informação que temos hoje seja a qualidade dela. A gente tem acesso a tanta coisa ruim que não vale a pena voltar. Não lemos um texto na internet quatro, cinco, quinze vezes, mas vamos passando de um ao outro como numa busca louca por uma satisfação de uma curiosidade que não tem fim. Talvez isso seja resultado de nosso tempo, temos de conhecer cada vez mais, mas não procuramos conhecer profundamente.

(Ah! quando você vai liberar os comentários do post "A Basel Irmad Termos, pela vida que não foi"?)

Gustavo Guilherme BacK em julho 28, 2006 2:29 PM


#5

Oi, Gustavo, aquele é um entre vários posts sobre o tema que eu pretendo escrever. A opção da casa é publicá-los sem espaço para comentários, tenho certeza que você entenderá o porquê: eu lamento e peço a compreensão dos leitores, mas foi uma decisão pensada.

:-(

Idelber em julho 28, 2006 2:43 PM


#6

Esse lance da informação abundante eu acho uma maravilha. A gente baixa um absurdo de coisas e vai selecionando, separando o joio do trigo.

Sou fissurado em quadrinhos (de Alan Moore a Zap Comix, passando por Hergé e Hernandez, e todos os intermediários) e descobri que a Internet é uma maravilha p/ baixar gibis, principalmente os que você quer ler mas não quer gastar nem dinheiro nem tampouco espaço na estante com eles. Claro que entre a lixaiada que chega pelo modem acabamos topando com pérolas que depois vamos até a banca ou a livraria para comprar, e assim podemos entreter nosso tato no papel, e nosso olfato no inconfundível cheiro de um gibi que saiu da gráfica.

Acho que o importante é que a informação e a cultura não fiquem represadas, disponíveis apenas para quem tem mais dinheiro. A internet passou pros leitores/ouvintes a capacidade de escolher o que ouvir/ler, no que gastar dinheiro e com o que perder tempo. Acho que estamos expostos a mais lixo, mas vale a pena.

Há uns três anos atrás, me indicaram um endereço onde eu podia baixar a série inteira do Miracleman, uma das primeiras obras famosas do Alan Moore. Vítima de uma batalha legal por direitos autorais, a série estava fora de circulação desde que a editora original fechou. Sem "dono", não podia ser publicada por nenhuma editora até se resolver a questão. Enquanto o processo se arrastava, boas almas se dedicaram a escanear tudo e jogar na rede. Onde seria possível algo assim fora da Biblioteca de Babel? No que dependesse das editoras, seria um material completamente inacessível até que alguém pudesse ganhar alguma coisa com sua publicação.

Daniel em julho 28, 2006 3:53 PM


#7

Olha só, essa coisa dos quadrinhos eu não sabia...

Idelber em julho 28, 2006 4:00 PM


#8

Idelber:
ando ocupado e sem tempo pra comentar muito.
mas vou te passar um link essencial sobre HQ na internet brasileira:
http://www.scan.exercita.net/

ah, e para ler os gibis na tela do PC, vc precisa de um programinha chamado ComicsDisplay, q pode ser baixado, por exemplo, desse site aqui:
http://www.geocities.com/davidayton/CDisplay
ou de outros locais da web

é isso.

abs,

dra em julho 28, 2006 4:14 PM


#9

Valeu, dra!

Idelber em julho 28, 2006 4:31 PM


#10

Não chego a ser neurótico, mas sou metódico além da conta. Divirto-me assim.

Bom, se eu puder aconselhar alguém...

Atenção: minha praia principal é a música erudita.

1. Só baixo álbuns completos e com todas as informações a respeito.

2. Faço back-ups dos principais em CDs.

3. Não encho os CDs de faixas. Uma vez. montei um CD de 17h com as todas as sinfonias e sonatas para piano de Mozart. É insuportável ouvir. É pior que submeter-se ao Ciclo de Óperas dos Nibelungos sem intervalos. Atualmente, meus CDs são latifúndios improdutivos. Gravo, no máximo, dois ou três álbuns em mp3. E eles sempre têm relação um com o outro.

4. O iPod também é um latifúndio improdutivo, pois só baixo nele aquilo que estou ouvindo. Sei lá, acho menos ansiogênico agir assim.

Sobre Babel x Crusoe:

Escolho a Babel. Sempre vivi nela. Nem é uma questão financeira. Tive um pai que tinha 3000 vinis em casa, além de muitos amigos músicos. Hoje, tenho 1200 vinis e uns 1000 CDs de áudio, fora os gigas em mp3.

A questão é que a capacidade para apreender música é muito inferior à capacidade do computador para baixá-las. Por isto, ainda não consegui ouvir CDs que comprei (ou baixei) em outubro de 2005! Simplesmente, não quero "passar" por eles, quero ouvi-los com atenção. Minha mulher me deu de aniversário 69 Cds com a integral das Cantatas de Bach. não lembro de ter recebido melhor presente, mas ouvi apenas 14 e o meu aniversário é em 19 de agosto... Quero ouvi-las com toda a atenção. Então, entro de bom grado no barco do Idelber: há que ter bom senso e saber que não dá para abarcar (ou ouvir) o mundo inteiro. Mas só a Babel conseguiu me mostrar compositores como Berwald, Spohr e tantos outros com quais o Crusoe nem sonha. Viva a Babel!

Abraço.

Milton Ribeiro em julho 28, 2006 4:56 PM


#11

69 CDs com cantatas de Bach! UAU! No meu iPod só sobrou espaço para os Concertos de Branderburgo...

Idelber em julho 28, 2006 4:58 PM


#12

Esqueci!

Sobre a deleção de Beethoven com Karajan: grande coisa! Claro que as gravações do HvK foram importantes e até hoje servem de referência. Mas creio que grave seria deletar os registros surpreendentes de Tennstedt, de Boulez, de Harnoncourt ou do velhinho Wand. O resto (including HvK) é muuuuito parecido... Pode deletar!

Milton Ribeiro em julho 28, 2006 5:01 PM


#13

Essa preocupação é para quem tem fetiche pelo disco, fetiche da mercadoria.

A maior parte da história da música é composta por composições soltas, escutadas em feiras, arenas, igrejas, bailes &c. E nem por isso era menos sagradas, respeitadas, cultivadas.

O que está se perdendo é o orgulho de 'ter o disco'. Nenhum garoto de 15, por mais que goste do primeiro disco do Led Zeppelin, fica babando sobre o disco. Ele simplesmente escuta, gosta ou não gosta. Na minha modesta opinião é pra isso que a música foi feita, especialmente a popular (rock, samba, axé, rap...).

Isso acontece também com a informação. Tem gente que faz cara feia quando ouve algo de alguém que leu na internet.

Somos um país de oligarcas, portanto tudo que está muito ao alcance de todos não pode ter valor. Mais bacana é ler algo de um livro de capa dura, papel caríssimo e preço alto. Isso se verifica até na nossa pequena tradição de 'edições popular' ou mesmo pocket. O disco, para Biajoni, deve ter o mesmo efeito de fetiche que Sérgio Buarque de Holanda comentou sobre o livro para o brasileiro: num país de analfabetos, ter livros, lê-los é uma experiência quase metafísica, que guarda sua força exatamente na raridade em que ocorrem. Coisa de oligarquia.

Falstaff em julho 28, 2006 5:20 PM


#14

"O que está se perdendo é o orgulho de 'ter o disco'. Nenhum garoto de 15, por mais que goste do primeiro disco do Led Zeppelin, fica babando sobre o disco. Ele simplesmente escuta, gosta ou não gosta. Na minha modesta opinião é pra isso que a música foi feita, especialmente a popular (rock, samba, axé, rap...)."

Devo concordar com o Falstaff. Só comprei um vinil na vida (Abbey Road) e, na verdade, ele já sumiu. Levando as coisas ao limite, sempre tendo a achar que toda e qualquer música deveria ser uma coisa solta, de ocasião. Claro que isso é romantismo extremo, mas é só pra dizer que eu não vejo problema algum em mp3, em conhecer apenas pedaços dum disco. Particularmente, essa minha idéia me salva de ter que escutar e realmente conhecer discos inteiros de gente que só acertou numa canção ou outra.

Rodrigo em julho 28, 2006 6:18 PM


#15

Por isso que eu gosto tanto desses blogs, tanto o seu, quanto o do Bia...
Sempre tenho a sensação de estar batendo um papo com vocês, mesmo que eu esteja quase que apenas "escutando".
Na correria do dia-a-dia, no cansaço e na preguiça que tomam conta da gente depois de um dia de trabalho, uma noite na faculdade, uma madrugada bebendo com amigos, acabamos deixando passar a oportunidade de ter conversas assim, banais e profundas ao mesmo tempo (ahn?), conversas que rendem boas discussões, divertem, fazem pensar.
Muito obrigado!

Thiago em julho 28, 2006 6:52 PM


#16

Idelber e amigos,

Apesar de ter apenas (?) 36 anos, sou praticamente uma dinossaura nesse assunto. Gosto tanto de LPs que virei a fiel depositária de todo o acervo da família e amigos. Mandei fazer um móvel em casa para acomodá-los. Não tenho a neura de só ouvir LPs e de teorizar sobre a diferença do som entre LPs, CDs e formatos mais modernos. Simplesmente gosto de todos. Gosto das capas e encartes dos LPs, tenho uma parede decorada com capas de LPs apenas por achá-las produtos visuais interessantes (quem se lembra da capa do primeiro LP dos Secos & Molhados, com as cabeças servidas na mesa? Aquilo é um quadro.)

Mas em que pese cultuar os formatos antigos, acho ótima a evolução que nos colocou à mão tantas coisas ao alcance de alguns cliques. Concordo que é melhor ter o acesso do que não tê-lo, porque o limite entre buscar o que se quer e exagerar na dose é unicamente seu. Talvez isso apavore algumas pessoas. Uma tendência à voracidade, somada à inexorável falta de tempo e de oportunidade, pronto: frustração na certa. Ter saudade dos tempos do único LP mensal é quase abrir mão do livre arbítrio. Pensem por mim, escolham por mim!

Eu só queria deixar um contraponto à idéia de Falstaff. É verdade que a história da música talvez seja mais rica em peças "avulsas" do que em conjuntos de obras reunidas, como são os LPs, até porque ó advento do LP é coisa do século passado. Mas desde que esse formato ganhou relevância comercial, muitos artistas passaram a conceber obras que, embora compostas por canções independentes, carregam o mesmo conceito. Os discos dos Beatles, principalmente a partir de Rubber Soul, tem um conceito-mestre a unir as músicas. Elis Regina, que não era instrumentista nem arranjadora, mas entendia pacas de música e trabalhava com gente de primeira, também fazia discos coesos. Apoiava-se em dois ou três compositores ou duplas de compositores, o que favorecia a harmonia de estilos, pincelava uma ou outra coisa ali, que tivesse a ver com o resto. Assim, pega o Falso Brilhante, de 76, apoiado em Belchior, João Bosco & Aldir Blanc e compositores latino-americanos, é um disco político, contestador, libertário. Pega o de 77, Elis, apoiado em Renato Teixeira e Milton Nascimento, é um disco intimista, rural, reflexivo.

Essa questão do conceito talvez seja um detalhe menor no ato de consumir música, mas achei interessante dar essa visão de que ter o disco pode não ser só um apego material.

Alessandra Alves em julho 28, 2006 7:17 PM


#17

Achei o post excelente, e concordo inteiramente com ele.

Comprei muitos discos de vinil e CDs, mas hoje não escuto mais nem uma coisa nem outra. Não tenho ainda iPod porque ainda não tive grana pra comprar, mas o meu computador tem um bom aparelho de som acoplado e eu só escuto música nele. Acho uma coisa até pré-histórica ficar trocando CDs num aparelho.

Por outro lado, sou um entusiasta de música pop e tenho muito interesse pelas tais linhas evolutivas do rock e da música brasileira. Por isso, faço questão de ouvir "discos" inteiros, pois é através desse conjunto específico de canções que o artista quis passar sua mensagem.

Devo ter umas 3.000 músicas arquivadas, e apago sem dó "discos" novos que acho apenas medianos. A vida é muito curta para ficar de arquivista, catalogando coisas. Escuto apenas o que me parece realmente consistente e toca mais fundo meu coração.

O que não acontecia antes: às vezes o disco era mediano, mas umas duas boas canções, e o fato de ter gasto dinheiro nele, fazia eu me afeiçoar por razões que não tinham a ver diretamente com sua qualidade.

Marcus em julho 28, 2006 7:26 PM


#18

Para completar o que vários de vocês já disseram: o LP (33 rpm) é inventado em 1948 e só emplaca mesmo no Brasil a partir de finais da década de 1950, com discos como Canção do Amor Demais. Em 1990 já está em decadência. É um suporte conhecido, portanto, por duas gerações, nada mais. Mas é verdade o que diz a Alessandra, que durante esse período muitos discos foram concebidos com esse formato em mente, e não como uma simples "coleção de canções". Um texto interessante sobre a evolução dos suportes para gravações musicais é esse aqui.

Idelber em julho 28, 2006 7:41 PM


#19

Repetindo o que já comentei lá no blog do Bia, há uma flagrante banalização no modo de se lidar com as informações. ou um ser abissal da fase paleozóica e, no caso da música, o que o advento do mp3 causou foi algo semelhante ao que aconteceu com o surgimento da MTV. Me lembro que alguma estrela ou grupo internacional vinha tocar aqui no Rio, era um orgasmo coletivo entre os roqueiros, esperávamos ansiosamente pelos caras e criávamso fantasias em torno das suas músicas. O Musical Television passou a exibir os caras todo os dias e até várias vezes diante o dia. E o que é pior, a mágica que havia em torno da música, foi um pouco perdido. Antes, você ouvia a canção e a criava o próprio filme em sua cabeça. A MTV criou uma espécie de fantasia delivery, entrega pronto pra vc. Mas e daí? Alguém deixou de ir ao show dos Stones em Copacabana por causa da MTV? Acho que todos ganhamos com a indústria do vídeo clips. Passamos a ter acesso a artistas que nem eram divulgados por aqui e nos deliciamos com alguns vídeos, que, vamos combinar, são muito bons. Com os mp3 entendo que ocorreu a mesma coisa. Assim como os e-books, os blogs e todos os subprodutos que a mãe web nos deu.
O grande perigo, Idelber, acho que é uma outra síndrome que irei chamar de Síndrome de Christianne F.. É isso aí, as pessoas parecem estar viciadas em informação. Parece que desaprendemos a nos dar um tempo para degustar ou refletirmos sobre o que recebemos. Queremos mais, precisamos de mais. Fico pensando imaginando alguém que baixa 48 mil músicas. Acredito que nesse momento ele deve estar baixando outras e outras e outras. Digamos que no meio dessas músicas, esteja um Chet Baker, por exemplo, com aqueles solos gentis de sax, ou a voz carregada de dor da Billie Hollyday. São músicas que requerem um tempo, não para serem ouvidas, mas para serem apreciadas. Não são para serem colocadas num ipod e ouvidas enquanto se faz spinning ou se busca mais informação na web, para não se cair numa crise de abstinência, cujos os sintomas vão desde tédio e vazio existencial, até níveis baixíssimos de umidade relativa no ar da auto-estima. Talvez seja por isso que os artistas atualmente produzem músicas apenas para serem ouvidas (se bem que não tenho nada contra elas).
Não quero ser chato (e já sendo), mas a solução é mesmo o meio termo. Mas aí você arruma um nome para ele.
Parabéns pelo blog e gd ab

Julio Cesar Corrêa em julho 28, 2006 9:16 PM


#20

Sobre tecnologia e música (mais Glenn Gould), humildemente, aqui:

http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/arquivos/2004/04/uma_polemica_su.html

Abraços.

Anonymous em julho 28, 2006 9:17 PM


#21

A geração de agora também sua pra reunir dinheiro pra comprar cd que não seja pirata. O preço alto forçou alternativas e baixar músicas não é ilegal, ilegal é comercializar músicas baixadas pela internet.
Existe uma geração que insiste em achar que a sua foi melhor e virão outras gerações que também afirmarão isso. A verdade é que, é muito bom ser jovem e ter espectativas de realizações de sonhos.
Quando emprestávamos os bolachões de nossos amigos pra gravar em fitas K-7 estávamos burlando a lei? A qualidade e a quantidade de armazenamento veio somente para alegrar quem realmente gosta de música. Ler encartes e sobre música encontramos bons sites especializados. A pressa em obter informações talvez seja o grande mal do século. Beijus

Luma em julho 28, 2006 10:12 PM


#22

Ah Idelba, como consegue manter em dia a sua leitura bloglines? Aquilo é um desespero toda vez que entro, saio correndo! (rs*) Bom fim de semana! Beijus

Luma em julho 28, 2006 10:15 PM


#23

Concordo com o que vc escreve professor. Mas, acho que temos uma relação pessoal com a música que nada, nem mesmo amores ou paixões físicas, pode separar. Da seguinte forma: as músicas que amamos são, sempre, eternas (para nós, at least). Eu amo Beatles, por exemplo. Sempre amarei Beatles. Adoro todos os tipos de música, mas algo acontece em meu corpo quando ouço um riff de guitarra. Penso que sempre amarei isto. Sempre será especial. Posso encher meu MP3 player e apagar depois. Mas, nunca esquecerei. Não é algo 'deletável'.
Sei que não foi isso que vc quis dizer com seu post. Mas é apenas o que penso com relação a músicas e me deu vontade de dizer!
Músicas de relacionamento, então, nem se fala! Às vezes, corremos delas. Mas elas furtivamente, nos perseguem e nos encontram. Mesmo que a 'apaguemos' como tentamos apagar as girls que elas nos lembram, não tem jeito.
É isso! Chega de bobagens minhas.
Abs.

Edkallenn em julho 28, 2006 10:40 PM


#24

Está excelente esse post do Milton Ribeiro sobre a evolução dos registros musicais. Recomendo!

Julio, bacana você ter passado por aqui, porque o seu ponto de vista é um pouco diferente do da maioria que opinou aqui. Não discordo de você, mas eu acrescentaria: a audição no iPod não é necessariamente distraída. Eu, por exemplo, raríssimas vezes ligo meu iPod enquanto estou fazendo outra coisa. Em geral escuto o bicho ligado nas caixas de som, da mesma forma que ouvia... os velhos CDs! Com a diferença de que não tenho que ir lá trocar....

Edk, nem fale de memórias associadas à música! Vixe, é tanta história, não é?

Luma, meu bloglines está sempre em estado caótico; eu vou lendo aos pouquinhos, sempre atrasado...

Idelber em julho 28, 2006 11:42 PM


#25

Com tanta coisa acontecendo na política brasileira, estamos tendo uma síndrome de Crusoé também nessa área. Já ouvi o absurdo que "antigamente, com os militares erea melhor"...Prefiro nossa democracia ferida de corrupção, com a imprensa publicando os podres do que o passado com ar de pasmaceira, e sem direitos...beijos aos dois...

Mani em julho 29, 2006 1:12 AM


#26

Com certeza, Mani. A política é das áreas onde a Síndrome de Robinson Crusoé é mais destrutiva :-)

Idelber em julho 29, 2006 1:13 AM


#27

"Fico pensando imaginando alguém que baixa 48 mil músicas. Acredito que nesse momento ele deve estar baixando outras e outras e outras
[...]
São músicas que requerem um tempo, não para serem ouvidas, mas para serem apreciadas. Não são para serem colocadas num ipod e ouvidas enquanto se faz spinning ou se busca mais informação na web, para não se cair numa crise de abstinência, cujos os sintomas vão desde tédio e vazio existencial, até níveis baixíssimos de umidade relativa no ar da auto-estima."

O quê?
Eu já baixei a gravação do Rilling das obras completas do Bach com 15GB. Escutei cada uma, acompanhando na pauta em .pdf, baixada também de graça.

Baixei as sinfonias do Mahler com mais de 10 regentes diferentes, no playlist eu organizava por movimento: primeiro o adagio com o Boulez, depois com o Bruno Walter &c..., acompanhando igualmente a pauta na tela do pc, parando e relendo determinadas passagens.

E não sou eu, muita gente é assim. Música erudita foi feita para ser estudada mesmo, ser lida na pauta, observada a harmonia, observar os motivos, inversões, desenvolvimentos, senão não é erudita.

Se isso é banalizar, só posso agradecer.

E quanto à música popular: é para ser popular mesmo, ser distribuida mesmo. Imaginem se tivessem perguntado a um artista no início do século XX se ele gostaria de ter a música dele distribuida no mundo todo. Com o .mp3 ele não recebe nada, como naquela época música popular não lotava estádio, mas ao menos hoje ele pode ser conhecido e reconhecido graças à 'banalização' de uma música que foi feita exatamente para ser banalizada e cair no gosto de todos.

aff...

Falstaff em julho 29, 2006 6:06 AM


#28

E outra: o disco é uma criação do mercado, pois para cobrar determinado preço era necessário lotar o disco de músicas. Quem tem alguma experiência com produção musical sabe que ainda hoje algumas músicas são incluidas no disco só para 'completar 12, 13, ou 14 canções', mas que por qualidade não entrariam. Mas sem um bom número eles (a gravadora) não podem cobrar o quanto querem.
Se o tão sagrado disco é uma criação de executivo de gravadora, pode confiar em mim, a música sobreviverá muito bem sem ele. Ah, sobreviverá, pelo menos enquanto as pessoas quiserem tocar um instrumentos, para 100 mil ou para a meia dúzia de bêbados. Gravar ou não é uma questão de objetivo.

Um abraço.

p.s. sou foda nos comentários, até eu gosto deles.

Falstaff em julho 29, 2006 6:13 AM


#29

falstaff, pode ser que tenha algum fetiche por disco, mas não é disso que se trata. o acesso fácil dos mecanismos de internet gerou uma compulsão em algumas pessoas ao mesmo tempo que apatia em algumas outras, pelo que tenho visto. um camarada baixou TODOS os discos dos STONES que ele A-DO-RA, mas pergunta se ele ouviu algum?!
...
música sempre existiu. organizar isso num disco mostrou-se uma espécie de arte. as bandas também tinham um discurso...
...
quanto a questã do acesso, da democratização, da inclusão, etc... logo logo tem post. vamos ampliar essa discussão. para inciar, o camarada que tem computador bom, banda larga, ipod, etc..., é o mesmo que PODE comprar o cd. então, gentes, é o mesmo pessoal que continua tendo o mesmo acesso.
:>)

Biajoni em julho 29, 2006 12:04 PM


#30

Adoro poder satisfazer minha curiosidade pela internet e o mais incrivel ter acesso a musica, palavras e imagens de outras culturas que o mercado não divulga.
Mas eu continuo precisando passar meses ouvindo um mesmo CD ou lendo e relendo um mesmo livro ou pendurar uma imagem na parede para poder vê-la enquanto ando pela casa.
Acho que esse hábito foi criado na época da minha infância onde havia apenas um rádio na sala para toda familia.
Acho que não é melhor ou pior mais é diferente. Minha filha com internet, livros, i-pod, camera digita e etc terá de fazer "sinteses" através de outros caminhos que não os meus.

carmen em julho 29, 2006 2:26 PM


#31

hmmmm, sem querer interferir na discussão do Bia e do Falstaff (que está muito boa), mas já interferindo: não é verdade que é "o mesmo pessoal" que continua tendo o mesmo acesso. Vejam só, 100.000 discos vendidos sempre foi marca de sucesso absurdo no Brasil. Hoje, 14 milhões de brasileiros têm internet em casa. A conectividade entre a Classe C aumenta a cada dia. Claro que está longe do ideal. Mas um mundaréu de gente que antes não tinha acesso a CDs hoje tem acesso ao download. Não só outras classes, como outras faixas etárias. Garotos de 8, 10 anos que jamais teriam comprado CDs hoje baixam música pela internet. Mudou muitíssimo, sim. Não é o melhor dos mundos possíveis - de jeito nenhum, essa seria a Síndrome de Dr. Pangloss - mas todos os dados confirmam que o acesso aumentou muito. E aí eu prefiro me abster de dizer que as pessoas não estão sabendo o que fazer com o acesso delas. Sou um anti-paternalista por excelência, acho que no fundo quem tem que se encontrar termina se encontrando.

Idelber em julho 29, 2006 3:49 PM


#32

Mas Biajoni, você acredita que o custo da banda larga, usada para baixar discos o tempo todo é o mesmo que custaria para comprar os cd's? Você realmente acredita nisso? Não acha que está um pouco desproporcional? Não acha que o custo da banda larga permite que se baixe muito mais discos do que se compraria?
Quando eu falo em 'acesso' eu não falo em acesso do consumidor de música, mas antes do artista. Não valorizo o garoto de 15 anos que baixa dos os discos do Frank Zappa, mas do artista que toca parecido com o Frank Zappa e que, graças à internet, pode chegar nas pessoas; e, se não for um artista metido à alternativo com ranço idiota, ficará muito feliz por ver aquilo que compôs para ser divulgado, ser divulgado.
==
Você acredita que 'baixar todos os discos' significa o quê? Para mim não significa NADA. Com não significa nada ter um discão solitário que será escutado por meses.

Como para mim nada significa o fato do Mindlin ter 40 mil livros.

Algum monge poderia dizer, lá no século XVI: nossa, mas depois do Gutemberg o livro ficou barato e todo mundo compra um monte, mas será que essa gente lê?

Ele não sabia. Eu não sei. Você não sabe. Não sei se a Claudia Raia usa todos os sapatos que tem. Provavelmente não. Isso é ruim?
Algum musicista mais fanático poderia dizer que qualquer um que não fique achando motivos, acordes e tonalidades em cada uma das cançoes do disco não valoriza o disco. Você procura dissonâncias, tríades invertidas, acordes de 7 diminuta nas canções? provavelmente não. Isso torna a sua 'ouvida' superficial? Não, e você provavelmente diria para essa pessoa: "ah, vai te catar... vai procurar cabelo em ovo!" Então, sempre vai ter alguém mais erudito que a gente, e alguém mais superficial. Mas o importante é que nós seremos sempre os certos, a média, a moderação.

Essa discussão serve para discos baixados, livros pós-gutemberg, câmeras digitais e tudo mais que deixe algo mais fácil/barato e para muito ao mesmo tempo vulgar. É ai que entra a questão do fetiche. Não falo num sentido pejorativo, todos nós temos fetiches com alguns artigos, mais por circunstâncias do que vontade. O disco é um deles, que gerou um fetiche em gerações de compradores. Como nasci no final dos 70, peguei o início do cd e não ligo para lp's, embora os tenha comprado e 'curtido lentamente', da forma fetichista, lenta e prazerosa, música por música, longas observações na capa, na ordem das canções &c. Mas é só uma estrutura do mercado. O fim dela não significa que os atuais utilizadores das novas formas, .mp3, são superficiais. Eles sempre existiram, e compravam discos também.

Mas o assunto é interessante.

Um abraço.

Falstaff em julho 29, 2006 4:11 PM


#33

Li o post do Bia e gostei bastante. sua ponderação foi excelente. Para quem tem gostos 'alternativos' e vive em lugares de pouco acesso, a net dá uma mãozona.

Beto Lins em julho 29, 2006 5:04 PM


#34

Não é por nada não, mas todo mundo já viu na casa dos outross pilhas de CD que ninguém mais escutar(Geralmente, temas de novelas, bandas de axé, Information Societ ou coisa do gênero). Não significa que antes do advento do MP3 as pessoas fossem todas mais seletivas, era meio comum as pessoas comprarem CDs inteiros e só ouvirem uma ou outra música.

Uma das vantagens do MP3 é essa: se você se cansa de determinado músico, simplesmente deleta suas músicas.

Para mim, o advento do MP3 foi uma revolução: permitiu que eu fosse atrás da música que eu realmente gostasse, não do que a MTV dizia para você ouvir ou de coisas que seus amigos gostassem. Com uma das minhas bandas favoritas, a belga Lais, eu teria sérias dificuldades para importar seus CDs. Aliás, tenho em minhas bandas favoritas coisas francesas, alemãs, russas, espanholas, argentinas e mexicanas que são desconhecidas aqui. Claro que você baixa muita porcaria no processo, mas isso é normal.

E o MP3 me permitiu desenvolver o hábito de ouvir discografias inteiras de bandas de forma seguida. ;)

André Kenji em julho 29, 2006 7:54 PM


#35

Professor, pessoal, está me ocorrendo aquele verso "...toda alma de artista quer partir...". Robinson Crusoé talvez esteja se desesperando pra ir pruma Babel (nem que seja pra ir na quinta e voltar na "Sexta-Feira" (hehehe). Lá, aqui, em Babel, há quem sonhe com ilhas desertas. Acho que entendi o que o Julio disse. Só vim a descobrir Clifford Brown através de "Rayuela", do Cortázar. A gravação que o Cortázar cita, "Ghost of a Chance", olha, não dá pra não se preparar pra ouvir antes, entendem? Há que ter atenção prévia, que nem se arrumar - ou desarrumar, conforme.. - pruma festa. No mais, também sou do tempo do vinil, que gostaria tanto voltasse, não por idealizar o passado, mas por estética. As capas faziam parte do prazer de ouvir. Tal qual nenhuma tela de computador vai substituir o cheiro, tudo, de um livro, "in my mind" os LPs são insubstituíveis. Pra não dizer que tenho saudades dos compactos (quem se lembra?) 33 rpm , 45 rpm e até dos da outra geração (hehehe, de que geração sou eu?), os 78, que os vi e ouvi. Apenas os 16, esses não conheci, sei que existiram. Talvez o mais sábio seja sermos Robinsons virtuais numa Babel real, ou vice-versa.
Pra compartilhar: música tocando, "Bronzes e Cristais", Maysa. Antes, Syrinx, de Claude Debussy (yeahhhhh, consegui dar uma de locutor de rádio!).

mauro chazanas em julho 31, 2006 10:51 AM


#36

manda bem o falstaff, a discussão tá ótima.
até o final de semana tem mais um post meu sobre o assunto.
:>)

Biajoni em julho 31, 2006 4:15 PM


#37

Maravilha de post, Idelber. Li o do Biajoni, que é bacana, mas foi apenas um bom passe para uma jogada memorável sua - pra usar uma imagem familiar ;-).
Pena que não pude, pelo menos ainda, ler todos os comentários.
Aquele Abraço.

Helena Costa em julho 31, 2006 5:14 PM


#38

Pessoal,

Não se esqueçam que baixar músicas e conteúdo licenciado em redes P2P é proibido.
Ao fazer isso estamos "roubando" o trabalho do artista.

Confesso que baixo músicas e filmes da rede com frequencia, mas o que me impressiona nestes comentários é que as pessoas não acham o ato imoral (ou não sabem que é ilegal).

Estamos tirando proveito deste meio rápido, anônimo e irrastreável para roubar o artista. A naturalidade com que fala-se nisso no Brasil é impressionante.

Lembrem-se que o AUTOR não é perguntado se deseja disponibilizar gratuitamente sua música ou álbum novinho completo.

* Por favor não me venham com o argumento patético de que os artistas e gravadoras são milionários e os preços são abusivos.
Preço alto não justifica "roubo" (a menos que seja algo de necessidade básica)

Pedro em agosto 1, 2006 4:10 AM


#39

Pedro...

Eu não queria estar na sua pele. O flagelo que é baixar cada música. A culpa com que você ouve aquela música de que tanto gosta.

Te imagino baixando música apenas pela madrugada, no escuro, olhando por sobre os ombros, esperando que a polícia -- ou algo pior -- te encontre.

E na sua mente a voz de sua consciência não pára de gritar: "Criminoso! Criminoso! Criminoso!"

Como você dorme à noite, Pedro, se entregando a algo que você julga imoral?

A propósito, não acredito que as coisas sejam tão simples no que diz respeito à troca de arquivos. E normalmente, aos artistas, convém não brigar muito com a realidade. Quanto mais se ouve música gratuitamente, mais chance as pessoas têm de comprar o disco. Ou ir ao show.

Rafael em agosto 1, 2006 10:47 PM


#40

hehehehe, grande Rafa.

Idelber em agosto 2, 2006 1:45 PM


#41

O lance me parece simples: agora é como antes, com uma única diferença - cada um que tenha computador com acesso à internet ganhou um cheque presente no valor 10 milhões de reais para gastar na loja de discos. Sempre tem aqueles que, com um monte dinheiro no bolso saem comprando tudo que vêem pela frente.

Não, talvez não seja bem isso. Talvez seja a coisa de que de repente é de graça, e aí o pessoal sai catando e carregando tudo que pode,porque um dia acaba a mamata, não é?

Ainda pode não ser bem isso.Pode ser também uma compensação para todos os outros consumos que não são grátis...

Jean Scharlau em agosto 7, 2006 4:02 AM


#42

Gostei da analogia com o cheque de 10 milhões, Jean. Legal :-)

Idelber em agosto 11, 2006 3:12 PM