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sábado, 22 de julho 2006
Cancelado um mestrado na UFRGS por plágio
Chegou uma notícia bem interessante via Fábio Sampaio: pela primeira vez no Brasil, que eu saiba, uma universidade cassou um título de pós-graduação de alguém por motivo de plágio comprovado na tese. Foi na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o plagiador é Gilberto Kmohan. O nome da tese é “O Conceito de Aura em Walter Benjamin", defendida em outubro de 2000, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS (PPGCOM), com nota máxima e louvor constante em ata. Não foi, como não costuma ser, um caso de cópia de uma frase sem referência aqui ou acolá. Foi uma coisa estilo Parreira: o cabra copiou a tese inteira.
O curioso é que o tema da tese é tão exaustivamente estudado que com um pouquinho de esforço, sem genialidade nenhuma e sem uma única idéia original, teria sido possível escrever sobre ele uma tese perfeitamente coerente e aceitável, na base de puras citações e paráfrases. Para Walter Benjamin, “aurática” é a relação quase religiosa, única, irrepetível, que se tem com a arte até a chegada dos meios de reprodutibilidade técnica. Seria aquele momento em que a arte ainda mantém alguma memória das suas origens em rituais e cultos. Depois do advento dos meios de reprodução técnica (especialmente a fotografia) esse valor “ritual” da arte iria se dissolvendo, aniquilado pela reprodução incessante: com uma Mona Lisa já estampada em camisetas não é possível manter qualquer relação aurática. Para Benjamin, o paradigma desse novo momento seria o cinema, que permitiria um outro tipo de recepção – menos religiosa, mais ativa e potencialmente até revolucionária. Essa é a idéia, debatida em centenas de artigos e livros por aí.
Pelo que eu li do relatório, a “tese” em questão tomava alguns desses livros, recortava e colava, sem dizer que se tratavam de citações. Um professor da UFRGS, Luis Milman, denunciou o caso em 2001 e só agora saiu o veredito. O relatório da comissão de professores encarregada do assunto comprovou plágio em 63 das 98 páginas de capítulos analíticos da tese. Viram:
a) plágios diversos de trechos (curtos e longos) de obras conhecidas, das quais 6 (seis) são referidas e 9 (nove) não são referidas na Bibliografia;
b) parágrafos em que o fraudador mistura trechos que pilhou de distintas obras;
c) plágios com mutilação dos trechos pilhados;
d) utilização de notas de rodapé com referência adulterada e trechos de obras plagiadas
Nestas horas, claro, a coisa pega muito mal para quem orientou a tese. Quem orientou e assinou a monstruosidade foi o Prof. Sérgio Caparelli, que é acusado pelo mesmo Prof. Milan de ter publicado um artigo plagiado, ele também.
Para lembrar o caso Parreira, no ano passado a Folha de São Paulo denunciou que 10 páginas inteiras do livro Evolução Tática e Estratégia de Jogo, de Parreira, foram copiadas (traduzidas ao português) de um livro do inglês Charles Hughes: 10 páginas inteiras, ipsis literis. O livro que sofreu o plágio é simplesmente citado na bibliografia como uma “leitura adicional”. Com a empáfia que lhe caracteriza, a única explicação que Parreira deu foi que “traduziu mesmo” e que “a apostila não foi vendida como livro,” como se o que configurasse o crime fosse a comercialização do produto plagiado. Ou seja, Parreira confessou o plágio.
A mesma internet que facilita a vida do aluno que quer plagiar torna quase impossível que o plágio não seja descoberto. No caso da universidade, eu defendo punição severa para quem plagia livros, mas expulsão sumária para quem plagia algo da internet: deveria haver uma punição extra para a burrice de achar que se pode copiar o conteúdo de um site, hoje em dia, sem ser pego.
Atualização: Com muito mais conhecimento do contexto do caso, obviamente, o blogueiro gaúcho Marcelo Träsel fez um post sobre o assunto (obrigado pelo link, Roger). Há toda uma polêmica também no Observatório da Imprensa.
Escrito por Idelber às 06:42 | link para este post
| Comentários (42)
#1
No caso de Parreira, é preciso acrescentar que a justificativa dele, além de absurda, é mentirosa.
Menos de um mês antes da descoberta do plágio, a Folha de S. Paulo fez uma reportagem sobre o lançamento da escola de futebol da CBF, identificando-o como o autor do livro-base do curso, e em nenhum momento ele contestou a autoria ou disse que se tratava de uma mera apostila.
Ademais, ninguém lança livro se o "autor" não autoriza expressamente.
Marcus em julho 22, 2006 9:27 AM
#2
Plágio está se tornando uma constante, embora sempre tenha existido. Já recebi monografias totalmente copiadas: dei zero! Além do plágio, a internet oferece "monografias prontas" a preços módicos. Absurdo.
Cláudio Costa em julho 22, 2006 11:19 AM
#3
Nossa! Esse é o tema de minha dissertação! Não o plágio, mas o que ele desconcerta e questiona na "era da reprodutibilidade técnica". O tema do já seu conhecido "Nombre falso" de Ricardo Piglia e o relativamente novo "O falso mentiroso" de Silviano Santiago questionam algo que eu acho simplesmente sensacional: a necessidade do mercado da marca autoral, da suposta originalidade. A distinção em marcas de rememoração e cópia, algo que Silviano Santiago magistralmente "teoriza" em "O falso mentiroso" são constantes que se, apesar de já ter dado como terminada a tese, alguém quiser opinar, vou achar ótimo. (PS: Desculpe-me, Idelber, usar de seu blog para levantar o debate, mas é que não disponho de tempo para manter o meu próprio e como leitora habitual do seu, achei que ia ao encontro de minhas atuais investigações. Em todo caso, delete-me sem piedade caso ache que não há nenhuma pertinência)
maria andréia em julho 22, 2006 2:34 PM
#4
Obrigado pela completada, Marcus, você tem toda a razão: é mais uma prova da total má fé do Parreira nesse episódio. Plágio é sempre complicado de se provar, e há que se ter cuidado quando se acusa, mas o caso do Parreira é cristalino: trata-se de um plagiador.
Idelber em julho 22, 2006 2:51 PM
#5
Pois é, Dr. Claudio, parece que deu um salto com a internet. Mas é a aquela história: a mesma internet possibilita que você pegue o sabichão com as calças na mão...
Idelber em julho 22, 2006 2:53 PM
#6
Maria Andréia, claro que não há problema, o tema é pertinentíssimo. E sua tese parece fascinante: a volta da aura no mundo pós-aurático, não é isso? Nombre falso tem um momento interessante, quando Piglia fala da idéia de Macedonio Fernández, a de escrever um puta livro e atribuí-lo a outro. Idéia genial: o plágio ao revés. Beijos, escreva aqui sempre tranquila,
Idelber em julho 22, 2006 2:56 PM
#7
Obrigada, Mestre! Só para instigar, quando se atribui a publicação de Kafta por Max Brod, será que não se desdobra a idéia de Macedonio Fernández? Uma espécie de "rufião melancólico"? E, por outro lado, a aura apropriada pelo mercado não está ligada a esta observação que voc~e faz em uma das notas de se "Alegorias da derrota": "Se "o aqui e agora do original constitui o conceito de sua autenticidade" (p. 476). e o original só se transforma em tal enquanto é copiado, a possibilidade mesma da autenticidade como conceito vem ligada à da falsificação. Poderíamos ler na decadência da aura. então, o enlace entre reproducibilidade e falsificabilidade explorado por Arlt em seus romances."
maria andréia em julho 22, 2006 4:03 PM
#8
Kafta, leia-se Kafka, por favor!
maria andréia em julho 22, 2006 4:04 PM
#9
Acredito que atualmente com tantos recursos e tantas facilidades "on line", as pessoas ficam seriamente tentadas a se creditarem pela autoria de produtos alheios. Também, com tanta coisa mais agradavel pra fazer, pensar decididamente virou tarefa de pouquissimos.
Rui em julho 22, 2006 4:04 PM
#10
Anos atrás, quando estava ainda no Brasil, fui testemunha de um caso curioso. Um conhecido Designer vendeu como obra sua a criação de um logotipo para uma empresa, mas que na verdade foi copiado de uma matéria em uma revista. O ironico é que a matéria era em uma revista de design e ilustrava um longo e bem documentado artigo sobre... fraudes criativas. O logotipo que o gajo copiou, era a cópia de um outro, que também ilustrava a matéria. Um caso de eterno retorno, circulos concentricos que tendem ao infinito.
No mais, ótimo teu post. De onde foi que voce copiou?
Flavio Prada em julho 22, 2006 4:28 PM
#11
Oi, Maria Andréia, obrigado a você pela citação e atenção a esse livro. É mesmo aquela história né.... É a possibilidade de falsificação que cria a existência dos "originais": para um artista medieval ou mesmo renascentista, uma obra de arte não é "original" de nada...
Vale lembrar que o artigo do Benjamin que desenvolve a noção de "aura" é "A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica", e está disponível online, infelizmente só em tradução ao inglês.
Idelber em julho 22, 2006 5:23 PM
#12
Pois é, Rui, e o pior é que para se fazer uma tese honesta e aceitável não é nem necessário pensar muito, só seguir algumas regrinhas...
Idelber em julho 22, 2006 5:25 PM
#13
hahaha, Flavio, ótima e emblemática história. É mais ou menos como a tese desse cabra: ele copia de outros uma monografia inteira sobre o conceito de Benjamin que descreve um mundo onde ... tudo é copiável!
Idelber em julho 22, 2006 5:30 PM
#14
Já eu seria favorável a dar o título de doutor pro rapaz e dar um prêmio para o famoso orientador e escritor gaúcho e também para a banca que avaliou o mestrado do cara e que assistiu a defesa da dissertação. Porque o sujeito provavelmente plagiou Benjamin tirando a cola das obras traduzidas português e sinceramente, dissertação de mestrado sobre o conceito de aura em Benjamim num lugar que nem biblioteca decente existe, onde o orientador e orientando não lêem em alemão, é uma piada de muito mal gosto. Isso daí deve ser retaliação por alguma outra coisa, porque deve estar cheio de causos de plágio no pós em comunicação da UFRGS.
Ana Lucia em julho 22, 2006 7:41 PM
#15
Retiro o que eu disse, um dos membros da banca é um professor e "filósofo" bem conhecido para o bem e para o mal... ali nos rincões porto-alegrenses, com mestrado e doutorado na Alemanha...a coisa é pior que pensava.
Ana Lucia em julho 22, 2006 7:53 PM
#16
"No mais, ótimo teu post. De onde foi que voce copiou?" Flavio Prada
THIS is funny.
Tudo e' copiável? Foi Mestre Guima que disse, não foi? Via o narrador Rio-Baldo, em vão, ou fluvial e de compartamento apimentado.
Ninguém vai lembrar o caso Marilene Chaui vs.J.G. Merquior c. 1978?
cap em julho 22, 2006 8:39 PM
#17
Olá,
Bom, em primeiro lugar gostaria de dizer que leio seu blog há meses e que adoro, apesar de nunca ter feito comentários...mas nunca é tarde, não é?
Mas este assunto é algo que me pega... sou professora universitária aqui em SP e na outra universidade que eu trabalhei (uma das melhores do país na área de turismo e hotelaria) um grupo inteiro "copiou" a minha dissertação de mestrado e entregou como TCC!!! A gente pensa que não vai sentir nada, mas eu quase tive um treco!! O grupo levou a pior, obviamente.
Foi uma loucura.....
E fora os trabalhos que eu encontro hoje dos meus alunos totalmente copiados da internet (dou aula de inglês e literatura americana).. precisamos fazer algo sempre.
Abração
Andréa
Andréa em julho 22, 2006 9:43 PM
#18
Oi, Charles, bom, segundo Macedonio Fernández, "tudo é copiável" foi dito por Adão :-) Do caso Marilena/Merquior eu não me lembro os detalhes mesmo...
Oi, Andréa, claro que nunca é tarde, sempre é boa hora para começar... E caramba, uma tese copiada por um grupo inteiro como TCC é demais!
Eu imagino que na área de literatura anglo-americana o plágio de internet deve rolar desenfreado, porque os recursos existentes são muitos, né? Abraços,
Idelber em julho 23, 2006 5:14 AM
#19
Idelber, acho um alivio q um plagiador tenha sido desvendado. Tenho amigos professores de Economia e o q eles me dizem corrigir de teses iguais... nao estah no gibi. Acho q na area de ciencia experimental fica mais dificil plagiar. Afinal, requer experimentos de campo/laboratorio, e a banca em geral identifica rapidamente se a pessoa copiou, com perguntas basicas sobre os experimentos. Mas uma lastima q as pessoas percam tempo copiando. Poderiam aproveitar o tempo gasto aprendendo algo mais util de verdade para suas vidas. :-)
Lucia Malla em julho 23, 2006 8:04 AM
#20
Já tive alunos que copiaram trechos inteiros de livros como se fossem obra deles. Quando receberam a nota (zero, óbvio), ficaram furiosos e vieram me dizer que "têm o direito de fazer isso", pois o autor foi referenciado ao final! Se esses são os alunos do início do curso de Direito, e já desrespeitam autoria, imagine o que teremos no final do curso... pior foi contar a história pro diretor, e ele ficar com cara de "mas não pode fazer isso?" Essa notícia é ótima, mas o caminho ainda é longo...
Cynthia em julho 23, 2006 10:56 AM
#21
É a feitura de tese no estilo "Lavoisier".
(De saída para um churrasco...)
Abs!
Fábio S. em julho 23, 2006 12:52 PM
#22
chegando atrasado à discussão:
olhe, infelizmente, me parece q quem mais se aproximou do q deve ter acontecido foi a Ana Lúcia. essa história tá me cheirando a alguma retaliação dentro do departamento lá da UFRGS... pq o q não falta na academia brasileira são casos como esse. espanto é esse ter sido o único título cassado até agora!
(aliás, outra coisa grave q acontece muito é orientador q decide assinar com o PRÓPRIO nome - ou, no mínimo, como co-autor - trabalho de algum orientando seu).
ah, e fiquei curioso para saber sobre o tal caso Marilena-Merquior...
abs,
dra em julho 23, 2006 2:09 PM
#23
Olá,
Vc tem razão.. os alunos têm milhares de sites na área de literatura mesmo... semestre passado algumas turmas tiveram que fazer uma resenha do apanhador no campo de centeio... eu já disse na sala antes que frases como x, y, z, e textos x, y, z eu já estava careca de conhecer na internet.. mas mesmo assim...
Ah - outra coisa - o sobrenome do meu marido é Avellar.. será que algum parentesco?
Bjs
Andréa
Andréa em julho 23, 2006 2:28 PM
Alena em julho 23, 2006 7:53 PM
#25
Oi, Lu, obrigado pela visita. Pois é, eu sempre me perguntei isso também, e me alegro que você confirme: que nas ciências "duras" deve ser bem mais difícil plagiar e bem mais simples identificar o plágio. Nas humanas, a tal da "gray area" é bem grande. Mas parece que nesse caso em particular o plágio era óbvio demais, né? Beijos, Lu :-)
Cynthia, pois é, em Direito acho que a coisa deve pegar bem brava, né?
Pois é, Fábio, é o pessoal do "nada se perde, nada se transforma..." (obrigado de novo pelo link)
dra, pois é, o que você tocou é todo um outro drama. Professores desonestos que se apropriam de (ou às vezes até assinam) trabalhos feitos por alunos sem dar-lhes crédito; feio, né, muito feio...
Andrea, não sei. O meu Avelar é com um L só, e do Triângulo Mineiro. Mas acho que o sobrenome já rodou tanto que podemos muito bem ser parentes, sim..
Amém nóis tudo, Alena :-)
Idelber em julho 23, 2006 9:04 PM
#26
Vejamos. Merquior, o mais bem lido e sacador de poesia de direita da história, e diplomata. E sem medo. Mandou Caetano voltar aa escola e desafiou Chaui, de esquerda, na imprensa. Acusou-a de ter "emprestado" passagens de obras de filosofia europeias. Ela negou. Ele pegou os originais, em frances e alemão creio, e cotejou, lado a lado, com os para'grafos dela. Não pla'gio direto, mas uso bastante "livre" da fonte. Ela calou a boca. Provas incontestaveis. Nao tira ela ser genial. Nem ele.
Isso foi na Revista Senhor acho tipo 1978.
cap em julho 23, 2006 9:31 PM
#27
Ah, Charles (valeu a explicação!), mas aí eu adoraria ver a polêmica original e cotejar os parágrafos, para ver se não se tratava de paráfrase absolutamente legítima, do tipo que é bem comum especialmente em áreas técnicas como a filosofia, no momento em que se está analisando um texto de perto. É uma possibilidade. Eu gosto muito do Merquior, especialmente como leitor de poesia (quem dera a direita brasileira tivesse hoje uma humanista como ele; neófitos, leiam A Razão do Poema, livro maravilhoso), mas nesse caso aí eu estou totalmente predisposto a dar o benefício da dúvida à Marilena, cuja trajetória acadêmica é irretocável.
Seria legal encontrar referência a essa polêmica com os parágrafos para cotejo. Voltando a New Orleans posso checar a biblioteca de Tulane, onde dá para rastrear tudo.
Idelber em julho 23, 2006 11:28 PM
#28
Charles, foi numa edição da Folha de São Paulo em julho de 1989, e a questão foi a inserção de parágrafos de Claude Lefort sem aspas no livro Cultura e democracia de Marilena Chauí.
Aqui vai um link que menciona o assunto.
Idelber em julho 23, 2006 11:35 PM
#29
Ai estou esclerosado mesmo. 1978 foi a polêmica com CAETANO na tal revista. Depois anos 80 foi a discussão com M.Chaui, que foi visiting professor em Stanford quando a Helô foi tambem, etc. Mas Merquior provou sim o que ele afirmava. Ela foi bem fraca na hora da atribuição, pelo menos.
Vocês precisam ler o livro de JGM in English about Foucault; as much as you may like some ideas he develops, he too might not be as "original" as some would think... !!!!
Also see Merquior on comparative Spanish American/Brazilian lit. in Cambridge Encyclopedia, so English-ly efficient and cheerful.
cp em julho 24, 2006 12:00 AM
#30
Ah, a de 78 é a do Caetano com Cacá Diegues. Essa sim, conheço princípio, meio e fim. É a origem do termo "patrulha".
O livro do Merquior sobre Foucault eu acho fraco, Anjo, parece um adolescente querendo ser titio, dizendo: ah, pensas que transgrediste, mas isso já estava previsto.... e chatices semelhantes. Claro que plágio não haverá, mas é, sim, um livro de requentados de um certo pensamento conservador anglo-franco-americano sobre Foucault :-)
Idelber em julho 24, 2006 1:13 AM
#31
Esse tipo de coisa só acontece por que alguns professores são preguiçosos em dar nota zero aos copiadores.
Palhaçada.
Bender em julho 24, 2006 10:38 AM
#32
I- That's the point, Merquior, escrevendo in English taking an _attitude_, meio 'bad boy' as vezes, não o que se espera dele, diplomata doutor.
_Patrulhas ideolo'gicas_ e' outro assunto. Merquior e Caetano brigaram porque aquele disse que este não tinha por que opinar e não sabia certas coisas etc.
Certo, CV sem formação acadêmica mas JGM pareceu meio snob, chato, etc.
Depois a gente plagia a polêmica Merquior-Parreira!
ca em julho 24, 2006 12:00 PM
#33
Ah, certo, pensei que era Caetano/Diegues. Não sabia que havia havido polêmica Caetano / Merquior.
O sr. está erudito demais na história das polêmicas, sr. Charles!
:>)
Idelber em julho 24, 2006 12:31 PM
#34
E doação de óleo de peroba envio para qual endereço?
Sempre assumo meus zeros quando não tenho saco ou interesse pra fazer os trabalhos de faculdade (ao invés de copiar porcarias), aí me aparece um plagiador de mestrado? Poxa..........
LucianA em julho 24, 2006 5:01 PM
#35
Grande post, Idelber! Êta assunto para gerar comentários, hein? E nenhum é copiado! Acho que todo professor universitário tem algum exemplo para contar disso.
Quando dei aula de Jornalismo Opinativo (!) numa faculdade privada de Brasília, um sujeito me entregou um trabalho chupado de um texto mal escrito na Internet. Foi o único que reprovei, sem dó ou piedade e ele veio reclamar. Na UnB, num curso de extensão, uma moça me entregou como trabalho dela um texto copiado do jornal em que eu trabalhava (!!). O pior é que também estava com uns errinhos, que me pus a corrigir quando notei que não parecia de autoria da garota e resolvi perguntar de quem era ao tio Google, grande dedo-duro. Ela quis me convencer que, afinal, havia acrescentado algumas frases em alguns parágrafos...
Daí elaborei minha tese: o mal começa no segundo grau. Enquanto minha geração copiava das enciclopédias, e misturava verbetes como trabalho de casa, a garotada de hoje tem o mundo maravilhoso do google para fazer trabalhos, e ninguém, no segundo grau, os alerta para a questão do plágio. Copiar enciclopédia não chega a viciar: mas o Google, esse imenso repositória da inteligência e das bizarrices alheias...
É uma geração sem noção (para o bem ou para o mal) de autoria intelectual, o que pode até ter seus lados positivos, mas é hediondo no ambiente acadêmico.
Me lembrei do personagem de Caché, um garoto que endeuisava o pai escritor e que, flagrado num plágio, responde: "mas eu poderia ter escrito algo assim". Esse é o mais patético, porque sequer tem consciência de sua picaretagem.
S Leo em julho 24, 2006 5:35 PM
#36
Desculpe a tagarelice, Idelber. Fiquei meio cabreiro com os comentários da maria andreia, de alguma maneira dão espaço para se pensar que, na tese, ela defende que a necessidade de atribuição de autoria seria apenas uma questão de "mercado" (espero que tenha entendido erradamente).
Uma coisa é a restauração da "aura" (a foto de autor, assinada e de cópias limitadas que se vende por milhões, enquanto uma reprodução fotog´rafica teria as mesmas qualidades plásticas e é vendida baratinha em lojas de souvenir, p. ex.), essa sim, algo bem mercadológico. Outra coisa é o reconhecimento do criador, ou divulgador de determinadas concepções ou obras, a necessária genealogia das idéias...
S Leo em julho 24, 2006 5:54 PM
#37
Idelber: dá uma olhada em www.insanus.org/martelada
É o blog do Träsel, que parece estar bem informado sobre o caso.
Nos comentários tbem se encontra algumas notas de "bastidores" do caso.
Abraço
Roger em julho 24, 2006 7:18 PM
#38
Idelber, ótimo assunto mesmo. Outro dia me entregaram um comentário sobre um filme com uma cópia de uma péssima resenha tirada do google (e o primeiro resultado, veja que tolinhas). Eu levei "Como se faz uma tese" e citei Umberto Eco: até para se copiar, há que ter inteligência. SLeo, eu já dei aula para ensino fundamental e médio e claro que os professores os alertam sobre o plágio, eu mesma preferia receber trabalho manuscrito (pelo menos eles copiando talvez lessem alguma coisa...). Enfim, é bom mesmo saber que alguma coisa foi feita, coisa rara na nossa academia que acaba sempre engolindo tudo (ou alguém conhece caso de tese/dissertação ser reprovada no dia da defesa?).
Surya em julho 24, 2006 9:43 PM
#39
Oi, Surya, Sergio, Roger, obrigado pelos toques, replico aqui o comentário que eu fiz lá no Träsel:
Oi Träsel, havia me chegado este link e eu acabei fazendo um post sobre o assunto; devia ter passado aqui antes, mas enfim... não sei nada sobre as pessoas nem nada sobre o programa de Comunicação da UFRGS, mas acompanho mais ou menos a bibliografia sobre Benjamin. Se a dissertação é a descrita no relatório da comissão da universidade, o aluno pode recorrer até ao Supremo que perde. Notei, sim, algum tom pessoal na denúncia do Prof. Milan, mas se realmente todos aqueles trechos estão lá sem aspas e sem indicação de que se trata de citações, o caso é irrefutável (o que não quer dizer, claro – concordo com você – que a banca tinha necessariamente obrigação de pegar): há nacos enormes copiados de obras que não estão na bibliografia e que são textos básicos de referência sobre Benjamin! Nisso o aluno demonstrou clara competência: ele conhece boa parte, senão a maior parte das obras fundamentais sobre Benjamin, o que só reforça o caráter bizarro do caso.
Há provas lá, mas cito só o tipo de coisa que, pelo menos no meu caso, ativaria a sirene:
Os artigos Ein Familiendrama auf dem epischen Theater, em 1932, interpretando a peça Die Mutter e, Das Land, in dem das Proletariat nicht genannt werden darf, publicado na Die neue Weltbühne a 30 de junho de 1936, sobre a estréia em Paris da peça Furcht und Elend des Dritten Reiches .
Um cabra que escreve uma oração dessas, das duas uma: ou morou na Alemanha tanto tempo que já tem relação só com os títulos originais das obras (tal como, sei lá, poderia acontecer comigo de não me lembrar, depois de 16 anos nos EUA, que As I lay dying do Faulkner virou Enquanto Agonizo em português), ou então o cabra está metido num sério cut-and-paste. Quando você acrescenta coisas como: a presença de uma passagem clássica de obra X (Scholem) citada por obra Y (Buck-Morss) aparecendo sem aspas e, na bibliografia, presença de referência a uma obra diferente do autor X em edição alemã inencontrável no Brasil, aí fica dificílimo de argumentar que houve erro em boa fé.
Mas enfatizo que concordo com você: não deve haver punição administrativa para a banca. Eu posso, sei lá, estar orientando uma tese sobre literatura cubana ou mexicana, que não são especialidades minhas e estar em condições de avaliar o rigor da tese mas não necessariamente agarrar plágio – o que, convenhamos, hoje em dia, é muito mais uma questão de saber usar a internet do que conhecer bibliografia. Desculpas pelo comentário-tratado. Atualizei meu post remetendo pra cá. Abraço.
Idelber em julho 24, 2006 11:08 PM
#40
Oi Idelber! Esse caso é realmente surpreendente, e atesta que o fenômeno do copiar-colar está cada vez mais impregnado. Vou mais longe: não sei dizer as razões, talvez a facilidade no acesso à informação, mas o fato é que, a cada ano, as gerações que passam pelas faculdades "emburrecem" mais - ao menos na área de comunicação essa constatação é bem óbvia. Grande abraço!
Marmota em julho 24, 2006 11:20 PM
#41
uau! muito interessante esse post. faz pensar que existe justiça no Brasil. Espero que o plagiador não esteja por aí, ministrando aulas, tendo conseguido seu cargo de professor por indicação, e maracutaias afins. Pois isso é o q mais tem nesse brazilzão...
valeu pela visita no Catatau. Gostei mto também, estou lendo a categoria de filosofia. Mto legal!
abração,
catatau em setembro 3, 2006 3:24 AM
#42
Grande feitio. Oh!!! Que importante é pegar plágio. Tudo isso sobre escrita, seja monografia, tese de mestrado, doutorado, não significa porra nenhuma. Isso é ridículo. Vocês formam mestres em algum determinado tipo de assunto e acontece o que? Nada. Vocês só querem título. Rebanho de punheteiro fracassado. Vai comer uma mulher realmente gostosa e se divertir. Veja que a vida é realmente boa além de merda de livros e teses. O que está escrito é de todos. Quem quiser cria? E quem não quiser? Quem não quiser não faz nada e pronto. Ninguém é obrigado a criar nada. Só na suas cabeças de merda que a criação deve ser no sentido literal.
qualquer um em outubro 26, 2006 11:29 AM
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