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sexta-feira, 14 de julho 2006
Clube de leituras: Antes do Grande Sertão

São fracos os recursos existentes na internet sobre Guimarães Rosa. O Projeto Releituras traz um resumo biográfico mínimo com quatro contos ; há um bom artigo de um professor da medicina da UFMG, um interessante blog de citações e não muito mais. O artigo da Wikipedia não traz nem o essencial e fala de Rosa como “realista mágico,” o que é um chute bem longe do gol: o “realismo mágico”, tal como desenvolvido por García Márquez a partir de uma idéia de Alejo Carpentier em El reino de este mundo (de 1949, quando este ainda chamava a coisa de “lo real maravilloso”) tem pouco que ver com o que faz Rosa, tanto nos contos como nas novelas ou no Grande Sertão. Em Rosa não há formigas invadindo cidades ou mulheres gordas que voam. Não há essa tentativa de produzir um espanto artificial com a realidade: o realismo mágico pressupõe um olhar estrangeiro, alheio ao mundo que se narra, olhar que é a chave para que se produza o efeito "fantástico" ou “mágico”. Em Rosa, todo o contrário: Riobaldo é dali, do sertão, rigorosamente interno ao que narra. O estranhamento que aquele mundo produz não é fruto de um olhar que o vê como exótico. O estranhamento vem das entranhas mesmas.
Há excelentes estudos acadêmicos sobre Rosa, mas a universidade também já tropeçou bastante para falar dele: num colóquio recente, a chamada avisava que "Guimarães Rosa soube conciliar as reflexões e os estilos mais autenticamente brasileiros (ensaismo e oralidade) com as formas narrativas das vanguardas (fluxo de consciência, memória involuntária), como se não existissem ensaísmo e “oralidade” em outros lugares, ou como se as “formas de vanguarda” já não fossem, em 1956, tão “brasileiras” como o futebol. Ou seja, confusão pura. Generalidades sobre o “local” e o “universal” – e a combinação entre eles – são o pão-com-manteiga da crítica roseana. Já não acrescentam muito.
Nos sites de língua estrangeira há alguns chutes na arquibancada também. Um verbete americano fala de “naturalismo” em Guimarães Rosa (aliás, a tradução ao inglês de GSV, The Devil to Pay in the Backlands, é o trabalho de tradução mais horrendo já feito com um grande autor). “Naturalismo”, aqui no caso, está bem longe do justo; “naturalista” é a secura de Euclides da Cunha, autor ainda marcado por determinismos vários. Se no mundo naturalista a realidade se deduz com um grau razoável de certeza a partir de certas determinantes (raça, meio, herança genética), em Rosa tudo é turbilhão e incerteza, não só na cabeça do personagem, mas no tempo e fluxo do próprio texto. Mais inventivo e anti-naturalista, impossível.

“Regionalista” é outra palavra que aparece com freqüência para designar a literatura de Rosa. Aplicado a ele, o termo mais confunde que explica. O rótulo tem longa história na literatura brasileira, pelo menos desde os romances “regionais” de José de Alencar (como O Gaúcho), e designa aquela literatura (em geral rural) que se dedica não só a retratar uma região mas a criar personagem e problemática supostamente únicos àquele lugar. O regionalismo é uma fábrica de tipos (o vaqueiro, o retirante, a mulata do Recôncavo, etc.). Em Rosa não há tipos, só personagens múltiplos e fragmentados. O cenário de Rosa é, sim, rural e o lugar é tematizado repetidas vezes, mas o movimento é inverso ao do regionalismo: tudo no sertão de Rosa acaba virando mundo e englobando a própria cidade ao qual o sertão aparentemente se oporia. Quanto mais tu entras no movimento centrífugo do redemoinho, mais ele te joga, centrípeto, para o universo.
Essas são apenas algumas das palavras problemáticas que se repetem sobre Rosa. Isso não quer dizer que aqui ou ali elas não possam ser úteis, mas para descrever o que fez Rosa, são redutoras. Como ele renovou a língua mais que qualquer outro autor em português, o léxico da crítica também tardou um bom tempo para começar a dar conta do que acontecia. Ainda falta muito, mas há incontáveis trabalhos de qualidade por aí. Na vastíssima coleção de títulos, três me são especiais:
O volume da Coleção Fortuna Crítica, já esgotado mas facilmente encontrável em sebos e bibliotecas, traz uma compilação de muitos dos melhores artigos já escritos sobre Rosa, por feras como Haroldo de Campos e Benedito Nunes. Vale a pena.
O Léxico de Guimarães Rosa, de Nilce S. Martins, é um trabalho recente, assombroso, organizado em forma de dicionário. São 8 mil verbetes, com todas as invencionices de Rosa. Para quem quer ir fundo, é indispensável.
A Vereda Trágica do Grande Sertão: Veredas, da minha conterrânea (e feríssima) Sônia Viegas, é a mais aguçada leitura filosófica do romance.
Eu estou relendo o livro pela sexta vez, acho. E estou ainda mais assombrado do que fiquei em 1985, quando li pela primeira vez, no colégio.
Na semana que vem começamos uma discussão sobre Grande Sertão: Veredas aqui, organizada o demo sabe como. Talvez possamos fazê-la por assuntos, ao longo de três ou quatro posts, que poderiam tratar de temas como o fáustico (todo o drama da alma e do pacto com o diabo), o amor Riobaldo-Diadorim (que é pano pra manga que não acaba mais) a estrutura do texto e a linguagem (que tal uma coleção de citações do livro?), o rico problema da memória no texto, e o que mais nos der vontade. Provavelmente os assuntos vão se misturar. É a lei do sertão.
Escrito por Idelber às 04:41 | link para este post
| Comentários (27)
#1
Muito bom o seu post. Apenas tenho uma sugestão: incluir Zé Bebelo como mais um dos temas -- personagem riquíssimo e cheio de detalhes. Inclusive, há quem diga que Guimarães Rosa se inspirou em Rotílio Manduca, deixando algumas pistas em duas ou três passagens do livro.
Isadora em julho 14, 2006 9:30 AM
#2
"Realismo mágico"? De onde saiu isso? Eu ainda não terminei o livro, mas já deu para notar que não tem nada de mágico. Aliás, ele tem um jeito árido e duro, que nem o couro que a jagunçagem usa.
Idelber, acho que deveríamos dar uma turbinada no artigo do livro na wikipedia. Nem que seja para deixar o livro um pouco mais atraente.
Bender em julho 14, 2006 9:33 AM
#3
Reparei que Riobaldo era fã dele (Zé Bebelo). Lembra que ele sempre se perguntava o que Zé Bebelo faria em determinadas circunstâncias? Ele não pensava no que Medeiros Vaz ou Joca Ramiro fariam, mas sempre em Zé Bebelo. Maximé.
Isadora em julho 14, 2006 9:35 AM
#4
Caro Idelber
Aproveito que você fala sobre Guimarães Rosa para ligar, por vias indiretas, o nome do consagradíssimo escritor ao (atualmente) maior prêmio literário em língua portuguesa. [Peço portanto a sua compeensão.]
O escritor português Luandino Vieira que se diz influenciado por Guimarães Rosa (a quem curiosamente leu na prisão salazarista), recusou recentemente (creio que foi no mês de maio) o prêmio literário Camões (promovido e sustentado por portugal e Brasil)! A recusa a um prêmio por si só pode não querer dizer alguma coisa. Mas recusar um prêmio no valor de 100 mil Euros, é uma coisa notável! tanto no Brasil como em Portugal.
A imprensa brasileira praticamente não tocou na recusa ao prêmio Camões (que creio já existe há uns 12 ou 13 anos). Mas o incrível é que qualquer um que ganhe um Grammy Latino (visivelmente um prêmio dado para a plebe ignara do terceiro ao décimo quinto mundo) consegue as primeiras páginas dos cadernos "B" da FOLHA, do Estadão e de O Globo!
Obrigado.
Voltemos a Guimarães Rosa.
Paulo em julho 14, 2006 9:49 AM
#5
Idelber, a idéia toda de "regionalismo" sempre me afastou de diversos autores por puro preconceito meu. Acho que foi com São Bernardo, do Graciliano, que mudei de idéia -- percebi que muitas obras que os críticos definem como regionalista acabam sendo significativas até mesmo para nordestinos já distante do mundo de fazendas, engenhos e etc (como é o meu caso).
Quanto ao Rosa, acho correto que o debate seja dividido. Particularmente, gosto muito de um texto do Paulo Rónai chamado "Três motivos em Grande Sertão: Veredas" que, na edição que tenho, serve como apresentação (talvez ele esteja em todas as edições, não sei). O que gosto no texto do Rónai (que é curtinho) é que ele chama a atenção do leitor para o fato de que o sertão do Rosa, além de símbolo -- que é o que o torna universal -- é "realidade viva e concreta, com seus bichos, plantas, gentes e superstições admiravelmente descritos". A capacidade de Rosa para criar belas paisagens é sensacional; o Sertão mineiro, obviamente belíssimo, parece ainda mais encantador no livro.
Rodrigo em julho 14, 2006 11:48 AM
#6
Realmente, Paulo, o atrelamento da midia à indústria cultural deixou pasar uma boa oportunidade para falar do Luandino Vieira, figura exótica, há dez anos recolhido em um mosteiro (o que, dizem, justificaria pelo "franciscanisno" a recusa à grana preta), ex-guerrilheiro, grande poeta. Mas o mesmo não se pode dizer do Rosa, que foi cantado em verso e prosa na imprensa, com belas matérias.
A matéria mais saborosa, porém, não foi escrita agora, mas há anos, pelo José Rezende Jr., no Correio Braziliense, que entrevistou o Manoelzão e o descreveu em linguagem de ecos roseanos. Vale a pena ler, no site dele: www.joserezendejr.jor.br (não tem permalink, tem de clicar em "reportagem" e logo se vê o outro link pra matéria do Manoelzão). O sertão de Rosa virou eucalipi, onde não canta passarinho, nem marimbondo faz barulho.
Espetacular seu post, como sempre, mestre Idelber. Grandes dicas.
S Leo em julho 14, 2006 12:37 PM
#7
grande post, Professor.
diminui um pouco a velocidade na leitura do GSV, mas acompanharei com deleite - estou seguro - os debates aqui no Biscoito.
abs,
dra em julho 14, 2006 12:49 PM
#8
Idelber,
Venho interromper a discussão (na qual disse que estaria e não estou - sinto) porque queria público meu agradecimento pelas suas palavras no SubRosa.
Obrigada!
Beijos,
Silvia Chueire em julho 14, 2006 2:34 PM
#9
"Me alembrei da luzinha de meio mel, no demorar dos olhares dela. Aquelas mãos, que ninguém tinha me contado que assim eram assim, para gozo e sentimento. O corpo - em lei dos seios e da cintura - todo formoso, que era de se ver e logo decorar exato. E a docice da voz: que a gente depois viajasse, viajasse, e não faltava frescura d'água em nenhumas todas as léguas e chapadas... Isso tudo então não era amor? Por força que era."
Fefê em julho 14, 2006 5:13 PM
#10
Proponho também como um dos temas a discutir a religiosidade, o esoterismo, a busca da transcedência. São elementos que permearam a vida do autor e, consequentemente, estão muito presentes em GS:V.
beijinhos,
Ana em julho 14, 2006 6:01 PM
#11
Ai, Ana! Você falou exatamente o que eu queria falar, mas tava com vergonha, de boba que eu sou. Hahahaha.
Ju em julho 14, 2006 6:31 PM
#12
Ah, Ju ;-)
Que bom que você se interessa pelo tema também! Acho um dos mais interessantes em Guimarães. Ás vezes já nem é mais religião, é superstição mesmo, de tão forte que é.
Você já leu o livro escrito pela Vilma G. R., "Relembramentos - Guimarães Rosa, meu pai"? Dá para entender a influência do religioso, do secreto, do oculto, na vida dele. Muitos assessores dizem que o pegavam muitas vezes andando aflito pelo gabinete, com um terço nas mãos. Mas não praticava apenas a religiosidade católica-mineira pura ;-) Se não acreditava em, pelo menos respeitava tudo o que parecia ter contato com os mistérios...
Interessante... Agora, nesse exato momento em que escrevo esse comentário, dos alto-falantes da igreja daqui de pertinho, começa a soar a Ave-Maria. Guimarães também já disse que muitas vezes a rezava, muitas vezes seguida, sem nem mesmo prestar atenção ao que estava dizendo, e então ela se transformava em um mantra. Ave-palavra, né? Amém!
Beijos,
Ana
Ana em julho 14, 2006 7:00 PM
#13
Notável post, professor. De se guardar.
Também acho interessante tocar, noutra oportunidade, no caso Luandino Vieira. É muito interessante tudo o que houve.
Grande abraço.
Milton Ribeiro em julho 14, 2006 10:28 PM
#14
Alegria de ver os comentários, depois de uma noite de celebração do dia do rock em BH. No sábado volto para bater bola, porque muito há que se dizer sobre o que vocês deixaram por aqui.
Valeu :-)
Idelber em julho 15, 2006 3:49 AM
#15
“Não escrevo, não falo! – para assim não ser: não foi, não é, não fica sendo! (ROSA, 1986, p.559.) Para a coleção de citações e sobre o amor Riobaldo-Diadorim! Sugestão: Que tal propor algo como Guimarães Rosa pode melhorar sua vida, na linha de Como Proust pode melhorar sua vida?, ou seja, um texto irônico-auto-ajuda (isso existe?! se não, passa a existir! Quero ir ao lançamento, estarei na ABRALIC!
Maria Andréia em julho 15, 2006 4:57 PM
#16
Idelber, Prof. Avelar, mineiros e cidadãos do mundo:
1. Segunda vez que assisto final de copa na California, 94 (quando os brasileyruz ficaram em Los Gatos, perto de casa),e 06. Desta vez deu Itália para alegria, relativa, do meu, já muito velho, pai Salvatore Angelo. Mas só se falava em Zidane durante os ultimos dez minutos da prorrogação, pênnaltis, e depois.
2. Mestre Guima e Realismo Mágico: há uns 15 publiquei um estudo sobre, sob medida m/m./ Claro que GS: V nada tem a ver com aquilo, ou muito muito pouco apesar do afirmado em artigo de um prof. gaúcho cujo nome não lembro agora./ Mas tem sim 2, 3 contos que, conforme certa definição "castiça" de realismo mágico, bem que mereceriam serem cogitados sob a rubrica. Na totalidade da oeuvre do Gênio de Cordisburgo é relativamente pouco, mas algo é.
3. The translations of JGR in English of stories are, some, OK, good, better. David Treece has a new version of MEU TIO. Já a "translation" of GS V
é um CRIME. Nem sei que adjetivos usar... Caliban publicou um artiguinho meu sobre JGR mas não incluiu um adendo que tinha comparando um parágrafo "traduzido", outra versão sugerida pelo falecido Jon Vincent, e uma terceira minha. Oh well...
perrone@ufl.edu em julho 15, 2006 7:29 PM
#17
aí, que tal traduzir Guimarães como tópico! Deve ser uma luta!
maria andréia em julho 15, 2006 10:51 PM
#18
Na verdade eu queria saber mais sobre a história do livro que ele mandou recolher - e que miseravelmente acabei de esquecer o nome. Argh. Quando me lembrar volto aqui.
:)
lillith lilli em julho 16, 2006 12:11 AM
#19
Idelber querido, a idéia da discussão é tentadora, mas acho que vou ser uma participante atrasada. Estou grudada no livro da Ana, adorando, e descobri que sou uma leitora um tanto quanto lenta. Já achei que isso fosse defeito, mas hoje em dia até gosto. Páro, penso, releio, volto, choro se for o caso. Grande Sertão é o próximo romance, com certeza. Li quando tinha uns 15, 16 anos. Me encantou, mas tenho certeza de que hoje será um outro e novo livro pra mim. Consigo me lembrar de muita coisa, que é ao mesmo tempo muito pouco. Estou torcendo pra vocês irem beeem deeevaaagarrr :) Beijos.
Laura em julho 16, 2006 1:16 AM
#20
Vou ter que ir devagarinho nas respostas :-)
Lillith, acho que você deve estar pensando em Magma, não? O livro não foi exatamente "recolhido": o manuscrito ganhou o concurso da Academia Brasileira de Letras em 1936, mas Rosa nunca quis publicá-lo em vida. A edição é póstuma...
Charles Perrone, que é autor de vários livros sobre a cultura brasileira, incluindo-se aí ensaios sobre Rosa, foi quem falou antes. Obrigado, Charles. Eu adoraria ver a tradução nova de David Treece para "Meu Tio, o Iauretê". Contozinho difícil, aquele...
Sobre o tema do esoterismo, que a Ana e a Ju levantaram, o estudo clássico é o excelente livro de Consuelo Albergaria, Bruxo da linguagem no Grande sertão : leitura dos elementos esotéricos presentes na obra de Guimarães Rosa.
Sergio, excelente mesmo o link para a matéria com o Manuelzão. Obrigado :-)
Idelber em julho 16, 2006 5:13 AM
#21
Ana e Idelber, boas dicas de leitura, tks!
Na sexta-feira comprei "Metafísica do Grande Sertão", do Francis Utéza. Ainda tô no começo, mas, putz, aí tem pano pra muitas mangas.... Delícia!
E quanto mais eu leio, mais eu relembro a Adélia Prado:
"...] tudo que invento já foi dito/ nos dois livros que eu li:/ as escrituras de Deus,/ as escrituras de João./ Tudo é Bíblias. Tudo é Grande Sertão."
Ju em julho 17, 2006 11:32 AM
#22
se eu nao ler essa porra, vc vai me bater, neh?
alex castro em julho 19, 2006 12:21 AM
#23
Sim, especialmente depois que você fez lobby por ele aqui na caixa de comentários :-)
Idelber em julho 19, 2006 7:21 PM
#24
Já está decidido quais serão os próximos livros?
Arko em julho 19, 2006 7:45 PM
#25
Sinto-me envergonhada porque considero rudimentar meu conhecimento sobre literatura, mas por outro lado, é muito tentador lançar um comentário, afinal, adoro Guimarães. Tudo sobre ele me interessa.
"Quem mói no aspr´o não fantaseia."
"Quem muito se evita, se convive."
Esta denominação "realismo mágico"... Não sei, porque as frases acima não têm nada de mágicas, são a realidade nua e crua, assim como foi descrita a passagem de procurar o rabo do macaco que eles íam comer. Realmente, falar sobre a obra de Guimarães é um desafio. Eu que modestamente li 3 vezes, não compreendo bem e, menos ainda lembro completamente do que li e entendi. Diadorim : Mulher-jagunço que se comporta como homem? Diadorim, sempre tão firme e disposto. Diadorim (diabo adorado! que não pode ser adorado?) Sofri as 3 três vezes que li a passagem que trata da morte de Diadorim. No fundo, sempre mantenho a esperança que Diadorim não morra. Queria que aquele amor deles de qualquer maneira tivesse final de conto de fadas e fossem felizes para sempre.
Tania em julho 20, 2006 8:00 PM
#26
Tania, que comentário bacana. Eu acho que você compreende bem por onde vai a coisa sim :-) Esse desejo que você sente, de voltar e rasurar, refazer o passado, é bem central no livro, e na forma como Rosa vê o mundo né ?
Idelber em julho 20, 2006 8:19 PM
#27
Idelber, obrigada pela dica. Então este é um dos elementos centrais: a angústia de refazer o passado. Realmente, Riobaldo ficava narrando cheio de interrogações-caminhos-descaminhos. Cada dia gosto mais desse tal de Rosa. E sobre o tal do realismo mágico, o que você tem a dizer? Como você classificaria o estilo Roseano? Na carta ao Conde (Sagarana), ele (Rosa) diz que rezou para se livrar de rótulos, normas, preconceitos etc.
Anonymous em julho 21, 2006 3:04 PM