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sábado, 01 de julho 2006

Crônica de uma eliminação anunciada

A Argentina de Pekerman caiu tragicamente. O Brasil de Parreira caiu grotesca, melancolicamente.

A derrota é dele. parreira-2.jpg

Tomara que ele tenha pelo menos a hombridade de assumi-la. Conhecendo-o, eu duvido.

E parabéns ao Maestro Zizou.

zidane.jpg

Além de ser craque, joga com a alegria que a tecnocracia arrogante e medíocre de Parreira tirou da Seleção Brasileira.

Atualização às 18:14: Parece que Parreira não tem nada a dizer. Quando o Brasil foi eliminado em 1982, fazendo gols e jogando bem, Telê Santana abriu o vestiário alguns minutos depois da derrota. Parabenizou os italianos, agradeceu a hospitalidade espanhola, respondeu perguntas e assumiu a responsabilidade pela derrota. Saiu ovacionado pela imprensa do planeta inteiro. O Brasil se despediu de cabeça erguida: dignidade, dignidade infinita de Telê Santana. Exatamente o oposto de Carlos Alberto Parreira - arrogante nas vitórias e covarde nas derrotas.

Atualização às 19:50: Ambos os técnicos conseguiram proezas históricas hoje. O Felipão levou Portugal às semi-finais. O Parreira conseguiu juntar alguns dos melhores jogadores do mundo e fazê-los sumir. (Ticcia)



  Escrito por Idelber às 18:54 | link para este post | Comentários (59)


Comentários

#1

Now you see why I posted what I did the other day from that other blog...
Nosso segundo time, Os Lusitanos.

charles324@hotmail.com em julho 1, 2006 7:04 PM


#2

A velha escrita persevera, só time europeu nas finais de uma Copa na Europa.
Você vê claramente que o cabeça (técnico) é 50% ou mais da coisa. Brasil não tem técnico, auxiliar técnico e nem capitão. A nau geralmente afunda desse jeito.

Fábio S. em julho 1, 2006 7:10 PM


#3

Eu repetia isso o tempo todo no jogo: se existe um culpado o nome dele é Parreira. Na Copa de 94 ele me fez sofrer e jurei pra mim mesma que nessa copa eu não iria acompanhar direito pra não passar pela mesma agonia. Mas sou brasileira hoje sem tanto orgulho mas com muito amor.
A diferença básica entre o Felipão e o Parreira é que o Felipão demonstra, ao menos, ter emoção. Ele sofre, ele vibra... O Parreira assistiu a perda e não fez nada. Lamentável!

Tata em julho 1, 2006 7:18 PM


#4

E tem mais, Renata; ele não vai abrir o vestiário, não vai dizer nada: triste imagem de um comandante que consegue ser ao mesmo tempo arrogante e covarde.

Idelber em julho 1, 2006 7:21 PM


#5

se o parreira fosse INTELIGENTE não era técnico de futebol.
:>)

Biajoni em julho 1, 2006 7:27 PM


#6

Abriu o vestiário, pelo menos. Assumir responsabilidade, até agora, nada.

Boas coisas da eliminação do Brasil e conseqüente fim da Copa pra nós: o Biajoni REAPARECE!

:->)

Idelber em julho 1, 2006 7:31 PM


#7

Pelo menos tenho que admitir que fiquei favoravelmente impressionado com o Galvão pós-jogo... =P

marcos em julho 1, 2006 7:40 PM


#8

Não sei. Acho que o Parreira tem um bocado de culpa (por que esperar tanto para mudar o time? Por que começar o jogo com Cafu?), mas ele não entra em campo. Kaká e Ronaldinho não jogaram nada, e são teoricamente dois dos melhores jogadores do mundo. Mesmo se o esquema tático restringisse muito a movimentação dos dois, que raios de craques são esses que na hora do vamos ver não abandonam um esquema que não está funcionando?

Enfim, pensem que poderia ser pior. Vocês poderiam estar aqui na França, com medo de ir até a janela para retirar a bandeira brasileira e ser alvo das gozações desses malditos franceses.

Lucas Murtinho em julho 1, 2006 7:43 PM


#9

Ronaldinho Gaúcho não fez nada a copa inteira... Quanto a covardia do Parreira: quero ver ele agora dar coletiva em 3 idiomas. Uma vergonha! :(

Tata em julho 1, 2006 7:57 PM


#10

O futebol é maravilhosamente paradoxico. Fiquei muito mais triste com a derrota da seleçao do brasil que com a minha seleçao, a espanhola. Em relaçao com a opiniao do jogo contra a França e do jogo durante todo a copa, é so dar uma olhadinha no meu blog.

Abraços solidarios.

javi brasil em julho 1, 2006 8:02 PM


#11

Que futebolzinho medíocre. Seja com Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho, seja com Émerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho, Carlos Alberto Parreira provou que consegue fazer qualquer omelete desandar, seja quais forem os ovos. Joga feio ou bonito, seja campeão ou nono lugar.

Inagaki em julho 1, 2006 8:05 PM


#12

Aqui vai um abraço de solidariedade, Lucas, não deve ser fácil mesmo.

Javi, se a palavra é tristeza, não hesito em dizer que sinto mais pelo time da Argentina que pelo do Brasil. Em relação a este, as palavras seriam ... hmmm ... 1. como brasileiro, vergonha; 2 como observador de futebol, redenção, pela derrota do futebol-tecnocracia de Parreira 3. como amante do bom futebol, entusiasmo por Zinedine Zidane, mestre.

Idelber em julho 1, 2006 8:08 PM


#13

Concordo que a culpa é do arrogante do Parreira mas esses jogadores sem garra tb me deram nos nervos. Não entendo de esquemas táticos e tal, mas entende de sangue correndo nas veias...

Não merecia ganhar MESMO!

E tomara que o Parreira fique hoooooooras no aeroporto esperando pelo vôo da Varig!

Beijos

Alline em julho 1, 2006 8:15 PM


#14

"1. como brasileiro, vergonha; 2 como observador de futebol, redenção, pela derrota do futebol-tecnocracia de Parreira 3. como amante do bom futebol, entusiasmo por Zinedine Zidane, mestre"

É isso mesmo, Idelber. Vinte anos após 86, essa cartilha furada do Parreira é derrotada, de forma humilhante.

Rodrigo em julho 1, 2006 8:24 PM


#15

Rodrigo, é super emblemática a foto publicada no seu blog. Diz tudo.

Idelber em julho 1, 2006 8:39 PM


#16

Melancolicamente. Eis aí um advérbio bem usado.

Cláudio em julho 1, 2006 9:19 PM


#17

Puta merda, isso é transmimento de pensassão, coisa de mineiro para mineiro, a telepatia das alterosas. Viva Telê! Viva Felipão!

luizao em julho 1, 2006 9:22 PM


#18

A seleção brasileira perdeu porque jogou mal durante 80 dos 90 minutos do jogo. Muito mal. Sem garra, sem brio, sem vontade de ganhar. A França mereceu vencer, honrou a própria camisa.
Parreira é um péssimo treinador. Ou será que só eu lembro do sofrimento e das péssimas atuações que foram os jogos da seleção em 1994? Nunca entendi porque a CBF o convocou de volta. Ou melhor, eu sei porque, mas, não aceito os motivos.
Ele nunca vai assumir a responsabilidade. Não é homem pra isso. Falta-lhe dignidade.
Agora é tocar a vida e torcer por Portugal. Em honra de meus ancestrais.
Vai fundo Felipão!

Anonymous em julho 1, 2006 9:24 PM


#19

Droga, sempre esqueço de por o nome. O comentário acima é meu.

Valéria em julho 1, 2006 9:25 PM


#20

"1. como brasileiro, vergonha; 2 como observador de futebol, redenção, pela derrota do futebol-tecnocracia de Parreira 3. como amante do bom futebol, entusiasmo por Zinedine Zidane, mestre"

disse tudo.

andre lopes em julho 1, 2006 9:54 PM


#21

vergonha mesmo!!! o que me irrita profundamente é falta de garra. não ir pra cima. Numa cobrança de falta tinha jogador arrumando a meinha??? QUE ABSURDO! Mesmo que inconscientemente, eles não queriam vencer, não acreditaram...

LucianA em julho 1, 2006 10:24 PM


#22

Idelber, sempre preciso nos comentários
...
Quadrado mágico? Não ví. O único mágico nessa copa foi Parreira, que conseguiu fazer desaparecer até o talento de jogadores como o Ronaldinho Gaúcho. Deprimente.
...

Análise do Lancenet:

Perder faz parte do jogo. A Argentina, a Inglaterra também voltaram para casa mais cedo. Mas caíram de pé lutando até o último pênalti. Com certeza, não têm, como a França também não, o talento individual do nosso time. Mas talento não basta para ganhar jogo. É preciso ter vontade de vencer. E vergonha de perder.
Numa entrevista ao jornal francês L'Equipe, edição deste sábado, perguntaram ao técnico Parreira o que aconteceria se o Brasil perdesse. Respondeu que de dia o céu continuaria a brilhar e as noites continuariam cheias de estrelas. Foi esse espírito do tanto faz como tanto fez que se viu em campo contra a França.
.........................
É isso. De uma forma ou de outra, os dólares continuarão entrando nas contas de Ronaldos, Cafús, Robertos Carlos e Émersons da vida, esse mercenários que desonraram a camisa mais temida e amada do futebol mundial. Parreira, esse, nem a hombridade de assumir a culpa teve. Acabou.
Torço agora pela França, mais particularmente pelo maestro Zidane, que mostrou hoje o JOGO BONITO que a Nike e a imprensa tentaram nos fazer acreditar que aquele amontoado de estrelas sem pátria tinha.
...
Voltemos agora nossas atenções para o que interessa: os mensaleiros e corruptos que tentarão ganhar o seu e o meu voto.

darcio em julho 1, 2006 10:39 PM


#23

Acho que Idelber já disse tudo sobre o disastre de hoje. O melhor time ganhou hoje e a seleção merece voltar cabisbaixo para a casa. Os jogadores brasileiros foram simplesmente sonambulantes. Não sou brasileiro mas identifico profundamente com o país e com a seleção. Desde a copa de 94 não gosto do Parreira e o estilo de futebol que promove. Não entendo como foi possível ele ser seleccionado como técnico. Agora é com Felipão e os lusitanos.

Christopher Dunn em julho 1, 2006 10:43 PM


#24

Idelber, eu também torço pela Argentina e também estou mais triste pela eliminação (sofrida) deles que pelo vexame protagonizado pelo Brasil.

No começo da Copa, eu li que o Parreira tinha escolhido como música-tema da seleção aquele "Epitáfio", dos Titãs, aquela música ÓTIMA para se tocar em velório. Felipão usava Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho. Por aí já dá para ver a diferença entre um e outro. Dois retranqueiros de uma figa, só que um estimula o time. O outro, adormece. Felipão é cafeína. Parreira, anestesia.

Alessandra Alves em julho 1, 2006 11:02 PM


#25

o Dárcio disse:

"O único mágico nessa copa foi Parreira, que conseguiu fazer desaparecer até o talento de jogadores como o Ronaldinho Gaúcho. Deprimente."

Olha, eu concordo que o Ronaldinho Gaúcho é um grande craque, talentoso demais -- mas não dá pra dizer que foi o Parreira que fez com que ele acabasse sendo esse fracasso. Faltou coragem do próprio jogador. Mas a verdade é que até isso eu não gostaria de falar, para não parecer que estou defendendo a mediocridade que o Parreira sempre quis impôr ao futebol brasileiro.

"Técnico bom é aquele que não atrapalha" Romário.

Rodrigo em julho 1, 2006 11:14 PM


#26

O q se esperava de uma equipe q efetivamente NAO treinou? Esquema tatico algum!! Tudo q eu vi na midia foi campeonato de Playstation entre jogadores e exibicoes sem camisa pra imprensa. Em 2002 Felipao jah havia alertado com sucesso de q nao adianta todos os craques do mundo no seu time: precisa arruma-los num esquema harmonico atraves de TREINO. Parreira eh um maestro de decima categoria, sem a minima nocao de ritmo e cadencia de bola, que se esquivou de treina-los por achar q "estrelas brilham". Pois veja q ele esqueceu do fim da regra fisica: estrelas tbm se apagam e morrem. Patetico.

Lucia Malla em julho 1, 2006 11:32 PM


#27

Olha, Idelber, eu estou pagando língua, pois faz tempo que não acompanhava nada de futebol (e nem queria!), e vi essa Copa quase toda. Uma vergonha a "participação" do Brasil! Técnico múmia, time que mais fala do que faz, vive de propaganda e estrelismo... e o Pé-de-uva ainda tem a cara-de-pau de dar entrevista dizendo que a equipe treinou pouco e pegou uma das equipes mais experientes nas quartas-de-final! O que eles esperava, um passeio pelos últimos do ranking da Fifa? Ah, tem dó! E vou parando por aqui, pois caixa de comentário alheia não é pra destilar todo o ódio que tenho dessa seleção.

Cynthia em julho 1, 2006 11:53 PM


#28

A Ana hoje me contou essa história à qual a Alessandra alude, a da música escolhida pelo Parreira. Eu não sabia dessa história: é emblemática demais.

Idelber em julho 2, 2006 12:05 AM


#29

idelba, meus leitores estao detonando os argentinos nos meus comentarios, vc viu? vai lah defende-los... :)

Alex Castro em Friburgo em julho 2, 2006 12:09 AM


#30

Procurando sobre futebol, achei este blog: http://blogremio.blogspot.com/
Tem coisa muito séria lá.

Muxoxo em julho 2, 2006 1:25 AM


#31

Idelber, o nível do debate aqui está excelente. Agora que percebi que usei um título no mínimo "similar" ao seu em meu post sobre essa "tragédia redentora" que foi a desclassificação do Brasil, não foi por querer. Triste estou, e mto, mas como disse a meu pai ainda durante a primeira fase, Parreira não tem currículo, dignidade, capacidade e nada mais que o credencie a ter dois títulos mundiais. Foram os deuses da bola que hoje mataram esse futebol burocrático, e já vai tarde!

Donizetti em julho 2, 2006 6:42 AM


#32

Caro Idelber e amigos

Será Emerson hoje um brasileiro feliz?
Acho que sim.
O medíocre jogador de futebol Emerson que viu-se na telinha, é um torcedor de primeira de nossa seleção, escapou de ter seu nome inscrito 'para sempre' na relação de jogadores que jogaram este Brasil x França pela Copa de 2006.

Mas Ronaldinho, Cafú e Roberto Carlos obtiveram ontem um record que dificilmente será batido por outros jogadores brasileiros: o de ter participado de duas finais de Copa do Mundo contra um mesmo país e ter perdido as duas.

Depois desta derrota creio que Cafú e Roberto Carlos passarão a ser desconsiderados da lista dos 100 melhores laterais brasileiros (direito e esquerdo, respectivamente), posição que eles ocuparam indevidamente após serem incensados pelas constingências que se formam em torno dos jogadores de futebol no Brasil (portanto não estou falando da imprensa, isoladamente).

E para não dizerem que eu perdi meu bom humor, lembro que o goleiro-caçador-de-records Rogério Ceni, tornou-se recordista no quesito 'o goleiro brasileiro substituto que entrou substituindo o titular, em uma Copa do Mundo que o Brasil perdeu', que junta-se ao quesito 'goleiro brasileiro que tomou os dois mais "lindos" frangos em uma só partida contra o Barcelona'.

Será que os consultores do Ronaldinho nunca lhe falaram sobre a praga que se abate sobre os artilheiros de Copa do MUndo?

Parece que record individual em jogo coletivo é uma coisa que não funciona, não é mesmo caro Idelber?

Paulo em julho 2, 2006 9:33 AM


#33

Donizetti,
não há tragédia redentora. Principalmente em se tratando de futebol no Brasil. A caixa de ressonância elegerá 3 culpados, de quem se dirá que: "Não correponderam e fizeram o futebol mágico sucumbir." Ou que "faltou atitude". Na próxima Copa, alguns "mágicos" mudarão, mas os princípios básicos do futebol permanecerão ativos: futebol é treino e repetição antes e empenho durante. Com isso, há alguma chance de vencer. Sem isso, nenhuma.

Roman em julho 2, 2006 9:39 AM


#34

O comentário do Paulo não estava ai, quando fiz o meu, mas ele tocou num ponto que eu gostaria de retrucar: Emerson. Pensar que Emerson é medíocre é um bom sintoma do que acometeu esta seleção "mágica". Com Emerson em campo, Zidane não teria a liberdade que teve e talvez o resultado fosse outro. Futebol é um jogo de entreveiros e, portanto, de força. Nele, a arte maior é manter-se de pé. Depois vêm os complementos. Emerson é um grande jogador de futebol. Já no balet, tenho certeza de que ele é medíocre.

Roman em julho 2, 2006 9:45 AM


#35

Me desculpe Roman.

Só para esclarecer.
Eu usei 'medíocre' para Emerson no sentido de jogador que está 'na média'. É verdade o termo que usei já está estigmatizado, me desculpe.

Pretendi apenas comentar a ironia de um jogador como Emerson ter escapado desta derrota. Ele que usualmente é colocado em termos de futebol em um patamar inferior a Cafú e Roberto Carlos foi, pelo que vi na telinha, um digno torcedor à beira do campo.

Sempre considerei Cafú e Roberto Carlos jogadores comuns que obtiveram resultados excepcionais em virtude de jogarem com craques. Quanto a Roberto Carlos sempre achei que fosse um 'enganador' (em linguagem de futebol).

Portanto quem não entrou em campo, no caso de Emerson, não deve ser culpado da derrota para a França. COM EXCEÇÃO DO TÉCNICO, que não entra em campo, mas que pode colaborar com a derrota: PARREIRA que o diga.

Paulo em julho 2, 2006 10:32 AM


#36

Dá até pra cantar um fado para o Filipão: "Volta..."
Que Parreira, nada! O cara mostrou-se arrogante em todos os jogos, agora nem dá as caras p/ se explicar. Se bobear, é capaz de botar a culpa na mídia, na torcida, no destino, sei lá. Deu vergonha de ver aquele jogo.

Joelma em julho 2, 2006 11:10 AM


#37

Idelber. Esse Parreira trabalha na TV no programa do Chaves, não?

Flavio Prada em julho 2, 2006 11:36 AM


#38

convido a visitar meu novo blog: http://lucianotrigo.blogspot.com/

Como todo brasileiro, fiquei frustrado, irritado e decepcionado com a derrota para a França. Mas também me senti aliviado, porque este jogo recolocou as coisas no seu devido lugar. Para o futebol que o Brasil apresentou na Copa, sair nas quartas ficou de bom tamanho. Um time lento, sem aplicação tática, com jogadores fora de forma, que avançou aos trancos e barrancos: poderia ter perdido para a Croácia, poderia ter perdido para a Austrália, poderia ter perdido para Gana - prejudicada pela arbitragem como todas as seleções africanas. Só ameaçou jogar bem contra o Japão, um time que não marca e que tem estatura média de 1m50.

Mas, como diz Parreira, show é ganhar, e o Brasil inteiro fechava os olhos às deficiências gritantes da equipe, após cada placar favorável. Fechava os olhos à lentidão de Ronaldo, à vaidade inoperante de Roberto Carlos e Cafu, à mediocridade do desempenho de Ronaldinho Gaúcho, à asnice de Parreira. Fazia de conta que tudo ia bem.

Se tivéssemos ganhado a Copa jogando dessa maneira, seria o triunfo do faz de conta sobre a realidade. Será que não estamos seguindo o mesmo caminho na política? É um perigo, porque quando a sorte virar todos aqueles que exaltavam cegamente os êxitos de papel vão partir para cima com a mesma sede de sangue com que agora se fala mal de Parreira e suas estrelas cadentes.
__._,_.___

charles324@hotmail.com em julho 2, 2006 12:00 PM


#39

Idelber, esta do Telê foi muito bonita, especialmente comentada por você. A Ticcia acertou em cheio. O único jogo a que eu assisti inteiro me deu a dimensão do time e , sinceramente, meu coração ontem pensou: sou brasileira, mas a vida dos jogadores está ganha. Eu estou cansada, então... aproveitei o silêncio da rua, deitei no edredon e dormi por duas horinhas. Quando acordei, falatava um minuto para o jogo acabar. Vi o placar e pensei: ainda bem que meu coração não se estressou hoje. Trabalhei ainda ontem à noite, de bom astral e depois ainda tive graça para rir e divertir os amigos.
É pena, mas não consegui vibrar com esta copa.

Alena em julho 2, 2006 1:51 PM


#40

Concordo em tudo, Idelber. A culpa é do Parreira e, na minha visão, exclusivamente dele, de mais ninguém.

Culpar Cafu e Roberto Carlos, por exemplo, é covardia. Eles não têm culpa de chegarem aos 35 anos com disposição de 75. A culpa é, sim, do Parreira, que convivia com eles 24h por dia, todos os dias, e não conseguiu enxergar que eles não tinham mais condição de jogar.

Aí acontece o que todos já sabiam, que Ronaldinho Gaúcho e Kaká seriam rigorosamente marcados e que o Brasil precisaria de outras opções. Quais opções? Subir pelas laterais, é claro. Só que não tinha como. Motivo: dois laterais de trinta e poucos anos, mas com disposição de 75.

Sem contar que, além de a idade pesar, os dois laterais ficavam plantados na defesa por ordem do treinador. E, apesar de ficar plantado na defesa, Roberto Carlos não consegue se mover por três metros para pelo menos tentar acompanhar o Henry. A culpa é dele? Não. É do técnico que insistiu em escalá-lo.

Adeus Parreira. Até nunca mais!

Paulo Morais em julho 2, 2006 1:52 PM


#41

Roman... A partir do momento em que uma derrota, mesmo que dolorida, ao menos nos dá a esperança de não mais vermos Parreira e Zagallo com a seleção brasileira, essa derrota é redentora sim, e mto!

Donizetti em julho 2, 2006 3:58 PM


#42

não acho q parreira seja o grande e único culpado.
os jogadores canarinhos são até mais culpados q o parreira, eles se acham os melhores do mundo, jogam futebol sem seriedade, sem garra e são flagrados pelas câmeras sorrindo cinicamente qdo perdem uma jogada importante.
nos treinamentos eles também adoram dar os showzinhos particulares para as câmeras fazendo embaixadinhas mirabolantes, deixando a bola se alojar suavemente na nuca e num movimento brusco de pescoço a bola vai para o alto e é amaciada na cabeça e escorre lentamente pelo rosto até alcançar a boca e, sabendo q está sendo filmado, o "craque" brasileiro simula com os lábios um beijo no "balão de couro".
e assim o país tropical acredita q somos os melhores, os imbatíveis.
Culpado, também, é o povo brasileiro q a cada quatro anos cai neste conto do vigário de copa do mundo. golpe ardilosamente montado por politicos corruptos e cartolas trambiqueiros. culpado é o povo brasileiro q monta uma verdadeira operação de guerra para um torneio de futebol e são incapazes de mover uma palha sequer para exigir os seus direitos e serem respeitados como cidadãos.
culpado tambem é o presidente Lula. corrupto, cinico, cara de pau, manipulador. aquele q diz nada saber saber das tenebrosas transações e roubalheiras do dinheiro publico debaixo do seu próprio nariz, mas na estudada figura de torcedor numero 1 = o chefe da galera verde amarela, demonstra ser muito esperto, saber de tudo e em video conferencia com o técnico parreira fica dando pitacos com sua cara dissimulada e vermelha de “água mineral”.

andre laranjeira em julho 2, 2006 4:01 PM


#43

Donizete,
o Felipão era contestado.
Quando ganhou a Copa de 2002, desmereceram, disseram que com aquele time qualquer um ganhava. Agora, estão dizendo que ele não deveria ter saído. Não duvido que o Parreira volte à seleção daqui há alguns anos. Talvez até nem saia dela. Redenção só existe na Bíblia e aqui em Porto Alegre. http://www.aredencao.com.br/

Roman em julho 2, 2006 4:07 PM


#44

André Laranjeira,
o problema é que o Parreira "se acha" ainda mais do que os jogadores, vide a entrevista dele ontem, ou a de hoje em que lista os recordes dele (técnico que disputou a copa por mais seleções, faz-me rir...).
Quando você cita os treinamentos, você fecha o olhos para o verdadeiro problema: não houveram treinos. Não ouve nenhum treino tático, nenhum técnico, apenas jogos de bobinho, rachões de meio-campo, nada mais do que isso, reclamar que os jogadores estavam apenas brincando com a bola? Se foi isso que o Parreira mandou fazer?

Paulo, ainda bem que veio a sua retratação ;) Eu já acho o Emerson um jogador acima da média, não por uma técnica apuradíssima ou um preparo físico descomunal, mas por sua aplicação tática que lhe dá a condição de homem de confiança em campo do treinador, seja com o Felipão no Grêmio e depois na Seleção, ou com o Capello na Roma, na Juventus, ou num provável futuro no Real Madrid. Além do que, em todos esses clubes listados, ele sempre desempenhou bem o papel de homem surpresa no ataque (algo como o gol do Cambiasso contra a Sérvia, sem os outros 25 passes, claro). Na verdade, ele teve até os seus momentos (no ataque) nessa Copa, mais do que o R. Gaúcho, para o bem da verdade.

Abraços, Marcos.

marcos em julho 2, 2006 4:53 PM


#45

Especula-se que Luxemburgo está quase fechado com Ricardo Teixeira para assumir a Seleção. No entanto, ele já teve a sua chance e foi muito mal, diga-se de passagem. Na falta de outros treinadores "top" no mercado brasileiro, creio que está na hora de um técnico estrangeiro assumir a Seleção.

Inagaki em julho 2, 2006 5:17 PM


#46

A respeito da música Epitáfio, quando ouvi na globo pela primeira vez como música tema do time, considerei uma escolha no mínimo equivocada (como é que uma música que fala de arrependimentos pode servir para motivar um time que quer ganhar). Acho que ela é mais apropriada para tocar na viagem de volta da seleção, he he he...

De qualquer forma, a torcida agora é pelo Felipão e, de tabela, por Portugal

Ferreira em julho 2, 2006 5:35 PM


#47

Seria incrível, realmente incrível, fazer uma reflexão psicanalítica sobre como o Parreira escolheu essa música como tema da Seleção.

Idelber em julho 2, 2006 6:22 PM


#48

Eu estou com o Ina. Imaginam Guus Hiddink no comando da seleção?

O único brasileiro possível que eu apoiaria seria Osvaldo de Oliveira (Felipão é impossível). Mas a corja da CBF jamais chamaria Osvaldo.

Idelber em julho 2, 2006 6:25 PM


#49

Ah não, Osvaldo não... mas também não vejo nenhum brasileiro disponível.
Sei lá, Gus Hiddink não é coisa de time 'pequeno' não?
Eu ainda prefiro o Bianchi!
Abraços, Marcos.

marcos em julho 2, 2006 6:40 PM


#50

Como é bonito ver Zidane jogar!

Parece os craques clássicos. Elegância e finura. Um show.

Uma pena ser de novo contra o Brasil do 'Barreira'.

Sou azul de agora em diante, em homenagem ao maestro.

Edk em julho 2, 2006 7:08 PM


#51

DUAS CORREÇÕES:

1) Não me 'retratei'! A palavra é forte.

2) Emerson é um jogador médio. Mas..jogador chamado "de confiança" prá mim é equivalente a 'capitão do mato'. Espero que o Emerson, que repito foi um grande torcedor na Alemanha, deixe de jogar na seleção.
Espero que o Real Madrid, que só traz más lembranças ao Brasil, siga no seu caminho. De preferência bem atrás do Barcelona.

P.S. - O Parreira, pelo que vi ainda agora no Fantástico está DELIRANDO!!!

Paulo em julho 2, 2006 10:14 PM


#52

Eu tive a vaga esperança de que ou o Ricardo Teixeira demitiria o Parreira ou que este numa raro ataque de brio pedisse demissão. Pelo que pude ver agora a pouco no Fantástico nem uma coisa nem outra. O duro é ouvir Parreira falando em futuro da seleção. Com ele como técnico. No próximo jogo da seleção em que ele for técnico eu vou torcer contra. A menos é claro q seja a Argentina, pq aí é demais.
Idelber vc não sabia da música "Epitáfio"? foi notícia até em telejornal. Será que o Parreira sabe o significado da palavra epitáfio? Duvido. Quando soube isso, na véspera do primeiro jogo, eu comentei q com essa música nós iriamos perder, afinal a música é triste e tem um título q fala de morte. Aliás foi feita para homenagear o Marcelo Fromer, membro do grupo Titans que morreu atropelado por uma moto.

Valéria em julho 2, 2006 10:44 PM


#53

Sou daqueles tipos que só acompanha futebol de 4 em 4 anos. Quando anunciam a escalação não conheço quase ninguém, então começa a Copa e me vejo até acompanhando mesa redonda na TV de domingo a noite. A Copa acaba e volto para a hibernação por mais 4 anos. É nessa qualidade que emito a opinião a seguir.

Acho que a seleção brasileira não foi lá p/ vencer. O Parreira deve ter tido a mesma percepção que, por exemplo, o Juca Kfouri, de que não era negócio para ninguém o Brasil vencer. Os europeus iam ficar bolados de perder Copa em casa, a Seleção ia ter uma marca que sabe-se lá quando poderia ser batida por outra seleção, tornando o torneio chato - "pô, lá vem a Copa de novo, aquela parada que só os brasileiros ganham"-, ou tornando a Seleção uma espécie de Dream Team hours-concours, proibida de participar prá dar chance pro resto. Assim sendo, a eliminação do Brasil nessa Copa 2006 era questão de tempo. O Juca Kfouri apostava na arbitragem, que puxaria a sardinha pro lado dos europeus em lances duvidosos. O Parreira deve ter apostado na própria ineficiência, o que foi bem mais eficaz que a arbitragem.

Na Seleção, o Parreira e boa parte dos jogadores já tinham um título, alguns tinham participado até dos dois últimos. Já é mais do que muitas gerações de jogadores tiveram chance de ter. Então, prá que lutar contra o destino? Vamos prá Alemanha, passar alguns dias agradáveis tocando um pagodinho, vendo as vistas e jogando videogame, esperando a eliminação inevitável. Boa parte dos titulares já foi campeão do mundo, os reservas não jogaram muito agora mas vão poder voltar em outras Copas, todos se divertiram. Prá que se esforçar se não vai rolar mesmo? Assim sendo, não dá prá dizer que o Parreira errou nas escalações e/ou na tática de jogo. Ele acertou, ficou lá cozinhando a Seleção até ela ser eliminada. Deixou o gordo lá até ele quebrar o tal recorde e pronto, podia fechar a lojinha.

No fim foi a Copa do Fred, que eu nunca tinha ouvido falar e fez eu perder um bolão, já que eu tinha que acertar, além do placar, quem faria os gols. Acertei o placar mas errei o autor do segundo gol. Como eu ia chutar um cara que nunca ouvi falar? Enfim, o cara jogou 15 minutos, fez um gol e vai embora feliz da vida, tendo feito provavelmente muito mais do que esperava fazer. Se eu fossa a FIFA tinha deixado o cara levar embora a bola do jogo, ele tava tão feliz!

Não fiquei triste nem envegonhado pela eliminação. A da Argentina foi bem mais sentida, os pobres hermanos mereciam ficar. Mas tá lá o Felipão, não deixa de ser o futebol brasileiro avançando pras semifinais.

Enfim, de qualquer maneira essa Copa vai ser inesquecível p/ mim. Dia 20/06, entre o segundo e o terceiro jogo da seleção, nasceu minha filha, a brava Valentina! O Brasil podia ser eliminado na primeira fase que não ia abalar meu humor!

É isso. Desabafos de um torcedor bissexto. Parabéns pelo blog, sempre tem as melhores discussões, independente do assunto.

daniel em julho 3, 2006 12:37 AM


#54

Roman, existe redenção na Porto Alegre que eu tanto amo, na Bíblia e na minha opinião a respeito do Parreira e da seleção.

Donizetti em julho 3, 2006 12:41 AM


#55

E que seja bem-vinda a Valentina :-) Parabéns, Daniel, e que ela tenha vida longa, feliz e veja Copas melhores que esta para o Brasil.

Idelber em julho 3, 2006 12:43 AM


#56

Parabéns pela filha, Daniel. Eu continuo sem herdeiros e agora, sem o hexa =P. Mas, a sério, essa idéia de que o Brasil não foi pra Alemanha com intenção de ganhar é assustadora. A teoria do Kfouri é um tanto (ou totalmente?) insana -- mas meu pai já a tinha, desenvolvida e explicada cartesianamente, há algum tempo. Eu não acredito.

A impressão que dá, quanto aos treinamentos, é que essa história de jogar só na metade do campo deu errado -- quando Cafú chegou em Dortmund e viu que era pra usar o campo inteiro, desespero. "Como é que se joga aqui, professor Parreira?". Treino tático mesmo, só no Playstation.

Quanto ao treinador, não faço a menor idéia de quem possa assumir. Eu acho que bom mesmo seria acabar com essa história de Ricardo Teixeira. Acho difícil que seja um técnico estrangeiro (imagino que seja impossível um jogador naturalizado brasileiro ser convocado e aceito, quanto mais um treinador "bárbaro"...). O Eriksson (aquele boneco de cera no banco da Inglaterra) fala português -- facilitaria a vida do Teixeira e ele ainda faria questão de ter o Parreira como seu auxiliar. O desastre absoluto.

Rodrigo em julho 3, 2006 12:52 AM


#57

Caros amigos

não vale a pena chorar mais por esta selecção brasileira. Ela não merece isso.
É um time formado de estrangeirados podres de ricos, um grupo de «craques circenses» que se rendeu ao futebol pragmático europeu.
O problema é que para se «jogar à europeia» é preciso que os jogadores interpretem bem esse tipo de futebol, é preciso ter jogadores frios e com espírito guerreiro. A maior parte dos futebolistas europeus suprem a sua enorme falta de imaginação e jeito com uma enorme disponibilidade.

Ora os brasileiros tem outras caracteristicas que tinham que ser valorizadas. Os jogadores brasileiros são geneticamente feitos de outra massa, de uma massa fina. Tinham que jogar como sempre o fizeram: bonito e eficaz.

Para além disso, a equipa brasileira tinha que jogar de forma solidária, colectiva, como um time. Ao invés apresentou-se sempre em regime de «serviços mínimos», olhando para os adversários de forma muitas vezes sobranceira. Não me recordo de ter assistido nesta Copa a um jogo em que o Brasil tivesse ganho e conquistado o torcedor.
Não digo que não tivessem ganho jogos merecidamente. Nada disso!!! Mas, enfim, para quem gosta de futebol, a participação canarinha foi entediante e o futebol apresentado medíocre.
Dá dó ver jogar o Ronaldinho gaucho um jogador que no Barça é uma maravilha mas que na Alemanha foi cem vezes pior que o outro a quem chamam justamente de gordo.
Mas porque razão não foi substituído?
Meditem nas substituições medrosas do Parreira ...
Tivesem voces o «sargentão» do Scolari e teriam um time sério. É certo que com ele o futebol continuaria medíocre mas a grande diferença é que os «meninos do quadrado mágico» não brincavam nos treinos, não interrompiam o trabalho para dar autógrafos ou para fazer peladinhas com os apanha bolas. Isso é falta de respeito e mau profissionalismo.

O time portugues tem alguns bons jogadores. Poucos, diga-se. É verdade que a equipa joga «malzinho» mas deixa o «couro e o cabelo» no campo. E quando assim é não se pode honestamente pedir mais.
Vejam bem que há jogadores titulares da equipe portuguesa que não tinham clube. Outros, não jogavam assiduamente mas que em enteriores convocatórias eram esforçados e dedicados.
Lembram-se do «baixinho» que não foi escalado pelo Scolari? Também aqui a imprensa desportiva portuguesa e os comentaristas bem pensantes «impunham» a presença do goleiro Baía. Pois o Scolari não lhes fez a vontade. E bem. O time português é antes de mais o time de Scolari. Por este homem os jogadores fazem tudo. Leiam as entrevistas dos jogadores portugueses e o respeito que tem pelo seu treinador. Eu disse treinador porque ele merece esse titulo.
Isso faz toda a grande diferença.

Para finalizar: li na imprensa brasileira que o Parreira e os jogadores não assumem a vergonha que foi a sua eliminação. Me deculpem mas na minha perspectiva isso ultrapassa os limites da decência.

Lisboa, 3 de Julho 2006

Luís Frederico

LuÍs Frederico Antunes em julho 3, 2006 02:58 PM

Luís Frederico Dias Antunes em julho 3, 2006 4:54 PM


#58

Ultrapassaram, em muito, os limites da decência, Luís. Você nem imagina a vergonha alheia que andamos sentindo por aqui. Abraços d'além-mar.

Idelber em julho 3, 2006 5:12 PM


#59

HÁ MAIS VIDA PARA ALÉM DO FUTEBOL.

Esta vai ser a minha última mensagem sobre a Copa, sobre as participações de brasileiros, portugueses e outros que mais. Praticamente tudo já foi dito. Deixemos, portanto, o resto do tratamento psicanalítico para os analistas de «divan».

Estive no Rio (na UFF e na UFRJ) e em Vitória (UFES) no inicio de Junho. Infelizmente por pouco tempo pois adoro o Rio. Infelizmente só em trabalho pois pouco me dediquei aos amigos.
Mas deu para perceber que o país parou mesmo antes da Copa começar. Percebia-se que as pessoas estavam ufanas dos seus Ronaldos e que, pelo menos durante um mês,iriam ficar entretidas e anestesiadas. A vidinha seria bela e maravilhosa não fosse o despertar abrupto do Parreira e Cia.

É óbvio que podem dizer-me que as pessoas podem ser empolgadas com o desporto e, simultaneamente, participativas nas questões da polis.
Sou céptico. Garanto-vos que se a maior parte de nós se dispusesse a dar um décimo do seu tempo de futebol para participar em outro qualquer exercício cívico a nossa vida seria mais equilibrada.

Paro a escrevinhação porque imagino um «brasileiro comum» a «ler-me».
Dirá para com os seus botões: «lá vem mais um manel padeiro, ou um joaquim fadista,lá vem mais um «velho do restelo» falar sobre as responsabilidades das nossas acções, sobre a chatice que é termos de pensar o que queremos ser colectivamente. Enfim, lá vem mais um intelectual de esquerda aborrecer-nos com estas questões ...

Por cá, o fenómeno é semelhante. Não atinge a dimensão delirante do Brasil porque somos um povo mais triste, porque (pelo menos muitos de nós) temos a noção da valia do nosso futebol, porque sentimos as enormes dificuldades económicas e sociais em que nos encontramos ...

Um país que só descobriu a sua independência e o seu «patriotismo» quando Scolari pediu para usar bandeiras nas janelas de casas, apartamentos, automóveis, etc.. é um país que há muito perdeu as suas raizes culturais e os valores ditos civilizacionais.

Mas acreditem que há mais vida para além do futebol.

Fui hoje ver uma excelente exposição no Palácio Nacional da Ajuda intitulada «Artistas Viajantes e o Brasil no século XIX»,constituída por um
acervo de cerca de 122 obras pertencente à Colecção Brasiliana/Fundação Estudar.
A colecção constituída por um conjunto de pinturas, aguarelas, desenhos e gravuras
datadas, na sua maioria, do século XIX compõe uma visão do país a partir de três grandes
temas: O Rio de Janeiro e a Corte; o registo dos Viajantes e a Paisagem Brasileira.

Amanhã vejo o jogo de Portugal com a França.
Vou ver a bola chorar com Zinedine Zidane e Luís Figo. Um prazer que também não dispenso.

Anonymous em julho 4, 2006 3:56 PM