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quarta-feira, 12 de julho 2006
Quem é Zinedine Zidane?

Copa do Mundo? Chega! Ça suffit! Enough is enough! !Basta ya! Genug! Tudo bem. Mas essa cabeçada do Zidane tem que ser mais discutida. Porque ela é tão simbólica e rica de sentidos, não é mesmo?
Lembremos: esta Copa foi promovida pela FIFA como parte da luta contra o racismo no futebol. A partir das oitavas quartas (obrigado, Daniel), os capitães de cada equipe leram, antes de iniciada cada partida, uma declaração contra o racismo (bem, no caso do capitão brasileiro, gaguejou seria o verbo mais apropriado). Não é amargamente irônico que a seleção mais multicultural, mais etnicamente inclusiva da Europa tenha dado adeus ao título no momento em que seu capitão – ninguém menos que o maior craque da última década – decidiu que não engoliria um insulto racista? Interessa-me a cena, como vislumbre do que está em jogo quando se fala de racismo no futebol.
Materazzi já admitiu que insultou, embora diga que não foi com epíteto racista. O grupo SOS Racismo diz que tem fontes confirmando que Zidane foi chamado de “terrorista sujo”. Até aí, na minha cabeça, era uma palavra contra a outra. Mas se há uma habilidade que você desenvolve dando aulas, é a de pegar o mentiroso na mentira. E Materazzi, ao dizer que “não é culto” (je ne suis pas cultivé) e que “não sabe o que significa” a palavra “terrorista”, está mentindo: mentira tão transparente como a do aluno que mata três avós por semestre, sempre na véspera de provas.
Em primeiro lugar, os pingos nos devidos is: Zidane é o maior jogador de futebol do mundo; Materazzi é um carniceiro, um assassino em potencial. Exagero? Vejam esse vídeo aqui com suas pérolas, que poderiam ter enviado ao hospital ou ao cemitério algumas de suas vítimas. Não condeno o craque que revida a violência de zagueiros brucutus; aliás, como sabe quem joga futebol, se você é atacante, talentoso e não revida, você tem os dias contados. Como foi muito lembrado desde domingo, Pelé já quebrou propositalmente a perna de um adversário alemão no Maracanã em 1965. No México, em 1970, o Rei quase esmigalhou o crânio de um uruguaio com uma cotovelada que bem poderia ter mandado o cabra desta para a melhor. Cenas similares aconteceram na carreira de todos os grandes craques.
Por isso não se trata aqui de dizer quem está certo ou errado. A coisa é mais complexa. Não há nada que eu ache mais repugnante do que o discurso da indignação santa tão presente em mesas-redondas sobre futebol: aquela coisa do tipo como esse grande jogador pode ter feito isso?. Por aí não se chega a lugar nenhum.
Tudo naquela cena – o trote aparentemente calmo de Zidane com Materazzi falando nas suas costas, a virada tranqüila, a cabeçada calculada, a ausência de qualquer outra agressão ao italiano caído – parece indicar que Zidane pensou sim no que estava fazendo. Se for o caso, não se poderia ler a cabeçada como a última grande jogada do gênio, dizendo à FIFA e ao hipócrita mundo do futebol: Fiquem com a taça, eu acabo de condenar a Copa anti-racismo a ser ganha com um epíteto racista. Esse gesto, para mim, vale mais que a Copa.

Sim, porque na hora da cabeçada ele sabia, eu sabia, quem acompanha futebol sabia que ali, naquele momento, a Copa tinha dono, e era a Itália. E quem dominou o jogo na prorrogação foi a França. Então, a pergunta do boleiro seria: por que não esperar a bola entrar em jogo e quebrar o tornozelo do cabra, como Pelé fazia? Com certeza Zidane teria o talento para fazê-lo sem ser expulso, escapando no máximo com um amarelo. Por mais voltas que se dê a esse incidente, não vejo outra conclusão: Zidane sabia muito bem o que fazia. Com o ato, expressou-se, falou. Sobre o racismo, disse o mesmo que havia dito nessa maravilhosa entrevista de 2004.
Suponhamos que Zidane não tivesse revidado. Suponhamos que ele tivesse arregimentado uma testemunha de sua equipe, procurado o árbitro do jogo e afirmado que, como capitão, ele lhe comunicava que a Seleção Francesa não continuaria enquanto Materazzi permanecesse no campo de jogo. E completasse dizendo que na Copa anti-racismo era inaceitável que alguém que usa agressões racistas disputasse uma final. Não teria sido um qüiproquó delicioso, que confrontaria a FIFA com os limites, a hipocrisia da sua própria campanha, impotente até mesmo para punir torcidas espanholas que imitam macacos quando os jogadores negros pegam na bola?
A foto mais bonita da Copa para mim: Zidane com a camisa de Portugal, aplaudindo a torcida portuguesa (Rafex também gostou).
Zizou pode estar triste agora, é natural, mas tenho certeza que está tranqüilo. Materazzi pode estar eufórico com o tetracampeonato da Itália, mas garanto: tranqüilo ele não está. Não, eu não acredito no papo da revista alemã Der Spiegel de que a FIFA pode até tirar o título da Itália. Seria como acreditar na democratização da CBF. Mas quanto mais essa história venha à tona, e quanto mais o tempo passe, mais o revide de Zizou será lido na sua humanidade, e mais a agressão racista de Materazzi será colocada onde deve.
Uma das maiores imbecilidades que a dupla Parreira-Zagallo repete aos quatro ventos é que a história só se lembra dos vencedores. Pura balela. Até minha avó sabe quem foi Puskas. Até especialistas em futebol se esquecem de quem foi Fritz Walter. Por quê? Porque Puskas foi gênio, Walter foi simplesmente o capitão de uma seleção que ganhou a Copa, nada mais.
E sabem que acho o silêncio (temporário, pelo que parece) de Zizou dos mais nobres? Seus compatriotas o entenderam. Blogueiros de outros lugares também. Entre os leitores do Le Monde, solidariedade e respeito. E depois de tudo, minha admiração pela seleção francesa, pelo papel histórico desse time na luta contra a praga do racismo só aumentou.
E a saída de Zizou foi exatamente como a entrada: pela porta da frente, redefinindo o lugar de cada um dos que ficaram.
Salut, Zizou.
Atualização: Não deixem de ler A cabeçada de Zidane , uma história de honra e racismo, maravilhoso texto de Zélia Leal Adghirni; Semideuses, um petardo em três parágrafos de Drex Alvarez; Notas Finais sobre a Copa, de Gravataí Meregue; Demasiadamente Humano, de Alexandre Inagaki, de quem roubei os links aos textos citados nesta atualização. Parece que pelo menos na blogosfera a hipocrisia da mídia bem-pensante teve uma resposta à altura.
Escrito por Idelber às 03:41 | link para este post
| Comentários (57)
#1
Idelber, realmente não sei o quanto Zidane pensou na simbologia da cabeçada dele naquele momento. Acredito que foi uma ação motivada apenas pelo ódio, por mais que tenha parecido calculada. Agora, nisso você tem toda a razão: a história, a "verdadeira" história, com o passar do tempo, colocará esse zagueiro e suas palavras no devido lugar, no esquecimento. Porque qualquer ofensa que leve um homem a um ato como o de Zidane, naquele momento, deve ser mto bem investigada.
Donizetti em julho 12, 2006 5:06 AM
#2
Um dia vão escerever livros sobre essa cabeçada. Realmente, só um craque consegue mudar o mundo assim.
Bender em julho 12, 2006 9:38 AM
#3
Caro Idelber
Gostei muito de ler a sua opinião sobre o acontecido.
Reitero (pensando ainda no seu texto): por que a imprensa esportiva brasileira não se recicla? Por que a imprensa nãop pode produzir textos e comentários inteligentes como este?
Quanto a questão do combate ao racismo pela FIFA, só uma coisa a dizer: QUANTA HIPOCRISÍA!
Considero Zidane o melhor jogador dos últimos 10/15 anos. Subscrevo todas as suas ações DENTRO de campo! Assim como todas as ações de PELÉ (disparado o melhor) DENTRO de campo! Em relação a PELÉ, é interessante ver o filme 'GOAL' (s/ a Copa 66) onde o time de Portugal (que até jogava bem, e tinha Eusébio) CAÇOU PELÉ incansavelmente.
Estas jogadas em que um jogador sai com a perna quebrada já foram assistidas pelo MARACANÂ. E a história fala de alguns protagonistas, além de PELÉ: Didi e Gérson, por exemplo!
A ITÁLIA é a campeã, mas creio que MATERAZZI passará o resto de sua vida dando explicações. E ZIDANE passará para a posteridade como alguém que assinalou a hipocrisia em uma importante competição esportiva.
Paulo em julho 12, 2006 10:05 AM
#4
Também não concordo com a onda de perseguição a Zidane. A verdade é que depois de Pelé e Maradona, Zidane foi quem melhores tratos deu à bola. E conseguiu a rara proeza de acumular vitórias a sua brilhante carreira: Campeão do mundo e da Eurocopa, Vice agora e vários títulos pelos clubes.
Quem já jogou bola - e esse que vos fala foi um razoável camisa oito e meio - sabe que o insulto deve ter sido pesado. A reação me parece ter sido exagerada (consideremos o momento e a forma). Teria sido muito melhor uma entrada mais firme ou até um soco na cara depois do jogo terminar. Mas, talvez (tenho muitas dúvidas quanto a isso) Zidane tenha pretendido marcar uma posição. Dizem que ele vai "contar a história" hoje, na TV francesa.
Não aceito que considerem Zidane menor do que é pela atitude (pensada??) contra Materazzi. Nem tampouco acho que a agressão tenha manchado irremediavelmente sua carreira fantástica. Depois de vê-lo ter a melhor atuação individual em copas desde Maradona 86 e sabendo muito bem que no futebol não há espaço para anjinhos, fico triste pelo fato em si, e lamento até agora a defesa de Buffon (um gigante)naquela cabeçada. Aí, caros amigos, a história seria outra.
Roberson em julho 12, 2006 10:39 AM
Biajoni em julho 12, 2006 11:45 AM
#6
Idelber, querido, muito, muito obrigada pelo texto, que expressou muito do que eu pensava e nem sabia (!). Venho brigando com meu marido desde domingo, defendendo Zidane(e não seu gesto). Sua análise é primorosa, as usual.
Quando resgatei das trevas meu diário com anotações sobre a copa de 82 li um artigo do Sérgio Cabral (o pai) em que ele dizia desprezar a História, que esqueceria aquela selação. Como ele errou, não é mesmo?
Divertido foi sua declaração sobre as habilidades conquistadas no magistério (hahaha!)
E hoje eu li no jornal as declarações de um demente político italiano dizendo que a vitória da Itália era a a firmação da hegemonia de uma seleção sobre outra que traiu suas origens. Argh!
Aquele Abraço, Idelber.
Helena Costa em julho 12, 2006 12:33 PM
#7
Obrigado, Idelber!
Tudo o que eu queria dizer mas não conseguia colocar em palavras.
abraços e parabéns!
Pedro em julho 12, 2006 12:38 PM
#8
Excelente seu post, Idelber. Tudo indica que a ofensa foi pesadíssima - insuportável - e que Zidane agiu de forma pensada (o que não significa que tenha "pensado" em tudo o que veio depois). Há acontecimentos que servem como "analisadores sociais", como penso ser o caso. Materazzi ficará na história como o Iscariotes ficou na Bíblia.
Cláudio Costa em julho 12, 2006 1:18 PM
#9
Curioso, eu achei que este post ia ser bem polêmico e que muita gente ia discordar. Parece que não. Obrigado :-)
Bia, obrigado pelo link! O Sr. Chico Asnísio acabou de perder o resto de crédito que tinha comigo. Eu tinha ouvido falar dessa declaração, mas não sabia onde estava. Agora sei: Diário Lance, 08 de junho. E a ironia é que Dida foi dos poucos que se salvaram no naufrágio do Brasil!
Obrigado, Helena. O demente ao qual a Helena se refere é um senador e líder da extrema direita italiana, que aproveitou a vitória da Itália para fazer declarações racistas.
Paulo, sobre a sua inquietação a respeito da imprensa esportiva brasileira: muito teria que ser feito, mas o primeiro passo seria acabar com as relações incestuosas entre a CBF e a Rede Globo de Televisão. Até que se consiga isso, pouco vai mudar.
Abraços a todos, vou continuar aguardando alguma polêmica :-)
Idelber em julho 12, 2006 2:30 PM
#10
Discordo de tua avaliação sobre o Materazzi. É um bom zagueiro italiano. Se os juízes e o mundo o deixam impune, não há nenhuma razão - além das da ética e da civilidade - para que ele não vá às últimas conseqüências a fim de defender seu time. Acho isto tão normal quanto o revide.
Ano passado, vi um atacante do Rosario Central "cair acidentalmente" com os joelhos sobre o zagueiro Índio, do Inter, quebrando-lhe três costelas. Foi uma cena horrível. O estádio inteiro levantou, achando que o Índio tinha sido assassinado em campo. Mesmo com a revolta da torcida, o juiz não deu nem amarelo pro cara. Nosso time ficou preocupado com o companheiro, passou a bater, a jogar mal e o Rosario empatou o jogo. Ora, como o agressor levou clara vantagem, vai fazer aquilo de novo, se já não fez.
Também acho que o atacante que não revida, apanha mais. Fala aqui quem era muito veloz - minha única qualidade - e era, nas peladas, derrubado quase sempre na corrida, em "campos" de terra pura. Já viu, né?
Agora, quanto ao Zidane: admiro-o tanto que mesmo que tenhas exagerado o significado da agressão, mesmo que venhamos a discutir isto um dia, com cerveja, numa mesa de bar, digo-te que, a priori e sempre, terás razão. Zidane é Deus e não tenho nenhuma vontade de contestar suas atitudes.
Grande abraço.
Milton Ribeiro em julho 12, 2006 4:51 PM
#11
Idelber, excelente o seu texto! Confesso que não me conformava com a atitude de Zidane, até mesmo porque aprendi a admirá-lo e a reconhecer seu impecável futebol! Sempre achei-o de uma elegância exemplar e, num primeiro momento, a tal cabeçada foi como um balde de água fria nas minhas boas impressões. Mas sua reflexão faz todo sentido, fazendo-me repensar minha posição, até mesmo porque eu ainda estava por fora desta confirmada versão de que ele reagiu a um insulto racista.
Um abração!
Elisa em julho 12, 2006 5:13 PM
#12
A melhor declaração sobre o tema, da senhora mãe de Zidane:
tragam-me os ovos de Materazzi numa bandeija!!
E o Zizou confirmou que as ofensas foram contra a mãe e a irmã. Não teve nada de ofensa racista.
Roberson em julho 12, 2006 5:32 PM
#13
Caro Milton, acho que no fundo não discordamos, porque a expressão entre travessões no seu primeiro parágrafo ("além das da ética e da civilidade") mostram o que faltou a Materazzi. É a ética que demarca o limite entre uma provocação "normal do jogo" e um epíteto racista. E aí, é claro, se este não é punido, continuará acontecendo. Daí a importância de denunciar sempre. Abraços,
(abraços, Elisa)
Idelber em julho 12, 2006 5:36 PM
#14
Já saiu a entrevista de Zizou, Roberson? Tem um link aí?
Idelber em julho 12, 2006 5:38 PM
#15
No Le Monde. O Fantástico acertou.
Também considero insuportável a condenação moralista feita ao craque. Mas ele deu mole...
andre lopes em julho 12, 2006 5:55 PM
#16
Idelber, não posso concordar. Que o Materazzi é um açougueiro, todo mundo está cansado de saber. Que ele provocou, isso também é fato. Mas o fez com palavras e levou uma chifrada. O proprio Zidane admitiu que não houve racismo e que perdeu a cabeça, ou seja, não foi atitude pensada de modo algum e se desculpou, ainda que não se arrependa. A sequencia foi: Materazzi agarra Zidane por tras. Este diz que se ele quer a camisa que espere o final do jogo, ao que o estupido zagueiro responde que ele não quer a camisa mas sim a irmã dele e outras coisas do gênero. Esse tipo de provocação é punível, mas acontece dezenas de vezes durante um jogo. Se cada uma resultar em cabeçada, o esporte deve mudar de nome. Tourada talvez.
Mas o que mais me incomoda em tua tese, é a idéia subjacente de que alguns são melhores que outros e portanto tem mais direitos de fazer coisas, inclusive perder a cabeça. O fato de Zidane ser um hábil jogador e Materazzi um zagueiro "arranca toco", segundo tua visão, os faz detentores de possibilidades diferentes. O fato de uns poderem dar cabeçadas e outros não, me deixou perplexo. Principalmente porque não ficou claro pra mim se EU posso cabecear alguém e sair ainda como herói.
Flavio Prada em julho 12, 2006 6:32 PM
#17
Caro Flavio, discordância registrada e lida com atenção. Mais tarde, depois do horário das crianças, volto para comentar com mais calma. Grande abraço,
Idelber em julho 12, 2006 6:36 PM
#18
Perfeito texto, sintetizando tudo o que penso a respeito deste assunto. Mas tem um porém: a leitura das mensagens contra o racismo só aconteceu nas quartas-de-final. No mais...
Daniel F. Silva em julho 12, 2006 6:54 PM
#19
Vou me meter no comentário do Flavio. Afinal, hoje estou com vontade de discordar e já que o Idelber disse que concordamos...
Flavio, digamos que tu ames o Guimarães Rosa e que este tenha tido sua camisa puxada pelo Paulo Francis. O GR reagiu oferecendo-lhe seu fardão da ABL de presente, ao que Francis respondeu dizendo que preferia a irmã do acadêmico. Guimarães Rosa ficou puto e houve por bem dar uma chifrada em Paulo Francis.
Tu defenderias quem? És humano, não? Bom, eu defenderia o autor de Grande Sertão, sempre. O PF merece todas as chifradas, e ainda mais as vindas de Guimarães Rosa.
Milton Ribeiro em julho 12, 2006 7:02 PM
#20
Alguém, por favor, encontre o vidrinho de lítio do Milton, que ele está me metendo medo.
Rapaz, esse video desse italiano, hein? Esse sujeito só deveria entrar em campo de focinheira. Que neanderthal é o cara!
S Leo em julho 12, 2006 7:26 PM
Roberson em julho 12, 2006 7:59 PM
Roberson em julho 12, 2006 8:01 PM
#23
Oi Idelber! Muito bom seu post!
Hoje li no site do UAI que Zizou falou, e pediu desculpas às crianças e aos aproximadamente 4 milhões de espectadores que assistiram ao jogo, e ainda disse não se arrepender. Honestamente, não acho q chamar o cara de terrorismo seja um ato racista. Terrorista pode ser qualquer um, americano, francês, argelino, árabe, africano, brasileiro, indiano...
Nada justifica o ato - aí sim - de terror que ele praticou em campo, que me pareceu ser calculado.
Não tiro a parcela de culpa do Materazzi, mas Zidane não apenas se prejudicou, mas ao time inteiro.
O presidente da FIFA disse que ele poderá perder o título de melhor jogador da Copa, dependendo do resultado do processo administrativo que foi aberto contra ele.
E uma cabeçada daquelas, vai me desculpar, poderia sim ter matado uma pessoa!
A questão que mais tenho visto nas discussões da ESPN é a de que o árbitro, nem os bandeiras, viram o ocorrido, e q a decisão de expulsar o Zidane veio de fora, de alguém que assistiu a cena na TV... Bom, mas aí já é material p/ outro post seu, não é mesmo?
Um beijo
Ana Leticia em julho 12, 2006 8:03 PM
#24
Estou aqui ainda dando boas risadas com esta caixa de comentários, lendo as transcrições da entrevista e repensando a coisa à luz das informações que saíram hoje. Depois do jantar das crianças eu volto.
Mas já deixo duas rápidas respostas:
Daniel, obrigado pela correção, você tem razão, foi a partir das quartas mesmo. Já corrigido o post, com crédito a você.
Ana Letícia, querida, discordo com relação ao teor da palavra "terrorista". Zidane é argelino. Os argelinos (árabes e não-árabes) sofrem sistematicamente com associações com o terrorismo - o uso da palavra é calculado para ferir uma raça. Seria como dizer que "macaco" não é epíteto racista porque todos nós descendemos do macaco. No uso social da palavra, ela é associada, de forma a ferir, a uma raça. Um italiano branco não seria chamado de "terrorista" assim, do nada, da mesma forma que o Taffarel não seria chamado de "macaco". Mas você tem razão, Ana Letícia, toda a questão do vídeo tape já seria outro post!
Roberson, André, obrigado pelos links! Ainda volto para um papo com o Milton, Flavio e cia.
Idelber em julho 12, 2006 8:47 PM
#25
Fico mais aliviada. No grupo com o qual assistia à final da Copa fui a única a não execrar o cara. Melhor que não tivesse acontecido, mas não tira o brilho do futebol dele. E, claro, tem muito caroço no angu dessa história...
Um abraço
Fefê em julho 12, 2006 10:00 PM
#26
Nobre Idelber, folgo em saber que estamos "do mesmo lado", ao menos no sentido de não crucificar o Zidane. Não aceito a violência cometida para obter vantagem. Mas acredito fortemente que a um homem não se pode negar o direito à justa indignação. Não sei o que o Materazzi usou para causar esta indignação. Mas azar o dele de ter topado com alguém que, em um momento tenso como aquele, não estava disposto a relevar.
Bear em julho 12, 2006 11:27 PM
#27
Mas, Idelber, seu post é extremamente bem articulado, ponderado e argumentado. Texto polêmico é o que eu acabei de publicar em meu blog. :)
Inagaki em julho 12, 2006 11:58 PM
#28
Excelente Idelber.
Impressionante como esse assunto suscitou uma discussao sobre etica tao profunda. Confesso que a posiçao pro ou contra o "cabeçasso" tem me servido para conhecer melhor como algumas pessoas pensam.
Incrivel como a noçao de moral anda enviesada. Incrivel como cada vez mais as pessoas fundam sua noçao de certo ou errado baseada exclusivamente na questao da eficiencia. Pensam: Zidane prejudicou a vitoria de seu time, logo deve ser condenado.
Prefiro pensar que ele errou sim. Mas errou lindamente. De frente, sem trairagem. Demonstrando sangue nas veias, com nobreza e honra.
E discordo sobretudo do Flavio. Zidane nao tem o direito de errar porque e´ um Deus. Ao contrario. Zidane demonstrou sim que tambem e´ humano. E por isso tornou-se ainda mais belo.
Drex Alvarez em julho 13, 2006 1:45 AM
#29
Caro Flavio, eu ia responder, mas o Drex já disse tudo: Zidane não saiu como herói, foi execrado pela mídia bem pensante. E no erro ele foi demasiadamente humano, como disse o Ina, não divino.
E a questão apontada pelo Drex no post dele é chave: Zidane poderia ter agredido Materazzi pelas costas. Esperou para fazê-lo frente a frente.
Nobreza e honra.
Idelber em julho 13, 2006 2:02 AM
#30
Idelber
minha perplexidade foi no sentido de ver que um gesto de nervosismo , que visto o contexto é mais que justificavel, seja tomado como um ato nobre de defesa da honra. O grande moralista nesse caso seria Zidane. Porque provocação como aquela ocorre muito e muito. Materazzi conseguiu o que queria com duas palavras. Provavelmente eu faria o mesmo diante de um tosco que xinga mamae. Por isso nao condeno Zidane, mas também nao acho o gesto nem belo e tampouco nobre. Acho que ele levou a serio uma provocaçao por se moralista e, dada a tensao da final, perdeu a cabeça. Ponto. Humano sim, mas nada melhor nem mais bonito que uma falta do proprio Materazzi. Isso é que gostaria de aplainar como conceito. Grande abraço. Soh voce pra me fazer comentar futebol.
Flavio Prada em julho 13, 2006 6:24 AM
#31
Grande Idelba,
Vc comentou que a midia pensante execrou Zidane. Eu não tenho essa impressão que a maioria da midia tenha crucificado Zidane. Pela entrevista que ele deu ontem ficou claro que ele pediu desculpas pela sua reação intempestiva a um insulto tipico quando vindo de um zagueiro italiano. Começaram a dar o cunho exclusivo de racismo ao ocorrido mas pelo que pude entender atraves das palavras do próprio Zidane a coisa não foi por aí. Duas coisas eu me permito discordar em geral:
1. Zidane não pediu desculpas em publico a seus companheiros (pediu as crianças) julgando-se no direito de ganhar ou perder a Copa sozinho sem a ajuda de ninguem.
2. Estão comparando revides de agressões fisicas sofridas por atacantes com o revide de Zidane a um insulto verbal feito a 10 minutos de uma cobrança de penaltis na final de uma Copa onde ele era o personagem principal e principal cobrador. Ofendeu-se? Faça como nosotros hermanos que sairam na porrada logo assim que o jogo com a Alemanha acabou devido a provocações verbais que lhes foram dirigidas pelos alemães. Zidane pode ter acertado de acordo com suas convicções mas errou ao prejudicar todo um pais. Leia a entrevista do Thuram onde ele claramente disse que Zidane caiu na armadilha do Materazzi. Ele, Thuram, não criticou abertamente Zidane mas dá para ler nas entrelinhas que ele ficou puto com a forma que o capitão lidou com a coisa aquela altura do campeonato.
Fábio S. em julho 13, 2006 9:06 AM
#32
Idelber,
O seu post está muito bom, mas não é meio contraditório com anterior (de 10/jul), vc não tinha criticado a atitude do Zidane? Então só por que o Pelé quebrou a perna de um jogador então justificam-se outros atos de violência?
Fui em alguns dos links e li sobre a história do Zidane (que eu não conhecia) e achei muito bacana ele ter orgulho da sua família e das suas origens, mas é com violência que ele vai resolver o problema do racismo? Alguns disseram que na hora, ele respondeu como pessoa e não como jogador, mas a função dele ali é como jogador e ele deixou o time na mão para defender suas razões pessoais. Eu não estou dizendo que não entendo o Zidane, mas não apóio de forma alguma o que ele fez.
Tb fui no blog do Noblat e algumas coisas me chamaram a atenção: "Nunca vi Pelé defender publicamente os negros." E por que ele tem essa obrigação? Por que aqueles que fazem parte de uma minoria têm sempre que brigar pelos seus? Eu acho que o Pelé tem todo o direito, como todo mundo, de levar a sua vida. Me lembro que quando ele namorava a Xuxa diziam que ele não valorizava a prórpia raça, que só queria namorar mulheres brancas. Então, se uma branca namora um negro ela está "valorizando a diversidade", mas ele está sendo racista?
Por fim, tem a homenagen do presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, enviada a Zidane “Diante do que não podia ser mais do que uma grave agressão, o senhor reagiu como um homem de honra antes de sofrer, sem pestanejar, o veredicto”. Como ele pode saber que foi uma grave agressão? E ainda defende que ele "reagiu antes do veredicto". Ou seja, ele defende o jogador porque ele é de origem argelina não importa o que tenha acontecido!
PS: vc vai falar alguma coisa sobre o Campeonato Brasileiro? (Ontem eu fui ao Morumbi assistir a Grêmio x São Paulo. Moro em São Paulo e nunca tinha ido ao estádio!).
Krys em julho 13, 2006 11:32 AM
#33
Idelber: Esta história é trágica e simpatizo com Zidane, imaginando que ele passou o jogo inteiro ouvindo as provocações dos italianos. Mas ontem eu vi a primeira entrevista com ele em que revelou que os insultos tinham a ver com a mãe e com a irmã dele, portanto temas clássicos do gênero 'trash talk' feitos com a intenção de perturbar o adversário. Então parece que os insultos não foram propriamente racistas. Com seus 34 anos e muita experiência ele devia saber como não reagir naquele momento. De alguma forma concedeu o jogo naquele momento e vingou a estrategia dos italianos.
Christopher Dunn em julho 13, 2006 12:23 PM
#34
Caro Idelber
Para falar sobre o grande ZIDANE.
Parece que esta escolha da FIFA em falar no racismo durante uma COMPETIÇÃO ESPORTIVA deu no que podia dar, ou seja, o pão caiu com a manteiga para baixo!
E racismo é, na minha opinião, um assunto em que quanto mais se fala, mais se ajuda a aumentar a animosidade entre as pessoas. Mas, enfim, a humanidade gosta de falar muito sobre este assunto...
Então vamos lá, o presidente da Argélia possivelmente não se pronunciou sobre Zidane apenas porque seus pais são argelinos, mas principalmente porque o craque francês é de origem BÉRBERE. E o presidente da Argélia (e também o país) anda sobre a corda bamba nesta questão entre árabes e bérberes. E o curioso é que "argelino" é um termo originado da colonização (palavra que incluí a idéia de exploração).
Meus craques preferidos são PELÉ, ADEMIR DA GUIA, MARADONA e agora juntando-se a eles ZIDANE. Gostaria que todos eles tiveseem nascido em Marte, assim não se perguntaria a cada falta que eles (eventualmente) tenham feito se seriam atos explícitos de racismo! Ou o Leonardo terá dado aquela cotovelada (Copa EUA): 1) porque o jogador que o seguia era uruguaio, ou 2) porque vinha um adversário que jogava que nem um carrapato desde o início do jogo?
Proponho voltarmos ao futebol. Saudações
Paulo em julho 13, 2006 12:36 PM
#35
Muito bacanas estes quatro últimos comentários com discordâncias. Batendo bola rapidinho:
Flavio, acho que coincidimos na avaliação do que aconteceu. Mas as defesas da honra em geral acontecem no meio de nervosismo, não vejo contradição entre as duas coisas, não é mesmo?
Grande Fábio, o seu ponto número 2 é muito relevante, e ninguém tinha dito ainda. Realmente, é diferente se faltam 10 minutos para o fim de uma Copa! Quanto ao racismo, eu estava me baseando na leitura labial, no que boa parte da imprensa disse, etc. Mas sabe que ainda tenho minhas dúvidas? A entrevista do Materazzi tem um monte de contradições: primeiro ele diz que mãe é sagrada, que jamais ofenderia a mãe; depois diz que não sabia que a mãe de Zidane estava no hospital. Ora, se ele não ofendeu a mãe, porque este último fato seria relevante? Mas quanto ao Thuram, com certeza, ele deve ter ficado putíssimo. Eu ficaria.
Krys, com a colocação feita pela professora da UNB sobre Pelé não "defender os negros" eu não concordo. Ou seja, concordo com você. Sobre o Zidane, sim, é verdade que meu post imediatamente depois do jogo é um pouco contraditório com esse. Eu torci muito pela França, e estava puto com Zidane. E parabéns pela primeira ida ao estádio! Quanto a falar sobre o Campeonato Brasileiro, acho que não vou não.... Nas últimas semanas este blog virou um blog sobre futebol, exclusivamente, e tenho vontade de variar. Além do mais, meu time está na Série B...
Caro Chris, é verdade que ele caiu numa provocação, sem dúvida. Mas sobre se houve ou não racismo, eu ainda tenho minhas dúvidas, baseadas na proverbial resistência de tantos muçulmanos a até mesmo relatar atos ofensivos à religião e à raça.
Como dá pano para manga esse assunto, hein?
Idelber em julho 13, 2006 12:51 PM
#36
O pão caiu com a manteiga prá baixo é ótimo, Paulo!
Idelber em julho 13, 2006 12:52 PM
#37
Idelber,
Talvez seja melhor mesmo não falar do Brasileiro. Eu moro em São Paulo, mas estava na torcida do Grêmio acompanhando o meu marido...
Krys em julho 13, 2006 2:37 PM
#38
PS: o meu time mesmo é o Vasco. Não ajuda muito, né? ;)
Krys em julho 13, 2006 2:40 PM
#39
Brother, futebol é muito bom, mas hoje meu amigo é dia do Rock.
Viva Elvis, Viva Raul, Viva Sepultura
Viva o Rock and Roll !!!!
Adriano em julho 13, 2006 4:13 PM
Idelber em julho 13, 2006 4:53 PM
#41
Eu quase concordo com tudo o que você colocou, e mais, eu mesmo desejaria que fosse como foi. Mas minha pobre razão se recusa a crer que jogadores de futebol, mesmo os mais geniais e experientes, consigam pensar qualquer coisa de útil, profundo ou sensato aos 107 minutos de qualquer prorrogação, que dirá da final de uma copa do mundo. Acho que o único furo na sua idéia é esse.
MarcosVP em julho 13, 2006 5:10 PM
#42
Eu sei que o tema é sério. Mas a parte do 'quase esmigalhou o crânio' foi bem engraçada. Pior que foi verdade.
A diferença é que o 'Rei' bateu na malandragem. Zidane encarou e bateu. Olhou nos olhos. Não se preocupou em fazer pose.
Esse tipo de revide, honesto e cheio de hombridade, e até certa 'ética', vai ao encontro do que você disse, acerca do gesto talvez ter tido um propósito.
Tendo ou não tendo, pouco importa. Zidane ganha mais admiração com isso. Por fim, é tacanho supor que a agressão verbal seja menos grave do que a física.
Gravatai Merengue em julho 14, 2006 12:21 AM
#43
Bem, o homem foi provocado. E não conseguiu resistir à provocação.
Na verdade os dois deveriam ser expulsos. é o que sempre defendo: a punição do provocador e do provocado que aceitou a provocação.
Quanto ao Zidane só lamento que tal ato tenha estragado seu último jogo como profissional.
Como neta de italianos eu estava torcendo pela Itália,rss.
Melhor pular o Brasileirão, que meu Corinthians tá lá na lanterna, buáaaaaaa
Valéria em julho 14, 2006 9:27 PM
#44
Uau. Bom demais o seu texto, Idelber, muita coisa ali era novidade pra mim. E bom também ler os comentários, parabéns por ter gerado essa discussão. E olha que nem gosto tanto assim de futebol. Beijo.
Laura em julho 16, 2006 12:30 AM
#45
Uau. Este Materazzi é mesmo um carniceiro, hein?
Acho que mesmo que estivesse calado, merecia o cabeçaço que levou...
Quanto ao clube de leituras, estou atrasadíssimo: O "Dos Veces Junio" que encomendei ainda não chegou. Às vezes penso mesmo que Brasília fica no fim do mundo...
Luis T Ladeira em julho 16, 2006 2:22 PM
#46
Zidane só deu um aviso ao adversário. Poderia ter sido violento, mas conteve-se. Foi uma resposta à altura (do peito). Nada demais ao meu ver. Abç
gugala em julho 17, 2006 11:50 AM
#47
Vão ao casadosjogos.com.br que lá tem um jogo chamado Brasfoot 2006 que é bué da fixe!
Kiteretsu em julho 17, 2006 12:32 PM
#48
O meu irmão chamado Duarte Ferreira Gonçalves da Rocha, o Zidane e o Materazzi todos são gays de primeira. Eles namoram uns com os outros.
prostituto em julho 17, 2006 12:35 PM
#49
Nota 1000... para o seu post CONCORDOOOOOOOOOO...e antes de chegar aqui deixei um comentario aqui:http://www.pensarenlouquece.com/ (Demasiadamente humano)
Marta em julho 18, 2006 4:18 PM
#50
se eu foce ele faria a mesma coisa dava uma cabeçada no mataratison, acho que ele faz o certo.tenho certeza que ele nao se arepende. beijos zizu te amo muito
andressa stephanny em julho 20, 2006 12:42 PM
#51
Desculpe a demora em fazer o comentário e o tamanho dela. Entendo que devemos analisar a sistuaçào sob duas óticas diferentes.
Primeiro sobre a lógica do jogo. Zidane errou, cometeu uma agressão e foi punido, expulso do jogo. Nesses termos prevaleceu a ótica tacanha expressa pelas atitudes do zagueiro italiano, mas convalidadas por muitos jogadores e treinadores, vale fazer jogo sujo desde que o juiz de futebol não perceba. Assim, xinga-se ao pé do ouvido, disfarça-se a falta como lance normal (a cotovelada do Pelé no urugauio ou do Tostão no inglês, ainda que a do Tostão me pareceu menos deliberada), avança-se a barreira na cobrança de falta ou outra artimanha qualquer que permita alguma vantagem ilícita ainda que dificilmente seja punida. Com a busca incessante da vitória, algumas infrações passam a ser aceitáveis. Nesse sentido, o zaguerio italiano valeu-se de regras implícitas do jogo em que impera uma certa esperteza. Nossa sociedade de alguma forma incentiva essa esperteza que busca a vitória. Assim, cabem comentários que condenam Zidane por realizar um ato que prejudicou sua equipe.
De outro lado, se analisarmos como uma atitude humana frente a uma situação de provocação e estresse, podemos compreender a ação de Zidane, sem, no entanto, justificá-la. A reação do meia francês foi normal e merecedora de punição, mas a cabeçada não o transforma num monstro, nem desmerece sua carreira. Quem nunca xingou ninguém ou deu uma fechada no trânsito que atire a primeira pedra. Os momentos e as tensões do momento fazem com que reajamos de maneira intempestiva. Dessa maneira, entendo que a provocação do italiano tem uma característica que a torna menos desculpável que a reação do francês, era uma provocação claramente premeditada, tinha a intenção de atingir o outro em seu limite, o que, de fato, conseguiu.
Avaliando desse modo, entendo que é hipócrita a condenação que a mídia fez sobre a cabeçada. E se analisarmos o aspecto ético, podemos dizer que houve erro na maneira de se expressar a contrariedade às provocações, não na intenção de dar algum revide, nem de mostrar que estavam erradas, mas não há argumento algum que possa defender a agressão verbal do zagueiro. Como já disse, ainda que tais agressões sejam bastante comuns e toleradas, jamais podem ser consideradas corretas. Fazem parte do jogo, mas não deveriam.
Fernando em julho 20, 2006 4:07 PM
matos em julho 28, 2006 6:33 PM
#53
JE TAIME ZIDANE(ZIZI)
VOUS ET FORMIDABLE.
ELLMDAR
ELLMDAR em julho 29, 2006 1:45 PM
#54
MOUN AMOUR ""ZIDANE""(ZIZI)
JE TAIME,VOUS ET FORMIDABLE!!!
elizabethmaya@uol.com.br
ELLMAR(BETA)
ELLMAR(BETA) em julho 29, 2006 4:31 PM
#55
o zidane é muito burro idiota como ele pode dar a cabeçada da quele jeito ele devia é dar uma porrada bem no nariz dele para ele largar de ser troxa ele chingou
Anonymous em setembro 14, 2006 10:11 PM
#56
Muito especial esse documento, até poque eu amo ele
kedma em outubro 18, 2006 8:42 PM
#57
Idelber, meus parabéns pelo seu post!
Será que não passou pela cabeça de nenhum de vocês, que o Zidane sendo um cavalheiro do mais alto nível poderia ter negado o insulto racista para este assunto não feder ainda mais?
Materazzi poderia ter ofendido Zidane com termos racista sim, mas Zidane poderia ter desmentido para esta historia não ir mais além do que ja foi, deixando assim, o carniceiro Materazzi com remorsos, e com sua conciência pesadíssima, por não ter o comportamento digno de um tetracampeão!
Zidane é um gênio, e nenhum otário pode mudar isto, ninguém pode apagar o que ele fez, ou ainda poderá fazer, caso assuma o cargo de técnico de algum clube, ou talvez até mesmo da própria seleção.
Ainda poderemos ver Zidane jogar, lembrem-se, ele tem filhos, e quem sabe não poderemos ver todo esse brilho denovo em nossas telas passado de um exemplo de pai a um filho que concerteza se orgulhará.
Adeus!
Marcelo Rodrigues em outubro 23, 2006 1:53 AM