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quinta-feira, 31 de agosto 2006
Sentença judicial contra Imprensa Marrom abre perigoso precedente na blogosfera brasileira
Acaba de ser lavrada em São José dos Campos uma sentença judicial que abre um precedente perigosíssimo para a liberdade de expressão na blogosfera brasileira. Para os que acompanham blogs há algum tempo, a história é conhecida. Para benefício dos que por ventura ainda não a conheçam, aqui vai o relato, desde o começo.
Em 2004, um dos sócios de uma empresa de recolocação profissional, cuja reputação pode ser averiguada com uma consulta ao Google, sentiu-se ‘ofendido’ com um comentário publicado no blog Imprensa Marrom, e conseguiu uma liminar que tirou o blog do ar. O Imprensa Marrom logo depois conquistou o direito de voltar ao ar, mas na sua volta já não incluía espaço para comentários. Enquanto isso a ação continuava tramitando. Três detalhes são cruciais para se entender o caso:
1. o comentário havia sido feito por um usuário não identificado num post de mais de seis meses de idade. Ou seja, foi colocado num espaço onde ele dificilmente seria lido, já que é raro que algum leitor de blog leia caixas de comentários tão antigas.
2. a empresa em questão e o sócio que se sentiu ofendido jamais entraram em contato com o Imprensa Marrom pedindo que o comentário fosse apagado.
3. a empresa em questão é a mesma que já havia ameaçado, em termos bem grosseiros, o blogueiro Cris Dias com um processo judicial por causa de comentários publicados em seu blog.
Tudo isso torna o caso extremamente suspeito. O que vocês diriam de uma situação em que um anônimo escreve um comentário ofensivo a alguém num post de seis meses de idade, e quatro dias depois você é surpreendido com uma ação na justiça? Estranho, não? Pois bem, a ação desse senhor contra o Imprensa Marrom foi, na semana passada, parcialmente deferida, com o responsável pelo blog sendo condenado a pagar 10 salários mínimos por danos morais.
O Biscoito Fino e a Massa entende que essa é uma decisão equivocada. Meu argumento não é, obviamente, que se deve possuir o direito de dizer o que quiser sobre os demais nos nossos blogs. Os crimes de calúnia e difamação são previstos no código penal e se aplicam à internet da mesma forma que a outros veículos. No caso em questão, no entanto, parece-nos que a juíza – sem sequer realizar uma audiência – não atentou suficientemente para os fatos de que a ofensa não foi proferida num post do blog, e sim num comentário antigo, e que em nenhum momento foi dada ao blog a oportunidade de apagar o comentário ofensivo. Tive acesso à sentença e, apesar da juíza fazer a ressalva de que a responsabilidade do requerido se mantém, pois que, ao disponibilizar o espaço para divulgação democrática (termo utilizado na contestação) do conteúdo inserido por terceiros, assume o risco sobre as expressões ofensivas veiculadas, não foi dada, neste caso, absolutamente nenhuma chance de que a "ofensa" fosse sanada com um simples apagamento do comentário.
Este blog confia que essa decisão em primeira instância será revertida. Enquanto isso, manifesto total solidariedade ao amigo Gravataí Merengue, responsável pelo Imprensa Marrom. Manifesto também minha compreensão com a recomendação feita pelo Gravataí, de que à luz desta sentença os blogueiros brasileiros retirem ou instalem moderação em suas caixas de comentários. Compreendo a posição dos que optam por essa alternativa, mas o Biscoito continua com sua caixa de comentários aberta, confiante que esse perigoso precedente contra a liberdade de expressão será revertido em segunda instância.
Leituras relacionadas: Aberta a temporada de caça aos blogs, post de Alexandre Inagaki feito na época da liminar que tirou o Imprensa Marrom do ar; Justiça às turras com a Internet, matéria de Alex Castro sobre o imbróglio; Porque os comentários deste blog passarão a ser pré-aprovados antes da publicação, post de hoje de Alexandre Inagaki sobre o episódio; Na mira da justiça, de Rodney Brocanelli; Decálogo dos direitos do blogueiro, cá deste blog.
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PS: E não é que enquanto eu concluía este post fui surpreendido com outra história de lamentável cerceamento à liberdade de expressão na Internet brasileira? Alcinéa Cavalcante, respeitada jornalista e blogueira do Amapá, já recebeu nove representações judiciais do sr. José Sarney, com demandas absurdas como o apagamento de posts do blog e de comentários de leitores, além da aplicação de multas. O "crime" de Alcinéa? Simplesmente o fato de ter fotografado e publicado em seu blog uma charge vista num muro. Pois bem, este blog se junta à enorme rede que decidiu republicar a charge e desafiar o coronel maranhense:

Urgente, atualização: nesta sexta-feira as tesouras censoras do coronel Sarney conseguiram, na justiça, uma liminar que ordenava a retirada de seis posts do blog de Alcinéa Cavalcante. Num completo desrespeito aos leitores, o UOL tirou o blog inteiro do ar. Alcinéa se recusa a ser silenciada e já montou um novo blog no blig e outro blog hospedado no exterior. Por favor, ajudem a divulgar.
Atualização 2: O caso Alcinéa já repercutiu no Global Voices Online, com um excelente post de Jose Murilo Junior.
Escrito por Idelber às 16:34 | link para este post
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terça-feira, 29 de agosto 2006
Aniversário, furacão Katrina e a hecatombe em New Orleans

Túmulo improvisado para Vera, que morreu à míngua, na rua: talvez a imagem mais famosa do Katrina. Foto: AP.
Foram oficialmente 1.464 os new-orleanianos mortos na hecatombe que se seguiu à ruptura dos diques depois do furacão Katrina, no dia 29 de agosto de 2005. Os desalojados e refugiados são mais ou menos 250.000, e os diretamente afetados pela catástrofe são ainda mais numerosos. A "reconstrução" da cidade que se seguiu ao desastre vem combinando a forte presença do interesse de empreiteiras, uma deliberada letargia e negligência do governo e de seguradoras na assistência aos refugiados e uma visão "modernosa", "de parque de diversões" do que deverá ser a "nova New Orleans", hoje já expurgada de mais 60% da sua população negra.
Esta visão não se impõe sem resistência, claro, e já são muitas as comunidades (políticas, de bairro, etc.) que se organizam para defender seus direitos mais elementares, como o de ter postos de votação disponíveis no "exílio" ou de enviar seus filhos a uma escola pública em New Orleans. Hoje, enquanto Bush fazia sua 13a visita à cidade desde a tragédia, houve passeatas, protestos e inclusive um jazz funeral, que deixaram claro como New Orleans o vê.
Este post, que relembra o aniversário do furacão que devastou a cidade que chamo de "minha" há 7 anos, traz no final uma ampla documentação, com links a textos em inglês, sobre a metódica agressão política que ela sofreu depois do desastre natural - desastre que só foi "natural" na medida em que uma cidade à qual se negou verbas para as necessárias obras nos diques ficou "naturalmente" à mercê de um furacão da força do Katrina.
Hoje é, de alguma maneira, o aniversário da falência pública, planetariamente visível, do governo Bush - sob cujo leme os Estados Unidos da América assistiram uma de suas mais tradicionais, famosas e singulares cidades morrer à míngua, pedindo pão e água durante uma semana inteira, sem que míseros helicópteros com água fossem capazes de chegar para ajudar, talvez por estarem todos eles ocupados com a verdadeira prioridade do governo Bush, as guerras petrolíferas de rapinha no mundo árabe.
O detalhe agravante é que a cidade de New Orleans havia pedido durante anos a renovação das verbas para restauração dos diques, que só estavam preparados para defender a cidade de furacões categoria 3, numa escala que vai até 5. Não só a negligência e a falta de priorização da obra por parte do governo federal (os diques de New Orleans são responsabilidade do Corps of Engineers, órgão do exército, braço do governo federal) foram gritantes ao longo da reiteração desses pedidos, nos primeiros anos desta década; à falta de qualquer planejamento para o desastre somou-se o total descaso, negligência criminosa que ninguém aqui deixou de ler como racista, que se seguiu à enchente na cidade.
Abaixo vão duas "baterias" de links. Os primeiros são para os posts aqui do Biscoito no ano passado, quando o blog virou crônica e ponto de encontro para pessoas afetadas pela tragédia. Depois segue-se um conjunto de links a textos jornalísticos ou testemunhais sobre o processo vivido por New Orleans desde então. Quem lê inglês terá aí uma boa coleção sobre o assunto.
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30/08: New Orleans submersa.
01/09: Emergência em New Orleans.
02/09: Mais notícias da destruição.
03/09: Recados aos refugiados.
04/09: A Negligência Criminosa com New Orleans, em 10 datas.
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Documentação e análises do pós-Katrina (textos em inglês, responsabilidade pela paráfrase em português sob a qual se embute o link é minha):
A história do descaso da administração Bush (Washington Monthly).
Músicos lutam e se reorganizam para manter a cultura viva (Guardian).
Negligência e privatização do sistema educacional depois do Katrina (Salon.com)
Balanço e análise demográfica da tragédia "natural", seis meses depois. (Counterpunch)
Todo o fracasso do Corpo de Engenheiros do Exército nas palavras de seu próprio chefe (Nola.com).
A metódica agressão a New Orleans (Commondreams.org).
O selo musical mais nobre de New Orleans luta para se manter vivo (Bestofneworleans.com)
Terraplanando a esperança: aos pobres de New Orleans, sem casa (Counterpunch).
Professores públicos despedidos, milhões em ajuda federal canalizados para escolas particulares em New Orleans (democracynow.org).
Relatório (em pdf) baseado em entrevistas com 706 trabalhadores empregados na reconstrução. (National Immigration Law Center).
"Não foi um dos melhores momentos da América", Spike Lee fala sobre o Katrina (nola.com).
Instrumentistas e cantores, na mais rica cultura musical dos EUA, reconstróem suas vidas. (Nola.com).
A incrível história de Bernice Mosely, que tentou voltar. (Counterpunch)
Economia de New Orleans permanece em coma. (Nola.com)
Art Neville, dos legendários Neville Brothers, tinha jurado não voltar, mas voltou (San Francisco Chronicle).
Bush volta à cena do crime (NYT)
Ex Black Panther Malik Rahim relata: "Isto é criminoso" (New America Media).
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Seria fútil tentar consolar os que perderam mais que eu, mas deixo o agradecimento a todos os que ajudaram este blog a ajudar, há exatamente um ano atrás.
Atualização: O blog Shakespeare's Sister fez o fantástico trabalho de compilar tudo quanto é post publicado sobre New Orleans neste aniversário (obrigado a Lucia Malla pela dica; obrigado também a meu amigo Ned Sublette por vários dos links incluídos neste post).
Escrito por Idelber às 22:54 | link para este post
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segunda-feira, 28 de agosto 2006
Diadorim
O nome de batismo de Diadorim-Reinaldo, Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins, nascida num dia de “11 de setembro de éra de 1800 e tantos”, evoca muita coisa, mas chave mesmo é decompor “Deodorina”, teo + dorón, presente de Deus. Trata-se ali de um presente que Rio-baldo (baldo, segundo Aurélio: falto, falho, carecido, carente, sem naipe) não pode abrir, presente ao qual ele, portanto, não faz justiça, não dá fluência ou circulação, presente que ele não sabe receber.
O leitor em empatia com o narrador – o leitor que caiu no conto simpático do velhaco latifundiário Riobaldo que se justifica – com certeza objetará, e com razão, que Riobaldo amou Diadorim, amou-o verdadeiramente do jeito que lhe foi possível, no limite do que era concebível e aceitável numa sociedade homofóbica onde, afinal de contas, o nome de Deodorina era Reinaldo Aí, claro, entra a tragicidade do personagem Riobaldo, emblematizada no fato de que em sua essência verdadeira, mais profunda, interior ao vestuário, Diadorim era-lhe, sim, possível como objeto de amor que não perturbava suas tão queridas convenções sociais, já que biologicamente mulher.
Mas ser mulher não é uma opção possível para Deodorina numa sociedade onde ela deve vingar a morte do pai, Joca Ramiro. Diadorim, o que só tem pai; Riobaldo, o que só tem mãe. O transgendering de Diadorim (o termo aqui é exato, acho: Diadorim não é andrógino nem muito menos “hermafrodita”) é necessário devido à interdição da jagunçagem à mulher. É ali que Diadorim tem que se provar como o mais valente. Se no meio dos acontecimentos Riobaldo podia achar que “esse menino, e eu [...] éramos destinados para dar cabo do Filho do Demo, do Pactário!” (310), a ironia amarga é que é somente Diadorim quem dá cabo do demo, Hermógenes, na ponta faca, na luta fatal que Riobaldo assistiu impotente e paralizado, já que só sabia atirar. O preço da covardia de Riobaldo é a morte de Diadorim e a revelação de Maria Deodorina. Diadorim, por outro lado, morre como figura definitiva da coragem, emblema da donzela guerreira.
Diadorim é também Diá-adorar, adoração do demo e figura do demoníaco: joga Riobaldo no redemoinho do amor homoerótico e vira cifra, para ele, da obrigatoriedade do pacto. Deus é sempre um; o demoníaco está cifrado no nome de Diadorim como di + adorar, o amor do duplo. O diabo é sempre legião:
...a gente criatura ainda é tão ruim, tao, que Deus só pode às vezes manobrar com os homens é mandando por intermédio do diá? Ou que Deus -- quando o projeto que ele começa é para muito adiante, a ruindade nativa do homem só é capaz de ver o aproximo de Deus é em figura do Outro? ...Deamar, deamo...Relembro Diadorim. Minha mulher que nao me ouça.
Em livros e artigos sobre Guimarães Rosa, Diadorim tem sido estudado a partir do topos da donzela guerreira (personagem fascinante, claro) ou como figura andrógina do coincidentia oppositorum. Alguns outros estudos recentes fazem observações interessantes sobre Diadorim como figura da poética de Rosa, como emblema da própria paixão do autor pela invenção e pelo desconhecido. Há sempre que se lembrar que o primeiro encontro de Riobaldo com Diadorim – na iniciática travessia do Rio São Francisco liderada por Diadorim com 14 anos, então “o Menino” – ocorre no porto do Rio-de-Janeiro, Janus sendo, claro, a figura do deus de dupla face, dos rituais de passagem.
Mas pouco tratada, na verdade – vejam que interessante - é a questão de Diadorim como desestabilização de uma certa masculinidade sertaneja de longa história ou como, digamos, figura da redefinição dos códigos de masculinidade mesmo. O tema é tão óbvio que pulula, mas há um ponto a partir do qual não se trata dele: Grande Sertão como romance gay. Por que tão poucos estudos sobre a experiência que é especificamente homoerótica ali? Diadorim, afinal, é mulher que vive como homem e é o amor frustrado por esse homem que Riobaldo relata. Diadorim também é di(á) + dor, a experiência do duplo e do demoníaco na dor.
O que Diadorim desestabiliza é tão grande que só depois de umas 4 releituras do romance e da leitura recente de um estudo do Willi Bolle, grandesertão.br, me dei conta de quão orgânicos são os vínculos entre Otacília, o latifúndio, a transmissão da propriedade e a solidez da família nuclear monogâmica heterosexual. Claro, já na primeira leitura fica óbvio que o amor por Otacília é a opção pela segurança e estabilidade de uma relação – forte e amorosa, sem dúvida – socialmente sancionada. Mas Bolle mapeia de uma forma bem interessante toda a trajetória de Riobaldo na segunda parte da seqüência de acontecimentos, posteriores ao pacto, até a sua assunção como chefe e a luta final onde morrem Hermógenes e Diadorim: trajetória de progressiva má fé, soberba e acovardamento, emblematizados no abandono (autoritariamente justificado) de seus comandados, em meio a possibilidades de batalha, para uma visita a Otacília. Isso se fecha na paralisia de Riobaldo, pelo medo, na batalha final. Digamos que esse medo tem raízes bem sólidas numa opção de classe e numa ordem heterossexista compulsória. Diadorim é a força desestabilizadora dessa ordem. Bolle diz bonito, no seu livro:
a figura bissexual de Diadorim é um meio para evidenciar, por contraste, o que há de unilateral e redutor no retrato do povo apresentado por Euclides. O autor d'Os Sertões valoriza o sertanejo apenas como guerreiro - postura sintetizada na frase que se tornou célebre: 'O sertanejo é, antes de tudo, um forte". Quase todos os demais valores culturais das pessoas do sertão - suas práticas religiosas, formas de organização econômica e política, sua fala, sua sensibilidade e, em particular, todo o universo feminino - são relegados à margem ou desprezados (pag. 214-5).
Eu me lembro de que em 1985, quando Walter Avancini fez para a Rede Globo uma mini-série sobre Grande Sertão: Veredas, a imagem de Bruna Lombardi como Diadorim tirava da personagem, para mim, toda verossimilhança: além de “feminina” em excesso, Bruna já era conhecida demais como mulher para que toda a ambigüidade de Diadorim se deixasse entrever. Eu me lembro de pensar que uma atriz desconhecida mas fisicamente bem masculina teria sido o ideal – alguém que ninguém conhecesse, que fizesse justiça ao personagem, que é, afinal, uma figura do desconhecido e do inexplorado, das mil identidades existentes por aí ainda sem representação.
PS: Eu teria mais a dizer sobre Diadorim, mas é hora de arrumar mala. Fiquem à vontade para puxar outros fios de conversa sobre a personagem, ou outras facetas do livro. Sugestão de leitura de hoje: o volume da coleção Fortuna Crítica sobre Guimarães Rosa, que reúne um time de ensaístas de primeira, e o estudo de Bolle citado acima, belíssimo.
PS 2: Nossa próxima tarefa é Terras do Sem Fim, de Jorge Amado, para dentro de algumas semanas, ok?
PS 3: Valeu, Belo Horizonte. O próximo post lhes chegará de Nawlins, onde aterrizo, com a benção dos orixás, na terça de manhã.
Escrito por Idelber às 01:57 | link para este post
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sexta-feira, 25 de agosto 2006
Mais uma das nossas muitas histórias de racismo
Cenário: Rio de Janeiro, Zona Sul, agosto de 2006. Hotel três estrelas.
Um casal de hóspedes, branco, recebe suas primeiras visitas durante a estadia no hotel, um casal amigo que chegava; ele, norte-americano, também branco, e ela, carioca, negra. Na entrada do hotel o casal que sobe responde perguntas sobre se ficariam por muito tempo e ouvem algo sobre o regulamento do horário de visitas no hotel. Não dão importância - a alegria do reencontro com o casal amigo que espera acima é grande. O relógio marcava algo como 20:30.
Segunda noite da estadia no hotel, o mesmo casal de hóspedes combina uma farra com um grupo grande de amigos, e um dos que a eles se juntam antes da saída para a rua é o amigo da noite anterior, americano, branco. Veio sem a namorada, a carioca, negra – ela se encontrava com indisposição estomacal. Ao anunciar-se na portaria, foi-lhe dito que subisse, sem que nada lhe fosse perguntado. O relógio marcava 21:30.
Terceira noite da estadia no hotel, o mesmo casal de hóspedes combina com o mesmo casal de amigos uma saída para um restaurante. Agora vêm os dois, ela já melhor da indisposição estomacal da noite anterior. O dado novo em relação à primeira noite é que eles chegam separados, pois vinham de lugares diferentes da cidade.
Ela – carioca, negra – chega não depois de 20:30 e ao anunciar-se na portaria, enfrenta uma bateria de perguntas sobre quanto tempo ficaria, se sabia do horário de visitas do hotel, se “demoraria”. Atônita, responde como pode.
Ele – o americano, branco – aguardado pela namorada e pelos amigos no quarto para a saída ao restaurante, chega não muito atrasado mas em todo caso não antes de 20:45. Anuncia-se na portaria. Sobe sem que nada lhe seja perguntado.
Relato verídico, dedicado singelamente a todos os que, por ingenuidade ou por maldade, dizem – com todas as letras ou meias-palavras – que “não há racismo” no Brasil.
PS: Rosana Hermann descobriu – através de um leitor de seu blog, ah, os leitores de blog, mes amis, não tema nada neste mundo mas tema um leitor de blog! – que o “jornalista” Miltinho Cunha roubou toneladas e toneladas de posts seus, durante tempos, e publicou-os no jornal O estado, de Florianópolis. O caso é de plágio imenso, descarado, burro e comprovado. Ver os posts da Rosana com toda a documentação do roubo aqui e também a nota do Blue Bus e o post de Cesar Valente. Na época em que se comprovou o plágio cometido por Carlos Alberto Parreira, o Biscoito fez esse post.
Escrito por Idelber às 06:02 | link para este post
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quinta-feira, 24 de agosto 2006
No Memorial da América Latina, Sampa
Ao lado do terminal da Barra Funda, ocupando quase 85 mil metros quadrados, mais com cara de Brasília que de Sampa, fica o Memorial da América Latina, inaugurado em 1989 e projetado por Oscar Niemeyer. É um complexo de edifícios com aquela marca registrada da utopia modernista brasiliense:


De longe, o mais interessante é o museu, que cobre três grandes regiões, o Norte/Nordeste brasileiro, a Mesoamérica (México/Guatemala) e os Andes (especialmente Peru e Equador). É um recorte que privilegia áreas indígenas ou não urbanas. À direita, um tablado com bonecos de maracatu:


Luxo carnavalesco e trabalho em madeira do Nordeste:


Depois inicia-se o setor meso-americano, com o (para nós) quase ininteligível mundo das alegorias mexicanas


e suas cosmogonias caveirocêntricas, onde tudo é Dia dos Mortos:


Ainda na parte mesoamericana, o museu traz algumas peças da região maya - o sul do México (Chiapas, terra dos Zapatistas e dos indígenas, terra onde a Reforma Agrária mexicana nunca chegou) e o altiplano guatemalteco, que é de onde vêm os suéteres e o trabalho em cerâmica:


A parte andina do museu traz algumas peças equatorianas, mas privilegia mesmo os departamentos de Ayacucho (em quechua: lugar dos mortos; lá se luta a última batalha pela independência hispano-americana, em 1824) e Cusco, ambos no Peru. Desse dois departamentos vêm, respectivamente, o trabalho de tecelagem e o tablado:


O Memorial da América Latina foi produto, em grande parte, da vontade visionária do maior crítico literário hispano-americano da segunda metade do século XX, Angel Rama, um uruguaio que amava São Paulo. Além do museu, o Memorial contém um auditório, uma galeria de arte, um pavilhão e uma pequena biblioteca, que fiz questão de visitar para ver se recomendava. Não é uma coleção de impressionar, mas tem boas seleções de literaturas argentina e mexicana, além de algumas estantes de história e ciências sociais latino-americanas. A mítica Biblioteca Ayacucho, fundada por Angel Rama na Venezuela e dedicada a lançar edições críticas e comentadas de clássicos latino-americanos, está todinha lá:


PS sobre outro museu: Também fui ao Museu da Língua Portuguesa, lá na Estação da Luz, mas sem máquina fotográfica. É uma rica coleção de aparatos, vídeos interativos, linhas evolutivas, quadros explicativos: um museu bem high-tech. O destaque é o mapa do Brasil acoplado a vídeos gravados em toda a Federação, que documentam a variação dialetal do português brasileiro. No primeiro andar há uma exposição (não sei se permanente) sobre o Grande Sertão: Veredas, que inclui mapas, reconstituições do ambiente e reproduções gigantescas do manuscrito com as correções de Rosa. Vale a visita, se seus ouvidos conseguirem abstrair os irritantes relinchos, cantos de pássaros e ruídos de água reproduzidos em playback. As explicações históricas sobre a evolução do latim, a hipótese da língua indo-européia e a origem do português são profissionais e bem-informadas. O "panteão" de 100 obras da literatura lusófona é escolhido e organizado por Alfredo Bosi, com a concepção romântico-grandiloqüente que o caracteriza. Nas placas identificatórias há pelo menos um erro: Corpo de Baile, de Rosa, é atribuído a Clarice Lispector. Não encontrei nenhum outro erro. Vale a visita.
Escrito por Idelber às 00:59 | link para este post
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terça-feira, 22 de agosto 2006
Links
Pois, começou o programa das Mothern no GNT. Eu adorei assistir o primeiro episódio, o penúltimo que poderei ver antes do regresso a terras gringas. Foi suficiente para testemunhar que o programa tem fôlego para ir longe: um baita material, roteiro ágil, boas atrizes. Claro que a tendência dos que conhecemos as Mothern pessoalmente é ficar comparando, e aí é covardia: as personagens são ligeiramente “histéricas” quando comparadas à sabedoria zen de Ju e Laura. Mas minha única crítica de fundo é que num sitcom com quatro mães, realmente não havia razão para que todas elas fossem brancas. Fora isso, achei um charme o início da série. E acho que ela vai longe.
E só mesmo as Mothern para me fazerem abandonar por quinze minutos um Roda Viva em que Tariq Ali dava um show de bola nos jornalistas brasileiros para assistir o programa da Hebe Camargo! Lá estavam as poderosas, no sofá da Hebe. Outro show.
Encontros de blogueiros, neste país, são realizados com o único objetivo de que o Biajoni possa depois fazer um relato. Nada a acrescentar.
Do bom blog peruano Puente Aéreo vem um interessante post sobre Grandes Fraudes Literárias.
É bem curioso que entre todos os que se escandalizaram com as reações de suposta “censura” aos cartoons islamofóbicos publicados na Dinamarca, não se haja erguido uma única voz que se escandalize porque militantes socialistas são presos na mesma Dinamarca por usar camisetas pró-Palestina.
A trilha sonora do dia foi Vou tirar você deste lugar: tributo a Odair José, um excelente disco de rock, na verdade, com uma linda versão de “Eu queria ser John Lennon,” pela banda carioca Columbia, que eu não conhecia. Baixado lá no Mercado de Pulgas (dica da Luiza e seu belo Favoritos). O disco ainda conta com Mundo Livre S/A, Paulo Milklos, Mombojó, Pato Fu. Tudo bem feitinho. Demorou, mas Odair é cult. Só senti falta de uma versão de "Pare de tomar a pílula".
Milhares de mineiros saem de Governador Valadares, uma cidade de merda, para viverem numa cidade de Boston. As frases são assim, meio politicamente incorretas. Mas algumas são hilárias. Frases malucas.
Alguns blogs amigos já noticiaram que o Grande Sertão: Veredas foi disponibilizado online. Mas nesse link eu ainda não vi nada, só a capa. Alguém sabe o que está acontecendo?
Tenda do Nilo. Rua Coronel Oscar Porto, 638, Paraíso, Sampa. Ali teve lugar uma das melhores refeições árabes da minha vida, de longe minha melhor refeição em Sampa. Como é de tradição entre famílias árabes, a hospitalidade é algo mais. Recomendo.
O programa imperdível de hoje à noite em São Paulo é a mitológica banda Fellini, que toca no SESC Pompéia. Thomas Pappon está na cidade.
Valeu, Sampa. O próximo post lhes chegará de Belzonte.
Escrito por Idelber às 04:57 | link para este post
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segunda-feira, 21 de agosto 2006
Histórias de escritor
Histórias de escritor, I :
Roda de escritores na Mercearia São Pedro, em Sampa. Eu, na minha condição de agregado, estou lá com Ana, que recebera convite de Daniela Abade. Terminamos na Sala VIP, olha que chique. Fico conhecendo dois camaradas, a cronista Lucia Carvalho, que experimentou 7 variações na pronúncia do meu nome, e o mítico Pecus, capaz de ser eleito blogueiro sexy sem que ninguém jamais tenha visto foto sua. Passaram pela roda Marcelino Freire, que saiu cedo, com o Jabuti a pesar-lhe sobre os ombros, Ivana Arruda Leite, Indigo, Joca Reiner Terron, Ronaldo Bressane, Daniel Galera, mais um pessoal que não conheço. Também havia um simpaticíssimo, erudito piauiense, cujo nome não aprendi. Como todo piauiense em São Paulo, torce pelo Corinthians.
Eis que pinta a melhor história da noite: encontrar o próprio livro num sebo. Não é nada traumático e pode até lhe dar aquela ilusão de ter galgado mais um estágio na hierarquia literária. A menos, claro, que o raio do exemplar esteja autografado. Foi a história da noite: escritor que permanecerá inomeado, caminhando por certa capital brasileira, encontra um exemplar de seu próprio livro, dedicado a certa leitora de alguma, digamos, importância, que também permanecerá inomeada; ela o havia vendido ao sebo só rasurando seu próprio nome na dedicatória. Pior parte: a leitora nem sequer havia comprado o livro na noite de autográfos, mas recebido o dito cujo de presente! Imaginem o xingamento que sai da boca do escritor.
Aí, claro, os cérebros dos contistas se põem a imaginar um fim para a história. A que arrancou mais gargalhadas foi: o escritor compraria de novo o próprio livro. Escreveria uma segunda dedicatória. Algo como: “já que a primeira não foi suficiente....”. Colocaria o livro no correio de volta a sua primeira dona, para provável surpresa e terror da leitora.
Histórias de escritor, II (Mesa de debates sobre blogs e literatura)
A Rosana Hermann fala como posta: a mil por hora, com análises, estatísticas, bruscas viradas de jogo. A Bruna Surfistinha foi lúcida e narrou o que foi, para ela, o fetiche do livro, o desejo de ter um livro publicado. Tinha o radar anti-ironia ligado e bem preparado. Olhava com certa desconfiança, natural, para as outras. A Indigo narrou a deliciosa história dos seus sub-empregos, que geraram um belo blog. A Ivana, inspiradíssima, era a que mais se divertia: elencou tudo o que tinha em comum com a Surfistinha, e não era pouco.
Indigo e Ivana concordaram que a escrita destinada ao livro tinha uma nobreza, uma perenidade, um valor, que a escrita do blog não tem. Fiquei curioso para saber mais sobre esse limite, para o escritor de ficção. Porque a tentação de publicar o conto recém terminado no blog deve ser grande. Acho que acabamos concordando que a perenidade é muito mais da satisfação proporcionada pela publicação em formato livro, do que do objeto em si – objeto hoje em dia menos perene, afinal de contas, do que os textos que têm existência eletrônica. A figura mais falada nesse debate sobre blogs foi, curiosamente, o bom, velho, nobre e fetichizado livro.
PS: Um super time de cientistas criou um blog dedicado à área, o Roda de Ciência. A idéia é debater um tema por mês. Este mês o tema é a divulgação científica. A Lucia Malla está participando, então a coisa é fina. Vão lá conferir, ok?
Escrito por Idelber às 04:50 | link para este post
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sexta-feira, 18 de agosto 2006
A brilhante proposta de Bárbara Gancia
Tempo fechadão em Sampa, gripe que quase me derruba, pilhas de trabalho acadêmico nem tão prazeroso, eis que lendo a imprensa, encontro o insólito:
Na Itália, só foi possível acabar com o seqüestro quando as autoridades passaram a congelar a conta bancária de seqüestrados, e de suas famílias, para impedir o pagamento de resgates. (grifo meu, I.A.)
Pois eu sugiro que todos os jornalistas assinem um manifesto afirmando que, caso sejam seqüestrados, eles proíbem terminantemente a exibição de vídeo ou a publicação de texto de interesse de grupos criminosos. Desde segunda-feira venho falando com colegas sobre minha proposta. Até agora, só um se dispôs a assinar o documento.
É Bárbara Gancia (link para assinantes UOL ou Folha), com sua brilhante "solução" para resolver o problema dos seqüestros. Ela se espanta de que só um colega assinou seu manifesto. Eu me horrorizo de que alguém tenha assinado um termo de compromisso de que não aceitará que se negocie a exibição de um vídeo para salvar a própria vida! É dose. Já é testemunho suficiente da barbárie, não a do PCC, mas a dos "justiceiros."
A colunista deveria ler com mais atenção alguns blogs, como o dele e o dela. Quem sabe não lhe ocorreriam outras idéias.
Escrito por Idelber às 17:22 | link para este post
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quarta-feira, 16 de agosto 2006
Blogs e Literatura
No sábado, dia 19 de agosto, às 17:00, como parte da programação da Primavera dos Livros aqui em São Paulo, acontece uma mesa-redonda sobre o tema "Blog e Literatura, Blog é Literatura?", com a participação de Ivana Arruda Leite, Bruna Surfistinha, Indigo e Rosana Hermann (dica via Pensar Enlouquece). Aproveitando o ensejo, deixo abaixo o texto que escrevi sobre o assunto para o Salão do Livro de BH deste ano; ele surrupia dois parágrafos de outro texto, lá apresentado ano passado. O resto é novo. Foi escrito para um público que não necessariamente conhece blogs, então relevem as obviedades.
BLOGS E LITERATURA
Se você se interessa por literatura e não tem a menor idéia do que é um blog, ou ainda acredita que blog é coisa de adolescente relatando suas festinhas e namoros, esta é a hora de dirigir o olhar para uma quase silenciosa, mas ineludível experiência literária que vem se gestando na internet. Boa parte da melhor literatura que se escreve hoje no Brasil tem sido produzida ou circulada através da chamada “blogosfera”.
Os blogs são sites pessoais com entradas organizadas em ordem cronologicamente inversa, de forma que, ao abrir a página, o primeiro que se vê é a última entrada publicada pelo autor. Estas entradas são chamadas “posts” e podem ser um texto, uma imagem, um vídeo ou simplesmente uma frase com um link a outro site na internet. Com freqüência os blogs incluem, ao final de cada post, uma caixa de comentários aberta a contribuições dos leitores – tal interatividade é, de fato, uma das marcas registradas da blogosfera. Já há alguns anos protagonistas de uma revolução na internet brasileira (e em países como Estados Unidos, França, China, Irã), os blogs podem ser de vários tipos: jornalístico, esportivo, confessional, político, literário. Limitamo-nos aqui a falar destes últimos.
São numerosos os escritores de poesia e ficção, inéditos ou veteranos, que aderiram a esse formato e abriram blogs. Aqui haveria que se fazer uma diferenciação. Há, por um lado, escritores que se utilizaram do formato blog para disseminar uma produção que já possuíam anteriormente. Chamemos estes de escritores-blogueiros. Por outro lado, há escritores que já se formaram na blogosfera, ou seja, que não tinham uma obra anterior e que foram levados, pelo blog, a publicar livros. Chamemos estes últimos de blogueiros-escritores.
Há diferenças importantes entre os escritores-blogueiros e os blogueiros-escritores, mas em nenhum dos dois casos o blog é um mero veículo que distribui um produto que permanece independente do formato através do qual é disseminado. Pelo contrário, a natureza da forma altera o conteúdo: é próprio dos blogs que a escrita seja dinâmica, rápida, interativa e sujeita a críticas permanentes. Isso acaba gerando uma literatura de caráter distinto, afeita ao aforismo, à blague, à interpelação a quem lê; propensa a antecipar qual será a reação do leitor; acostumada à revisão e à correção públicas; dotada de um constante impulso metalingüístico, de reflexão sobre si própria; e, fundamentalmente, vinculada de maneira orgânica com a experiência. Não é raro que um blog interrompa o fluxo de posts sobre seus temas principais para fazer uma observação sobre a vida particular: um comentário sobre um desengano amoroso, um lamento por uma tragédia pessoal, a convocação de uma festa. Pouco a pouco, vai se tecendo ali um personagem de ficção, que os leitores acompanham mais ou menos como acompanhamos uma telenovela, com as diferenças importantes de que o enredo traz uma relação direta com a experiência daquele que escreve e de que o final da história nunca está determinado de antemão.
Recentemente, a editora independente Gênese (que é de propriedade de uma blogueira, Alê Felix) lançou uma coletânea de contos de vários autores reunidos no coletivo Blog de papel, onde se pode comprovar a variedade e qualidade da ficção produzida nos blogs. A produção literária tanto dos blogueiros-escritores como dos escritores-blogueiros já é vasta: entre estes, destacam-se o poeta e cronista Fabrício Carpinejar, o ficcionista Marcelino Freire, o romancista Santiago Nazarián, as prosadoras Ivana Arruda Leite e Cintia Moscovich. Entre aqueles, podem ser citados Ana Maria Gonçalves que, através de seu blog, publicou um primeiro romance, Ao lado e à margem do que sentes por mim, em edição de autor, para logo receber um contrato da Editora Record para seu segundo livro, Um defeito de cor; Daniela Abade, que publicou seu primeiro romance, Depois que acabou, pela editora Gênese e em seguida lançou o segundo, Crônicos, pela Ediouro; Daniel Pellizzari que, além de escritor, é fundador da editora Livros do Mal; Daniel Galera, autor de obras que antecederam seu atual sucesso na Companhia das Letras, Mãos de cavalo. Há inúmeros outros exemplos que poderiam ser citados, mas com os links fornecidos acima já dá para começar. Acredite, você vai se viciar e nunca mais vai crer que só se produz literatura com papel, capas e lombadas.
Escrito por Idelber às 14:09 | link para este post
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segunda-feira, 14 de agosto 2006
"Motherns indicadas para o Prêmio Nobel"
. . . pode ser uma manchete por aí nos próximos anos. Quando for, diga que você leu aqui primeiro. É o que falta para a Ju e a Laura.

Depois de serem capa da Ilustrada, destaque na Fal, entrevistadas na Marília Gabriela (reprise nesta terça 22:30, quarta 4:00 e 15:00 e quinta 10:00), as Mothern foram tema de bela matéria-post no Global Voices Online. O post é imperdível.
Está chique o suficiente ou quer mais? Não acabou. O programa Mothern começa sábado no GNT, 20:30.
Eu poderei dizer, hohoho, "eu era amigo delas quando eram 'só' blogueiras, autoras de um livro e criadoras de uma das comunidades mais inovadoras da Internet brasileira".
Parabéns, Ju e Laura. Leitores: telinha ligada no sábado para a estréia da série. Vale a pena, né?
Escrito por Idelber às 18:03 | link para este post
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Lançamento de Um defeito de cor em São Paulo!
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Convite aos amigos paulistanos: Ana Maria Gonçalves autografa Um defeito de cor nesta quarta-feira, a partir das 18:30, na Livraria da Vila - Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, tel (11) 3814-5811.
Se você é são-paulino e quer ver a final da Libertadores, não se avexe. O evento deve acabar antes das 21:30, e com certeza o chopinho blogueiro que se seguirá pode ser marcado para um bar com televisão.
Eu, que não me importo muito com campeonatos como a Libertadores e a Série A do Brasileirão, estarei lá com Ana. Para quem quiser ajudar na divulgação, aí vai o selinho.
Vai ser muito bom rever São Paulo. Aguardamos os amigos lá na Livraria da Vila.
